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Nim indiano - embrapa, Notas de estudo de Agronomia

Utilização do Nim no Controle de Pragas e Doenças de Plantas

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 14/01/2015

Genival
Genival 🇧🇷

4.3

(3)

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Cultivo e Utilização do Nim Indiano
Introdução
Até há pouco tempo, o homem assistia sem muita preocupação ao uso
indiscriminado de fertilizantes e de agrotóxicos que contaminam o solo e
os recursos hídricos como os aqüíferos, lagos e rios, além de causarem
danos à população. Silenciosamente, verificou-se o crescente número de
mortes de trabalhadores rurais intoxicados pelo manuseio de agrotóxicos
sem proteção adequada. Mesmo com a difícil adaptação aos novos meios
de vida, o mundo assiste hoje a uma reformulação no modo de vida.
Valores naturais e ecológicos retornam com grande força, na determinação
de novos preceitos, em todas as áreas do conhecimento científico e na
vida cotidiana das pessoas. Na alimentação, produtos de boa qualidade
com menos agrotóxicos são exigências constantes da população mais
esclarecida, que procura uma vida mais saudável. Corantes, aromatizantes,
flavorizantes e conservantes naturais têm sua procura aumentada.
Na medicina, produtos originários de plantas ocupam um espaço cada vez
maior na terapêutica. Todas essas necessidades envolvem anualmente
cifras de bilhões de dólares e sua demanda tem sido crescente. A ciência
moderna verificou que certos vegetais possuem substâncias tóxicas que
somente têm ação sobre os animais de sangue frio, não apresentando
perigo algum para o homem e demais animais de sangue quente. Outras
vantagens são qualitativas, como a redução da dependência dos
agricultores em relação ao mercado de fertilizantes e agrotóxicos
controlados por grandes empresas.
Após a segunda grande guerra, a agricultura passou a ser considerada
atividade de interesse fundamental na economia dos povos. Até então, a
única forma de combater as pragas agrícolas que se conhecia era através
de plantas inseticidas. Com o fim da segunda guerra mundial, os
agrotóxicos, antes utilizados para combater homens e desinfetar áreas de
invasão, foram rebatizados e passaram a se chamar defensivos, para serem
empregados em larga escala no controle das pragas agrícolas. Atualmente,
em todo o mundo, o combate às pragas vem sendo feito através de
aplicação de inseticida, principalmente organo - sintéticos. Somente o
emprego desse método, entretanto, não está conseguindo reduzir as
perdas, apesar da grande quantidade anualmente despejada nas lavouras.
O volume de agrotóxicos usados no mundo chegou a ultrapassar 20.000
toneladas de ingredientes ativos na década de 90.
Apesar de o uso de inseticida ser benéfico dentro do manejo integrado de
pragas, a falta de conhecimento sobre o seu manuseio adequado e o
número de pulverizações cada vez maiores, com doses excessivas, podem
contribuir para proporcionar efeitos maléficos, como contaminações do
solo e da água, destruição dos insetos benéficos à vida selvagem,
envenenamento do homem e animais domésticos, além de causar
problemas de resíduos nos produtos agrícolas e desenvolver resistência das
pragas. Pelo menos 500 espécies de artrópodes têm desenvolvido
resistência para um ou mais inseticidas.
Por estas razões, é necessário que os agentes de controle das pragas sejam
específicos, biodegradáveis, que sejam usados em doses e modos
adequados, para evitar que se tornem resistentes e exigidos em grandes
quantidades, dispendiosos para o usuário. Além disso, o acervo
bibliográfico a respeito das plantas inseticidas praticamente ficou
Santo Antônio de
Goiás, GO
Dezembro, 2003
Autores
62
ISSN 1678-9636
Belmiro Pereira das Neves
Lic. Ciência Agrícola,
Doutor em Entomologia
Aplicada
Embrapa Arroz e Feijão
Itamar Pereira de Oliveira
Engº Agº. Doutor em Solos
e Nutrição de Plantas
Embrapa Arroz e Feijão
João Carlos Mohn
Nogueira
Engº Agº. Mestre em
Produção Vegetal
Agenciarural
Rua Jornalista Geraldo
Vale n° 331 Setor
Universitário
Goiânia, GO.
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Cultivo e Utilização do Nim Indiano

