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endometriose
Tipologia: Notas de estudo
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Rua Maestro Elias Lobo, 805 • 01433-000 • São Paulo, SP • Brasil Tel. 55 11 3887.1555 • Fax 55 11 3885. www.abdelmassih.com.br
HISTÓRICO
1600 A.C. - descrição de sintomas característicos e tratamento para suas alterações menstruais - Papiro Egípcio de Ebers (Ebers, G. 1968) 1835 D.C. - referência a lesões císticas do sistema reprodutor feminino - Cruveilhier se refere a cistos de anexos, útero e vagina 1860 D.C. - primeira descrição patológica de um endometrioma - Von Rokitansky 1894 D.C. - "cistos achocalatados" - Breus
Durante este século os conhecimentos sobre a fisiopatologia da doença evoluíram de maneira significativa. O curso clínico da doença foi melhor estudado e tratamentos mais eficazes foram propostos.
CAUSAS:
1. Disseminação e invasão ou penetração: Seria a possibilidade de células desprendidas do endométrio eutópico disseminar à distância e dar origem a focos endometrióticos;
a. Mecanismo da implantação de Sampson: é o fluxo de tecidoendometrial retrógrado durante a menstruação. A maioria dos casos de endometriose peritonial se explicaria pela implantação de fragmentos de endométrio que, desprendidos do útero durante a menstruação e transportados através das trompas em forma de menstruação retrógrada, se implantariam sobre os órgãos vizinhos e o peritônio. A partir destes implantes se desenvolveriam os focos endometrióticos;
b. Mecanismo das metástases linfáticas e venosas: explicaria a grande diversidade de localização;
c. Mecanismo de implantação operatória: explicaria a localização da endometriose em cicatrizes de operações abdominais ou vaginais. Em tais casos, se produziria a implantação de fragmentos endometriais no curso das intervenções.
INTRODUÇÃO
2. Metaplasia celômica: O endotélio celômico seria capaz de diferenciar-se em elementos mullerianos, tais como o endométrio. Seria a transformação de epitélio celômico em glândulas e estroma endometriais devido à inflamação como seqüela de fluxo menstrual em constante contato com o peritônio pélvico. 3. Transformação de restos embrionários: A endometriose se originaria da transformação dos restos do sistema de Wolff ou de Müller. 4. Fatores endócrinos e parácrinos: a. Hormônios ovarianos: A importância dos fatores hormonais na patogenia da endometriose é corroborada pelas observações clínicas:
Os implantes endometrióticos apresentam receptores para a progesterona em 80% dos casos, receptores estrogênicos em 40% e
em 20% para nenhum deles. Os transtornos do funcionamento endócrino do ovário nas pacientes com endometriose são variados e discutíveis (anovulação, disfunção da fase lútea, LUF - síndrome do folículo luteinizado não roto, alterações da foliculogênese).
b. Hormônios hipofisários: Os níveis de prolactina encontram- se elevados e ocorre um segundo pico de LH.
c. Hormônios locais: São substâncias diversas cuja ação se dá tanto na área endometrial quanto na peritonial; há aumento das prostaglandinas, ocitocina e seus receptores e das citocinas (incluindo alguns fatores de crescimento e interleucinas). As prostaglandinas estariam relacionadas ao processo inflamatório, implicando em diminuição da mobilidade tubária e alteração nas funções ovarianas. A presença de interleucina- (e outras citocinas) no liquido peritonial de pacientes com endometriose leve dificultaria a penetração de espermatozóides humanos nos oócitos, quando comparado a pacientes férteis. A interleucina-1 (IL-1) diminui a penetração de espermatozóides em oócitos de hamsters, diminui a fixação espermática e penetração na zona pelúcida humana e produz um efeito negativo no desenvolvimento de embriões de hamsters até blastocisto. A presença de IL-1 no líquido peritonial de pacientes com endometriose mínima e a sua ausência em pacientes férteis é um fator relacionado à infertilidade.
