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Se trata de uma squência ddidática para o Ensino médio, voltada para o tema regionalismo.
Tipologia: Exercícios
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Não perca as partes importantes!










O marido preguiçoso ou a panela de ouro. Apolônio Alves dos Santos Peleja de Zé Limeira com Zé Ramalho da Paraíba. Arievaldo Viana Lima Discussão de Collor de Mello com Brizola. Gonçalo F. da Silva
Nos Caminhos da Educação Autor: Moreira de Acopiara Eu já escrevi cordéis Falando de Lampião, Frei Damião, padre Cícero E outros mitos do sertão, Mas agora os versos meus Serão sobre educação. Só que eu não vou fazer isso Por causa de um bom palpite, Mas porque um professor Me fez o feliz convite. E sabendo que na vida Todos temos um limite. E esse professor me disse: Bom Moreira, não se enfeze! Quero que escreva um cordel Que não tenha tom de tese, Sobre educação, pra ser Distribuído no SESI. Achei a iniciativa Ser por demais pertinente, Até porque no Nordeste, Num passado bem recente, Cordel alfabetizou E informou bastante gente. (...)
Leia um trecho da peleja do cego Aderaldo e Zé Pretinho PELEJA DO CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO (...) P- Eu vou mudar de toada Para uma que mete medo Nunca achei um cantor Que desmanchasse esse enredo É um dedo é um dado é um dia É um dia é um dado é um dedo C- Zé Preto este teu enredo Te serve de zombaria Tu hoje cegas de raiva O diabo será teu guia É um dia é um dado é um dedo É um dedo é um dado é um dia P- Cego respondestes bem Como se estivesse estudado Eu também de minha parte Canto verso aprumado É um dedo é um dado é um dia É um dia é um dedo é um dado C- Vamos lá, José Pretinho Que eu já perdi o medo Sou bravo como o leão Sou forte como o penedo É um dedo é um dado é um dia É um dia é um dado é um dedo P- Cego agora puxa uma Das tuas belas toadas Para ver se essas moças Dão algumas gargalhadas Quase todo o povo ri Só as moças estão caladas C- Amigo José Pretinho Eu não sei o que será De você no fim da luta Porque vencido já está
1 – Quais características do gênero cordel estão presentes na peleja? Justifique 2 - Agora leia o cordel a seguir e verifique quais as semelhanças e diferenças entre um poema de cordel e uma peleja. O Cavalo que Defecava Dinheiro Autor: Leandro Gomes de Barros Na cidade de Macaé Antigamente existia Um duque velho invejoso Que nada o satisfazia Desejava possuir Todo objeto que via Esse duque era compadre De um pobre muito atrasado Que morava em sua terra Num rancho todo estragado Sustentava seus filhinhos Na vida de alugado. Se vendo o compadre pobre Naquela vida privada Foi trabalhar nos engenhos Longe da sua morada Na volta trouxe um cavalo Que não servia pra nada Disse o pobre à mulher: _ Como havemos de passar? O cavalo é magro e velho Não pode mais trabalhar Vamos inventar um "quengo" Pra ver se o querem comprar. Foi na venda e de lá trouxe Três moedas de cruzado Sem dizer nada a ninguém Para não ser censurado No fiofó do cavalo Foi o dinheiro guardado Do fiofó do cavalo Ele fez um mealheiro Saiu dizendo: _ Sou rico! Inda mais que um fazendeiro, Porque possuo o cavalo Que só defeca dinheiro. Quando o duque velho soube Que ele tinha esse cavalo Disse pra velha duquesa: _Amanhã vou visitá-lo Se o animal for assim Faço o jeito de comprá-lo! Mudando de assunto... Saiu o duque vexado Fazendo que não sabia, Saiu percorrendo as terras Como quem não conhecia Foi visitar a choupana, Onde o pobre residia. Chegou salvando o compadre Muito desinteressado: Compadre, Como lhe vai? Onde tanto tem andado? Há dias que lhe vejo Parece está melhorado... **É muito certo compadre Ainda não melhorei Porque andava por fora Faz três dias que cheguei Mas breve farei fortuna Com um cavalo que comprei.