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Introducao a filosofia da educacao-universidade pedagogica de Mocambique
Tipologia: Notas de estudo
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Resumido por : Manuel Luisinho Sampanha. Quimica .UPQuelimane
SUMARIO DAS AULAS DE FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO
Filosofia
AULAS DA TUTORIA 1
Aula 1: Introdução a filosofia
Aula 2: cont,
…Esparta teve educação severa para formar guerreiros, Atenas chegou ao estágio superior – destacava-se a formação intelectual…
A sociedade grega, estratificada e sustentada por colônias, desenvolvida numa região geográfica que facilitava o comércio com o Oriente e o Ocidente, serviu de berço da cultura, da civilização e da educação ocidental (GADOTTI: 2001). Apesar da Grécia ser constituída por unidades políticas autônomas, as diferentes cidades têm em comum o idioma e a religião, além das similaridades nas instituições sociais e políticas.
Com as transformações sociais e políticas, o advento das cidades-estado (pólis) e a divisão da sociedade em classes – com base na escravidão, desenvolveu-se o comércio. A ampla produção nas artes, literatura e filosofia delineou a herança cultural no mundo ocidental. Os gregos realizaram a síntese entre educação e cultura. Na política nasceu uma nova ordem - a democracia. No entanto, na democracia grega, cidadãos eram apenas os homens livres, não incluindo os escravos, as mulheres e as crianças. Os cidadãos se dedicavam às funções teóricas, políticas e de lazer, consideradas mais dignas. Os gregos tinham uma visão universal. As explicações predominantemente religiosas são substituídas pelo uso da razão autônoma, da inteligência crítica e pela atuação da personalidade livre, capaz de estabelecer uma leitura humana e não mais divina (ARANHA: 1998; p.41). Surgia, assim, a necessidade de formação, atingindo o nível mais avançado da educação na Antiguidade – a paideia , uma educação integral, que consistia na integração entre a cultura da sociedade e a criação individual de uma outra cultura numa influência recíproca, em seus amplos aspectos. “[...] A educação do homem integral consistia na formação do corpo pela ginástica, na da mente pela filosofia e pelas ciências, e na da moral e dos sentimentos pela música e pelas artes” (GADOTTI: 2001; p.30). Com o advento da pólis (cidades), começam a aparecer as primeiras escolas. Porém, somente no período clássico, sobretudo em Atenas, a instituição escolar foi estabelecida. Esta instituição atendia principalmente aos jovens de famílias tradicionais da antiga nobreza ou dos comerciantes enriquecidos. A escola permanecia elitizada – o ideal de educação da época estava em consonância com os ideais e aspirações da sociedade. Para os gregos, a palavra escola – scholé – significa inicialmente ‘lugar do ócio’. “O ócio digno significa a disponibilidade de gozar o tempo livre, privilégio daqueles que não precisam se ocupar da própria subsistência” (ARANHA: 1998; p.50). A Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia , pois, ao discutir os fins da paideia, esboçaram as primeiras linhas conscientes da ação pedagógica, influenciando por séculos a cultura ocidental. Questões como: o que é melhor ensinar? Como é melhor ensinar? Para que ensinar? enriquecem as reflexões filosóficas e marcam as tendências no mundo grego. Na história da educação grega, Luzuriaga distingue quatro períodos essenciais: A educação heróica, cavalheiresca, representada pelos poemas homéricos.2) A educação cívica, representada por Atenas e Esparta. A educação clássica, humanista, representada por Sócrates,
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O império romano conquistou a Grécia e absorveu sua filosofia de educação. Os estudos eram essencialmente humanistas. Tratava-se de uma educação nacional, mas de ensino do tipo universal, humanístico, baseado em cultura alheia superior, a servir de inspiração. De acordo com Luzuriaga (2001) e Aranha (1998), podemos dividir a história da cultura e a história da educação romana em três períodos:
2) República, época de influência helênica, do séculoIII ao século I a.C A República, tem início com a queda do último rei etrusco. Nessa fase, os únicos a exercerem cargos políticos eram os patrícios: “[...] o poder executivo é representado por dois cônsules eleitos. O Senado, composto por membros vitalícios, é o principal órgão da República” (ARANHA: 1998; p.60). Prevalece, então, a luta entre os patrícios e os plebeus. Com o enriquecimento de algumas camadas da plebe, principalmente as que se dedicam ao comércio, conquistam alguns direitos, watsap: 846225394
