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doutor do seu feijoeiro
Tipologia: Notas de estudo
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Tabela 1. Extrações e exportações de nutrientes segundo diferentes autores.
GALLO & MIYASAKA (1961) HAAG et al. (1967) COBRA NETO et al. (1971) Extração Exportação Extração Exportação Extração Exportação (kg/ha) (kg/ha) (kg/ha) (kg/ha) (kg/ha) (kg/ha) N 102 67 66 201 28 14 102 37 36 P 9 6 67 18 4 22 9 4 44 K 93 31 33 201 20 10 93 22 24 Ca 54 6 11 116 4 4 54 4 7 Mg 18 5 27 36 2 6 18 4 22 S 26 11 44 36 4 12 25 10 40
Cultivar Chumbinho opaco Chumbinho opaco Roxinho
istoricamente, a cultura do feijoeiro tem apresentado baixas produtividades médias no Brasil. Muitas razões têm sido aventadas para a ocorrência desta situação, desde os sistemas de produção em consórcio, efeitos climáticos e sanidade da cultura, até problemas econômicos dos agricultores.
Entretanto, as cultivares utilizadas atualmente têm potencial de produção compatíveis com uma agricultura moderna e econô- mica. Este potencial raramente tem sido alcançado, em função dos altos riscos da cultura, que desencorajam maiores investimentos.
A irrigação e a adubação são fatores decisivos na modifica- ção deste quadro.
A utilização da irrigação permite a produção em épocas de preços mais favoráveis ao agricultor e dá segurança para inves- timentos em controle fitossanitário eficiente e em programa racional de adubação.
O feijoeiro é considerado uma planta exigente em nutrientes, em função do pequeno e pouco profundo sistema radicular e do ciclo curto. Por isso, é fundamental que o nutriente seja colocado à disposição da planta em tempo e local adequados.
Embora encontrem-se disparidades na literatura com relação às quantidades de nutrientes absorvidas pelo feijoeiro, normalmente a exigência é maior que a da soja, por exemplo. As quantidades médias de nutrientes exportados por 1.000 kg de grãos citadas em várias pesquisas são: 35,5 kg de N, 4,0 kg de P, 15,3 kg de K, 3, kg de Ca, 2,6 kg de Mg e 5,4 kg de S.
As extrações e exportações de nutrientes, segundo diferen- tes autores, encontram-se na Tabela 1.
(^1) Engº Agrº, Dr., Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/ UNESP, Botucatu-SP. (^2) Engº Agrº, Dr., Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/UNESP, Botucatu-SP.
A absorção de nitrogênio ocorre praticamente durante todo o ciclo da cultura, mas a época de maior exigência, quando a velocidade de absorção é máxima, ocorre dos 35 aos 50 dias da emergência da planta, coincidindo com a época do florescimento. Neste período, a planta absorve de 2,0 a 2,5 kg N/ha.dia. A época de maior velocidade de absorção de fósforo vai desde aproximadamente 30 dias até os 55 dias da emergência, ou seja, desde o estádio fisiológico anterior ao aparecimento dos botões florais até o final do florescimento, quando já existem algumas vagens formadas. Embora a demanda seja alta durante todo este período, ela acentua-se no final do florescimento e no início de formação das vagens, época em que o feijoeiro absorve de 0,20 a 0,30 kg P/ha.dia. O padrão de absorção de potássio é diferente. Aparentemente, são dois os períodos de grande demanda: entre 25 e 35 dias e entre 45 e 55 dias da emergência. O primeiro período correspode à diferenciação dos botões florais, quando a cultura absorve, em média, 1,7 kg K/ha.dia, e o segundo, ao final do florescimento e início de formação das vagens, quando o feijoeiro absorve, em média, de 2,2 a 3,3 kg K/ha.dia. A partir do final do florescimento a absorção de K é muito baixa.
SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA
A maneira mais prática e rápida de se determinar a existência de deficiência mineral na planta é através da diagnose visual, embora seja um método até certo ponto subjetivo e careça de precisão.
Ciro A. Rosolem 1 Osvaldo M. Marubayashi 2
%
Nutriente % %
Tabela 2. Teores adequados e deficientes de nutrientes em folhas de feijoeiro na época do florescimento. Teor Baixo Médio Adequado
xidez, as plantas apresentam-se com pontuações escuras nos folío- los medianos, que coalescem; encarquilhamento e queda de folhas.
