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Passo a Passo, Slides de Medicina

portuguesa muda de um continente para o outro. ... Xarope. Se as ervas tiverem um gosto amargo, pode-se fazer um xarope. ... colete as gotas da seiva.

Tipologia: Slides

2023

Compartilhado em 16/01/2023

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A quarterly
newsletter linking
development
workers around th
world
Uma revista trimestral que aproxima os trabalhadores da área de desenvolvimento de várias partes do mundo
No.48 NOVEMBRO 2001 MEDICAMENTOS TRADICIONAIS
Passo a Passo
Apresentamos, então, uma planta Datura
stramonium, que havíamos colhido na frente
do centro de treinamento, e explicamos
como a usamos nos hospitais no Congo. De
repente, a audiência voltou à vida nova-
mente. Todos conheciam esta planta.
Medicina tradicional
e medicina moderna:
a necessidade de cooperação
Markus Müller e Innocent Balagizi
Hortas medicinais
Cartas
Estudo de caso da RD do Congo
Produção de medicamentos
Medicina natural:
O trabalho da Anamed
Malária: uma nova solução
Estudo bíblico: A dádiva dos
medicamentos tradicionais
Recursos
Estudo de caso:
Práticas tradicionais em partos
Encontrando-se líderes comunitários
LEIA NESTA EDIÇÃO
O que é a medicina
tradicional?
Parte do problema é que este é um assunto
complicado. Não há uma definição única e
clara de medicina tradicional. Entretanto, há
uma enorme variedade de métodos
utilizados para o tratamento de doenças.
Estes métodos são baseados na experiência
pessoal ou no conhecimento compartilhado
ao longo de muitas gerações. Embora haja
alguma boa evidência proveniente de
pesquisas científicas da eficácia dos
medicamentos tradicionais, as pessoas usam
os métodos tradicionais principalmente por
causa da sua própria experiência, com base
nas suas próprias observações. Esta é, na
verdade, a única característica comum de
todos os diferentes métodos de tratamento
de doenças que chamamos de medicina
tradicional.
Para ajudar a nossa compreensão, pode ser
útil dividir a medicina em três grupos
distintos:
Medicina popular Desde a infância, as
pessoas usam as plantas medicinais para
tratar problemas de saúde e doenças, muitas
vezes, com grande eficácia. No leste da
República Democrática do Congo, as mães
do povo Bashi, por exemplo, dão duas ou
três gotas de folhas expremidas de Tetrademia
riparia para os seus bebês beberem, quando
eles têm cólicas abdominais. Para tratar a
febre, as pessoas procuram folhas da árvore
Ficamos sabendo que ela era usada nas
famílias dos participantes para muitas
doenças, desde dores de dentes até
abscessos e cólicas abdominais. No final,
falamos por mais de uma hora só sobre os
usos desta planta!
Esta forte reação à medicina tradicional é
encontrada freqüentemente em muitas
partes do mundo. Em Uganda, um paciente
contou-me “Todos nós a usamos, mas não
gostamos de falar sobre isso, pelo menos
não na frente de um médico missionário.”
Abrimos um seminário sobre a medicina tradicional em Asmara, na Eritréia,
com a pergunta “Algum de vocês possui experiência com a medicina
tradicional?” Houve um silêncio completo, até mesmo hostil, na sala.
Finalmente, alguns participantes disseram “Somos cristãos. Não temos nada
a ver com isso.”
Foto: Dr Hans-Martin Hirt
NOTA AOS LEITORES
APasso a Passo é lida na África, Europa e América do Sul. A língua
portuguesa muda de um continente para o outro. Alguns artigos podem
estar escritos em um estilo diferente do português que você fala. Espera-
mos que isto não venha a mudar a sua apreciação pela Passo a Passo.
NB Escrevemos “AIDS/SIDA”, porque alguns de nossos leitores co-
nhecem a doença como “AIDS”, enquanto outros a chamam de “SIDA”.
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A quarterly

newsletter linking

development

workers around th

world

Uma revista trimestral que aproxima os trabalhadores da área de desenvolvimento de várias partes do mundo

No.48 NOVEMBRO 2001 (^) MEDICAMENTOS TRADICIONAIS

Passo a Passo

Apresentamos, então, uma planta Datura stramonium , que havíamos colhido na frente do centro de treinamento, e explicamos como a usamos nos hospitais no Congo. De repente, a audiência voltou à vida nova- mente. Todos conheciam esta planta.

Medicina tradicional

e medicina moderna:

a necessidade de cooperação

Markus Müller e Innocent Balagizi

  • Hortas medicinais
  • Cartas
  • Estudo de caso da RD do Congo
  • Produção de medicamentos
  • Medicina natural: O trabalho da Anamed
  • Malária: uma nova solução
  • Estudo bíblico: A dádiva dos medicamentos tradicionais
  • Recursos
  • Estudo de caso: Práticas tradicionais em partos
  • Encontrando-se líderes comunitários

LEIA NESTA EDIÇÃO

O que é a medicina

tradicional?

Parte do problema é que este é um assunto complicado. Não há uma definição única e clara de medicina tradicional. Entretanto, há uma enorme variedade de métodos utilizados para o tratamento de doenças. Estes métodos são baseados na experiência pessoal ou no conhecimento compartilhado ao longo de muitas gerações. Embora haja alguma boa evidência proveniente de pesquisas científicas da eficácia dos medicamentos tradicionais, as pessoas usam os métodos tradicionais principalmente por causa da sua própria experiência, com base nas suas próprias observações. Esta é, na verdade, a única característica comum de todos os diferentes métodos de tratamento de doenças que chamamos de medicina tradicional. Para ajudar a nossa compreensão, pode ser útil dividir a medicina em três grupos distintos:

Medicina popular Desde a infância, as pessoas usam as plantas medicinais para tratar problemas de saúde e doenças, muitas vezes, com grande eficácia. No leste da República Democrática do Congo, as mães do povo Bashi, por exemplo, dão duas ou três gotas de folhas expremidas de Tetrademia riparia para os seus bebês beberem, quando eles têm cólicas abdominais. Para tratar a febre, as pessoas procuram folhas da árvore

Ficamos sabendo que ela era usada nas famílias dos participantes para muitas doenças, desde dores de dentes até abscessos e cólicas abdominais. No final, falamos por mais de uma hora só sobre os usos desta planta! Esta forte reação à medicina tradicional é encontrada freqüentemente em muitas partes do mundo. Em Uganda, um paciente contou-me “Todos nós a usamos, mas não gostamos de falar sobre isso, pelo menos não na frente de um médico missionário.”

Abrimos um seminário sobre a medicina tradicional em Asmara, na Eritréia,

com a pergunta “Algum de vocês possui experiência com a medicina

tradicional?” Houve um silêncio completo, até mesmo hostil, na sala.

Finalmente, alguns participantes disseram “Somos cristãos. Não temos nada

a ver com isso.”