** _Se for assim, meu compadre Você está muito bem! É bom guardar o segredo, Não conte nada a ninguém. Me conte qual a vantagem Que este seu cavalo tem? Disse o pobre: _Ele está magro Só o osso e o couro, Porém tratando-se dele Meu cavalo é um tesouro Basta dizer que defeca Níquel, prata, cobre e ouro! Aí chamou o compadre E saiu muito vexado, Para o lugar onde tinha O cavalo defecado O duque ainda encontrou Três moedas de cruzado. Então exclamou o velho: _Só pude achar essas três! Disse o pobre: _Ontem à tarde Ele botou dezesseis! Ele já tem defecado, Dez mil réis mais de uma Enquanto ele está magro Me serve de mealheiro. Eu tenho tratado dele Com bagaço do terreiro, Porém depois dele gordo Não quem vença o dinheiro... _ Disse o velho: _meu compadre Você não pode tratá-lo, Se for trabalhar com ele É com certeza matá-lo O melhor que você faz É vender-me este cavalo! _Meu compadre, este cavalo Eu posso negociar, Só se for por uma soma Que dê para eu passar Com toda minha família, E não precise trabalhar. O velho disse ao compadre: _Assim não é que se faz Nossa amizade é antiga Desde os tempo de seus pais Dou-lhe seis contos de réis Acha pouco, inda quer mais? _Compadre, o cavalo é seu! Eu nada mais lhe direi, Ele, por este dinheiro Que agora me sujeitei Para mim não foi vendido, Faça de conta que te dei! O velho pela ambição Que era descomunal, Deu-lhe seis contos de réis Todo em moeda legal Depois pegou no cabresto E foi puxando o animal. Quando ele chegou em casa Foi gritando no terreiro: _Eu sou o homem mais rico Que habita o mundo inteiro! Porque possuo um cavalo Que só defeca dinheiro! (...)
Tudo isso ele contou e cantou, mais rido do que chorado, porque tem a tristeza alegre. Quando partiu - o jipe fora emprestado por um amigo, precisava chegar ao Quixadá antes da noite - nos deixou comovidos e tontos, como se a gente houvesse podido entrever, na sua profundidade natural, o escondido e singelo mistério do mundo. E se o corpo, o triste corpo de carne, nos continuava pesado e pregado ao chão, o coração aligeirado, contente, cantante, estava, ele sim, leve e inocente - “maneiro como uma abelha”... a) Quais as características físicas e psicológicas de cego Aderaldo? b) Explique de que maneira o povoado via cego Aderaldo, o que ele representava para aquele povo. c) Quais as características desse povoado? Qual a importância da literatura de cordel nesse contexto? Justifique sua resposta. d) Em uma roda de leitura discuta suas respostas. Ampliando o conhecimento
1 - Assista ao filme “O alto da Compadecida”. Atente-se para a citação ao lado de Osvaldo Meira Trigueiro. Em grupo, reflita sobre o filme e sobre a reflexão. Explore as semelhanças com o gênero Cordel. 2 - Depois da discussão com colegas e o professor elabore uma resenha sobre o filme. Ela será entregue ao professor para as devidas observações e devolvida com a proposta da reescrita. Após será entregue novamente para avaliação final É nesse Nordeste das narrativas orais da seca, da morte “matada” pela fome, do “cabra da peste”, das astúcias dos “João Grilo” que operam os imaginários populares do sertão. A cotidianidade das pequenas cidades interioranas do Nordeste, quando adaptada para as narrativas ficcionais do cinema, da televisão, do teatro ou da literatura aproxima o Brasil urbano do Brasil rural, melhor dizendo, a convivência de um Brasil rurbano. São esses gêneros narrativos da oralidade popular projetados pelas manifestações folclóricas (...)que, ao longo do tempo, continuam enraizados na oralidade, “correndo de boca em boca” do povo do semi-árido nordestino e apropriados por escritores, autores e diretores, que reinventam suas histórias em livros, teatro, contos, filmes, vídeos e telenovelas. (Trigueiro, 2005, pg.5)
http://www.youtube.com/watch? v=tvx5uNV02lY&feature=player_detailpage a) Qual a temática abordada nesse cordel? Faz referência a qual outro assunto, muito conhecido por alguns? b) Quanto o uso das palavras, existe alguma conhecida, que faz parte do dialeto cotidiano da comunidade em que vive? c) Compare as semelhanças e diferenças na oralidade dos dois poemas. Justifique sua resposta Pesquise palavras, expressões, provérbios que fazem parte de um local, época, cultura e traga para uma roda de conversa. Aproveite para trazer também alguns poemas de cordel. Ampliando o conhecimento Mãos à obra
Chegou o momento da produção de um poema de cordel. Assista ao vídeo “De outro mundo” e em dupla faça um poema de cordel narrando os acontecimentos. Tente seguir as seguintes regras: Estrofes com 6 versos Folheto com 8 páginas Não esqueça da rima e sonorização http://www.youtube.com/watch? v=T3H3R9noP98&feature=results_main&playnext=1&list=PL7F3774C6911A4CA Troque os poemas com outras duplas para correção coletiva, entregue ao professor para avaliação final. Após o professor avaliar e entregar as produções. Formem grupos, juntes as produções sobre o vídeo e produza uma encenação a respeito. Não se esqueçam de adequar o figurino e a linguagem. 10 Hora de mudar de cena... Ato final
