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CURSO DE FORMAÇÃO DE OPERADORES DE REFINARIA.
Tipologia: Provas
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Compartilhado em 18/09/2009
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665.53 Roitman, Valter. R741 Curso de formação de operadores de refinaria: operações unitárias / Valter Roitman. – Curitiba : PETROBRAS : UnicenP, 2002. 50 p. : il. (algumas color.) ; 30 cm.
Financiado pelas UN: REPAR, REGAP, REPLAN, REFAP, RPBC, RECAP, SIX, REVAP.
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1.1 Introdução A disciplina denominada Operações Uni- tárias é aquela que classifica e estuda, separa- damente, os principais processos físico-quími- cos utilizados na indústria química. Os pro- cessos mais comuns encontrados nas indústrias químicas são a Destilação Atmosférica e a Vácuo , os processos de Absorção e Adsor- ção , a Extração Líquido-Líquido e Líqui- do-Gás , o processo de Filtração , assim como alguns mais específicos, como por exemplo, o Craqueamento Catalítico , Hidrocraquea- mento , Hidrotratamento de correntes ins- táveis e outros utilizados principalmente na In- dústria Petrolífera.
1.2 Conceitos Fundamentais Alguns conhecimentos são fundamentais para que se possa estudar de forma adequada a disciplina denominada Operações Unitárias, como conhecimentos sobre conversão de uni- dades , unidades que podem ser medidas linea- res, de área, de volume, de massa, de pressão, de temperatura, de energia, de potência. Outro conceito-base para “Operações Unitárias” é o de Balanço , tanto Material quanto Energético.
É necessário conhecer as correlações exis- tentes entre medidas muito utilizadas na In- dústria Química, como é o caso das medidas de temperatura, de pressão, de energia, de massa, de área, de volume, de potência e ou- tras que estão sempre sendo correlacionadas.
Alguns exemplos de correlações entre medidas li- neares 1 ft = 12 in 1 in = 2,54 cm 1 m = 3,28 ft 1 m = 100 cm = 1.000 mm 1 milha = 1,61 km 1 milha = 5.280 ft 1 km = 1.000 m
Alguns exemplos de correlações entre áreas 1 ft^2 = 144 in 2 1 m^2 = 10,76 ft^2 1 alqueire = 24.200 m^2 1 km^2 = 10^6 m 2
Alguns exemplos de correlações entre volumes 1 ft^3 = 28,32 L 1 ft^3 = 7,481 gal 1 gal = 3,785 L 1 bbl = 42 gal 1 m^3 = 35,31 ft^3 1 bbl = 0,159 1 m^3
Alguns exemplos de correlações entre massas 1 kg = 2,2 lb 1 lb = 454 g 1 kg = 1.000 g 1 t = 1.000 kg
Alguns exemplos de correlações entre pressões 1 atm = 1,033 kgf/cm 2 1 atm = 14,7 psi (lbf/in 2 ) 1 atm = 30 in Hg 1 atm = 10,3 m H 2 O 1 atm = 760 mm Hg 1 atm = 34 ft H 2 O 1 Kpa = 10 –2^ kgf/cm 2
Algumas observações sobre medições de pressão:
Alguns exemplos de correlações entre temperaturas tºC = (5/9)(tºF – 32) tºC = (9/5)(tºC) + 32 tK = tºC + 273 tR = tºF + 460 (temperatures absolutas)
Algumas observações sobre medições de temperatura: Zero absoluto = –273ºC ou – 460ºF (DºC/DºF) = 1, (DK/DR) = 1,
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Alguns exemplos de correlações entre potências 1 HP = 1,014 CV 1 HP = 42,44 BTU/min 1KW = 1,341 HP 1 HP = 550 ft.lbf/s 1KW = 1 KJ/s 1 KWh = 3.600 J 1KW = 1.248 KVA
Alguns exemplos de correlações de energia 1 Kcal = 3,97 BTU 1BTU = 252 cal 1BTU = 778 ft.lbf 1Kcal = 3,088 ft.lbf 1Kcal = 4,1868 KJ
1.3 Balanço Material Como se sabe, “na natureza nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma”, ou seja, a matéria não é criada e muito menos destruída, e, portanto, num balanço material envolvendo um certo sistema, a massa que neste entra de- verá ser a mesma que dele estará saindo. No processamento uma tonelada, por exemplo, por hora de petróleo em uma refinaria, obtém-se exatamente uma tonelada por hora de produ- tos derivados deste processo, como gás com- bustível, GLP, gasolina, querosene, diesel e óleo combustível. A queima de um combustí- vel em um forno ou em uma caldeira é outro exemplo, porém menos evidente em que ocorre o mesmo balanço de massa: pode-se citar que durante a queima de 1 tonelada de um certo combustível em um forno ou uma caldeira, considerando-se que são necessárias 13 tone- ladas de ar atmosférico, tem-se como resulta- do 14 toneladas de gases de combustão. Em um Balanço Material, não se deve con- fundir massa com volume, pois as massas es- pecíficas dos produtos são diferentes. Assim, um balanço material deverá ser realizado sem- pre em massa, pois a massa de um certo pro- duto que entra em um certo sistema, mesmo que transformada em outros produtos, sempre será a mesma que está saindo deste sistema, enquanto os volumes sofrem variação confor- me a densidade de cada produto.