DIAGNOSE FOLIAR Embora mais demorado, o método de análise química das folhas para determinação do estado nutricional é uma excelente ferramenta. Sua maior limitação reside no fato de que dificilmente seus resultados são obtidos a tempo de serem utilizados antes da colheita da cultura da qual as amostras foram tiradas. Entretanto, os resultados são extremamente úteis, princi- palmente no controle da aplicação de micronutrientes, podendo ser evitada a aplicação onde eles não são realmente necessários. Para a diagnose foliar do feijoeiro devem ser coletadas 30 a 40 folhas da área representativa, colhidas do terço mediano da planta. Devem ser escolhidas folhas sadias, sem manchas ou ataque de pragas, na época do florescimento. Na interpretação dos resulta- dos devem ser utilizados os dados da Tabela 2.
De maneira geral, pode ser dito que o feijoeiro apresenta a produtividade máxima quando o pH em água está na faixa de 6, a 7,0, sendo a toxidez de manganês o fator mais limitante. Este fato foi demonstrado no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Em consonância com estes resultados, foi demonstrado que a maior produtividade do feijoeiro é obtida quando a saturação por bases do solo foi elevada para 70%. Assim, recomenda-se a elevação da saturação do solo por bases a 70%, nos casos em que a mesma estiver abaixo de 60%. A pesquisa, até o presente, não oferece segurança para a recomendação de um tipo específico de calcário, de maneira que o custo do material aplicado é que deve ser o principal fator de decisão na escolha do produto.
ADUBAÇÃO
Nutriente
A rotação de culturas é muito recomendada para a cultura do feijão, tanto pelos aspectos da adubação e nutrição, como também pelo controle de doenças e pragas.
A adubação verde e a incorporação de restos vegetais po- dem melhorar a produtividade.
A cultura responde bem à adubação orgânica. Tem sido obtidas respostas à aplicação de até 15 a 20 t/ha de esterco de curral e até 4 a 8 t de esterco de galinha ou cama de frango de corte. O efeito residual desta adubação tem sido observado até o 3º ano.
O adubo orgânico deve ser aplicado a lanço e incorporado com grade.
A adubação foliar é importante quando do diagnóstico de qualquer deficiência, principalmente de micronutrientes. No caso de macronutrientes, é possível a resposta ao nitrogênio aplicado do início ao final do florescimento. Se a planta mostrar deficiência após o florescimento, a aplicação de uréia pode fazer aumentar um pouco o peso de 100 sementes, com eventual pequeno acréscimo na produtividade. Embora seja até possível substituir a cobertura tradicional pela aplicação foliar, esta não deve ser uma prática generalizada, pois no experimento em que isso foi realizado a produtividade mostrou-se relativamente baixa. A uréia pode ser aplicada até concentrações de 5% com bastante segurança. Eventualmente podem aparecer algumas manchas de fitotoxicidade, que desaparecem em poucos dias.
quando em populações elevadas. Os danos mais severos causados pelas vaquinhas são decorrentes do consumo da área foliar pelos adultos, em especial na fase de plântula. Quando altas populações ocorrem nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura, não havendo área foliar disponível, os insetos podem consumir o broto apical, causando, em decorrência, a morte das plântulas. O ataque pode estender-se posteriormente às flores e vagens. Além dos prejuízos que causam como praga, as vaquinhas atuam também como transmissoras de diversas viroses do feijoeiro, como é o caso do mosaico em desenho. Embora ocorram durante todo o ano, as maiores populações e maiores prejuízos causados por essas pragas têm sido observados na safra da seca, em especial nas lavouras de feijão em monocultivo.
