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foucault, Notas de estudo de Direito

Michel Foucault

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 17/05/2014

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ellen-lira-9 🇧🇷

4.8

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MICHEL FOUCAULT E A
GEOGRAFIA
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MICHEL FOUCAULT E A

GEOGRAFIA

 (^) Tido por Williams (2012, p. 153) como “filósofo-historiador” ele soube transitar entre as duas áreas citadas como também pela geografia, declarando inclusive que “a geografia deve estar bem no centro das coisas que me ocupo” (2012, p. 261). Feita todas as ressalvas possíveis quando se isola uma frase da obra desses autores que referidos nesse parágrafo, o fato que Foucault tem diversas preocupações que são comuns as da geografia. Inclusive, quando ele fala a frase aqui citada, ele está discutindo as estratégias de poder que podem muito bem ser um tema discutido pela geopolítica.

ALGUNS TEMAS EM FOUCAULT

 (^) As genealogias  (^) O poder  (^) As construções discursivas  (^) A história  (^) O poder disciplinar  (^) O “surgimento” do homem no século XIX

A GENEALOGIA

 (^) Em seus estudos sobre as genealogias (a da clínica médica ou da sexualidade, por exemplo) ele procura investigar como os discursos são construtores e determinantes das escalas de poder. Para Foucault (21012, p. 43) a genealogia é   (^) uma forma de história que dê conta da constituição dos saberes, dos discursos, dos domínios de objeto etc., sem ter que se referir a um sujeito, seja ele transcendente com relação ao campo de acontecimentos, seja perseguindo sua identidade vazia ao longo da história.   (^) Williams (2012, p. 161) entende que para Foucault “não somos produtos de uma história, mas de muitas genealogias”.

O PODER PARA FOUCAULT

 (^) Foucault (2012, p. 138) explica de maneira bem objetiva o que ele entende por poder.   (^) Onde há poder, ele se exerce. Ninguém é, propriamente falando, seu titular; e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros do outro; não se sabe ao certo quem o detém; mas se sabe quem não o possui.   (^) O poder é sempre relacional e rizomático. Não tem propriamente um centro do qual irradia e exerce o domínio. Não está apenas num ponto concentrado no aparelho de estado nem nas mãos de uma única pessoa.  (^) Atentemos que o filósofo trata o poder como uma microfísica. Ora, o poder não está então em uma macro-escala. Nem tampouco é sinonímia do Estado, embora ao Estado seja imprescindível o exercício do poder. Sendo assim, a destruição do Estado não seria necessariamente uma destruição das redes de poder, algo muito mais complexo e disseminado.

FOUCAULT E A GEOGRAFIA

 (^) A utilização de termos espaciais tem um que de anti-história para todos que confundem a história com as velhas formas da evolução, da continuidade viva, do desenvolvimento orgânico, do progresso da consciência ou do projeto da existência. Se alguém falasse em termos de espaço, é porque era contra o tempo. É porque ‘negava a história’, como diziam os tolos, é porque era ‘tecnocrata’. Eles não compreendem que, na demarcação das implantações, das delimitações, dos recortes de objetos, das classificações, das organizações de domínios, o que se fazia aflorar eram processos – históricos certamente

  • de poder. A descrição espacializante dos fatos discursivos desemboca na análise dos efeitos de poder que lhe estão ligados (FOUCAULT, 2012, p. 253).

 (^) Em nosso entendimento o caráter mais geográfico de Foucault está em seu pensar sobre o poder disciplinar. Embora as pesquisas de Foucault aconteçam em uma perspectiva histórica de construção das ciências, a consideração espacial vai ser sempre objeto de reflexões. Observemos que quando ele pensa a sociedade de seu tempo como uma sociedade disciplinar (que mais tarde Deleuze e Guattari diriam ter se tornado uma sociedade de controle) ele pensa em como o poder disciplinar é uma forma de organização do espaço e controle do tempo.  (^) Rogério Haesbaert (2009) produziu uma distinção bastante esclarecedora sobre as diferenças entre a sociedade disciplinar de Foucault e a sociedade de controle defendida por Deleuze.

 (^) Em nosso entendimento o caráter mais geográfico de Foucault está em seu pensar sobre o poder disciplinar. Embora as pesquisas de Foucault aconteçam em uma perspectiva histórica de construção das ciências, a consideração espacial vai ser sempre objeto de reflexões. Observemos que quando ele pensa a sociedade de seu tempo como uma sociedade disciplinar (que mais tarde Deleuze e Guattari diriam ter se tornado uma sociedade de controle) ele pensa em como o poder disciplinar é uma forma de organização do espaço e controle do tempo.  (^) O poder disciplinar implica obrigatoriamente, na perspectiva de Foucault, uma tríade: organiza o espaço, controla o tempo e, em terceiro lugar, precisa da vigilância para que se exerça o controle Rogério Haesbaert (2009) produziu uma distinção bastante esclarecedora sobre as diferenças entre a sociedade disciplinar de Foucault e a sociedade de controle defendida por Deleuze.

BIBLIOGRAFIA

 (^) BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.   (^) CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo, Editora Ática: 2007.   (^) FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. São Paulo, Martins Fontes: 2007.   (^) FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. São Paulo, Graal: 2012.   (^) HAESBAERT, Rogério in: SAQUET, Marcos Aurelio; SPÓSITO, Eliseu Savério (org.). São Paulo, Expressão Popular: 2009.   (^) LEVY, Tatiana Salem. A experiência do fora: Blanchot, Foucault, Deleuze. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 2011.   (^) NUNES, Benedito. Ensaios filosóficos. São Paulo, Martins Fontes: 2010.   (^) REVEL, Judith. Dicionário Foucault. Rio de Janeiro, Florence Universitário: 2011.   (^) WILLIAMS, James. Pós-estruturalismo. Petrópolis: Ed. Vozes, 2012.