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doutor em cana, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

doutor em cana

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 18/12/2009

marcelo-agua-nova-da-rocha-12
marcelo-agua-nova-da-rocha-12 🇧🇷

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ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 1
ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 6
INTRODUÇÃO
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de
cana-de-açúcar. Estimativas para 1994/95 indicam
área de cultivo de 4,3 milhões de hectares e produ-
ções de 240 milhões de toneladas de cana, 9,5 milhões de toneladas
de açúcar e 12 bilhões de litros de álcool.
Embora a produtividade média brasileira de cana-de-açú-
car tenha apresentado a significativa elevação de 50% nos últimos
20 anos (de 44 para 67 t cana/ha), observa-se que muito ainda pode
ser melhorado. O Estado de São Paulo, o maior produtor brasileiro,
apresenta produtividade média de 78 t cana/ha, e possui diversas
unidades produtoras que ultrapassam a marca de 90-95 t cana/ha.
A produtividade da cana-de-açúcar é regulada por diversos
fatores de produção, dentre os quais se destacam: planta (variedade),
solo (propriedades químicas, físicas e biológicas), clima (umidade,
temperatura, insolação), práticas culturais (controle da erosão,
plantio, erradicação de plantas invasoras, descompactação do
solo), controle de pragas e doenças, colheita (maturação, corte,
carregamento e transporte), etc.
Sempre que possível, os fatores de produção devem ser
adequadamente manejados e gerenciados pelo homem através de
sistemas de planejamento, execução e controle, visando a maxi-
mização das produtividades econômicas. Portanto, o objetivo final
de uma exploração agrícola comercial é o lucro, que deve ser maxi-
mizado, respeitando-se os aspectos sociais e ambientais.
Nas duas últimas décadas o Brasil dobrou sua área com
cana-de-açúcar, basicamente em função da produção de álcool
carburante. Esta expansão ocorreu predominantemente em solos
de menor fertilidade, exigindo-se, portanto, o uso intensivo de
corretivos e fertilizantes, que, em média, participam em 20% nos
custos de produção da cultura.
SOLOS COM CANA-DE-AÇÚCAR
Antes da implantação do Pró-Álcool, os solos ocupados
com cana-de-açúcar no Brasil, principalmente na região Sul do
país, eram em geral os argilosos, de fertilidade média para alta, nor-
malmente representados por Latossolos Roxos ou Terras Roxas
Estruturadas. A maior limitação que tais solos apresentavam era de
natureza física, ou seja, a compactação, agravada ao longo do
tempo pela intensa mecanização e pelos sistemas de carregamento
e transporte da cana-de-açúcar.
Com a crescente demanda criada pelo Pró-Álcool, grande
parte da expansão da cultura ocorreu em solos "marginais",
normalmente arenosos, ocupados anteriormente por pastagens ou
vegetações de "cerrados" ou "tabuleiros", constituindo ecossiste-
mas frágeis, que exigem intensos sistemas de manejo, como
preparo e conservação, calagem, gessagem, adubos verdes, época
correta de plantio, adubação mineral e orgânica (vinhaça e torta de
filtro), variedades melhoradas, etc.
Atualmente, e de um modo geral, tem-se a seguinte
distribuição de solos ocupados com cana-de-açúcar no Brasil:
• Oxissolos argilosos (> 35% argila) = 30%
• Oxissolos textura média (15-35% argila) = 35%
• Ultissolos e Alfissolos = 25%
• Outros = 10%.
Os oxissolos argilosos podem ser eutróficos (maior
fertilidade) ou distróficos (menor fertilidade). A compactação pode
ser um fator limitante. São representados principalmente pelos
Latossolos Roxos e Latossolos Vermelho-Escuros.
Solos eutróficos são aqueles que apresentam a saturação por
bases [V% = (Ca + Mg + K) ÷ CTC x 100] maior que 50%, e
distróficos, valores menores que 50%.
Os oxissolos de textura média geralmente são distróficos,
quase sempre apresentando necessidades de calagem e de nutrien-
tes, principalmente fósforo. São representados basicamente pelos
latossolos textura média (LVA, LEa, etc.).
Os ultissolos e alfissolos, quando representados pelos
Podzólicos Vermelho-Amarelos — PVA (relevo movimentado e
gradiente textural areia/argila), necessitam de intensos cuidados
com a conservação e o uso de corretivos e adubação (quando
distróficos).
Outros solos são constituídos normalmente pelos
hidromóficos (drenagem é a maior limitação) e pelas areias
quartzosas (problemas de fertilidade e conservação).
A cana-de-açúcar é uma cultura que protege o solo contra a
erosão, principalmente após o "fechamento". Dependendo do tipo
de solo e da topografia, além do plantio em nível normalmente são
necessários terraços de base larga ou embutidos, que podem ser em
nível ou em desnível (com canal escoadouro). Em solos de textura
arenosa, a época e o sistema de plantio apresentam influência no
assoreamento dos sulcos (erosão dentro dos sulcos), ao qual a cana
é bastante suscetível.
O PAPEL DOS NUTRIENTES
É fundamental ressaltar que tanto o açúcar (sacarose)
quanto o álcool etílico são produzidos no campo, sendo as usinas
e destilarias apenas unidades extratoras e transformadoras.
Apesar dos produtos finais – sacarose e álcool etílico –
conterem apenas carbono, hidrogênio e oxigênio (provenientes do
ar e da água), uma série de outros elementos químicos, considerados
nutrientes para as plantas, são essenciais não só para o crescimento
e desenvolvimento dos vegetais mas também para a participação
em inúmeras reações intermediárias, dentro das diferentes rotas
metabólicas da planta, até a produção do produto final (açúcar) de
interesse econômico.
Seja o doutor do seu canavial
José Orlando Filho1
Newton Macedo2
Hasime Tokeshi3
1 Engº Agrº, Professor, CCA-UFSCar, Caixa Postal 153, 13600-970 Araras-SP.
2 Engº Agrº, Professor, CCA-UFSCar, Caixa Postal 153, 13600-970 Araras-SP.
3 Engº Agrº, Professor, ESALQ-USP, Caixa Postal 9, 13400-970 Piracicaba-SP.
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ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 1

ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 6

INTRODUÇÃO

A

tualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Estimativas para 1994/95 indicam área de cultivo de 4,3 milhões de hectares e produ- ções de 240 milhões de toneladas de cana, 9,5 milhões de toneladas de açúcar e 12 bilhões de litros de álcool.

