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Livro de Ensino da Libras
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!





























































































Felipe, Tanya A. Libras em Contexto: Curso Básico : Livro do Professor. Tanya A. Felipe de Souza e Myrna Salerno Monteiro. – Brasília: Ministé- rio da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2006. 6ª. Edição 448 p.: il.
CDU 376.
Agradecimentos
Nosso sonho, que iniciou com duas pessoas, foi compartilhado por outra, e mais outra, e mais outras pessoas que aos poucos foram acreditando e dando força ao nosso trabalho e, agora, somos muitos.
Somos gratos ao Ministério da Educação - Secretaria de Educação Especial, por ter compreendido a importância dessa pesquisa e por ter nos proporcionado pu- blicações dos materiais didáticos-pedagógicos para os Curso de capacitação para Instrutores- Metodologia para o Ensino de Libras e Cursos Básicos de Libras, que vêm sendo ministrados nos Centros de Apoio à Educação de Surdos – CAS que, através de convênio FENEIS-MEC/SEESP/FNDE, foi possível serem criados, em todo o Brasil, em parceria com as Secretarias de Educação.
Somos gratos à Universidade de Pernambuco por ter permitido que a auto- ra dessa obra e coordenadora do Grupo de Pesquisa da FENEIS continuasse com suas atividades de pesquisa, no Rio de Janeiro, para fazer a primeira edição dos livros, em 1997, fazer a revisão para a segunda edição, em 2001, e por ter publi- cado, pela EDUPE em parceria com a FENEIS, a 3ª. Edição do livro/ fita do Estu- dante, em 2002.
Somos gratos à Universidade de Pernambuco por ter permitido que a autora des- sa obra e coordenadora do Grupo de Pesquisa da FENEIS continuasse com suas atividades de pesquisa, no Rio de Janeiro, para fazer a primeira edição dos livros, em 1997, e a revisão para a segunda edição, em 2001.
Somos gratos, também, à direção da FENEIS por ter criado um espaço físico e a infra-estrutura para o nosso Centro de Pesquisa, além do respeito e apoio ao Grupo de Pesquisa desde 1992.
E, finalmente, somos gratos às outras instituições e pessoas que, não fazendo parte do grupo, nos incentivaram ou nos ajudaram a produzir os livros e fitas, agora DVDs, por acreditarem que: valeu a pena!!!
do lado esquerdo do peito, dentro do coração, assim falava a canção...”
GRUPO DE PESQUISA DA FENEIS
Aos Professores e Professoras
O Ministério da Educação está desenvolvendo o Programa “Interiorizando Libras”,
que tem como propósito apoiar e incentivar a formação profissional de professores,
surdos e não-surdos, de municípios brasileiros, para a aprendizagem e utilização da
língua brasileira de sinais em sala de aula, como língua de instrução e como compo-
nente curricular.
O material Libras EM CONTEXTO favorece o estudo e o ensino da língua de sinais
falada pelos surdos do Brasil, por meio de material impresso e vídeos elaborados pela
própria comunidade surda.
O apoio do MEC ao processo de formação de instrutores de Libras e de professores
para atuar na educação escolar dos surdos garante o respeito à diferença, à diver-
sidade sócio-cultural. Essa ação é representativa do compromisso do Governo Fede-
ral com a educação para todos e com a inclusão social das pessoas com necessida-
des educacionais especiais.
Contamos com vocês para vencer o desafio de atender à singularidade lingüística
dos surdos e assim alcançar o sucesso almejado com a execução desse programa.
TARSO GENRO MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Esplanada dos Ministérios – Bloco L 6º andar – Gabinete – CEP: 70047- Fone: (61) 2104-8651 – Fax: (61)2104- [email protected]
Prefácio para a 6ª. edição
Após anos de luta e trabalho, conseguimos realizar nosso sonho: editar um livro para o ensino da Língua de Sinais Brasileira, que é mais conhecida, pelas comunidades surdas, como língua brasileira de sinais - Libras.
Esta pesquisa surgiu da necessidade de surdos, que ensinando sua língua de sinais sem preparo acadêmico e metodológico, perceberam a importância de uma sistematização de um material didático-pedagógico para o ensino de língua e, recorrendo à autora deste trabalho e coordenadora do Grupo de Pesquisa da FENEIS, formaram, desde 1992, uma equipe que vem pesquisando a Libras e metodologias para ensino de língua.
