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Libras em matemática, Manuais, Projetos, Pesquisas de Matemática

Trabalho com referências sobre ensino de libras em Matemática

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2022

Compartilhado em 30/01/2023

fabio-silva-syz
fabio-silva-syz 🇧🇷

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Programa Especial de Formação Pedagógica R2
Conforme Resolução 2 de 01 de Julho de 2015 CNE
Fábio Henrique Rodrigues da Silva
Aspectos educacionais e sócio-
antropológicos da surdez
SÃO PAULO
2019
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Programa Especial de Formação Pedagógica R Conforme Resolução 2 de 01 de Julho de 2015 CNE

Fábio Henrique Rodrigues da Silva

Aspectos educacionais e sócio-

antropológicos da surdez

SÃO PAULO

Programa Especial de Formação Pedagógica R Conforme Resolução 2 de 01 de Julho de 2015 CNE

Fábio Henrique Rodrigues da Silva

Aspectos educacionais e sócio-

antropológicos da surdez

SÃO PAULO

Trabalho final apresentado à disciplina Matemática, como exigência parcial para a obtenção do curso de Programa Especial de Formação Pedagógica R2 – Turma 211 (Sábado), sob a supervisão da Professora Ana Gabriela Mariano. Polo: REPÚBLICA

Introdução

Conforme mudança de época e com o passar dos anos os momentos históricos e suas influências, impõem mudanças aos seres humanos visando sempre a melhoria de certo segmento sociológico, o que sempre afetou as pessoas com problemas de audição e fala, gerando a criação da Linguagem de Sinais. Os fatos históricos marcam a vida e a forma de viver dos surdos, e são tratados como sendo um grupo que possui uma língua, uma identidade e uma cultura. Ao longo das épocas, os Surdos passaram por inúmeras provações e dificuldades até conseguirem estabelecer sua identidade e sua língua, assim como serem aceitos culturalmente, até o momento que lhes trazem reconhecimento de serem parte da sociedade. Trazendo também o momento em que a LIBRAS é reconhecida no Brasil e seu contexto. O trabalho traz algumas concepções sobre a antropologia e histórico dos Surdos e sua vivência em sociedade no mundo, desde a antiguidade até seu momento atual. Trazendo também os aspectos educacionais e sua problemática, assim como seu o histórico no ambiente brasileiro, criação de leis e decretos e a criação das comunidades. Por final conclui-se que os surdos requerem olhos para que a inclusão seja feita verdadeiramente, e com a visibilidade que essas pessoas especiais receberam de alguns anos para cá, tornemos uma sociedade completa incluindo e oferecendo suporte a todos.

2. Desenvolvimento 2.1 Contexto histórico da surdez No Egito, os Surdos eram adorados como deuses, serviam de mediadores entre os deuses e os Faraós, sendo temidos e respeitados pela população. Na época do povo Hebreu, na Lei Hebraica, aparecem pela primeira vez, referências aos Surdos. Na Antiguidade os chineses lançavam-nos ao mar, os gauleses sacrificavam-nos aos deuses Teutates, em Esparta eram lançados do alto dos rochedos. Em outros países era comum os Surdos não receberem educação secular, com isso eram marginalizados juntamente com os deficientes mentais e os doentes, sendo que conforme o caso eram condenados a morte. Segundo o pensamento de Aristóteles (384-322 a.C.), para atingir a consciência humana, tudo deveria penetrar por um dos órgãos do sentido, e a audição era considerada o canal mais importante para o aprendizado. Ele acreditava que, como o surdo-mudo não podia articular a palavra nem compreender o que o outro falava, não podia ser capaz de aprender. Afirmou: “todos os que nascem surdos também são mudos, mas podem emitir voz, são totalmente privados da palavra”, e “os cegos são mais inteligentes que os surdos”, porque ele acreditava que a audição era o mais importante órgão dos sentidos. Assim, durante séculos, os surdos foram tidos como não educáveis. Para os romanos, os surdos não possuíam quaisquer direitos, não podiam fazer testamento e precisavam de um curador para realizar qualquer tipo de negócio (Ladd, 2003; Guarinello, 2007). Entretanto, como aponta Carvalho (1997, p.13): “Pessoas nascem com deficiências em todas as culturas, etnias, níveis socioeconômicos e sociais. [..] Em todos os tempos e épocas, sabe-se que pessoas nascem ou tornam-se portadoras de deficiência: cegas, surdas, com limitações intelectuais ou físicas, etc.”

