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Teorema da Lei dos Grandes Números e Teorema do Limite Central, Notas de estudo de Engenharia Civil

As demonstrações e implicações do teorema da lei dos grandes números e do teorema do limite central. A lei dos grandes números afirma que a frequência relativa de um evento converge para a probabilidade desse evento quando o número de repetições é suficientemente grande. Já o teorema do limite central afirma que a soma de um grande número de variáveis aleatórias independentes e identicamente distribuídas é aproximadamente normalmente distribuída.

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 20/07/2015

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DESIGUALDADES, LEIS LIMITE E TEOREMA DO
LIMITE CENTRAL
LEI DOS GRANDES NÚMEROS
Pretende-se estudar o seguinte problema: “À medida que o
número de repetições de uma experiência cresce, a
frequência relativa
A
f
de um acontecimento A “converge”
num certo sentido para a probabilidade teórica P(A)”.
TEOREMA: A LEI DOS GRANDES NÚMEROS ( fórmula de
Bernoulli)
Seja ε uma experiência e seja A um acontecimento associado
a ε. Considere-se n repetições independentes de ε e seja
A
n
o
número de vezes em que A ocorre nas n repetições. Façamos
n
n
f
A
A= e seja p = P(A) (que se admite ser a mesma para
todas as repetições).
Então, para todo o número positivo ξ , teremos:
( )
(
)
2
A
n
p1p
pfP ξ
ξ
ou, de um modo equivalente:
( )
(
)
2
A
n
p1p
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DESIGUALDADES, LEIS LIMITE E TEOREMA DO

LIMITE CENTRAL

LEI DOS GRANDES NÚMEROS

Pretende-se estudar o seguinte problema: “À medida que o número de repetições de uma experiência cresce, a frequência relativa f (^) A de um acontecimento A “converge”

num certo sentido para a probabilidade teórica P(A)”.

TEOREMA: A LEI DOS GRANDES NÚMEROS ( fórmula de Bernoulli)

Seja ε uma experiência e seja A um acontecimento associado

a ε. Considere-se n repetições independentes de ε e seja n (^) A o

número de vezes em que A ocorre nas n repetições. Façamos

n

n f (^) A = A e seja p = P(A) (que se admite ser a mesma para

todas as repetições). Então, para todo o número positivo ξ , teremos:

( A ) (^2 )

n

p 1 p P f p ⋅ξ

− ≥ξ ≤

ou, de um modo equivalente:

( A ) (^2 )

n

P f p 1 p^1 p ⋅ξ

− <ξ ≥ − ⋅^ −

Demonstração: Seja n (^) A o número de vezes que A ocorra.

Então, n (^) A é uma v.a. com distribuição binomial e portanto:

E ( nA ) = n⋅p e V ( nA ) =n⋅p⋅( 1 −p)

Atendendo a que n

n f (^) A = A , vem:

E ( fA ) = p e ( ) (^ )

n

V f p^1 p A

= ⋅^ −

Aplicando agora a inequação de Chebyshev à v.a. f (^) A obtém-

se:

A (^) k 2

n

P f p k p^1 p  ≥ − 

e fazendo:

p ( 1 p)

n k n

p 1 p k 2 2 ⋅ −

⋅ξ ⇒ =

ξ= ⋅

resulta:

A (^) n 2

p 1 p P f p 1 ⋅ξ

− <ξ ≥ −

NOTAS:

  • Do teorema anterior resulta que:

{ ( A )} 0

n

lim P f p^1 , ξ> →∞

− <ξ = ∀

Um outro aspecto a salientar é que de um modo geral não conhecemos o valor de p = P(A), pelo que não podemos utilizar a expressão:

ξ ⋅ δ

p 1 p n

Nesse caso, podemos majorar a expressão no numerador, que toma o seu valor máximo quando p=1/2 , podendo então afirmar-se o seguinte:

P ( fA − p <ξ) ≥ 1 −δ sempre que

⋅ξ ⋅δ

n^1

Relativamente à lei dos grandes números, há outra formulação a que se dá habitualmente o nome de lei fraca dos grandes números, e que tem o seguinte enunciado:

Seja X 1 , X 2 , ... uma sucessão de v.a. independentes com valor

médio μ e variância σ^2 , isto é:

E ( Xi) =μ e Var ( X i) =σ^2 ∀i

Defina-se uma nova v.a. : n ( X 1 X 2 ... Xn)

n

X = ⋅ + + + ,

então:

E ( Xn) =μ , ( ) n

Var X

2 n = σ e P( X ) 0 lim (^) n n

−μ ≥ξ = → ∞

Demonstração: Os resultados apresentados obtêm-se facilmente aplicando as propriedades do valor esperado e variância e recorrendo à desigualdade de Chebyshev:

n (^) C 2

n

P X C  ≤

 (^) σ −μ ≥ ⋅

fazendo:

n

ξ =C ⋅ σ vem (^2) 2 n^2 C σ

= ⋅^ ξ

e portanto:

( ) (^2)

2 n n

P X

⋅ξ

σ −μ ≥ξ ≤

isto é:

lim P^ (^ Xn )^0 n

−μ ≥ξ = → ∞ ( X (^) n converge para μ em probabilidade )

TEOREMA DO LIMITE CENTRAL

Seja X 1 , X 2 , ..., Xn uma sucessão de variáveis aleatórias independentes e com a mesma distribuição (que se admite ter variância finita) :

E ( Xi) =μ e Var ( X i) =σ^2 ∀i

Façamos X = X 1 + X 2 + ... + Xn. Então a v.a. Zn definida como:

O teorema do limite central aparece por vezes com um enunciado menos restritivo do que aquele que foi anteriormente apresentado. Em particular, são relaxadas as condições que impõem que as variáveis X 1 , X 2 ,..., Xn sejam independentes e igualmente distribuídas. De facto estas condições são suficientes para que se verifique a aproximação Normal, mas não são necessárias. Assim:

i) As variáveis X 1 , X 2 ,..., Xn podem ter distribuições distintas, desde que a contribuição da variância de cada uma delas para a variância da variável soma seja pequena. ii) As variáveis X 1 , X 2 ,..., Xn podem não ser independentes, desde que as correlações entre elas sejam fracas.

