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MICROBIOLOGIA II IFSUL TECNICO EM QUIMICA
Tipologia: Notas de estudo
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Identificar um dado organismo como espécie baseia-se no preenchimento das características atribuídas àquela espécie. O reconhecimento da fonte ou origem do espécime (ambiente, espécie animal, tipo de patologia e localização) do organismo é às vezes fundamental para identificação. A execução inadequada de um teste preliminar pode confundir e prejudicar todo processo de identificação. Na rotina laboratorial são utilizados certos testes chaves para reduzir o trabalho, o custo e abreviar o tempo requerido para diagnóstico.
O processo de identificação dos microrganismos é efetuado através da determinação de um número mínimo de propriedades. Portanto, quanto menor o número de observações efetuadas, maior o risco de erros de identificação. Usualmente é necessário utilizar organismos como controles positivos e negativos para a execução de cada teste.
A correta caracterização cultural do organismo em meios de isolamento primário, assim como a execução e interpretação da coloração e reação ao Gram são vitais para esse sistema de identificação. O período de incubação varia usualmente com o organismo que está sendo isolado, mas a maioria dos organismos pode apresentar crescimento visível após 48 horas. Para a atmosfera de incubação também se aplica o mesmo princípio, i.e., para organismos aeróbios e anaeróbios facultativos utiliza-se a atmosfera ambiente, e para o isolamento de microrganismos microaeróbios e anaeróbios obrigatórios torna-se necessário obter a atmosfera adequada através de métodos especiais, conforme visto no capítulo anterior.
O objetivo deste experimento é fornecer os meios e métodos de semeadura, contagem, isolamento e identificação de microrganismos encontrados no ambiente e processos infecciosos do homem e animais. Desta forma, não pretende ser completo e, quando necessário, trará as referências bibliográficas que o aluno deve consultar para obter informações mais detalhadas.
Isolamento e características culturais
Após escolher ou receber o espécime a ser estudado procede-se ao isolamento em meios sólidos
apropriados. Para exemplificar usaremos o ágar simples e uma cultura mista composta de bactérias conhecidas. Para isolar o microrganismo efetua-se a inoculação ou semeadura, utilizando a técnica do esgotamento do inóculo por estrias, tendo-se o cuidado de usar inteiramente toda a área do meio para garantir a separação das bactérias, de modo que após a incubação cada célula separada origine uma colônia. Também são empregadas as técnicas de semeadura por disseminação com alça de Drigalsky ou a técnica de pour-plate quando, além do isolamento, pretende-se quantificar a população microbiana presente originalmente na amostra.
O processo de identificação propriamente dito começa com a observação das características das colônias isoladas (a olho nu, com lupa ou microscópio, usando a objetiva de menor aumento). Os seguintes critérios são utilizados para a caracterização colonial:
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Em outros meios podem ser observadas outras características como hemólise (ágar Sangue), redução de telurito (meio para corinebactérias, estafilicocos), fermentação de açúcares (meio de MacConkey, ágar SS, dentre outros.
As características culturais podem ser observadas também em meios líquidos e sólidos inclinados (em tubos).
As principais características observadas em meio líquido são:
As principais características observadas em meio sólido inclinado são:
Após a observação dessas características devem ser feitos esfregaços para colorações especiais, para observação da morfologia microscópica (forma, arranjos, tamanho e reação ao Gram), presença ou ausência de esporos (forma e localização, com deformação ou não do corpo bacteriano), flagelos (número e localização), cápsulas, granulações metacromáticas (comum em corinebactérias) e coloração bipolar (freqüente nas pasteurelas e yersinias). Também pode ser verificada a motilidade por exame a fresco. A motilidade verdadeira consiste no deslocamento do organismo em diferentes direções, não devendo ser confundido com o movimento Browniano ou metabólico, i.e., o organismo vibra mas não se desloca. Os procedimentos seguintes envolvem a caracterização metabólica, tolerância a agentes químicos e físicos, a antimicrobianos e fagos (fagotipagem), bem como propriedades antigênicas ou sorológicas e patogenicidade através da inoculação em espécies animais susceptíveis (apropriadas).
e. C e.e. COLI
Figura 22.
E. coli Pseudomonas
**Ac. Citrico citrase oxaloacetato Ácido acético Ácido pirúvico + CO (Excesso)
Figura 23. Resultado da prova do citrato. Direita: reação positiva. Esquerda: reação negativa
4. Prova da produção de urease - A urease é uma enzima que degrada a uréia em duas moléculas de amônia e uma de anidrido carbônico. A prova consiste em transferir uma porção do crescimento bacteriano com uma alça para o meio contendo uréia, pH neutro e um indicador de pH, o vermelho fenol. Após o crescimento a prova é revelada positiva quando a urease ataca a uréia alcalinizando o meio que toma a coloração rosa choque. Na prova negativa não há alteração da cor do meio. Os organismos do gênero Proteus são urease positivos diferentemente da maioria das enterobactérias.
Figura 24.
O indol reage com o reagente formando um composto colorido róseo.
triptofanase Triptofano Indol + piruvato e amônia
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açúcares e a uréia devem ser esterilizados previamente por filtração e, posteriormente, colocados assepticamente no meio básico. Enterobactérias produzem ácido e gás da glicose (exceto Shigella, que só produz ácido). As pseudomonas não fermentam carboidratos. Algumas vezes é necessário verificar se a bactéria produz vários ácidos (fermentação ácido mista), comum para E. coli, através do teste chamado de vermelho de metila (VM) ou se apresenta fermentação butileno-glicólica revelada pela detecção de acetoína através do teste conhecido como VP ou Voges-Proskauer, comum em Enterobacter, mas não em E.coli, permitindo diferenciar essas bactérias muito parecidas biológica e bioquímicamente.
