




























Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Simulado dia 1 Bernoulli 2024 Enem
Tipologia: Provas ENEM
1 / 36
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!





























1 Este CADERNO DE QUESTÕES contém 90 questões numeradas de 01 a 90 e a Proposta de Redação, dispostas da seguinte maneira: a. as questões de número 01 a 45 são relativas à área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; b. Proposta de Redação; c. as questões de número 46 a 90 são relativas à área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.
2 Confira se o seu CADERNO DE QUESTÕES contém a quantidade de questões e se essas questões estão na ordem mencionada na instrução anterior. Caso o caderno esteja incompleto, tenha qualquer defeito ou apresente divergência, comunique ao aplicador da sala para que ele tome as providências cabíveis.
3 Escreva e assine seu nome nos espaços próprios do CARTÃO-RESPOSTA com caneta esferográfica de tinta preta.
4 Não dobre, não amasse nem rasure o CARTÃO-RESPOSTA, pois ele não poderá ser substituído.
5 Para cada uma das questões objetivas, são apresentadas 5 opções identificadas com as letras , , , e. Apenas uma responde corretamente à questão.
6 Marque no CARTÃO-RESPOSTA a opção de língua estrangeira.
7 Use o código presente nesta capa para preencher o campo correspondente no CARTÃO-RESPOSTA.
8 Com seu RA (Registro Acadêmico), preencha o campo correspondente ao código do aluno. Se o seu RA não apresentar 7 dígitos, preencha os primeiros espaços e deixe os demais em branco.
9 No CARTÃO-RESPOSTA, preencha todo o espaço destinado à opção escolhida para a resposta. A marcação em mais de uma opção anula a questão, mesmo que uma das respostas esteja correta.
10 O tempo disponível para estas provas é de cinco horas e trinta minutos. 11 Reserve os 30 minutos finais para marcar seu CARTÃO-RESPOSTA. Os rascunhos e as marcações assinaladas no CADERNO DE QUESTÕES não serão considerados na avaliação. 12 Somente serão corrigidas as redações transcritas na FOLHA DE REDAÇÃO. 13 Quando terminar as provas, acene para chamar o aplicador e entregue este CADERNO DE QUESTÕES e o CARTÃO-RESPOSTA / FOLHA DE REDAÇÃO. 14 Você poderá deixar o local de prova somente após decorridas duas horas do início da aplicação e poderá levar seu CADERNO DE QUESTÕES ao deixar em definitivo a sala de provas nos últimos 30 minutos que antecedem o término das provas. 15 Você será excluído do Exame, a qualquer tempo, no caso de: a. prestar, em qualquer documento, declaração falsa ou inexata; b. agir com incorreção ou descortesia para com qualquer participante ou pessoa envolvida no processo de aplicação das provas; c. perturbar, de qualquer modo, a ordem no local de aplicação das provas, incorrendo em comportamento indevido durante a realização do Exame; d. se comunicar, durante as provas, com outro participante verbalmente, por escrito ou por qualquer outra forma; e. portar qualquer tipo de equipamento eletrônico e de comunicação durante a realização do Exame; f. utilizar ou tentar utilizar meio fraudulento, em benefício próprio ou de terceiros, em qualquer etapa do Exame; g. utilizar livros, notas ou impressos durante a realização do Exame; h. se ausentar da sala de provas levando consigo o CADERNO DE QUESTÕES antes do prazo estabelecido e / ou o CARTÃO-RESPOSTA a qualquer tempo.
*de acordo com o horário de Brasília
Código da Prova: 31
ESTA PROVA SOMENTE PODERÁ SER APLICADA A PARTIR DO DIA 09/03/2024, ÀS 13H00.*
i never asked my mom where the food came from, but she told me anyway: gracias a dios. gracias a dios del chisme, who heard all la migra’s plans
& whispered them into the right ears to keep our families safe. OLIVAREZ, J. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2023. [Fragmento] O poema de José Olivarez estrutura-se a partir de um recurso linguístico que destaca o(a) A. efeito negativo da fome. B. falta de direitos nas fábricas. C. isolamento das trabalhadoras. D. vínculo entre desconhecidas. E. origem de uma comunidade.
