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Sequência didática de Gênero Textual, Exercícios de Português (Gramática - Literatura)

Sequência com o ensino do Gênero

Tipologia: Exercícios

2024

Compartilhado em 10/04/2024

normanda-rafael-de-sa
normanda-rafael-de-sa 🇧🇷

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Sequência didática - texto dissertativo-argumentativo, por Marina Barroso e Natália
Biston
Prática Pedagógica: Leitura e Produção Textual III
Professora Cristina Lopomo Defendi
1. Objetivos
Essa sequência didática tem como objetivo apresentar o gênero textual dissertativo-
argumentativo enquanto gênero presente nos principais vestibulares, principalmente
ENEM. Também objetiva a compreensão dos alunos para o reconhecimento do
gênero, o papel social dos agentes e os objetivos do gênero e a construção da
argumentação e de propostas de intervenção.
2. Público alvo
SD destinada a alunos do 3º ano do Ensino Médio matriculados no Instituto Federal
de São Paulo para a matéria de Língua Portuguesa e Literatura, ministrada pela
professora Fernanda.
Quantidade de aulas: 8 aulas - aulas assíncronas (regime de ensino remoto
emergencial)
3. Base metodológica
Essa sequência didática se baseará na estrutura e nas competências exigidas para a
redação do ENEM, por ser o texto dissertativo-argumentativo de produção mais
próxima da realidade dos alunos de 3º E.M., e na estruturação de sequência didática
proposta por Dolz, Noverraz e Schneuwly. No entanto, essa sequência didática propõe
um olhar abrangente ao gênero trabalhado compreendendo “a importância da
produção textual como forma de domínio cultural” (VARISO, MORETTO, p. 5, 2020).
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Sequência didática - texto dissertativo-argumentativo, por Marina Barroso e Natália Biston Prática Pedagógica: Leitura e Produção Textual III Professora Cristina Lopomo Defendi

  1. Objetivos Essa sequência didática tem como objetivo apresentar o gênero textual dissertativo- argumentativo enquanto gênero presente nos principais vestibulares, principalmente ENEM. Também objetiva a compreensão dos alunos para o reconhecimento do gênero, o papel social dos agentes e os objetivos do gênero e a construção da argumentação e de propostas de intervenção.
  2. Público alvo SD destinada a alunos do 3º ano do Ensino Médio matriculados no Instituto Federal de São Paulo para a matéria de Língua Portuguesa e Literatura, ministrada pela professora Fernanda. Quantidade de aulas: 8 aulas - aulas assíncronas (regime de ensino remoto emergencial)
  3. Base metodológica Essa sequência didática se baseará na estrutura e nas competências exigidas para a redação do ENEM, por ser o texto dissertativo-argumentativo de produção mais próxima da realidade dos alunos de 3º E.M., e na estruturação de sequência didática proposta por Dolz, Noverraz e Schneuwly. No entanto, essa sequência didática propõe um olhar abrangente ao gênero trabalhado compreendendo “a importância da produção textual como forma de domínio cultural” (VARISO, MORETTO, p. 5, 2020).

AULA 1: Primeiro contato com o gênero. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), desde seu início, tem como proposta de produção textual um texto dissertativo-argumentativo a partir de textos motivadores com tema de cunho social. O material abaixo se refere ao tema da redação do ENEM no ano de 2015, intitulado A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira , e uma redação que recebeu nota 1000. Leia-os com atenção para a resolução de questionário. TEXTO I Nos 30 anos decorridos entre 1980 e 2010 foram assassinadas no país acima de 92 mil mulheres, 43,7 mil só na última década. O número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, que representa um aumento de 230%, mais que triplicando o quantitativo de mulheres vítimas de assassinato no país. FONTE: WALSELFISZ, J. J. Mapa da Violência 2012. Atualização: Homicídio de mulheres no Brasil. Disponível em: www.mapadaviolencia.org.br. Acesso em: 8 jun. 2015. TEXTO V: Parte desfavorecida, de Anna Beatriz Alvares Simões Wreden De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois em pleno século XXI as mulheres ainda são alvos de violência. Esse quadro de persistência de maus tratos com esse setor é fruto, principalmente, de uma cultura de