A partir de 1993, essa pesquisa, que teve a sua Fase Piloto nos anos anteriores, conso- lidou-se na Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), obten- do o reconhecimento do Ministério da Educação e do Desporto - Secretaria de Educa- ção Especial – MEC-SEESP, que tem aprovado nossos projetos para financiamentos pelo FNDE.
Esta instituição foi escolhida para realização deste trabalho, devido ao fato desta Federação ter um reconhecimento internacional, ser um pólo de divulgação da cultu- ra e língua dos surdos do Brasil desde a sua fundação, oferecer cursos de Libras para ouvintes e, ainda, devido ao fato de ter sido dela a proposta para transformar o nosso trabalho, que já estava em andamento, no Projeto que denominamos de “Me- todologia para o ensino de Libras para ouvintes”.
Durante estes anos, muitos Surdos desse grupo de pesquisa começaram a se interes- sar em pesquisar a Libras, sua cultura, propostas de educação para surdos e a enten- der a importância de se ter uma boa formação para poder cursar uma universidade e, alguns, começaram a investir neles e alcançaram esse objetivo, estando hoje estu- dando em cursos de graduação e pós-graduação – mestrados e doutorados.
Portanto, este trabalho tem gerado muitos frutos, como:
Sentimos a importância e responsabilidade do nosso trabalho, quando, em 1997 , fizemos a 1ª.Edição dos Livros “Libras em Contexto”, financiada pelo MEC/SE- ESP/FNDE, que foi utilizada no primeiro Curso de Capacitação para Instrutores, financiado pelo Ministério da Justiça - CORDE, e em cursos para ouvintes na FE- NEIS; depois, em 2001 , nosso trabalho da FENEIS foi transformado, pelo MEC/ SEESP/FNDE, no Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos, quando o MEC/FNDE fez a 2ª. Edição dos livros/fitas “Libras em Contexto” e distribuiu para as Secretarias de Educação que, em parceria com a FENEIS, realizaram cursos de capacitação para Instrutores e cursos de Libras para professores em todo o Brasil. Em 2002 , a EDUPE, Editora Universidade de Pernanbuco, editou, juntamente com a FENEIS, a 3ª. Edição do Libras em Contexto – Livro/fita do Estudante
Em 2004 , através do Programa Nacional “Interiorizando a Libras”, o MEC-SEESP/ FNDE financiou a 4ª. Edição do livro/DVD do Estudante e a 3ª. Edição do livro/ DVDs do Professor para também serem distribuídas para os participantes dos cur- sos que aconteceram nos Centros de Apoio aos Surdos – CAS, criados naquele ano, dando continuidade ao que estamos introduzindo: criação de CAS e ensino sistemático da Língua de Sinais Brasileira, colocando esta língua na mesma condi- ção de outras e valorizando as comunidades surdas do Brasil.
Em 2005 , a FENEIS publicou, através da LIBREGRAF, na cor verde, a 5ª.Edição do Livro do Estudante e a 4ª.Edição do Livro Professor, que estão sendo utilizadas nos cursos ofericidos pela FENEIS, universidades e outras instituições. Ainda nesse ano, dando continuidade a esse Programa Nacional de 2004, foram feitas a 6ª. Edição do Livro do Estudante e essa 5ª. Edição do Livro do Professor. Essas edições são revisões das edições anteriores, com acréscimo também das Configu- rações de Mãos da Libras, que estão no final da introdução.
Agora em 2007, dando continuidade ao Programa Nacional “Interiorizando a Li- bras” estamos fazendo a 8ª edição da Livro do Estudante e a 6ª edição da Livro do Professor, ambas revisadas e ampliadas e com novos desenhos.
Com esta iniciativa esperamos contribuir para uma renovação na educação de Surdos para que as crianças surdas brasileiras possam ter, como em países da Europa e América, oportunidade de aprender a Libras, também, com seus profes- sores e possam se comunicar, em Libras, com seus pais, amigos e colegas de escola e trabalho.
TANYA A. FELIPE COORDENADORA DO GRUPO DE PESQUISA DA FENEIS
Libras em Contexto - Curso Básico: Livro do Professor foi organizado para servir de apoio, ao instrutor, no planejamento e preparação das aulas e atividades extra-classes.
Este livro está dividido em seis unidades, cada unidade está dividida em aulas, com avaliação no final de cada unidade.