NOTAS:

  • O facto das variáveis Xi poderem ter qualquer tipo de distribuição e a respectiva soma poder ser aproximada por uma v.a. com distribuição Normal, constitui a principal razão da importância desta distribuição em Teoria das Probabilidades.

E ( Xi) = μi e Var ( Xi ) =σ i^2 i= 1 , 2 ,...

~ N ( 0 , 1 )

X

Z

n

i 1

2 i

n

i 1

i n ∑ σ

− ∑ μ

=

=

  • Vimos anteriormente que a soma de um número finito de v.a. independentes e normalmente distribuídas tem também distribuição Normal. O teorema do limite central salienta que as parcelas não necessitam de ser normalmente distribuídas para que a sua soma seja aproximada por uma distribuição Normal.

APLICAÇÕES DO TEOREMA DO LIMITE CENTRAL

Alguns dos resultados apresentados quando se fez o estudo das v.a. serão agora facilmente justificados como uma consequência da aplicação do teorema do limite central. Assim:

a) Aproximação da distribuição binomial pela normal

Seja Yi ( ∀i ) uma v.a. de Bernoulli, isto é, uma v.a. que

assume o valor 1 quando o resultado da experiência de Bernoulli é um “sucesso” e o valor 0 caso contrário. Como vimos já, para esta v.a. a função de probabilidade é dada por:

p Yi (^1 )^ = p e p Yi (^0 )^ = q= 1 −p , ∀i

Consideremos agora uma v.a. X ~ N(n,p). Esta v.a. pode ser considerada como:

= (^) ∑

n

i 1

X Yi

Uma vez que as v.a. Yi são independentes e igualmente

distribuídas (com variância finita), da aplicação do TLC

DISTRIBUIÇÃO DA SOMA DE UM NÚMERO FINITO DE VARIÁVEIS ALEATÓRIAS (não sujeito a avaliação)*

Consideremos Sn = X 1 + X 2 + ... + Xn , onde os Xi são

variáveis aleatórias independentes (não necessariamente normais) e que n não seja suficientemente elevado para permitir a aplicação do teorema do limite central. Como obter a distribuição de Sn?

TEOREMA: Sejam X e Y duas v.a. independentes, contínuas,

com funções densidade de probabilidade fX ( x) e hY ( y),

respectivamente. Defina-se Z = X + Y e seja gZ ( z)a fdp da

v.a. Z. Então:

g Z ( z) = ∫ fX( w) ⋅hY( z−w) dw

− ∞

Demonstração: Atendendo a que X e Y são v.a. independentes, temos que:

f XY ( x,y) =fX( x) ⋅hY( y)

Efectuando agora a transformação z = x + y e w = x , vem:

1 J 1

J

y z w

x w =− ⇒ = −

e portanto, a fdp conjunta de Z e W é dada por:

k ZW =fX ( w) ⋅hY( z−w)

como gZ (^ z)é a fdp marginal de k ZW obtemos finalmente:

g Z ( z) = ∫ fX( w) ⋅hY( z−w) dw

− ∞

NOTAS:

  • O integral acima indicado denomina-se integral de convolução entre f e h , usando-se frequentemente a seguinte notação:

f ∗h= ∫ fX (^ w)^ ⋅hY(^ z−w)^ dw

− ∞

  • A distribuição de X + Y é igual à distribuição de Y + X e portanto: f ∗h=h∗ f ou seja:

∫ f^ X (^ x)^ ⋅hY(^ z−x)^ dx= ∫ hY(^ y)^ ⋅fX(^ z−y)^ dy

− ∞

− ∞

  • O teorema enunciado pode ser utilizado sucessivamente, embora com uma dificuldade crescente, para se obter a fdp da soma de um número finito qualquer de v.a. contínuas independentes.

O teorema enunciado anteriormente referia-se a v.al. contínuas, porém ele pode também enunciar-se para variáveis discretas, do seguinte modo:

TEOREMA: Sejam X e Y duas v.a. com fgm respectivamente

GX ( t) e GY ( t). Se GX ( t) = GY ( t) ∀ t , então X e Y

têm a mesma distribuição de probabilidade.

TEOREMA: Sejam X e Y duas v.a. independentes. Defina-se

Z = X + Y. Designando por GX ( t), GY ( t)e GZ ( t)as

funções geradoras de momentos respectivamente de X, Y e Z, então:

G Z ( t) =GX( t) ⋅GY( t)

Demonstração:

G Z (^ t)^ =E(^ et⋅^ z)^ =E(^ et⋅(^ x+y))^ =E(^ et⋅x ⋅et⋅y)

= E ( et^ ⋅x ) ⋅E( et⋅^ y) =GX( t) ⋅GY( t)

NOTA: Este teorema pode ser generalizado à soma de n variáveis aleatórias independentes.