
Gestão da Qualidade I/Qualidade no Varejo
As Quatro Eras da Qualidade (David Garvin)
Prof. Aneilton
Em seu percurso pelo mundo, a Qualidade sempre mereceu a preocupação de ser praticada e
desenvolvida pela maioria das civilizações . Com a passagem do tempo iam sendo adicionadas mais e
mais teorias, até que hoje, em nossos dias ela se apresenta com toda a sua magnitude, mas sempre
seguindo a sua trajetória evolucionista. Apresenta-se abaixo um resumo das "Quatro Eras da Qualidade " .
Era da Inspeção
- Como toda a evolução da Qualidade ,a inspeção foi ocupando o seu espaço de forma gradativa.
- Nos séculos XVIII e XIX, toda produção era feita por artesãos que fabricavam os seus produtos de acordo
como desejo pessoal dos clientes , manifestados pelo contato direto que então havia.
- As duvidas sobre a Qualidade eram resolvidas na hora. O artesão conhecia o seu cliente.
- A produção em pequenas quantidades feitas desta forma artesanal, permitia a aproximação e imperava
a informalidade.
- Os artífices, na maioria das vezes, habilidosos, iam ganhando a confiança dos clientes e para eles
convergiam todas as atividades referentes a projeto, produção e serviços dos quis se destacavam a
inspeção e assistência técnica ao produto assim fabricado.
- Alguns artesãos mais capazes, tiveram maior procura para os seus produtos e passaram a contratar
empregados e aprendizes para dar conta ao aumento de demanda e com isto já apareciam as
organizações, inicialmente de pequenas dimensões.
- As produções foram aumentando com os pedidos crescentes, a mão de obra foi crescendo e a
qualificação mais exigida.
- Os custos foram por sua vez, também assumindo valores mais elevados , de tal forma, a situar-se acima
do poder aquisitivo do consumidor médio.
- A " Produção em Massa " passou a ser considerada como alternativa para resolver a situação econômica
no atendimento aos clientes.
- Produzir a maior quantidade possível para baixar os custos e atender a um mercado sedento de
consumo, a um preço mais competitivo.
- A inspeção passou, então , a ser mais do que necessária.
- A fabricação de equipamentos militares que se expandia nos USA, fazia as suas exigências em termos
de maior intercambiabilidade de peças a serem montadas em seus equipamentos de guerra. Aparecia o
"Sistema Americano de Produção " como era denominado, pelas suas características inovadoras.
Esta fabricação exigia um Controle de Qualidade bastante rigoroso apoiada numa inspeção rotineira.
Desenvolviam-se Gabaritos para posicionar as peças nas maquinas, devidamente ajustados, afim de
melhor cumprir as condições severas de medidas.
Mesmo assim, utilizando-se modelos padrões para a fabricação, ainda persistiam os defeitos originados
por erros de montagem, matérias primas não adequadas e ferramentas gastas.
Dentro da evolução natural da inspeção, foram sendo desenvolvidas novas técnicas mais aprimoradas,
resultando na fase de " Produção em Massa "um sistema de inspeção mais adequado a estes novos níveis
de produção.
- Taylor, no século XIX, cria a figura do Encarregado de Inspeção, em posição equivalente aos demais
cargos da operação. Os operários e mestres deveriam atuar de forma a atender as exigências do inspetor.
- Em 1922 G.S.Radford em sua obra The Control of Quality in Manufacturing posiciona a Qualidade como
responsabilidade gerencial distinta e como função independente. Assegurava que a Qualidade estava
ligada a igualdade ou conformidade que se obtém quando o fabricante atendia às especificações
estabelecidas.
- O Controle de Qualidade limitava-se à inspeção e algumas atividades restritas.
- A solução dos problemas era visto como ação fora da área de inspeção e assim perdurou por muitos
anos. Porem ,com o surgimento das pesquisas da Bell Telephone Laboratories, começa a surgir uma
mudança que vem trazendo o destaque do Controle Estatístico de da Qualidade.
Era do Controle Estatístico da Qualidade
- Em 1931 W.A. Shewhart publicava uma obra que veio revolucionar o assunto Qualidade e que direcionou
em grande parte o Controle de Qualidade Moderna .
- Shewhart trabalhava na Bell e estava investigando o assunto de Qualidade.
- Conseguiu elaborar uma definição precisa aos controles praticados na operação, através da criação de
técnicas de acompanhamento e avaliação da produção. Aparecia o Controle Estatístico de Processo , onde
o fator de variabilidade na operação, foi longamente apreciado por Shewhart e que apregoava a não
existência de duas peças absolutamente iguais dentro do processo produtivo, embora fabricadas dentro
das mesmas condições.
- Passou-se a aceitar as variações e extinguir nas mesmas aqueles limites que passariam a ser
considerados como problemas.
- O processo estaria sob controle sempre que se mantivesse dentro dos limites inferior e superior de
aceitação.