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Determinação do indice de refração do ar e comprimento de onda da luz
Tipologia: Trabalhos
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Resumo Interferˆometros s˜ao dispositivos projetados para o estudo de padr˜oes de transferˆencia produzidos por determinada fonte de luz. Em 1881, o f´ısico Michelson realizou um experimento a fim de medir a velocidade da luz em rela¸c˜ao a um interferˆometro, o que seria similar a medir a velocidade da luz em rela¸c˜ao a Terra. Essa informa¸c˜ao seria equivalentea demonstra¸c˜ao de que a Terra est´a em movimento em rela¸c˜ao ao Eter e portanto, estaria provado a existˆ´ encia da substˆancia em todo universo. O interferˆometro de Michelson, como ficou conhecido, funciona atrav´es da divis˜ao de amplitude de ondas dos feixes de luz. Atrav´es dele, ´e poss´ıvel mensurar n˜ao s´o o comprimento de onda da luz mas, tamb´em seu deslocamento. Nesta pr´atica, atrav´es de uma simula¸c˜ao, foi determinado o comprimento de onda da luz vinda de um laser e o ´ındice de refra¸c˜ao do ar.
Este experimento usa, como base, um interferˆometro que foi utilizado primeiramente em 1881, criado por Al- bert Abraham Michelson e Edward Morley para provar a existˆencia do Eter detectando varia¸´ c˜oes na velocidade da luz dependendo da dire¸c˜ao de propaga¸c˜ao da onda. Tal meio, no entanto, n˜ao conseguiu provar a proposta ini- cial, por´em, foi de enorme importˆancia hist´orica-cient´ıfica pois, al´em de sepultar as ideias de espa¸co e tempo como grandezas absolutas (como dito pela f´ısica cl´assica), se mostrou um m´etodo muito eficiente de medir o compri- mento de onda da luz e medir pequen´ıssimas distˆancias na ordem de m´ıcrons [1]. O experimento feito aqui se baseia na pioneira observa¸c˜ao de Thomas Young de ex- plica¸c˜ao para padr˜oes de interferˆencia no seu experimento da fenda dupla, arranjo que forneceu as primeiras provas do car´ater ondulat´orio da luz. Este experimento trata-se de, uma vez medido o espa¸co entre o m´aximo e o m´ınimo nos padr˜oes, podemos determinar o comprimento de onda da luz utilizada. Nesse caso, faremos o seguinte proce- dimento: vamos separar um feixe de luz de uma fonte espec´ıfica e ´unica em dois feixes e depois combin´a-los ap´os percorrerem diferentes caminhos ´opticos. Por se- rem da mesma fonte e separados no mesmo ponto, ao fim de todo o processo eles ir˜ao sofrer interferˆencia com um certo padr˜ao. Analisando-o, obtemos uma express˜ao que nos permite calcular o comprimento de luz atrav´es da distˆancia entre franjas quando variamos o caminho ´optico percorrido por um dos feixes [2]. O segundo grande obje-
tivo deste procedimento ser´a medir o ´ındice de refra¸c˜ao do g´as onde est´a sendo realizado o experimento, nesse caso, o ar a certa condi¸c˜ao de temperatura e press˜ao, fazendo apenas algumas modifica¸c˜oes. Fixando uma das linhas do padr˜ao de interferˆencia, um g´as ´e introduzidoa cˆamara no experimento e, lentamente, ´e observado franjas escuras se movendo por cima dessa linha de referˆencia. O n´umero de linhas que passam ´e ent˜ao contabilizado e, quando a cˆamara j´a estiver na press˜ao desejada, a contagem ´e interrompida. Com o comprimento de luz medido anteri- ormente e o comprimento de onda medido com a cˆamara de g´as, pode-se calcular, enfim, o ´ındice de refra¸c˜ao do g´as introduzido. Este experimento possui algumas im- portˆancias particulares pra ciˆencia, especialmente, para a f´ısica. Como primeira exemplifica¸c˜ao, podemos citar que foi com ela a primeira defini¸c˜ao do metro padr˜ao, defi- nido na ´epoca como o deslocamento do espelho em um in- terferˆometro de Michelson correspondendo a 1.650.763, comprimentos de onda da franja particular do criptˆonio- 86 em um tubo de descarga de g´as. Como segunda exem- plifica¸c˜ao, os ´ındices de refra¸c˜ao obtidos para os gases eram muito pr´oximos do valor padronizado 1, do v´acuo, por´em devido tamanha precis˜ao desse interferˆometro foi poss´ıvel medir este valor para in´umeros gases de forma muito sens´ıvel, algo que n˜ao era poss´ıvel com um experi- mento simples baseado na Lei de Snell-Descartes.