Foto: Dr Hans-Martin Hirt

NOTA AOS LEITORES A Passo a Passo é lida na África, Europa e América do Sul. A língua portuguesa muda de um continente para o outro. Alguns artigos podem estar escritos em um estilo diferente do português que você fala. Espera- mos que isto não venha a mudar a sua apreciação pela Passo a Passo. NB Escrevemos “AIDS/SIDA”, porque alguns de nossos leitores co- nhecem a doença como “AIDS”, enquanto outros a chamam de “SIDA”.

Estes são alguns dos medicamentos usados no Hospital Nebobongo, na RD do Congo:

Problema de saúde Nome latino da planta Parte da planta e preparação

infecção por verme nemátodo Carica papaya sementes (cruas ou secas)

feridas infeccionadas Carica papaya fruta verde

disenteria amebiana, asma Euphorbia hirta a planta inteira para chá

bronquite Eucalyptus globulus folhas para tintura

prisão de ventre Cassia occidentalis folhas para chá

dores reumáticas Capsicum frutescens fruta moída para ungüento

queimaduras Aloe ferox gel das folhas

problemas de sono Passiflora edulis folhas secas para chá

malária Artemisia annua folhas secas para chá

náusea Zingiber officinale rizoma fresco

Medicamentos feitos com ervas

Vernonia amygdalina (comumente conhecidas como “folhas amargas”), e, para tratar vermes intestinais, são usadas as folhas da pequena erva Celosia trigyna. Há duas coisas em comum nestes tratamentos:

  • Eles são oferecidos e usados por pacientes ou seus familiares.
  • Eles são gratuitos. As famílias trocam observações sobre o uso destas plantas sem reservas, e não há segredos sobre os seus usos. Algumas plantas medicinais também são usadas como alimento, outras são usadas apenas medicinalmente.

A medicina dos curandeiros tradicionais Para os problemas de saúde difíceis de tratar, os pacientes procuram a ajuda de pessoas que praticam a medicina moderna ou a medicina tradicional. Os curandeiros tradicionais são, muitas vezes, especialistas. As parteiras tradicionais podem ser encontradas em quase todos os povoados. Outros curandeiros tradicionais são as pessoas que endireitam ossos fraturados ou deslocados, ou os especialistas em doenças mentais ou crônicas. Muitas vezes, o trabalho dos curandeiros não se limita apenas aos problemas de saúde física. Os problemas sociais e religiosos, tais como conflitos entre pessoas, ou entre o homem e os demônios ou deuses, são freqüentemente vistos como a causa das doenças. Assim, o tratamento requer procedimentos religiosos ou sociais.

Ao contrário da medicina popular, os procedimentos do tratamento dos curandeiros são secretos e não podem ser discutidos abertamente. Eles só podem ser transferidos de geração a geração, dentro das famílias dos curandeiros, e estes devem ser pagos por seu trabalho. O preço do tratamento depende, muitas vezes, do status social do paciente. O pagamento é, muitas vezes, feito através de bens, tais como galinhas ou cabras. Nos círculos cristãos, os curandeiros tradicionais são geralmente vistos com desconfiança, ou até mesmo medo, pois eles podem trabalhar com poderes espirituais que entram em conflito com a crença cristã. Porém, há, também, curandeiros como as parteiras tradicionais e os herbanários, que estão bem integrados nas comunidades eclesiásticas.

Passo a Passo

ISSN 1353 9868 A Passo a Passo é uma publicação trimestral que procura aproximar pessoas em todo o mundo envolvidas na área de saúde e desenvolvimento. A Tearfund, responsável pela publicação da Passo a Passo, espera que esta revista estimule novas idéias e traga entusiasmo a estas pessoas. A revista é uma maneira de encorajar os cristãos de todas as nações em seu trabalho conjunto na busca da melhoria de nossas comunidades. A Passo a Passo é gratuita para aqueles que promovem saúde e desenvolvimento. É publicada em inglês, francês, português e espanhol. Donativos são bem-vindos. Os leitores são convidados a contribuir com suas opiniões, artigos, cartas e fotografias. Editora: Isabel Carter PO Box 200, Bridgnorth, Shropshire, WV16 4WQ, Inglaterra Tel: +44 1746 768750 Fax: +44 1746 764594 E-mail: [email protected] Editora – Línguas estrangeiras: Sheila Melot Comitê Editorial: Ann Ashworth, Simon Batchelor, Mike Carter, Paul Dean, Richard Franceys, Martin Jennings, Ted Lankester, Simon Larkin, Sandra Michie, Nigel Poole, Alan Robinson, Rose Robinson, José Smith, Ian Wallace Ilustração: Rod Mill Design: Wingfinger Graphics Tradução: S Boyd, L Bustamante, Dr J Cruz, S Dale-Pimentil, T Dew, N Edwards, R Head, J Hermon, M Leake, E Lewis, M Machado, O Martin, J Martinez da Cruz, N Mauriange, J Perry Relação de endereços: Escreva, dando uma breve informação sobre o trabalho que você faz e informando o idioma preferido para: Footsteps Mailing List, 47 Windsor Road, Bristol, BS6 5BW, Inglaterra. Tel: +44 1746 768750 Mudança de endereço: Ao informar uma mudança de endereço, favor fornecer o número de referência mencionado na etiqueta. Artigos e ilustrações da Passo a Passo podem ser adaptados para uso como material de treinamento que venha a promover saúde e desenvolvimento rural, desde que os materiais sejam distribuídos gratuitamente e que os que usarem estes materiais adaptados saibam que eles são provenientes da Passo a Passo, Tearfund. Deve-se obter permissão para reproduzir materiais da Passo a Passo. As opiniões e os pontos de vista expressados nas cartas e artigos não refletem necessariamente o ponto de vista da Editora ou da Tearfund. As informações técnicas fornecidas na Passo a Passo são verificadas minuciosamente, mas não podemos aceitar responsabilidade no caso de ocorrerem problemas. A Tearfund é uma organização cristã evangélica que se dedica ao trabalho de desenvolvimento e assistência através de grupos associados, a fim de levar ajuda e esperança às comunidades em dificuldades no mundo. Tearfund, 100 Church Road, Teddington, Middlesex, TW11 8QE, Inglaterra. Tel: +44 20 8977 9144

Publicado pela Tearfund , uma companhia limi- tada, registrada na Inglaterra sob o No.994339. Organização sem fins lucrativos sob o No.265464. Plantando Artemisia annua var anamed em Adol, no sul do Sudão: uma abordagem comunitária. Foto: Dr Markus Müller

Outras plantas são cultivadas apenas pelas suas qualidades medicinais e são essenciais numa horta medicinal. As variedades de plantas variam conforme o país, mas podem incluir o cravo-de- defunto ( Tagetes erecta ), a tefrósia ( Tephrosia vogelii ), a vinca ( Vinca rosea ), o estramônio ( Datura stramonium ), o urucuzeiro ( Bixa orellana ), o margaridão-amarelo ( Tithonia diversifolia ) e o caruru-azedo ( Hibiscus sabdariffa ). Não se entusiasme demais ao colher estas plantas, para que elas não morram na natureza.