AULA 2: Introdução ao texto dissertativo-argumentativo A partir da literatura naturalista e realista, você conheceu mais sobre a construção da argumentação a partir da análise da tese. Com textos de divulgação científica, você teve contato com estruturas próprias de gêneros dissertativos. Agora, esses dois gêneros se juntarão para formar um gênero, que você provavelmente se deparará em uma prova de vestibular, por exemplo. Esse gênero é o texto dissertativo-argumentativo. Para o INEP, o texto dissertativo-argumentativo é aquele que se organiza na defesa de um ponto de vista sobre determinado assunto. É fundamentado com argumentos, a fim de influenciar a opinião do leitor, tentando convencê-lo de que a ideia defendida está correta. É preciso, portanto, expor e explicar ideias. É argumentativo porque defende uma tese, uma opinião, e é dissertativo porque utiliza explicações para justificá-la. O objetivo desse texto é, em última análise, convencer o leitor de que o ponto de vista em relação à tese apresentada é acertado e relevante. Para tanto, mobiliza informações, fatos e opiniões, à luz de um raciocínio coerente e consistente. CURIOSIDADE: O que é INEP? INEP é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais vinculado ao Ministério da Educação e promove estudos, pesquisas e avaliações periódicas sobre o sistema educacional brasileiro e é o órgão responsável pelas avaliações e exames, pelas estatísticas e indicadores, e pela gestão do conhecimento e estudos educacionais. Fonte: http://portal.inep.gov.br/web/guest/sobre-o-inep. Estrutura do texto dissertativo-argumentativo: TEMA TESE ARGUMENTOS PROPOSTA DE INTERVENÇÃO AULA 2: Entendendo o que é tese e argumento: Para elaborar um texto argumentativo você precisará, primeiramente, compreender o que é tese e argumento. Eles serão os pilares para a construção da sua redação. Uma tese é o resumo de uma posição (de uma teoria, de uma ideologia). É a ideia que você vai defender no seu texto e deve estar relacionada ao tema e apoiada em argumentos ao longo da redação. Exemplo: Homens e mulheres têm direitos iguais. Já os argumentos são os elementos utilizados para sustentar uma tese. Os argumentos que sustentam uma tese como essa podem ser, por sua vez, ideológicos (buscados na declaração universal dos direitos humanos, por exemplo), mas também podem ser científicos (por exemplo, avaliações genéticas ou fatos históricos que mostram que, mesmo em condições desiguais, mulheres produziram grandes feitos - nas artes, ciência, na política…). Os argumentos podem ser: ● Quantitativos ou argumento por evidência: são extremamente comuns por evidenciar e justificar o argumento com dados comprovados. É neles que se baseia frequentemente a avaliação do desempenho da economia (crescimento

do PIB, distribuição de renda…), por exemplo. EXEMPLO: “No país, os processos são demorados e as medidas coercitivas acabam não sendo tomadas no devido momento. Isso ocorre também com a Lei Maria da Penha, que entre 2006 e 2011 teve apenas 33,4% dos casos julgados.”Qualitativos ou argumento de princípio: são explicações baseadas na crença de que tais argumentos são verdadeiros. Podem ser “verdades” propostas por pensadores e que se tornaram correntes ( O homem é o lobo do homem ) ou verdades surgidas de longa experiência “popular”, como os provérbios. ● Argumento de autoridade (em geral de tipo ideológico): a afirmação de um intelectual (literato, filósofo, líder político etc.) pode funcionar como argumento de defesa de uma tese, podendo passar maior credibilidade de acordo com sua autoridade perante a afirmação. ● Argumentos por comparação e exemplificação: como o próprio nome diz, são baseados em comparações entre dados ou situações e em exemplificações, tornando a argumentação ilustrativa. Exemplo: “Para que o Brasil seja mais articulado como um “corpo biológico” cabe ao Governo fazer parceria com as ONGs.”Argumento por causa e consequência: a tese ou conclusão é aceita justamente por ser uma causa ou uma consequência dos dados embasadores. EXEMPLO: “Ao longo da formação do território brasileiro, o patriarcalismo sempre esteve presente, como por exemplo na posição do “Senhor do Engenho”, consequentemente foi criada uma noção de inferioridade da mulher em relação ao homem. Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o sexo feminino de maneira diferenciada e até desrespeitosa.”Argumento por alusão histórica: consiste na abordagem de fatos históricos muito conhecidos, esses fatos podem ser utilizados para demonstrar a consequência desses acontecimentos para o assunto abordado, por exemplo, fazer uma alusão ao período da ditadura militar no Brasil para desenvolver uma temática relacionada à censura ou repressão. AULA 03: A construção da argumentação. A argumentatividade de um texto possui uma noção básica: a escala argumentativa. A escala argumentativa indica uma gradação de força para o conjunto de argumentos que apontam para a mesma conclusão. Exemplo: O moralismo burguês está infiltrado na cena contemporânea. Por quê? Argumento 1. O moralismo tem como base as religiões judaico-cristãs. Argumento 2. O moralismo cresceu com a influência da classe média burguesa. ● O moralismo burguês está infiltrado na cena contemporânea por ter como base as religiões judaico-cristãs e forte influência da classe média burguesa. A partir dos elementos do repertório da língua, é possível dar aspectos diversos nas escalas argumentativas, através dos operadores argumentativos :