2.2. Cigarrinha verde – Empoasca kraemeri (Foto 23)
É considerada a praga mais importante do feijoeiro na América Latina, tanto pela sua vasta distribuição como pelos prejuízos que pode causar à cultura. Os adultos são verde e medem cerca de 3 mm. As ninfas têm a mesma coloração e são facilmente identificáveis pelo seu movimento lateral característico. As formas jovens (ninfas) e os adultos localizam-se principalmente na face inferior das folhas e nos pecíolos, causando danos através da sucção direta da seiva e injeção de toxinas. Quando o ataque ocorre nas fases iniciais do desenvolvimento da planta, observa-se um enfezamento, caracterizado pela presença de folíolos coriáceos com as bordas encurvadas para baixo e paralisação do crescimento. Em fases posteriores de desenvolvimento, os sintomas se manifes- tam pelo enrolamento dos folíolos, amarelecimento e posterior necrose das bordas dos mesmos. A época de maior ocorrência da cigarrinha verde é no plantio da seca, principalmente no sistema de monocultivo, e a fase mais crítica de ataque da praga é da emergência até a época do florescimento.
2.3. Mosca branca – Bemisia tabaci (Foto 24) São insetos diminutos, sugadores, responsáveis por severas perdas nas lavouras de feijão. Os adultos são semelhantes a moscas, branco-leitosas, e medem aproximadamente 2 mm de comprimento. Os ovos são colocados na face inferior das folhas, onde se fixam as ninfas após a eclosão. Estas são verde-claras, translúcidas, em forma de escamas, e permanecem praticamente imóveis, sugando a seiva até a emergência dos adultos. Embora ocorra competição de nutrientes pela sucção contínua da seiva, os danos mais graves devem-se à transmissão de viroses, principalmente o mosaico dourado. De ocorrência pouco significativa na safra das águas, a mosca branca constitui fator limitante à produção de feijão em diversas regiões do país durante a safra da seca. A maior incidência de mosca branca nessa época relaciona-se, entre outros, ao acentuado efeito da temperatura no seu ciclo de vida. Temperaturas mais elevadas aumentam a velocidade de desenvolvimento do inseto, além de aumentar a taxa de postura, ou seja, o número de ovos depositados por fêmea. Esse efeito, aliado à migração do inseto a partir de hospedeiros alternativos como soja, algodão e plantas daninhas, influi decisivamente no aumento da população da mosca branca, ocasionando, com freqüência, prejuízos acima de 80% na produção do feijão da seca.
Os danos causados pelas pragas na cultura do feijoeiro podem ser observados desde a semeadura até quando os grãos estão secos nas vagens ou mesmo armazenados, e, devido à diversidade de espécies que ocorrem, praticamente todas as estruturas da planta têm se mostrado suscetíveis.
Sendo uma planta que apresenta ciclo curto, o feijoeiro pode ser cultivado duas a três vezes no mesmo ano agrícola. Em decorrência disso, e da variação estacional nas populações de pra- gas, condições climáticas, cultivares e práticas de cultivo utilizadas, os prejuízos à cultura variam nas diferentes épocas de plantio e a cada ano. De maneira geral, as perdas no rendimento causadas pelas pragas têm sido estimadas na faixa de 33 a 86%.
1.1. Lagarta elasmo – Elasmopalpus lignosellus (Foto 19)
Das pragas que atacam as plântulas do feijoeiro, a mais importante é a lagarta elasmo, sendo fator limitante da população de feijão. Sua ocorrência está condicionada a períodos de estiagem no início de desenvolvimento da cultura. As lagartas são de coloração verde-azulado, com estrias marrons. São muito ativas, perfurando as plântulas na região do colo e construindo uma galeria no seu interior. O ataque da lagarta elasmo provoca amareleci- mento, murcha e morte da planta.
1.2. Lagarta rosca – Agrotis spp. (Foto 20)
As lagartas são de coloração variável, predominando a cinza-escura com listras longitudinais pouco pronunciadas. Têm hábitos noturnos, permanecendo abrigadas no solo durante o dia. Seccionam o caule das plântulas logo acima da superfície do solo, causando-lhe a morte. As plantas mais desenvolvidas podem tolerar o dano por tempo mais prolongado, porém, murcham e podem sofrer tombamento pela ação do vento.
1.2. Pulgão da raiz – Smynthurodes betae (Foto 21) Os adultos medem cerca de 2 mm de comprimento, são negros, enquanto as ninfas possuem coloração de branco-pérola a marrom. Tanto as formas ápteras como as aladas fixam-se às raízes do feijoeiro, sugando-lhe a seiva. Altos níveis de infestação provo- cam o amarelecimento e a murcha das plantas.