Sebe viva

Antes de plantar as plantas medicinais, plante sebes vivas ao longo das linhas de contorno, para prevenir a erosão do solo, fertilize o solo e crie sombra. As linhas devem ter de 2 a 4 metros de distancia num terreno em declive, e 5 metros num terreno plano. Algumas espécies úteis são:

■ capim-santo ( Cymbopogon citratus ), uma planta medicinal ■ leucena ( Leucaena leucocephala ) um legume que melhora a fertilidade do solo ■ Cassia spectabilis , que cresce facilmente a partir de enxertos de um metro ■ feijão guandu ( Cajanus cajan )

■ moringa ( Moringa oleifera ), que produz folhas e frutos comestíveis, ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais. Todos os anos, no início da estação das chuvas, apare as sebes vivas numa altura de um metro e enterre as folhas no solo.

Árvores

Plante árvores frutíferas ao redor das sebes ou ao longo da horta. Dependendo do solo, do clima e da altitude, plante mangueiras, tamarindos, laranjeiras, mamoeiros, goiabeiras e abacateiros. Todas as frutas destas árvores são ricas em vitaminas A e C.

Plante árvores de nim, se o clima permitir. Elas possuem muitas propriedades medicinais, inseticidas e outras. Elas crescem bem, mesmo em climas secos.

Métodos de plantio

Se possível, faça duas hortas – uma horta de demonstração e uma de produção. Para a horta de produção, é útil montar um viveiro para gerar sementes e pequenos enxertos. É melhor semear em linhas alternadas ou misturar as várias plantas medicinais, assim como elas cresceriam na natureza. Desta forma, as plantas fornecem sombra umas para as outras, e é possível fazer uma colheita na estação seca também.

Descubra experimentando se as plantas crescem melhor ao sol ou à sombra, e se elas precisam de muita ou pouca água. Observe cuidadosamente onde elas parecem florescer na natureza.

Horta de demonstração

Separe uma pequena área para a horta de demonstração, que poderá ser utilizada para aulas com funcionários médicos, curandeiros tradicionais, crianças de escolas e professores. Plante exemplares de cada planta conhecida e usada na medicina tradicional. Faça esta horta perto da rua – por exemplo, perto da entrada de uma clínica ou hospital. Assim, todos que passarem poderão vê-la.

Rotule as suas plantas

Na horta de demonstração, coloque um rótulo em cada planta, com o nome local, o nome cientifico e os seus usos escritos nele. Podem-se cortar lâminas de ferro e baldes de plástico velhos, para fazer rótulos permanentes úteis. Escreva com uma caneta de tinta permanente. O nome científico é importante, pois os visitantes de outros países – ou mesmo do povoado vizinho – podem chamá-las por nomes locais bem diferentes.

Hortas medicinais

O cultivo das plantas medicinais garante que elas sejam preservadas para o

seu próprio uso, assim como para as futuras gerações. Muitas frutas servem

como medicamentos, assim como alimento. Algumas delas são a banana, o

abacaxi, a amora, o maracujá e o mamão. Algumas plantas comestíveis que

também servem como medicamento são a cebola, o alho, o amendoim, o

repolho, a pimenta, o café, a abóbora, o girassol, a batata doce, o arroz, o

milho, o gengibre, a pimenta do reino e o gergelim ( Sesamum indicum ).

Informações fornecidas pelo Dr Keith Lindsey e pelo Dr Hans-Martin Hirt, da Anamed, Schafweide 77, 71364 Winnenden, Alemanha.

As laranjeiras são boas fontes de vitaminas A e C.

Separe uma pequena área para a horta de demonstração.

Foto: Isabel Carter, Tearfund

Foto: Dr Markus Müller

PASSO A PASSO
47 WINDSOR ROAD
BRISTOL
BS6 5BW
INGLATERRA

CARTAS

Coletores de água da chuva

As informações da Passo a Passo ajudaram as pessoas a construir tanques de cimento armado para a água da chuva. Entretanto, muitas pessoas precisam de saber como evitar que os mosquitos se reproduzam dentro destes tanques. Aqui estão os passos práticos que desenvolvi, para fazer uma tampa em forma de domo:

■ Meça o diâmetro do topo do tanque e acrescente 3–4cm. ■ Corte um pedaço de cordão com exatamente metade desta medida. ■ Marque um ponto central num solo plano. Segure uma das extremidades do cordão neste ponto e, com o cordão esticado, mova a outra extremidade ao redor dele, marcando um círculo no solo. ■ Cave um pouco da terra e pressione firmemente, para formar um buraco raso. ■ Cubra a terra com papel ou aniagem. ■ Coloque arames de metal de 6mm atravessando o círculo em ambas as direções, com aproximadamente 6–10cm de distância entre eles e amarre-os.

Se for uma fêmea com um bezerro, a quantidade de leite diminui, e o leite fica ensangüentado. O bezerro morre, se tiver menos de dois meses de idade. Se a vaca estiver prenha, o parto é de nado-morto. Os criadores de gado chamam-na mborro. Ela se propaga através do pasto infectado. Eu acho que deve ser uma infecção causada por bactéria ou vírus. Isso ocorre em outros países? Alguém sabe o nome científico desta doença e onde e como se pode conseguir uma vacina ou um remédio para tratá-la? No momento, não há nenhum tratamento, e, se uma vaca a contrai, todas as outras no rebanho também a pegam.

Ngah Edward CITEX Farmers c/o BBH Box 9, Nso , NWP Camarões O DR E GOODMAN (CHRISTIAN VETERINARY MISSIONS) RESPONDE: O problema de saúde que o senhor descreve enquadra-se com a descrição da febre aftosa. Ela deve ser confirmada com os devidos testes, através das autoridades veteri- nárias governamentais, o mais rápido possível. Existe uma vacina, a qual pode ajudar a limitar a propagação. Esta doença é muito contagiosa e os animais não devem ser removidos para outras regiões. Considere a possibilidade de animais trazidos de fora serem a fonte original da infecção. A Christian Veterinary Missions oferece um serviço de consultoria, para dar informações sobre infecções des- conhecidas nos animais. Eles podem enviar um formulário para os fazendeiros completarem, a fim de ajudar a CVM a responder às suas perguntas. O endereço é: CVM, PO Box 166, Turbeville, SC 29162, EUA E-mail: [email protected]

Apicultura em Camarões

Ficamos contentes ao descobrirmos a Pas à Pas. Somos membros da Apicultores de Camarões (APICAM). Somos uma organização muito ativa, formada há 14 anos, e gostaríamos muito de dividir o nosso conhecimento de apicultura com os leitores da Passo a Passo. Ruben Ngwe BP 14814, Yaoundé Camarões

■ Também, se possível, coloque uma tela de arame ou rede por cima. ■ Cubra com um cimento firme e argamassa de areia (uma parte de cimento para três partes de areia), de maneira que a tampa tenha de 2–3cm de espessura. ■ Cubra com linhagem húmida e deixe solidificar por vários dias. Se for necessário que haja uma pequena abertura na tampa, coloque, primeiro, uma vasilha ou lata entre os arames, antes de colocar a argamassa. Faça uma tampa com mosquiteiro ou uma vasilha que se encaixe bem.

