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Revista IGP 3, Notas de estudo de Química

Revista Instituto Geral de Perícias - Ano 3 - Janeiro de 2007

Tipologia: Notas de estudo

2012

Compartilhado em 27/10/2012

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Revista do IGP
Instituto-Geral de Perícias - Secretaria da Justiça e da Segurança - RS - Ano 3 - nº3 - Janeiro 2007
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Revista do IGP

Instituto-Geral de Perícias - Secretaria da Justiça e da Segurança - RS - Ano 3 - nº3 - Janeiro 2007

A publicação do terceiro número da Revista do IGP, editada anualmente desde 2004, consolida uma das principais vocações do Instituto-Geral de Perícias, a produção científica. O ano de 2006 foi particularmente importante neste aspecto. O Instituto esteve representado nos mais importantes eventos da área pericial realizados no Brasil, tendo os seus servidores obtido destaque nacional nessas oportunidades. Também, em âmbito local, esse processo foi motivo de orgulho para a Instituição com a realização de dois Seminários e um Encontro Nacional. No dia 17 de julho de 2006, data do nono aniversário do Instituto, e ainda no dia 18, aconteceu o I Seminário de Estudos e Pesquisas do IGP, aberto a todos os órgãos de segurança pública do Estado. Neste evento, os profissionais da perícia gaúcha que no 1º semestre deste ano, participaram de congressos e seminários em outras unidades da federação apresentaram seus trabalhos científicos, trazen- do esse conhecimento para os servidores da segurança do Rio Grande do Sul. Já em novembro, o IGP recebeu o 4º Encontro de Dirigentes-Gerais de Órgãos Periciais do Brasil, encontro que já havia sediado em 2004. Também nesse mês, ocorreu em Porto Alegre, o I Seminário Brasileiro de Engenharia Forense, da Associação Brasileira de Criminalística, organizado basicamente pelos peritos do RS, com o apoio do Instituto. Estes eventos foram muito bem sucedidos tanto sob o aspecto organizacional como, no caso do Seminário, científico. Por tudo isso, espera-se que essas iniciativas, seja a da Revista, seja a de eventos técnicos, continuem sendo uma das prioridades do IGP sempre. Hoje, publica-se a Revista do IGP com muito esforço, mas também com muita satisfação, pois se tem a certeza que ela represen- ta a consolidação da capacidade e do conhecimento científico da perícia gaúcha. Essa edição traz no seu conteúdo um pouco disso tudo que aconteceu em 2006.

Aproveite e boa leitura!

A Direção-Geral

Expediente Conselho Editorial

Áureo Luiz Figueiredo Martins Maria Cristina Bottizzo de Farias Arthur Saldanha de Menezes Jr. Rafael Silva do Nascimento Francisco Silveira Benfica Fábio Pereira das Neves Leite Eduardo Lima Silva Daniela Batistella

Projeto Gráfico Raquel Friedrich Rafael Silva do Nascimento Diagramação Rafael Silva do Nascimento

Jornalista Responsável Eduardo Lima Silva - Registro de Jor- nalista Profissional Diplomado No^ 9. (DRT/RS - Ministério do Trabalho)

Impressão CORAG - Companhia Rio-Gran- dense de Artes Gráficas

Tiragem 1.000 exemplares Distribuição Gratuita e Dirigida Contato www.igp.rs.gov.br [email protected]

Governador do Estado do Rio Grande do Sul Germano Rigotto

Secretário da Justiça e da Segurança Omar Jacques Amorim

Instituto-Geral de Perícias Rua Voluntários da Pátria, 1358 - 3º - Porto Alegre - RS - 90230-

Diretor-Geral Áureo Luiz Figueiredo Martins

Corregedor Fernando da Silva da Costa

Supervisora Técnica Maria Cristina B. de Farias

Diretor Administrativo Sérgio Luiz de Oliveira Lopes

Departamento de Criminalística Diretora Eliana Sarres Pessoa

Departamento de Identificação Diretor Guilherme Ferreira Lopes

Departamento Médico-Legal Diretor Marcos Rovinski

Laboratório de Perícias Chefe Fábio Pereira das Neves Leite

Editorial

covas de dentes, biópsias anteriores e amostras de sangue de laboratórios de análises clínicas, ou referência de familiares pró- ximos como sangue ou swab oral da mãe, pai, filhos ou irmãos. O problema da utilização de referências diretas é a possibilida- de de troca de material ou mistura de material, dificultando a obtenção do perfil genético de referência da vítima ou levando a uma falsa exclusão. No caso em questão, preferiu-se coletar amostras biológicas dos familiares mais próximos das vítimas, através de swabs com células da mucosa oral e sangue em car- tões do tipo FTA. A identificação pelo DNA pode ser realizada através da amplificação das amostras utilizando-se diferentes sistemas. Os sistemas autossômicos STR possibilitam a comparação direta das amostras e também permitem que seja estabelecido um vín- culo genético entre as amostras de referência e da vítima. Os sistemas de amplificação específicos de cromossomo Y permi- tem verificar a possibilidade das amostras comparadas perten- cerem ao mesmo ramo patrilíneo, sendo útil em casos onde a única referência disponível é de um irmão de uma vítima do sexo masculino, e ambos são filhos do mesmo pai. O DNA mitocondrial é uma ferramenta importante que fornece ele- mentos para verificar se as amostras comparadas possuem o mesmo haplótipo mitocondrial, o que significa que elas podem pertencer ao mesmo ramo matrilíneo. Além disso, devido ao fato do DNA mitocondrial apresentar várias cópias por célula, ele permite a análise em amostras muito degradadas, obtendo- se um sucesso de análise muito maior do que com o DNA nuclear (Edson et al, 2004). Também nos casos de alto grau de degradação é possível a utilização de conjuntos de SNPs. Através do consórcio internacional formado para identi- ficação das vítimas do incêndio no Paraguai, a Espanha ficou responsável pela análise dos materiais biológicos coletados dos cadáveres, contando com o auxílio do IPDNA da Polícia Civil de Brasília. A maioria dos corpos foi identificada utilizando-se marcadores STR autossômicos. Restaram doze corpos genotipados pela Espanha e um corpo genotipado por Brasília que não tiveram sucesso na sua identificação, já que não foi obtido vínculo com os familiares testados. Além disso, resta- ram 17 famílias a procura dos seus familiares. Este resultado demonstrou que poderia ter ocorrido erro na entrega inicial dos cadáveres ou que, dentre os fragmentos resultantes de ex- plosões que ocorreram durante o incêndio e também do trans- porte dos cadáveres, poderia haver algum que não pertencia a nenhum dos corpos testados, sendo de um corpo totalmente fragmentado. Desta forma, em um acordo entre o Governo Federal brasileiro e o Ministério Público do Paraguai, foram enviadas amostras de referência coletadas de 165 famílias (en- tre elas as 17 que não haviam recebido corpo e também de famílias que queriam a confirmação de que enterraram o corpo

