






Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Apostilas de Geografia sobre o Brasil, Unidades do Relevo Brasileiro, Mata atlântica brasileira, Principais depressões, Hidrografia, Precipitação Anual, Clima, Vegetação, Flora e Fauna, Aspectos demográficos.
Tipologia: Notas de estudo
1 / 10
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!







Quinto país do mundo em extensão territorial, o Brasil é uma nação-continente que ocupa quase metade da América do Sul. Ao longo de cerca de 16.000km de fronteiras, só dois países sul-americanos -- Equador e Chile -- não têm fronteira com o território brasileiro. Geologia Geologia. O território brasileiro abriga as maiores áreas de afloramento de rochas précambrianas da América do Sul: o escudo ou complexo Brasileiro e o escudo das Guianas. O primeiro é formado por terrenos mais antigos, constituídos de rochas de intenso metamorfismo. O escudo das Guianas compreende, além das Guianas, parte da Venezuela e do Brasil, ao norte do rio Amazonas. A bacia sedimentar do Amazonas separa estes dois escudos. A partir do período siluriano, a história geológica do país foi marcada pela presença de grandes bacias sedimentares, nas quais se preservaram espessuras que chegam a ter 5.000 metros entre sedimentos e rochas magmáticas. Além do Amazonas, outras duas grandes bacias sedimentares se distinguem no Brasil: a do Parnaíba (ou Maranhão) e a do Paraná. A bacia do Amazonas propriamente dita ocupa apenas a parte oriental do estado do Amazonas e o estado do Pará. Os terrenos mais antigos são do paleozóico e alinham-se em faixas paralelas ao curso do rio Amazonas. A bacia sedimentar do Parnaíba situa-se em terras do Maranhão e do Piauí. As faixas mais antigas são também da era paleozóica e têm em geral origem marinha. A bacia do Paraná, uma das maiores do mundo, tem uma área de 1.600.000km2, sendo que sessenta por cento ficam no Brasil, cerca de 25% na Argentina e o restante no Paraguai e Uruguai. Nela se distinguem três tipos de sedimentação paleozóica: siluriano, devoniano e permocarbonífero. Unidades do Relevo Brasileiro Mata atlântica brasileira Relevo. De acordo com os estudos realizados pelo projeto Radambrasil o relevo brasileiro é formado essencialmente por planaltos e depressões, além de algumas regiões de planície. Dentre os planaltos destacam-se os da Amazônia Oriental, os planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba, os planaltos e chapadas da bacia do Paraná, o planalto e chapada dos Parecis, os planaltos e serras do Atlântico-Leste-Sudeste e os planaltos e serras de Goiás-Minas. As principais depressões são as depressões marginais Norte-Amazônica e Sul- Amazônico, da Amazônia Ocidental, a depressão sertaneja e do São Francisco, a depressão do Araguaia, a depressão do Tocantins e a depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná. Comparativamente, as planícies ocupam uma porção bem menor da superfície brasileira e incluem a planície do rio Amazonas, a planície e Pantanal Mato-Grossense, as planícies e tabuleiros litorâneos, a planície do rio Araguaia e a planície da lagoa dos Patos e Mirim. Assim, o relevo brasileiro é bastante modesto, com picos em sua grande maioria na média de quinhentos metros, e alguns poucos da ordem de três mil metros. As principais elevações encontram-se nos planaltos residuais Norte-Amazônicos, região onde estão situados os pontos culminantes do país: os picos da Neblina (3.014m) e 31 de Março (2.992m), ambos na serra de Tapirapecó. Outra região de grandes altitudes são os
planaltos e serras do Atlântico-Leste-Sudeste, onde se incluem as serras do Mar e da Mantiqueira. Na região Nordeste destacam-se o planalto da Borborema, que se estende do Rio Grande do Norte a Alagoas, e as chapadas do Araripe e do Apodi. Bacias Hidrográficas Rio Paraná, no sul do Brasil Hidrografia. A maior parte da rede fluvial brasileira é constituída por rios de planalto, de curso rápido e com abundância de cachoeiras e corredeiras, que dificultam a navegação. Os rios de planície, menos numerosos, estão entre os maiores do país e do mundo, como o rio Amazonas, com 6.571km; o rio Paraná, com 4.880km, e o rio Paraguai, com 2.550km. Há quatro grandes bacias fluviais: a bacia Amazônica, na região Norte do país, que constitui 56% do território nacional; a bacia Platina, formada pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, com cerca de dezesseis por cento; a bacia do rio São Francisco, que banha sete por cento da