QUESTÃO 05 People’s beliefs and attitudes to work will have a big impact on their creative development. Some are “performance-oriented”: they are very concerned about how they compare to others. In general, they see their talents as fixed, and so prefer to stick to tasks that will consistently result in success. They tend to take feedback more personally. They think that if you are unable to perform well, it’s because of the lack of capability – and it’s not something you can develop. Others are “learning-oriented”: they tend to be more focused on the opportunity to increase their skills and broaden their knowledge. They are also more resilient in the face of failure, since they analyse what went wrong and use those lessons as an opportunity for growth. To see whether these mindsets could influence people’s creativity, employees of a large electro-optical manufacturer in Israel were examined. Overall, it was found that the learning-oriented employees showed greater improvement in the number and quality of ideas they contributed to the scheme, compared to those who were performance-oriented, who tended to give up and stop trying after they had faced a disappointment. ROBSON, D. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2021. [Fragmento adaptado] Ao comparar as características de pessoas learning- oriented e performance-oriented , o texto sugere que, para desenvolver a criatividade, aqueles com o perfil voltado para o desempenho deveriam A. aprimorar a maneira de lidar com a frustração. B. realizar tarefas corriqueiras com mais precisão. C. combater a propensão a cometer os mesmos erros. D. explorar seus pontos fortes para lidar com suas limitações. E. investir na relação com os colegas de trabalho mais criativos.
Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2023.
Na campanha sobre violência doméstica realizada pelo governo australiano, o uso da expressão reach out sugere a ideia de que o interlocutor do texto deve
A. entrar em contato com os meios informados para pedir ajuda.
B. oferecer auxílio imediato às vítimas de violência da vizinhança.
C. deixar sua residência o mais rápido possível em caso de agressão.
D. mobilizar a sociedade para impedir novos casos de violência doméstica.
E. alcançar a rede de apoio local através dos pontos de encontro anunciados.
QUESTÃO 04
poem where no one is deported now i like to imagine la migra running into the sock factory where my mom & her friends worked. it was all women
who worked there. women who braided each other’s hair during breaks. women who wore rosaries, & never
had a hair out of place. women who were ready for cameras or for God, who ended all their sentences with si dios quiere. as in: the day before
this god was the god that woke me up at 7am every day for school to let me know there was food in the fridge for me & my brothers.
LCTJC – PROVA I – PÁGINA 4 ENEM – VOL. 1 – 2024 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Desde hace rato, cuando ustedes llegaron Ya estaban las huellas de nuestros zapatos Se robaron hasta la comida’e gato Y todavía se están lamiendo el plato
Bien encabrona’o con estos ingratos Hoy le doy duro a los tambores Hasta que me acusen de maltrato Si no entiendes el dato Pues te lo tiro en cumbia Bossa nova, tango o vallenato
Estos canallas se les olvidó que el calendario que usan Se lo inventaron los Mayas Con la Valdivia Precolombina desde hace tiempo, ah Este continente camina RESIDENTE. This is not America. Miami: Sony Music Latin, 2022. [Fragmento]
Na letra da canção, o eu lírico expressa que a América Latina é uma região
A. questionada por sua identidade.
B. influenciada pelos países ricos.
C. depreciada no aspecto musical.
D. desapropriada de sua história.
E. aprisionada ao passado opressor.
QUESTÃO 02
El militarismo de la sociedad de la cultura azteca se reflejaba con gran claridad en la esfera religiosa. Los mitos de creación, por ejemplo, sacralizaban la guerra al sostener que la única forma de evitar la destrucción de la humanidad, como había sucedido a las cuatro anteriores, consistía en alimentar al Sol con la sangre de los enemigos prisioneros de guerra para fortalecerle y evitar así su muerte.
Sin embargo, las creencias guerreras de los pipiltin mexicas no eran compartidas por la inmensa mayoría de los campesinos del México Central, sostén económico de Tenochtitlán, que seguían adorando a los viejos dioses de la vegetación y el agua. Esta oposición dio origen a una religión donde convivían en igualdad ambas tradiciones. La presencia de dos capillas gemelas en el Templo Mayor de Tenochtitlán, dedicada una a Tialoc, el dios acuático, y otra a Huitzilopochtli, la belicosa deidad de la cultura azteca, simbolizaba a la perfección el dualismo típico del pensamiento mexica.