AULA 04: O texto dissertativo-argumentativo em circulação. Leia o artigo Apenas a guerra de classes pode frear a crise climática e a hipocrisia do “capitalismo verde” , escrito pelo escritor Paris Marx para o blog da Jacobin Brasil, em 15 de dezembro de 2020. Apenas a guerra de classes pode frear a crise climática e a hipocrisia do “capitalismo verde” Um novo relatório mostra que o 1% mais rico do mundo é responsável pelo dobro das emissões de carbono de toda a metade inferior, mais pobre, da população mundial. A mensagem é clara: para combater as mudanças climáticas, temos que lutar contra a classe dominante. Enquanto os incêndios aumentam na Califórnia, o permafrost (solo congelado) derrete na Sibéria, as ondas de calor atingem a Europa e os furacões e tufões ficam cada vez mais fortes, há uma necessidade urgente de uma ação climática ambiciosa. A questão é como será e quem arcará com o custo da transição para um mundo mais sustentável. Por várias décadas, a mensagem ambiental dominante diz respeito à ação individual. Dizem que, para resolver a crise climática, é preciso trocar as lâmpadas, adotar eletrodomésticos eficientes, comprar veículos híbridos ou elétricos, isolar melhor as casas, parar de usar sacolas plásticas e alterar o consumo pessoal de outras maneiras. Essas coisas são, sem dúvida, mudanças positivas, mas não são suficientes para enfrentar a escala da crise que há, e podem levar a más conclusões sobre onde realmente está a culpa pela crise climática. Há um argumento crescente de que uma das forças motrizes da crise climática é a população global. Esse argumento diz que o mundo está superpovoado, e é por isso que as emissões são tão altas. Essa visão é mais comumente expressa por ecofascistas, que acreditam na necessidade de um genocídio para reduzir a população humana. Mas a superpopulação também é citada por importantes figuras liberais, como a primatologista Jane Goodall e o naturalista Sir David Attenborough, e isso ajuda a formular conclusões enganosas e preocupantes sobre o que alimenta a mudança climática. Embora o foco no consumo pessoal coloque a responsabilidade igualmente sobre todas as pessoas, o foco no crescimento populacional transfere a culpa para os países da África e da Ásia, onde as populações continuam crescendo. Na verdade, são pessoas que têm uma das pegadas de carbono mais baixas do mundo, e quando se olha quais regiões emitiram os gases de efeito estufa que aquecem o planeta, a resposta é definitiva: os EUA e a Europa. Mas mesmo culpar totalmente os estadunidenses e europeus é não entender o quadro geral. Um novo relatório da Oxfam concluiu que apenas o 1% das pessoas mais ricas é responsável pelo dobro das emissões dos 50% mais pobres da população mundial. Isso significa que mesmo que a classe trabalhadora do Norte Global tomasse todas as ações individuais recomendadas ou se os pobres do Sul Global fossem obrigados a parar de ter filhos, isso ainda não resolveria o problema. A luta pela redução de carbono está sendo sacrificada para que a elite global possa