1.4 Balanço Energético Existem diversos tipos de energia, por exem- plo, Calor, Trabalho, Energia de um corpo em movimento, Energia Potencial (um corpo em posição elevada), Energia elétrica e outras. Assim como a matéria, a energia de um sistema não pode ser destruída, somente po- derá ser transformada em outros tipos de ener- gia, como por exemplo, o motor de uma bom- ba que consome energia elétrica e a transfor- ma em energia de movimento do líquido, ca- lor e energia de pressão.
A água, no alto de um reservatório, ao movimentar um gerador, transforma sua ener- gia potencial em energia elétrica, calor e ener- gia de movimento (energia cinética). Neste caso, o balanço de energia do sistema poderia ser representado pela seguinte expressão: Energia Potencial da água do reservatório = Energia elétrica fornecida pelo gerador + ca- lor de aquecimento do gerador + Energia de movimento da água após a turbina. No caso de um forno ou uma caldeira que aquece um certo líquido, o balanço de energia observado será: Calor liberado pela queima do combustível = Calor contido nos gases de combustão que saem do forno ou da caldeira + Calor contido nos produtos que deixam o forno ou a caldeira. É importante ressaltar que, muito embora as diversas formas de energia sejam medidas em unidades diferentes, tais como, energia elé- trica em KWh, trabalho em HP. h, calor em caloria, em um balanço energético é necessá- rio que todas as formas de energia envolvidas no balanço estejam expressas na mesma uni- dade de energia.
1.5 Sugestão para aplicação nos cálculos de Balanços Mássicos e Energéticos Como regra geral, antes de iniciar cálcu- los que evolvam balanços mássicos e/ou ba- lanços energéticos, deve-se: a) transformar todas as vazões volumétri- cas em vazões mássicas, pois o balan- ço deve ser realizado sempre em mas- sa, uma vez que a vazão em massa não varia com a temperatura. b) faça um esquema simplificado do pro- cesso em que serão realizados os ba- lanços; c) identifique com símbolos, as vazões e as composições de todas as correntes envolvidas nos processos em que es- tão sendo realizados os balanços; d) anote, no esquema simplificado de pro- cesso, todos os dados de processo dis- poníveis como vazões, composições, temperaturas, pressões, etc; e) verificar que composições são conhe- cidas ou podem ser calculadas; f) verificar quais vazões mássicas são conhecidas ou podem ser calculadas; g) selecionar a base de cálculo conveni- ente a ser adotada para o início da re- solução do problema.
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componentes leves no líquido residual vai sen- do esgotado. O destilado, que é o vapor con- densado, poderá ser coletado em porções se- paradas denominadas de cortes. Estes podem produzir uma série de produtos destilados com vários graus de pureza. Então, considerando-se uma mistura de três substâncias: Substância A – Muito volátil e em pe- quena quantidade, Substância B – Volatilidade média e em grande quantidade, Substância C – Muito pouco volátil e em pequena quantidade. Quando uma destilação em batelada ou destilação simples é efetuada, o primeiro cor- te, pequeno, conteria predominantemente qua- se toda a substância A, o segundo corte, gran- de, conteria quase toda a substância B, porém estaria contaminado com um pouco das subs- tâncias A e C, e o líquido residual seria, prati- camente, a substância C pura. Assim sendo, apesar dos três cortes conterem todas as três substâncias, alguma separação teria ocorrido neste processo de destilação.