2.1. Vaquinha – Diabrotica speciosa (Foto 22) Diversas espécies de besouros podem ser encontradas sobre a cultura do feijoeiro. Entretanto, a D. speciosa é a espécie que causa maiores prejuízos à cultura. Os adultos possuem cerca de 6 mm de comprimento, coloração verde, com 6 manchas amarelas nos élitros. As larvas desenvolvem-se no solo, são branco-leitosas, com a cabeça e o último segmento abdominal castanho-escuros, medindo em seu máximo desenvolvimento cerca de 10 mm de comprimento. As larvas alimentam-se das raízes, dos nódulos, da região subterrânea do caule e das sementes em germinação, cau- sando atrofia das plantas e amarelecimento das folhas basais,
PRAGAS: DIAGNÓSTICO E CONTROLE
Os prejuízos causados pelos carunchos ao feijão armazenado traduzem-se em uma considerável redução no peso, na qualidade alimentícia e no poder germinativo das sementes, bem como na depreciação comercial devido à presença de insetos, ovos e excrementos. Somam-se ainda os danos indiretos, por favorecerem a entrada de microrganismos e ácaros, e aquecimento dos grãos.
O ataque de A. obtectus pode iniciar-se antes da colheita, sendo os ovos inseridos nas vagens. As larvas emergidas penetram nos grãos, onde se alimentam e empupam. Os adultos emergem deixando um orifício circular, depreciando o produto. Deve-se, portanto, proceder à colheita o mais cedo possível, reduzindo-se, assim, o tempo de exposição do produto a essa praga. Nos armazéns, os ovos são depositados entre os grãos.
De dimensões menores, os adultos de Z. subfasciatus ovopositam diretamente sobre os grãos nos depósitos, sendo que, após a eclosão, a larva penetra no grão sem entrar em contato com o meio exterior.
Para o controle das principais pragas que atacam a cultura do feijoeiro recomenda-se o Manejo de Pragas, cujos princípios básicos que o substanciam estão relacionados ao plantio e à condu- ção adequada da lavoura. As variações nas populações de pragas são determinadas por um conjunto complexo de fatores, os quais, na medida do possível, devem ser manipulados para evitar que essas populações atinjam níveis indesejáveis. Não se deve, entre- tanto, empregar métodos de controle isolados, e sim buscar a inte- gração das práticas disponíveis para se obterem resultados satis- fatórios e mais estáveis. Plantas conduzidas em situação favorável
podem tolerar melhor o ataque de pragas, e as recomendações dis- poníveis em relação a espaçamento, cultivares, épocas de plantio, adubação, condições de umidade e preparo do solo, rotação de cul- turas e associação de cultivos devem ser seriamente observadas na instalação da cultura. Assim, pode-se incrementar os lucros obtidos com a cultura do feijão não apenas através de aumentos de produ- tividade, mas também pelas reduções nos custos de produção, na medida em que se pode aumentar a estabilidade ambiental e evitar os problemas de pragas decorrentes da condução inadequada da lavoura. O controle químico deve ser visto como uma alternativa a ser utilizada quando as outras medidas de controle não forem possíveis, levando-se em consideração a relação benefícios/riscos. A escolha do produto, dose e número de aplicações deve se basear na gravidade e nível populacional da praga, no estádio de desen- volvimento e na economicidade do mesmo. Aplicações corretas significam reduções na quantidade de produto aplicado, nos custos de produção, na poluição ambiental e nos resíduos nos alimentos. Os inseticidas recomendados para o controle das principais pragas do feijoeiro são: Carbaril, Monocrotofós, Paratiom metílico, Clorpirifós, Dimetoato, Fenitrotiom, Metamidofós e Triclorfom. Para as pragas de grãos armazenados recomenda-se a fumigação dos grãos com a utilização de pastilhas de Gastoxin na dose de 1 a 3 pastilhas redondas/t de grãos ou 1 a 3 pastilhas redondas/15 a 20 sacos. Pode também ser feita uma mistura direta dos grãos com inseticidas de curto poder residual, como Malatiom 2% ou a sua utilização na proporção de 1g/kg de grãos. Para prevenir infestações posteriores recomenda-se a aplicação de Malatiom 50% CE em pulverização, ou a aplicação de piretróides à base de 0,1% de ingrediente ativo.