5. Alterações do sistema imunológico: Existem evidências que sugerem que a endometriose se associa a alterações no sistema imunológico. O aumento das células B e a diminuição das células T reativas em pacientes com endometriose e adenomiose sugere a possibilidade de uma reação antígeno-anticorpo anormal nestas pacientes. Alterações na imunidade humoral e celular interfeririam no processo de fertilização e implantação. Em mulheres com endometriose, o percentual de linfócitos em sangue periférico é normal, mas sua atividade funcional e produção de interleucina-1 está aumentada. No entanto, encontramos aumento dos macrófagos peritoniais em número, concentração e atividade funcional,
DIAGNÓSTICO DA ENDOMETRIOSE
A endometriose é uma doença enigmática, muitas vezes assintomática e outras vezes, manifestada através de sintomas inespecíficos que não orientam sobre sua presença, impedindo um diagnóstico precoce e oportuno, que permita aplicar rapidamente a terapêutica.
Suspeita de endometriose A infertilidade, a dor pélvica cíclica, especialmente exacerbada durante a menstruação (dismenorréia) e a dispareunia profunda constituem a tríade típica que acompanha a doença.
DADOS DA HISTÓRIA CLÍNICA:
Diagnóstico de certeza A endometriose só pode ser confirmada por meio de observação direta, através da laparoscopia ou de uma laparotomia, associada à biópsia das áreas de endométrio ectópico.
a. mucosa endometrial de recente implantação: brilhante, de aspecto gelatinoso, rosado ou avermelhado, suavemente aderida à serosa peritonial; (fig. 3)
b. foco achocolatado: arredondado, saliente, de cor pardo escura ou vermelho brilhante, localizado sobre tecido fibroso denso cicatricial, que produz espessamento dos ligamentos útero-sacrais, retração da serosa peritonial e reações aderenciais de variáveis magnitudes; (fig. 6)
c. focos antigos: áreas planas ou ligeiramente salientes, de aspecto estelar ou irregular, de coloração pardo avermelhada ou escura.
Aspectos laparoscópicos e marcadores séricos da endometriose:
ENDOMETRIOSE < 1 cm 1 - 3 cm > 3 cm Superficial 1 2 4 Profunda 2 4 6
D
Superficial 1 2 4 Profunda 4 16 20
E
Superficial 1 2 4 Profunda 4 16 20
OBLITERAÇÃO DO FUNDO DE SACO POSTERIOR
Parcial Completa 4 40 ADERÊNCIAS Envolvendo < 1/3 Envolve 1/3 - 2/3 Envolvendo > 2/
D
Finas 1 2 4 Densas 4 8 16
E
Finas 1 2 4 Densas 4 8 16
D
Finas 1 2 4 Densas 4 8 16
E
Finas 1 2 4 Densas 4 8 16 Se a porção fimbrial da trompa estiver completamente obstruída, altere a pontuação para 16.
CLASSIFICAÇÃO DA ENDOMETRIOSE
Classificação de vários estágios, de acordo com o número e a localização das lesões (American Fertility Society - revisada ou AFS-r).
Nome: Data:
PONTUAÇÃO: estágio I (Mínima): 1-5; estágio II (Leve): 6-15; estágio III (Moderada): 16-40; estágio IV (Severa): > 40 - PONTUAÇÃO TOTAL:
Laparoscopia: Laparotomia: Tratamento Recomendado: Prognóstico:
PERITÔNIO
OVÁRIOS
OVÁRIOS
TROMPAS
EXEMPLOS ("GUIDELINES")
A determinação do estágio ou grau de envolvimento endometriótico é baseada em um sistema de pontuação ("score" da AFS-r). A distribuição dos valores dos pontos (1, 2, 4, 8, 16, 20, etc.) foi feita de maneira arbitrária e requer posterior revisão à medida que o conhecimento sobre a doença for aumentando. Uma avaliação pélvica sistemática no sentido horário ou anti-horário em relação ao útero deve ser encorajada através da laparoscopia. O número, tamanho e localização dos implantes, nódulos, placas, endometriomas e/ou aderências são anotados. Por exemplo, cinco implantes peritoniais superficiais de 0,5 cm cada um (2,5 cm no total) pode ser considerado como 2 pontos (a superfície uterina deve ser considerada como peritônio). A severidade da endometriose ou das aderências, em um determinado local, deve ser assinalada com o maior "score" para cada uma das áreas envolvidas (o peritônio, ovário, trompa ou fundo de saco de Douglas).