Neste tipo de processo, é muito difícil efe- tuar um balanço material e térmico de forma instantânea, uma vez que as temperaturas, as- sim como as composições do líquido e do va- por variam continuamente. É evidente, porém, que, ao final desta operação, a soma do resíduo e do destilado deve ser igual à carga inicial do vaso.
2.4 Destilação por Expansão Brusca ou Destilação em um Único Estágio O processo de destilação por expansão brusca é uma operação em um único estágio, no qual uma mistura líquida é parcialmente vaporizada. As fases líquido e vapor resultan- tes deste processo são separadas e removidas da coluna. O vapor será muito mais rico na substância mais volátil do que na carga origi- nal ou no líquido residual.
Este tipo de operação é muito utilizado na primeira fase do fracionamento do petróleo em uma refinaria, pois esta torre reduz o tamanho da torre de fracionamento atmosférico.
Segundo o princípio geral da conservação da matéria, o balanço material para este pro- cesso pode ser escrito da seguinte forma:
F = D + W
Em que: F = vazão mássica de carga D = vazão mássica de vapor W = vazão mássica de líquido
De acordo com o princípio da conserva- ção de energia, o balanço energético para este processo pode ser escrito da seguinte forma:
Calor que entra no sistema = Calor que sai do sistema Q (^) F + Q (^) A = Q (^) D + Q (^) W
Em que: QF = conteúdo de calor da carga QA = conteúdo de calor cedido ao siste- ma pelo aquecedor QD = conteúdo de calor da carga QW = conteúdo de calor da carga
2.5 Destilação Fracionada A destilação fracionada é o tipo de desti- lação mais utilizada em indústrias de grande porte. Nos dois tipos de destilação abordados anteriormente, destilação em batelada e por expansão brusca, a separação das diversas substâncias que compõem a mistura é realiza- da de forma imperfeita ou incompleta. Na des- tilação fracionada, é possível a separação em várias frações, em uma mesma coluna, pois pode-se ter temperaturas, vazões e composi- ções constantes em um dado ponto da coluna. A destilação fracionada é uma operação de separação de misturas por intermédio de vaporizações e condensações sucessivas, que, aproveitando as diferentes volatilidades das substâncias, torna possível o enriquecimento da parte vaporizada, com as substâncias mais voláteis. Estas vaporizações e condensações sucessivas são efetuadas em equipamentos específicos, denominados de torres ou colu- nas de destilação. O processo, em linhas gerais, funciona como esquematizado na figura a seguir:
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A mistura a ser destilada é introduzida num ponto médio da coluna, ponto F, denomi- nado ponto de alimentação. No seu interior, a mistura irá descer até atingir a base da coluna onde encontrará aquecimento do refervedor. O refervedor, um trocador de calor aquecido por vapor d'água ou outra fonte térmica qual- quer, aquecerá a mistura até atingir sua tem- peratura de ebulição. Neste ponto, a mistura emitirá vapores que irão circular em sentido ascendente na coluna, em contracorrente com a mistura da alimentação da coluna. Os vapo- res ascendentes atingirão o topo da coluna e irão para um condensador, onde serão liqüe- feitos e deixarão a coluna como produto de destilação, D. Na base da coluna, a mistura, isenta de componentes mais voláteis, deixa o equipamento como produto residual, W. O processo, resume-se, então, em alimen- tar a coluna de destilação com a mistura que se quer separar, F, no ponto médio da coluna; fa- zer a circulação ascendente do vapor em contra- corrente com o líquido descendente da coluna, com remoção do destilado, D, no topo da torre e do líquido residual, W, no fundo da coluna. A volatilidade relativa do produto a ser des- tilado permite a separação dos componentes mais voláteis, e o contato íntimo entre as fases líquida e vapor ao longo da coluna promove a perfeita separação dos componentes desejados. Para melhorar a separação das frações de- sejadas, utiliza-se o retorno de parte do desti- lado, D, na forma de refluxo, Lo, que enrique- ce o produto de topo da coluna, D, com pro- dutos mais voláteis, melhorando a pureza do produto destilado, D.