Figura 26.
7. Prova do Vermelho de metila (VM) – prova efetuada para determinar a capacidade do microrganismo de oxidar a glicose com produção e estabilização de altas concentrações de produtos finais ácidos. Serve para diferenciar organismos entéricos, em particular E. coli de E. aerogenes E. coli
Glicose + H20 Äcidos lático, acético e fórmico + CO2 + H2 + Vermelho de metila cor vermelha
Enterobacter aerogenes
Glicose + O2 Ácido acético (2,3-butanodiol e Acetilmetilcarbinol) + CO2 + H2 (pH 6,0)
Acetilmetilcarbinol + naftol 40% KOH diacetil (CH3-CO-CO-CH3 + Guanidina NH2-C=NH
(Oxidação) (grupo de peptona) NH-R Rosa
**8. Prova de Voges-Proskauer (VP) -
As provas bioquímicas são utilizadas rotineiramente para identificar enterobactérias como E. coli, Salmonella, Shigella, Yersinia , dentre outras. A diferenciação dos gêneros da familia Enterobacteriaceae é feita através de provas bioquímicas ao passo que a diferenciação das espécies ou tipos é feita sobretudo com base em caracteres sorológicos (sorotipos), embora também possa ser baseada em caracteres bioquímicos ou na combinação de ambos. Finalmente, certos sorotipos podem subdividir-se
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bioquimicamente constituindo os biotipos ou então serem agrupados em lisotipos (fagotipos) de acordo com suas reações frente a bacteriófagos específicos (Fagotipagem).
Para identificar um determinado microrganismo, a rotina bacteriológica consiste da coleta adequada da amostra e sua semeadura em meios de cultura (enriquecimento e meios seletivos diferencias, se necessário). As colônias suspeitas serão semeadas em determinados meios chamados de triagem (p/ identificação preliminar, p.ex. TSI, LIA, Kliger , dentre outros), i.e., que oferecem concomitantemente várias informações de natureza bioquímica, permitindo estabelecer um diagnóstico presuntivo imediato. A depender dos resultados obtidos nesses meios de triagem pode-se caracterizar imediatamente alguns grupos através de provas sorológicas (aglutinação em lâmina) ou proceder a sua identificação bioquímica, complementada pela tipificação sorológica quando necessário.
O meio de TSI fornece uma série de reações bioquímicas que dão uma visão geral do metabolismo bacteriano. Por esse motivo, vamos apresentar esse meio e as transformações que ocorrem. O TSI ou tríplice açúcar e ferro é um meio sólido distribuído de tal sorte que apresenta uma base e uma inclinação. É constituído de glicose (0,1%), lactose (1,0%) e sacarose (1,0%), peptonas, aminoácidos, incluindo sulfurados, tiossulfato de sódio e citrato férrico amoniacal (indicador da produção de H2S), com pH neutro
e um indicador de pH, o vermelho de fenol. O meio é semeado com agulha por punctura na base e estrias na superfície. Após o crescimento da bactéria pode-se observar os seguintes resultados: A bactéria não fermenta qualquer dos açúcares, ficando inalterado o meio , ou até mesmo utiliza os aminoáçidos respirando-os com produção de aminas que alcalinizam o meio ; fermenta somente a glicose de tal sorte
que os ácidos formados mudam o pH do meio apenas na base, que se torna amarela e a inclinação vermelha por utilização dos aminoácidos (por respiração), alcalinizando a mesma e neutralizando a pequena quantidade de ácidos, pois a concentração de glicose é baixa - assim o resultado é expresso como K/A (inclinação alcalina e base ácida); fermenta a lactose ou a sacarose com viragem do indicador de todo o meio para amarelo, tanto a base como a inclinação permanecem ácidas, pois os álcalis produzidos na inclinação são facilmente neutralizados pela grande quantidade de ácidos produzidos na base, tendo em vista que a concentração desses açúcares é dez vezes maior que a da glicose - o resultado é expresso como A/A (inclinação e base ácidas). Nos dois últimos casos, existe a possibilidade de detectar gases resultantes da degradação do ácido fórmico em hidrogênio e anidrido carbônico, se a bactéria possuir o sistema hidrogênio fórmico liase - os gases são indicados ou visualizados indiretamente por levantar ou fragmentar o meio - o resultado é representado como A/A com gás. Há também a possibilidade da bactéria produzir H2S por respirar anaerobiamente o tiossulfato, captando elétrons
através da tiossulfato redutase, resultando em gás sufídrico e sulfito. O sulfeto de hidrogênio na presença de sais de ferro forma sulfeto ferroso, originando um precipitado negro insolúvel - dessa forma o
resultado é dado como A/A com gás e H (^) 2S.
Desse modo, pode-se observar num único meio os processos fermentativos, respiração aeróbia e anaeróbia. A utilização dos açúcares e aminoácidos na inclinação se dá apenas por respiração aeróbia,
enquanto que na base os processos são realizados por fermentação (incluindo também putrefação, quando da utilização dos aminoácidos básicos, sulfurados, triptofano, com produção de gás sulfídrico, mercaptanas, aminas, dentre outras). Já a utilização do tiossulfato é ocorre por respiração anaeróbia, gerando também gás sulfídrico.
Figura 28.