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Tipologia: Notas de estudo
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Universidade de Aveiro
Departamento de Engenharia Mecˆanica
Mecˆanica Aplicada I
Autores
Rui P. R. Cardoso, Robertt A. F. Valente, Ricardo J. A. Sousa
Maio de 2005
como sendo igual `a soma dos momentos de in´ercia produzidos por cada ponto material em separado, ou seja:
∑^ n
i=
mi · r^2 i
Iaa =
∑^ n
i=
mi · ρ^2 i
Iπ =
∑^ n
i=
mi · z i^2 , (4)
onde n representa o numero total de pontos materiais considerados. Se agora considerarmos um corpo material, podemos dizer que esse corpo ´e constitu´ıdo por um conjunto enorme de pontos materiais, transformando assim o somat´orio da equa¸c˜ao (4) num integral definido da forma:
M
r^2 · dm
Iaa =
M
ρ^2 · dm
Iπ =
M
z^2 · dm, (5)
onde M representa a massa total do corpo. Os momentos de in´ercia produzidos por um corpo material s˜ao f´aceis de compreender se atendermos `a figura 2. Consideremos ent˜ao um elemento de volume infinitesimal com massa dm. Por defini¸c˜ao dada anteriormente, o momento de in´ercia polar e axial produzido por este elemento de volume infinitesimal ´e:
IO = r^2 · dm
Iaa = ρ^2 · dm. (6)
Claro que se somarmos a contribui¸c˜ao de todos os elementos de volume infinitesimais do corpo com massa M , obtemos o momento de in´ercia total do corpo. Ora, a soma da contribui¸c˜ao para o momento de in´ercia de todos os elementos de volume infinitesimais ´e por defini¸c˜ao igual ao integral definido, pelo que a equa¸c˜ao (5) ´e facilmente obtida. Vamos ent˜ao avaliar com mais detalhe o momento de in´ercia produzido pelo corpo de massa total M em rela¸c˜ao `a recta a − a. Para isso, vamos considerar as equa¸c˜oes (5) e a
dm
a
a
b
b
c
c
M
r
r
x
y
z
d
d
O
P
n
G
Figura 2: Momentos de in´ercia de um corpo em rela¸c˜ao a uma recta.
figura 2. De acordo com a figura 2, a distancia ρ^2 pode ser obtida atrav´es do teorema de Pit´agoras aplicado ao triˆangulo rectˆangulo da figura 2. Assim, temos que:
ρ^2 = ‖−→r ‖^2 − OP
2 , (7)
onde:
−→r = x−→ i + y−→ j + z−→ k
−→n = l−→ i + m−→ j + n−→ k (8)
e o comprimento OP ´e obtido a partir do produto interno do vector −→r com o versor −→n que d´a a direc¸c˜ao da recta a − a, ou seja:
OP = −→r · −→n = lx + my + nz. (9)
Se observarmos com aten¸c˜ao a equa¸c˜ao (12), podemos definir os produtos de in´ercia como sendo constituidos pelos seguintes termos:
Ixy =
M
xydm (16)
Ixz =
M
xzdm (17)
Iyz =
M
yzdm (18)
Ent˜ao, se substituirmos as equa¸c˜oes (13)-(18) na equa¸c˜ao (12) obtemos:
Iaa = l^2 Ixx + m^2 Iyy + n^2 Izz − 2 mnIyz − 2 nlIxz − 2 lmIxy (19)
A express˜ao anterior permite calcular o momento de in´ercia em rela¸c˜ao a uma recta a − a com orienta¸c˜ao arbitr´aria (de cossenos directores l, m e n), a partir dos momentos de in´ercia Ixx, Iyy e Izz e dos produtos de in´ercia Ixy, Ixz e Iyz. E importante referir aqui que enquanto os momentos de in´´ ercia Ixx, Iyy e Izz s˜ao sempre quantidades positivas, pois dependem do quadrado de uma distˆancia, os produtos de in´ercia Ixy, Ixz e Iyz podem tomar valores negativos. Vamos agora observar com aten¸c˜ao a figura 3. Consideremos agora os pontos P 1 e P 2 de massa elementar dm e com coordenadas P 1 = (x, y) e P 2 = (x, −y) no sistema de eixos x, y e z. Se calcularmos o produto de in´ercia Ixy produzido por estes dois pontos do corpo temos: dIxy = (xy − xy)dm = 0 (20)
Da mesma forma, considerando qualquer outro ponto do corpo, haver´a sempre um ponto sim´etrico em rela¸c˜ao ao eixo x de tal forma que a soma do produto de in´ercia produzido por esses dois pontos ser´a igual a zero. Isto acontece porque o eixo x ´e um eixo de simetria do corpo. No entanto, o mesmo j´a n˜ao ´e verdade se considerarmos o sistema de eixos A, B e C representado na figura. Como este sistema de eixos j´a n˜ao ´e um sistema de eixos de simetria, os produtos de in´ercia IAB , IAC e IBC neste sistema de eixos j´a n˜ao s˜ao nulos. Podemos ent˜ao concluir que se o sistema de eixos for de simetria do corpo, ent˜ao os produtos de in´ercia nesse sistema de eixos s˜ao nulos.