Como pode ser observado, neste processo não existem reações químicas, somente troca térmica, devido ao refervedor de fundo e ao condensador de topo, e também troca de mas- sa entre o vapor ascendente e o líquido des- cendente no interior da coluna de destilação.
As colunas de destilação são constituídas por três partes essenciais:
Refervedor É, geralmente, encontrado na base da co- luna de destilação, conforme pode ser obser- vado na figura a seguir:
Sua finalidade é proceder o aquecimento da base e, em conseqüência, promover a eva- poração dos componentes mais voláteis. Po- dem ser construídos com dispositivos de aque- cimento com vapor d'água, por aquecimento com circulação de frações de óleos quentes ou, até mesmo, através de resistências elétricas. Os vapores formados na base da coluna circu- larão de forma ascendente. Parte destes serão condensados ao longo do percurso na torre, retornando na forma líquida, permitindo, des- ta forma, um contato íntimo entre o vapor as- cendente e o líquido descendente ao longo da torre. Dependendo do tipo de interno da colu- na, o contato entre a fase líquida e vapor po- derá atingir níveis que melhorarão as condi- ções da separação desejada. Na coluna de destilação, os componentes mais pesados da mistura condensam e retornam à base da coluna, de onde são retira- dos como líquido residual, W. Os componen- tes mais leves atingem o topo da coluna e são retirados como produto destilado, D, após pas- sarem pelo condensador.
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Colunas com pratos perfurados Neste tipo de coluna, os pratos com bor- bulhadores são substituídos por pratos dota- dos de perfurações, cujo diâmetro varia entre 0,8 e 3 mm. O funcionamento é idêntico às colunas que utilizam pratos com borbulhado- res. Geralmente, neste tipo de coluna, não exis- te o tubo de retorno e os pratos ocupam toda a seção da coluna, porém existem projetos em que as colunas com pratos perfurados são do- tadas de tubo de retorno.
Colunas com Recheio Neste tipo de coluna, os pratos ou bande- jas são substituídos por corpos sólidos com formatos definidos. Estes corpos, denomina- dos recheios, podem ser anéis do tipo Rachig, Pall, Lessing ou ainda selas do tipo Berl, Intalox e outros. Alguns destes recheios po- dem ser observados na figura seguinte.
A finalidade do recheio é provocar o con- tato das fases líquido-vapor. Os corpos do re- cheio devem ser de alta resistência à corrosão, razão pela qual são, geralmente, de cerâmica ou de aço inoxidável. Dependendo da tempe- ratura do processo pode-se utilizar também recheios plásticos de alta resistência. As torres que utilizam recheios são muito competitivas com as torres que contêm pratos
com borbulhadores ou pratos perfurados e apre- sentam ainda algumas vantagens, tais como:
1. geralmente são projetos mais econômi- cos, por serem mais simplificados; 2. apresentam pequena perda de carga; 3. não estão sujeitas às formações de es- puma. Os recheios são disponibilizados em se- ções, sobre suportes de sustentação, o que im- pede uma compactação e/ou uma descompac- tação localizada, que formaria caminhos pre- ferenciais ao longo da coluna. O tamanho dos elementos dos recheios, geralmente, variam entre 0,5 e 8 cm.
Como visto anteriormente, em uma colu- na de destilação, o vapor da mistura que sai de um prato atravessa o líquido do prato superior, deixando seus componentes menos voláteis. O calor liberado pela condensação destes com- ponentes vaporiza, então, os compostos mais voláteis do líquido contido no prato superior. Existe, portanto, uma troca de calor e massa ao longo das bandejas da torre e nota-se que, à medida que se sobe na coluna, os vapores tor- nam-se mais voláteis (mais leves) e, à medida que se desce na coluna, os líquidos tornam-se menos voláteis (mais pesados).
Seção de enriquecimento ou absorção É a parte da coluna compreendida entre o prato de entrada da carga e o topo da coluna. Nesta seção, são concentradas as frações ou substâncias mais leves (mais voláteis), ou seja, em todos os pratos acima do prato de alimen- tação, a percentagem de compostos mais le- ves é maior do que na carga. As substâncias mais pesadas são removidas dos vapores que ascendem, pelo refluxo interno de líquido que desce pelo interior da torre, líquido que tam- bém é denominado como refluxo interno.