Por exemplo, um endometrioma no ovário de 4 cm de profundidade associado a doença peritonial com mais de 3 cm deve ser pontuado como 24 (a soma dos "scores" mais graves para cada localização). O "score" deve ser feito, portanto, levando-se em consideração o achado com maior pontuação para cada área avaliada. Nas pacientes com um só anexo, os pontos aplicados à trompa e ao ovário restantes devem ser multiplicados por 2. Os pontos observados devem ser isolados e contados. A somatória desses "scores" indica o estágio da doença (mínimo, leve, moderado ou severo). A presença de endometriose no intestino, trato urinário, trompas, vagina, cérvix, pele, diafragma, etc, deve ser documentada como endometriose adicional. Outras patologias como obstrução tubária, miomas, anomalias uterinas etc. devem ser documentadas como patologias associadas. Todas as patologias devem ser descritas tanto quanto possível e o modo de diagnóstico (laparoscopia, laparotomia) e a maneira de registro (fotos, vídeo)
Endometriose adicional: Patologias associadas:
Tubas e ovários normais Tubas e ovários alterados
Ovário esquerdo: Endometriose profunda - < 1 cm = 4 Aderências densas - < 1/3 = 4 Total de pontos = 30 Diagnóstico: ENDOMETRIOSE MODERADA (GRAU III)
Peritônio: Endometriose superficial - > 3 cm = 4 Ovário esquerdo: Endometriose profunda - 1-3 cm = 32 Aderências densas - < 1/3 = 8 Trompa esquerda: Aderências densas - < 1/3 = 8 Total de pontos = 52 Diagnóstico: ENDOMETRIOSE SEVERA (GRAU IV); Observe que os pontos foram duplicados em função da ausência do anexo direito.
Peritônio: Endometriose profunda - > 3 cm = 6 Fundo de saco de Douglas: Obliteração completa - = 40 Ovário direito: Endometriose profunda - 1-3 cm = 16 Aderências densas - < 1/3 = 4 Trompa esquerda: Aderências densas - > 2/3 = 16 Ovário esquerdo: Endometriose profunda - 1-3 cm = 16 Aderências densas - > 2/3 = 16 Total de pontos = 114 Diagnóstico: ENDOMETRIOSE SEVERA (GRAU IV)
Fig. 15
Fig. 16
Fig. 17
Peritônio: Endometriose superficial - > 3 cm = 4 Trompa direita: Aderências finas - < 1/3 = 1 Ovário direito: Aderências finas - < 1/3 = 1 Trompa esquerda: Aderências densas - < 1/3 = 16
AVANÇOS RECENTES EM PESQUISA
DE ENDOMETRIOSE
1. Diminuição da apoptose e da sensibilidade à citólise mediada por macrófagos das células endometriais na endometriose. (Dmowski et al, 1998) A diminuição da capacidade de os monócitos mediarem a citólise das células endometriais ectópicas e o aumento da resistência dessas células à apoptose (morte celular programada) são fundamentais na etiologia e fisiopatologia da endometriose. 2. Estudo da função e fenótipo de leucócitos no endométrio humano e na endometriose. (Jones et al, 1998) No endométrio ectópico, há aumento da expressão dos receptores estrogênicos, bcl-2 e linfócitos CD8+ e reduzida quantidade de células do tipo CD56+ (linfócitos granulares endometriais - eGL), em comparação com o endométrio eutópico. Os eGLs são evidentemente funcionais e demonstram proliferação variável em resposta a doses de 5 a 100 mUI/ml de IL- (interleucina-2) em períodos variando de 48 a 120 horas. Sua ausência nos endométrios ectópicos, juntamente com o aumento das células CD8+ e aumento da expressão dos receptores estrogênicos e bcl-2, têm efeitos significativos no desenvolvimento e na progressão da endometriose. O bcl-2 é um produto de um protoncogene que regula a apoptose (morte celular programada). 3. Padrão de expressão de moléculas de adesão (integrinas) na endometriose e no endométrio humano. (Regidor et al, 1998) Esse trabalho sugere que a endometriose é uma doença desdiferenciada, já que expressa um padrão diferente de integrinas em comparação com o endométrio eutópico, independentemente da situação hormonal. A habilidade do tecido endometriótico em expressar integrinas pode explicar as altas taxas de recidiva, já que
essas amostras mantêm seu potencial de adesão após menstruação retrógrada e são, desse modo, capazes de estabelecer interações célula-célula e célula-matriz com o peritônio subjacente.