2 Materiais e M´etodos
Como mostrado na Figura 1.1 abaixo, o interferˆometro de Michelson-Morley possui como principais ferramentas, E 1 (espelho fixo), E 2 (espelho m´ovel), Divisor de Feixes, Laser, Lente e Tela. O Divisor de Feixes´e um espelho polarizado e reflete apenas 50% da luz incidida deixando passar o restante, literalmente dividindo o feixe de luz disparado pelo Laser em dois feixes. O espelho Divisor de Feixes possui uma inclina¸c˜ao de 45 graus e os espelhos E 1 e E 2 s˜ao perpendiculares, o que permite os dois feixes serem perpendiculares. Um feixe vai para o espelho E 1 e outro para o espelho E 2
Figura 1.1: Sistema de um Interferˆometro
A distˆancia L 1 inicialmente ´e igual a distˆancia L 2 :
Os feixes de luz se comportam da seguinte forma:
O processo cria um “Padr˜ao de Interferˆencia” ampli- ado na Tela assim como mostrado na Figura 1.2.
Figura 1.2: Padr˜ao de Interferˆencia
As franjas brilhantes chamaremos de m´aximose as franjas escuros chamaremos de m´ınimos. Estas franjas seguem uma ordem que come¸ca no centro, sendo m´aximo central, m´aximo de 1ª ordem, m´aximo de 2ª ordeme as- sim por diante. Para o experimento ser´a analisado apenas o comportamento do m´aximo de 1ª ordeme 2ª ordem. O espelho E 2 ´e um espelho m´ovel que podemos manipular atrav´es de um micrˆometro, e toda vez que uma varia¸c˜ao de distˆancia ´e provocada em E 2 , as franjas do padr˜ao de interferˆencia trocam de posi¸c˜ao. O sistema de c´alculos que utilizaremos s˜ao o seguinte: Considerando que λ ´e o comprimento de onda do feixe de luz do Laser utilizado, e d ´e o deslocamento sofrido por E 2 , n´os temos que a varia¸c˜ao de caminho ´optico refletido ´e igual ao dobro do deslocamento do espelho:
∆L = 2d
Isso acontece porque o feixe de luz percorre duas ve- zes o caminho entre E 2 e o Divisor de Feixes. Por inter- ferometria, os dois feixes que atingem a Tela partem da mesma fonte, portanto possuem a mesma fase. Com isso, a distˆancia entre duas franjas no padr˜ao de interferˆencia corresponde a 12 do comprimento de onda do feixe de luz utilizado. Se o deslocamento do micrˆometro for igual `a (^14) do comprimento de onda do feixe:
d =
λ 4 A varia¸c˜ao do caminho ´optico ser´a a metade do com- primento de onda:
λ 2 Isto significa que os m´aximos ir˜ao se deslocar apenas metade do caminho se movendo para o lugar do m´ınimos e vice versa. Tendo isto em mente, podemos dizer que a distˆancia percorrida por E 2 ´e igual `a metade do n´umero m de vezes que as franjas trocam de posi¸c˜ao multiplicado pelo comprimento de onda do feixe:
d = m 2
λ → λ =
m
d (1)
Este ´e o m´etodo para calcular o comprimento de onda do Laser modificando distˆancias. Antes de iniciar o ex- perimento, ´e necess´ario calibrar o micrˆometro utilizando
3 Resultados
Primeiramente para calibrar nosso micrˆometro utilizamos uma fonte de luz de comprimento de onda j´a conhecido de λ = 632, 8 μm. Para isso fizemos uma primeira amos- tragem e encontramos uma varia¸c˜ao de 29 franjas para cada 10 unidades de distˆancia demarcadas no nosso equi- pamento. Com o uso da Equa¸c˜ao 1, onde λ ´e o compri- mento de onda, m o n´umero de franjas deslocadas, d o deslocamento do espelho E 2 , encontramos que cada uni- dade de deslocamento equivale a 0, 917 μm.
2 d = mλ (3) Em um segundo momento fizemos amostras com um laser cujo comprimento de onda ´e desconhecido, nele en- contramos uma varia¸c˜ao de 35 franjas. Com o uso da Equa¸c˜ao 3, onde j´a conhecemos o valor de d, encontra- mos λ = 524 μm. Posteriormente com o uso de uma cˆamara de v´acuo, reduzimos gradativamente a press˜ao no caminho do laser para E 2 , com isso obtivemos nova- mente uma varia¸c˜ao de franjas (∆m) conforme decaia a press˜ao absoluta (∆Pabs), foi poss´ıvel montar a Tabela 1.