superfície total; e as bacias secundárias, que reúnem três grupos isolados (bacias do Nordeste, do Leste e do Sudeste), compostas de alguns rios de grande extensão, como o Mearim, o Itapicuru, o Parnaíba, o Jaguaribe, o Jequitinhonha, o Doce e o Paraíba do Sul. Os rios brasileiros são regulados geralmente pelo regime pluviométrico, isto é, pela quantidade de chuvas que produzem suas cheias e vazantes, com exceção do Amazonas, de regime bastante complexo, e cujas margens estão freqüentemente sujeitas a grandes inundações. Na maioria dos sistemas pluviais, as enchentes ocorrem em geral nos meses de verão, e as vazantes, no inverno. Na região do sertão nordestino, importantes rios têm trechos completamente secos em determinadas épocas do ano, devido às condições climáticas típicas da área, com escassez de chuvas e estações secas prolongadas. São os chamados rios temporários ou intermitentes, dos quais destacam-se o Jaguaribe, o Piranhas ou Açu, e o Paraíba do Norte. Precipitação Anual Clima Clima. A maior parte do território brasileiro está localizada entre o equador e o trópico de Capricórnio, o que, aliado a um relevo de altitudes médias e a uma distribuição equilibrada de terras e águas, favorece um clima marcado pela tropicalidade. Os climas do país se enquadram nos três primeiros grupos da classificação de Köppen (grupo dos megatérmicos, dos xerófitos e dos mesotérmicos úmidos). Os climas megatérmicos (ou tropicais chuvosos) são característicos da região Norte do Brasil, em que predominam os tipos Af (clima das florestas pluviais, com chuvas abundantes e bem distribuídas) e Am (clima das florestas pluviais, com pequena estação seca). Apresenta temperaturas anuais elevadas (24º C no baixo Amazonas), com grandes variações, e total de precipitações superior a 1.500mm ao ano. Na região Centro-Oeste, existem duas estações bem definidas, a chuvosa (com médias inferiores a 1.500mm anuais) e a seca, o que configura o tipo climático Aw. A área submetida a esse tipo de clima engloba o planalto Central e algumas zonas entre o Norte e o Nordeste. As temperaturas são elevadas (superiores a 26º C). O clima semi-árido, equivalente à variedade Bsh do grupo dos climas secos ou xerófitos, encontra-se no interior do Nordeste e alcança o litoral do Rio Grande do Norte e o vale médio do rio São Francisco. Apresenta temperaturas elevadas (acima de 26 º C) e as chuvas são escassas (inferiores a 700mm anuais, no sertão do Nordeste) e irregulares. Nas regiões Sudeste e Sul predominam os climas mesotérmicos úmidos, enquadrados
principalmente a partir de 1850 (alemães, italianos, espanhóis). A miscigenação desses três grupos étnicos deu origem aos mestiços: mulatos (descendentes de brancos e negros), caboclos (de brancos e ameríndios) e cafuzos (de negros e ameríndios). Há ainda uma parte formada por descendentes de povos asiáticos, especialmente japoneses. Para a formação do contingente populacional do país, a imigração em si pouco representou (pouco mais de cinco milhões de indivíduos, desde a Independência, dos quais 3,5 milhões permaneceram no país) e praticamente cessou a partir do final da segunda guerra mundial. Língua. Apesar da enorme extensão territorial, o português firmou-se como a língua falada no Brasil, embora com ligeiras variações do português falado em Portugal. Levando em conta as condições naturais e históricas, e as diferenciações resultantes das características culturais regionais, o português falado no Brasil é basicamente o mesmo em todo o território nacional, não se verificando a ocorrência de dialetos, mas tãosomente de variações regionais, como, por exemplo, o português falado no Rio Grande do Sul ou em algum estado do Nordeste. Densidade Populacional Estrutura demográfica. O Brasil é o país mais populoso da América Latina e um dos dez mais populosos do mundo. A população brasileira está distribuída desigualmente: a densidade demográfica da região Sudeste é mais de onze vezes maior que a da região Centro-Oeste; e a da região Sul é quase quinze vezes maior que a da região Norte. Até a década de 1950, a maior parte da população se encontrava no campo, dedicada às atividades agropecuárias. A partir dessa época, com a crescente industrialização, a tendência se inverteu, e, atualmente, mais de setenta por cento concentra-se nas cidades. O crescimento demográfico também aconteceu de forma desigual. No final do século 18, o Brasil possuía pouco mais de dois milhões de habitantes. Na época da Independência, cerca