X
Y
A
B
P1=(x,y)
P3=(-x,-y) P2=(x,-y)
P4=(-x,y)
Figura 3: Produtos de in´ercia e eixos de simetria.
Chama-se raio de gira¸c˜ao ao n´umero aritm´etico R definido pela equa¸c˜ao
M R^2 = I (21)
em que M ´e a massa total do sistema e I o momento de in´ercia relativamente a um determinado elemento geom´etrico. A express˜ao do raio de gira¸c˜ao ´e
O raio de gira¸c˜ao ´e pois a distˆancia ao elemento geom´etrico de referˆencia (ponto, recta ou plano) de um ponto material onde se sup˜oe concentrada toda a massa do sistema material e tal que esse ponto tenha um momento de in´ercia em rela¸c˜ao ao elemento geom´etrico em causa igual ao do sistema material dado.
Vamos considerar a figura 4 onde temos uma placa quadrangular e dois sistemas Carte- sianos de eixos: o sistema X, Y e Z centrado no ponto O e o sistema XG, YG e ZG
Note-se que
M 2 dYGdm^ = 0 pois^
M YGdm^ representa o momento est´atico em rela¸c˜ao ao centro de gravidade do corpo, que ´e zero. Podemos ent˜ao dizer que o momento de in´ercia para um eixo paralelo ao eixo que passa no centro de massa do corpo pode ser obtido a partir do momento de in´ercia em rela¸c˜ao ao pr´oprio eixo que passa no centro de massa mais a massa do corpo multiplicada pelo quadrado da distˆancia entre os dois eixos paralelos, ou seja:
IXX = IXGXG + M d^2 (27)
Este teorema ´e conhecido como teorema de Steiner. Muitas vezes na literatura espe- cializada, a este teorema d´a-se o nome de ”teorema dos eixos paralelos”. No entanto, e em rigor, este ´ultimo ´e mais geral do que o teorema de Steiner introduzido anteriormente. Na sua vers˜ao completa, o teorema dos eixos paralelos relaciona momentos de in´ercia definidos em sistemas de eixos (paralelos) que n˜ao s˜ao necessariamente coincidentes com os eixos baricˆentricos do corpo analisado. Para o caso particular em que um dos referenci- ais ´e baricˆentrico (normalmente utilizado nas tabelas de momentos e produtos de in´ercia na literatura), o teorema dos eixos paralelos reduz-se ao teorema de Steiner.
Para os produtos de in´ercia o racioc´ınio ´e semelhante. Para isso, consideremos agora a figura 5. Podemos ent˜ao definir o produto de in´ercia elementar produzido pela part´ıcula
X
Y
XG
YG
d
YG
G
O
c XG dm
Figura 5: Referenciais para o teorema de Steiner para produtos de in´ercia
de massa dm em rela¸c˜ao ao sistema de eixos que passa pelo centro de massa do corpo
como sendo: dIXGYG = XGYGdm. (28)
Integrando em toda a massa do corpo obtemos o produto de in´ercia total:
M
XGYGdm. (29)
Considerando agora o sistema de eixos X, Y e Z, centrado no ponto O, o produto de in´ercia escreve-se:
M
(c + XG) (d + YG) dm
M
XGYG dm ︸ ︷︷ ︸ IXGYG
M
dc dm +
M
cYG dm ︸ ︷︷ ︸ 0
M
dXG dm ︸ ︷︷ ︸ 0
O teorema dos eixos paralelos aplica-se ent˜ao aos produtos de in´ercia da seguinte forma:
IXY = IXGYG + M cd (31)
Em resumo, o teorema de Steiner permite que sejam definidos os momentos de in´ercia de uma ´area plana em rela¸c˜ao a um sistema de eixos quaisquer (X′, Y ′, Z′) em fun¸c˜ao dos momentos de in´ercia relativamente a um sistema baricˆentrico (XG, YG, ZG), pass´ıveis de serem calculados por integra¸c˜ao ou atrav´es da consulta de tabelas. No entanto, h´a limita¸c˜oes para a utiliza¸c˜ao do teorema de Steiner. Ele n˜ao permite, por exemplo, que sejam relacionados momentos de in´ercia calculados em dois referenciais n˜ao baricˆentricos. Para tanto, devemos usar a express˜ao geral do teorema dos eixos paralelos na sua forma mais geral. Admitamos que conhecemos o momento de in´ercia (IH ) de um corpo com massa (M ) (figura 6), calculado em rela¸c˜ao a um eixo (H − H) que est´a posicionado a uma distˆancia (DH ) do eixo baricˆentrico (G − G). O c´alculo do momento de in´ercia (IF ), em rela¸c˜ao a um segundo eixo (F − F ), posicionado a uma distˆancia (DF ) do eixo (H − H), pode ser dado por
IF = IH + M · D^2 F + 2 · M · DH · DF (32)
Para o caso particular em que o eixo (H − H) coincide, no espa¸co, com o eixo baricˆentrico (G − G), temos que a distˆancia (DH = 0), e o teorema dos eixos paralelos em (32) reduz-se ao teorema de Steiner para momentos de in´ercia apresentado na equa¸c˜ao (27).