Você também pode usar este método, para fazer uma tampa plana – simplesmente faça a tampa num solo plano. Entretanto, a tampa em forma de domo é mais forte. Dickson Tenywa The Rain Harvesters Technicians PO Box 15131, Kibuye Uganda

Biscoitos nutritivos

Sou enfermeira e organizo um grupo para crianças pequenas. Nós as ensinamos a trabalhar e sobre a Palavra de Deus. Para conquistar a sua confiança, no final do encontro, damos-lhes doces feitos por nós mesmos, ou biscoitos que compramos, os quais são caros. Já temos alguns ingredien- tes, como soja, farinha e açúcar. Algum dos leitores teriam receitas para fazer biscoitos, para diminuirmos as nossas despesas?

Muanda Mimi Antoine BP 227, Boma, Bas Congo RD do Congo

Doença de gado

Sou trabalhador na área da saúde e uso o meu tempo livre, para ajudar os fazendeiros camponeses e os grandes Bororo (criadores de gado) que vivem aqui em Kouhouat, no oeste de Camarões.

Recentemente, um criador de gado abordou-me com este problema. Há uma doença que está atacando as vacas. Primeiro, a vaca começa a morder a boca seriamente. No segundo dia, ela começa a produzir uma grande quantidade de saliva e pára de comer por vários dias. Depois de uma semana, as pernas começam a ter problemas, e a vaca não consegue andar durante as três semanas seguintes e fica descansando na sombra.

(Esquerda) Uma das tampas em forma de domo da Rain Harvesters. (Direita) Alguns dos membros da APICAM em Foto: Dickson Tenywa Camarões, com as suas abelhas.

Aqui está uma lista de alguns dos vários processos que podem ser utilizados. As páginas 8 e 9 contém exemplos de como estes processos são utilizados, para produzir medicamentos a partir de apenas sete plantas comuns. Naturalmente, há centenas de plantas benéficas que podem ser usadas. Selecionamos apenas algumas, que são bastante conhecidas e foram testadas, experimentadas e pesquisadas cientificamente.

Extrato com água fria

Este é utilizado para ingredientes que são destruídos pelo calor. As folhas devem ser cortadas em pequenos pedaços, e as raízes, moídas. Deixe os ingredientes de molho em água fria de um dia para o outro. Use dentro de um dia.

Chá (ou infusão )

Despeje um litro de água fervendo em cima de um punhado de ervas. Deixe por 15–20 minutos e, então, filtre com um tecido limpo. Use dentro de um dia.

Decocção

Ferva um punhado das ervas em um litro de água por 20 minutos. Filtre com um tecido limpo. Use dentro de um dia.

Xarope

Se as ervas tiverem um gosto amargo, pode-se fazer um xarope. Depois de preparar o chá ou a decocção, filtre o líquido e acrescente uma xícara (chávena) de açúcar para cada xícara de líquido. Aqueça levemente, se necessário, para dissolver o açúcar. Use dentro de três dias.

Tintura

As tinturas contém álcool, o qual ajuda a conservar os extratos das ervas. Use um álcool medicinal de boa qualidade. Geralmente, mistura-se 100g de ervas com um litro de uma mistura de álcool e água (45–70% de álcool). A mistura não é aquecida, mas colocada dentro de uma garrafa e deixada por uma semana num local morno, antes de ser filtrada. Quanto maior o teor de álcool, maior o tempo de conservação. Com 20% de álcool, deve conservar-se por dois anos; um teor de 40% ou mais de álcool, significa que se conservará por cinco anos.

Ungüento

Os ungüentos usam óleo vegetal puro e cera. O azeite de dendê (óleo de palma) de boa qualidade, feito com dendê recém colhido e processado é muito adequado. Pode-se também utilizar azeite de oliva, óleo de amendoim ou óleo de manteiga de karitê. Seque as folhas e triture-as até formarem um pó fino. Misture uma xícara (chávena) deste pó com nove xícaras de óleo. Aqueça a mistura em banho-maria em duas panelas. Encha a panela maior externa

Produção de

medicamentos

O preparo de um medicamento a partir de uma planta que contém uma

substância química benéfica varia de acordo com a substância química e a

planta. Às vezes, a substância química é extraída das folhas com água

fervendo. Às vezes, as raízes são desenterradas e moídas. O processo mais

comum e básico para a produção de medicamentos é através do uso de

líquido e calor.

Atenção!

Há riscos e efeitos colaterais no uso de plantas medicinais. Todas as ervas, assim como todas as substâncias químicas, podem causar uma variedade de efeitos. O efeito principal pode ser positivo para um paciente, negativo para outro e até mesmo perigoso para um terceiro. Por exemplo, uma planta que é boa para a pressão sangüínea baixa, pode matar uma pessoa com pressão sangüínea alta. Além disso, a quantidade do ingrediente ativo de uma planta pode variar de acordo com a variedade, a estação ou a idade da planta. Por isso, não nos podemos responsabilizar por quaisquer resultados do uso destas receitas com ervas. Tudo o que podemos fazer é incentivá-lo a ser cuidadoso e observador. Mantenha anotações e registros cuidadosos de todas as ervas, quantidades, tratamentos e efeitos. Aprenda constantemente com as suas próprias experiências e esteja em contato direto com outros especialistas, para poder aprender com o conhecimento e a experiência deles. Quando em dúvida, procure auxílio.

com um quarto de água e leve-a ao fogo. Coloque o óleo e o material vegetal na panela menor interna com tampa. Assegure-se de que a água da panela externa não entre na panela interna. Deixe a água ferver por 60 minutos. Não tente fazer isso sem o banho-maria, pois o calor excessivo danifica o óleo. Filtre o óleo com um tecido de algodão, enquanto ainda estiver quente. Acrescente uma xícara de cera limpa aquecida (use cera de abelha, cera comercial ou velas), enquanto o óleo ainda estiver quente, e mexa por um minuto.

Adaptado do livro Natural Medicine in the Tropics , examinado na página 14.

Aqui estão apenas alguns exemplos das receitas

explicadas no livro da Anamed, Natural Medicine in

the Tropics (veja a página 14).

Algumas das plantas aqui descritas também são tóxicas (venenosas) e podem causar reações sérias, se você mudar a receita ou usar as plantas de maneira indevida. Vários sintomas e doenças mencionadas tais como a tosse e o diabetes, podem revelar problemas de saúde fundamentais sérios. Sempre que possível, as pessoas devem consultar, primeiro, um profissional da área da saúde ou um médico.