Embora a produtividade média brasileira de cana-de-açú- car tenha apresentado a significativa elevação de 50% nos últimos 20 anos (de 44 para 67 t cana/ha), observa-se que muito ainda pode ser melhorado. O Estado de São Paulo, o maior produtor brasileiro, apresenta produtividade média de 78 t cana/ha, e possui diversas unidades produtoras que ultrapassam a marca de 90-95 t cana/ha.

A produtividade da cana-de-açúcar é regulada por diversos fatores de produção, dentre os quais se destacam: planta (variedade), solo (propriedades químicas, físicas e biológicas), clima (umidade, temperatura, insolação), práticas culturais (controle da erosão, plantio, erradicação de plantas invasoras, descompactação do solo), controle de pragas e doenças, colheita (maturação, corte, carregamento e transporte), etc.

Sempre que possível, os fatores de produção devem ser adequadamente manejados e gerenciados pelo homem através de sistemas de planejamento, execução e controle, visando a maxi- mização das produtividades econômicas. Portanto, o objetivo final de uma exploração agrícola comercial é o lucro, que deve ser maxi- mizado, respeitando-se os aspectos sociais e ambientais.

Nas duas últimas décadas o Brasil dobrou sua área com cana-de-açúcar, basicamente em função da produção de álcool carburante. Esta expansão ocorreu predominantemente em solos de menor fertilidade, exigindo-se, portanto, o uso intensivo de corretivos e fertilizantes, que, em média, participam em 20% nos custos de produção da cultura.

SOLOS COM CANA-DE-AÇÚCAR

Antes da implantação do Pró-Álcool, os solos ocupados com cana-de-açúcar no Brasil, principalmente na região Sul do país, eram em geral os argilosos, de fertilidade média para alta, nor- malmente representados por Latossolos Roxos ou Terras Roxas Estruturadas. A maior limitação que tais solos apresentavam era de natureza física, ou seja, a compactação, agravada ao longo do tempo pela intensa mecanização e pelos sistemas de carregamento e transporte da cana-de-açúcar.

Com a crescente demanda criada pelo Pró-Álcool, grande parte da expansão da cultura ocorreu em solos "marginais", normalmente arenosos, ocupados anteriormente por pastagens ou vegetações de "cerrados" ou "tabuleiros", constituindo ecossiste-

mas frágeis, que exigem intensos sistemas de manejo, como preparo e conservação, calagem, gessagem, adubos verdes, época correta de plantio, adubação mineral e orgânica (vinhaça e torta de filtro), variedades melhoradas, etc. Atualmente, e de um modo geral, tem-se a seguinte distribuição de solos ocupados com cana-de-açúcar no Brasil:

  • Oxissolos argilosos (> 35% argila) = 30%
  • Oxissolos textura média (15-35% argila) = 35%
  • Ultissolos e Alfissolos = 25%
  • Outros = 10%. Os oxissolos argilosos podem ser eutróficos (maior fertilidade) ou distróficos (menor fertilidade). A compactação pode ser um fator limitante. São representados principalmente pelos Latossolos Roxos e Latossolos Vermelho-Escuros. Solos eutróficos são aqueles que apresentam a saturação por bases [V% = (Ca + Mg + K) ÷ CTC x 100] maior que 50%, e distróficos, valores menores que 50%. Os oxissolos de textura média geralmente são distróficos, quase sempre apresentando necessidades de calagem e de nutrien- tes, principalmente fósforo. São representados basicamente pelos latossolos textura média (LVA, LEa, etc.). Os ultissolos e alfissolos, quando representados pelos Podzólicos Vermelho-Amarelos — PVA (relevo movimentado e gradiente textural areia/argila), necessitam de intensos cuidados com a conservação e o uso de corretivos e adubação (quando distróficos). Outros solos são constituídos normalmente pelos hidromóficos (drenagem é a maior limitação) e pelas areias quartzosas (problemas de fertilidade e conservação). A cana-de-açúcar é uma cultura que protege o solo contra a erosão, principalmente após o "fechamento". Dependendo do tipo de solo e da topografia, além do plantio em nível normalmente são necessários terraços de base larga ou embutidos, que podem ser em nível ou em desnível (com canal escoadouro). Em solos de textura arenosa, a época e o sistema de plantio apresentam influência no assoreamento dos sulcos (erosão dentro dos sulcos), ao qual a cana é bastante suscetível.

O PAPEL DOS NUTRIENTES É fundamental ressaltar que tanto o açúcar (sacarose) quanto o álcool etílico são produzidos no campo, sendo as usinas e destilarias apenas unidades extratoras e transformadoras. Apesar dos produtos finais – sacarose e álcool etílico – conterem apenas carbono, hidrogênio e oxigênio (provenientes do ar e da água), uma série de outros elementos químicos, considerados nutrientes para as plantas, são essenciais não só para o crescimento e desenvolvimento dos vegetais mas também para a participação em inúmeras reações intermediárias, dentro das diferentes rotas metabólicas da planta, até a produção do produto final (açúcar) de interesse econômico.

