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doutor em arroz, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

doutor em arroz

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 18/12/2009

marcelo-agua-nova-da-rocha-12
marcelo-agua-nova-da-rocha-12 🇧🇷

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POTAFOS - Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 1
ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 9
Seja o doutor do seu arroz
1 Engº Agrº, Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS. Caixa Postal 151, 35701-970 Sete Lagoas-MG. Telefone:
2 Biólogo, Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS. Caixa Postal 151, 35701-970 Sete Lagoas-MG. Telefone:
Nand Kumar Fageria1
Evane Ferreira1
Anne Sitarama Prabhu2
Morel P. Barbosa Filho1
Marta Cristina Filippi1
1. NUTRIÇÃO MINERAL DO ARROZ
No processo de modernização e racionalização da
agricultura brasileira, o uso de adubação e de
calagem constitui um fator importante para o
aumento da produtividade. A crescente globalização da economia
exige, cada vez mais, a adoção de métodos e técnicas de cultivo
adequados, para manter a competitividade e a sustentabilidade do
sistema agrícola. Neste contexto, a manutenção da fertilidade do
solo, em nível adequado, é fundamental.
Exigência nutricional do arroz
Para manter a fertilidade de um dado solo no nível adequado
necessita-se conhecer não só seus parâmetros de fertilidade do solo
bem como a exigência nutricional de uma dada cultura. A exigência
nutricional do arroz é determinada por vários fatores como condições
climáticas, tipo de solo, cultivar plantada, produtividade esperada
e práticas culturais adotadas.
As Tabelas 1 e 2 mostram a acumulação de nutrientes pela
cultura de arroz, de sequeiro e irrigado, em solo de cerrado e de
várzea, respectivamente. A acumulação de nutrientes na cultura de
arroz de sequeiro segue a seguinte ordem: N > K > P > Ca > Mg >
Fe > Mn > Zn > Cu. Para produzir uma tonelada de grãos de arroz
de sequeiro são extraídos 47 kg de N, 7,5 kg de P, 34 kg de K,
5,5 kg de Ca, 4,5 kg de Mg, 96 g de Zn, 23 g de Cu, 377 g de Mn
e 1.043 g de Fe. Na cultura de arroz irrigado, a acumulação de nu-
trientes segue a seguinte ordem: K > N > Ca > P > Mg > Fe > Mn
> Zn > Cu. Para produzir uma tonelada de grãos de arroz irrigado
são extraídos 20 kg de N, 4,5 kg de P, 34 kg de K, 5,3 kg de Ca,
3,2 kg de Mg, 113 g de Zn, 32 g de Cu, 718 g de Mn e 788 g de Fe.
2. DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS NA
CULTURA DE ARROZ
O crescimento normal das culturas exige, como essenciais,
os 16 nutrientes seguintes: carbono, hidrogênio, oxigênio, nitro-
gênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro,
cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco. Carbono, hidrogênio
e oxigênio vêm do ar e da água. De acordo com a quantidade
absorvida pelas plantas, os nutrientes restantes são divididos em
macro e micronutrientes, que para serem absorvidos devem se
encontrar na forma “disponível” e em concentrações e proporções
adequadas. Ainda que os macronutrientes N, P, K, Ca, Mg e S
sejam necessários em maior quantidade do que os micronutrientes
B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn, todos são igualmente essenciais.
Tabela 1. Produção e acumulação de nutrientes pela cultura de arroz de sequeiro, sob diferentes níveis de fertilidade do solo.
Produção N P K Ca Mg Zn Cu Mn Fe
kg/ha - - - - - - - - - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - g/ha - - - - - - - - - - -
Baixa Parte áerea 2.110 20 4 53 7,00 5,00 97 16 445 1.517
Grãos 1.684 51 5 3 0,69 1,86 38 26 54 120
Total 3.794 71 9 56 7,69 6,86 135 42 499 1.637
Média Parte aérea 2.992 28 7 72 10,00 7,00 152 20 639 1.454
Grãos 2.117 88 7 4 0,83 2,36 46 31 72 137
Total 5.109 116 14 76 10,83 9,36 198 51 711 1.591
Alta Parte aérea 3.494 35 7 77 14,00 9,00 178 20 814 2.062
Grãos 2.104 106 7 4 0,84 2,40 46 32 78 119
Total 5.598 141 14 81 14,84 11,40 324 52 892 2.181
Média + adubo verde Parte aérea 3.524 26 10 67 11,00 7,00 176 15 914 3.109
Grãos 2.403 39 15 5 0,96 2,79 63 31 113 142
Total 5.927 65 25 72 11,96 9,79 239 46 1.027 3.251
Os valores são média de três cultivos. No tratamento fertilidade média + adubo verde os dados são de apenas um cultivo.
Parte da
planta
Fertilidade do solo
pf3
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POTAFOS - Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 1

ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 9

Seja o doutor do seu arroz

(^1) Engº Agrº, Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS. Caixa Postal 151, 35701-970 Sete Lagoas-MG. Telefone: (^2) Biólogo, Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS. Caixa Postal 151, 35701-970 Sete Lagoas-MG. Telefone:

Nand Kumar Fageria 1 Evane Ferreira 1 Anne Sitarama Prabhu^2

Morel P. Barbosa Filho^1 Marta Cristina Filippi^1

  1. NUTRI«√O MINERAL DO ARROZ

N

o processo de modernização e racionalização da

agricultura brasileira, o uso de adubação e de

calagem constitui um fator importante para o

aumento da produtividade. A crescente globalização da economia

exige, cada vez mais, a adoção de métodos e técnicas de cultivo

adequados, para manter a competitividade e a sustentabilidade do

sistema agrícola. Neste contexto, a manutenção da fertilidade do

solo, em nível adequado, é fundamental.

- Exigência nutricional do arroz

Para manter a fertilidade de um dado solo no nível adequado

necessita-se conhecer não só seus parâmetros de fertilidade do solo

bem como a exigência nutricional de uma dada cultura. A exigência

nutricional do arroz é determinada por vários fatores como condições

climáticas, tipo de solo, cultivar plantada, produtividade esperada

e práticas culturais adotadas.

As Tabelas 1 e 2 mostram a acumulação de nutrientes pela

cultura de arroz, de sequeiro e irrigado, em solo de cerrado e de

várzea, respectivamente. A acumulação de nutrientes na cultura de

arroz de sequeiro segue a seguinte ordem: N > K > P > Ca > Mg >

Fe > Mn > Zn > Cu. Para produzir uma tonelada de grãos de arroz

de sequeiro são extraídos 47 kg de N, 7,5 kg de P, 34 kg de K,

5,5 kg de Ca, 4,5 kg de Mg, 96 g de Zn, 23 g de Cu, 377 g de Mn

e 1.043 g de Fe. Na cultura de arroz irrigado, a acumulação de nu-

trientes segue a seguinte ordem: K > N > Ca > P > Mg > Fe > Mn

> Zn > Cu. Para produzir uma tonelada de grãos de arroz irrigado

são extraídos 20 kg de N, 4,5 kg de P, 34 kg de K, 5,3 kg de Ca,

3,2 kg de Mg, 113 g de Zn, 32 g de Cu, 718 g de Mn e 788 g de Fe.

  1. DEFICI NCIAS NUTRICIONAIS NA CULTURA DE ARROZ

O crescimento normal das culturas exige, como essenciais,

os 16 nutrientes seguintes: carbono, hidrogênio, oxigênio, nitro-

gênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro,

cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco. Carbono, hidrogênio

e oxigênio vêm do ar e da água. De acordo com a quantidade

absorvida pelas plantas, os nutrientes restantes são divididos em

macro e micronutrientes, que para serem absorvidos devem se

encontrar na forma “disponível” e em concentrações e proporções

adequadas. Ainda que os macronutrientes N, P, K, Ca, Mg e S

sejam necessários em maior quantidade do que os micronutrientes

B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn, todos são igualmente essenciais.

Tabela 1. Produção e acumulação de nutrientes pela cultura de arroz de sequeiro, sob diferentes níveis de fertilidade do solo.