Recomendamos com grande ênfase o uso de balanças exatas. Se não for possível obtê-las, seque as folhas, remova os caules, esfregando-os sobre uma tela de arame para mosquiteiro. 5g de folhas secas é aproximadamente o equivalente ao que caberia bem apertado dentro de um tubo de plástico de filme fotográfico de 35mm. Por favor, monitore a eficácia do seu tratamento com microscópios e outros equipamentos disponíveis nos postos de saúde.

OUTROS NOMES Zingiber officinale

PARA TRATAR Enjôo de viagem e náusea PREPARO O gengibre em pó é feito lavando, secando, moendo e peneirando o rizoma (a raiz subterrânea). POSOLOGIA Tome uma colher de chá rasa do pó 30 minutos antes de viajar. Para evitar a náusea, tome 1 /2 colher de chá do pó 3 vezes ao dia.

PARA TRATAR Disenteria bacilar POSOLOGIA Tome 45g de gengibre fresco em porções durante o dia.

PARA TRATAR Tosses, bronquite e reumatismo PREPARO Faça uma tintura com 25g de gengibre recém picado e 100ml de álcool 70%. Deixe por uma semana e filtre. POSOLOGIA Tome 10–20 gotas da tintura 3–4 vezes ao dia. Use, também, como anti-séptico para pequenas feridas.

PARA TRATAR Reumatismo PREPARO Faça um óleo de gengibre, aquecendo 10g de gengibre picado em 50g de óleo vegetal por 1 hora em banho-maria. Coe e deixe esfriar. POSOLOGIA Aplique nas áreas doloridas.

Gengibre

OUTROS NOMES Psidium guajava

PARA TRATAR Diarréia e disenteria amebiana PREPARO Use um punhado de folhas para fazer uma decocção com um litro de água. Filtre, acrescente 4 colheres de sopa de mel ou 2 colheres de sopa cheias de açúcar e 1 colher de chá rasa de sal. POSOLOGIA Tome dentro de um dia.

PARA TRATAR Diabetes e tosse PREPARO Como acima, mas não coloque o mel e o sal. POSOLOGIA Tome dentro de um dia.

Goiaba

OUTROS NOMES Papaia, Carica papaya

PARA TRATAR Vermes intestinais PREPARO Para obter o látex, lave um mamão grande verde, ainda no mamoeiro, faça vários cortes verticais de 1mm de profundidade na casca e colete as gotas da seiva branca numa colher ou xícara (chávena) limpa. A faca e a colher utilizadas devem ser de aço inoxidável, pois os vestígios de ferrugem podem destruir a substância química ativa, a papaína. Mantenha o látex longe dos olhos. POSOLOGIA Para os adultos, tome 4 colheres de chá do látex fresco pela manhã, antes de comer. Repita uma semana mais tarde. Para os bebês de 6 meses a 1 ano, dê 1 /2 colher de chá; de 1–3 anos, 1 colher de chá; de 4–6 anos, 2 colheres de chá e de 7–13 anos, 3 colheres de chá.

PARA TRATAR Feridas sujas – para limpá-las POSOLOGIA Coloque algumas gotas do látex em água fervida fria.

PARA TRATAR Indigestão POSOLOGIA Coloque 1 ou 2 gotas do látex na comida ou mastigue 3 sementes de mamão.

PARA TRATAR Disenteria amebiana POSOLOGIA Mastigue uma colher de chá de sementes de mamão 3 vezes ao dia, durante 7 dias para os casos leves. Para os casos graves, dê uma colher de sopa de sementes moídas 3 vezes ao dia, durante 7 dias.

PARA TRATAR Furúnculos abertos, feridas infeccionadas e queimaduras POSOLOGIA Lave e corte um mamão verde. Com uma faca de aço inoxidável limpa, corte uma fatia da espessura do dedo mindinho de uma criança. Coloque-a sobre a ferida, fixando-a com uma bandagem. Deixe por 4 horas; mas, se doer, retire antes. Repita 4 vezes ao dia até que o pús infeccionado desapareça. Entre estes tratamentos, cubra a ferida com uma mistura de mel e açúcar.

Mamão

Remédios

naturais

Um bispo metodista na República Democrática do Congo costumava proibir os hospitais na sua diocese de usar plantas medicinais. Muitos enfermeiros queriam usar estas plantas, pois eles estavam familiarizados com o seu uso, mas o bispo tinha medo de bruxaria e estava decidido a usar somente a medicina ocidental moderna na sua diocese. Quando o conhecemos pessoal- mente, demos a ele o cartaz da Anamed das 60 plantas medicinais que crescem no seu país e o livro Natural Medicine in the Tropics , o qual descreve como preparar e usar medicamentos feitos com estas plantas. Ele imediatamente perguntou se podia tratar as suas próprias doenças usando as receitas do livro. Lembramos a ele que isso era contrário às suas próprias crenças, mas ele disse que materiais tão bem produzidos e coloridos certamente não eram tradicionais, mas, sim, modernos e científicos e, portanto, totalmente aceitáveis!

Uma mudança de opinião

Uma situação

desesperadora

Hoje, as empresas químicas e farmacêuticas estão correndo para patentear a produção de medicamentos feitos com plantas tropicais, tais como o nim, o karitê, a pervinca e muitas outras plantas. As propriedades terapêuticas de muitas destas plantas foram agora provadas por pesquisas científicas recentes. Porém, elas têm sido usadas em receitas tradicionais por muitos séculos.

A situação em muitos países tropicais agora está bastante desesperadora. O preço cada vez mais alto dos remédios médicos, as leis de patenteação modernas e a queda no valor das moedas locais fazem com que os centros médicos não tenham condições, às vezes, para comprar os remédios mais básicos. Ao mesmo tempo, o conhecimento e as habilidades locais em termos de

remédios feitos com ervas estão-se perdendo rapidamente. Muitas comunidades estão sendo deixadas sem nenhum conhecimento especializado na área da saúde.

A cooperação entre todas as partes envolvidas na provisão de atendimento à saúde – tanto os curandeiros tradicionais quanto os funcionários médicos – é, portanto, extremamente importante para o bem-estar das pessoas locais.

Reunindo-se

A Anamed é uma pequena iniciativa cristã na Alemanha. Eles possuem uma experiência considerável na realização de seminários sobre a “medicina natural”. Estes seminários geralmente duram uma semana, com aproximadamente 30 pessoas, sendo que algumas são treinadas na prática médica moderna, tais como

médicos, enfermeiros e sanitaristas básicos, e outras são curandeiros tradicionais.

A Anamed descreve a medicina natural como a combinação das vantagens da medicina do Sul com as da medicina do Norte.