Seja o doutor do seu canavial

José Orlando Filho^1 Newton Macedo^2 Hasime Tokeshi^3

(^1) Engº Agrº, Professor, CCA-UFSCar, Caixa Postal 153, 13600-970 Araras-SP. (^2) Engº Agrº, Professor, CCA-UFSCar, Caixa Postal 153, 13600-970 Araras-SP. (^3) Engº Agrº, Professor, ESALQ-USP, Caixa Postal 9, 13400-970 Piracicaba-SP.

2 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 6 - SETEMBRO/

Tabela 1. Chave de identificação dos distúrbios nutricionais em cana-de-açúcar.

Partes da planta Distúrbios

A 1. Folhas mais velhas afetadas. B 1. Efeitos generalizados sobre toda a planta; definhamento das folhas mais velhas. C 1. Lâminas foliares uniformemente verde-claras a amarelas; colmos ficam mais curtos e mais finos; atraso no desenvolvimento vegetativo. D 1. Pontas e margens das folhas mais velhas tornam-se necróticas prematuramente .............................................................................................. deficiência de N D 2. Pequenas estrias cloróticas longitudinais começando no terço apical da folha; folhas mais velhas secam prematuramente do meio para as pontas ....................................................................................................................................................................................................... deficiência de Mo C 2. Lâminas foliares verde-escuras a verde-azuladas; coloração vermelha ou roxa aparece freqüentemente, particularmente nas pontas e mar- gens expostas diretamente à luz do sol; folhas mais finas, mais estreitas e mais curtas que o normal; folhas mais velhas amarelas, even- tualmente definhando a partir das pontas e ao longo das margens; colmos menores e mais finos; perfilhamento escasso ou ausente ....................... deficiência de P B 2. Efeitos localizados com mosqueamento ou clorose. C 1. Bordas e pontas das folhas mostram clorose amarelo-alaranjada; lesões cloróticas localizadas entre as nervuras ao longo das margens e pontas das folhas; folhas mais velhas podem tornar-se totalmente marrons ou "queimadas"; colmos mais finos; descoloração vermelha su- perficial na face superior da nervura principal; folhas mais novas geralmente permanecem verde-escuras; cartucho distorcido, produzindo "topo de penca" ou aparência de "leque" ............................................................................................................................................................... deficiência de K C 2. Aparência mosqueada ou clorótica começando nas pontas e ao longo das margens; lesões necróticas vermelhas resultando em aparência de "ferrugem". A casca do colmo pode mostrar coloração amarronzada internamente ........................................................................................ deficiência de Mg C 3. Folhas mais velhas podem apresentar aparência de "enferrujadas" e podem morrer prematuramente (ver A 2 .B 1 .C 1 ) ............................................ deficiência de Ca B 3. Pequenas manchas brancas circulares (sardas), mais severas nas folhas mais velhas; perfilhamento escasso; senescência prematura das folhas mais velhas ................................................................................................................................................................................................................. deficiência de Si

A 2. Folhas novas afetadas. B 1. Morte do meristema apical; folhas imaturas ficam torcidas e tornam-se necróticas. C 1. Folhas novas enrolam-se para baixo, dando uma aparência de "gancho"; quando a deficiência é aguda, os cartuchos tornam-se necróticos nas pontas e ao longo das margens; formação de minúsculas lesões cloróticas com centros necróticos que mais tarde tornam-se marrom- avermelhadas; colmos tornam-se mais moles, mais finos, afilando rapidamente em direção ao ponto de crescimento (ver A 1 .B 2 .C 3 ) ................... deficiência de Ca C 2. Folhas torcidas; lesões translúcidas ou em forma de "sacos de água" entre as nervuras; plantas novas com muitos perfilhos; folhas tendem a ficar quebradiças; folhas do cartucho podem ficar cloróticas e mais tarde necróticas; freqüentemente chamada de doença do falso "Pok- kah boeng"; também semelhante ao dano causado por alguns herbicidas ............................................................................................................... deficiência de B B 2. Meristema apical permanece vivo; folhas imaturas ficam cloróticas e murchas, porém, sem manchas necróticas. C 1. Manchas verdes ("ilhas"); folhas eventualmente descoloridas que tornam-se finas como papel e enroladas quando a deficiência é severa; colmos e meristemas perdem a turgidez (doença do "topo caído") e adquirem aparência semelhante à borracha; perfilhamento reduzido ........... deficiência de Cu C 2. Folhas jovens em elongação murcham especialmente em dias quentes e ensolarados, porém, o fenômeno é reversível, geralmente recupe- rando-se à noite (ver A 3. B 2 ) ................................................................................................................................................................................. deficiência de Cl B 3. Meristema apical permanece vivo; folhas imaturas apresentam variados graus de clorose, mas não murcham. C 1. Clorose internerval da ponta até o meio das folhas; estrias cloróticas podem tornar-se brancas e necróticas e as folhas podem desfiar por ação do vento ...................................................................................................................................................................................................... deficiência de Mn C 2. Clorose internerval da ponta para a base das folhas; a planta inteira pode tornar-se clorótica ou branca quando a deficiência for severa .............. deficiência de Fe C 3. Estrias cloróticas na lâmina foliar, coalescendo e formando uma faixa larga de tecido clorótico de cada lado da nervura central, mas não se estendendo à margem da folha, exceto em casos severos de deficiência; clorose inicia-se vascularmente; faixas longitudinais verde-cla- ras ao longo das margens das folhas e verde-escuras ao longo da nervura central e das margens, originando-se da ponta para o meio da lâ- mina; tecidos internervais permanecem verdes inicialmente, mas logo toda a lâmina foliar pode tornar-se clorótica, estendendo-se para a base; folhas perceptivelmente curtas e largas na parte média e assimétricas; necrose na ponta da folha quando a deficiência é severa, pro- gredindo da base para a ponta da lâmina foliar; perfilhamento reduzido e internódios mais curtos; colmos finos que podem perder a turgi- dez (elásticos) ...................................................................................................................................................................................................... deficiência de Zn C 4. Folhas jovens uniformemente cloróticas; podem desenvolver coloração roxo-clara; folhas menores e mais estreitas que as normais; col- mos muito finos ...................................................................................................................................................................................................... deficiência de S C 5. Estrias cloróticas mosqueadas ocorrendo em todo o comprimento da lâmina foliar; pontas e margens das folhas podem tornar-se necróti- cas; sintomas manifestam-se entre 3 a 7 dias após exposição; folhas mais velhas não são afetadas ..................................................................... toxicidade de SO 2 C 6. Clorose nas pontas e margens das folhas novas progredindo da base para a ponta da lâmina foliar; por último, a clorose estende-se às fo- lhas mais velhas; tecido clorótico rapidamente torna-se necrótico; pontas das folhas podem ficar severamente queimadas ..................................... toxicidade de B