Produção N P K Ca Mg Zn Cu Mn Fe kg/ha - - - - - - - - - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - g/ha - - - - - - - - - - -

Baixa Parte áerea 2.110 20 4 53 7,00 5,00 97 16 445 1. Grãos 1.684 51 5 3 0,69 1,86 38 26 54 120 Total 3.794 71 9 56 7,69 6,86 135 42 499 1.

Média Parte aérea 2.992 28 7 72 10,00 7,00 152 20 639 1.

Grãos 2.117 88 7 4 0,83 2,36 46 31 72 137 Total 5.109 116 14 76 10,83 9,36 198 51 711 1.

Alta Parte aérea 3.494 35 7 77 14,00 9,00 178 20 814 2. Grãos 2.104 106 7 4 0,84 2,40 46 32 78 119 Total 5.598 141 14 81 14,84 11,40 324 52 892 2.

Média + adubo verde Parte aérea 3.524 26 10 67 11,00 7,00 176 15 914 3. Grãos 2.403 39 15 5 0,96 2,79 63 31 113 142 Total 5.927 65 25 72 11,96 9,79 239 46 1.027 3.

Os valores são média de três cultivos. No tratamento fertilidade média + adubo verde os dados são de apenas um cultivo.

Parte da planta

Fertilidade do solo

2 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 10 - SETEMBRO/

Tabela 2. Produção e acumulação de nutrientes pela cultura de arroz irrigado, sob diferentes níveis de fertilidade, em solo de várzea^1.

Produção N P K Ca Mg Zn Cu Mn Fe kg/ha - - - - - - - - - - - (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - (g/ha) - - - - - - - - - - - -

Baixa Parte áerea 5.406 29 6 169 22,00 9,00 443 22 2.728 2. Grãos 4.307 80 19 13 1,91 4,38 177 152 218 620 Total 9.713 109 25 182 23,91 13,38 620 174 2.946 3.

Média Parte aérea 7.987 41 8 154 24,00 11,00 413 24 3.320 3. Grãos 5.523 56 14 14 1,80 6,14 133 125 228 908 Total 13.510 97 22 168 15,80 17,14 546 149 3.548 4.

Alta Parte aérea 10.726 55 11 207 36,00 16,00 642 53 4.902 3. Grãos 5.464 61 15 13 1,68 6,10 134 140 228 884 Total 16.190 116 26 220 7,68 22,10 776 193 5.130 4.

Média + adubo verde Parte aérea 6.879 41 7 144 24,00 9,00 334 26 3.668 3. Grãos 6.332 72 17 15 2,57 7,40 157 139 214 1. Total 13.211 113 24 159 26,57 16,40 491 165 3.882 4. (^1) Os valores são média de três cultivos. No tratamento fertilidade média + adubo verde os dados são de apenas dois anos.

Tabela 3. Método de amostragem sugerido por Jones & Steyn.

Estádio de crescimento Parte da planta Número de plantas por amostragem

Plântulas (< 30 cm) Toda a parte aérea 50-

Período imediatamente anterior à floração As 4 folhas superiores bem desenvolvidas 60-

Não se recomenda fazer amostragem após a floração

Fonte: Jones & Steyn, citados por BARBOSA FILHO & FAGERIA (1980).

Parte da planta

Fertilidade do solo

Dois instrumentos muito utilizados para diagnosticar o

estado nutricional das plantas são a análise de planta e a análise de

solo.

· Análise de planta

A análise de planta constitui um método prático para

diagnosticar problemas nutricionais em plantas. A idéia básica da

análise de planta é que o elemento essencial esteja presente na

planta numa concentração suficiente para o seu crescimento. Esta

concentração (nível crítico) pode ser estabelecida para cada nu-

triente, onde somente este será variável, mantendo todos os outros

em níveis adequados.

A possibilidade de se corrigir deficiências nutricionais no

campo vai depender, sobretudo, da idade da planta e do tempo a

que ela está submetida à deficiência. Em plantas ainda jovens, e

quando a correção é feita no início do aparecimento dos sintomas,

a possibilidade de resposta é grande.

O processo de análise da planta envolve vários passos:

amostragem, preparação da amostra, análise de laboratório e in-

terpretação dos resultados.

(1). Amostragem

A amostragem bem feita é tão importante quanto a análise.