certo), as quais foram divididas entre quatro laboratórios brasi- leiros forenses ligados à Segurança Pública: Rio Grande do Sul, Brasília, Paraná e Rio de Janeiro, que ficaram responsáveis pela extração, genotipagem e comparação com os perfis genéticos dos corpos. No final de junho de 2005 foram entregues os laudos dos laboratórios ao Ministério Público do Paraguai. Dos 13 cadá- veres testados, dois incluíram como pertencentes às famílias que ainda não haviam recebido o corpo do seu familiar e cinco in- cluíram como pertencentes à famílias que já haviam recebido um corpo, indicando que realmente ocorreu troca de cadáveres, levando à necessidade de exumação dos corpos trocados para análise. Além disso, foi realizado um estudo comparativo entre os fragmentos de corpos genotipados em Brasília e as referên- cias das 165 famílias. A primeira comparação entre os perfis de STR dos familiares e dos doze cadáveres não identificados, com os obtidos dos fragmentos anatômicos demonstrou que nenhum dos cadáveres não identificados apresentou compatibilidade de vínculo genético com as famílias testadas e que alguns dos frag- mentos analisados podem apresentar grau de parentesco com estas famílias, mas seria necessária a análise de um número mai- or de regiões de STR para confirmar esta hipótese. Quando estamos tratando de desastres em massa, o nú- mero de amostras biológicas para manipular e analisar geral- mente é grande, o que mostra a importância de uma integração nacional entre laboratórios. Para que seja possível a troca de informações entre os laboratórios, deve ocorrer uma padroni- zação das técnicas utilizadas com o objetivo de se obter os re- sultados em tempo semelhante, o uso de kits validados para que os resultados sejam confiáveis e também a padronização dos marcadores a serem utilizados para possibilitar a devida compa- ração, sendo em número suficiente para se obter estatísticas satisfatórias. Quando se utiliza um número pequeno de marcadores, é comum a ocorrência de falsos positivos, isto é, a inclusão de um suposto como sendo a vítima quando não é. Isso pode acontecer principalmente quando se utilizam marcadores que têm alelos muito comuns, o que aumenta o número de “matches”. Um exemplo prático da dificuldade de trabalhar com um número pequeno de marcadores foi visto quando realizada a comparação entre os perfis dos fragmentos e dos familiares. Quando o laboratório de Brasília amplificou os fragmentos, foram utilizados apenas nove loci, o que resultou na primeira análise, à várias inclusões. Como o resultado não foi satisfatório, não foi liberado um laudo e, sim, um relatório apresen- tando os resultados e solicitando que fosse amplificado um número maior de regiões. Aumentando para 14 loci, a maioria das inclusões se tornou exclusões. Uma questão muito importante em discussão atualmente é a implantação de ferramentas de bioinformática na área de genética

forense. Em casos de desastres em massa, onde se observa um nú- mero muito elevado de vítimas, um programa de banco de dados que tenha uma grande capacidade de armazenamento de perfis ge- néticos e que possibilite a comparação genética de múltiplas amos- tras de vítimas e de referência considerando todas as possibilidades de vínculo de parentesco é de grande utilidade (Alonso et al, 2005). Considerando a diversidade genética do Brasil, que apresenta carac- terísticas genéticas regionalizadas, e considerando casos como o do Paraguai, onde analisamos uma população com diferenças genéticas da nossa, o programa deve ter a opção de utilizar diferentes freqüên- cias populacionais, de acordo com a população em estudo. Se todos os laboratórios que se envolveram no caso do Paraguai possuíssem um programa destes, o resultado das análises teria sido liberado em um tempo menor. Atualmente, podemos citar como exemplo de programa, o CODIS, do FBI, que é utilizado em diversos países, o software Pedigree, da ESR da Nova Zelândia, que foi utilizado na identificação das vítimas do Tsunami na Indonésia para confronta- ção genética e banco de dados, além de muitos outros que já foram ou estão sendo desenvolvidos em vários países, incluindo o Brasil. O incêndio ocorrido no Paraguai reafirmou a importância da utilização do exame de DNA no processo de identificação de víti- mas, e a necessidade de implementação de um programa de banco de dados de perfis genéticos e comparação genética, com o objetivo de agilizar a liberação dos corpos dos envolvidos, atendendo a um princípio ético, principalmente com relação aos familiares das víti- mas. Para isso, uma padronização de análises se faz necessária, com a elaboração de um manual e implantação de treinamentos para iden- tificação em desastres em massa, com o envolvimento de profissio- nais das mais diversas áreas de atuação de todos os estados brasileiros. Com relação à análise de DNA: a) O número de vítimas é uma informação impor- tante para verificar a capacidade dos laboratórios de atenderem às análises; b) Os corpos têm que estar acessíveis para a coleta de amostras, serem conservados e estarem à dis- posição da perícia; c) O grau de degradação dos corpos vai influenciar tanto no tipo de amostra a ser coletada como no tipo de análise a ser realizada; d) Como alternativa nos casos em que a degradação

é muito evidente, o DNA mitocondrial parece ser a análise mais viável para se obter dados que direcionem a identificação, sendo precedida da análise autossômica quando verificada a ocorrên- cia de coincidência haplotípica entre as amostras das vítimas e das referências; d) Deve-se evitar a ocorrência de fragmentação dos corpos, pois aumenta o número de análises já que, além de comparar os fragmentos com as amos- tras de referência, também deverão ser compara- dos entre si, para verificar se pertencem a um mesmo corpo; e) É necessário verificar quais amostras de referência disponíveis, tentando buscar os familiares mais próximos.

Esta experiência servirá como modelo de atuação para o caso de futuras tragédias de grandes proporções.

Bibliografia

[1] Alonso, A., Martín, P., Albarrán, C., García, P., Simón, L. F., Iturralde, M. J., Fernández-Rodríguez A., Atienza I., Capilla, J.,García-Hirschfeld, J., Martínez, P., Vallejo, G., García, O., García, E., Real, P., Álvarez, D., León, A., Sancho, M. Challenges of DNA Profiling in Mass Disaster Investigations, Croatian Medical Journal 2005;46(4):540-548. [2] Tsokos, M., Lessig, R., Grundmann, C., Benthaus, S., Peschel, O. Experiences in tsunami victim identification. International Journal of Legal Medicine LETTER TO THE EDITOR; 2005, DOI10.1007/ s00414-005-0031- [3] Bezerra, C. C. Metodologia de atuação pericial em desastre de massa - Relato do caso Paraguai. Perícia Federal - Ano VI – Número 20 – janeiro a abril de 2005 – p6-10. [4] Anðelinoviæ, Š., Sutloviæ, D., ErcegIvkošiæ, I., Škaro, V., Ivkošiæ, A., Paiæ, F., Reiæ, B., Definis-Gojanoviæ, M., Primorac, D.. Twelve-year Experience In

Figura 1 – Proposta de atuação para identificação de vítimas e fragmentos em casos de desastres em massa.