A 3. Raízes afetadas B 1. Formam-se poucas raízes laterais e aquelas que se formam apresentam pontas anormalmente engrossadas; danos às raízes lembram aqueles causados por nematóides; plantas tornam-se altamente susceptíveis a estresse hídrico e à deficiência de fósforo ......................................................... toxicidade de Al B 2. Raízes anormalmente curtas; aumento no número de raízes laterais ........................................................................................................................... deficiência de Cl B 3. Raízes anormalmente curtas e com muito pouca ramificação lateral ........................................................................................................................... toxicidade de Cl

Além de C, H e O, a planta necessita de uma série de outros nutrientes, que são:

  • macronutrientes: exigidos em maiores quantidades (kg/ ha): nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S).
  • micronutrientes: exigidos em menores quantidades (g/ ha): boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn).

A falta de qualquer macro ou micronutriente no solo ou no adubo faz com que haja uma redução na produtividade da cana e, conseqüentemente, na de açúcar. Quando a deficiência nutricional é pronunciada, a planta revela sintomas típicos que são descritos na Tabela 1 (ANDERSON & BOWEN, 1992). A cana-de-açúcar, como muitas gramíneas, é uma planta acumuladora de silício (Si). Em condições de campo, quando as lâminas foliares contêm menos que 1,4% de Si a planta pode

4 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 6 - SETEMBRO/

(60 - V) x T PRNT

onde V é a saturação por bases atual do solo e T a capacidade de troca catiônica. A distribuição do calcário é feita a lanço em área total. O ideal é a aplicação de metade da dose recomendada antes da aração e a outra metade antecedendo-se a gradeação, porém, a aplicação com o terreno arado esbarra em limitações operacionais. O uso do arado de aiveca tem propiciado a incorporação um pouco mais profunda do corretivo, quando comparado às grades aradoras ou a arados convencionais. Resultados positivos tem sido obtidos com o uso do calcário no sulco de plantio, sendo a aplicação realizada nas paredes late- rais, em operação simultânea à adubação de plantio ou durante a cobertura (fechamento) dos sulcos. Esta prática pode ser utilizada no sistema de cultivo mínimo.

Quando necessária (indicada através do monitoramento das análises químicas do solo na camada superficial), a calagem pode ser recomendada para as soqueiras, aplicada em área total, antecedendo-se aos tratos culturais (Tabela 4).

Tabela 4. Recomendação de calagem em soqueiras.

Teores de Ca no solo (0-20 cm) t calcário/ha < 0,8 meq/100 ml 2, 0,8-1,2 meq/100 ml 1, Ca > 1,2 meq e Mg < 0,4 meq/100 ml 1,5 (dolomítico)

GESSAGEM

O gesso agrícola, subproduto da fabricação de fertilizantes fosfatados concentrados, constitui importante fonte de cálcio e enxofre para as plantas, a um custo relativamente baixo. O gesso agrícola é bem mais solúvel que o calcário, além do que a presença do íon acompanhante SO 4 2-^ facilita a movimentação vertical do Ca2+^ para camadas de subsuperfície, reduzindo a saturação de Al 3+^ , o que estimula o desenvolvimento do sistema radicular da planta. O gesso não é um corretivo do solo, portanto, não induz mudanças no pH. Porém, existem pesquisas mostrando que em certas condi- ções o gesso reduz a toxicidade do Al. O gesso também não subs- titui o calcário, porém, complementa o seu uso. Em cana-de- açúcar, o gesso agrícola tem promovido aumentos nas produtivi- dades de cana-planta e soqueiras. Para avaliação das necessidades de gesso agrícola é fundamental a amostragem do solo na camada de subsuperfície (20-40 ou 25-50 cm). Nestas condições, quando o teor de cálcio for < 0,8 meq/100 ml e Al% < 30 aplicar 1 t ges- so/ha; quando o teor de cálcio for < 0,8 meq/100 ml e Al% > 30 aplicar 2 t gesso/ha. A aplicação do gesso é realizada em área total, a lanço, não necessitando ser incorporado ao solo. Em cana-planta, quando necessária, a aplicação de calcário deve preceder a de gesso.

ADUBAÇÃO VERDE

As principais vantagens da adubação verde são: controle da erosão e de ervas-daninhas, reciclagem de nutrientes, elevação da CTC do solo, aumento da atividade microbiana e da retenção de água do solo e fixação do N 2 atmosférico.

Na escolha da leguminosa para a adubação verde, diversos fatores devem ser considerados: produtividade de massa verde, adaptação local, disponibilidade e custo das sementes, facilidade de incorporação, germinação posterior de sementes dormentes, etc.