dentre eles a publicação da Lei das Doze Tábuas, de grande importância para a constituição do primeiro código escrito romano. Surge, então, uma nova aristocracia, não mais determinada pelo nascimento, mas pela riqueza. Posteriormente, ocorre o expansionismo militar, “[...] ampliando consideravelmente a escravidão, que se torna uma instituição importante na evolução da economia e das relações sociais na Roma Antiga”.Os prisioneiros de guerra, assim com os plebeus endividados, eram transformados em escravos, que trabalhavam, quando instruídos, na função de preceptores. Com o desenvolvimento do comércio, o enriquecimento de uma certa camada de plebeus e início da expansão romana tornam mais complexa a sociedade emergente, o que exige um novo modo de educar, sendo criadas escolas elementares particulares , nas quais se aprende a ler, a escrever e a contar, dos sete aos doze anos; a escola dos gramaticos, para jovens de doze a dezesseis anos, ampliando os conhecimentos literários – clássicos gregos, e os de geografia, geometria, aritmética e astronomia; e as escolas superiores – escolas de retórica, que preparavam para a vida pública, assembleias e tribunas, acentuando-se o valor jurídico-político desta sociedade. (ARANHA: 1998). Ainda de acordo com Aranha: Por volta dos séculos III e II a.C, as incursões militares e o comércio colocam os romanos em contato com os povos helênicos e o esplendor de sua cultura. Inúmeros professores gregos ensinam sua língua, dando início à formação bilíngue dos romanos (ARANHA: 1998; p.65). Segundo a tradição helênica, o homem livre deve ter uma educação encíclica, isto é, enciclopédica. Compreendendo a escola dos gramáticos e as escolas superiores. Diferentemente dos gramáticos, os retores, professores de retórica, são os professores mais bem pagos e respeitados.
3) Imperial, época do século I a.C ao século V da era cristã. Nesta época, há a expansão de Roma, tanto na cultura quanto na urbanização. No processo de expansão, os grandes latifúndios se desenvolvem e se especializam, e o escravismo continua sendo a base do processo econômico. O surgimento do cristianismo foi um fato marcante. Eles não se rendiam ao culto ao imperador, além de ter como adeptos principais os pobres e escravos. A educação nesta fase não é muito diferente da oferecida na fase anterior, a não ser por sua organização. A educação deixa de ser assunto particular, privado, para converter-se em educação pública. Crescente é a intervenção do Estado nos assuntos educacionais, devido ao crescimento
O cristianismo surge, nesse contexto, como elemento agregador. Uma nova força espiritual se sucedeu à cultura antiga, preservando-a, mas submetendo-a a seu crivo ideológico – a igreja cristã. Com o aparecimento do cristianismo, muda o rumo da história ocidental. No que tange à educação, o significado do cristianismo historicamente, pode reduzir-se: a. Reconhecimento do valor do indivíduo como obra da divindade; b. Superação dos limites de nação e Estado e criação da consciência universal humana; c. Fundamentação das relações humanas no amor e na caridade; d. Igualdade essencial de todos os homens, seja qual for a posição econômica ou classe social; e. Valorização da vida emotiva e sentimental sobre a puramente intelectual; f. Consideração da família como a mais imediata comunidade pessoal e educativa; g. Desvalorização da vida terrena presente ante o além e, portanto, subordinação da educação à vida futura; h. Reconhecimento da igreja como órgão de fé cristã e, logo, como orientadora da educação (LUZURIAGA: 2001; p. 70). A educação cristã, desde os primeiros tempos, realizou-se direta e pessoalmente. Os educadores foram o próprio Jesus, os apóstolos, os evangelistas e os seus discípulos. É uma educação sem escolas, como foram as religiões em seus primeiros tempos: judaica, budista. Nesse contexto, surge pouco a pouco uma forma de ensino baseada no caráter religioso e não pedagógico, de preparação para a vida ultraterrena e para o batismo. Anuncia-se então a instrumentação catequista e a instrução fica por conta dos didáscalos. Posteriormente, surgem as escolas propriamente ditas, que tinham a seu cargo os sacerdotes. Assim, há a necessidade de contar com professores preparados para esse novo modelo de educação, no qual emergem as escolas de catequistas, a