Em geral, as folhas mais novas, que tenham completado seu de-

senvolvimento normal mas que ainda não entraram em senescência,

situadas pouco abaixo do ponto terminal de crescimento, refletem

com maior precisão o estado nutricional da planta (BARBOSA

FILHO & FAGERIA, 1980). As folhas defeituosas, atacadas por

insetos, doenças, ou que receberam pulverizações recentes de

inseticidas, não devem ser amostradas. O número de plantas ou

de partes dela deve ser suficiente para avaliar efetivamente o esta-

do nutricional da cultura. Para arroz, recomenda-se o método de

amostragem contido na Tabela 3.

Após a amostragem, as plantas ou as partes delas devem

ser colocadas, de preferência, em sacos de papel devidamente iden-

tificados, e enviadas ao laboratório para as análises.

(2). Preparo da amostra e análise no laboratório

Em geral, é necessário eliminar contaminações de solo

quando se deseja analisar ferro, manganês, silício e alumínio;

quando a amostra destina-se à análise de boro, cobre, molibdênio

e zinco, este tipo de contaminação não afeta os resultados. No

caso de plantas que receberam aplicações de inseticidas, fungicidas

à base de zinco, cobre, manganês e outros, é necessário lavar as

amostras com uma solução de detergente ou com HCl 0,1 N.

O teor de um elemento na planta pode ser influenciado

pelo nível de outros elementos no meio de crescimento, poden-

do haver antagonismo ou sinergismo. Por isso, recomenda-se a

análise de vários nutrientes, mesmo que o interesse direto não

seja por todos (MALAVOLTA, 1980).

(3). Interpretação dos resultados

Na cultura do arroz, a interpretação dos resultados é feita

com base nos dados da Tabela 4.

4 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 10 - SETEMBRO/

terço aos 40-45 dias após o plantio e o um terço restante no início

do aparecimento do primórdio floral, aproximadamente na meta-

de do ciclo da cultivar).

Como fonte de nitrogênio pode-se usar tanto o sulfato de

amônio como a uréia. Resultados de vários experimentos mos-

tram que, em geral, não há diferença entre estas fontes quanto ao

seu aproveitamento pela cultura do arroz. O sulfato de amônio

contém, aproximadamente, 24% de enxofre, podendo superar a

uréia em solos com deficiência deste nutriente. Por outro lado, a

uréia contém maior teor de nitrogênio que o sulfato de amônio, o

que lhe confere uma vantagem em relação ao custo de transporte e

aplicação.

Tanto a uréia como o sulfato de amônio devem ser incorpo-

rados ao solo para evitar perdas de N por volatilização.

- Fósforo

O fósforo, assim como o nitrogênio, é um elemento móvel

na planta, e a deficiência aparece primeiramente nas folhas ve-

lhas. A deficiência de fósforo reduz o perfilhamento e prolonga o

ciclo da cultura (Foto 2). As folhas mais velhas apresentam colo-

ração bronze, principalmente nas margens. O sintoma progride

da ponta para a base e as folhas novas adquirem uma coloração

verde-escura. O fósforo promove o desenvolvimento do sistema

radicular.

Correção: a necessidade de fósforo pelas culturas é deter-

minada pela curva de calibração, que relaciona o P extraível do

solo com a produção relativa. A adubação fosfatada pode ser feita

objetivando o fornecimento de fósforo às plantas sem se preocu-

par em elevar o nível de fósforo do solo (adubação de manuten-

ção) ou com o objetivo de se elevar o nível de fósforo do solo

(adubação corretiva). No primeiro caso, recomenda-se que a adu-

bação seja feita com fontes solúveis de fósforo, na forma de grânu-

los, aplicados no sulco de plantio. Em geral, a dose varia de 40 a

60 kg de P 2 O 5 /ha, para o arroz de sequeiro, e de 60 a 90 kg de

P 2 O 5 /ha, para o arroz irrigado, dependendo dos resultados da aná-

lise do solo. No caso da adubação corretiva, recomendam-se fon-

tes menos solúveis na forma de pó, aplicadas a lanço e, posterior-

mente, incorporadas ao solo. Por se tratar de fonte de fósforo me-

nos solúvel, recomenda-se que seja aplicada antes da calagem,

portanto, ao contrário do que se faz na adubação de manutenção.