de 4.500.000, para chegar a sete milhões em 1850. O primeiro censo demográfico realizado no país revelava uma população de 9.930.478 habitantes. No final do século 19, pouco mais de quatorze milhões e, em 1900, exatos 17.438. habitantes. No século 20, o ritmo do crescimento aumentou: de acordo com os censos demográficos, 30.635.605, em 1920; 41.236.315, em 1940; 51.944.397, em 1950; 70.070.457, em 1960; 93.139.037, em 1970; 119.002.706, em 1980; 146.825. habitantes em 1991. Para 1993, a população estimada era de 151.571.727 habitantes. A dinâmica demográfica do país, que vinha se caracterizando por uma alta taxa de crescimento, na década de 1990 já apresentava uma tendência declinante. Aspectos econômicos Uso da terra Agropecuária. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas e o maior produtor de café. Minas Gerais é o maior produtor, seguindo-se São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Rondônia. O café perdeu grande parte da importância econômica que manteve durante cerca de cem anos, desde 1850, durante o Império, até cerca de 1950, quando se acelerou o processo de industrialização. Nesse período o café chegou a representar quase noventa por cento do total das exportações brasileiras. E se em 1970 o café ainda representava cerca de quinze por cento do valor total das exportações, em 1993 essa taxa não chegava a três por cento. Outras culturas, como a da cana-de-açúcar e a da laranja, cujo maior produtor é São Paulo, seguidas pela da soja, que somente ganhou importância a partir da década de 1970, vieram tomar o lugar antes ocupado pela economia cafeeira. O Brasil é o segundo produtor mundial de soja, cultivada principalmente no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. É um dos maiores exportadores de suco de laranja.
Duas culturas muito difundidas por praticamente todo o território brasileiro são as do milho, do qual o Brasil é o terceiro produtor mundial, e do arroz. Esses cereais ocupam uma área plantada cerca de seis vezes maior que a do café. Outra cultura muito importante para a economia brasileira é a do algodão, sobretudo a partir da década de 1930, quando São Paulo tornou-se o principal produtor, desbancando os estados do Nordeste. O algodão constitui a matéria-prima principal da indústria têxtil brasileira. Além desses produtos, aparecem a mandioca e o feijão, também bastante difundidos em todo o país, vindo a seguir a produção de frutas (banana, abacaxi, coco-da-baía, uva), cacau, batata-inglesa, batata-doce, fumo e amendoim. O Brasil possui um dos maiores rebanhos do mundo, sendo que a maior parte corresponde aos bovinos, concentrados em três grandes áreas: a região centro-oriental (Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo), com cerca da metade do rebanho nacional, destinado à produção de carne, couros e leite; o Rio Grande do Sul e o Nordeste, tradicionais centros pastoris, com produção de carnes e couros. Ao lado dos bovinos, outro importante segmento da pecuária é constituído pelos suínos, distribuídos pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão e Bahia. São utilizados para o consumo e na indústria frigorífica. Os demais rebanhos são constituídos pelos ovinos, que fornecem lã e carne, e cujo maior centro criatório está localizado no Rio Grande do Sul; caprinos, para a produção de leite e couros, predominante no Nordeste; eqüinos e muares, na região centromeridional; e asininos, típicos do Nordeste. Indústria Indústria. A industrialização do Brasil recebeu grande impulso durante a primeira guerra mundial, quando a política de substituição de importações estimulou a fabricação no país das mercadorias até então importadas da Europa. Desenvolveram-se fábricas de tecidos, carnes congeladas, óleos comestíveis e outros produtos alimentares. Contudo, somente a partir da década de 1930 pode-se falar de um processo de industrialização propriamente dito. Durante a segunda guerra mundial, novamente o Brasil foi forçado a produzir os bens que não podia importar, e a industrialização recebeu novo impulso, destacando-se, no final do conflito, a implantação da siderurgia, com a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda, marco inicial da indústria de base no país. Na década de 1950, o ritmo industrial foi acelerado, com a instalação de numerosas indústrias de artefatos de borracha, artigos de eletricidade, couro e papel, têxteis, produtos farmacêuticos e outros, além de metalúrgicas e fábricas de cimento. A implantação da