Seção de esgotamento É a parte da coluna compreendida entre o prato de entrada da carga e o fundo da coluna. Nesta seção são concentradas as frações ou substâncias mais pesadas (menos voláteis), ou seja, em todos os pratos abaixo do prato de alimentação, a percentagem de compostos mais pesados é maior do que na carga. Os com- ponentes ou substâncias mais pesadas, são re- movidos dos vapores que ascendem, pelo re- fluxo de líquido que desce pelo interior da tor- re, também denominado de refluxo interno.
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Neste processo, o balanço material deve- rá ser realizado nas várias seções da coluna, conforme figura a seguir:
Em que: V = vazão mássica do vapor de topo D = vazão mássica do produto de topo L = vazão mássica do refluxo externo F = vazão mássica da carga W = vazão mássica do produto de fundo Vm = vazão mássica de vapor na seção de absorção Vn = vazão mássica de vapor na seção de esgotamento Lm = vazão mássica de líquido na seção de absorção (refluxo interno) Ln = vazão mássica de líquido na seção de esgotamento (refluxo interno) QC = calor retirado pelo condensador QR = calor introduzido pelo refervedor qF = calor contido na carga qD = calor contido no produto de topo qW = calor contido no produto de fundo
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Na seção de esgotamento, tem-se o con- trário da seção de absorção, quanto mais va- por subir na torre por unidade de massa de líquido que desce, melhor será a separação nesta seção da torre, já que a finalidade, nes- ta região, é a remoção dos compostos leves (mais voláteis) do líquido que desce pela torre. Portanto, na seção de esgotamento, também denominada de stripping, quanto maior a razão ( Vn / L (^) n ), melhor será o fracio- namento. Resumindo, pode-se afirmar que, para uma determinada coluna, o grau de fracionamento é tanto maior quanto maior for a razão de re- fluxo interna.
Razão de Refluxo Versus número de pratos da Coluna Existe uma relação entre o número de pra- tos ou bandejas de uma coluna de destilação e a razão de refluxo interna ou externa deste equipamento. Quanto menor for o número de pratos ou bandejas de uma coluna, pior será seu fracio- namento. Podem ser construídas torres com grande número de pratos para operarem com pequena razão de refluxo interna, assim como torres com pequeno número de pratos e razões de refluxo interno elevadas, para uma carga com as mesmas características. Tendo em vista a relação anteriormente descrita, a condição de refluxo ou razão de refluxo mínimo corresponderá a uma coluna com um número infinito de pratos para que seja atingido o fracionamento desejado, assim como a condição de refluxo ou razão de reflu- xo total corresponderá a uma coluna com um número mínimo de pratos para que o fracio- namento desejado seja atingido. Nenhuma destas condições é satisfatória, uma vez que uma torre com número de pratos infinito é um projeto totalmente inviável economicamente, bem como a construção de uma coluna que não produza, pois para o refluxo total não se tem retirada de produtos, como pode ser veri- ficado pelo cálculo abaixo: Na seção de absorção, o seguinte balanço material é observado:
Vm = Lm + D Lm = V (^) m – D
Dividindo-se os dois termos da equação por Vm, tem-se que:
(Lm / V (^) m) = 1 – (D/Vm)
Quando ocorrer refluxo total, então D = 0, logo: (Lm / Vm) = 1 ® Lm = V (^) m, ou seja, a quan- tidade de líquido que desce na seção de absor- ção é igual à quantidade de vapor que sobe nesta seção, não havendo, portanto, produção. Na seção de esgotamento, observa-se o seguinte balanço material:
Ln = V (^) n + W Vn = Ln – W
Dividindo-se os dois termos da equação por L (^) n, obtém-se que:
(V (^) n / Ln) = 1 – (W/ L (^) n)
No caso da seção de esgotamento, todo o líquido residual será vaporizado no refervedor, então W = 0, então: (V (^) n / Ln) = 1 ® V (^) n = Ln, isto é, a quantida- de de vapor que sobe na seção de esgotamen- to é igual à quantidade de líquido que por ela desce e não há produção.
Quando a coluna é operada, portanto, em refluxo total, o fracionamento é praticamente perfeito, porém o gasto com energia é muito elevado e não há produção na coluna, o que torna o processo economicamente inviável.