1.3. Mancha angular – Isariopsis griseola (Foto 39)
Este doença ocorre com maior intensidade na safra da seca. É favorecida por temperatura entre 18-25 oC associada com perío- dos de alta umidade. Ocorre com maior freqüência durante o estádio de formação e maturação de vagens. Os sintomas desta doença podem ser observados no caule, folhas e vagens. Nas folhas verdadeiras, as lesões são angulares, delimitadas pelas nervuras de coloração pardo-acinzentada, visível na face inferior da folha. Nas hastes, as lesões podem ser alongadas e de cor castanho-escuro, sendo que nas vagens as lesões são quase circulares, de coloração castanho-avermelhado, com os bordos escuros. As vagens atacadas podem produzir sementes mal desenvolvidas ou totalmente enrugadas. A doença é transmitida pela semente. Controle: Rotação de culturas, época adequada de plantio, uso de sementes sadias e tratamento químico (Mancozeb, Maneb).
1.4. Oídio – Erysiphe polygoni (Fotos 40 e 41)
Ocorre com maior intensidade em condições de seca e de temperaturas moderadas, podendo causar sérios danos à cultura se ocorrer antes da formação de vagens. Os sintomas se manifestam nas folhas, hastes e vagens. Os primeiros sintomas são manchas verde-escuras na parte superior das folhas que logo tornam-se pulverulentas e brancas, podendo tomar toda a superfície foliar. As vagens afetadas também apresentam crescimento pulverulento e, dependendo da intensidade do ataque, pode causar deformações e queda de vagens. Controle: uso de cultivares resistentes, época adequada de plantio e tratamento químico (Chlorothalonil, Tiofanato metílico
1.5. Mancha de levedura – Nematospora corylli (Foto 42)
Esta doença provoca deformações na semente, depreciando comercialmente os grãos de feijão. A mancha de levedura é observada somente nas sementes e se caracteriza por manchas li- sas, salientes, de coloração rosada. Geralmente é no centro da lesão, que tem contorno irregular e tamanho variável, onde se nota o sinal da picada do inseto vetor. O vetor do fungo é uma espécie de inseto sugador que se alimenta das vagens. Controle: aplicação de inseticidas fosforados no final do florescimento até o período de formação de vagens, quando é maior a incidência do inseto vetor.
1.6. Podridão radicular de Rhizoctonia – Rhizoctonia solani (Foto 43)
Esta doença ocorre em todas as regiões produtoras e é favorecida por temperaturas entre 15 e 21 oC e alta umidade do solo. Sua importância tem aumentado com a expansão da terceira época de plantio do feijão. Esta doença pode atacar as sementes, as quais apodrecem no solo antes ou durante a germinação. Quando a infec- ção ocorre no estádio de plântula, o fungo produz lesões necróti- cas, ocasionando um estrangulamento na base do caule que resulta em tombamento. O estrangulamento do caule e da raiz principal di- ficulta a translocação da seiva e reduz a absorção de água, tornando
A cultura do feijoeiro, cultivada nas mais diversas regiões do país, apresenta um rendimento médio de 500 a 600 kg/ha, sendo que tem um potencial de produção de aproximadamente 3.000 kg/ha. Um dos principais fatores responsáveis pela sua baixa produtividade é a ocorrência de doenças que limitam a produção de feijão e reduzem a qualidade fisiológica, sanitária, nutricional e comercial do produto. A incidência, a intensidade dessas doenças e os prejuízos causados variam de acordo com a região, a época de plantio, o sistema de plantio, a variedade, a qualidade sanitária da semente e as condições climáticas.
O conhecimento das doenças, dos danos que causam e da época e condições favoráveis à sua ocorrência são fundamentais para que medidas de controle sejam adotadas.
1. DOENÇAS FÚNGICAS
1.1. Antracnose – Colletotrichum lindemuthianum (Fo- tos 35, 36 e 37)
É uma doença considerada de maior importância na cultura do feijoeiro e está distribuída em todas as regiões produtoras. Ocorre com maior severidade no sul do país, onde as condições climáticas são mais favoráveis, com temperaturas amenas (14oC a 20 oC) e alta umidade relativa. As folhas afetadas apresentam lesões que ocorrem inicialmente na face inferior da folha, caracterizando- se por um enegrecimento das nervuras que se estende aos tecidos adjacentes. Nas hastes, vagens e sementes, as lesões são geralmente de coloração escura, arredondadas ou ovaladas, e deprimidas em relação à superfície do órgão. A semente infectada pode apresentar lesões levemente deprimidas, de cor marrom, bordos escuros, facil- mente observadas nas sementes de tegumento claro. Nas sementes de tegumento preto, as lesões são deprimidas, com bordos averme- lhados. O patógeno pode sobreviver em restos de culturas, sendo a semente infectada a principal fonte de disseminação da doença.