A boa medicina tradicional com base nas ervas é acessível, utiliza plantas disponíveis no local, é relativamente barata (podendo, às vezes, ser paga com galinhas, ao invés de dinheiro) e é muito pessoal. A medicina moderna, por outro lado, enfatiza a importância da limpeza e da higiene e as medidas e a posologia precisas. Assim, cada uma delas tem muito a ganhar com a outra! Hoje, ainda há freqüentemente suspeita e desconfiança entre os curandeiros tradicionais e os funcionários dos hospitais. Compreendemos os dois lados. Do ponto de vista dos médicos e dos missionários, os curandeiros incutem medo, amaldiçoam as pessoas, fazem coisas ridículas como “retirar dentes falsos” ou causam mutila- ções terríveis, o que, muitas vezes, mata pessoas. Do ponto de vista do curandeiro, por outro lado, os médicos exploram os seus pacientes, não compreendem as crenças e os comportamentos culturais e não revelam o seu conhecimento sobre como prevenir doenças. Muitos curandeiros acreditam que os médicos não tentam proporcionar a boa saúde à região, mas, ao contrário, procuram ganhar muito dinheiro tratando um grande número de “seus” antigos pacientes.

Respeito mútuo

Durante os seminários, o primeiro passo importante é organizar para que os curandeiros e os médicos comam as mesmas refeições juntos e durmam nas mesmas casas! O segundo passo é fazer com que o respeito mútuo cresça, permitindo que eles reconheçam que cada um tem êxitos assim como fracassos em seus tratamentos. O terceiro passo é começar a

Anamed

“Medicina natural”

Dr Hans-Martin Hirt e Dr Keith Lindsey

Quando os europeus chegaram pela primeira vez à África, à Ásia e às

Américas e testemunharam práticas como o sacrifício ritual e a idolatria dos

ancestrais, eles logo as rotularam como primitivas, introduzindo, ao invés

delas, os costumes, a cultura e a religião européia. Entretanto, agora,

reconhecemos que há muito a ser aprendido com estas culturas tradicionais.

Ao rejeitarem-se algumas práticas perigosas, muitas outras práticas benéficas

foram ignoradas.

compartilhar parte do seu conhecimento uns com os outros.

No último dia dos nossos seminários, discutimos como organizar para que haja cooperação no futuro. Os funcionários médicos elegem uma pessoa para ser o seu representante, e os curandeiros fazem o mesmo. Estes dois representantes encontram-se todos os meses, ou com mais freqüência, quando há problemas. Eles servem de canal de comunicação entre os grupos. Aqui estão exemplos de situações que podem muito bem ocorrer:

Na ronda da manhã, o médico descobre que um paciente com câncer (cancro) recebeu cortes profundos que causaram sangramento e infecção durante a noite, por parte de um curandeiro que entrou furtivamente no hospital! Como resultado, o médico chama o representante médico, que fala com o representante dos curandeiros. Desta forma, evita-se que o problema se repita.

Um paciente diabético não tem dinheiro para comprar insulina e procura ajuda no hospital. Trabalhando-se através dos representantes, encontra-se um curandeiro conhecido por seu êxito no tratamento do diabetes. O hospital oferece as suas instalações laboratoriais para que o curandeiro examine gratuitamente o sucesso ou o fracasso do seu tratamento com ervas!

Muitas igrejas acusam os curandeiros de praticar bruxaria. Nos nossos seminários, sempre passamos tempo suficiente discutindo esta questão muito importante. Entretanto, é certo que, se um curandeiro tiver acesso a todas as plantas de que precisa, a tentação de usar bruxaria será muito menor. Criar uma horta medicinal para suprir o fornecimento constante de ervas é essencial.

Os benefícios dos

seminários

Vimos que reunir os curandeiros tradicionais e os médicos tem os seguintes resultados positivos:

■ A população em geral fica melhor informada, pois os comitês dos departamentos de saúde locais escolhem representantes para assistirem aos seminários, os quais informam as pessoas. As pessoas ficam melhor protegidas contra práticas ruins e perigosas. Por exemplo, uma das fontes de infecção de HIV/AIDS (SIDA) e hepatite B na República Democrática do Congo é através dos 40.000 curandeiros não

treinados, que dão injeções com seringas não esterilizadas. Com treinamento, os curandeiros e as parteiras tradicionais podem oferecer um tratamento melhor sem propagar o HIV/AIDS (SIDA).

■ Os funcionários médicos aprendem o valor e os efeitos das plantas medicinais e começam a usá-las para tratamentos. ■ Os curandeiros tradicionais aprendem como usar doses precisas, preservar seus produtos de forma melhor e a importância da higiene.

■ As parteiras tradicionais não são mais forçadas a trabalhar ilegalmente e, depois de serem treinadas, oferecem um melhor atendimento à maternidade e ao bebê.

■ O meio ambiente melhora, pois o valor econômico das plantas nativas usadas medicinalmente aumenta e, assim, elas passam a ser protegidas.

Incentivando a boa prática

Incentivamos os “curandeiros tradicionais” a praticar a medicina natural. Isto significa que eles concordam em NUNCA : ■ darem injeções ■ fazerem tatuagens ■ fazerem cortes (na esperança de libertar a dor ou os maus espíritos) ■ retirarem os chamados “dentes falsos” das crianças (os dentes novos das crianças pequenas que sofrem má-

Medicina ocidental (moderna) ■ Higiênica ■ Aceita cientifica e internacionalmente ■ O profissional médico teve muito treinamento e compreende o corpo e a doença ■ É feito um exame médico completo, com testes laboratoriais ■ Utiliza posologias precisas ■ Os medicamentos duram muito tempo ■ As plantas são identificadas através dos seus nomes científicos ■ O governo controla os padrões da prática da medicina ■ Pode-se tratar um grande número de pacientes, por exemplo, durante epidemias

Medicina tradicional com ervas ■ Utiliza plantas disponíveis no local ■ Não há resíduos perigosos que precisem ser eliminados de maneira segura ■ Não há problemas de câmbio para remédios caros ou atrasos na alfândega ■ Geralmente, é barata para o paciente ■ Cria empregos na horta medicinal e no preparo dos medicamentos ■ O dinheiro pago pelo tratamento permanece na economia local ■ Incentiva a independência ■ O curandeiro fala a mesma língua que as pessoas ■ Às vezes, é o único auxílio médico disponível

Vantagens dos dois sistemas

Produção de óleos medicinais durante um dos seminários da Anamed sobre “medicina natural”. Foto: Anamed

Embora poucas pessoas questionem os benefícios dos tratamentos com ervas, realmente existem poderes exercidos por alguns curandeiros com os quais os cristãos não se devem envolver. Além disso, cada cultura pode saber de práticas diferentes. Como podemos iniciar a discussão destas questões de uma forma que ajude as pessoas a serem honestas? Como podem os cristãos ser sábios nesta abordagem? Aqui estão algumas questões para discussão, que podem ajudar as pessoas a encontrarem o caminho certo na sua cultura.

1

Na África, quase 80% da população vive nas áreas rurais e depende dos serviços dos curandeiros tradicionais. Porém, com freqüência, pouco é feito pelos trabalhadores da área da saúde e médicos para trabalhar com os curandeiros tradicionais. Por que isso?