Em cana-de-açúcar, a espécie mais utilizada é a Crotalaria juncea , seguida da mucuna preta ( Mucuna aterrima ), e com menor intensidade o guandu ( Cajanus cajan ) e o Dolichos lab-lab. As leguminosas geralmente são mais sensíveis à falta de cálcio e às condições de acidez do solo. Portanto, para solos distróficos e ácidos, recomenda-se a calagem e o fornecimento de fósforo, antecedendo-se ao plantio do adubo verde. Para a Crotalaria juncea , produtividades de 17-54 t de massa verde/ha tem sido obtidas. A incorporação com rolo-faca tem apresentado vantagens, tanto em rendimento operacional como em manter a integridade do sistema radicular da planta, o qual minimi- za o assoreamento dos sulcos da cana, no caso dos solos arenosos. Resultados em áreas comerciais tem indicado que a Crotalaria juncea pode elevar a produtividade da cana-de-açúcar em 5-10%, com algum reflexo positivo no aumento da longevidade. O custo total/ha da implantação da Crotalaria juncea (gradagem, semente, plantio e incorporação) equivale ao valor de 8-9 t de cana.

ADUBAÇÃO MINERAL

  • Nitrogênio A análise química do solo, tanto de N total como de matéria orgânica, não tem se mostrado eficiente na previsão das adubações nitrogenadas para a cana-de-açúcar. A cana-planta apresenta normalmente baixas respostas à adubação nitrogenada. As maiores probabilidades de resposta ao N ocorrem quando: a) há eutrofismo do solo; b) se cultiva a cana-de- açúcar pela primeira vez, e c) sob cultivo mínimo. Já as soqueiras reagem ao N com maior freqüência, prin- cipalmente em solos de elevada fertilidade. As diferentes fontes minerais de N, desde que conve- nientemente utilizadas, produzem resultados semelhantes na adubação da cana-de-açúcar. Quando se emprega a uréia, é importante que o fertilizante sofra uma leve incorporação no solo (5 cm), visando minimizar as perdas de N por volatilização. A fixação biológica do N 2 atmosférico por bactérias asso- ciadas ao sistema radicular da cana-planta tem sido demonstrada em vários experimentos. Com as doses de N normalmente utilizadas em cana-de- açúcar no Brasil (inferiores a 100 kg N/ha), não é de se esperar depreciação na qualidade da cana, tal como a redução da pol% cana que ocorre sob condições de aplicação pesada de N. A Tabela 5 indica as recomendações de adubação nitrogenada.

Tabela 5. Recomendações de adubação nitrogenada para cana-de-açúcar. Cana-planta Sulco Cobertura

                    • - - - - N (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - PLANALSUCAR^1 0-60 - 60- IAC^2 20 40-80 100 COPERSUCAR^3 20 até 40 100

Fontes: 1 ORLANDO FILHO (1985), 2 RAIJ et al. (1985), 3 PENATTI et al.(1989).

  • Fósforo Em muitos solos das áreas de expansão da cana-de-açúcar o fósforo é o nutriente mais limitante. Nestes casos, a cana-planta pode receber até 180 kg P 2 O 5 /ha. Enquanto alguns pesquisadores sugerem a aplicação de 30 a 60 kg P 2 O 5 /ha nas soqueiras, outros não preconizam o uso do fósforo nas mesmas, devido a sua baixa mobi-

Necessidade de calagem =

Instituição Soqueiras

ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 5

Também com base no extrator resina de troca iônica, RAIJ et al. (1985) sugerem adubações potássicas para cana-planta e cana-soca (Tabela 10).

Tabela 10. Recomendações de adubação potássica para cana-planta e cana-soca (RAIJ et al., 1985). Cana-planta Cana-soca K no solo K 2 O K no solo K 2 O meq/100 ml kg/ha meq/100 ml kg/ha 0-0,07 140 0-0,15 120 0,08-0,15 120 0,16-0,30 100 0,16-0,30 100 > 0,30 80

lidade no solo e, conseqüentemente, menor reação. Dados obtidos em Alagoas indicam que, embora as soqueiras apresentem alguma reação ao P, a melhor localização do nutriente é no fundo do sulco de plantio, onde doses adequadas suprirão as necessidades da cana- planta e das soqueiras subseqüentes. Na região Centro-Sul do Bra- sil existem muitas unidades produtoras de cana-de-açúcar que há vários anos retiraram o fósforo das formulações de soqueiras, sem reflexos de queda na produtividade.

Tabela 9. Recomendações de adubação potássica (RODELLA et al., 1983).

Classes de fertilidade 2 Muito baixa Baixa Média Alta Muito alta < 40 ppm K 40-80 ppm K 81-130 ppm K 131-260 ppm K > 260 ppm K

                    • - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - K 2 O (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 20 170 140 90 60 0- 25 190 160 100 70 0- 30 200 170 110 80 0- (^1) w /t = preço da tonelada de cana/preço do kg de K 2 O. 2 Extrator de K = H 2 SO 4 0,5 N.

w/t 1

Mesmo considerando-se a cana-de-açúcar uma cultura semi- perene, o desempenho dos fosfatos solúveis, inclusive o termofos- fato e o multifosfato magnesiano, supera a dos fosfatos naturais (nacionais). A adubação fosfatada praticamente não apresenta influência na qualidade da cana. A Tabela 6 apresenta as adubações econômicas com fósforo, em função da análise química do solo.

  • Potássio

Tanto a cana-planta como as soqueiras apresentam boa reação ao potássio. Assim como o fósforo, o potássio deve ser recomendado por área (kg/ha), independente do espaçamento utilizado entre as linhas de plantio. O excesso de potássio no solo, assim como sua falta, podem diminuir a qualidade da matéria-prima, influenciando as porcentagens de pol e fibra da cana. O uso da vinhaça, resíduo da fabricação do álcool, pode suprimir a utilização do potássio mineral na adubação da cana-de- açúcar. A Tabela 9 revela as doses econômicas de potássio para a cana-de-açúcar (RODELLA et al., 1983). Na prática, a mesma tem sido utilizada, com muito sucesso, para soqueiras.