Controle: uso de sementes sadias, cultivares resistentes, pulverizações com fungicidas recomendados à cultura (Chlo- rothalonil, Benomyl, Tiofanato metílico, Mancozeb) e tratamento químico das sementes (Benomyl, Captan).
1.2. Ferrugem – Uromyces phaseoli (Foto 38)
Esta doença ocorre em todas as regiões produtoras de feijão e se manifesta principalmente nas folhas do feijoeiro, sendo as hastes e as vagens pouco atingidas. Ocorre com intensidade variável, provocando desfolha prematura nas lavouras severamente atacadas. Em condições favoráveis, temperatura entre 20-27 oC e alta umidade, intercalada por períodos de baixa precipitação e grande quantidade de orvalho, pode causar prejuízos de até 46%. Os sintomas característicos da doença se manifestam nas folhas como pequenos pontos cloróticos, evoluindo para pústulas salientes de cor esbranquiçada ou amarelada, que aparecem preferencial- mente na face inferior das folhas. Em poucos dias, surgem pequenas pústulas de cor ferrugem em ambas as superfícies das folhas, qua- se sempre rodeadas por um halo amarelo. Folhas severamente atacadas tornam-se amarelas, secam e caem.
Controle: uso de cultivares resistentes, épocas adequadas de plantio e tratamento químico (Mancozeb, Oxycarboxin).
DOENÇAS DO FEIJOEIRO E SEU CONTROLE
BIANCHINI, A; MENEZES, J.R. de; MARINGONI, A.C. Doenças e seu controle. In: O feijão no Paraná. Londrina: Fundação Instituto Agronômico do Paraná, 1989. p.189-216. BULISANI, E.A. Feijão. In: RAIJ, B. van; SILVA, N.M. da; BATAGLIA, O.C.; QUAGGIO, J.A.; HIROCE, R.; CANTARELLA, H.; BELLINAZZI JÚNIOR, R.; DECHEN, A.R.; TRANI, P.E. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo , Campinas, 1985. p.19. (Boletim Técnico, 100) BULISANI, E.A.; ALMEIDA, L.D'A. de; ROSTON, A.J. A cultura do feijoeiro no Estado de São Paulo. In: FUNDAÇÃO CARGILL (ed.) Feijão: fatores de produção e qualidade. Campinas, 1987. p.67-85. CARVALHO, S.M. de; HOHMANN, C.L.; CARVALHO, A.O.R. de. Pragas do feijoeiro no Estado do Paraná: manual para
CRÉDITO DAS FOTOS: Quirino Augusto de Camargo Carmello (nºs 1, 2, 3, 4, 5, 8, 9, 10, 11, 13, 15 e 18), Julio Nakagawa (nºs 6 e 7), Euclides Caxambu Alexandrino de Souza (nºs 12, 14, 16 e 17) e IAPAR (nºs 19 a 55).
2.2. Crestamento bacteriano de halo – Pseudomonas syringae (Fotos 51)
Esta doença, causada por bactéria, também é conhecida por fogo selvagem. Nas folhas, os sintomas são lesões necróticas, de tamanho reduzido, formato irregular ou arredondado, muitas vezes restritas a pequenas pontuações, mas sempre circundadas por pronunciados halos de coloração verde-pálido a amarelado, de forma circular. A transmissão da bactéria através de sementes ainda não foi comprovada.
Controle: uso de cultivares resistentes, rotação de culturas, eliminação de restos culturais e pulverizações foliares com oxicloreto de cobre.