A relação entre o número de pratos ou es- tágios e a razão de refluxo pode ser observada no gráfico a seguir:
A razão de refluxo interna mínima é aquela que corresponde a um refluxo externo, L, mí- nimo, por conseqüente, os projetos de colunas de destilação são concebidos prevendo-se, geralmente, um refluxo externo com valores que variam entre 1,5 a 2 vezes o valor da ra- zão de refluxo mínima. Este valor é denomi- nado razão de refluxo operacional, RR oper, como pode ser observado no gráfico anterior.
2.6 Fatores que influenciam as principais variáveis na destilação fracionada
Como cada carga a ser processada pode exibir uma característica, pois as proporções
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entre os componentes a serem separados po- dem ser diferentes, haverá, então, uma razão de refluxo para cada carga a ser processada. A diferença de volatilidade entre os componen- tes da carga, de uma torre de destilação fracio- nada, exerce grande influência sobre as variá- veis citadas. Como exemplo, pode-se citar a comparação entre a separação de uma mistura contendo 50% de etano e 50% de eteno de outra contendo 50% de hexano e 50% de eteno. No primeiro caso, a separação entre o etano e o eteno requer tanto uma quantidade de reflu- xo, bem como uma quantidade de estágios (pratos) na coluna muito maiores do que na da separação da mistura entre o hexano e o eteno, pois estes dois últimos compostos possuem grande diferença de volatilidade.
Como mencionado, o componente ou substância que vaporiza a partir do líquido de um determinado prato da coluna é mais volá- til que os componentes contidos no líquido deste prato, e ainda que este vapor esteja em equilíbrio com o líquido do prato, o número de moléculas que abandona a fase líquida para a fase vapor é igual ao número de moléculas que voltam da fase vapor para a fase líquida – princípio do equilíbrio. Para que o equilíbrio, seja atingido é necessário um certo tempo de contato entre as fases. No caso do prato ou bandeja de uma torre de destilação, este tem- po depende dos detalhes construtivos desta bandeja: quanto mais alto o líquido contido neste prato ou bandeja, maior será o tempo de contato entre as fases, pois o líquido perma- necerá mais tempo no prato, e, em consequên- cia o vapor gastará mais tempo para atravessá- lo. O prato que conserva um maior nível de líquido é aquele que mais se aproxima do equi- líbrio entre as fases líquido-vapor e, por isso, é denominado de “prato ideal”. O prato ideal é o dispositivo que permite o maior enriqueci- mento em componentes mais voláteis do va- por que penetra no líquido deste prato. A eficiência de um prato de uma coluna de destilação fracionada poderá ser quantifi- cada pelo enriquecimento de componentes mais voláteis no líquido deste prato, que no caso do prato ideal é de 100%. O valor per- centual da eficiência de um prato real, em uma coluna de destilação fracionada, está entre 50 e 80%, é tanto maior, quanto melhor for o pro- jeto da torre, para as condições de operação
especificadas. Se, por exemplo, uma torre, pro- jetada para uma determinada condição e espe- cificação de carga, mudanças em suas carac- terísticas especificadas, a mesma não corres- ponderá satisfatoriamente às condições inicial- mente previstas, diminuindo desta forma, sua eficiência e, conseqüentemente, podendo com- prometer os resultados inicialmente previstos para aquele projeto. Portanto, o fracionamen- to em uma coluna de destilação depende da eficiência dos seus pratos.
2.7 Problemas que podem ocorrer em bandejas de colunas de destilação
O arraste é o transporte, efetuado pelo va- por, de gotículas de líquido do prato inferior para os pratos superiores. A quantidade de lí- quido arrastado depende da velocidade do va- por ao longo da torre. No arraste, o líquido do prato inferior contamina o líquido do prato superior com compostos pesados (menos vo- láteis), piorando o fracionamento ao longo da coluna. O arraste pode ser provocado pelo au- mento da vazão volumétrica do vapor, que, por sua vez, pode ser decorrente da redução da pressão em alguma região da coluna. As torres de destilação a vácuo são cons- truídas com um diâmetro muito maior do que as torres de destilação atmosféricas, pois como suas pressões são muito baixas, provocam va- zões volumétricas muito elevadas.