Tabela 8. Doses econômicas de fósforo (P 2 O 5 ) para a cana-planta em Alagoas, em função dos teores do nutriente no solo e as relações w/t (preço t cana/preço kg P 2 O 5 ).

w/t 8 14 20 26 32

                    • - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - P 2 O 5 (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Muito baixa < 5 120 150 170 180 190 Baixa 6-9 50 80 100 120 140 Média 10-16 10 40 60 80 100 Alta 17-34 - 10 30 50 70 Muito alta > 34 - - 10 30 40

Classes de fertilidade

P no solo (ppm) Extrator Mehlich

As Tabelas 7 e 8 indicam as recomendações de adubação fosfatada para a cana-planta, para o Estado de São Paulo e Nordeste do Brasil, respectivamente, com base na extração com resina de troca iônica (RAIJ et al., 1985) e na solução de Mehlich (MARINHO & ALBUQUERQUE, 1983).

Tabela 6. Recomendações de adubação fosfatada (RODELLA et al., 1983).

Classes de fertilidade^2 Muito baixa Baixa Média Alta Muito alta < 15 ppm P 15-30 ppm P 31-50 ppm P 51-100 ppm P > 100 ppm P

                    • - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - P 2 O 5 (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 20 120 90 50 30 0 25 130 110 70 30 0 30 150 130 90 30 0 (^1) w /t = preço da tonelada de cana/preço do kg de P 2 O 5.^ (^2) Extrator de P = H 2 SO^4 0,5 N.

w/t 1

Tabela 7. Recomendação de adubação fosfatada, extrator resina de troca iônica (RAIJ et al., 1985). P-resina ( μμμμμ g/cm^3 ) kg P 2 O 5 /ha 0-6 120 7-15 100 16-40 80

40 60

ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 7

1. PRAGAS DA PARTE AÉREA

1.1. Broca do colmo - Diatraea spp. Sintomas de ataques e prejuízos:

Insetos da Ordem Lepidoptera, cujos adultos colocam os ovos nas folhas da planta e as larvas (lagartas), recém-emergidas, migram para se alimentar do colmo, inicialmente na região de crescimento, posteriormente abrindo galerias em todo o colmo, provocando danos diretos (morte da gema apical, redução de peso, encurtamento de entre-nós, quebra de colmos e brotações laterais) e indiretos (inversão da sacarose, pela ação de fungos dos gêneros Fusarium e Colletotricum , que invadem as galerias do inseto).

Os prejuízos são avaliados a partir da porcentagem de intensidade de infestação (II%), que é dada pela fórmula:

nº de entre-nós perfurados nº total de entre-nós

Estima-se que para cada 1% de intensidade de infestação perdem-se 0,14% de cana em peso no campo e 0,48% de açúcar no processo de extração na indústria. Os levantamentos para determinar a II% devem ser feitos em plataforma estrategicamente colocada próxima à balança de entrada de matéria-prima na usina, onde tomam-se, ao acaso, 3 ou 4 colmos/volume de carga, resultando em cerca de 30 canas/ha de área colhida. A II% média da usina é estimada pela média ponderada por corte (1º, 2º, 3º, 4º e outros cortes) e por variedade.

Controle:

O controle químico não tem se mostrado técnica e economicamente viável.

O controle biológico, através de liberações inundativas do parasitóide de larvas Cotesia flavipes (Hymenoptera, Braconidae) tem sido uma tecnologia de aplicação com grande sucesso em todas as regiões canavieiras do país. No Centro-Sul controla-se a broca liberando-se 6.000 vespinhas/ha, de uma única vez, em áreas com altas infestações de lagartas, cuja ocorrência se dá principalmente nos meses de dezembro a abril, ou em duas parcelas de 3. indivíduos/ha, em infestações menores e endêmicas. Antes das liberações são feitos levantamentos para se saber se a quantidade de lagartas e seu estádio de desenvolvimento (maiores que 1 cm) estão adequados à liberação. O nível econômico de controle, tomando-se por base a relação custo/benefício, situa-se ao redor de 3% de II. Os parasitóides são produzidos por laboratórios nas próprias usinas e destilarias, ou por terceiros.

1.2. Cigarrinha da folha - Mahanarva posticata

Sintomas de ataque e prejuízos:

Inseto da Ordem Hemiptera (Heteroptera), cuja ocorrência está restrita aos canaviais do nordeste e regiões próximas ao litoral no sul da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Os ovos são

PRAGAS DE MAIOR IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

E SEU CONTROLE

colocados em folhas secas, na base da planta, e as ninfas recém- eclodidas se instalam na bainha da planta, sugam seiva e produzem uma espuma de proteção. A maior injúria à planta se dá pela ação dos adultos que, ao se alimentarem, picando as folhas, injetam toxina que provoca o amarelecimento e necrose das mesmas. Os prejuízos têm chegado a 17,5% de perda no processo industrial, quando a população de adultos chega a 0,7 indivíduos/colmo (MARQUES et al., 1981).

Controle:

O controle químico, pouco eficiente, por atingir apenas os adultos, necessita ser feito em várias aplicações, em intervalos de 15 a 20 dias, com emprego de aeronaves, para polvilhar ou pulverizar produtos a base de carbaril, malation, chlorpirifos, entre outros. O controle biológico, o mais econômico, utilizando-se o fungo Metarhizium anisopliae , isolados PL-5 e PL-27, tem de- monstrado bons resultados, aplicando-se 100 a 200 g de esporos do fungo/ha, em pulverizações em alto volume, na fase inicial do ataque da praga.

