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O Caso dos Exploradores de Cavernas (Resumo), Manuais, Projetos, Pesquisas de Direito Tributário

Resumo do livro "O caso dos Exploradores de Cavernas" de Lon L. Fuller

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2013

Compartilhado em 09/07/2013

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geovani-santos-8 🇧🇷

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA – UEPB
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS – CCJ
CURSO DE DIREITO
COMPONENTE CURRICULAR: Introdução ao Estudo do Direito
PROFESSOR: Severiano Pedro do Nascimento Filho
ALUNO: Geovani Santos da Silva
Resumo do livro O caso dos Exploradores de Cavernas, obra do
jurista americano e professor de Jurisprudência da Faculdade de Direito
da Universidade de Harvard, Lon Luvois Fuller (1902-1978).
Em princípios de maio do ano de 4299, no Condado de Stowfield, cinco integrantes de
uma organização amadorística de exploradores de cavernas ficam presos no interior de uma
caverna, devido a um desmoronamento. A partir daí começa uma longa, onerosa e difícil
operação de resgate, na qual morreram dez operários, que trabalhavam na desobstrução da
caverna, em um de vários outros desmoronamentos que ocorreram. No vigésimo dia após o
incidente, soube-se que os exploradores tinham levado consigo para a caverna um rádio
comunicador, e a equipe de resgate logo tratou de estabelecer contato com eles. Os exploradores
perguntaram quanto tempo seria necessário para os libertarem e os engenheiros responsáveis
pela operação de salvamento responderam que seriam necessários pelo menos dez dias, desde
que não ocorressem novos desmoronamentos. Como já se esgotavam seus mantimentos,
perguntaram se havia algum médico no acampamento para dizer se eles conseguiriam
sobreviver por mais dez dias sem alimentos, o presidente da comissão dos médicos respondeu
que havia uma escassa possibilidade de sobrevivência. Após algum tempo o explorador Roger
Whetmore, falando em seu nome e em representação dos demais, indagou se eles seriam
capazes de sobreviver por mais dez dias se se alimentassem da carne de um dentre eles, o
presidente da comissão respondeu, a contragosto, em sentido afirmativo. Whetmore ainda
perguntou se seria aconselhável que tirassem a sorte para determinar qual dentre eles deveria ser
sacrificado, mas ninguém se dispôs a responder. A partir daí, não se receberam mais mensagens
de dentro da caverna.
No trigésimo segundo dia após terem entrado na caverna, os homens foram
finalmente libertados e soube-se que, no vigésimo terceiro dia, Whetmore tinha sido morto
e servido de alimento a seus companheiros. Os sobreviventes relataram que tinham decido,
em acordo, sacrificar um deles para que a sobrevivência dos outros quatro fosse garantida,
sendo que foi o próprio Whetmore que propôs um sorteio, por lances de dados, para a
escolha daquele que seria sacrificado e tendo-lhe sido adversa à sorte, foi então morto.
Após os quatro sobreviventes terem passado por tratamentos hospitalares, foram
submetidos a julgamento, acusados pelo homicídio de Roger Whetmore, e declarados culpados
em primeira instância pelo Tribunal do Condado de Stowfield, sendo condenados à pena de
morte pela forca. Os acusados, então, recorreram da decisão à Suprema Corte de Newgarth e o
caso passou a ser analisado e julgado pelos cinco juízes da Suprema Corte: Truepenny, Foster,
Tatting, Keen e Handy. Nos seus votos, os juízes têm diferentes entendimentos diante da mesma
lei e do mesmo fato.
O juiz Truepenny, presidente da Corte, expõe minuciosamente todo o caso e mantêm a
decisão do tribunal de primeira instância, que condenou os réus, contudo apoia as petições que
tanto o júri como o juiz da primeira instância enviaram ao chefe do Poder Executivo, pedindo
que a sentença fosse comutada, visto que, pelo seu entendimento, o princípio da clemência
executiva seria o único dispositivo legal para que fosse feita a justiça sem debilitar a letra ou o
espírito da lei, que em seu texto prescreve: “Quem quer que intencionalmente prive a outrem
da vida será punido com a morte”.
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA – UEPB

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS – CCJ

CURSO DE DIREITO

COMPONENTE CURRICULAR: Introdução ao Estudo do Direito

PROFESSOR: Severiano Pedro do Nascimento Filho

ALUNO: Geovani Santos da Silva

Resumo do livro O caso dos Exploradores de Cavernas , obra do

jurista americano e professor de Jurisprudência da Faculdade de Direito

da Universidade de Harvard, Lon Luvois Fuller (1902-1978).