escola episcopal e a escola paroquial ou presbiterial. O horizonte dessas escolas era limitado – formação de eclesiásticos. A maioria da população ficava sem instrução. A minoria que conseguia ter acesso à educação era através dos mosteiros, únicos mantenedores da educação e da cultura: “[...] toda essa educação, como a anterior, continuava reservada a certa minoria; naquela, de eclesiásticos; nesta, de monges” (LUZURIAGA: 2001; p.73). Ao lado do clero, a nobreza realizava sua própria educação: seu ideal era o perfeito cavaleiro com formação musical e guerreira. As classes trabalhadoras nascentes não tinham senão a educação oral, transmitida de pai para filho. As mulheres, consideradas pecadoras pela Igreja, só
poderiam ter educação se fossem ‘vocacionadas’ para ingressar nos conventos femininos. A Igreja não considerava a educação física, pois considerava o corpo pecaminoso. Os estudos medievais têm como base o estudo clássico das sete artes liberais, cujas disciplinas começam a ser delineadas desde os tempos dos sofistas gregos. Os conteúdos de ensino compreendiam: o trivium e o quadrivium. “No trivium constam as disciplinas de gramática, retórica e dialética, correspondentes ao ensino médio. A Igreja cristã exerce não só o controle da educação, como também a fundamentação dos princípios morais, políticos e jurídicos da sociedade medieval. Através da adaptação do pensamento grego ao novo modelo de homem – cristão, impõe uma sistematização, conhecida como filosofia cristã, caracterizada, segundo Aranha (1998), por dois grandes períodos: a. Patrística A Patrística, filosofia dos padres da Igreja, do século II até o V; caracteriza-se pela defesa da fé e conversão dos não-cristãos. Conciliou a fé cristã com as doutrinas greco-romanas e difundiu as escolas catequéticas por todo Império. Os copistas, monges, reproduziam as obras clássicas nos conventos. A partir de Constantino (século IV), o Império adotou o cristianismo como religião oficial, surgindo um novo tipo histórico de educação, uma nova visão de mundo e da vida. b. Escolástica A Escolástica, filosofia das escolas cristãs ou dos doutores da Igreja, do século IX até o XIV, é a mais alta expressão da filosofia cristã medieval. Chama-se Escolástica por ser uma filosofia ensinada nas escolas. Essa perspectiva visava conter as heresias, não apenas impondo a crença, mas utilizando o trabalho da argumentação, sustentado nos fundamentos Aristotélicos, sobretudo o silogismo, submetendo então a razão à fé. No apogeu da Escolástica, o principal expoente foi São Tomás de Aquino, que continuou a divulgar e comentar a obra de Aristóteles, adaptando-a à verdade revelada, que é Deus. A educação nada mais é que um meio para atingir o ideal da verdade e do bem, superando as tentações do pecado. A ideia do princípio ordenador do mundo é o cerne do pensamento tomista.
A formação do homem que se torna humano: imagem-ideal da Renascença
“Educar torna-se questão de moda e uma exigência, segundo a nova concepção de homem … uma educação que permita formar o homem de negócios e ao mesmo tempo formar o homem culto, conhecedor das letras greco-latinas watsap: 846225394
difusão dos valores burgueses. A educação renascentista centrou-se na formação do homem burguês, não chegando às massas populares, “[...] Caracterizava-se pelo elitismo, pelo aristocratismo e pelo individualismo liberal. Atingia, principalmente, o clero, a nobreza e a burguesia nascente” (ARANHA: 1998; p.62). Para o povo sobrou apenas o ensino da religião cristã. Embora seja grande a produção intelectual na Renascença, ainda não há propriamente uma filosofia da educação como sistema de pensamento coerente e organizado [...]. O que há são muitos esboços sobre teoria da educação (ARANHA: 1998; p. 88). Os principais educadores renascentistas foram:
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humanismo renascentista, não há sua implantação da forma desejada, já que a maioria dos colégios fica por conta das ordens religiosas. O período da Renascença é marcado por contradições, típico das épocas de transição. A burguesia enriquecida aspira uma educação que permita formar o homem de negócios e ao mesmo tempo formar o homem culto, conhecedor das letras greco-latinas. Essa nova sociedade rejeita a estrutura medieval, mas mantém-se ainda fortemente hierarquizada, excluindo a grande massa popular dos propósitos educacionais, com exceção dos reformadores protestantes, que agem por interesses religiosos.