Quem de vocês conhece poemas de cordel? Poderia nos falar algo a esse respeito? De que modo essa literatura foi apresentada a você? Sabe qual sua origem? Como chegou até nós? Na segunda hipótese, caso ninguém saiba do que se trata literatura de cordel, encaminhe a discussão fazendo as seguintes perguntas: Quem tem descendência nordestina ou conhece o sertão nordestino? Quais as principais dificuldades enfrentadas pelas pessoas que moram nesse local? Que recurso será que eles utilizam na escrita para disseminar sua cultura, contar suas histórias, falar de sua gente?
Faça uma pesquisa sobre Literatura de Cordel. Primeiramente pergunte a seus familiares se sabem do que se trata, depois busque por informações na biblioteca, livro didático ou na internet e responda as questões a seguir. 4- Quais as principais características desse gênero? Espera-se que o aluno perceba na estrutura da construção desse gênero a importância da rima, sonoridade, quantidade de versos. Leve em conta também as temáticas trabalhada pelos cordelistas e as ilustrações das capas - xilogravuras. 2 – Explique como se deu o surgimento dessa literatura no Brasil e o porquê do nome Cordel? Uma das possíveis respostas é que o aluno perceba que Portugal teve grande influência nesse gênero, mas que esse tipo de literatura marcou também a cultura francesa e espanhola através dos trovadores, que declamavam alguns poemas acompanhados por uma viola que eles mesmos tocavam. Outro aspecto importante é o fato dos poemas serem escritos em folhetos e pendurados em cordões, daí o nome cordel. A literatura de cordel chegou ao nordeste instalando-se na Bahia – Salvador (primeira capital do Brasil) – Então irradiou-se para outros estados. 3 – Quais os principais temas explorados nessa literatura? Os alunos deverão perceber que os temas são os mais variados, indo desde narrativas tradicionais, histórias de amor, humor, ficção... Ao mesmo tempo que falam de temas religiosos, também falam de temas profanos. Seus autores escrevem de maneira jocosa, muitos tentam retratar as realidades desesperadoras de um povo que vive à margem da sociedade. Outra característica é o uso de
recursos textuais como o exagero, de ironia ou sarcasmo para fazer críticas sociais ou políticas. CONHECENDO MAIS SOBRE O ASSUNTO Leia um trecho da peleja do cego Aderaldo e Zé Pretinho Responda 1 – Quais características do gênero cordel estão presentes na peleja? Justifique O aluno deverá levar em conta a estrutura – rima (construção em ABCBDB), improviso, sonoridade, trava-línguas, quantidade de versos por estrofe. Ajude-o a perceber também que quem faz a rima mais bem elaborada e de improviso é aquele que ganha a peleja, nesse caso o cego Aderaldo. 2 - Agora leia o cordel a seguir e verifique quais as semelhanças e diferenças entre um poema de cordel e uma peleja. R: Poderá ser levado em consideração que a peleja é um gênero oral, um desafio com versos bem elaborados e feitos de improviso e vai de desenrolando a medida que o poeta lança um desafio ao outro poeta; enquanto que o poema de cordel é um gênero escrito. Possuem semelhanças na estrutura – número de versos, rima em ABCBDB (deixe claro que essa regra pode mudar), sonoridade. Caso o aluno não note, estimule-o a perceber que o cordel conta uma história fictícia, que também está presente na tipologia narrativa. Leia a crônica de Rachel de Queiroz a respeito do cego Aderaldo e responda as questões: e) Quais as características físicas e psicológicas de cego Aderaldo? R: Espera-se que os alunos notem, além das características físicas de cego Aderaldo, sua personalidade também. f) Explique de que maneira o povoado via cego Aderaldo, o que ele representava para aquele povo. R: Dentre as respostas possíveis, os aluno podem citar, por exemplo, que ele era a pessoa que levava diversão, informação e um pouco de alegria a um povo tão sofrido e que esse o admirava e o respeitava. g) Quais as características desse povoado? Qual a importância da literatura de cordel nesse contexto? Justifique sua resposta.