No livro do estudante, cada unidade subdivide-se em três partes:
1. LIBRAS EM CONTEXTO: através de diálogos, o aluno vivenciará situações comunicativas que estarão também no DVD que acompanha o Livro do Estudante; 2. GRAMÁTICA: serão apresentadas algumas noções da gramática da Libras com exemplos retira- dos, quando possível, do bloco anterior - Libras em contexto. No DVD, esta parte consta de exem- plos, exercícios ou brincadeiras, que reforçarão o aprendizado de estruturas da língua apresentadas gradativamente em cada unidade; 3. NO MUNDO DOS SURDOS: em cada unidade, com o objetivo dos ouvintes perceberem o mundo sob outro enfoque, há informações sobre a organização cultural e a política educacional dos surdos no Brasil. Esta parte, no CD, estará no final de cada unidade e constará de uma narrativa relacionada ao tema trabalhado. O objetivo de sempre terminar a unidade, no DVD, com uma narrativa é para o aluno se familiarizar com outro tipo de texto em Libras. Portanto, as unidades começam com conversações e terminam com narrativas que condensam o vocabulário e as estruturas gramaticais aprendidas.
No Livro do Professor, como já foi dito acima, essas partes estão distribuídas nas aulas. Cada atividade vem com orientações metodológicas para a sua realização, mas o instrutor pode pensar em uma outra forma que julgar também eficiente, acrescentando exercícios sem perder os objeti- vos e continuidade de cada unidade.
Os conteúdos foram planejados com gradação de dificuldades, de modo que as primeiras atividades são mais fáceis de serem realizadas.
Ao final de cada unidade, no Livro do Professor, há uma Avaliação da Unidade, com instru- ções para sua realização.
Ficará a critério do professor criar ou repetir os exercícios mais difíceis de cada unidade antes da avaliação final, bem como antes de iniciar uma nova unidade, revisar alguma parte da unidade em que os alunos não tenham se saído bem na avaliação.
O Livro do Estudante e o Livro do Professor são diferentes. Para cada parte das unidades do Livro do estudante, no Livro do Professor serão dadas orienta- ções para serem trabalhadas. O professor deve pedir que sempre os alunos leiam, no Livro do Estudante, toda a unidade, previamente, para eles poderem ter uma idéia do que será ensinado em cada unidade.
No Livro do Professor cada unidade começa pelos objetivos gerais , depois vêm os Planos de Aula e no final de cada aula há orientação para o professor solicitar Atividades que os alunos deverão fazer em casa, utilizando ou o Livro ou o DVD ou ambos. O número de aulas por unidade pode variar e sempre na última aula de cada unidade vem uma Avaliação.
No Livro do Estudante as partes estão assim divididas:
1. Libras EM CONTEXTO: primeira parte de cada unidade, onde foram transcritas as situações que estão no DVD encenadas pela Companhia Surda de Teatro.
Cada unidade do Livro do Professor está dividida em aulas que terão duração média de sessenta minutos, ficando a critério do professor decidir se trabalhará os conteúdos de cada unidade de manei- ra mais rápida ou lenta de acordo com o desempenho de cada turma e a duração de cada aula.
Com brincadeiras também se ensina...
Para o Livro do Professor há um DVD com orientações metológicas para se trabalhar com esse livro. O instrutor deve ver todo o DVD para poder compreender melhor a metodologia e para orga- nizar as suas aulas. Portanto, no DVD do Professor tem orientações que devem ser vistas antes das organizações das aulas e o DVD do Estudante é um recurso didático para o Instrutor trabalhar nas aulas. Assim em cada aula em que o DVD do Estudante for utilizado haverá uma indicação com o ícone de um DVD:
No livro do Estudante também há orientações e esta parte foi incluída nesse Livro do Professor, para o Professor tomar conhecimento dessas orientações que estão sendo dadas para seus alunos.
A experiência tem mostrado que quem mais tem procurado cursos de Libras na FENEIS são, em primeiro lugar, profissionais ligados à área da surdez; em segundo lugar, pessoas que se relacio- nam com surdos e querem ser intérpretes e, depois, familiares de surdos. Por isso, o conteúdo programático deste livro está destinado a adultos ou alunos ouvintes que tenham já concluído o Ensino Médio e que desejam fazer um curso básico de Língua de Sinais Brasileira. Mas esse livro poderá ser utilizado também por surdos que não tiveram a oportunidade de adquirir a Libras como primeira língua.