2

As diretrizes da OMS incentivam a cooperação com os herbanários e as parteiras tradicionais. Como está isto sendo abordado no seu posto de saúde local?

3

São usadas palavras como médico feiticeiro, curandeiro, adivinhador, herbanário, sacerdote, xamã e profeta para descrever uma série de curandeiros tradicionais. Discuta os termos usados na sua região. Que termos descrevem as influências espirituais que os cristãos devem evitar?

Medicamentos tradicionais:

dádivas de Deus Eva Ombaka

Desde o princípio, lemos em Gênesis 1:29 como Deus colocou as plantas nas nossas vidas. Ele nos deu plantas que carregam sementes e árvores que carregam frutos para que as usássemos como alimento. E, assim, em todos os lugares, úmido ou seco, na terra ou no mar, crescem as plantas adequadas (Isaías 41:19).

  • O que isto significa nas nossas vidas diárias e para a vida na Terra? Um corpo bem nutrido é também geralmente um corpo saudável. Quando temos uma dieta equilibrada (Ezequiel 4:9), o alimento que comemos pode ser visto como um cuidado preventivo da saúde. Além disso, Deus dá-nos o uso das plantas e das ervas para a cura, tanto física (2 Reis 20:7; Salmos 51:7) quanto emocional (Salmos 45:8; Gêne- sis 43:11).
  • Reflita sobre como as pessoas têm usado as plantas, as sementes e as ervas. Quais são as conseqüências deste uso? O ministério de Jesus inclui tanto a cura espiritual (Mateus 9:2) quanto física. Ele usava a força divina (Lucas 5:17), a fé (Lucas 7:6-10; Lucas

18:42), o tato (Mateus 8:2-3) e até produtos preparados, tais como o lodo e a saliva, usados para a cura em João 9:6-7. Havia, também, rituais associados com a limpeza e a cura, tanto no Velho quanto no Novo Testamento (Levítico 14:49-57; João 17:12-19; Marcos 8:22-25).

  • Considere os diferentes métodos de cura existentes hoje em dia e os rituais associados a eles. Com quais deles você, como cristão, concorda, e por quê? Leia Filipenses 1:9-10 e Tiago 1: Ao considerarmos o uso dos medicamentos tradicionais, façamos escolhas através do estudo e da observação cuidadosa, pedindo a Deus por sabedoria para vermos claramente que tratamentos são melhores, puros e inocentes.

A Dra Eva Ombaka é farmacêutica e a coordenadora da Ecumenical Pharma- ceutical Network. Ela trabalha em Nairobi, Quênia. E-mail: [email protected]

ESTUDO BÍBLICO

Questões para discussão

Medicina tradicional é um termo que não se refere apenas às curas para as doenças

através de ervas. Ele também está relacionado a tudo que é tipo de abordagem

terapêutica. Nesta edição, enfocamos os enormes benefícios disponíveis no uso de

remédios feitos com ervas experimentados e testados. Entretanto, o limite entre as

curas através das ervas e as influências mais espirituais não é claro. Os

cristãos têm evitado todos os aspectos da medicina tradicional por

medo das influências espirituais negativas.

4

Os curandeiros tradicionais, muitas vezes, levam em consideração não apenas os sintomas físicos da doença, mas, também, a mente, a alma e o corpo do paciente. Que vantagens e desvantagens há nesta abordagem?

5

As pessoas que não são cristãs muitas vezes acham que a doença ou o infortúnio são causados tanto por forças visíveis quanto invisíveis, tais como ancestrais, espíritos, anciões ou vizinhos. Como podem os cristãos desafiar esta abordagem de uma forma útil?

6

O que devem fazer os cristãos que trabalham na área da saúde, se os curandeiros locais considerarem o significado espiritual dos seus remédios feitos com ervas mais importantes que as propriedades medicinais?

Por toda a África oriental, milhares de agricultores estão plantando ervas daninhas nas suas plantações de milho. Embora isso pareça estranho, esta técnica aumenta a produção, pois dá às pragas de insetos outra coisa para comer, ao invés do milho. “É melhor do que inseticida e muito mais barato,” diz Ziadin Khan. “A produção agrícola aqui, perto de Mbita, no Quênia, aumentou em 60–70%.” Na África oriental, o milho enfrenta duas pragas principais. A primeira é um inseto chamado broca das hastes. Na maioria dos anos, a larva come, perfurando um terço do milho da região. Porém, Khan descobriu que as brocas das hastes preferem uma erva daninha local, a grama (relva) napier. Plantando a grama napier nas plantações, os agricultores podem atrair as brocas das hastes para longe do milho, numa armadilha, pois a grama produz uma substância pegajosa que mata a larva da broca das hastes (entretanto, em regiões com alta precipitação pluvial, a grama (relva) napier pode tornar-se invasiva). A segunda praga principal é a striga, uma planta parasita que destrói 10 bilhões de dólares nas colheitas de milho por ano, ameaçando o sustento de 100 milhões de africanos. Mondar a estriga é uma das atividades que consome mais tempo para milhares de mulheres agricultoras africanas. Khan descobriu que uma outra erva daninha chamada desmódio parece liberar uma substância química de que a striga não gosta. Se os agricultores plantarem desmódio entre as fileiras de milho, a striga não crescerá. As idéias de Khan estão espalhando-se rapidamente. O Centro Internacional para a Fisiologia e a Ecologia em Nairobi, onde Khan trabalha, acabou de concluir experiências em mais de duas mil fazendas.

Adaptado por Fred Pearce, a partir de um artigo sobre agricultura sustentável escrito por Jules Pretty em New Scientist, Fevereiro de 2001.

Ervas daninhas úteis

RECURSOS

The Healthy Eyes Activity Book

Este é um livro didático sobre a saúde para crianças na escola primária, que oferece muitos exercícios e atividades para serem usados em aulas. As 50 páginas fornecem muitas idéias para aulas e materiais para serem fotocopiados e usados com a classe. O livro apresenta informações sobre a boa saúde dos olhos, a prevenção da cegueira (principalmente devido a acidentes) e uma compreensão das causas dos problemas de visão. O livro custa 3 libras esterlinas, incluindo o envio postal (cinco exemplares por 11 libras esterlinas) e pode ser obtido através de: International Centre for Eye Health Institute of Opthalmology 11–43 Bath St London EC1V 9EL Reino Unido

Fax: +44 20 720 3207 E-mail: [email protected]

Community Development

CD-ROM Library

Acaba de ser publicada uma nova edição desta biblioteca em disco compacto muito útil. Esta é a versão 3.0 e contém o conteúdo de mais de 1.150 livros e jornais relacionados com o desenvolvimento. O escritório da Passo a Passo possui cópias que podem ser obtidas por 10 libras esterlinas (15 dólares americanos), incluindo o envio postal por via aérea. Há algumas cópias gratuitas para grupos que não possuem acesso ao câmbio exterior. Por favor, escreva para: PO Box 200 Bridgnorth Shropshire WV16 4WQ Reino Unido