3.1. Mosaico comum (VMCF) (Foto 52)
O mosaico comum do feijoeiro é uma doença amplamente disseminada em todas as regiões produtoras desta leguminosa, e as perdas na produção dependem da cultivar, da estirpe do vírus e da idade da planta no momento da infecção. Esta doença é transmitida pela semente e dentro da lavoura é disseminada por várias espécies de pulgões, principalmente a espécie Myzus persicae. Os sintomas mais comuns são os em forma de mosaico, manifestando-se em cultivares infectadas um mosaico composto por áreas verde-claro intercaladas por áreas verdes normais e na maioria das vezes apre- sentando rugosidade e enrolamento das folhas. Estas folhas fre- qüentemente são menores que as folhas sadias. Os folíolos das plantas infectadas podem apresentar-se com formato mais alongado que os das plantas normais. As plantas infectadas apresentam crescimento reduzido e às vezes atrofiamento com deformações nas vagens e botões florais.
Controle: uso de cultivares resistentes, de sementes sadias e controle do inseto vetor através de aplicações de inseticidas fosforados.
3.2. Mosaico dourado (VMDF) (Foto 53)
O vírus do mosaico dourado do feijoeiro é transmitido pela mosca branca, Bemisia tabaci , e é um problema sério em vários Estados do país, principalmente São Paulo e Paraná, onde podem causar perdas acima de 80% na produção quando a infecção ocorre até 30 dias após a emergência. Esta doença ocorre com maior intensidade no feijão "da seca", quando a população da mosca branca, vetora do vírus, é maior. A responsável pelo aumento em importância do vírus do mosaico dourado do feijoeiro é a cultura da soja, excelente hospedeira para alimentação e reprodução da mosca branca.
Os sintomas iniciam-se nas folhas mais novas com um salpicamento amarelo vivo, tomando posteriormente todo o limbo foliar ou toda a planta, delimitado pela coloração verde das nervuras, dando um aspecto de mosaico. Dependendo da cultivar e do desenvolvimento das plantas na ocasião da infecção, os sinto- mas podem variar, ocorrendo deformações, encarquilhamento e redução no tamanho das folhas, vagens e ramos. Quando a infecção ocorre antes ou até o florescimento, provoca abortamento das flores e reduz o número de vagens e grãos. Altas temperaturas, períodos prolongados de umidade relativa baixa, alta população de hospe- deiros da mosca branca e cultivo contínuo de feijão, durante o ano, são os principais responsáveis pelo agravamento da doença.
Controle: uso de cultivares resistentes, época adequada de plantio e aplicação de inseticidas para eliminação da mosca branca.
3.3. Mosaico amarelo (VMAF) (Foto 54)
O vírus do mosaico amarelo do feijoeiro é disseminado na lavoura por afídeos, não sendo transmitido por sementes, o que constitui uma das principais diferenças entre o vírus do mosaico amarelo e o vírus do mosaico dourado do feijoeiro. Os sintomas característicos são áreas cloróticas irregulares intercaladas com áreas verdes normais da folha. No caso de infecção precoce, as plantas tornam-se enfezadas, as folhas adquirem mosaico brilhante, tornando-se quebradiças, e os folíolos tornam-se enrolados. Pode ocorrer superbrotamento e retardamento da maturação das plantas. Controle: uso de cultivares resistentes e aplicações de inseticidas para o controle do inseto vetor do vírus.
4. NEMATÓIDES (Foto 55)
O feijoeiro está sujeito ao ataque de nematóides e os prejuízos causados por esses microrganismos podem ser totais, dependendo da espécie, da cultivar e do estádio de desenvolvi- mento da planta; umidade e temperatura do solo; espécies, raça fi- siológica e densidade populacional do nematóide. Dentre as espécies de nematóides identificadas, as mais comuns nessa cultura são: Meloidogyne incognita, M. javanica e Pratylenchus brachyurus. Os sintomas mais característicos são observados nas raízes, devido às alterações anatômicas e fisiológicas das células. As raízes infectadas apresentam deformações chamadas galhas, muitas vezes com diâmetro superior ao das raízes sadias e, quando a infecção é severa, as galhas podem-se fundir umas às outras, de modo que todo o sistema radicular fica completamente deformado. As plantas infectadas por nematóides podem mostrar sintomas de definha- mento, amarelecimento das folhas e murcha nas horas mais quen- tes do dia. Controle: rotação de culturas, uso de cultivares resistentes.
identificação no campo. Londrina: Fundação Instituto Agronômico do Paraná, 1982. 41p.
CFSEMG. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais. Lavras, 1989. p.120.