É importante ressaltar que uma adubação não exclui a outra, isto

é, caso seja realizada a adubação corretiva, é necessário também

que se proceda a adubação de manutenção no sulco de plantio.

- Potássio

A deficiência de potássio na cultura de arroz não é tão co-

mum como a de nitrogênio e a de fósforo. Entretanto, em solos

muito arenosos, com baixa capacidade de retenção de potássio,

poderá ocorrer deficiência deste elemento. A maior parte do po-

tássio extraído pela cultura do arroz permanece na palhada. Em

termos práticos, isto é importante à medida que os restos culturais

são incorporados ao solo.

A deficiência de potássio resulta na redução do crescimen-

to da planta. Os sintomas aparecem primeiro como clorose branca

nas pontas das folhas mais velhas (Foto 3). À medida que o grau

de deficiência se intensifica, o tecido torna-se marrom e necrótico

na ponta da folha e o sintoma progride pela margem da mesma,

desenvolvendo-se mais na metade da folha. A aplicação de potás-

sio promove o desenvolvimento do sistema radicular.

Correção: em solos oxídicos, o potássio apresenta peque-

na possibilidade de retenção, sendo necessários, por isso, alguns

cuidados no seu manejo, para evitar perdas por lixiviação. Por ser

pouco exportado, recomenda-se que os restos culturais sejam man-

tidos na área de produção e incorporados ao solo. No caso de solos

muito arenosos, a adubação deve ser parcelada, aplicando-se me-

tade no plantio e metade em cobertura, juntamente com o

nitrogênio.

A dose de K 2 O recomendada varia de 30 a 50 kg/ha para

arroz de sequeiro e de 40 a 80 kg/ha para arroz irrigado, depen-

dendo do teor de potássio revelado pela análise de solo.

- Cálcio

O cálcio é um nutriente imóvel na planta, portanto, os sin-

tomas de deficiência aparecem nas folhas mais novas. As folhas

terminais morrem conforme a deficiência se acentua, causando

severo atrofiamento das plantas (Foto 4). À medida que a defi-

ciência persiste, as folhas mais velhas desenvolvem uma necrose

marrom-avermelhada nas nervuras.

Correção: a deficiência de cálcio pode ser corrigida atra-

vés de aplicações de calcário. A quantidade necessária de calcário

é determinada pela análise de solo. Para o arroz de sequeiro, cul-

tivado em solos de cerrado, recomenda-se elevar o pH a 5,5, o que

é feito utilizando-se o critério do alumínio trocável mais cálcio e

magnésio. Não se esquecendo de que a quantidade calculada deve

ser corrigida para calcário com PRNT = 100%, aplica-se, portan-

to, a seguinte fórmula:

N.C. (t/ha) = { (2 x Al) + [2 - (Ca + Mg)] } x f

onde:

N.C. = necessidade de calagem

f = 1 para incorporação do calcário na camada de 0-20 cm;

f = 1,5 para incorporação na camada de 0-30 cm de profundidade.

- Magnésio

Os sintomas de deficiência iniciam-se nas folhas mais ve-

lhas, com coloração amarelada e, mais tarde, a área entre as

nervuras da folha torna-se alaranjada (Foto 5). Quando a defi-

ciência se espalha por toda a folha, esta fica completamente seca.

Correção: para a correção da deficiência de magnésio re-

comendam-se aplicações de calcário dolomítico, cuja quantidade

deve ser calculada conforme a fórmula explicitada para a correção

da deficiência de cálcio.

- Enxofre

Os sintomas de deficiência de enxofre assemelham-se aos

de nitrogênio. A diferença básica é que a deficiência de enxofre

começa nas folhas mais novas e a de nitrogênio nas folhas mais

velhas. Inicialmente, as folhas com esta deficiência tornam-se

amarelo-esverdeadas (Foto 6). Com a intensificação da deficiên-

cia, quase todas ficam secas.

Correção: a deficiência de enxofre pode ser corrigida com

a aplicação de sulfato de amônio no plantio ou em cobertura ou,

ainda, com a aplicação de gesso espalhado na superfície do terre-

no, posteriormente incorporado ao solo através da aração e da

gradagem.