Introdução

Até há pouco tempo, o homem assistia sem muita preocupação ao uso indiscriminado de fertilizantes e de agrotóxicos que contaminam o solo e os recursos hídricos como os aqüíferos, lagos e rios, além de causarem danos à população. Silenciosamente, verificou-se o crescente número de mortes de trabalhadores rurais intoxicados pelo manuseio de agrotóxicos sem proteção adequada. Mesmo com a difícil adaptação aos novos meios de vida, o mundo assiste hoje a uma reformulação no modo de vida. Valores naturais e ecológicos retornam com grande força, na determinação de novos preceitos, em todas as áreas do conhecimento científico e na vida cotidiana das pessoas. Na alimentação, produtos de boa qualidade com menos agrotóxicos são exigências constantes da população mais esclarecida, que procura uma vida mais saudável. Corantes, aromatizantes, flavorizantes e conservantes naturais têm sua procura aumentada. Na medicina, produtos originários de plantas ocupam um espaço cada vez maior na terapêutica. Todas essas necessidades envolvem anualmente cifras de bilhões de dólares e sua demanda tem sido crescente. A ciência moderna verificou que certos vegetais possuem substâncias tóxicas que somente têm ação sobre os animais de sangue frio, não apresentando perigo algum para o homem e demais animais de sangue quente. Outras vantagens são qualitativas, como a redução da dependência dos agricultores em relação ao mercado de fertilizantes e agrotóxicos controlados por grandes empresas. Após a segunda grande guerra, a agricultura passou a ser considerada atividade de interesse fundamental na economia dos povos. Até então, a única forma de combater as pragas agrícolas que se conhecia era através de plantas inseticidas. Com o fim da segunda guerra mundial, os agrotóxicos, antes utilizados para combater homens e desinfetar áreas de invasão, foram rebatizados e passaram a se chamar defensivos, para serem empregados em larga escala no controle das pragas agrícolas. Atualmente, em todo o mundo, o combate às pragas vem sendo feito através de aplicação de inseticida, principalmente organo - sintéticos. Somente o emprego desse método, entretanto, não está conseguindo reduzir as perdas, apesar da grande quantidade anualmente despejada nas lavouras. O volume de agrotóxicos usados no mundo chegou a ultrapassar 20. toneladas de ingredientes ativos na década de 90. Apesar de o uso de inseticida ser benéfico dentro do manejo integrado de pragas, a falta de conhecimento sobre o seu manuseio adequado e o número de pulverizações cada vez maiores, com doses excessivas, podem contribuir para proporcionar efeitos maléficos, como contaminações do solo e da água, destruição dos insetos benéficos à vida selvagem, envenenamento do homem e animais domésticos, além de causar problemas de resíduos nos produtos agrícolas e desenvolver resistência das pragas. Pelo menos 500 espécies de artrópodes têm desenvolvido resistência para um ou mais inseticidas. Por estas razões, é necessário que os agentes de controle das pragas sejam específicos, biodegradáveis, que sejam usados em doses e modos adequados, para evitar que se tornem resistentes e exigidos em grandes quantidades, dispendiosos para o usuário. Além disso, o acervo bibliográfico a respeito das plantas inseticidas praticamente ficou Santo Antônio de Goiás, GO Dezembro, 2003 Autores

ISSN 1678- Belmiro Pereira das Neves Lic. Ciência Agrícola, Doutor em Entomologia Aplicada Embrapa Arroz e Feijão [email protected] Itamar Pereira de Oliveira Engº Agº. Doutor em Solos e Nutrição de Plantas Embrapa Arroz e Feijão [email protected] João Carlos Mohn Nogueira Engº Agº. Mestre em Produção Vegetal Agenciarural Rua Jornalista Geraldo Vale n° 331 Setor Universitário Goiânia, GO.

estacionado desde os anos 40, época em que era bastante desenvolvido o comércio e a pesquisa da rotenona e de outras plantas com as mesmas propriedades. Vários pesquisadores e institutos trabalham para desenvolver fórmulas e métodos que permitam a utilização crescente dos inseticidas de origem vegetal. Em Honolulu, no Havaí, o botânico Salen Ahmed coordena um projeto pelo qual catalogou e iniciou o estudo sistemático de duas mil plantas, que são reconhecidas como tóxicas para diversos insetos.