Em princípios de maio do ano de 4299, no Condado de Stowfield, cinco integrantes de uma organização amadorística de exploradores de cavernas ficam presos no interior de uma caverna, devido a um desmoronamento. A partir daí começa uma longa, onerosa e difícil operação de resgate, na qual morreram dez operários, que trabalhavam na desobstrução da caverna, em um de vários outros desmoronamentos que ocorreram. No vigésimo dia após o incidente, soube-se que os exploradores tinham levado consigo para a caverna um rádio comunicador, e a equipe de resgate logo tratou de estabelecer contato com eles. Os exploradores perguntaram quanto tempo seria necessário para os libertarem e os engenheiros responsáveis pela operação de salvamento responderam que seriam necessários pelo menos dez dias, desde que não ocorressem novos desmoronamentos. Como já se esgotavam seus mantimentos, perguntaram se havia algum médico no acampamento para dizer se eles conseguiriam sobreviver por mais dez dias sem alimentos, o presidente da comissão dos médicos respondeu que havia uma escassa possibilidade de sobrevivência. Após algum tempo o explorador Roger Whetmore, falando em seu nome e em representação dos demais, indagou se eles seriam capazes de sobreviver por mais dez dias se se alimentassem da carne de um dentre eles, o presidente da comissão respondeu, a contragosto, em sentido afirmativo. Whetmore ainda perguntou se seria aconselhável que tirassem a sorte para determinar qual dentre eles deveria ser sacrificado, mas ninguém se dispôs a responder. A partir daí, não se receberam mais mensagens de dentro da caverna.

No trigésimo segundo dia após terem entrado na caverna, os homens foram

finalmente libertados e soube-se que, no vigésimo terceiro dia, Whetmore tinha sido morto

e servido de alimento a seus companheiros. Os sobreviventes relataram que tinham decido,

em acordo, sacrificar um deles para que a sobrevivência dos outros quatro fosse garantida,

sendo que foi o próprio Whetmore que propôs um sorteio, por lances de dados, para a

escolha daquele que seria sacrificado e tendo-lhe sido adversa à sorte, foi então morto.

Após os quatro sobreviventes terem passado por tratamentos hospitalares, foram submetidos a julgamento, acusados pelo homicídio de Roger Whetmore, e declarados culpados em primeira instância pelo Tribunal do Condado de Stowfield, sendo condenados à pena de morte pela forca. Os acusados, então, recorreram da decisão à Suprema Corte de Newgarth e o caso passou a ser analisado e julgado pelos cinco juízes da Suprema Corte: Truepenny, Foster, Tatting, Keen e Handy. Nos seus votos, os juízes têm diferentes entendimentos diante da mesma lei e do mesmo fato.

O juiz Truepenny, presidente da Corte, expõe minuciosamente todo o caso e mantêm a decisão do tribunal de primeira instância, que condenou os réus, contudo apoia as petições que tanto o júri como o juiz da primeira instância enviaram ao chefe do Poder Executivo, pedindo que a sentença fosse comutada, visto que, pelo seu entendimento, o princípio da clemência executiva seria o único dispositivo legal para que fosse feita a justiça sem debilitar a letra ou o espírito da lei, que em seu texto prescreve: “Quem quer que intencionalmente prive a outrem da vida será punido com a morte”.

O juiz Foster se espanta com a decisão do presidente e a considera uma solução sórdida e simplista. Foster em seu principal argumento, baseando-se numa posição jus naturalista, alega que quando Whetemore foi morto os réus não se encontravam em um “estado de sociedade civil”, mas em um “estado natural”, visto que estavam presos em uma caverna separados da coexistência com a sociedade, e por isso a lei civil não poderia ser aplicada, mas sim a lei natural. Com esse e outros argumentos Foster considera que os réus são inocentes e que a sentença de condenação deve ser reformada.

O juiz Tatting chega a criticar os posicionamentos de Foster, como no caso em que os réus se encontravam inseridos em um “estado de natureza”, no qual questiona o momento em que isso ocorre se foi quando a entrada da caverna se fechou, ou quando a ameaça de inanição atingiu um grau indefinido de intensidade, ou quando o contrato para o lanço de dados foi celebrado. Contudo Tatting revela-se profundamente envolvido emocionalmente no caso e mostra-se confuso ao não poder descobrir nenhuma fórmula capaz de resolver as dúvidas que por todos os lados lhe perseguem. Por isso recusa-se a participar da decisão do caso.

O juiz Keen, por sua vez, afasta de imediato duas questões que entendera não serem da competência do Tribunal: a primeira consistia em saber se a clemência executiva deveria ser concedida aos réus caso a condenação seja confirmada, posicionamento este defendido pelo presidente do Tribunal; a segunda diz respeito em decidir se o que os réus fizeram foi "justo" ou "injusto", "mau" ou "bom". Para Keen seu dever é aplicar o direito do seu país e não suas moralidades, valorando assim o direito positivo, e acaba por criticar Foster dizendo que seus argumentos são fantasiosos. Entendendo que os réus privaram intencionalmente a vida de Roger Whetmore, e seguindo estritamente o texto da lei que diz: “Quem quer que intencionalmente prive a outrem da vida será punido com a morte”, o juiz conclui que se deve confirmar a sentença condenatória.

Por fim o juiz Handy diz que se levada em consideração a opinião pública, 90% da população votaria pela absolvição ou por uma pena simbólica. E baseando-se em fatos antigos, tendo em vista que os réus já sofreram mais tormento e humilhação do que a maioria suportaria em mil anos, conclui que os réus são inocentes da prática do crime que constitui objeto da acusação e que a sentença deve ser reformada.

Após os votos, Tatting ainda foi questionado pelo presidente do Tribunal se queria reexaminar sua posição, mas reafirmou convictamente que não queria participar do julgamento.

Assim, empatados os votos, a sentença condenatória da primeira instância foi confirmada e determinou-se que a execução da sentença tivesse lugar às 6 horas da manhã da sexta-feira, dia 2 de abril do ano 4300.