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Mecanica aplicada, Notas de estudo de Engenharia Mecânica

- - - - - - -

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 15/03/2008

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alexandre-santos-10 🇵🇹

4.3

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1
Departamento de Engenharia
Mecânica
Mecânica Aplicada I
Licenciatura em Engenharia Mecânica
Autor:
Joaquim Alexandre O. Carneiro
(Dep. de Física, Universidade do Minho)
Colaboração de
Francisco J. Queirós de Melo, Rui P.R. Cardoso, Ricardo Sousa e Robertt Valente
(Dep de Eng. Mecânica, Universidade de Aveiro)
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Mecânica

Mecânica Aplicada I

Licenciatura em Engenharia Mecânica

Autor:

Joaquim Alexandre O. Carneiro

(Dep. de Física, Universidade do Minho)

Colaboração de

Francisco J. Queirós de Melo, Rui P.R. Cardoso, Ricardo Sousa e Robertt Valente

(Dep de Eng. Mecânica, Universidade de Aveiro)

Mecânica

Cinemática da partícula – 1ª Parte

1.1 – Derivada de um vector em ordem a um escalar

Seja um vector A

r função de um escalar g : (^) A A ( g )

r r

Define-se

g

A

g

A g g A g

dg

dA g g

r r r r

0 lim 0

lim

A

r

A ( g +∆ g )

r

A ( g )

r

Notar que sendo

3

2

1

1 1 2 2 3 3

A

A

A

A Au A u A u

r r r r

vem

dg

du

u A

dg

dA

dg

du

u A

dg

dA

dg

du

u A

dg

dA

dg

dA 3

3 3

2 3 2 2

1 2 1 1

1

r

r

r

r

r

r

r

pois os versores podem depender de g!

Considere-se o caso particular em que o vector (^) A

r é o vector posição r

r de um ponto P que se

se desloca no espaço quando o tempo decorre e em que o escalar (g) é o tempo t.

Mecânica

b) Versor da normal ( η)

r

ds

d

K

r r 1 =

K

Curvatura da linha no

ponto considerado.

ds

d R

r r =

R Raio de curvatura da linha no ponto considerado.

X Por definição é

ds

d K R

r

= =

, pelo que o vector η

r acima definido tem módulo 1, i.é, é versor.

X Verifiquemos que é η τ

r r ⊥

τ

τ τ τ

τ τ τ

τ τ τ

τ τ τ τ τ

r

r r r

r r r

r r r

r r r r r

=

ds

d

ds

d

ds

d

ds

d

ds

d

ds

d

cte

Notar que não foi o facto de o módulo ser 1 que foi relevante, mas sim o facto de o módulo ser

constante!

Se um vector depende de um escalar mas tem módulo constante (i.é, se só a sua direcção

varia) a sua derivada em relação ao escalar dá um vector que lhe é perpendicular ”.

C) Velocidade (^) ( v )

r

τ

r r

r r

r

r

v

dt

ds

dt

ds

ds

dr

dt

dr

v

v

= =

A velocidade é um vector dirigido

segundo a direcção tangente à

trajectória.

Mecânica d) Aceleração ( a )

r

{

{ { { η

2

(^1) η

2

η

τ ( τ) τ

τ τ η τ η

( )

a t

t

v a R

t

d v d d v d a v v dt dt dt dt

d d d s v v como a a dt ds dt R R

d v a aceleração tangencial dt

v a aceleração normal ou centrípta R

=

= = =

= = = +

= = ⇒ = +

= →

= →

r

r r r r r

r r r r r r

À aceleração normal também pode chamar-se centrípta porque ela aponta para o centro de

curvatura da trajectória.

P 1 ( t 1 )

P 2 ( t 2 )

1

η

r

2

η

r

C 2

C 1 +

+

R 2

R 1

O “centro de curvatura” por

definição situa-se sobre a

recta normal, a uma

distância da curva, “para

dentro”, igual ao raio de

curvatura.

Mecânica

v = cte. (movimento “uniforme” no que respeita à rapidez)

η

a R

v

dt

d v dt

dv v dt

d

dt

dv a

a

r r

r r r

r r = = = + = =

=

=

2

0

O caso R = const. ⎯ movimento circular ⎯ é um caso particular deste caso particular.

1.3 – Lei do movimento

Descrever um movimento é fornecer a lei do movimento, isto é, especificar a

posição do ponto em estudo num dado sistema de referência em todos os instantes de

tempo por meio de uma expressão

qqsistdecoord z z t

y y t

x x t

r r t

r r L

È claro que as equações anteriores são as equações paramétricas da trajectória, sendo

o parâmetro o tempo. As equações cartesianas da trajectória obtêm-se pois por eliminação

do tempo.

Ex.

r r r

datrajectóri a

eqcartesiana datrajectória

eq paramétricas

z

x

y

z

y t

x t

t

t

r ti t j

.

2

.

2 2 2

1.3.1 – Problemas fundamentais da cinemática

)

( ( )

0 nocasogeral

funçãodotempo t t dado

condiçõesiniciais

Dados ro vo a t

r

r r

=

Mecânica ( )

x t

Determinar r t y t lei do movimento

z t

r

È o problema mais frequente. Vejamos o método de resolução no caso particular de o vector

aceleração ser constante.