Este curso, não exigindo conhecimento prévio desta língua, dará noções básicas necessárias para uma comunicação informal, introduzindo-as de maneira gradual e a partir de contextos.
Por ser um curso básico os alunos que quiserem aprender mais profundamente a Libras, terão que continuar seus estudos nos níveis subseqüentes (níveis intermediário e avançado), ainda em elaboração.
Para que o aluno alcance um nível razoável em seu desempenho comunicativo, precisará ter o desejo e oportunidade de se comunicar em Libras, por isso as orientações metodológicas, abaixo, servirão dos seguintes princípios gerais que nortearão o ensino/aprendizagem desta língua:
- Evite falar durante as aulas: devido ao fato das línguas de sinais utilizarem o canal gestual- visual, muitos alunos ouvintes ficam tentados a falar em sua língua enquanto tentam formular uma palavra ou frase na língua que estão aprendendo. Esta atitude pode ocasionar um ruído na comuni- cação, ou seja, uma interferência mútua de códigos, que prejudica o processo de aprendizagem de uma segunda língua, já que cada uma tem a sua própria estrutura. Tente “esquecer” sua língua oral-auditiva quando estiver formulando frases em Libras. Um aprendizado de uma segunda língua pode ter o suporte da primeira para se compreender e comparar as gramáticas das duas línguas, mas quando se está estruturando uma frase, tente “pensar” em Libras; - Use a escrita ou expressões corporais para se expressar: em um primeiro momento, devido ao fato de não se ter ainda um domínio da língua, o aluno, motivado por uma insegurança natural, é tentado a usar sua língua para perguntar ao professor ou aos seus colegas o que não consegue apreender de imediato. Uma alternativa, para evitar esta interferência, é a comunicação através da datilologia, ou tentar a utilização de expressões corporal e facial a partir do contexto, recursos utilizados pelos próprios surdos ao se comunicarem com ouvintes, que não conseguem compreendê- los quando se expressam oralmente, ou não sabem língua de sinais. Tente sempre se expressar em Libras, o professor entenderá sua comunicação e induzirá aos sinais que serão necessários para a situação comunicativa que deseja se expressar; - Não tenha receio de errar: o erro não deve ser entendido como falha, mas como um processo de aprendizagem. Tenha segurança em si mesmo. Na comunicação sempre o erro está presente, mas o contexto ajuda a perceber a intenção comunicativa e o professor ou o colega poderá ajudar a encontrar a forma adequada para a situação. Pense na mensagem que se quer transmitir e não nas palavras isoladamente;
2 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDANTE
No DVD, esta parte consta de exemplos, exercícios ou brincadeiras, que reforçarão o aprendizado das estruturas da língua apresentadas gradativamente em cada unidade. É aconselhável que o aluno leia toda a unidade para ter uma idéia do que será trabalhado na sala de aula em cada unidade. No livro, será indicada quando se deverá ver o DVD para ver exemplos que estão sendo apresentados ou para fazer exercícios;
3. NO MUNDO DOS SURDOS: nessa última parte do livro, em cada unidade, objetivando que os alunos percebam o mundo sob outro enfoque, há um texto com informações sobre a organização cultural e a política educacional dos surdos no Brasil. Esta parte, no DVD, que também está no final de cada unidade, consta de uma narrativa relacionada ao tema ensinado. O objetivo de sempre terminar a unidade com uma narrativa é para o aluno se familiarizar com outro tipo de texto em Libras. Portanto as unidades começam com conversações e terminam com narrativas que condensam o vocabulário e as estruturas gramaticais aprendidas.
No Livro do Estudante, há textos que informam sobre a “cultura” dos surdos do Brasil e dão noções sobre a gramática da Língua de Sinais Brasileira. O DVD, que acompanha este livro, tem como objetivos mostrar a língua, sendo usada pelos surdos em contextos, e reforçar os conteúdos aprendidos em sala de aula, salientando traços essenciais da língua, como: questões de gramática, processos interativos sócio-culturais, expressões facial e corporal, uso adequado de expressões, numerais, entre outros, que podem não ter sido percebidos pelos alunos durante as aulas.
Aprender uma língua implica apreender também os hábitos culturais das comunidades que a utilizam. No DVD, os surdos mostram sua “cultura” através de sua língua: como fazem para se apresentarem, para pedirem a palavra em uma situação formal ou informal, como solicitam e dão informações, pedem desculpas e contam piadas.
Não se aprende uma língua com a repetição de frases dadas pelo professor ou pela memori- zação de listas de palavras. É preciso interagir, ser agente do saber e ter condições para se comuni- car.