onde J 1 , J 2 e J 3 s˜ao os invariantes dos momentos de in´ercia e s˜ao dados pelas seguintes express˜oes:
J 1 = IXX + IY Y + IZZ
Podemos ent˜ao concluir que no sistema principal de in´ercia os produtos de in´ercia anulam- se, pelo que o tensor de segunda ordem que representa a matriz de in´ercia, ´e formado apenas com os momentos principais de in´ercia na sua diagonal (que s˜ao os referidos valores pr´oprios), sendo os restantes termos nulos, isto ´e: ⎡
⎣
O teorema de Steiner permite relacionar os momentos e produtos de in´ercia relativos a dois eixos paralelos. Vamos ver agora como podemos relacionar os momentos e produtos de in´ercia em dois sistemas de eixos ortogonais que fazem um ˆangulo (α) no plano, conforme ilustrado na figura 7. Estamos a considerar, por simplicidade, que os dois sistemas de eixos tˆem a mesma origem. Caso tenham origens diferentes, a rela¸c˜ao entre os momentos e produtos de in´ercia nos dois sistemas de eixos tem de ser feita juntamente com a com- bina¸c˜ao com o teorema dos eixos paralelos. Vamos ent˜ao admitir que conhecemos IXX , IY Y e IXY. Pretendemos agora determinar IX′X′^ , IY ′Y ′^ e IX′Y ′^ , fazendo os eixos (OX′Y ′) um ˆangulo (α) com (OXY ). As rela¸c˜oes que vamos estabelecer s˜ao v´alidas para sistemas planos ou para corpos a trˆes dimens˜oes em que os eixos (OZ) e (OZ′) s˜ao coincidentes. Consideremos ent˜ao o corpo descrito na figura 7. Conhecendo o ˆangulo plano entre os dois sistemas de eixos, ´e poss´ıvel estabelecer compara¸c˜oes entre as coordenadas do ponto (P ) relativamente a cada um dos referenciais, na forma
x′^ = x cos α + y sin α (38)
y′^ = y cos α − x sin α (39)
considerando que (α) ´e positivo no sentido anti-hor´ario. A partir das defini¸c˜oes gerais para o momento de in´ercia – equa¸c˜oes (13), (14), (15) – e produtos de in´ercia – equa¸c˜oes
O
a
a
X
X’
Y’ Y
P
x’ y’
x
y
Figura 7: Rota¸c˜ao dos eixos de in´ercia
(16), (17), (18) – e particularizando para o caso particular da figura 7, temos que
M
(y cos α − x sin α)^2 dm
= IXX cos^2 α + IY Y sin^2 α − 2 IXY sin α cos α,
M
(x cos α + y sin α)^2 dm
= IXX sin^2 α + IY Y cos^2 α + 2IXY sin α cos α
e
M
(x cos α + y sin α) (y cos α − x sin α) dm
= (IXX − IY Y ) sin α cos α + IXY
cos^2 α − sin^2 α
Atrav´es das rela¸c˜oes trigonom´etricas de base
sin (2α) = 2 sin α cos α (43)
cos (2α) = cos^2 α − sin^2 α = 2 cos^2 α − 1 = 1 − 2 sin^2 α (44)
Resolução:
a) Fazendo uso das tabelas para momentos de Inércia:
4 3
R x y π = =
A geometria do exercício pode ser obtida a partir da composição de dois quartos de círculos semelhantes aos que podem ser encontrados nas tabelas:
x
y
z
Para o sólido com espessura (t) constante representado na figura, calcule:
a) As coordenadas do centro geométrico,
b) O momento de inércia em relação ao eixo CC '
Nota: considere que 3 1 2 4 R = R
x
y
Tendo em conta que o eixo CC’ é paralelo ao eixo xx, o Teorema dos eixos paralelos (ou de Steiner) pode ser aplicado de modo a obter o momento de Inercia em relação a CC’. Então:
2 I (^) xx = ICC (^) '+ md onde 2 2 2 2 d = x + y =0.627 R 2
Deste modo,
22 ' (^22 ) 2 ' 2
0.78 0.
CC CC
mR I m R I mR