Análise da Dispersão de Resíduos de Tiro de Sub-Metralhadora e Fuzil Automático Leve Coletados Diretamente do Corpo do Atirador

Abel, Liegea; Santos, Miriam S.b; Dick, Luís F. P. c Departamento de Criminalística, Instituto-Geral de Perícias, Secretaria da Justiça e da Segurança e Centro de Microscopia Eletrônica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre, Rio Grande do Sul

  1. Introdução

Neste trabalho, dentro do programa nacional Pólvora, o microscópio eletrônico de varredura foi empregado na deter- minação da distribuição de micropartículas de GSR (gun shot residues) no corpo do atirador após testes de tiro com sub-me- tralhadora e fuzil automático leve, sob condições controladas.

  1. Materiais e Métodos

Seis testes de tiro foram efetuados por dois oficiais do 3º Batalhão de Polícia do Exército/MD, no ambiente aberto da linha de tiro da corporação (Fojtášek et al.,2003), com munição apropriada produzida pela CBC. Os grupos de teste são dados na Tabela 1. Previamente a cada seqüência de tiros, fitas condutoras adesivas dupla-face de 10X10 mm foram posicionadas em 15 pontos específicos do corpo do atirador segundo o esquema da Figura 1. Imediatamente após cada tes- te de tiro as fitas adesivas foram coletadas e acondicionadas em caixas individuais de coleta.

As 90 amostras resultantes da coleta foram analisadas de forma manual (Brozek-Mucha e Jankowicz,2001) sobre stubs de alumínio, com voltagem de aceleração de 20 kV e busca por elétrons retroespalhados (Romolo e Margot,2001), no micros- cópio eletrônico de varredura JEOLSEM 5800 com microssonda para realização de espectroscopia de energia dispersiva (EDS) de raios-X Noran dos elementos boro até urânio.

Figura 1: Pontos de coleta de GSR

Tabela 1: Armamento, posições e situações de tiro para cada grupo de coleta de GSR.

  1. Resultados

Consideraram-se apenas as composições de elementos denominadas exclusivas e características de GSR apresentadas na Tabela 2. Nos seis grupos de amostras foram encontradas particulas exclusivas esféricas ou em agregados esferóides, deno- tando sua solidificação na atmosfera, com diâmetros entre 1 e 30 μm, contendo Pb, Ba e Sb, freqüentemente acompanhadas de Al e, eventualmente, de Fe, Sn, Ca, Cl, Si, Cu, Zn, K, Mn e S. Em paralelo, houve a deposição de partículas de GSR exclusivas de formatos distintos (Garofano et al.,1999), não necessaria- mente esféricas (Flynn et al.,1998), que poderiam ser considera- das atípicas, indicando sua solidificação sobre as superfícies ou a impactação sobre as mesmas ainda na forma pastosa. Partícu- las de GSR características foram detectadas em quantidades mai- ores do que aquelas exclusivas. Houve a deposição de partículas com diâmetros variáveis que atingiam cerca de 200 μm, conten- do Na, Cl e K, atribuíveis à contaminação das amostras por suor do atirador e manuseio, ou contendo Al, Si e Ca, referen-

tes a partículas de poeira de alumino-silicatos de cálcio. Em relação à dispersão de GSR no corpo do atirador, os resultados estão resumidos na Tabela 2. Verifica-se que os pontos de cole- ta da mão e antebraço esquerdos, à frente das janelas de ejeção das armas e distantes em torno de 20 a 25 cm das mesmas (pontos 8, 9 e 10) exibem a maior deposição de particulados de GSR, seguidos do ponto 1, referente ao dedo que aciona o gatilho, posicionado em torno de 15 cm para trás da citada janela.

  1. Conclusões

Os tiros com FAL resultaram em deposição preferencial de particulados de GSR exclusivos e característicos na lateral poste- rior da mão esquerda, no dedo indicador direito e na região abdominal do atirador. Já o uso de sub-metralhadora produziu maior deposição de GSR na região abdominal, no dedo pole- gar esquerdo e na região interna do antebraço esquerdo, próxi- ma ao pulso. Os tiros em rajada com submetralhadora propici- aram grande deposição de GSR ao redor dos olhos do atirador e nas regiões internas de seus antebraços. Para os dois tipos de armas, a posição de assalto induziu a maior dispersão de particulados de GSR nas áreas internas dos membros superio- res, em direção aos ombros, compatível com a maior aproxima- ção dos braços à janela de ejeção. Quanto à presença de GSR exclusivas, houve a deposição não apenas de partículas esferóides,

como também de particulados não necessariamente esféricos, que poderiam, em uma leitura isolada, confundir-se com partí- culas oriundas de contaminação ocupacional (Cardinetti et al.,2004). Adicionalmente, houve intensa deposição de partícu- las de GSR características, oriundas dos eventos de tiro, embora contivessem apenas um ou dois dos elementos postulados.

Agradecimentos

SENASP/MJ, CNPq, 3º Batalhão de Polícia do Exérci- to/MD, Peritos da Seção de Balística Forense do DC/IGP-RS e Secretaria do CME/UFRGS.

Referências Bibliográficas

[1] Brozek-Mucha, Z.; Jankowicz, A. Evaluation of the possibility of differentiation between various types of ammunition by means of GSR examination with SEM-EDX method, Forensic Science International 123 (2001) 39-47. [2] Cardinetti B.; Ciampini, C.; D’Onofrio, C.; Orlando, G.; Gravina, L.; Ferrari, F.; Di Tullio, D.; Torresi, L. X-ray mapping technique: a preliminary study in discriminating gunshot residue particles from aggregates of environmental occupational

Tabela 2: Distribuição de particulados de GSR no corpo do atirador. Achados múltiplos de partículas de mesma composição, não considerando outros elementos presentes, estão in- dicados nos parênteses.

A B

C D E F

Figura 2: Distribuição dos particulados de GSR sobre o corpo do atirador nas condições de tiro da Tabela 1. As áreas vermelhas correspondem a partículas exclusivas (Pb-Ba-Sb, Ba-Sb); as áreas azuis correspondem a partículas características (Pb-Ba, Pb-Sb, Pb, Ba, Sb).

