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Orientações baseadas na última edição do caderno de atenção básica assim como em guidelines específicos voltados à introdução alimentar para diferentes faixas etárias, assim como abordo brevemente a suplementação de vitaminas.
Tipologia: Resumos
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PEDIATRIA | INTERNATO 2021 | Eva Gabryelle
Passo 1 – Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos. Passo 2 – A partir dos 6 meses, introduzir de forma lenta e gradual outros ali mentos, mantendo o leite materno até os 2 anos de idade ou mais. ➔ Obs.: A introdução dos alimentos deverá ser a mais ampla possível (porém introduza a cada 3 a 5 dias, um único alimento considerado alergênico, como: leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixes e frutos do mar), a partir do sexto mês de vida, visando a aquisição de tolerância e redução do risco de alergenicidade. ESPGHAN 2017, recomenda que o glúten pode ser introduzido entre 4 e 12 meses, mas o consumo de grandes quantidades deve ser evitado durante as primeiras semanas após a introdução da alimentação complementar. Passo 3 – Após os 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes), três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada. ➔ A criança desmamada e que está em uso de outro tipo de leite, este leite é considerado como refeição, por isto são 5 refeições. Passo 4 – A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança. Passo 5 – A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família. Passo 6 – Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação colorida. Passo 7 – Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições. Passo 8 – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. ➔ Não se deve adicionar sal no preparo da papa da alimentação complementar para lactentes até 12 meses e após esta idade usar sal com moderação. Recomendação feita por Fewtrell e colaboradores (ESPGHAN 2017). Alimentos ultra processados ou com adição de sal, açúcar e baixa qualidade nutricional não devem ser oferecidos aos lactentes (0 a 2 anos), além de reduzir o apetite da criança e competir com os alimentos nutritivos estão associados à anemia, ao excesso de peso e às alergias alimentares. Passo 9 – Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados. ➔ Cuidados com a higiene: É importante orientar as mães sobre a higiene adequada das mãos, dos alimentos e dos utensílios, em especial das mamadeiras, quando utilizadas (Ex: imersão da mamadeira e utensílios do lactente em água com hipo clorito de sódio 2,5% por 15 minutos - 20 gotas de hipoclorito para um litro de água), pode ser utilizado o vinagre, mas a eficácia do hipoclorito é maior. Deve-se preconizar a utilização de bicarbonato de sódio a 1% para reduzir a contaminação com os agrotóxicos (uma colher de sopa para um litro de água) por 20 minutos. Os alimentos devem ser preparados em local limpo, em pequena quantidade, de preferência para uma refeição, e oferecidos à criança logo após o preparo. Os restos devem ser descartados. Os alimentos precisam ser mantidos cobertos e na geladeira, quando necessitarem de refrigeração. A água para beber deve ser fil trada e fervida ou clorada (2 gotas de hipoclorito de sódio 2,5% por litro de água, aguardando por 15 minutos). Passo 10 – Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.
PEDIATRIA | INTERNATO 2021 | Eva Gabryelle ➔ Alimentação da criança doente: considerar a redução do apetite e o risco para deficiências nutricionais. Episódios frequentes de infecções podem desencadear um ciclo vicioso e comprometer o estado nutricional. As crianças que estão em aleitamento materno devem ser estimuladas a mamar, sob regime de livre demanda. Se estiverem recebendo alimentação complementar, é importante a oferta frequente de alimentos de alto valor nutricional, atendendo a demanda da criança, em pequenas quantidades e mais vezes ao dia. Caso a criança esteja consumindo a alimentação da família, pode ser necessário modificar a consistência (alimentos mais pastosos) para facilitar a aceitação. Em situações de febre e diarreia, a água (filtrada e fervida) ou o soro de reidratação oral deve ser oferecido. Após o pro cesso infeccioso, estando convalescente a criança estará pronta para recuperar o crescimento (fase anabólica), portanto necessita da oferta frequente e adequada de nutrientes. ➔ A quantidade de água pode ser a definida por Holliday & Segar (1957):
20kg = 1500ml +20ml/kg/dia acima de 20kg ➔ Deixar este volume de água visível e dar ao longo do dia, pelo menos este vo lume. É claro que a criança doente, com diarreia ou febril, poderá necessitar de uma quantidade maior de líquido, mas ela estará sendo assistida. A recomendação é para uma primeira abordagem como instrução de puericultura e para chamar a atenção para a importância da hidratação.