0 0

0 0

0 0

∫ ∫

v v at se t

v v a t t

dv adt

dv adt

dt

dv

a

t

t

v

v

r r r

r r r

r r

r r

r

r

r

r

∫ ∫

t

t

t

t

r

r

r r vdt

dr vdt

dr vdt

dt

dr

v

0

0 0

0

r r r

r r

r r

r

r

r

r

2 0 0

r r v t a t

Logo

r r r r

Ex.

x

y

r 0

r

v 0

r

g g j

r r =−

trajectória? (^) : 2 ; ( ); ( ) Dados r 0 j v 0 i j a g cte

r r r r r r r = = + =

z

y

x

t gt

t

t gt

t

r

r r v t at

eq paramétricas

r

r r r r

.

2 2

2 0 0

Mecânica 1.3.2.2 – Movimento circular

Neste caso é preferível utilizar a representação polar:

x

y

R

O

θ^ τ

r r u

u ρ

r

r d θ

≡−

ρ

θ r r

r r

u

u

ds

Velocidade / aceleração:

θ ρ

ρ

θ θ

η

θ θ

τ η

θ

θ θ

τ τ

a R u R u

Então

u

R R

dt

d

dt

d s

dt

dv

R

v

dt

dv a

R R cte dt

d ds Rd v R dt

ds v

v dt

ds v

r &

r &&

r

r r

r r r

r r r

2

2

2

2

Define-se: Mecânica

θ−ângulo de rotação [rad]

ω−velocidade angular [rad/s]

α− aceleração angular [rad/s 2 ] ⎪

Aceleração angular dt

d

dt

d

Velocidadeangular dt

d

2

2

Vector velocidade angular, ou Vector rotação

Define-se vector velocidade angular como um vector tal que

ω

1º ω ω

2º ω

v R

Notar

r R

trajectória

r r^ r

r (^) r r r

r

Existe uma dualidade entre os movimentos de

rotação e os de translação, que pode ser

expressa pelas correspondências:

a ou

v ou

x

θ

ω α

θ

θ ω

dt

d

dt

dv

a

dt

d

dt

dx

v

x y y x

z x x z

y z z y

z

y

x

z

y

x

z

y

x

r r

r r

r r

r

r

r

v

v

v

z

v R

r r r

r

r

x

y

ω

r

R

r

O

A

Mecânica

x

z

y o

V (^) esfera/Carro v (^) carro

Vesfera/carro - Velocidade da esfera em relação ao carro

Vesfera/solo- Velocidade do carro + Velocidade da esfera em

relação ao carro

2 - Cinemática da partícula – 2ª Parte

2.1 - Movimento Relativo de translacção

x (^) o

zo

y (^) o

x (^1)

z 1

y (^1)

rA

r

A

B

rB

r

rB/ A

r

Referencial fixo

Referencial móvel solidário com A

Na figura seguinte estão representados a posição de duas partículas onde os vectores r (^) A e r (^) B

são as posições absolutas dessas partículas. A posição relativa entre as duas partículas é

definida pelo vector r (^) B/A , e representa a posição da partícula B em relação à partícula A.

Trajectória da partícula A

rA

r

  • Posição absoluta da partícula A

rB

r

  • Posição absoluta da partícula B
    • Posição relativa da partícula B em relação à

partícula A e ao eixo móvel.

rB/A

r

Mecânica

¾ Posição :A posição da partícula B é definida como a soma vectorial da posição

absoluta da partícula A e a posição relativa da partícula B em relação à partícula A

rA

r

r B

r

rB/ A

r

rB rA rB / A

r r r = +

¾ Velocidade :A velocidade da partícula B é determinada a partir das derivadas

dos vectores posição em ordem ao tempo.

v (^) B vA vB / A

r r r = +

sãomedidosapartirdoreferencial fixo.

sãovelociadesabsolutas,porque dt

dr e v dt

dr Onde v

B B

A A

r r

r r = =

/ A velocidade relativa (^) / é observada a partir do referencial móvel B A B A

dr v dt

=

r r

v B

r

v A

r

vB/ A

r

¾ Aceleração :Através da derivada no tempo da velocidade é obtido aceleração

absoluta e relativa, cuja relação é semelhante à obtida com os vectores posição.

aB aA aB / A

r r r = +

a A

r a B

r

aB/ A

r

1 1 1

B/A B/A

solidáriocomoeixomóvelx,y,z

éaaceleraçãoBqueobservamosquandoseestácolocadoemAe dt

dv Ondea

r r =

Mecânica 2.2 – Sistemas em movimento relativo de rotação

Considerem-se dois sistemas de referência centrados em O, um OXYZ fixo e outro

rotativo em torno do eixo fixo OA ; seja Ω a velocidade angular do sistema Oxyz num

dado instante (ver figura). Considere-se agora uma função vectorial Q (t) representada

pelo vector Q aplicado em O; como o tempo t varia, tanto o módulo como a direcção de

Q variam. Como a variação de Q vista por um observador que usa o sistema OXYZ

como referência é diferente da variação de Q vista por um que usa o sistema Oxyz, deve-

se esperar que a derivada de Q dependa do sistema que for tomado como referência.

portanto, devemos designar por ( Q &^ ) OXYZ a derivada de Q em relação ao sistema fixo OXYZ

e por ( Q^ &^ ) Oxyz a derivada em relação ao sistema rotativo Oxyz. Propomo-nos determinar a

relação entre estas duas derivadas.