A Concepção Sistêmica na Definição da Causa no Acidente de Tráfego

Aragão, Ranvier Feitosaa Instituto de Criminalística, Fortaleza, Ceará

A ambição do trabalho pericial é o de oferecer uma expli- cação, uma causa eficiente para a ocorrência. Didaticamente falando, explicar um fenômeno ou acontecimento é responder à pergunta “por que aconteceu?”, e trazer à tona “o motivo pelo qual”, revelando a sua etiologia e os princípios técnicos e científicos que o presidem. A investigação dos acontecimentos, com toda a naturali- dade, traz sempre à tona a pergunta “por que razão?”. A ques- tão de revelar a causa é imprescindível, particularmente quan- do se procura definir responsabilidades, o que se torna inviável sem o conhecimento da causa patrocinadora. Reza o princípio da causalidade, que nada acontece sem causa. Todo fenômeno e tudo que acontece tem uma origem, uma razão de ser, de existir, uma causa ou causas que o antece- dem e o produzem. Como se percebe, o princípio da causalidade, se ocupan- do do vínculo, do nexo lógico entre causa e efeito, da relação entre o princípio e o fim, entre antecedente e conseqüente, se aplica perfeitamente à sucessão de eventos com caráter neces- sário que ocorrem no tempo e no espaço. Numa ocorrência antecedida por uma corrente de evento ou fatores, a causa, conforme o princípio da causalidade, é explicada pelo evento ou fator sem o qual a ocorrência não teria se verificado. Cada evento ou fator é considerado isoladamente, e a cau- sa da ocorrência é facilmente determinada pela chamada regra da supressão hipotética, ou seja, a causa será o evento ou fator necessário, aquele que suprimido na mente, a ocorrência não se efetivaria. Thomas Kuhn (1922 - ) entende que a riqueza científica está nos confrontos paradigmáticos, teorias, métodos, etc, em que um deles busca eliminar ou pelo menos sobrepor aos ou- tros. Defendeu que o progresso científico não é incremental, mas progride em passos via mudança de paradigma, quando um paradigma é superado e substituído por outro, de modo que qualquer teoria pode se deparar com anomalias, acumular divergências, perdendo força para as novas teorias concorren- tes que se estruturam. Na explicação sistêmica, os fatores ou eventos são con-

siderados interativamente, pelo que não mais deflui uma causa isolada, mas causas, representadas pelo conjunto dos eventos ou fatores que reciprocamente contribuíram para a ocorrência, compreendendo todas as ações mútuas que atuaram ativa ou passivamente e não o evento ou fator solitário na ordem têmporo-espacial. Pioneiro em nosso país no emprego pericial desse dispo- sitivo, o Perito Criminalístico Eng° Rodrigo Kleinübing, citado por Neto, o aplica aos acidentes de tráfego, findando por enu- merar os fatores causais intervenientes, como por exemplo:

a) Fator veículo: desgaste excessivo dos pneumáticos; b) Fator viário-ambiental: superfície asfáltica polida e molhada; c) Fator humano: excesso de velocidade.

O adjetivo sistêmica provém da expressão pensamento sistêmico que expressa o novo paradigma emergente da ciência contem- porânea, também chamada de ciência pós-moderna ou ciência novo-paradigmática. Vivemos uma época de transição entre o paradigma da ciência tradicional (clássica, moderna) e o novo paradigma – o pensamento sistêmico que pouco a pouco vai se descortinando, se impondo e sepultando o modelo anterior, via convivência pacífica. Importa destacar que não é a ciência em si que está em metamorfose, o que está mudando é o modo de fazê-la, o pen- sar e o agir de operadores da ciência, presentemente um peque- no grupo de adeptos, diga-se de passagem que, adotando uma nova visão de mundo, começou a conceber e a produzir sistemicamente, equivalendo dizer, pensando no todo e não no individual, contrapondo-se à fragmentação do saber, promo- vendo a integração das partes, substituindo a disjunção e a redução pela contextualização, deslocando-se dos compartimen- tos estanques da ciência clássica (disciplinas científicas) para cultivar a transdisciplinariedade, passou a atuar de forma com- plexa, totalitária e interativa. O paradigma da ciência tradicional é dito newtoniano, mecanicista; outros ainda o chamam de cartesiano em alusão

ao racionalismo de René Descartes (1596 – 1650), tornando o mundo cognoscível por via de sua decomposição (análise) dos elementos que a constituem. Começou a ser modelada no sécu- lo XVI com a revolução gelileana, veio se mantendo através dos séculos e chegou a nós, definiu-se e se estabilizou com o sucesso da física newtoniana, particularmente com a concep- ção de mundo-máquina, estável, eterno, reversível, ordenado e mecanicista (operado por leis físicas), pelo que, na concepção de Vasconcellos, assume as seguintes características:

a) Simplicidade – separando o mundo em partes é possível entender o todo; b) Estabilidade – o mundo foi, é e será como está, e nele as coisas se repetem com regularidade, pelo que se pode prever e controlar os fenômenos dos quais se tem conhecimento de causa; c) Objetividade - é possível conhecer o mundo tal qual ele é na realidade.

Esse paradigma de ciência, newtoniano e/ou cartesiano, entrou em crise com Einstein, a mecânica quântica e outras descobertas científicas desde o início do século XX, iniciando, desde então, uma profunda e irreversível revolução científica ainda em curso, dando margem para o aparecimento do novo paradigma que está emergindo. Nas palavras de Santos, “em vez da eternidade, a história; em vez do determinismo, a imprevisibilidade; em vez do mecanicismo, a interpenetração, a espontaneidade e a auto-organização; em vez da ordem, a de- sordem; em vez da necessidade, a criatividade e o acidente”. Fazendo uma pequena ilustração, no paradigma newtoniano o tempo é absoluto e a massa inercial, na teoria einsteiniana o tempo é relativo (depende do referencial) e a massa é função da velocidade. Paralelamente, o princípio da incerteza de Heinsemberg joga por terra o determinismo. Assim, a simplicidade, a estabilidade e a objetividade, no novo modelo, transmutaram-se para a complexidade, a instabilidade e a intersubjetividade, respectivamente, conforme pontua Vasconcellos:

a) Complexidade – os fenômenos devem ser observados contextualizados, vez que a simplicidade oblitera as inter- relações entre os fatos; b) Instabilidade – o mundo é dinâmico e continuamente mutável, decorrendo na imprevisibilidade de alguns fenômenos; c) Intersubjetividade – a “realidade” depende do observador, isto é, o sujeito sempre interage com o conhecimento adquirido.

Havendo sido gestada no ventre da ciência tradicional (clássica ou moderna), é natural a prática da Criminalística afer- rar-se aos paradigmas desta. Entretanto, sendo permeável, ha- veremos de esperar que a Criminalística Brasileira, sempre se atualizando pela incorporação de novas idéias, dê um salto qua- litativo, abrindo-se menos timidamente e cada vez mais rapida-

mente para os paradigmas da ciência contemporânea.