São inúmeras as plantas possuidoras de poderes inseticidas, fungicidas e raticidas, que deveriam não apenas ser pesquisadas em profundidade como também introduzidas nas propriedades agrícolas como fonte alternativa no controle de pragas. Entre elas, destacam-se:

Saboneteira (Sapindus saponaria L.), que controla piolho e pragas de grãos armazenados; Esporinha (Delphinium agacis L.), que atrai e mata larvas de gafanhotos; Cravo-de-defunto (Tagetes minuta), que, além de nematicida, é repelente de pulgões; Tímbó ( Lonchocarpus utilis L.), cujo princípio ativo é um alcalóide, a rotenona que é tóxica a animais de sangue frio; e Nim ( Azadirachta indica ), que é o objeto desta revisão, cujas propriedades inseticidas e nematicidas já foram comprovadas em nível de laboratório e campo.

Origem e descrição botânica do Nim

O Nim, ou Amargosa ( Azadirachia indica A. Juss), syn Antelara azadirachta , Melia azadirachta L., é uma árvore frondosa que pertence á família Meliaceae (Figura 1), a mesma da Santa Bárbara ou Cinamomo, Cedro ou Mogno. É uma planta de origem asiática. Natural de Burma e das regiões áridas do subcontinente indiano, onde existem, aproximadamente, 18 milhões de árvores. É cultivada atualmente nos Estados Unidos, Austrália, países da África e América Central. É utilizado há mais de 2000 anos na Índia para controle de insetos pragas (mosca-branca, minadora, brasileirinho, carrapato, lagartas e pragas de grãos armazenados) nematóides, alguns fungos, bactérias e vírus, na medicina humana e animal, na fabricação de cosmético, reflorestamento, como madeira de lei, adubo, assim como paisagismo.

Fig. 1. Árvore do Nim.

É uma planta muito resistente e de crescimento rápido, que alcança, normalmente, de 10 a 15 m de altura e, dependendo do tipo de solo e das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da planta, pode atingir até 25 m. Com um ano, a planta chega a 1,5 m e com 5 anos, a 8 m. O sistema radicular atinge 15 m de profundidade. Sua madeira é avermelhada, dura e resistente.

As folhas são verde-escuras, compostas e imparipinadas, com freqüência aglomerada nos extremos dos ramos simples e sem estípulas. As flores são de coloração branca (Figura 2) e aromáticas, reunidas em inflorescências densas (cimas agrupadas em panículas), com os estames crescentes formando um tubo (por união dos filamentos) actinomórficas, pentâmeras e hermafroditas_._ O fruto é uma baga ovalada (Figura 3) com 1,5 a 2,0 cm de comprimento e, quando maduro, apresenta polpa amarelada e casca (tegumento) branca dura contendo um óleo marrom no interior de uma semente ou, raramente, em duas.

Fig. 2. Inflorescência do Nim.

por doenças fúngicas devido à menor concentração por unidade de área, produção de mudas com sistema radicular de melhor conformação e, finalmente, produção de mudas com menor custo unitário. Nesse processo, utiliza-se o enviveiramento das mudas, cumprindo-se os procedimentos descritos a seguir.

Deve-se escolher um terreno que tenha boa drenagem, não sujeito a encharcamento e próximo a uma fonte de água. As embalagens utilizáveis para o semeio podem ser sacos de polietileno, de 11 x 20 cm, que devem ser perfurados para a drenagem. O enchimento desses recipientes pode ser feito com terra do subsolo, isenta de sementes de plantas daninhas e microrganismos patogênicos. Esta prática elimina a necessidade de se proceder à desinfestação, concorrendo para diminuir os custos de produção das mudas. Geralmente, o subsolo contém níveis baixos de nutrientes que podem ser corrigidos com fertilização mineral.

Quanto às propriedades físicas, o substrato deverá ser, de preferência, argilo-arenoso, a fim de que, retirado o saco plástico no plantio, o bloco com a muda não desintegre facilmente, ocasionando perdas de mudas no campo. O solo suporte utilizado como substrato deve conter 30% de areia, 30% de solo e 40% de matéria orgânica.