DEVARA, S.; MOHAN, K.; BIANCHINI, A.; MENEZES, J.R. de. Doenças do feijoeiro no Estado do Paraná: guia para identificação no campo. Londrina: Fundação IAPAR, 1983. 56p.
EMBRAPA. Principais doenças e pragas do feijoeiro comum no Brasil. Goiânia, 1983. 54p.
HOHMANN, C.L.; CARVALHO, S.M. de. Pragas e seu controle. Londrina: Fundação Instituto Agronômico do Paraná, 1989. p.217-243.
ROSOLEM, C.A. Nutrição e Adubação do Feijoeiro. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato,
ROSOLEM, C.A. Adubação do feijoeiro sob irrigação. In: FANCELLI, L.A. (coord.). A Cultura do Feijão Irrigado. Piracicaba: ESALQ/FEALQ, 1990. p.57-94.
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ZIMMERMAN, M.J.O.; ROCHA, M.; YAMADA, T. (eds.). Cultura do Feijoeiro. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato, 1988. 589p.
Foto 15. Deficiência de cobre: folhas novas com tonalidade mais escura, enrugamento dos bordos e curva- mento da ponta do limbo para baixo.
Foto 13. Deficiência de boro: secamento dos pontos de Foto 14. Toxicidade de boro em feijoeiro. crescimento.
Foto 9. Deficiência de cálcio, à direita: folhas com cloro- se parcial intensa e menor crescimento da planta.
Foto 10. Deficiência de magnésio: folhas mais velhas com clorose internerval que progride do centro para os bordos do folíolo.
Foto 16. Deficiência de manganês: folhas novas com clorose internerval caracterizando um "reticulado grosso".
Foto 12. À direita, planta deficiente em enxofre; à esquerda, planta normal.
Foto 11. À direita, planta deficiente em magnésio, à esquerda, planta normal.
Foto 23. "Cigarrinha verde": causa danos através da sucção da seiva e injeção de toxinas.
Foto 24. "Mosca branca": transmite viroses, princi- palmente a do "mosaico dourado".
Foto 22. "Vaquinha": causa danos severos na área foliar.
Foto 17. Toxicidade de manganês, à esquerda: encar- quilhamento da folha, pontuações escuras nos folíolos. À direita, folha normal.
Foto 20. "Lagarta rosca": secciona o caule das plantas logo acima da superfície do solo, matando-a.
Foto 18. Deficiência de zinco: encurtamento dos inter- nódios, folhas de tamanho reduzido, folíolos em formato de lança.
Foto 19. "Lagarta elasmo": perfura as plântulas na região do colo, construindo galerias no seu interior.
Foto 21. "Pulgão da raiz": suga a seiva da raiz do feijoeiro.
Foto 34. "Carunchos": Zabrotes subfasciatus , ovoposi- tam diretamente sobre os grãos nos depósitos.
Foto 33. "Carunchos": Acanthoscelides obtectus , inse- rem os ovos na vagens.
Foto 40. "Oídio": folhas com manchas pulverulentas e brancas em toda a superfície foliar.
Foto 36. "Antracnose": vagens com lesões escuras, arre- dondadas e deprimidas em relação à superfície.
Foto 35. "Antracnose": enegrecimento das nervuras da face inferior da folha.
Foto 39. "Mancha angular": lesões angulares.
Foto 38. "Ferrugem": pequenos pontos cloróticos nas folhas, evoluindo para pústulas salientes.
Foto 37. "Antracnose": sementes com lesões levemente deprimidas, de cor marrom, bordos escuros.
Foto 42. "Mancha de levedura": sementes deformadas, com manchas salientes e rosadas.
Foto 47. "Murcha de Fusarium": murcha, amareleci- mento, seca e queda progressiva de folhas.
Foto 46. "Podridão radicular seca": lesões pardo-escu- ras nas raízes e na parte inferior do caule.
Foto 43. "Podridão radicular de Rhizoctonia": estran- gulamento do caule e da raiz, causando tombamento.
Foto 44. "Mofo branco": podridão mole, recoberta por densa massa de micélio branco.
Foto 41. "Oidio": vagens com crescimento pulveru- lento.
Foto 45. "Murcha de Sclerotium": podridão da raiz principal, recoberta por micélio branco.