Referências Bibliográficas

[1] CARNAP, Rudolf. O caráter metodológico dos conceitos teóri- cos, in Os pensadores. Editora Abril SA, 1975. São Paulo – SP. [2] CHALMERS, Alan. A fabricação da ciência. Editora Unesp, 1994. São Paulo – SP. [3] FORMOSINHO, Sebastião J. O imprimatur da ci- ência – das razões dos homens e da natureza na mudança científica. Coimbra Editora, 1994. Coimbra – Portu- gal. [4] HEISENBERG, Werner. Física e filosofia. Editora Universidade de Brasília, 1988. Brasília- DF. [5] HEGENBERG, Leonidas. Saber de e saber que – alicerces da racionalidade. Editora Vozes Ltda, 1999. Petrópolis. RJ. [6]HENRY, John. A revolução científica e as origens da ciência moderna. Jorge Zahar Editor, 1998. Rio de Janeiro. [7] JAPIASSU, Hilton. Questões epistemológicas. Imago Editora Ltda, 1981. Rio de Janeiro, RJ. A revolução científica moderna. Editora Letras & Letras, 1997. São Paulo – SP. [8] KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científi- cas. Editora Perspectiva SA, 1998. São Paulo – SP. [9] NETO, Osvaldo Negrini, e KLEINÜBING, Rodrigo, Dinâmica dos acidentes de Trânsito - análises, reconstruções e prevenção. 2ª Edição. Millennium Editora Ltda, 2005. Campinas - SP. [10] OMNÈS, Roland. Filosofia da ciência contemporânea. Editora Unesp, 2001. São Paulo – SP. [11] SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. Edições Afrontamento, 1989. Porto – Portu- gal. Introdução a uma ciência pós-moderna. Edições Afrontamento, 2002. Porto – Portugal. [12] VASCONCELLOS, Maria José Esteves. Pensamen- to sistêmico – o novo paradigma da ciência. Papirus Edi- tora, 2002. Campinas – SP. [13] WITTGENSTEIN, Ludwig. Tratado lógico-filosófico. Fun- dação Calouste Gulbenkian, 1995. Lisboa – Portugal. Investigações filosóficas. Fundação Calouste Gulbenkian,

  1. Lisboa – Portugal. WOLF, Ursula e Ernst Tugendhat. Propedêutica lógico- semântica. Editora Vozes Ltda, 2005. Petrópolis, RJ.

Autor

[a] Perito Criminalístico Engenheiro do Instituto de Criminalística do Ceará.

deve-se comparar a dimensão de cada organização em relação o número de servidores que abriga e o espaço que cada um tem ocupado. Para fins dessa mensuração, registra-se que o Estado do Rio Grande do Sul, em setembro de 2005, contava com cerca de 23.400 policiais militares, 5.800 policiais civis e 700 servidores no quadro do IGP-RS (peritos, papiloscopistas, fo- tógrafos e auxiliares de perícia). Considerações sobre o Processo de Comunicação: O pro- cesso de comunicação ocorre em progressão geométrica. A comunicação é um dado apenas monitorável, pois não é possí- vel se ter controle sobre ela. Para atingir o maior número de receptores não é necessário, nem conveniente, ocupar espaço apenas nos principais veículos de comunicação. É preciso aten- der a todos, em todos os níveis, pois não é sempre que se tem a manchete de capa e mesmo assim precisa-se de divulgação. O jornalista busca obter resultados com o menor esforço. É preciso que ele seja atendido com rapidez e objetividade para que o IGP-RS se torne fonte de informação e ocupe espaços nos veículos de comunicação. Quando se briga contra a imprensa, mesmo vencendo, acaba-se derrotado. Quando um jornalista publica algo errado, ele deve ser esclarecido e não contradito. Devemos explicar, nunca justificar. A explicação deve ser pró-ativa (apresentando soluções), jamais amparada em deficiências de difícil resolução no curto prazo. A incompetência dá desculpas. A competência apresenta resultados. E a competência mal divulgada, além de não ser reconhecida, passa por incompetência.

Tópicos sobre Assessoria de Imprensa

A conscientização da Direção do IGP-RS a respeito de como deveria funcionar uma Assessoria de Imprensa foi o pas- so seguinte na consolidação da ACS. Nessa ação, foram utiliza- das as recomendações da Federação Nacional dos Jornalistas contidas no Manual dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação. Registram-se as principais delimitações relativas à Assessoria de Imprensa:

  • É o serviço de administração das informações jornalísticas e do seu fluxo das fontes para os ve- ículos de comunicação e vice-versa.
  • É prestada a pessoas físicas e jurídicas de caráter público ou privado.
  • Trata-se de serviço especializado privativo dos jor- nalistas.
  • É responsável por múltiplas atividades e desempe- nha papel estratégico na política de comunicação dos assessorados.
  • Facilita os contatos com as informações, prepara

textos de apoio, administra as listagens referentes aos veículos e cuida para que as peculiaridades de cada um deles sejam respeitadas.

  • Permanente interpretação crítica e seletiva do am- biente exterior.
  • Capacidade de detectar indícios de alterações em várias áreas e segmentos da sociedade.
  • Antever objeções, inconvenientes e mal-entendi- dos a alguma ação planejada pelos usuários de seus serviços.
  • Colaborar com os setores de planejamento estra- tégico e político dos assessorados.
  • Ajuda na identificação de acertos e erros, sugerin- do formas de aperfeiçoamento ou soluções.
  • Evitar posições contraditórias entre os setores, atra- vés da uniformização da linguagem de todos que tiverem contatos com os veículos de comunica- ção, estendendo-se aos comunicados internos.

Erros e Equívocos Freqüentes na Comunicação

Na chamada Declaração de Intenções, iniciou-se a abor- dagem dos erros que acontecem no processo de Comunicação Social. Nesse item, trata-se um pouco mais sobre a questão, pois faz parte da aprendizagem a compreensão dos equívocos mais freqüentes que devem ser evitados. Essas situações foram antecipadamente divulgadas entre a Direção do IGP-RS para facilitar o trabalho da ACS. São considerados erros e equívocos freqüentes na comunicação de acordo com o Manual dos Jorna- listas em Assessoria de Comunicação da Federação Nacional dos Jornalistas:

  • Pressão sobre a notícia, visando a inserção de de- terminado assunto ou a sustação de notícia desfa- vorável. Em qualquer redação séria, isso é causa de indignação.
  • Pressão sobre os profissionais. Na mesma linha do item anterior e com o mesmo resultado não dese- jado.
  • Mentira. Tende a ser apenas um paliativo que não resolve o problema e muitas vezes o amplia. A verdade mesmo desagradável ou inconveniente é melhor compreendida do que a mentira descoberta e não fecha portas.
  • Presença oportunista no noticiário. A participação no noticiário só deve acontecer quando há inte- resse jornalístico na notícia a ser divulgada.
  • Discriminação. Deve-se garantir que todos os veí- culos recebam as informações da mesma forma e em tempo hábil a fim de evitar a sensação de dis-

criminação. Todos veículos de comunicação são importantes independentes do seu tamanho e au- diência, pois cada veículo tem suas próprias pecu- liaridades e diferenças de público e enfoque.