Definições de termos: ➔ Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, ou leite humano ordenhado, e nenhum outro alimento líquido ou sólido, com possível exceção para medicamentos; ou seja, toda a energia e nutrientes são fornecidos pelo leite materno. ➔ Aleitamento materno predominante: quando o lactente recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água, como sucos de frutas ou chás, mas não recebe outro leite. ➔ Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno, diretamente do seio ou dele extraído, independentemente de estar recebendo qualquer alimento, incluindo leite não-humano. ➔ Aleitamento materno complementado: quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar. ➔ Aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite
O reflexo de busca (procura) auxilia o bebê a encontrar o mamilo mediante um estímulo realizado na face, lábios ou região perioral, que faz com que ele gire a cabeça para o mesmo lado, com a boca aberta e abocanhe o mamilo e aréola, dando início ao reflexo de sucção. Para extrair o leite, o bebê suga o mamilo e a aréola que penetram em sua boca até tocar o palato; a pressão da aréola tracionada contra o palato com a língua propulsiona o leite dos seios lactíferos para a boca da criança, de modo que ela possa engolir (reflexo de deglutição).
PEDIATRIA | INTERNATO 2021 | Eva Gabryelle
A maioria das vitaminas não é sintetizada pelo organismo e necessitam ser ingeridas pela alimentação. Nos casos de alimentação deficiente com riscos de carência, a vitamina deve ser utilizada sob a forma medicamentosa, principalmente nos primeiros anos de vida. VITAMINA K A vitamina K é dada ao nascimento, na dose de 1 mg por via intramuscular, para prevenir a doença hemorrágica. VITAMINA D Em relação à vitamina D, o leite materno contém cerca de 25 UI por litro, dependendo do status materno desta vitamina. A necessidade diária da criança no primeiro ano de vida é de 400 UI de vitamina D. O Departamento de Nutrologia da SBP preconiza suplementação de vitamina D para recém-nascido a termo, desde a primeira semana de vida, mesmo que em aleitamento materno exclusivo ou fórmula infantil.
PEDIATRIA | INTERNATO 2021 | Eva Gabryelle Os três critérios mais utilizados para avaliar o status da 25-OH-vitamina D são os da American Academy of Pediatrics, Endocrine Society Clinical Practice Guideline, e o recente Global Consensus for Nutritional Rickets, que representa as recomenda ções de 11 associações médicas internacionais. Por esses critérios, a definição de hipovitaminose D pode variar de inferior a 12ng/mL a inferior a 29 ng/mL.. A exposição direta da pele à luz solar, não é recomendada devido aos riscos dos raios ultravioleta. Deve-se usar fatores de proteção (roupas e protetor solar), para expor a criança ao sol (Consenso de fotoproteção SBP, 2017). VITAMINA A A concentração de vitamina A no leite materno varia de acordo com a dieta da mãe. Em regiões com alta prevalência de deficiência de vitamina A, a OMS, o Ministério da Saúde e a SBP preconizam o esquema para suplementação medicamentosa de vitamina A, na forma de megadoses por via oral, que devem ser administradas a cada 4 a 6 meses: ➔ 6 - 12 meses: 100.000 UI ➔ 12 - 72 meses: 200.000 UI É importante saber se a criança está recebendo polivitamínico que contenha vitamina A, para não receber a megadose. Também é preconizado realizar o inquérito alimentar para saber se a criança está com deficiência de ingestão da vitamina A para poder repor.
PEDIATRIA | INTERNATO 2021 | Eva Gabryelle facilitadores, como carnes e vitamina C, e evitar os agentes inibidores como leite (cálcio e fósforo), refrigerantes, café e chás (tanino), fibras, fitatos (presentes nos vegetais), e oxalatos (presente no espinafre e na beterraba).