Hoje existem alunos inclusos no seio escolar e utilizam a língua de sinais para se comunicarem e tiram pleno proveito de toda matéria abordada em sala de aula, porem com algumas dificuldades. A inclusão de alunos surdos nos últimos anos tem se intensificado, porem alguns fatores devem ser analisados. Impera ainda no cenário educacional brasileiro uma discrepância considerável entre o “discurso da inclusão”, que proclama o direito de todos á educação básica, e a realidade, que exclui muitos sujeitos pelo fato de não dominarem as competências escolares. É preciso, portanto, avançar e pensar em políticas públicas que possibilitem a permanência dos alunos na escola com qualidade, de modo que as competências e os conhecimentos socialmente valorizados sejam de fatos apreendidos (CAVALIERE,2007,2009; COELHO,2009; MAURÍCIO,2009; RESENDE,2009; GONÇALVES,2006.) Um dos papéis mais importantes na vida do ser humano é ser pai ou ser mãe, no entanto não existe escola capaz de preparar o ser humano para exercer esse papel tão significativo, que transforma a vida e a estrutura emocional e econômica familiar. Os pais ao decidirem ter um filho, idealizam o que há de melhor para esse filho, projetam a realização de seus sonhos através dos filhos, essas expectativas são frustradas pela realidade quando a criança nasce com alguma deficiência. Segundo Amaral (1995), o estado psíquico vivido pela família frente ao nascimento de uma criança com deficiência é de perda, de morte mesmo. “Morte” do filho desejado e idealizado. Assim, para que se torne possível receber o filho real faz-se, então, necessário, viver o processo de luto daquele filho “perdido”. Porém, depende de diversos fatores, como a história anterior da família, estrutura psicológica do casal, o grau de comprometimento da deficiência no filho, entre outros, irá influenciar no tempo que vai levar para que os pais consigam elaborar o processo de luto. Superar esse período é fundamental para que toda a família consiga estabelecer vínculos afetivos verdadeiros com o bebê real que tanto depende deles para sobreviver.

A escola porem tem um papel muito importante na educação e no fortalecimento de vínculos com a sociedade em geral. Sendo a aprendizagem estabelecida pela comunicação, a pessoa surda necessita do canal visual para receber informações e, deste modo, produzir seu conhecimento, expressando-se através de uma forma viso-gestual. Em tempos passados, algumas teorias foram formuladas a respeito do comportamento humano e desenvolvimento da linguagem. Atualmente o assunto continua sendo alvo de pesquisas, por abranger um campo fértil e complexo no contexto educacional. Nas teorias abordadas, tanto o ambiente quanto fatores biológicos prevalecem enquanto fatores determinantes do desenvolvimento da linguagem. Atualmente, a comunicação, a inclusão social e digital através da educação e as diversas formas alternativas de expressão são as bases capazes de proporcionarem um futuro melhor para todo cidadão. Pensando nisso, o Site, Acessibilidade Brasil, além de muitas outras informações importantes e de conscientização, disponibiliza um dicionário Online para divulgar, expandir e capacitar as pessoas para o uso da LIBRAS, Seu objetivo é facilitar a comunicação com deficientes auditivos, tornando isso possível e natural. O mundo globalizado não tem fronteiras e ninguém deve ficar limitado ou ter preconceitos. 2.2 A história dos surdos no Brasil No Brasil, as transformações na história dos surdos tiveram início em 1855, quando o imperador dom Pedro II trouxe um professor francês, Hernest Huest (surdo e partidário de de l’Épée), para iniciar um trabalho de educação com os surdos (Strobel, 2008b). Em 26 de setembro4 de 1857, foi fundado o Instituto Nacional de Educação de Surdosmudos, atual Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES) (Figura 5). A partir de então, os indivíduos surdos brasileiros passaram a contar com uma escola especializada para sua educação, propiciando assim o surgimento da