A formação do homem que se emancipa do passado: imagem-ideal do início da época moderna A pedagogia moderna: a pedagogia realista
…defendia os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade”, contra os privilégios hereditários da nobreza, visando, assim, a ascensão dos burgueses que propõe a igualdade de direitos e oportunidades, fundamentados no liberalismo… a educação democrática… a escola deveria ser laica (não-religiosa) e livre (independente de privilégios de classe como ocorria com a aristocracia…
A modernidade marca o abandono das explicações religiosas e busca a autonomia da razão. Descartes, o pai do racionalismo (da filosofia moderna), conhecido pelo pensamento: ‘penso, logo existo’ ( cogito, ergo sum ), inicia sua reflexão pela dúvida, ao analisar o processo pelo qual a razão atinge a verdade. Uma de suas obras chama-se o Discurso do método. De acordo com Gadotti (2001), a Idade Moderna compreende o período de 1453 a 1789, no qual predominou o regime absolutista, concentração do poder no clero e na nobreza. Esse regime findou com a Revolução Francesa, que defendia os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade”, contra os privilégios hereditários da nobreza, visando, assim, a ascensão dos burgueses que propõe a igualdade de direitos e oportunidades, fundamentados no liberalismo. A Revolução Francesa baseou-se também nas exigências populares de um sistema educacional. Antes da Revolução Francesa, muitas foram as revoluções que eclodiram no século XVIII e colaboraram para a queda do absolutismo, dentre elas: Revolução Industrial, Revolução Gloriosa e Revoluções Burguesas.
pedagógicos no aluno, não mais no professor, [...] que não deve ser encarado como um adulto em miniatura”. Ele critica a educação intelectualista, formal, livresca, e valoriza a experiência, a educação ativa voltada para a vida, para a ação – esse é o sentido que ele dá para a educação natural. Para Rousseau, o importante é levar a criança a pensar, não como um processo que vem de fora para dentro, mas como desenvolvimento interno e natural. Para ele o “homem em estado de natureza é bom, mas se corrompe na sociedade, que destrói sua liberdade”. O seu pensamento pedagógico não se separa de sua concepção política. Apesar de ser criticado por defender uma educação elitista e individualista, já que Emílio é acompanhado por um preceptor, procedimento próprio dos ricos; não podemos esquecer que Rousseau se opõe à educação. Assim, Kant afirma que o fim da educação é desenvolver, em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz. Por perfeição entende-se, muitas vezes, o desenvolvimento harmônico de todas as faculdades humanas. Assim, a educação teria por objeto fazer do indivíduo um instrumento de felicidade para si mesmo e para os seus semelhantes. Tal definição sobre educação parte da ideia de que há uma educação ideal, perfeita, apropriada a todos os homens indistintamente. Kant exercerá grande influência no século XX e seus princípios serão reexaminados por autores como Piaget, Kohlberg e Habermas. O século XVIII realiza a transição do controle da educação da Igreja para o Estado; apesar de haver ainda a influência dos jesuítas, com os colégios espalhados por todo mundo, avolumam-se críticas acerca de sua educação dogmática, sendo a Companhia extinta em 1773, pelo papa Clemente XIV. Com esse acontecimento, há uma desestabilização do sistema escolar. No contexto Iluminista, não fazia sentido atrelar a educação à religião, a escola deveria ser laica (não-religiosa) e livre (independente de privilégios de classe como ocorria com a aristocracia).
A pluralidade de imagens-ideais: a época contemporânea Aula 5: Cont.
Ivan Illich: A abolição de todos os processos educativos actuais, a descolarização da sociedade
Por que devemos desinstalar a escola Muitos estudantes, especialmente os mais pobres, percebem intuitivamente o que a escola faz por eles. Ela os escolariza para
confundir processo com substância. Alcançado isto, uma nova lógica entra em jogo: quanto mais longa a escolaridade, melhores os resultados; ou, então, a graduação leva ao sucesso. O aluno é, desse modo, «escolarizado» a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é «escolarizada» a aceitar serviço em vez de valor. Identifica erroneamente cuidar da saúde com tratamento médico, melhoria da vida comunitária com assistência social, segurança com proteção policial, segurança nacional com aparato militar, trabalho produtivo com concorrência desleal. Saúde, aprendizagem, dignidade, independência e faculdade criativa são definidas como sendo um pouquinho mais que o produto das instituições que dizem servir a estes fins; e sua promoção está em conceder maiores recursos para a administração de hospitais, escolas e outras instituições semelhantes.