1.3. Formiga saúva - Atta bisphaerica e Atta capiguara

Sintomas de ataque e prejuízos:

Insetos sociais da Ordem Hymenoptera que vivem em colônias (formigueiros) subterrâneas, cortam as folhas das plantas para servirem de substrato de fungos que cultivam e servem de seu alimento. São insetos extremamente vorazes, e os prejuízos se dão pela desfolha contínua das plantas, causando falhas e redução de stand e do porte dos colmos do canavial. Estima-se que um sauveiro adulto ocasiona uma quebra na produtividade de 3,2 t de cana/ha (canavial de 60 t/ha), ou 5,3% da produtividade (PRECETTI et al., 1988).

Controle: O controle mecânico – destruição do sauveiro com enxa- dão – é eficiente e de fácil execução, mas está restrito a sauveiros novos (90 a 120 dias de formação). O controle com iscas é prático e não necessita de equipamento, mas tem como restrição não poder ser aplicado nas épocas de chuvas, restringir-se a sauveiros em atividade, poucas opções de iscas eficientes atualmente no mercado e o alto custo das mesmas. A termonebulização, que pode ser a gás de botijão, ou a motores de 2 e 4 tempos, ou a jato, tem se mostrado eficiente. A restrição é o custo inicial do equipamento, mas o custo de controle/sauveiro por este método tem sido vantajoso em relação aos demais.

2. PRAGAS DE HÁBITOS SUBTERRÂNEOS

2.1. Cupins ou térmitas (Heterotermes, Rhinchotermes, Syntermes, Embiratermes, Cornitermes, Procornitermes e outros)

Sintomas de ataque e prejuízos: Insetos sociais da Ordem Isoptera, vivem em colônias subterrâneas, superficiais ou em profundidade, alimentam-se

II% = x 100

8 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 6 - SETEMBRO/

essencialmente de fibras de tecidos vegetais mortos ou vivos. Causam danos à cultura por atacarem os toletes, danificando as gemas e resultando em falhas. Em cana adulta, abrem galerias nos entre-nós basais, ocasionando redução no crescimento e seca dos colmos. Áreas com altas infestações, quando devidamente controladas, resultam em acréscimos médios de produtividade da ordem de 10 t de cana/ha.

Controle:

O controle só pode ser feito preventivamente e é recomendável um monitoramento da população, que consiste em levantamentos antes do plantio para determinar os índices de ocorrência e identificação dos gêneros presentes nas áreas. Em áreas de renovação, o levantamento é feito nas soqueiras, procedendo-se o arranquio e o exame de um determinado número de soqueiras/ha. Em áreas de expansão, depois do solo estar livre da vegetação original e gradeado, instalam-se iscas que são examinadas depois de 30 a 40 dias. Quando o controle se justifica, pelos índices de infestação e ocorrência de espécies daninhas, o inseticida que tem se mostrado eficiente, após a proibição dos organoclorados, é o endosulfan, em doses superiores a 2,0 l i.a./ha.

2.2. Migdolus

Sintomas de ataque e prejuízos:

Inseto da Ordem Coleoptera, vive permanentemente no subsolo onde põe os ovos, e as larvas se desenvolvem alimentando- se das raízes das plantas. Somente os adultos machos fazem revoadas na época do acasalamento. O ataque em cana-de-açúcar se dá em reboleiras, danificando toletes em cana-planta, e nas soqueiras atingem o colo da planta, alimentando-se de entre-nós basais, reduzindo a sua sustentação e provocando a morte. O ataque é severo, ocasionando enormes clareiras no canavial e induzindo à reforma precoce do mesmo.

Controle:

Não existem inseticidas que controlem eficientemente esta praga. Recomenda-se a eliminação da soqueira, nas reboleiras de ocorrência, na época de maior população de larvas próximo à superfície do solo (maio a setembro), mediante aração rasa na linha de cana, seguida de aração profunda (15 a 20 dias após). Manten- do-se os locais infestados livres de quaisquer vegetação por 2 a 3 anos a praga é praticamente aniquilada. Onde esta prática não é viável, a diminuição do ataque da praga pode ser conseguido, a longo prazo, com um manejo por alguns ciclos de cana de ano, com renovações bianuais, destruindo-se a soqueira, conforme reco- mendado.

10 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 6 - SETEMBRO/

eficiente e o "roguing" dos viveiros não é eficaz porque o vento espalha os esporos com rapidez. Resta, portanto, para o controle, o uso de variedades resistentes para estas quatro doenças.

As doenças "podridão vermelha" e "podridão abacaxi" são as que mostram sintomas típicos nos colmos.

A "podridão vermelha" reduz a qualidade da cana para a indústria e o lucro dos produtos. A "podridão abacaxi" é particulamente importante quando se planta a cana no período seco e frio. Nestas condições, a demora na brotação causa o ataque do fungo e falhas no plantio, obrigando o replantio e encarecendo a reforma do canavial.

MARINHO, M.L. Nutrição e adubação de cana-de-açúcar. Rio Largo, IAA/PLANALSUCAR, COONE, 1981. 44p.

MARINHO, M.L. & ALBUQUERQUE, G.A.C. Calagem. In: OR- LANDO FILHO, J.; coord. Nutrição e adubação da cana- de-açúcar no Brasil. Piracicaba, IAA/PLANALSUCAR,

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ORLANDO FILHO, J. Calagem e adubação da cana-de-açúcar. In: CÂMARA, G.M.S. & OLIVEIRA, E.A.M.; ed. Produção de cana-de-açúcar. Piracicaba, FEALQ, 1993. p.133-46.