A luta persistente e sistemática do povo surdo culminou com a oficialização da Libras, aprovada e publicada no Diário Oficial da União, na forma do decreto n.5.626, de 22 de dezembro de 2005, que regulamentou a lei n.10.436/02, de 24 de abril de 2002. A Libras foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira. A aprovação dessa lei garante o acesso e o ensino de Libras, a formação de instrutores e intérpretes e a presença de intérpretes nos locais públicos. O impacto dessa acessibilidade conduz a inserção da Libras para além das relações cotidianas entre as pessoas surdas e as ouvintes. Notam-se ainda tímidas mudanças e aguardam-se o cumprimento da lei e sua repercussão nas políticas de saúde, educação, trabalho, esporte, lazer, turismo e nos meios de comunicação (Felipe, 2003). O decreto n.5.626, de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a Libras como língua da população surda brasileira, estabelece, no art. 25: Art. 25. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Sistema Único de Saúde – SUS e as empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, na perspectiva da inclusão plena das pessoas surdas ... devem garantir, prioritariamente ..., atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis de complexidade, efetivando. I – ações de prevenção e desenvolvimento de programas de saúde auditiva; II – tratamento clínico e atendimento especializado, respeitando as especificidades de cada caso; Aspectos históricos e socioculturais da população surda v.20, n.2, abr.-jun. 2013, p.653-673 v.20, n.4, out.-dez. 2013, p.1713-1734 1729 III – realização de diagnóstico, atendimento precoce e do encaminhamento para a área de educação; IV – seleção, adaptação e fornecimento de prótese auditiva ou aparelho de amplificação sonora, quando indicado; V – acompanhamento médico e fonoaudiológico e terapia fonoaudiológica; VI – atendimento em reabilitação por equipe multiprofissional;

VII – atendimento fonoaudiológico às crianças, adolescentes e jovens matriculados na educação básica, por meio de ações integradas com a área da educação, de acordo com as necessidades terapêuticas do aluno; VIII – orientações à família sobre as implicações da surdez e sobre a importância para a criança com perda auditiva ter, desde seu nascimento, acesso à Libras e à Língua Portuguesa; IX – atendimento às pessoas surdas ou com deficiência auditiva na rede de serviços do SUS e das empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, por profissionais capacitados para o uso de Libras ou para sua tradução e interpretação; e X – apoio à capacitação e formação de profissionais da rede de serviços do SUS para o uso de Libras e sua tradução e interpretação. A população de surdos constitui grupo heterogêneo e inclui pessoas que têm vários graus de perda auditiva, utilizam diversos meios para se comunicar e pertencem a diferentes culturas (Meador, Zazove, 2005). A cultura é “onde se define não apenas a forma que o mundo deve ter, mas também a forma como as pessoas e os grupos devem ser, sendo, portanto, um campo de lutas em torno da significação do social” (Silva, 1999, p.143). A comunidade surda, que usa a língua de sinais como primeiro meio de comunicação e possui sentimento de pertencimento à cultura surda, constitui-se em um grupo com características linguísticas peculiares, com cultura, normas sociais e identidade própria. Difere dos ouvintes em virtude dos processos comunicativos e não pela alteração orgânica funcional (Skliar 1998; Machado, 2008). Segundo Strobel (2008a, p.24), as pessoas surdas “vivem em uma cultura diferente da cultura hegemônica dos sujeitos ouvintes: cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de torná-lo acessível e habitável, ajustando-o com as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas e das almas das comunidades surdas”. A língua de sinais é respaldada pela linguística, que a considera natural, com todas as características que lhe conferem o valor de língua. Os estudos culturalistas sobre surdez elegeram a língua de sinais como fator primordial da