∆Pa (cmHg) ∆m 10 5 20 8 30 12 40 16 50 20 Tabela 1: varia¸c˜ao de franjas(∆m) conforme a varia¸c˜ao da press˜ao absoluta (∆Pa). Com os dados da Tabela 1, montamos o gr´afico pre- sente na Figura 2, onde ap´os a regress˜ao linear encontra- mos uma tg = 0, 39. Agora utilizaremos da equa¸c˜ao 2, onde L = 3 cm, λ = 632, 8 nm e Patm = 76 cmHg. Sendo assim encontramos que o nar = 1, 000312.
Figura 2: gr´afico de ∆m × ∆Pa
4 Discuss˜oes
Utilizando os m´etodos descritos anteriormente, foi poss´ıvel chegar num valor de 524 nm para o comprimento de onda de luz do laser verde utilizado. Como ´e poss´ıvel observar na literatura, na faixa de aproximadamente 500 nm a 550 nm da luz vis´ıvel, se concentra o comprimento de onda que nos d´a a luz verde [3]. Foi poss´ıvel tamb´em observar o fenˆomeno de interferˆencia da luz, e consequen- temente, testando a rela¸c˜ao de superposi¸c˜ao das ondas (as chamadas franjas) com o comprimento de onda de luz, como descrito na equa¸c˜ao (1). Posteriormente, com um segundo experimento, foi poss´ıvel encontrar o ´ındice de refra¸c˜ao do ar, atrav´es das varia¸c˜oes de franjas e da press˜ao, como exposto na ta- bela 1. ´E poss´ıvel notar, que a medida que retiramos ar da cˆamara, obtemos um menor n´umero de varia¸c˜ao nas franjas, com isso, o fenˆomeno de interferˆencia vai dimi- nuindo, como mostrado no gr´afico da figura 2, desta ma- neira, temos que quando a press˜ao ´e zero, temos n = 1 [4]. Al´em disto, foi poss´ıvel obter um resultado pro ´ındice de refra¸c˜ao do ar de nar = 1, 000312, o que ´e um resul- tado bastante satisfat´orio de acordo com a literatura [5]. Ent˜ao temos um erro percentual de somente 0, 0003%. O experimento foi realizado por meio de v´ıdeo pelo Professor Anderson Sampaio, da Universidade Estadual de Maring´a, e as medidas foram obtidas pelo mesmo, sendo assim, existem diversos fatores que nos impossi- bilita de aferir os erros com precis˜ao, uma vez que n˜ao foi poss´ıvel obter o valor de comprimento de onda do laser verde dado pelo fabricante ou aferir a umidade relativa do ar, temperatura do ambiente e entre outros. Mas ´e im- portante ressaltar, que ainda assim, os resultados obtidos foram bastante satisfat´orios o que nos permite validar as bases te´oricas por tr´as dos fenˆomenos estudos, e, al´em disto, validar a pr´opria metodologia adotada para o ex- perimento e o aparato interferˆometro.
5 Conclus˜ao
Por meio da an´alise de dados efetuada anteriormente, ´e poss´ıvel concluir que o aparato de interferˆometro conse- gue aferir medidas de valores extremamente pequenos da ordem de μm, com uma sensibilidade que n´os permite en- contrar valores de comprimentos de onda luz desconheci- dos, al´em dos valores do ´ındice de refra¸c˜ao do ar. Com os valores obtidos bastante satisfat´orios para o comprimento de onda de luz do laser verde e para o ´ındice de refra¸c˜ao, 524 nm e 1, 000312 respectivamente com um erro percen- tual pequeno de somente 0, 0003% para o segundo, o que nos permite validar toda a metodologia adotada.
6 Referˆencias
[1]-R. V., Pereira; J. K. Mizukoshi; Universidade Federal do ABC, https://bityli.com/GEjgeL. Accessed 13 October 2021. [2]- The Michelson Interferometer. (2020, November 5). OpenStax CNX, https://phys.libretexts.org/@go/page/4503. Accessed 13 October 2021. [3]- Nassau, Kurt. ”colour”. Encyclopedia Britannica, 7 Jan. 2020, https://www.britannica.com/science/color. Accessed 15 October 2021. [4]- Instruction Manual and Experiment Guide for the PASCO scientific Model OS-8501, Roseville, 1986 [5]- Polyanskiy, Mikhail. “Refractive Index website” Refractive Index Info 2008-2021 © , https://refractiveindex.info/ Accessed 15 October 2021.