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RAIJ, B. van; SILVA, N.M. da; BATAGLIA, O.C.; QUAGGIO, J.A.; HIROCE, R.; CANTARELLA, H.; BELLINAZZI JÚNIOR, R.; DECHEN, A.R.; TRANI, P.E. Recomenda- ções de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. Campinas, 1985. 107p. (IAC. Boletim Técnico, 100)

RODELLA, A.A.; ZAMBELLO JR., E.; ORLANDO FILHO, J. Calibração das análises de fósforo e potássio do solo em cana- de-açúcar; 2ª aproximação. Saccharum STAB , São Paulo, n.28, p.39-42, 1983.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E SUGERIDA

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BENEDINI, M.S. Recomendação de calcário para a cana-de- açúcar. In: SEMINÁRIO DE TECNOLOGIA AGRONÔMI- CA, 4., São Paulo, Copersucar, 1989. p.99-102.

ELAWAD, S.H.; GASCHO, G.J; STREET, J.J. Response of sugarcane to silicate source and rate. II. Leaf freckling and nutrient content. Agronomy Journal , Madison, v.74, p.484- 87, 1982.

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MACEDO, N. & BOTELHO, P.S.M. Revisão no controle de cupins subterrâneos em cana-de-açúcar. Araras, Centro de Ciências Agrárias/UFSCar, 1994. 18p. (datilografado)

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MALAVOLTA, E. Nutrição mineral e adubação da cana-de- açúcar. São Paulo, Ultraférfil, 1982. 80p.

MARQUES, E.J.; VILAS BOAS, A.M.; PEREIRA, C.E.F. Orientações técnicas para produção do fungo entomopatógeno Metarhizium anisopliae em laboratórios setorias. Boletim Técnico Planalsucar , Piracicaba, v.3, n.2, p.22, 1981.

ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 11

Foto 4. Deficiência severa de fósforo: ausência de perfi- lhamento (Original: J. Orlando Filho).

Foto 2. Deficiência de nitrogênio: as folhas mais velhas tornam-se verde-pálido (Original: D.L. Ander- son).

Foto 7. Deficiência de potássio: redução no crescimento e topo em forma de leque (Original: D.L. Ander- son).

Foto 1. À esquerda, cana-planta deficiente em nitrogê- nio, em solo eutrófico (Original: J. Orlando Filho).

Foto 3. À frente, plantas deficientes em fósforo; ao fun- do, plantas normais (Original: J. Orlando Filho).

Foto 5. Planta deficiente em potássio: folhas mais velhas secas (Original: J. Orlando Filho).

Foto 6. Folha com deficiência de potássio, à esquerda (Original: J. Orlando Filho).

ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 13

Foto 21. Detalhe da deficiência de manganês na folha (Original: J. Orlando Filho).

Foto 19. Deficiência severa de ferro: planta clorótica- esbranquiçada (Original: J. Orlando Filho).

Foto 22. Deficiência de zinco: faixa larga clorótica na lâmina foliar (Original: J. Reghenzani).

Foto 18. Deficiência de ferro: clorose internerval nas folhas mais novas (Original: J. Orlando Filho).

Foto 16. Deficiência de cobre: clorose uniforme seguida de pontuações verde-escuras (ilhas) (Original: J. Orlando Filho).

Foto 20. Deficiência de manganês: clorose internerval com necrose (Original: J. Orlando Filho).

Foto 17. Deficiência de cobre: as folhas se curvam e a tou- ceira parece ter sido amassada (Original: J. Orlando Filho).

Foto 15. Deficiência de boro: enrugamento das folhas mais novas (Original: J. Orlando Filho).

14 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 6 - SETEMBRO/

Foto 23. Deficiência de zinco: a folha fica mais susceptível ao ataque de fungos (manchas vermelhas) (Ori- ginal: J. Reghenzani).

Foto 24. Sintoma de deficiência de zinco no campo (Ori- ginal: J. Orlando Filho).

Foto 27. Manchas foliares causadas pelo frio (Original: J. Orlando Filho).

Foto 28. Fendilhamento foliar devido à chuva de pedras (Original: J. Orlando Filho).

Foto 26. Redução no sistema radicular causada pela deficiência de cálcio e presença de alumínio (Original: J. Orlando Filho).

Foto 25. Deficiência de molibdênio: estrias longitudinais curtas e cloróticas no terço superior das folhas mais velhas (Original: J.E. Bowen).

16 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 6 - SETEMBRO/

Foto 40. "Raquitismo das soqueiras" causando entupi- mento dos vasos não coloridos pela tinta vermelha (Original: H. Tokeshi).

Foto 37. Larva de Migdolus fryanus (Original: Botelho & Macedo).

Foto 38. Sintomas de ataque de larvas de Migdolus (Original: Botelho & Macedo).

Foto 42. "Mosaico da cana": folhas com áreas amare- ladas, formando mosaico (Original: H. Toke- shi).

Foto 39. "Escaldadura da cana": vasos coloridos, brotação lateral e estrias amarelas nas folhas (Original: H. Tokeshi).

Foto 41. "Carvão da cana" mostrando o chicote com esporos (Original: H. Tokeshi).

ENCARTE DO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 67 - SETEMBRO/94 17

Foto 48. "Podridão abacaxi": mudas não brotadas com cheiro de abacaxi e esporos pretos (Original: H. Tokeshi).

Foto 47. "Podridão vermelha": podridão avermelhada com bandas transversais claras de Colle- totrichum (Original: H. Tokeshi).

Foto 45. "Ferrugem da cana nas variedades NA56-79 e SP70-1284 (H. Tokeshi).

Foto 46. "Mancha amarela": crescimento aveludado do fungo, causando manchas amarelas e aver- melhadas (Original: H. Tokeshi).

Foto 43. "Mancha ocular": manchas avermelhadas elípticas ligadas a riscas de toxina do fungo (Original: H. Tokeshi).

Foto 44. "Estria vermelha" causando podridão da cana com cheiro característico (Original: H. Toke- shi).