Pobres e ricos dependem igualmente de escolas e hospitais que dirigem suas vidas, formam sua visão de mundo e definem para eles o que é legítimo e o que não é. O medicar-se a si próprio é considerado irresponsabilidade; o aprender por si próprio é olhado com desconfiança; a organização comunitária, quando não é financiada por aqueles que estão no poder, é tida como forma de agressão ou subversão. A confiança no tratamento institucional torna suspeita toda e qualquer realização independente. O progressivo subdesenvolvimento da autoconfiança e da confiança na comunidade é mais acentuado em Westchester do que no Nordeste do Brasil. Em toda parte, não apenas a educação, mas a sociedade como um todo precisa ser «desescolarizada».
É óbvio que mesmo com escolas de igual qualidade, uma criança pobre raras vezes poderia nivelar-se a uma criança rica. Mesmo freqüentando idênticas escolas e começando na mesma idade, as crianças pobres não têm a maioria das oportunidades educacionais
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votar. Diz-se ainda que os eleitos por estes seriam também os incultos e igualmente "nocivos” à nação.
Esquecem-se os que assim pensam de que os analfabetos” são analfabetos de escrita e não de oralidade, e que a leitura de mundo precede a leitura da palavra, me reportando ao próprio Freire. Nossa tradição histórica, surgida do modo de produção escravista dos tempos coloniais, vem determinando que sejamos uma sociedade autoritária, elitista e discriminatória como venho afirmando em algumas notas desta obra de Freire. No Brasil Império votavam apenas os “homens bons”, isto é, os homens que possuíam bens. A primeira constituição republicana de 1891, por ter excluído os analfabetos (ao lado dos mendigos, mulheres e militares subalternos) de votarem, perpetuou dialeticamente a inexperiência democrática e no bojo desta a inexperiência de optar e eleger. A mulher votou e foi votada pela primeira vez entre nós no ano de 1933. Somente nas eleições de 1985 puderam os analfabetos votar, se assim o desejassem, mas não em caráter obrigatório como vem sendo para todos(as) maiores de 18 anos, alfabetizados(as), nascidos(as) no Brasil ou naturalizados(as). A partir das eleições de 1989 foi facultado aos jovens de ambos os sexos, maiores de 16 anos de idade, votarem se, evidentemente, alfabetizados.
Freire fala da importância dos "programas”, como eram chamados mais comumente os conteúdos naquela época. Transcreverei aqui parte das “Conclusões e Recomendações” desde que essas, sendo a síntese de seu discurso total, condensam não só suas idéias mas também apontam soluções. Assim, a importância dos “conteúdos programáticos", que deveriam ser democraticamente escolhidos pelas partes interessadas no ato de alfabetizar, dentro de uma proposta mais ampla de educar eram: e – Que o programa desses cursos, sempre de acordo com a realidade local, regional e nacional, seja elaborado com a participação dos educandos, em alguns dos seus aspectos, pelo menos o que, flexíveis e plásticos se preocupam:
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Aula 7: Em busca de um paradigma educacional africano Reformadores africanos: Blyden, Henry Carr e Nyerere
- Ensino, aprendizagem, formação, instrução e treinamento
AULAS DA TUTORIA 2
Aula 8.Em busca de um paradigma educacional africano
-Educação para a sociedade em Julius Nyerere
Nyerere comunga com algumas ideias com Blyden vendo a educação como um instrumento de reabilitação social e de crítica ao sistema de valores coloniais. Ele percebia a educação como um instrumento de reestruturação e reorganização social a partir da comunidade. A educação para Nyerere deveria ser organizada de acordo com os valores culturais e de acordo com os objectivos políticos.
E a questão é até que ponto estas ideias influenciaram o debate por uma educação alternativa ao sistema colonial e ainda servem de referência hoje no debate da educação para o desenvolvimento.
Para Nyerere, o sistema de educação colonial baseava-se na filosofia de liberdades individuais. Dai que a missão do Estado e do Governo é fundamentalmente a de proteger os interesses individuais, o que quer dizer que sob ponto de vista económico, o Estado deveria estimular e proteger a propriedade privada de meios de produção e favorecer o crescimento desta mesma propriedade.
Nyerere propôs alguns princípios básicos, onde o primeiro dizia que não haveria exploração do homem pelo homem; segundo, os recursos seriam produzidos colectivamente e, por isso, distribuídos na base da justiça social; em terceiro lugar, a sociedade seria baseada em valores de igualdade e de respeito pela dignidade humana. Cada membro da sociedade contribuiria para o bem-estar da sua comunidade através do seu trabalho.