manter seu estilo de vida luxuoso, com seus jatos particulares que os levam para conferências sobre o clima onde possam dar a impressão de que se importam. O fundador da Virgin, Richard Branson, tem sido um líder nesta bilionária greenwashing (lavagem verde), fazendo promessas climáticas que não cumprirá, enquanto expande seu negócio de aviação. Da mesma forma, Elon Musk que, entre outras atividades, dirige a Tesla Motors, afirma se preocupar com o clima para vender mais automóveis, enquanto critica o transporte público e tenta impedir projetos de ferrovias de alta velocidade. Mas talvez o mais o proeminente desses bilionários que esverdearam suas atividades insustentáveis seja Jeff Bezos, executivo da Amazon. No início deste ano ele foi elogiado na imprensa por seu Fundo Bezos Earth de US$ 10 bilhões – ele até comprou os direitos para renomear um estádio de Seattle após sua promessa climática! Mas nenhum subsídio ainda foi emitido pelo fundo, enquanto a Amazon continua a ajudar as empresas de petróleo e gás a extrair combustíveis fósseis de forma mais eficiente. Esses bilionários dizem que o capitalismo pode resolver a crise climática e que seus investimentos ajudam a criar uma nova forma de “capitalismo verde” que promete reduzir as emissões e inaugurar um futuro sustentável. Os governos se rendem a esse mito e o colocam no centro de seus planos de recuperação da pandemia. Em julho, o governo britânico anunciou um plano de recuperação de 350 milhões de libras para colocar o país na vanguarda da “inovação verde” – uma gota no oceano do investimento necessário. Previsivelmente, esse plano não inclui nenhuma sugestão de diminuir as emissões dos ricos reduzindo sua riqueza, banindo jatos particulares ou fechando as indústrias poluentes com as quais lucram. Enquanto isso, nos EUA, o presidente Donald Trump não tem um plano climático, enquanto Joe Biden se concentra em energias renováveis e carros elétricos, e promete novas rodovias com estações de recarga, mas se recusa a proibir o “fracking” [técnica usada para extrair o gás de rochas]. Ao Norte, o discurso recente do primeiro- ministro canadense Justin Trudeau prometeu fazer da ação climática uma “pedra angular” da recuperação da pandemia no Canadá e, ao mesmo tempo que se concentrava nos veículos elétricos, minerava mais componentes para eles e investia mais em energia hidrelétrica. Ele não mencionou os impactos ambientais dessas iniciativas. O capitalismo verde nunca facilitará a escala de ação necessária para manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC ou mesmo 2ºC, porque se recusa, em primeiro lugar, a enfrentar os poderosos e as indústrias que alimentam a crise climática. Ele continua a garantir que os benefícios fluam para o topo enquanto esvazia a classe média e produz narrativas climáticas que transferem a responsabilidade para aqueles que têm menos para fazer as mudanças necessárias: o público, se não os pobres do mundo. O tipo da ação climática necessária requer o enfrentamento dos ricos e a organização em torno de uma visão para um tipo diferente de sociedade. Isso significa não apenas fazer os ricos pagarem impostos mais altos, mas ativamente desmantelar as estruturas econômicas que facilitam seu acúmulo de riqueza, tratam o planeta como uma abundância ilimitada de matérias-primas gratuitas e geram todas as emissões que aquecem o planeta. Ou enfrentamos o capitalismo, ou seremos incapazes de deter a mudança climática

verbo auxiliar no modal que indica necessidade ou possibilidade e; ● oração principal cujo verbo expressa modalidade. Através da escolha do verbo, a modalização pode ser:

- constatação

“Dizem que, para resolver a crise climática, é preciso trocar as lâmpadas, adotar eletrodomésticos eficientes, comprar veículos híbridos ou elétricos, isolar melhor as casas, parar de usar sacolas plásticas e alterar o consumo pessoal de outras maneiras.” Paris Marx nota que essa concepção de capitalismo não prevê uma solução eficiente para o problema ecológico.