indústria automobilística assinalou um novo marco na expansão industrial do Brasil, e numerosas cidades transformaram-se em autênticos centros industriais. Pela importância econômica, destacam-se as indústrias têxteis, químicas e farmacêuticas, metalúrgicas e de material de transporte. São Paulo concentra o maior parque industrial do país, localizado na capital, no chamado ABCD (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema), em Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos, Campinas, Taubaté e outras cidades, contribuindo com mais da metade da produção nacional. Em seguida, aparecem os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. A indústria siderúrgica ocupa um lugar destacado. Além da Companhia Siderúrgica Nacional, localizada em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, e a Cosigua, no mesmo estado, sobressaem a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, a Acesita, a
Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas e Espírito Santo como estados produtores. Rio de Janeiro Mineração. O Brasil é rico em minérios, mas seu subsolo ainda é pouco explorado. O ferro é o mineral mais importante, com jazidas em diversas regiões, destacando-se as reservas da serra de Carajás, no estado do Pará, descobertas na década de 1970, e consideradas as maiores do mundo. São de grande importância as jazidas do chamado quadrilátero ferrífero, em Minas Gerais, cujo minério apresenta elevado grau de pureza. Também há minério de ferro no Amazonas, no Ceará e em Mato Grosso do Sul. O manganês ocupa o segundo lugar, e é encontrado em grande quantidade na serra de Carajás, em Urucum, no estado de Mato Grosso do Sul, e na serra do Navio, no Amapá. As reservas de Minas Gerais ainda são apreciáveis, a despeito de sua exploração desde o início do século. A bauxita (alumínio) aparece em Carajás, na bacia do rio Trombetas, no Pará e em Poços de Caldas MG, enquanto o cobre ocorre no Pará, em Goiás e na Bahia. Os minérios de chumbo são explorados em Minas Gerais, na Bahia e no Paraná, mas a produção ainda é insuficiente, assim como a de minérios de zinco, encontrados em Minas Gerais. A cassiterita (estanho) é abundante em Rondônia. O potencial de níquel também é imenso em Carajás. Além dessas riquezas minerais, aparecem as areias monazíticas em certos trechos do litoral do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e da Bahia. Existem imensas jazidas de salgema na Bahia, no Amazonas, em Sergipe e em Alagoas. Nos estados do Sul, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, encontra-se carvão mineral, utilizado sobretudo como coque na indústria siderúrgica. Em meados da década de 1990, a Companhia Vale do Rio Doce descobriu uma grande mina de ouro no sul do Pará. Comércio. A abertura de estradas de rodagem e o desenvolvimento da navegação de cabotagem e da aviação comercial, ao lado da formação de um mercado interno, contribuíram para a intensificação das relações comerciais entre as diversas regiões brasileiras. O Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste fornecem borracha, açúcar, algodão, sal, peles, couros, cacau e outros produtos para as áreas do Centro-Sul, e recebem em troca produtos alimentares (charque, feijão, farinha de trigo) e industriais (tecidos, calçados, papel, produtos químicos e farmacêuticos, máquinas e ferramentas, veículos). As trocas entre as regiões Sul e Sudeste também são intensas. O comércio externo, até 1808, quando ocorreu a abertura dos portos brasileiros, era realizado apenas com a metrópole portuguesa. Desta data em diante, a Inglaterra passou a ser o principal beneficiário do comércio com o Brasil, substituída pelos Estados Unidos a partir da década de 1920. Atualmente, o Brasil possui uma série de parceiros comerciais. Durante a maior parte de sua história, o comércio brasileiro esteve extremamente dependente das exportações de produtos agrícolas e minerais e das importações de manufaturados. Atualmente, já existe maior equilíbrio na balança comercial brasileira. No início da década de 1990, a soja liderava as exportações, seguida pelas máquinas, minério de ferro, equipamentos para transporte, produtos de ferro e aço, e suco de laranja. Nas importações, apareciam equipamentos elétricos e máquinas, petróleo, e produtos químicos e farmacêuticos. O comércio externo do Brasil é realizado em sua quase totalidade através dos portos de Santos, grande centro exportador, e do Rio de Janeiro, onde predominam as importações.