Antes de ser colocada dentro dos sacos plásticos, a terra geralmente é passada em peneiras de 1,0 m de largura e 2,0 m de comprimento, e malhas de 1,5 mm. Para facilitar esta operação, são instaladas em cavaletes com inclinação em torno de 45o^ C.

O enchimento das embalagens pode ser feito manualmente, com auxílio de pás, funis ou moegas, cujo rendimento é superior ao dos métodos anteriores. Mas, para o bom rendimento desta operação, é imprescindível que a terra peneirada esteja bem seca.

Durante o transporte das embalagens para o local do encanteiramento, é comum a perda parcial do substrato, que deverá ser suplementado para que o volume total seja complementado. A não observância de tal procedimento resulta no fato de que, efetuada a irrigação dos canteiros, as bordas dos sacos tendem a dobrar-se e permanecer nessa posição, impedindo a germinação, Proliferação de patógenos podem ocorrer em

ambiente com umidade elevada inviabilizando o desenvolvimento da plântula em um período de seis a oito semanas. Por isso as sementes prontas para o plantio devem estar limpas e secas, armazenadas em temperatura na faixa de 23 a 25o^ C. Normalmente a melhor germinação ocorre em temperatura acima de 20ºC em profundidade de 1,5 cm.

Cultura de tecidos

Esta técnica ainda é pouco usada no cultivo do Nim, mas bastante promissora em virtude de possibilitar a obtenção de grande número de plantas através do envolvimento dos propágulos, num curto espaço de tempo, em áreas reduzidas de laboratório. Além disso, permite que se projete com precisão a entrega futura de mudas prontas para o plantio na quantidade e época desejadas.

Preparo do solo

Apesar da grande rusticidade das espécies pertencentes às famílias das Meliaceae, as plantas respondem positivamente em solos bem-preparados, principalmente nas áreas sob vegetação de cerrado.

A operação, quando possível, deve ser mecanizada e constituída de aração e gradagem. Pode-se também efetuar apenas a gradagem pesada, seguida de uma leve, com o objetivo de homogeneizar e desterroar o solo. É importante que pelo menos uma camada de 15 a 20 cm de profundidade seja revolvida. Caso essa operação não seja possível, pode-se apenas proceder à abertura das covas, que devem guardar o espaçamento de, no mínimo, 40 x 40 x 40 cm. O tamanho das plantas a serem levadas para o campo definitivo deve ser de 20 cm de altura, com uma idade de três meses.

Cultivo

Espaçamento

A escolha do espaçamento está condicionada aos objetivos propostos para a exploração do Nim. Para a produção de carvão ou caibros, o desejável é cortar a madeira mais fina e de menor porte e em um ciclo mais curto, quando se podem adotar espaçamentos menores, de 2

x 2 m a 4 x 4 m. A partir do terceiro ano, quando iniciar o processo de competição das plantas devido ao espaçamento estreito, pode- se, também, realizar cortes em série ou alternados entre elas. Tal procedimento é recomendável quando o material produzido é destinado para fins industriais, farmacológicos ou para produção de sementes para exportação e ao fabrico do próprio inseticida a ser empregado no controle de pragas. Para que as árvores apresentem um bom desenvolvimento para produção de madeira, o excesso de plantas deve ser desbastado, deixando um espaçamento de 8 x 8 m. As árvores cortadas podem ser utilizadas para fabricação de móveis, lenha, carvão, postes e outros utensílios. As árvores que restaram no campo vão servir para colheita de frutos e de folhas destinadas a comercialização e preparo de extratos.

Coveamento ou Sulcamento

Estas operações estão inteiramente associadas ao método de preparo do solo. Quando este é mecanizado, pode-se fazer o sulcamento com sulcador ou arado de aiveca motorizado ou tração animal.

Os sulcos devem ser feitos de acordo com o espaçamento, seguindo a declividade do terreno em curva de nível. No caso de áreas planas, dispensa-se este cuidado.