Este fenômeno ocorre quando a vazão de vapor, que ascende de um prato inferior para um superior da coluna, não tem pressão sufi- ciente para vencer continuamente a perda de carga apresentada pela bandeja em questão. O vapor, então, cessa temporariamente sua pas- sagem por esta bandeja e, quando sua pressão volta a ser restabelecida, vence a perda de car- ga no prato de forma brusca. Assim diminui a pressão do vapor quase que instantaneamente e cessa a passagem do vapor pelo prato até que seja novamente restabelecida sua pressão. Esta situação permanece até que seja norma- lizada a condição de pressão ao longo da coluna.
É o fenômeno da passagem de líquido da bandeja superior para a bandeja inferior, atra- vés dos orifícios dos dispositivos existentes nos pratos e que são destinados à passagem
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3.1 Introdução Como observado no capítulo sobre o pro- cesso de destilação, nas colunas de destilação fracionada, a seção acima do ponto de alimen- tação da carga da torre é denominada de seção de absorção e a seção abaixo do ponto de ali- mentação da carga da torre é denominada de seção de esgotamento. No entanto, existem processos que utilizam somente absorção ou esgotamento, e, de acordo com a necessidade do processo, são projetadas torres que operam somente com processos de absorção ou, en- tão, apenas com processos de esgotamento. As colunas de absorção e de esgotamen- to, geralmente, não possuem estágios de troca de calor, isto é, não apresentam nem refervedor, nem condensador.
3.2 Conceitos
É uma operação em que uma mistura ga- sosa, V 1 , é colocada em contato com um líqui- do, L 1 , para nele serem dissolvidos um ou mais compostos que se quer remover da mistura gasosa. Geralmente, existe uma diferença de volatilidade muito grande entre os componen- tes da fase gasosa e os da fase líquida. Propor- ciona-se, com isso, somente a absorção dos componentes mais pesados da mistura gaso- sa, sem a perda de componentes da mistura líquida por evaporação.
É a operação inversa à da absorção, ou seja, tem como finalidade remover compostos de um líquido, L 1 , utilizando-se uma corrente de gás ou de vapor, V 1 , Neste caso, são utili- zados gases ou vapores totalmente insolúveis no líquido ou então gases ou vapores com volatilidade muito mais alta do que o líquido em questão. Na realidade, tanto no processo de absor- ção, quanto no processo de esgotamento, existe o mecanismo de transferência de massa de uma fase para outra. No caso da absorção, há trans- ferência de compostos da fase gasosa para a fase líquida e, no caso do processo de esgota- mento, há transferência de compostos da lí- quida para a fase gasosa.
3.3 Solubridade de Gases em Líquidos Quando se coloca um gás em contato com um líquido, num recipiente fechado numa certa condição de temperatura e pressão, parte das moléculas da fase gasosa passa, inicialmente, para a fase líquida, até que se atinja o ponto de equilíbrio para estas condições de temperatu- ra e pressão. Neste ponto, a concentração do gás no líquido é denominada de “solubilidade de equilíbrio do gás neste líquido”, nas condi- ções de temperatura e pressão em questão.
% do gás = solubilidade de equilíbrio. No exemplo acima, a fase gasosa é cons- tituída somente por um tipo determinado de gás. No caso de haver uma mistura de duas ou mais substâncias gasosas, em que somen- te uma delas é solúvel no líquido, a “solubi- lidade de equilíbrio” dependerá da pressão parcial deste gás, na mistura gasosa. O valor da pressão parcial de uma sustância é o percentual
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molecular desta substância em relação à pres- são total da mistura, ou seja:
(P (^) Parcial) (^) A = (%molecularA / 100) x PTotal
Por exemplo, numa mistura gasosa em que a pressão total do sistema é de 20 kgf/cm^2 , tem-se 30% de moléculas de propano; assim a pressão parcial do propano na mistura deste sistema será: (30/100) x 20 = 6 kgf/cm^2.
É possível relacionar a pressão parcial de um determinado gás com a sua solubilidade de equilíbrio num determinado líquido, e com isto, gerar gráficos com curvas de solubilidade de equilíbrio em função da pressão parcial de equilíbrio, como pode ser observado a seguir.
A solubilidade de equilíbrio de um de- terminado gás, a uma certa temperatura, em um determinado líquido, aumenta , com o au- mento da pressão parcial do gás, ou ainda, com o aumento da concentração do gás no referido líquido, desde que a temperatura se mantenha constante (vide figura a seguir).
Concentração ou solubilidade de equilíbrio.