- saber

Sabe-se que a herança patriarcal contribui para a inferiorização das mulheres na sociedade brasileira. Eu sei que a sociedade brasileira é machista devido sua construção com bases patriarcais.

- certeza (em uma escala entre mais forte e mais fraco)

Creem que o problema do mundo atual são os falsos discursos de salvação promovidos pelas instituições capitalistas. Creio na parceria de ONGs com o Governo federal para o efetivo encaminhamento de casos de agressão contra mulheres para as delegacias.

- pressentimento ou suposição

Supõem-se que o “capitalismo-verde” é a solução para os problemas ecológicos do planeta. Anna Beatriz desconfia que a manutenção da violência contra mulher está ligada à lentidão e burocracia do sistema punitivo.

- possibilidade

É possível que no futuro se discuta um novo modelo de sistema social e econômico.

- desejo

Deseja-se que os ricos reconheçam sua maior contribuição na emissão de gases tóxicos na atmosfera. Eu desejo que os homens reconheçam sua culpa na desigualdade da sociedade.

- confirmação

Os dados confirmam que instituições capitalistas são responsáveis pelas maiores taxas de emissão de gases tóxicos. Para relembrar: Como analisado na ação de narradores em primeira pessoa em comparação com os narradores de terceira pessoa, o enunciador em um texto dissertativo-argumentativo também se altera pela pessoa que enuncia. Enunciador em 1ª pessoa: subjetivo, falta de confiabilidade no dito. O enunciador em 1ª pessoa assume as informações ditas. Enunciador em 3ª pessoa: objetivo, distanciamento do que se enuncia. O enunciador em 3ª pessoa enuncia a informação sem apresentar opiniões. Atenção:

Mas será que um texto em 3ª pessoa realmente não apresenta marcas de seu enunciador e não demonstra opiniões? É importante ressaltar que apesar da 3ª pessoa visar objetividade e neutralidade, todas as escolhas textuais são feitas por um sujeito que se posiciona e demonstra suas crenças e valores a partir do texto. Aula 05: O texto dissertativo-argumentativo em primeira pessoa. Agora, leia o texto Não existe hierarquia de opressão , da escritora caribenha Audre Lorde, que compõe a coletânea “Pensamento feminista” (ed. Bazar do Tempo, 2019). Não existe hierarquia de opressão. Eu nasci negra, e mulher. Esforço-me para ser a pessoa mais forte que conseguir - para viver a vida que me deram e para promover algum tipo de mudança que leve a um futuro decente para esta terra e para os meus filhos. Sendo uma pessoa negra, lésbica, feminista, socialista, poeta, mãe de duas crianças — uma delas, um garoto — e parte de um casal interracial, eu me lembro a todo momento de que sou parte daquilo que a maioria chama de desviante, difícil, inferior ou um escancarado “errado”. Por estar em todos esses grupos, aprendi que a opressão e a intolerância com o diferente existem em diversas formas, tamanhos, cores e sexualidades; e que, dentre aqueles de nós que têm o mesmo objetivo de libertação e de um futuro possível para as nossas crianças, não pode existir uma hierarquia de opressão. Eu aprendi que sexismo (a crença na superioridade inerente de um sexo sobre todos os outros e, assim, seu direito de dominar) e heterossexismo (a crença na superioridade inerente de uma forma de amar sobre todas as outras e, assim, seu direito de dominar) vêm, os dois, do mesmo lugar que o racismo - a crença na superioridade inerente de uma raça sobre todas as outras e, assim, seu direito de dominar. (...) É inconcebível, para mim, que certa parte de minha identidade possa se beneficiar com a opressão de outra. Eu sei que meu povo não vai se beneficiar com a opressão de qualquer outro grupo que esteja também na busca de direito de existir em paz. (...) Crianças que precisam aprender que elas não têm de ser todas iguais para trabalhar umas com as outras, por um futuro que elas vão dividir. Os ataques cada vez mais frequentes a lésbicas e homens gays são só o estopim para ataques cada vez mais frequentes a todas as pessoas negras, pois onde quer que formas de opressão se manifestem neste país, pessoas negras são vítimas em potencial. E encorajar membros de grupos oprimidos a se lançarem uns contra os outros é um procedimento-padrão da direita cínica. Enquanto estivermos divididos por causa de nossas identidades particulares, não teremos como estar juntos em ações políticas efetivas. Entre as mulheres lésbicas, eu sou negra; e entre as pessoas negras, eu sou lésbica. Qualquer ataque contra as pessoas negras é um problema para lésbicas e gays, porque eu e milhares de outras mulheres negras somos parte da comunidade lésbica. (...) Não existe hierarquia de opressão. Não é uma coincidência que a Lei de Proteção da Família, que é violentamente antimulher e antinegra, também seja antigay. Sendo uma pessoa negra, sei quem são meus inimigos. E quando a Ku Klux Klan move uma ação judicial em Detroit para fazer o comitê de educação da cidade tirar das escolas livros que ela acredita “fazerem apologia à homossexualidade”, sei que não posso me dar ao luxo de lutar contra uma única forma de opressão. Não tenho como achar que estar livre da intolerância é