Para plantios em que houve preparo prévio do solo, procede-se à marcação das covas utilizando-se cordas ou arames, levando-se em conta o espaçamento a ser adotado para o plantio, Em seguida, realiza-se a abertura das covas, manual ou mecanicamente, com 40 x 40 x 40 cm, que irão receber de 3 a 10 kg de esterco de gado curtido. Ao solo oriundo da operação de coveamento, adicionam-se cerca de 200 g de adubo formulado 4-30-16 + Zn. Em solos de fertilidade média a alta, pode-se usar somente 10 kg de esterco curtido. Em solos com baixa capacidade de drenagem, colocar ¼ de areia.

Plantio

O sucesso do plantio está diretamente relacionado à coincidência do início da estação chuvosa da região.

As mudas devem ser distribuídas entre as covas, manualmente ou com o auxílio de trator com carreta ou carroça de tração animal, e plantadas no mesmo dia para evitar ressecamento. No caso das mudas produzidas em saco plástico, deve-se ter o cuidado de retirá-lo na hora do plantio.

A muda é colocada no interior da cova ou sulco e coberta com terra, de forma que o torrão não fique exposto e a parte do caule não seja recoberta. Deve-se realizar uma pequena compactação da terra em torno da muda, para fornecer maior firmeza à planta.

Decorridos 30 dias após essa operação, deve- se percorrer a área plantada para avaliar a porcentagem de falhas, através de simples contagem. Caso esta contagem seja superior a 5%, procede-se ao replantio de todas as falhas.

Aconselha-se manter a área limpa, podendo intercalar culturas anuais durante os primeiros anos. O tronco das plantas deve ser mantido sem ramificações até 1,5 m de altura; posteriormente os ramos devem ser podados regularmente. Os ponteiros devem ser podados a 2,50 m. A árvore não fica muito alta, a copa desenvolve melhor, há maior produção de frutos e a colheita é facilitada. A partir do terceiro ano, deve-se fazer a poda de frutificação, durante ou após a primeira colheita. Recomenda-se podar os galhos que crescem mais de 3,5 m, devendo-se deixar pelo menos 7 cm do galho na planta mãe.

Tratamento Fitossanitário - Combate às
Formigas

Após a implantação da cultura, deve-se ter o cuidado em iniciar o combate às formigas pertencentes aos gêneros Atta e Acromyrmex (saúva e quenquéns), cujos danos constituem um dos fatores limitantes de sucesso em florestas recém-implantadas. A eficiência desta operação vai depender das condições ambientais do tipo de formigueiro e dos equipamentos disponíveis.

Entre os produtos encontrados no mercado, destacam-se os de forma sólida (granulado ou pó), líquidos (termonebulizável) e gasosos (praticamente em desuso), que permitem combater as formigas em qualquer situação.

Secagem dos Frutos

Depois de estarem devidamente despolpados, os grãos são colocados ao sol em camadas finas, sobre terreiros cimentados, ou seja, semelhantes aos utilizados na secagem de outros produtos, como cacau, café e cereais. Deve-se evitar, sempre que possível, o contato com a umidade para não ocorrer o mofamento dos grãos. Esta operação requer a exposição em um único dia de sol. Posteriormente, o produto é transportado para locais sombreados durante dois dias.

Caso a colheita coincida com o período chuvoso, deve-se proteger os grãos colhidos mediante o uso de uma cobertura plástica para evitar os possíveis danos decorrentes da chuva.

Outro cuidado de suma importância ao proceder a essas operações consiste no recolhimento e acondicionamento do produto em sacos de aniagem, para permitir uma boa aeração e evitar, assim, o aparecimento de fungos que possam deteriorar os grãos.

Satisfeitas essas condições básicas, pode-se armazenar o produto por mais de um ano.

Potencial de uso da planta

Uso Medicinal

Desde os tempos remotos, o uso do Nim tem sido documentado na literatura Ayurvérdica, especialmente no Charaksamhita e no sistema medicinal UNANI. Frutos, sementes, óleo, folhas, casca do caule e raízes têm os mais variados usos anti-sépticos, antimicrobianos, nos distúrbios urinários, diarréias e doenças do couro cabeludo. O óleo e seus isolados inibem o desenvolvimento de fungos sobre o homem e animais. A ação antimalárica é atribuída ao gedunine, um limonóide. Tabletes e injeções contendo em suas formulações extratos de Nim são usados no tratamento de malária crônica.