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Foto 1. Deficiência de nitrogênio em lavoura de arroz. Foto 2. Parcelas com plantas normais (ao fundo) e com deficiência de fósforo (`a frente).

Foto 6. Folhas de arroz com deficiência de enxofre.

Foto 4. Planta de arroz com deficiência de cálcio.

Foto 5. Folhas de arroz com deficiência de magnésio.

Foto 3. Folhas de arroz com deficiência de potássio.

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Foto 11. Folhas de arroz com deficiência de cobre. Foto 12. Folhas de arroz com deficiência de boro.

Foto 13. Folhas de arroz com deficiência de molibdênio.

Foto 9. Folhas de arroz com deficiência de zinco. Foto 10. Planta de arroz com deficiência de manganês.

Foto 7. Planta de arroz, em fase inicial de crescimento, Foto 8. Sintomas de toxidez de ferro em arroz irrigado. com deficiência de ferro.

8 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 10 - SETEMBRO/

Tabela 5. Doses de micronutrientes para aplicação no solo e via foliar em arroz.

Dose aplicada no solo Dose via foliar (kg/ha) (kg/500 l de água)

Boro Bórax (Na 2 B 4 O 7 - 10,6% B) 10-15 1-

Cobre Sulfato de cobre (CuSO 4 .5H 2 O - 26% Cu) 20-25 1-

Ferro Sulfato ferroso (FeSO 4 .7H 2 O - 20% Fe) - 5-

Manganês Sulfato de manganês (MnSO 4 .4H 2 O - 27% Mn) - 1-

Molibdênio* Molibdato de amônio [(NH 4 ) 6 Mo 7 O 24 .4H 2 O - 54% Mo] 0,5-1,0 0,25-0,

Zinco Sulfato de zinco (ZnSO 4 .7H 2 O - 23% Zn) 20-30 1,0-2,

  • Antes de fazer a correção deve-se medir o pH do solo. Pode ser que a deficiência seja devida ao baixo pH; neste caso, uma simples correção do pH para os próximos cultivos é suficiente para aumentar a disponibilidade de molibdênio no solo.

Tabela 6. Recomendação de adubação de arroz irrigado, para os Estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina (SIQUEIRA et al. 1987).

NITROGÊNIO

Cultivares Altas Médias Baixas % - - - - - - - - - - - - - - - - - kg N/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - ≤ 2,5 40 60 90 2,6-5,0 25 45 80

5,0 ≤ 10 ≤ 30 ≤ 70

FÓSFORO E POTÁSSIO

Adubação fosfatada/cultivo Adubação potássica/cultivo Rio Grande do Sul Santa Catarina Rio Grande do Sul Santa Catarina

              • ppm - - - - - - - - - - - - - - - - - - - kgP 2 O 5 /ha - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - kgK 2 O/ha - - - - - - - - - - - - ≤ 3,0 ≤ 30 Muito baixo 60 40 60 80

3,1-6,0 31-60 Médio 40 40 40 60

6,0 > 60 Bom ≤ 20 ≤ 20 ≤ 20 ≤ 40

Observações:

Nitrogênio: aplicar 10 kg N/ha na semeadura e o restante em cobertura, dependendo do teor de matéria orgânica do solo, do tipo de cultivar e das condições climáticas. Quando a dose de N a aplicar em cobertura for menor do que 50 kg N/ha, pode-se proceder uma única aplicação no início da diferenciação do primórdio floral. Quando a dose for maior do que 50 kg N/ha, é mais eficiente aplicar metade da dose aos 35 dias após a emergência das plântulas, ou no início do perfilhamento (emissão da quarta folha), e o restante no início da diferenciação do primórdio floral da maioria dos perfilhos. Para cultivares de porte alto e com baixo índice de perfilhamento o nitrogênio pode ser aplicado 1/3 no início do perfilhamento e o restante na diferenciação do primórdio floral. A adubação nitrogenada em cobertura deve ser aplicada a lanço sobre uma lâmina de água não circulante, interrompendo-se, para isto, as entradas e saídas de água do quadro por um período de 3 a 5 dias. Na decisão do total de N a aplicar na lavoura, devem também ser considerados os seguintes aspectos: a) histórico da área no que diz respeito à resposta da cultura ao nitrogênio em anos anteriores; b) incidência de doenças, especialmente Brusone, cujo desenvolvimento é favorecido pelo excesso de nitrogênio, e c) desenvolvimento vegetativo e caracterização de sintomas de deficiência de nitrogênio. No caso de desenvolvimento vegetativo exuberante, não é recomendável aplicar nitrogênio, especialmente para cultivares de porte alto e médio, mesmo em solos com baixos teores de matéria orgânica.