palavras sábias de Audre Lorde, não podemos lutar levando adiante a armadilha de uma hierarquia de opressão como se uns sofressem mais que outros e acumulassem sofrimentos. O sofrimento não é um capital. É verdade que acumulamos marcas. E isso não pode ser esquecido. Mas em vez de isso levar ao uso do poder de uns contra outros, inclusive daqueles que na posição de vítimas não tem condições muitas vezes físicas e concretas de lutar, é preciso valorizar as alianças. (...) Isso quer dizer que toda luta só é luta quando ela é luta do outro. Que lutar pelos direitos das mulheres é lutar pelos direitos dos negros, que lutar pelos direitos dos negros é lutar pelos direitos das mulheres e dos índios, das pessoas trans e dos trabalhadores, que lutar pelos direitos dos trabalhadores é lutar pelos direitos das mulheres que são, mesmo quando devem descansar, trabalhadoras; que lutar por direitos não significa lutar apenas pelos seus e que não somos apenas nós mesmos que podemos lutar por nossos direitos. Todos devem lutar. A ética da luta leva necessariamente à defesa da luta do outro e da outra. Aprendemos isso no feminismo, que aqui pode nos servir de exemplo: um feminismo que seja mais do que individualismo e protagonização luta pelo empoderamento das outras, luta pela luta junto às outras, buscando a consciência de si como consciência que se faz no diálogo e no dissenso com outras. (...) A guerra machista só poderá ser combatida pela luta feminista potencializada. O mesmo acontece com a esquerda que cai na armadilha da direita: ela se divide e, assim, consegue o enfraquecimento da esquerda ocupada que está em disputas. Perde seu tempo? Enquanto realiza internamente o discurso do moralismo e disputa com os pares infantilizados consegue muito mais atrapalhar a luta do que ajudá-la e promover avanços significativos. A “direita” ri sem precisar “lutar” contra a esquerda. Pergunta que nos cabe fazer é se a esquerda poderia superar o moralismo que está na sua base judaico-cristã e que cresceu com a influência da classe média burguesa que hoje a compõe em quantidade significativa. O feminismo e o movimento antirracista também precisam colocar essa questão internamente. Em resumo, a pergunta é se o moralismo burguês infiltrado na cena contemporânea de quem goza na fala e nas redes sociais pode ser deixado para trás. É o moralismo burguês que faz cada um disputar internamente quando sabemos que a luta precisa ser vencida lá fora, no campo de uma batalha ainda não vivida, lá onde habita o real inimigo. Ou o real inimigo está dentro? Fonte: TIBURI, Marcia. Hierarquia de opressão: sobre o lugar da luta_._ São Paulo: Revista Cult, 2017. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/hierarquia-de-opressao-sobre-o-lugar-da-luta/. Acesso em 12 de dezembro de 2020. AULA 06: Exercícios de interpretação

1. Como a autora articula o argumento de autoridade ao citar o texto de Audre

Lorde?

2. Quais são os argumentos utilizados pela autora para contrapor a Esquerda do

século XIX com a Esquerda dos dias atuais?

3. Identifique três operadores argumentativos no texto de Marcia Tiburi e explique

o sentido que eles atribuem ao texto.