O uso do extrato de Nim, ou azadiractina, tem sido usado para a imunização de pacientes picados pelo inseto Rhodnius prolixus , vetor do protozoário parasita Trypanosoma cruzi ,

responsável pela proliferação da doença de Chagas, comum na América Latina_._

As folhas são usadas contra erupções cutâneas e abcessos, e o suco das folhas é utilizado contra vermes intestinais.

São inúmeras as doenças às quais a humanidade é suscetível. A busca incessante de métodos alternativos, visando a debelar essas doenças, e a diminuir o crescimento populacional têm-se constituído num grande desafio na última década. O controle da população é dificultado à medida que anticonceptivos se tornam caros às populações de baixa renda. Além disso, há falta de informação e interferência de grupos religiosos que condenam esses métodos.

Pesquisas recentes têm indicado que derivados do Nim podem ser valiosos contraceptivos. O óleo do Nim apresenta ação espermaticida. “Sensal”, um econômico produto baseado no óleo do Nim, é um espermaticida que está sendo produzido em larga escala na Índia. Uma única aplicação intra-uterina de óleo de Nim tem sido experimentada como bloqueador da fertilidade por cinco meses em ratos. Implicações no controle da fertilidade humana estão sendo examinadas.

Indústria de Cosméticos

O óleo do Nim é usado para a fabricação de xampu, óleo para cabelo, tônico capilar e óleo para unha (Figura 7). Na Alemanha, do tanino da casca do caule fabricam-se sabonete e pasta dental.

Fig. 7. Cosméticos do Nim.

Como Fertilizante

O Nim tem mostrado um considerável potencial como fertilizante, principalmente quando usado para aumentar a eficiência do uso de fertilizantes nitrogenados. Sabe-se que esses fertilizantes são essenciais porém caros para obtenção de altos rendimentos de cultivares modernas. Sendo antimicrobial, a torta de Nim ou o extrato misturado com fertilizantes nitrogenados podem reduzir substancialmente as perdas de volatilização da amônia causadas por bactérias nitrificantes no solo. A causa da lenta nitrificação, após aplicarem-se extratos da pasta e do óleo, pode ser atribuída à redução da população de bactérias nitrificadoras.

A pasta do Nim tem sido utilizada para adubar plantações comercias, principalmente a cana-de-açúcar e hortaliças como fonte de nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e potássio. No solo, protege as plantas de nematóides e alguns tipos de formigas.

As folhas e galhos verdes têm sido usados diretamente em solos de cultivos intensivos, jogados em áreas encharcadas de arrozais antes de as mudas serem transplantadas.

O processo de obtenção da torta é relativamente fácil, pois a pasta resultante da prensagem das sementes é o adubo orgânico promissor. Considera-se que 56% do nitrogênio livre em 60 dias foi processado, enquanto em sementes não-prensadas resultou somente 43% de nitrogênio disponível para a planta. Quando os extratos alcoólicos da pasta são misturados com uréia e sulfato de amônia, os altos níveis de nitrato são convertidos até aos 70 dias.

Vários estudos sob condições de campo com arroz têm mostrado que muitos preparados do Nim (extrato acetônico das sementes do Nim com uréia, 100 a 200 kg/ha) foram efetivos no aumento da produção de grãos e das proteínas contidas no arroz. No caso da cana-de-açúcar, quando se utilizou o Nim triturado e misturado com uréia, foram obtidos bons resultados com a aplicação de 125 a 250 kg/ha. Ao incorporar a pasta do Nim a 20% no solo, tem-se obtido bons resultados de produção do algodoeiro.

Por essas razões, o emprego alternativo da pasta de Nim como fonte de adubo orgânico

pode constituir-se num dos fatores decisivos para a redução dos custos de produção.

Produção e Utilização de Biomassa

Após a maturação, as árvores de Nim rendem entre 10 e 100 toneladas de matéria seca/ha, dependendo das chuvas, condições do local, espaçamento e genótipo. As folhas abrangem cerca da metade da biomassa, enquanto os frutos e a madeira, cerca de um quarto cada. O manejo adequado do estande pode propiciar rendimentos de até 15 m^3 aos quatro anos de idade e 40m 3 /ha aos dez anos, de madeira de alta qualidade.