  • Quem diz o que é notícia. Quem determina a im- portância das notícias é a imprensa e não quem quer a sua divulgação.
  • Avaliação por centimetragem. A eficiência da as- sessoria de imprensa não se mede pelo número de centímetros das matérias publicadas e sim pelo relacionamento que ela mantém com os órgãos de comunicação.
  • Aluguel de nome. O expediente de alugar o nome de um jornalista além de contraproducente é freqüentemente ilegal, pois não garante a qualida- de de trabalho e também causa indignação entre os profissionais sérios.
  • Desrespeito à assessoria.
  • Regalias concedidas a jornalistas. Deterioram o re- lacionamento com a imprensa e não dão direito de se exigir a publicação de matérias.
  • Porta-voz. O assessor de imprensa não é porta- voz da instituição, cargo, aliás, em desuso. Os jor- nalistas dão preferência as informações obtidas diretamente com as fontes das notícias.

Objetivos Principais da Comunicação Social em um Órgão Pericial

No caso do IGP-RS, foram estabelecidos objetivos prin- cipais para ACS considerando a característica de órgão de segu- rança pública estadual responsável pelos serviços periciais e de identificação:

  • Integração: Integrar o órgão pericial na política de comunicação social da Secretaria da Justiça e da Segurança do Estado do Rio Grande do Sul (SJS-RS).
  • Divulgação: Criar um sistema de divulgação das atividades periciais e de identificação, gerando uma pauta positiva.
  • Assessoramento: Assessorar a Direção-Geral do IGP-RS e os servidores do órgão nas relações com a imprensa, na área editorial e na organização de eventos (cerimonial e protocolo).
  • Reconhecimento: Buscar o reconhecimento pú- blico do IGP-RS como um órgão vinculado a SJS- RS.
  • Visibilidade: Comunicar com simplicidade, cla- reza, interesse e repetição de mensagens para dar

visibilidade aos pontos principais do IGP-RS jun- to à opinião pública.

Fluxo de Informações e Avaliação de Impacto em um Órgão Pericial O fluxo de informações e a avaliação de impacto da co- municação social no IGP-RS também integram os objetivos principais traçados. No entanto, dada a sua relevância, esses itens são tratados com uma maior especificidade. A ACS tem a responsabilidade de planejar e viabilizar o fluxo de informações entre o IGP-RS e a imprensa, avaliando o impacto das informações interna e externamente (Avaliação). Na rotina de atividades, a ACS deve e tem estado junto à Direção-Geral do IGP-RS nos debates e nas tomadas de deci- são que envolve três tipos de ações: divulgação de informações, repercussão pública dos fatos e respostas demandadas pela so- ciedade (Decisão). Em especial, quanto à divulgação, é fundamental que todas as informações do IGP-RS fornecidas por servidores do órgão tenham a intermediação da ACS para que se possa avaliar e distribuir o conteúdo a todos os veículos de im- prensa, de acordo com a política de comunicação social da SJS-RS.

O Perito e a Imprensa

Dentre todas as particularidades de um órgão pericial, é na relação entre o perito e a imprensa que recaem as maiores atenções da ACS. A ausência de referenciais históricos motivou a necessidade de uma pequena revisão da legislação circunscri- ta à Constituição Federal e ao Código de Processo Penal. Em seguida, estabeleceu-se um conjunto de Orientações Gerais aos Peritos. Por fim, buscou-se na obra de Espindula^10 os elemen- tos relativos à presença da imprensa no Local de Crime. Da Constituição Federal, foram trazidos para reflexão cinco incisos do Art 5°, que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos:

  • IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
  • V - é assegurado o direito de resposta, proporcio- nal ao agravo, além da indenização por dano ma- terial, moral ou à imagem.
  • IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independen- temente de censura ou licença.
  • X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direi- to a indenização pelo dano material ou moral de- corrente de sua violação.

história.

  • A presença de outras pessoas pode levar mais facil- mente a declarações que não deveriam figurar na entrevista.
  • Se na entrevista existir matéria delicada, que jus- tifique o receio do entrevistado, este pode con- seguir sempre, pelo menos, que os pontos prin- cipais lhe sejam lidos por telefone (fax/ internet).
  • Não chutar a resposta!
  • O jornalista não gosta que lhe marquem uma en- trevista e depois não lhe respondam às perguntas que vai fazer. Se há muita coisa que não se pode dizer, evite ser entrevistado.
  • Nenhum entrevistador procura o entrevistado para criar problemas. O repórter quer apenas uma boa história que perde o interesse se as respostas fo- rem muito limitadas. Lembre que a realização pro- fissional e a cotação do trabalho do jornalista de- pendem da imagem de isenção, de confiança e escrupolosidade que ele cria com um trabalho sé- rio e sem atrito. Também são importantes os Conselhos dedicados a quem precisa falar na televisão encontrados na obra de Maciel^12 :
  • Se você pretende ser compreendido quando fala na televisão busque a clareza. Lembre que os fa- tos - e as palavras - podem contribuir tanto para obscurecer quanto para tornar claro o significado do que é dito.
  • A comunicação é um processo de tornar as coi- sas mais simples e não mais complicadas. Se você torna mais simples a idéia que quer transmitir ela vai ser entendida mais facilmente, por um maior número de pessoas, e de maneira mais correta.
  • Em qualquer situação prefira as palavras mais sim- ples e curtas e construa as frases na ordem direta (sujeito, predicado, complementos).
  • É fundamental que a pessoa, ao falar na televisão, acredite no que está dizendo.
  • O excesso de dados, o uso excessivo de informa- ções, sempre vai dificultar a compreensão. Por isto a fala de televisão deve ser extremamente simples, direta e objetiva. Lembre sempre que o telespectador vai ouvir apenas uma vez o que você vai dizer para ele.
  • Quanto mais coloquial for a nossa mensagem, mais estaremos tocando nos sentimentos dos telespectadores.