4. Alterações parácrinas no meio ambiente peritonial de mulheres com endometriose. (Kupker et al, 1998) Esse estudo demonstrou uma diminuição significativa de substâncias parácrinas (VEGF - fator de crescimento vascular endotelial; TGF- beta - fator de crescimento transformador beta e ICAM-1 - molécula de adesão intercelular) no fluido peritonial de pacientes com endometriose, comparando as dosagens antes e após 4 meses de tratamento com GnRH-a. Esses resultados indicam um importante papel da atividade parácrina no estabelecimento e na manutenção da endometriose. De fato, o tratamento com análogos do GnRH pode reduzir a atividade parácrina na cavidade peritonial, via hipoestrogenismo e fornecer uma prova do sucesso do tratamento. 5. Endometriose: uma disfunção e doença do arquimétrio. (Leyendecker et al, 1998) Esse estudo sugere um novo modelo para a patogenia da endometriose, considerando-a uma doença da unidade endométrio/subendométrio (arquimétrio). Haveria uma hiperativação das funções dessa unidade como proliferação, defesa inflamatória e peristalse. Ocorreria produção local de estrógenos (expressão de aromatase P450) e hiperatividade do sistema ocitocina/receptor de ocitocina - (OT/OTR), com hiperperistalse endometrial e suas conseqüências (aumento do transporte de células do útero para as trompas e hipertrofia da unidade arquimétrio, etc). Vide esquema e discussão a seguir.
Análise do diagrama de patogenia da endometriose proposto por Leyendecker et al,1998. Fatores como herança adquirida, fatores ambientais e traumatismos evocariam uma resposta inflamatória endometrial hiperativada, com liberação de citocinas e aparecimento de aromatase P450 no nível do endométrio, o que levaria à produção local de estrógenos, que por sua vez ativaria o sistema ocitocina/receptor para ocitocina (OT/OTR) e a liberação de prostaglandinas (PG). Esse fato criaria um ciclo auto-alimentador de aumento da resposta inflamatória endometrial que novamente ativaria todos esses sistemas, com perpetuação das seguintes respostas (ativação do sistema OT/OTR e liberação de PG). A partir desses pontos teríamos duas vias para desenvolvimento da endometriose: a via da hiperperistalse e a via da hiperproliferação. Na via da hiperperistalse, teríamos aumento da produção de ocitocina endometrial que iria provocar hiperperistalse ou disperistalse na unidade arquimétrio (que é o endométrio + a camada muscular subjacente), o que poderia, por exemplo, dificultar o transporte de espermatozóides (infertilidade uterina funcional) ou causar um aumento do transporte tubário de células com potencial proliferativo otimizado para o peritônio. No nível peritonial, essas células poderiam sofrer ação de citocinas, prostaglandinas, estrógeno e fatores de crescimento. Dependendo do grau de ação desses fatores peritoniais se originariam a endometriose mínima (sem muitas consequências para a reprodução, etc.) ou a endometriose infiltrativa (provocando aderências, endometriomas, endometriose do espaço reto-vaginal) que poderiam ser causa de infertilidade tubo-peritonial- ovariana. Na via da hiperproliferação , a produção local endometrial de estrógenos estimularia a produção de fatores de crescimento, levando a uma expansão infiltrativa do arquimétrio, que associada à constante hiperperistalse ou disperistalse, poderia provocar a adenomiose. Durante a expansão infiltrativa, células com potencial otimizado de proliferação poderiam ser transportadas para o peritônio, contribuindo com a origem da endometriose infiltrativa no nível peritonial e ovariano.