Transportes. Os meios de transporte e as vias de comunicação sempre constituíram um dos principais problemas brasileiros, agravado pela enorme extensão territorial do país. Durante muito tempo, as diversas áreas se comunicavam através de caminhos precários, que partiam do litoral para o interior, e serviam principalmente para o transporte de gado e ouro. A primeira estrada de ferro brasileira foi inaugurada em 1854, com extensão de 14,5km, ligando o porto de Mauá, na baía de Guanabara, ao sopé da serra da Estrela, no caminho de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A expansão da cultura cafeeira pelo oeste paulista incrementou o desenvolvimento das linhas férreas, ligando o interior e a capital ao porto de Santos, através das Cias. Paulista, Sorocabana e Mogiana. Logo surgiram estradas de ferro no Nordeste e no recôncavo baiano, também em função do escoamento da produção agrícola. Entre 1870 e 1920, a expansão ferroviária foi notável, sobretudo no Sudeste, que concentra praticamente a metade das linhas do país. A Rede Ferroviária Federal, criada em 1957, controla quase a totalidade das estradas de ferro brasileiras. A partir da expansão das rodovias, o transporte ferroviário no Brasil sofreu uma acentuada perda de importância. As primeiras estradas de rodagem apareceram por volta dos meados do século 19, destacando-se a União e Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora. Mas somente a partir da década de 1920, com o aumento da quantidade de veículos motorizados, o governo brasileiro começou a investir na construção de rodovias. Em pouco tempo, a malha rodoviária brasileira foi-se estendendo por todas as regiões do país. A partir de 1950, a rede rodoviária teve notável desenvolvimento com a implantação da indústria automobilística, a criação da Petrobrás --responsável pelo refino dos combustíveis e a fabricação do asfalto para a pavimentação das estradas -- e a fundação de Brasília, vinculada ao plano da construção de rodovias de forma a integrar todas as regiões do país à nova capital. Mais da metade das rodovias brasileiras concentram-se no Sudeste, sendo São Paulo o estado mais bem servido. Entre as principais de todo o país destacam-se as rodovias Transamazônica, Belém--Brasília, Rio--Bahia, Rio--Santos, Presidente Dutra, Presidente Kubitschek, Anchieta, Imigrantes, Castelo Branco, Fernão Dias, Anhangüera e Raposo Tavares. A navegação de cabotagem no Brasil é ainda insuficiente para atender às necessidades do país, apesar das condições naturais favoráveis, como a grande extensão do litoral. A maior parte da frota é construída em estaleiros nacionais e está em desenvolvimento um programa de reaparelhamento dos portos, que visa sobretudo às exportações. A Fronape (Frota Nacional de Petroleiros), da Petrobrás, utilizada para o transporte de óleo cru, e a Docenave, pertencente à Cia. Vale do Rio Doce e empregada no transporte de minério de ferro, estão entre as maiores frotas brasileiras. A navegação fluvial e lacustre é pouco praticada no Brasil, sendo importante apenas nos rios amazônicos e na região do São Francisco. A navegação aérea é muito utilizada no transporte de cargas e passageiros, e o Brasil é servido por três grandes empresas nacionais, além de numerosas companhias regionais. Entre os aeroportos mais bem aparelhados, encontram-se os do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Manaus. Resumo histórico Fundação. A descoberta do Brasil, em 22 de abril de 1500, pela esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral, com destino às Índias, integra o ciclo da expansão marítima portuguesa. Inicialmente denominada Terra de Vera Cruz, depois Santa Cruz e,