No geral, Nyerere insistia na ideia de que os estudantes que conseguissem seguir para o ensino secundário e universitário, deveriam ver isto como um privilégio para servir as suas comunidades e não como um mérito pessoal.
Quanto a organização escolar, Nyerere dizia que a escola deveria ser organizada como uma comunidade institucional que visasse o autodesenvolvimento e onde os membros da comunidade seriam os professores e alunos. O que Nyerere queria propor é que a escola combinasse as funções de aprendizagem com as de produção para contrapor o ensino colonial que, na sua óptica tendia separar os alunos das suas comunidades. Assim, devia fazer-se de cada escola uma oficina de trabalhos manuais, cujos resultados de produção haveriam de ser vendidos e os lucros reverteriam para a escola. O próprio horário escolar deveria submeter-se às necessidades do ciclo agrícola.
Nyerere defende ainda que qualquer decisão que diz respeito aos assuntos escolares deveria ser tomada pela «comunidade» escolar por meio de mecanismos democráticos. A ajuda do governo seria mínima e só em caso de ter sido comprovada a sua extrema necessidade.
Quanto ao sistema de exames, Nyerere propunha que o teste escrito fosse combinado com provas práticas de agricultura ou outros trabalhos. Ambos teriam o mesmo peso para seleccionar as pessoas que seguiriam para o ensino primário e secundário.
Aula 9. Correntes filosóficas e educação
- As escolas de Filosofia de Educação: (Idealismo, materialismo, pragmatismo e existencialismo)
Os idealistas (idealismo)
Os idealistas acreditam que o mundo externo e material é produzido pela mente ou pelas ideias, de que não pode existir separadamente. A realidade, por conseguinte, começa dentro da mente e não fora dela.
Para PLATÃO, tudo no mundo material deve sua existência a uma ideia perfeita, eterna e imutável a partir da qual é modelado. Ele chamou essas ideias de “formas”. Formas de noções abstratas, como coragem e justiça, servem de ideal para as pessoas, que se esforçam por alcançá-
las. Assim como imaginamos um cavalo ideal, perfeito, podemos imaginar um ideal de justiça e nos esforçarmos para alcançá-lo.
Platão argumentou que os filósofos são os melhores líderes porque são sábios e têm menos probabilidade de se comportar irracionalmente. Ele acreditava que o Estado permaneceria estável e justo com filósofos no poder. Sua sociedade ideal é uma estrutura ordenada, onde as pessoas permanecem fixas em seus papéis. Todas são treinadas até o limite de sua habilidade, que garante sua posição na vida. Seria impróprio um agricultor governar o Estado ou um filósofo trabalhar a terra.
Platão considerava mulheres e homens igualmente capazes de governar. Mas também achava que os homens tendem a fazer as coisas melhor. Entretanto, sua concepção sobre a igualdade entre homens e mulheres era revolucionária para seu tempo.
Berkeley defendia o idealismo, a ideia de que tudo o que existe é mental. Isso parece improvável, mas é uma ideia derivada da maneira como percebemos as coisas. Um idealista pode argumentar o seguinte:
» Tudo o que realmente sabemos sobre o mundo são sensações (cor, som, gosto, tato, a posição relativa das coisas). Não possuímos nenhuma outra maneira de perceber o mundo. Para nós, essas sensações traduzem o conceito de ”o mundo’
» Todas essas sensações são ”ideias”, fenômenos mentais (a cor vermelha só existe porque nossa mente percebe coisas vermelhas).
» Logo, as coisas são coleções de ideias que só existem quando são percebidas
HEGEL desenvolveu um consistente sistema filosófico para explicar a realidade. Ele sustentou que o universo e tudo dentro dele está interligado. Disse que a realidade é o produto de uma mente cósmica. E uma ideia em movimento — e toda a história pode ser explicada pelo desenvolvimento dessa ideia. Para ele, a história só poderia ser entendida se cada era fosse vista como uma pequena peça de um enorme quebra-cabeça. Isso constitui uma visão radical da história. A visão tradicional é que a história resulta de mudanças nas circunstâncias materiais das pessoas. Por exemplo, uma nova tecnologia pode mudar a forma como as pessoas se comunicam ou fazem guerra. De acordo com Hegel, essas mudanças materiais na sociedade são os efeitos de
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