4. O trecho “Mas em vez de isso levar ao uso do poder de uns contra outros,

inclusive daqueles que na posição de vítimas não tem condições muitas vezes físicas e concretas de lutar, é preciso valorizar as alianças.” termina com uma frase em que o verbo expressa a modalidade. É possível deslocar a frase dentro do enunciado? Qual é o efeito de sentido provocado pela mudança?

5. A partir dos elementos presentes no trecho, escreva uma nova proposta de

intervenção para o texto. AULA 07: Proposta de produção textual De acordo com os textos apresentados, é possível observar o apontamento ao sistema capitalista como maior responsável pela grande desigualdade vivenciada na atualidade, bem como um forte mecanismo de opressão de minorias. A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa em até 30 linhas sobre o tema As desigualdades vivenciadas pelas mulheres e potencializadas pela pandemia , apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. TEXTO I Em meio à pandemia, com empresas fechando postos de trabalho, escolas operando a distância e idosos precisando de cuidados extras, a participação das mulheres no mercado de trabalho alcançou o patamar mais baixo dos últimos 30 anos. Os hábitos e a cultura da sociedade têm impedido muitas mulheres não só de trabalhar, mas até de procurar emprego. E, dentro de casa, elas ficaram ainda mais sobrecarregadas. Em função da sobrecarga nas tarefas domésticas e nos cuidados com crianças e idosos, parcela do total de mulheres que estão ocupadas ou em busca de um trabalho chegou a 46,3% no segundo trimestre; desde 1991 esse número não ficava abaixo de 50%, e, desde 1990, não atingia valor tão baixo - quando ficou em 44,2%, segundo dados do IBGE. Entre as mulheres que têm criança de até 10 anos em casa, a queda na participação no mercado de trabalho foi de 7,7 pontos porcentuais entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período deste ano. Já entre as mulheres em geral, a redução foi de 7,1 pontos percentuais e, entre os homens, de 6,3 pontos porcentuais. Fonte: DYNIEWICZ, Luciana. Participação das mulheres no mercado de trabalho é a menor em 30 anos. Disponível em: https://www.estadao.com.br/infograficos/economia,com-pandemia-participacao- das-mulheres-no-mercado-de-trabalho-e-a-menor-em- 30 - anos,1130056. Acesso em 22 dez. 2020. TEXTO II

intencionadas" e dificulta o registro de ocorrências. FONTE: ANTUNES, Leda. Assassinatos de mulheres trans e travestis sobem 13% durante isolamento social, diz pesquisa. O Globo. 06 mai. 2020. Celina. Disponível em: encurtador.com.br/fhiLP. Acesso em: 21 dez. 2020. LEMBRE-SE: ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS – São recursos utilizados para desenvolver os argumentos, de modo a convencer o leitor: exemplos; dados estatísticos; pesquisas; fatos comprováveis; citações ou depoimentos de pessoas especializadas no assunto; pequenas narrativas ilustrativas; alusões históricas e comparações entre fatos, situações, épocas ou lugares distintos. CUIDADO: Não tangenciar o tema , ou seja, não deixar em segundo plano a discussão em torno do eixo temático objetivamente proposto. Ao elaborar sua proposta, procure responder às seguintes perguntas: ● O que é possível apresentar como proposta de intervenção para o problema? ● Quem deve executá-la? ● Como viabilizar essa proposta? ● Qual efeito ela pode alcançar? ● Que outra informação pode ser acrescentada para detalhar a proposta? AULA 08: Autoavaliação SIM NÃO O artigo de opinião tem uma tese clara? Os argumentos são consistentes? As citações foram bem utilizadas? Há outras estratégias argumentativas usadas corretamente? Seu texto está convincente? Utilizou fontes confiáveis para embasar seu texto? A proposta de

intervenção está de acordo com a tese e argumentos apresentados? LEMBRE-SE: para além do conhecimento técnico sobre o gênero analisado e sua aplicação em avaliações e vestibulares, é necessário que se compreenda a produção textual como forma de domínio cultural e sua circulação na sociedade em forma de um gênero com suas especificidades. Também é necessário o aprendizado na construção de argumentação e intervenção, sempre baseada em fontes e dados confiáveis, e a leitura crítica da realidade.