O X

Y

Z (^) z

x

y

i

j

k

A

Ω

Q

Em primeiro lugar iremos decompor o vector Q em componentes segundo os eixos x, y e z do

sistema rotativo. Designando por i, j e k os versores correspondentes, escrevemos

Q Qxi Qyj Qz k

r (^) r r r = + +

Derivando a expressão anterior em ordem ao tempo, e considerando os versores i, j e k como

fixos (pois para um observador em Oxyz são fixos), obtemos a derivada de Q em relação ao

sistema rotativo Oxyz.

Q (^) Oxyz Qxi Qyj Qz k

r &

r &

r &

r = + +

Mecânica

Para obter a derivada de Q em relação ao sistema fixo OXYZ, devemos considerar os

versores i,j e k como varáveis (móveis) quando derivamos Q

[ ]

dt

dk Q dt

dj Q dt

di Q Qi Q j Qk Q

dt

dk Qk Q dt

dj Q j Q dt

di Q Qi Q

Qi Q j Qk dt

d Q

x y z

Q

OXYZ x y z

OXYZ x x y y z z

OXYZ x y z

Oxyz

r r^ r

r &

r &

r &

r

r r &

r r &

r r &

r

r r r r

r

se o vector Q estivesse fixo dentro do sistema Oxyz , uma vez que

Observamos que a derivada de ( Q^ &^ ) OXYZ se reduziria aos três últimos termos da expressão anterior

( Q ) Oxyz & (^) seria então nulo.

Mas, neste caso, ( Q &^ ) OXYZ representaria a velocidade de um ponto material localizado na ponta

de Q e pertencente a um corpo rigidamente ligado ao sistema Oxyz. Então os três últimos

termos da referida expressão representam a velocidade desse ponto material; como o sistema

Oxyz tem uma velocidade angular Ω em relação a OXYZ, no instante considerado, escrevemos

Q

dt

dk Q dt

dj Q dt

di Q

k dt

dk

j dt

dj

i dt

di

x y z

r^ r

r r r

r r

r

r r

r

r r

r

Sendo assim, obtemos a relação fundamental :

Q OXYZ QOxyz Q

r^ r

r r

Mecânica

A aceleração absoluta a (^) P do ponto material é definida como a derivada de vP em relação ao

sistema fixo OXYZ. Calculando as derivadas em relação a OXYZ dos termos da relação

fundamental, escrevemos

P P [^ rOxyz ]

dt

d

a v r r

r

&r r r

r r

onde todas as derivadas estão definidas em relação a OXYZ, excepto onde for indicado de outro

modo. Relembrando a relação fundamental, observamos que o último termo da expressão

anterior pode ser expresso como:

rOxyz rOxyz r Oxyz

dt

d

r r

r

r

[ ]= +Ω∧

Por outro lado, (^) r &

r representa a velocidade v (^) P e pode ser substituído pelo membro do lado direito

da expressão representativa da velocidade absoluta vP apresentada anteriormente. Assim, ficará

P Oxyz Oxyz

P Oxyz Oxyz Oxyz

a r r r r

a r r r r r

r& r r r r r r

r r

r r

r r r

r &r r r r

O primeiro termo desta última relação representa a aceleração relativa aP/M do ponto P em

relação ao sistema rotativo. A aceleração de transporte será a que existir quando a velocidade

relativa (e portanto também a aceleração relativa) for nula e corresponde à soma do 2º e terceiro

termo da expressão anterior e está associada à aceleração a (^) P’ do ponto P’ do sistema móvel que

coincide com P no instante considerado. Ao termo que “sobra” chama-se “ aceleração

complementar ou de Coriolis ” em homenagem ao matemático francês De Coriolis (1792 – 1843).

Note-se que a aceleração de Coriolis só existe se existirem simultâneamente :

P M

to

to

mov relativo v

mov detransporte

r

r

e se além disso, não for vPM

r (^) r Ω //

aP ap aPM ac

r r r r

Mecânica

Exemplo de aplicação: Considere-se um ponto P materializado por uma cursor que se

move em translação (parâmetro s ) com velocidade constante u ao longo de uma barra OB ,

que por sua vez gira com velocidade angular constante ω em torno de O e no plano vertical.

Determinar a aceleração do ponto P.

a P ap aPM ac

r r r r

s

P

B

u = s &

O

ω

ac = 2 ω u

2

a P '= s ω

x

y

c P M

PM

p

a v

a poisuéconst

a OP OP

r r r

r r

r r &

r r

→ →

=

0

Ficará:

= =

2

2

'

u

S

a

u

S

a S u

S u

a

P

P

a a

P

P c

r

r

r

r r