A madeira do Nim é dura, relativamente pesada, e usada na confecção de carretas, ferramentas e implementos agrícolas. Por ser durável e resistente, é utilizada no fabrico de postes para cercas, casas e móveis. Os postes de Nim são especialmente importantes nos países em desenvolvimento. O Nim cresce rápido e é uma boa fonte de lenha e combustível, tendo o carvão alto valor calorífico.

Emprego em Reflorestamento

O Nim é um espécie silvícola valiosa na Índia e na África e está se tornando popular na América Central. Por ser uma árvore robusta, é ideal para programas de reflorestamento e para recuperação de áreas degradadas, áridas e costeiras. Num período de severa estiagem no Estado de Tamil Nãdu, na Índia, em junho/ julho de 1987, foi observado que o Nim se recuperou e se desenvolveu bem, o que não ocorreu com outras espécies vegetais.

O Nim é usado como quebra-vento e, em áreas de poucas chuvas e ventos fortes, protege as culturas da dessecação. Na Nigéria, o Nim é usado como quebra-vento em plantações de milho, resultando em 20% de aumento da produção de grãos. No Quênia é usado como quebra-vento em plantações de sisal.

Entre a Somália e a Mauritânia, o Nim tem sido usado para evitar a expansão do deserto de Saara. É ideal para ser usado também ao longo de avenidas, praças e próximo às casas, por proporcionar ótimo sombreamento.

Estudos têm revelado que o Nim não deve ser plantado juntamente com outras culturas

apresenta rápida biodegradação, mantendo o efeito antialimentar no máximo por duas semanas. É formado por um grupo fechado de isômeros relacionados denominados AZ-A até AZ-G. O isômero AZ-A é o componente mais importante no que se refere à quantidade no extrato de sementes de Nim.

Um número considerável de outros componentes foi isolado das sementes do Nim, tais como: solanina, solanol, solanoacetato-3-dia-acetilsolanina, azadiradion, 14-epoxia zaridion, gedunim, Nimbineur e diacetil Nimbinim.

Mecanismos de Ação

O azadiractin pode tornar-se importante no controle de pragas, pois tem largo espectro de ação, é compatível com outras formas de manejo, não tem ação fitotóxica, é praticamente atóxica ao homem e não agride o meio ambiente. Os mecanismos de ação se diferenciam segundo principalmente o organismo a combater.

Ação Repelente e Antialimentar

Em algumas espécies, as fêmeas são afetadas pelo número de ovos ovipositados, enquanto, em outras, ocorre redução drástica do consumo foliar, quando tratadas com extratos preparados das diversas partes da planta de Nim.

Alguns derivados de vilasinim com forte ação antialimentar foram isolados do óleo das sementes de Nim.

O estudo do comportamento alimentar de larvas de Spodoptera littoralis, S. frugiperdaa, S. exempta, Heliothis virescens, Helicorvepa zea, H. armigera, Trichoplusia ni e Mamestra brassicae tem mostrado que o azadiractin reduziu o consumo alimentar de todas as espécies testadas.

As fêmeas de alguns lepidópteros são repelidas pelos produtos derivados do Nim, aplicados sobre plantas ou outros substratos e não ovopositam sobre eles em condições de laboratório. Fêmeas de alguns gêneros de dípteros também tiveram a ovoposição detida, assim como alguns coleópteros (Callosobruchus sp.) em grãos armazenados.

O óleo de Nim, numa concentração de 30 mg/10 g de sementes, produziu efeito de antiovoposição para C. maculatus.

Fêmeas de Crocidolomia binotalis foram repelidas de folhas de repolho tratadas com extratos de folhas secas de Nim distribuídas até a distância de 25 cm. Este é um efeito puramente olfativo, que também ocorre com traças, na presença de produtos voláteis, e com destilados das sementes do Nim; todavia, o contato direto com produtos destilados não inibem a ovoposição.

O azadiractin tem efeito antialimentar em gafanhotos, quando oferecido em sucrose sobre papel de filtro de espessura de 1,5-6 x 10 -8m contendo 10-40 mg de i.a.