Os holandeses, em busca do domínio da produção do açúcar (do qual eram os distribuidores na Europa), invadiram a Bahia, em 1624, sendo expulsos no ano seguinte. Em 1630, uma nova invasão holandesa teve como alvo Pernambuco, de onde estendeuse por quase todo o Nordeste, chegando até o Rio Grande do Norte. Entre 1637 e 1645, o Brasil holandês foi governado pelo conde Maurício de Nassau, que realizou brilhante administração. Em 1645, os holandeses foram expulsos do Brasil, no episódio conhecido como insurreição pernambucana. Expansão geográfica. Durante o século 16, foram organizadas algumas entradas, expedições armadas ao interior, de caráter geralmente oficial, em busca de metais preciosos. No século seguinte, expedições particulares, conhecidas como bandeiras, partiram especialmente de São Paulo, com três objetivos: a busca de índios para escravizar; a localização de agrupamentos de negros fugidos (quilombos), para destruílos; e a procura de metais preciosos. As bandeiras de caça ao índio (Antônio Raposo Tavares, Sebastião e Manuel Preto) atingiram as margens do rio Paraguai, onde arrasaram as “reduções” (missões) jesuíticas. Em 1695, depois de quase um século de resistência, foi destruído Palmares, o mais célebre quilombo do Brasil, por tropas comandadas pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Datam do final do século 17 as primeiras descobertas de jazidas auríferas no interior do território, nas chamadas Minas Gerais (Antônio Dias Adorno, Manuel de Borba Gato), em Goiás (Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera) e Mato Grosso (Pascoal Moreira Cabral), onde foram estabelecidas vilas e povoações. Mais tarde, foram encontrados diamantes em Minas Gerais. Um dos mais célebres bandeirantes foi Fernão Dias Pais, o caçador de esmeraldas. Ao mesmo tempo que buscavam o oeste, os bandeirantes ultrapassaram a vertical de Tordesilhas, a linha imaginária que, desde 1494, separava as terras americanas pertencentes a Portugal e à Espanha, contribuindo para alargar o território brasileiro. As fronteiras ficaram demarcadas por meio da assinatura de vários tratados, dos quais o mais importante foi o de Madri, celebrado em 1750, e que praticamente deu ao Brasil os contornos atuais. Nas negociações com a Espanha, Alexandre de Gusmão defendeu o princípio do uti possidetis, o que assegurou a Portugal as terras já conquistadas e ocupadas. Revoltas coloniais. Desde a segunda metade do século 17, explodiram na colônia várias revoltas, geralmente provocadas por interesses econômicos contrariados. Em 1684, a revolta dos Beckman, no Maranhão, voltou-se contra o monopólio exercido pela Companhia de Comércio do Estado do Maranhão. Já no século 18, a guerra dos emboabas envolveu paulistas e “forasteiros” na zona das minas; a guerra dos mascates opôs os comerciantes de Recife aos aristocráticos senhores de engenho de Olinda; e a revolta de Vila Rica, liderada por Filipe dos Santos, em 1720, combateu a instituição das casas de fundição e a cobrança de novos impostos sobre a mineração do ouro. Os mais importantes movimentos revoltosos desse século foram a conjuração mineira e a conjuração baiana, as quais possuíam, além do caráter econômico, uma clara conotação política. A conjuração mineira, ocorrida em 1789, também em Vila Rica, foi liderada por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que terminou preso e enforcado, em 1792. Pretendia, entre outras coisas, a independência e a proclamação de uma república. A conjuração baiana -- também chamada revolução dos alfaiates, devido à participação de grande número de elementos das camadas populares (artesãos, soldados, negros libertos) --, ocorrida em 1798, tinha idéias bastante avançadas para a época, inclusive a extinção da escravidão. Seus principais líderes foram executados. Mais tarde, estourou outro importante movimento de caráter republicano e separatista,