3. Conclusão

Com os estudos realizados para a elaboração deste trabalho acadêmico, notamos que a os surdos sempre existiram e que o termo inclusão também é algo tão antigo quanto a civilização pois inicia-se com a vida. Quando se fala em escola ou em família se espera, que seja um lugar de proteção e de expressão do indivíduo, um lugar de socorro e, ainda, lugar de transmissão das regras e normas sociais. Se formos críticos e levarmos em consideração de que o deficiente auditivo é tão antigo quanto o homem e que no decorrer dos séculos o que variou foi a forma como cada civilização comportou diante do ser diferente, então passa a se observar que o mesmo não precisa ser incluído, ele já está incluído apesar de toda discriminação. Mesmo assim a inclusão nas escolas é um grande desafio, onde aceitar o ingresso e a permanência do educando surdo no ambiente escolar e tratar de maneira igual as outras, visto que o princípio fundamental da escola inclusiva é que todos os alunos sempre que possível aprendam juntos independente de suas dificuldades ou diferenças. Estas famílias de baixa renda no Brasil e em outras partes do mundo enfrentam muitas adversidades e utilizam vários recursos para garantir a sua sobrevivência e a dos seus integrantes de forma digna, e formam verdadeiras redes sociais, redes assistenciais e de solidariedade que funcionam por vezes precariamente, e nem sempre garantem a manutenção do grupo familiar. E a existência destes grupos sociais inteiros, dependem da ajuda governamental para sobreviver, e já se constitui por si motivo suficiente para a aplicação de políticas de proteção sérias e intensificadas no que se refere ás questões sociais existentes. Para estas famílias com poucas condições de cuidar dos seus a escola desempenha, ou deveria desempenhar um papel preponderante no apoio a estes, tendo em vista a importância da educação formal para se quebrar os ciclos geracionais de exclusão social, os mesmos reivindicam a opção da escola como

um fator de proteção para os filhos durante o período de tempo em que os pais precisam estar fora de casa para poder trabalhar, por isso a revolta de alguns pais quando não tem profissionais capacitados para receber seus filhos. As políticas públicas que existente ainda são muito poucas para poder suprir as deficiências existente em nossa realidade. Pois faltam projetos que possam envolver jovens e adolescentes para que se posa manter os mesmos fora das ruas e longe dos perigos que a vida impõe a estes pequenos. É necessário conhecer as particularidades dessa identidade e cultura, de modo a propiciar o desenvolvimento de habilidades comunicativas e favorecer a relação entre surdos e a sociedade. A urgência em conceber políticas de acessibilidade linguística que considerem a surdez, o surdo, sua cultura e identidade é o que vem sendo apontado nos estudos encontrados. A quantidade de reflexões sobre o tema ainda é escassa. Foram encontrados trabalhos concentrados nas ciências linguísticas e na educação. Recomenda-se o desenvolvimento de novos estudos, nas diferentes áreas de conhecimento, que possam subsidiar a criação de estratégias para a adequação das interações humanas, o desenvolvimento global dos surdos e a satisfação de suas reais necessidades, e, consequentemente, a efetivação da inclusão social do surdo.

MEADOR, Helen E.; ZAZOVE, Philip. Health care interactions with deaf culture. Journal of the American Board of Family Practice, Michigan, v.18, n.3, p.218-22. 2005. PADDEN, Carol. The deaf community and the culture of deaf people. In: Wilcox, Sherman (Ed.). American deaf culture: an anthology. Burtonsville: Lindtok Press, 1989. STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: UFSC. 2008a. STROBEL, Karin. Surdos: vestígios não registrados na história. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2008b.