Em grupo discutam e escrevam individualmente no caderno: c) Qual particularidade da língua falada nota-se na letra escrita? Explique Pode-se considerar as respostas que abordem as palavras consideradas inadequadas à norma padrão. d) Reescreva a letra de acordo com a norma padrão e verifique a possibilidade de manter o mesmo título. Teria o mesmo sentido, a rima continuaria a mesma? Explique o que mudaria. Uma das possibilidades é que o aluno perceba que existe um tom de brincadeira, certa ironia por parte do intérprete e que caso a escrita fosse diferente - norma culta – não provocaria o mesmo efeito. Outro aspecto que pode ser levado em conta é a importância da rima na construção da sonoridade Agora assista a outro vídeo – O nascimento de Jesus, um cordel sobre o natal e responda: http://www.youtube.com/watch? v=tvx5uNV02lY&feature=player_detailpage e) Qual a temática abordada nesse cordel? Faz referência a qual outro assunto, muito conhecido por alguns? É importante que o aluno perceba que essa história fala sobre o nascimento de Jesus e está presente na bíblia, porém narrada de maneira diferente, pertencente a outro gênero discursivo. f) Quanto o uso das palavras, existe alguma conhecida, que faz parte do dialeto cotidiano da comunidade em que vive? Resposta pessoal g) Compare as semelhanças e diferenças na oralidade dos dois poemas. Justifique sua resposta Notar que, embora os intérpretes pertençam à mesma região – nordeste - existe uma diferença no sotaque e que isso faz parte da variedade linguística de um país.
Pesquise palavras, expressões, provérbios que fazem parte de um local, época, cultura e traga para uma roda de conversa. Aproveite para trazer também alguns poemas de cordel.
Chegou o momento da produção de um poema de cordel. Assista ao vídeo “De outro mundo” e em dupla faça um poema de cordel seguindo as seguintes regras: Estrofes com 6 versos Folheto com 8 páginas Não esqueça da rima e sonorização http://www.youtube.com/watch? v=T3H3R9noP98&feature=results_main&playnext=1&list=PL7F3774C6911A4CA Troque os poemas com outras duplas para correção coletiva, entregue ao professor para avaliação final. Após o professor avaliar e entregar as produções. Formem grupos, juntes as produções sobre o vídeo e produza uma encenação a respeito. Não se esqueçam de adequar o figurino e a linguagem.
TRIGUEIRO, Osvaldo Meira. A espetacularização das culturas populares ou produtos culturais folkmidiáticos : Comunicado apresentado no Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, fev./ 2005 em Brasília –DF. Evento promovido pelo Minc. Vídeos de Cordel: Ai Se Sêsse - Cordel Do Fogo Encantado – Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=pwmGRs9mkcg O NASCIMENTO DE JESUS, UM CORDEL SOBRE O NATAL – Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=tvx5uNV02lY Vídeo de animanção mudo. De outro mundo – Disponível em: http://www.youtube.com/ watch? v=T3H3R9noP98&feature=results_main&playnext=1&list=PL7F3774C6911A4CA Filme: O alto da compadecida. Direção: Guel Arraes. Sony Pictures. 2000