Mandamentos do Telejornalismo

Sendo o principal referencial de comunicação na socieda- de atual, a televisão não poderia deixar de receber um trata- mento mais profundo dentro do espectro de conhecimento que a ACS deve passar aos assessorados. Tendo como meta a inser- ção do órgão pericial no noticiário televisivo, faz parte do con- junto de Orientações a aprendizagem de como uma notícia pode adquirir maior valor para o telejornalismo. De Maciel^13 , foram buscados os dez mandamentos da área, acrescidos de comentá- rios específicos para a atividade pericial:

  • A notícia está onde estão as câmeras. As câmeras estão onde está o poder. Cabe à perícia buscar formas de aproximar suas atividades dos detentores de poder para que suas notícias sejam divulgadas. Convidar o Presidente, o Ministro, o Governador, o Secretário para eventos é uma das formas de se atingir esse objetivo.
  • Notícia importante é a que entra no jornal das oito da noite. Ou seja, o interesse do telejornal é que baliza a importância das notícias.
  • Se um político não consegue dar o recado em 15 segundos, corta. O mesmo vale para o Perito, por isso, a objetividade nas entrevistas é tão fundamental.
  • Se presidente fala é notícia. Vale o mesmo para o Mi- nistro, o Governador e o Secretário, sendo importante mantê- los informados sobre as atividades periciais.
  • Se o concorrente tem, é preciso dar. Aqui se relembra a necessidade da divulgação ampla das informações desde o início, pois uma vez que um órgão de comunicação tiver a notícia os demais também vão quere-la.
  • Entre a bela e a fera, use a bela. No universo da segurança pública, muitas vezes, a perícia é a bela, pois é o momento da elucidação de fatos que causam comoção na sociedade.
  • Se os grandes jornais publicaram, a televisão deve dar. Reitera-se o mandamento de que se o concorrente tem, é preciso dar.
  • Se for importante, mas a imagem é pobre, conte. Se for trivial, mas a imagem é boa, mostre. As novas tecnologias aplicadas à Criminalística são excelentes mananciais de imagens para o telejornalismo.
  • Se não aconteceu hoje, não é notícia. Aqui se trata da velocidade da informação. Ás vezes, o Perito procura a ACS dizendo que na semana passada entregou um laudo pericial importante e que não foi divulgado. A resposta é: não foi e nem será. Não se podem perder as oportunidades de divulgação no momento dos fatos.
  • Deixe o telespectador feliz. Novamente, pode-se consi- derar a perícia como o momento de deixar o telespectador feliz, quando se apresenta a solução para crimes.

Relatório de Atividades da ACS do IGP-RS

A ACS do IGP-RS entrou em funcionamento em março de 2003. Nos primeiros 30 meses, as principais atividades reali- zadas foram:

  • Acompanhamento da Direção Geral do IGP-RS em viagens ao interior do Estado do Rio Grande do Sul.
  • Agendamento de entrevistas e da cobertura das ati- vidades do IGP-RS.
  • Coleta e organização de informações sobre assun- tos específicos, busca de informações específicas e seleções de notícias de interesse imediato.
  • Criação da SEMANA DO IGP-RS para comemo- ração do aniversário do órgão.
  • Divulgação para imprensa de informações, suges- tões de pauta, materiais impressos, pastas de im- prensa, comunicados, artigos especiais, mensagens eletrônicas, fotos e notícias.
  • Lançamento da Revista do IGP-RS, publicação de natureza técnico-científica.
  • Manutenção de informações no site da SJS-RS.
  • Monitoramento diário dos noticiários.
  • Organização de arquivo com material jornalístico.
  • Produção de materiais de divulgação e de apoio com apresentação do IGP-RS.
  • Produção de notícias (cursos, laudos, eventos, uti- lidade pública, etc.).
  • Realização da interface entre o IGP-RS e a imprensa.
  • Realização de eventos, cerimonial e protocolo.

Reflexão Final

A Comunicação Social deve ser uma ferramenta para que a Perícia Criminalística seja reconhecida e respeitada pela soci- edade como atividade fundamental para a efetivação da Segu- rança Pública e da Justiça na busca por melhores condições de trabalho, tais como, remuneração apropriada e infra-estrutura adequada. A apresentação do trabalho desenvolvido pela ACS do IGP-RS como uma visão de comunicação social para a Criminalística pode servir de base para que outras iniciativas dessa natureza sejam desenvolvidas em todo território nacional.

Notas

[1] Referência na bibliografia de Genro Filho: HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública/investigação quanto a uma categoria da socie- dade burguesa. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro,

[2] GENRO FILHO, Adelmo. O segredo da pirâmide; para uma teoria marxista do jornalismo. 2. ed. Porto Alegre, Ortiz, 1989 [3] MARCONDES FILHO, Ciro. O capital da notícia; jornalismo como produção social da segunda natureza. 2. ed. São Paulo, Ática, 1989. [4] Idem. [5] Ibidem. [6] RAMIREZ, Maria Helena Hérnandez. Qué son lás noticias? Comunicación y sociedad. Guadalajara, Centro de Estudos de la Información y la Comunicación de la Universidad de Guadalajara, ago. 1992. [7] Referência na bibliografia de Alsina: HERRAIZ, I., 1966: 19. [8] ALSINA, Miguel Rodrigo. Lás noticias. In: La producción de la noticia. Barcelona, Piados, 1996. [9] Referência na bibliografia de Ramirez: SOLOSKY, J., “News reporting and professionalism: Some constraints on the reporting of the news”, Media culture and society. London: Sage, n. 11, 1989: 207-228. [10] ESPINDULA, Alberi et al. Local de crime: isola- mento e preservação, exames periciais e investigação crimi- nal. Brasília: Alberi Espindula ed., 2002. [11] Referência na bibliografia de Maciel: ERBOLATO, Mário. Técnicas de codificação em jorna- lismo – redação, captação e edição no jornal diário. São Paulo: Ática, 1991. [12] MACIEL, Pedro. Guia para falar (e aparecer) bem na televisão. Porto Alegre: Sagra/DC/LUZZATTO,

[13] Idem.

Autor

[a] Perito Criminalístico - [email protected].

veras de desenvolvimento do embrião. Calcula-se que entre sete e dez por cento dos defeitos congênitos sejam resultado da ação danosa de drogas, vírus e outros fatores ambientais. Na sindactilia especificamente, existe suspeita de efeito do medica- mento hidantoína usado pela mãe durante a gravidez.

[...] A sindactilia é mais comum entre os dedos mé- dio e anular (57%); a seguir, em ordem decrescen- te de freqüência, entre os dedos mínimo e anular (27%); entre os dedos médio e indicador (14%) e menos freqüentemente entre os dedos polegar e indicador (3%), uma vez que o polegar se desen- volve mais cedo que os outros dedos. Os homens são afetados duas vezes mais que as mulheres (TACHDJIAN,1995, p. 222).

Esta anomalia ocorre mais freqüentemente por causas hereditárias ou como característica de portadores de Síndrome de Down, associada a outras alterações congênitas. Com me- nor incidência, é detectada em outras enfermidades raras, como a Síndrome de Apert, Síndrome de Carpenter, Síndrome de Pfeiffer, Cornélia de Lange.

