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FICHA FORMATIVA PORTUGUÊS
EDUCAÇÃO LITERÁRIA 11º ANO MAIO 2025
Parte A
Texto A
Lê o poema.
HINO À RAZÃO
Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece,
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.
Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra^1 e viça^2.
Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,
Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!
Antero de Quental in, Sonetos
1: cresce, desenvolve-se. 2: dá vigor e força. Apresenta as tuas respostas de forma bem estruturada e bem fundamentada.
1. Explicita o efeito da Razão nas ações dos homens. 1.1. Destaca a expressividade da anáfora “ Por ti”. 2. Explica a complementaridade dos três conceitos enunciados no primeiro verso.
Texto B
De repente o vozeirão do Vargas dominou tudo, como um urro de toiro. Diante do
jóquei, sem chapéu, com a face a estoirar de sangue, gritava-lhe que era indigno de estar ali,
entre gente decente! Quando um gentleman duvida do juiz da corrida, faz um protesto! Mas vir
dizer que há ladrões, era só de um canalha e de um fadista, como ele, que nunca devia ter
pertencido ao Jockey Club! – O outro, agarrado pelos amigos, esticando o pescoço magro como
para lhe morder, atirou-lhe um nome sujo. Então o Vargas, com um encontrão para os lados,
abriu espaço, repuxou as mangas, berrou:
– Repita lá isso! Repita lá isso!
E imediatamente aquela massa de gente oscilou, embateu contra o tabuado da tribuna
real, remoinhou em tumulto, com vozes de “ordem” e “morra”, chapéus pelo ar, baques surdos
de murros. Por entre o alarido vibravam, furiosamente, os apitos da polícia; senhoras, com as
saias apanha das, fugiam através da pista, procurando espavoridamente as carruagens – e um
sopro grosseiro de desordem reles passava sobre o hipódromo, desmanchando a linha postiça
de civilização e a atitude forçada de decoro...
Carlos achou-se ao pé do marquês, que exclamava, pálido:
- Isto é incrível! Isto é incrível!…
Carlos, pelo contrário, achava pitoresco.
- Qual pitoresco, homem! É uma vergonha, com todos esses estrangeiros! […]
O marquês, num grupo a que se juntara o Clifford, Craft, e Taveira, continuava a
vociferar:
- Então, estão convencidos? Que lhes tenho eu sempre dito? Isto é um país que só
suporta hortas e arraiais... Corridas, como muitas outras coisas civilizadas lá de fora, necessitam
primeiro gente educada. No fundo todos nós somos fadistas! Do que gostamos é de vinhaça, e
viola, e bordoada, e viva lá seu compadre! Aí está o que é!
Ao lado dele, Clifford, que no meio daquele desmancho todo esticava mais
corretamente a sua linha de gentleman, mordia um sorriso, assegurando, com um ar de
consolação, que conflitos iguais sucedem em toda a parte... Mas no fundo parecia achar tudo
aquilo ignóbil. Dizia-se mesmo que ele ia retirar a “Mist”. E alguns davam-lhe razão. Que diabo!
Era aviltante para um belo animal de raça correr num hipódromo sem ordem e sem decência,
onde a todo o momento podiam reluzir navalhas.
Eça de Queirós, Os Maias
3. Contextualiza a ação narrada neste excerto. 4. Comenta a intenção satírica de Eça ao longo do texto. 5. Compara as opiniões e atitudes de Carlos e Clifford com as do marquês. 6. Completa as afirmações abaixo apresentadas, selecionando a opção adequada a cada espaço. Na folha de respostas, regista apenas as letras – a), b), c) – e, para cada uma delas, o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos. Algumas expressões como: “ como para lhe morder”; “atirou-lhe um nome sujo ” remetem para a ideia de___a) ____. No terceiro parágrafo, através do recurso ___b)_____ do espaço envolvente, o narrador destaca uma ___c) ____ entre os objetivos da realização das corridas e a realidade. a) b) c)
- vulgaridade
- tragicidade
- requinte
- à elipse
- à descrição
- à analepse
- discrepância
- semelhança
- aproximação Parte B O romance Os Maias tem na base da estrutura da intriga principal dois eixos que se desenvolvem em paralelo: a história de amor entre Carlos e Maria Eduarda e a crítica à sociedade finissecular.