Fósforo e potássio: no caso de plantio de arroz pré-germinado, ou seja, em solos preparados sob lameiro, os fertilizantes fosfatados e potássicos podem ser incorporados na formação de lama ou aplicados após o renivelamento antes da semeadura. No sistema de semeadura em solo seco, os fertilizantes são aplicados e incorporados juntamente com as sementes ou nos sulcos, quando a semeadura for em linha.

Calagem: de modo geral, não se recomenda calagem para correção da acidez do solo para a cultura do arroz sob inundação, porque, nestas condições, o pH do solo estabiliza-se entre 6,0 e 6,5, aproximadamente 1 mês a partir do início da inundação. Após a drenagem do solo, o pH volta ao seu valor original. Entretanto, se o solo apresentar teores de cálcio e de magnésio trocáveis inferiores a 5 meq/100 ml, recomenda-se aplicar 1 t/ha de calcário dolomítico para suprir as deficiências nos nutrientes mencionados, funcionando, neste caso, o produto como fonte de nutrientes para a cultura.

Cultivares:

Cultivares altas: EEA-405, EEA-406, IRGA-407, Agulha, Bico Torto, Farroupilha, Japonês, Batatais, EMPASC-100 e IAC-435. Cultivares porte médio: Bluebelle, Labelle, Labonnet, Dawn, BR/IRGA-411. Cultivares baixas: CICA-4, CICA-8, CICA-9, IRGA-408, BR/IRGA-409, BR/IRGA-410, BR/IRGA-412, BR/IRGA-413, EMPASC-101, EMPASC-102, EMPASC-103, EMPASC-104 e IR-841.

Nutriente Fertilizante, fórmula e teor de nutriente

Teores de matéria orgânica

Teores de Teores de P no solo K no solo Interpretação

10 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 10 - SETEMBRO/

Tabela 9. Recomendação de adubação N-P 2 O 5 -K 2 O para arroz de sequeiro no Estado do Maranhão (BARBOSA FILHO, 1987).

K trocável 0-45 46-150 > 150

                    • - - - - - N-P 2 O 5 -K 2 O (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - -

0-10 10-60-40 10-60-30 10-60- 11-30 10-30-40 10-30-30 10-30-

30 10-20-40 10-20-30 10-20- 30

Tabela 10. Recomendação de adubação para o arroz de sequeiro no Estado de Goiás (UFG/EMGOPA, 1988).

Disponibilidade no solo P 2 O 5 K 2 O

                    • - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - - - - Muito baixa 50-60 40- Baixa 40-50 40- Média 30-40 30- Alta 20-30 20-

Tabela 11. Recomendação de adubação para arroz irrigado por aspersão no Estado de Goiás (CFSG, 1988).

Disponibilidade no solo P 2 O 5 K 2 O

                    • - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - - - - Muito baixa 80-90 50- Baixa 60-80 50- Média 40-60 40- Alta 30-40 30-

Tabela 12. Recomendação de adubação para arroz irrigado por inundação no Estado de Goiás (CFSG, 1988).

Teor de P no solo Teor de K no solo (extrator Mehlich) (extrator Mehlich)

                    • - - - - - - - ppm - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - - < 5 < 25 61-80 61- 5-10 25-50 51-60 51- > 10 > 50 40-50 40-

P no solo (ppm)

N em cobertura (kg/ha)

Observações:

(1). Adubação nitrogenada: aplicar de 10 a 15 kg de N/ha. Caso necessária, a adubação de cobertura deverá ser feita no início do primórdio floral, utilizando-se até 30 kg de N/ha. (2). Zinco: aplicar no sulco de plantio de 3 a 5 kg de Zn/ha a cada 2 ou 3 anos. (3). Calagem: recomenda-se aplicar a metade da dose indicada pela equação abaixo quando a saturação por alumínio for superior a 50%.