Para uma melhor utilização do Livro do Estudante e do DVD que o acompanha, algumas dicas são importantes:
a) antes de ver o DVD, leia a situação que será descrita no livro, e as noções básicas de gramática que estão na segunda parte de cada unidade; b) ao ver o DVD, preste atenção à mensagem como um todo em seu contexto; c) reveja o livro e depois tente rever, pausadamente, o DVD; d) tente apreender o vocabulário utilizado em cada situação; e) anote as dúvidas para perguntar ao professor quando ele for trabalhar com o DVD na sala de aula.
Muitas pessoas acreditam que as línguas de sinais são somente um conjunto de gestos que interpretam as línguas orais. Pesquisas sobre as línguas de sinais vêm mostrando que estas línguas são comparáveis em com- plexidade e expressividade a quaisquer línguas orais. Estas línguas expressam idéias sutis, complexas e abstratas. Os seus usuários podem discutir filosofia, literatura ou política, além de esportes, trabalho, moda e utilizá-la com função estética para fazer poesias, contar estórias, criar peças de teatro e humor. Como toda língua, as línguas de sinais aumentam seus vocabulários, com novos sinais introdu- zidos pelas comunidades surdas, em resposta às mudanças culturais e tecnológicas, assim a cada necessidade surge um novo sinal desde que ele se torne aceito, sendo utilizado pela comunidade. Acredita-se também que somente existe uma língua de sinais no mundo, mas assim como as pessoas ouvintes em países diferentes falam diferentes línguas, também as pessoas surdas por toda parte do mundo, que estão inseridas em "Culturas Surdas", possuem suas próprias línguas, existin- do, portanto muitas línguas de sinais diferentes, como: Língua de Sinais Francesa, Chilena, Portu- guesa, Americana, Argentina, Venezuelana, Peruana, Portuguesa, Inglesa, Italiana, Japonesa, Chi- nesa, Uruguaia, Russa, Urubus-Kaapor, citando apenas algumas. Estas línguas são diferentes uma das outras e independem das línguas orais-auditivas utilizadas nesses e em outros países, por exemplo: o Brasil e Portugal possuem a mesma língua oficial, o português, mas as línguas de sinais destes países são diferentes, o mesmo acontece com os Estados Unidos e a Inglaterra, entre outros. Também pode acontecer que uma mesma língua de sinais seja utilizada por dois países, como é o caso da língua de sinais americana que é usada pelos surdos dos Estados Unidos e do Canadá. Embora cada língua de sinais tenha sua própria estrutura gramatical, surdos de países com línguas de sinais diferentes comunicam-se com mais facilidade uns com os outros, fato que não ocorre entre falantes de línguas orais, que necessitam de um tempo bem maior para um entendi- mento. Isso se deve à capacidade que as pessoas surdas têm em desenvolver e aproveitar gestos e pantomimas para a comunicação e estarem atentos às expressões faciais e corporais das pesso- as e devido ao fato dessas línguas terem muitos sinais que se assemelham às coisas representadas. No Brasil, as comunidades surdas urbanas utilizam a Libras, mas além dela, há registros de uma outra língua de sinais que é utilizada pelos índios Urubus-Kaapor na Floresta Amazônica. Muitas pessoas creditam que a Libras é o português feito com as mãos, na qual os sinais substituem as palavras desta língua, e que ela é uma linguagem como a linguagem das abelhas ou do corpo, como a mímica. Entre as pessoas que acreditam que a Libras é realmente uma língua, há algumas que pensam que ela é limitada e expressa apenas informações concretas, e que não é capaz de transmitir idéias abstratas. Esses mitos precisam ser desfeitos porque a Libras, como toda língua de sinais, é uma língua de modalidade gestual-visual que utiliza, como canal ou meio de comunicação, movimentos gestu- ais e expressões faciais que são percebidos pela visão; portanto, diferencia da Língua Portuguesa, uma língua de modalidade oral-auditiva, que utiliza, como canal ou meio de comunicação, sons articulados que são percebidos pelos ouvidos. Mas as diferenças não estão somente na utilização de canais diferentes, estão também nas estruturas gramaticais de cada língua. Embora com as diferenças peculiares a cada língua, todas as línguas possuem algumas semelhanças que a identificam como língua e não linguagem como, por exemplo, a linguagem das abelhas, dos golfinhos, dos macacos, enfim, a comunicação dos animais.
3 INTRODUÇÃO