Trees for Living

Este boletim informativo é produzido duas vezes por ano, para incentivar as redes regionais para a agrosivilcultura no sul da África. Ele apresenta artigos sobre várias espécies arbóreas úteis, descobertas dos agricultores e melhoria da fertilidades do solo. Para obter mais informações, escreva para o seguinte endereço: Dr Andreas Böhringer The SADC-ICRAF Zambezi Basin Agroforestry Project Makoka ARS PO Box 134 Zomba Malawi Fax: +265 534283 ou 534298 E-mail: [email protected]

Livros

Boletins

Materiais de treinamento

Natural Medicine in the Tropics Hirt e M’Pia (segunda edição) Este é uma introdução e guia excelente para a produção e uso de medicamentos tradicionais. Ele fornece instruções completas e pormenorizadas sobre como usar 65 plantas medicinais, para tratar uma variedade de questões de saúde. As informações nas páginas 7–9 foram adaptadas a partir deste livro. Altamente recomendado. Pode ser obtido em inglês (nova segunda edição, 19 dólares americanos, 42 marcos alemães), alemão ( dólares, 35 marcos), francês (16 dólares, 35 marcos), ucraniano (13 dólares, 30 marcos) e espanhol (edição temporária, 30 dólares, 69 marcos) inclusive o envio postal via terrestre.

Healing Plants in the Tropics Este é um cartaz informativo excelente com fotografias a cores de 60 plantas medicinais e descreve as doenças e problemas de saúde para os quais ele pode ser útil. O cartaz custa 13 dólares americanos (30 marcos alemães), pode ser obtido em inglês, francês e alemão, ou em branco para ser usado como material didático.

Programa de Malária da Anamed O kit da Artemisia annua var anamed contém 1.200 sementes e informações completas sobre o plantio, o crescimento e a colheita desta planta. Também fornece informações sobre redes entre os participantes do Programa de Malária da Anamed. Custa 93 dólares americanos (210 marcos alemães). Por favor, especifique o pais em que será usado, pois cada pacote é preparado individualmente. A lista pormenorizada de todas as publicações da Anamed pode ser encontrada em seu website www.anamed.org. Para todos os materiais acima, por favor, envie o pagamento adiantado em cheque ou por transferência bancária. Para pagamentos através de bancos que não sejam ingleses ou alemães, por favor acrescente 6 dólares americanos para pagar as taxas bancárias. Escreva para: Anamed-versand, Schafweide 77, 71364 Winnenden, Alemanha Fax: +49 7195 65367 E-mail: [email protected]

Publicações da Anamed

para escutar, consolar ou aconselhar. Todas as comunidades têm um zelador, que pode ser um homem ou uma mulher. Para descobrir quem é o zelador, pergunte: “Se você tivesse uma emergência às 2 horas da madrugada, e ninguém da sua família estivesse por perto, a quem você pediria ajuda?”

Os captadores de notícias

Estes são pessoas que sempre sabem tudo o que está acontecendo. Quando alguém está doente ou morrendo, ou perdeu o emprego, eles sempre parecem ser os primeiros a ficar sabendo. Para encontrar o captador de notícias, você poderia perguntar: “Se se soubesse que alguém estivesse causando problemas ou discussões desnecessárias, com quem as pessoas poderiam falar para ter certeza de que conseguiriam fazer essa pessoa compreender o que elas querem?”

Os corretores

O corretor tem relações com amigos pessoais de pessoas-chaves do governo ou de organizações internacionais, que podem conseguir as coisas! Para encontrar o corretor, pergunte às pessoas a quem elas se voltariam para conseguir que algo fosse feito. A quem elas pediriam ajuda se, por exemplo, a torneira de abastecimento

COMUNIDADE E DESENVOLVIMENTO

Eu acredito que há quatro pessoas fundamentais em todas as comunidades do mundo. Dei a estas pessoas os nomes de porteiro, zelador, captador de notícias e corretor. Estas são as pessoas que realmente fazem a comunidade funcionar.

Como você aprende sobre cada comunidade? À medida que você conversa com as pessoas, pergunte-lhes há quanto tempo elas vivem na região, que mudanças viram durante esse tempo, que esperanças têm e que problemas e preocupações existem. Depois faça perguntas, para descobrir os verdadeiros líderes. Quando você começar a ouvir os mesmos nomes vindos de pessoas diferentes, você saberá que provavelmente os encontrou.

Os porteiros

O porteiro de uma comunidade é a pessoa que decide se alguém passará pelos “portões” da comunidade e será aceito. Para encontrar os porteiros, pergunte quem se mudou para a região recentemente. Como as pessoas se sentem em relação a eles? As pessoas gostam deles ou os acham estranhos? Por que elas se sentem assim? A resposta poderá ser: “Por que fulano de tal disse-me isso…” Assim, você encontrou o porteiro. Estas são pessoas influentes, que conseguem controlar a maneira como os outros se sentem em relação a novas pessoas e novas idéias.

Os zeladores

Estes são pessoas para quem os outros se voltam, quando têm problemas. Quando eu estava caminhando numa favela em Chennai, todas as crianças de um bairro pareciam estar brincando do lado de fora de uma casa. A pessoa que morava lá provave- lmente era a zeladora daquele bairro – a “mamãe” ou a “pastora” – sempre pronta

de água, a eletricidade ou o telefone do seu bairro não estivesse funcionando?

Encontre-os!

Por que é tão importante encontrar estas quatro pessoas? ■ Em primeiro lugar, porque estas são as pessoas com as habilidades necessárias para organizar a comunidade e incentivar a mudança – seja ela para o trabalho de defesa de direitos ou qualquer outro tipo de trabalho de desenvolvimento.

Publicado pela: Tearfund, 100 Church Rd, Teddington, TW11 8QE, Inglaterra Editora: Dra Isabel Carter, PO Box 200, Bridgnorth, Shropshire, WV16 4WQ, Inglaterra

Encontrando os verdadei-

ros líderes comunitários

Robert Linthicum

■ Em segundo lugar, porque as pessoas na comunidade irão primeiro ver se as pessoas mais importantes estão participando ou boicotando o trabalho. Só então elas decidirão se elas próprias participarão ou não.

Procure estas pessoas e crie um relacionamento com elas. Lembre-se, entretanto, de que o interesse delas pode nem sempre ser o mesmo que o seu ou o da comunidade. Procure trabalhar com elas e influenciá-las. Através da compreensão e do apoio destes líderes, a mudança será muito mais provável de ocorrer.

Condensado de um artigo em Together Magazine , edição 27, World Vision.

Para incentivar a mudança de forma eficaz numa comunidade, você precisa

aprender com a comunidade sobre a situação dela. Você também

precisa ficar sabendo quem são os verdadeiros líderes. Com

freqüência, os líderes eleitos não são as pessoas que fazem

as coisas acontecerem numa comunidade.