NC (t/ha) = {Al x 2 + [2* - (Ca + Mg)]} x 100/PRNT

  • Para solos com teor de argila inferior a 20% deve-se substituir o valor 2 por 1,2.

(4). A expectativa de produção para esta recomendação é de 1.800 kg de grãos/ha e sua eficiência depende de aração profunda e rotação de culturas.

Observações:

(1). Adubação nitrogenada: aplicar 10 kg de N/ha no plantio e 20 kg de N/ha em cobertura, no início do primórdio floral. (2). Zinco: aplicar 5 kg de Zn/ha no sulco de plantio, sempre que se fizer a calagem. (3). Calagem: quando se visa cultura em sucessão deve ser indicada a critério do técnico. (4). A expectativa de produção para esta recomendação é de 2.500 a 3.500 kg de grãos/ha.

Observações:

(1). Adubação nitrogenada: aplicar 10 kg de N/ha no plantio e 60 kg de N/ha em cobertura, no início do primórdio floral ou parcelar em duas aplicações. Evitar as fontes nítricas. (2). Calagem: recomendada para eliminar a toxidez de ferro e/ou suprir as necessidades de cálcio e magnésio da cultura em sucessão. (3). A expectativa de produção para esta recomendação é de 4.000 a 6.000 kg de grãos/ha.

P 2 O 5 K 2 O

POTAFOS - Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 11

Tabela 14. Recomendação de adubação de arroz de sequeiro para o Estado de São Paulo (CAMARGO & CAMARGO, 1985).

K trocável (meq/100 cm^3 )

0-0,07 0,08-0,15 > 0,

                    • - - - - - - - - - N-P 2 O 5 -K 2 O (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

0-6 10-60-40 10-60-20 10-60- 7-15 10-40-40 10-40-20 10-40-

15 10-20-40 10-20-20 10-20-

Observações:

(1). Adubação nitrogenada em cobertura: aplicar até 30 kg de N/ha 40 dias após a emergência, quantidades maiores para solos há muito cultivados. Reduzir a aplicação de N em solos com crescimento inicial muito vigoroso e com as plantas muito verdes. (2). Aplicar 10 kg de S/ha e, se houver constatação de deficiência de zinco, 5 kg de Zn/ha.

(3). Calagem: aplicar calcário quando a saturação por bases for inferior a 40%, calculando a quantidade para elevá-la a 50%. Não aplicar mais do que 3 t de calcário/ha.

(4). Produtividade esperada: 1.500-3.500 kg/ha.

Tabela 13. Recomendação de adubação de arroz irrigado para o Estado de São Paulo (CAMARGO & CAMARGO, 1985).

K trocável (meq/100 cm 3 ) 0-0,07 0,08-0,15 > 0,

                    • - - - - - - - - - N-P 2 O 5 -K 2 O (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

0-6 10-60-60 10-60-40 10-60- 7-15 10-40-60 10-40-40 10-40-

15 10-20-60 10-20-40 10-20-

P resina μμμ μμ g/cm 3

Observações:

(1). Adubação nitrogenada em cobertura: aplicar até 30 kg de N/ha para cultivares de porte alto, 40 dias após a emergência, se o desenvolvimento vegetativo não for muito exuberante. Para cultivares de porte baixo, aplicar 30 kg de N/ha decorridos 40 dias da emergência, repetindo a cobertura 30 dias após, na mesma quantidade. (2). Aplicar 10 kg de S/ha e, se houver constatação de deficiência de zinco, 5 kg de Zn/ha. (3). Calagem: aplicar calcário quando a saturação por bases for inferior a 40%, em quantidade suficiente para elevá-la a 50%. Não aplicar mais do que 4 t de calcário/ha.

(4). Produtividade esperada: cultivares altas: 3.500-4.500 kg/ha; cultivares baixas: 5.000-8.000 kg/ha.

P resina μμμμμ g/cm 3