Ação sobre o Crescimento, a Metamorfose
e a Fecundidade

As substâncias presentes no óleo de Nim provocam uma desordem hormonal em diferentes etapas de desenvolvimento do inseto. O isômero AZ-E é considerado o mais efetivo regulador de crescimento de insetos. O Deacetilazadiractinol (IGR) tem forte efeito regulador de crescimento sobre Heliothis virescens, e a sua ação se faz presente em outros gêneros de insetos através das interrupções dos ínstares larvais, para chegar à fase adulta e, com isto, determinar alterações morfológicas, como a formação de asa e outros órgãos dos insetos.

Efeito sobre o Ciclo Biológico

Em alguns coleópteros, as substâncias presentes no óleo de Nim têm provocado o prolongamento da fase adulta e, em outros, a sua redução. Fêmeas adultas de Oncopeltus fasciatus, tratadas com azadiractin (0,25 mg), tiveram alta mortalidade e redução da longevidade para 11 dias ou menos. Em larvas de Ceratites capitata, tratadas com óleo de Nim, houve redução da longevidade dos adultos e somente 50% alcançaram a maturidade sexual.

Os insetos tratados com extratos de Nim mostraram, em alguns casos, forte debilidade da atividade normal, encurtando o tempo de vida ou com mortalidade aguda. Verificou-se também desequilíbrio no acasalamento devido à impotência do macho e a uma redução considerável de feromônios nas fêmeas.

Relatórios técnicos têm mostrado que, mesmo após o efeito específico do inseticida, há preservação dos inimigos naturais.

Utilização no Controle de Pragas

O extrato aquoso de Nim é particularmente ideal para as pragas das culturas agrícolas em pequenas propriedades. Isto se deve à facilidade de preparação do produto, como descrito a seguir:

(1) Usa-se a semente semiprocessada (sem casca) ou o fruto total para moer; (2) colocam-se 3,75 kg de sementes moídas sem casca, ou 7,5 kg de sementes moídas com casca, em um tambor (Figura 8) com capacidade para 200L, enchido com água; (3) deixa-se o produto em repouso cerca de 12 horas, agitando bem duas a três vezes; (4) em seguida, passa-se a suspensão em uma tela fina, para evitar o entupimento do bico do pulverizador.

Desse modo, a mistura está pronta para ser aplicada no controle das pragas. Contudo, a eficiência não é igual para todas as pragas, pois algumas delas são facilmente combatidas, enquanto outras não, devido ao seu comportamento e à alta capacidade reprodutiva do inseto.

Apesar desses problemas, tem-se, até o presente momento, o registro de mais de 200 espécies de insetos combatidos pelos extratos de Nim, como é o caso de lagartas desfolhadoras, besouros, cigarrinhas e percevejos.

A seguir, é apresentada uma relação das espécies de pragas e de agentes causais de doenças de interesse agrícola que mostraram alguma sensibilidade aos extratos de Azadirachra indica.

COLEÓPTEROS Epilachana varivestis Leptinotarsa decemlineata Diabrotica undecimpunctata Diabrotica speciosa

DIPTERA Atherigona soccata – diptera (frutas diversas) Liriomyza sativae (mosca minadora Liriomyza trifolii (mosca minadora) Carpophilus hemipterus (polinizadores)

HEMIPTERA Dysdercus cingulatus D. flavidus

HOMOPTERA

Aleurothrixus floccosus Nephotettix virescens Nilaparvata lugens (cigarrinha verde do feijoeiro) Cicallidae Brevicoryne brassicae Piesma quadratum Planococcus citri Saissetia nigra Aonidiella aurantii (cochonilha vermelha) Aonidiella citrina Bemisia tabaci Parasaissetia nigra Aphis gossypii (pulgão preto) Aphis umbrella Família Aphididdade

ISOPTERA

Microtermes sp.

LEPDOPTERA Heliothis zea Heliothis virescens Earias insulana Diaphania nitidalis Plusia peponis (mede palmo) Pseudoplusia includens Spodoptera frugiperda (do cartucho) Spodoptera spp

Fig. 8. Recipiente utilizado para preparo de extrato aquoso do Nim.