1 Síndrome de Down

A Síndrome de Down, descrita como trissomia do cromossomo 21, apresenta a incidência aproximada de um para cada seiscentos nascimentos, podendo aumentar esta probabi- lidade conforme a idade da mãe. O quadro clínico inclui diver- sos sintomas. Sob o ponto de vista papiloscópico, resta saber que é bastante considerável o número de anomalias encontra- das em mãos e pés, como também o percentual elevado de ocor- rência nos portadores desta enfermidade (Tabela 1).

2 Síndrome de Apert

A Síndrome de Apert, também chamada de Acrocefa- losindactilia Tipo I, foi descrita como uma Síndrome por Apert

em 1906. É um defeito genético que pode ser herdado dos pais ou como uma mutação nova, durante o período de gestação. Primeiramente afeta a cabeça, com vários graus de sindactilia complexa das mãos e dos pés. Sua condição é muito rara, pro- vavelmente ocorrendo em uma a cada duzentos mil nascimen- tos. Não se sabe a causa, pois sua etiologia é desconhecida. Entretanto, é um distúrbio genético com uma herança domi- nante forte. Como mutação, é mais esporádica ainda. Segundo Tachdjian, (1995), na Síndrome de Apert verda- deira a mão tem aparência de uma luva com sindactilia comple- xa e completa dos dedos: indicador, médio e anular. Os três dedos centrais estão fundidos com união óssea interdigital e uma unha comum (Fig. 2). O dedo mínimo com freqüência exibe sindactilia de partes moles com dedo anular, mas com uma unha independente. O polegar é curto e desviado radical- mente na articulação metacarpofalangiana; algumas vezes este se apresenta separado, mas pode se apresentar unido com os outros dedos. A palma tem forma de colher e funciona como um remo, com movimentos grosseiros. São três os tipos de configurações de mãos associadas à Síndrome de Apert: Classe I: com fusão dos dedos 2,3 e 4, com os dedos 1 e 5 separados; Classe II – fusão dos dedos 2, 3, 4 e 5 com o dedo 1 separado e, Classe III – fusão completa de todos os dedos.

3 Síndrome de Carpenter

A Síndrome de Carpenter, chamada de Acro- cefalopolisindactilia Tipo II, é uma enfermidade rara e heredi- tária que, entre outras deformidades e anomalias, provoca malformações de dedos das mãos e dos pés, com polidactilia (dedos extranumerários), braquidactilia (dedos curtos), clinodactilia (curvamento de um dedo).

4 Síndrome de Pfeiffer

A Síndrome de Pfeiffer ou Acrocefalosindactilia V, Subtipo I é doença hereditária rara, que apresenta sintomas específicos

Tabela 1 - Porcentagens das alterações fenotípicas em 114 crianças com T21. Figura 2. Sindactilia completa (Síndrome de Apert)

Figura 4. Exemplo de classificação constante de individual datiloscópica de um indivíduo portador de sindactilia

Fig. 3. Separação da sindactilia simples completa dos dedos anular e médio.

de outras áreas e que não interferem na classificação datiloscópica, mas para o interesse dos papiloscopistas, exibe hipoplasia de falanges médias com polegares curtos e largos, sindactilia, clinodactilia.

5 Cornélia de Lange

A Cornélia de Lange é também conhecida como Síndrome de Brachmann de Lange, Síndrome de Amstelodamensis Degenerativa e Síndrome de Lange. Enfermidade rara caracte- rizada por atraso de desenvolvimento intra-uterino e pós-natal, com malformações ósteo-musculares esqueléticas de mãos, pés, braços e pernas. Apresenta também sindactilia e adactilia (au- sência de dedos). Não é hereditária porque são raras as situa- ções em que há mais que um caso na família e a probabilidade de ocorrência é de um a dois por cento. Há uma estimativa de que um em cada dez mil nascimentos em todo o mundo, sejam afetados por esta alteração. Nesta Síndrome, as mãos e os pés são pequenos, o quinto dedo está geralmente encurvado e, por vezes, as crianças apresentam uma membrana interdigital entre o segundo e o terceiro dedos dos pés.

Tratamento

A sindactilia é passível de reversão mediante cirurgia re- paradora. A finalidade desta cirurgia é separar os dedos unidos para que possam se abrir tão normalmente quanto possível melhorando a função e a aparência da mão. O planejamento e a idade da intervenção cirúrgica podem variar conforme os de- dos afetados e do grau de complexidade e envolvimento da sindactilia. Os dedos de comprimentos diferentes devem ser separados precocemente, pois o mais longo desenvolverá uma contratura em flexão e um desvio lateral. Quanto mais precoce for a separação, menos obstáculos haverá para o crescimento dos dedos. Como regra, o polegar e o indicador devem ser se-

parados por volta dos seis meses de idade; os dedos mínimo e anular, antes de um ano de idade. No que se refere aos dedos indicador e médio, as articulações interfalangianas, principal- mente as distais, não se encontram no mesmo nível, logo a se- paração deve ser feita por volta de um ano de idade, para se evitar a contratura em flexão. Quanto aos dedos médio e anu- lar, que têm praticamente o mesmo comprimento, não há ur- gência na separação, podendo-se esperar até que a criança te- nha dois ou três anos de idade (Fig.3).

Classificação Datiloscópica após Cirurgia

Como já citado anteriormente, as anomalias interferem na classificação datiloscópica, que é, em última análise, a opera- ção que tem por fim consignar os símbolos (letras e números) de cada desenho papilar até se chegar á fórmula datiloscópica de cada indivíduo. Esta fórmula é muito importante, pois de- terminará para qual arquivo a individual datiloscópica será en- viada. Feita a classificação, obtém-se a SÉRIE (codificação atri- buída à mão direita) e SEÇÃO (codificação atribuída à mão esquerda). Sendo mal classificada, a individual datiloscópica deixará de ir para seu respectivo local no arquivo, e poderá se perder, causando prejuízos irreparáveis para a seção datiloscópica. Em se tratando de codificação, o Departamento de Iden- tificação do Estado do Rio Grande do Sul, possui uma tabela padrão usada por todos os papiloscopistas, onde estão listados os tipos de anomalias e seus respectivos códigos a fim de se efetuar a conversão da classificação papiloscópica em codificação a ser informada no sistema. É neste ponto que ocorre a altera- ção da classificação datiloscópica, pois um indivíduo portador de sindactilia, e quaisquer dedos unidos são classificados como sindactilia, seguido da inscrição SINDACTILIA, na individual datiloscópica, não importando o tipo (Fig. 4), levará o código

  1. Se esse mesmo indivíduo tiver se submetido a uma cirurgia