Esses fatos, em conjunto com os descritos nos avanços recentes da pesquisa em endometriose, são os mais atuais para explicar essa enigmática doença. Apesar de todas as pesquisas recentes, o desenvolvimento de um tratamento clínico ou cirúrgico 100% eficaz para a doença ainda não foi proposto.
TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE
O tratamento da endometriose pode ser médico, cirúrgico conservador e médico-cirúrgico combinado. No tratamento médico, procura-se criar um estado de pseudo- menopausa, utilizando-se medicamentos como o danazol, gestrinona e análogos do GnRH, associados ou não à bromoergocriptina.
O tratamento cirúrgico conservador consiste na coagulação dos focos (elétrico ou laser) ou exérese cirúrgica dos cistos. Apesar do panorama sombrio e comportamento enigmático da endometriose, a terapêutica combinada, a laparoscopia associada a análogos dos hormônios liberadores de gonadotrofinas (GnRH-a), comple- mentada com técnicas de reprodução assistida é, compro- vadamente, na atualidade, o tratamento mais eficaz na infertilidade por endometriose. A laparoscopia é sem sombra de dúvida o método de diagnóstico precoce e o tratamento de eleição na endometriose, principalmente, associada à infertilidade, pelas informações complementares que nos oferece e quando realizada com critérios de microcirurgia, pelo menor trauma que produz. Associamos um GnRH-a (triptorelina, acetato de leuprolide, gozerelina) - subcutâneo a cada 28 dias - por um período de 3 a 6 meses, dependendo do estágio de endometriose.
A idade da paciente é critério importante no tratamento da infertilidade. Abaixo de 35 anos, tratada a endometriose e havendo permeabilidade tubária sem outro fator associado, podemos induzir a ovulação e/ou tentar uma gravidez espontânea com bons resultados. Acima dessa idade, as técnicas de reprodução assistida são a opção mais indicada. A partir dessa fase, há uma diminuição da resposta folicular, associada a uma perda de reserva oocitária pela destruição que a doença pode provocar sobre os ovários (nos casos de envolvimento ovariano), comportando-se de forma similar a baixas respondedoras (pacientes que respondem mal ao estímulo ovulatório). A ovodoação tem apresentado uma melhora nas taxas de implantação nestes casos. Pacientes com endometriose moderada e severa podem apresentar resultados ruins às técnicas de FIV. Nos casos de endometriose inicial ou leve, os resultados de FIV parecem ser similares aos de pacientes sem a doença, embora uma melhoria nas taxas de gestação possa ser obtida após um período de tratamento de 4 meses com os GnRH-a. Apesar de opiniões distintas de diversos autores, temos preconizado o complemento com análogos do GnRH, no tratamento da endometriose, mesmo em estádios iniciais. As justificativas para tal tratamento são:
CONCLUSÕES
O diagnóstico e o tratamento precoce propiciam melhores resultados, evitando os graves danos destrutivos, aderências mecânico-obstrutivas que a endometriose produz. Neste aspecto, a laparoscopia ocupa inegável papel. A maioria dos estudos em endometriose inicial e infertilidade evidenciam fatores no líquido peritonial que interferem nos mecanismos de reprodução. No entanto, nestes estádios, a doença parece não comprometer o sucesso das técnicas de reprodução assistida. O uso dos análogos do GnRH tem melhorado significativamente o tratamento da endometriose e os resultados em infertilidade. Outras alternativas de tratamento e a associação dos mesmos têm contribuído pelo menos para a inativação temporária da doença e o sucesso da gestação, tais como: (1) estabelecimento de estado hipoestrogênico usando: contraceptivos orais em altas doses, acetato de medroxiprogesterona, danazol e gestrinona; (2) excisão das lesões por laparoscopia (laser e diatermia), microcirurgia e laparotomia; (3) FIV-TE: tratamento efetivo para curar a infertilidade.