Los sacrificios humanos, punto culminante del complejo sistema ceremonial mexica, reproducían también la dualidad, ya que las técnicas empleadas en algunos de ellos (decapitación, flechamiento, inmersión en agua o desollamiento) tenían un claro simbolismo agrario. Sin embargo, todos finalizaban de la misma manera, que el sacrificio realizado en honor de Tonatiuh, la deidad solar: los sacerdotes abrían el pecho del cautivo con una gran navaja de piedra, sacaban el corazón y lo ofrecían al Sol. Disponível em: . Acesso em: 14 mar. 2017. A intenção comunicativa de um texto pode ser inferida, entre outros aspectos, por meio do conhecimento da informação veiculada e da identificação do público ao qual se dirige. Considerando-se as informações apresentadas e o provável público-alvo, o texto foi construído principalmente com a intenção de A. pormenorizar os sacrifícios humanos realizados pelos astecas em honra ao deus sol. B. estabelecer que a religiosidade para os astecas se restringia a aspectos militares. C. discorrer sobre a relação entre a religião e outros aspectos da vida dos astecas. D. relatar a incorporação das crenças dos camponeses por parte dos guerreiros astecas. E. descrever a existência de uma capela construída para o culto de duas divindades.
QUESTÃO 03 La sequía no es la única amenaza que acecha a los delfines del Amazonas En su astucia e inteligencia, los delfines han aprendido cómo romper las mallas de los pescadores para quedarse con los peces, generando un conflicto con los humanos que se ha sumado a sus múltiples amenazas. No solo es que los maten. También está, claro, la sequía. Aquí, en el lado colombiano del río Amazonas, este y sus tributarios permanecen con aguas bajas a pesar de que, según la comunidad, los caudales ya deberían estar subiendo desde octubre. Pero hay otros factores que mantienen en vilo su supervivencia, como la contaminación por mercurio dejada atrás por la minería. MONSALVE, M. M. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2023. [Fragmento] No contexto de ameaça aos botos, a expressão en vilo destaca que a A. multiplicidade de fatores causa dúvida quanto à vida dos animais. B. inteligência animal tem impedido a degradação das espécies. C. sobrevivência dos animais depende da ação objetiva humana. D. seca prejudica tanto os animais quanto o grupo de pescadores. E. contaminação por mercúrio é um fator menos preponderante.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. 1 – 2024 LCTJC – PROVA I – PÁGINA 5
Um soneto começo em vosso gabo Contemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo.
Na quinta torce agora a porca o rabo: A sexta vá também desta maneira, Na sétima entro já com grã canseira, E saio dos quartetos muito brabo.
Agora nos tercetos que direi? Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais, Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.
Nesta vida um soneto já ditei, Se desta agora escapo, nunca mais; Louvado seja Deus, que o acabei. MATOS, G. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 166.
A comicidade é um elemento muitas vezes utilizado na construção de textos literários. Nesse soneto, o que provoca o riso é o(a)
A. forma debochada como o sujeito lida com a construção do próprio poema.
B. tom hostil desenvolvido ao longo dos versos que satirizam o fazer poético.
C. arquitetura simplória de um manifesto proferido como um ato político.
D. maneira perspicaz como o eu lírico valoriza os seus próprios atos.
E. tratamento trivial dado às indagações filosóficas de um escritor.
QUESTÃO 07
Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Colégio Lauro Farani Pedreira de Freitas, no município baiano de Iaçu, Elisabeth Amorim incentiva o hábito da leitura e sempre busca novas ideias para estimular os alunos a apreciarem a atividade. Assim, para combater a resistência dos estudantes em relação à leitura, ela resolveu promover oficinas, na sala de aula, para “desmontar” a literatura. “Isso significa dizer desconstruir o texto, mudando de uma série discursiva para outra”, explica Elisabeth.
Segundo ela, os alunos passaram a transformar contos ou romances em charges, bilhetes, cartas, cartazes, cartuns, histórias em quadrinhos ou grafites em tamanho gigante. Os registros tiveram início em 2007. “Vejo tanta riqueza na produção desses estudantes que não consigo desistir de investir em uma educação de qualidade”, afirma. SCHENINI, F. “Desmonte” da literatura incentiva hábito da leitura em escola baiana. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2023. [Fragmento] A partir da exposição sobre o projeto desenvolvido pela professora, entende-se que a proposta de levar os alunos a “desconstruírem” os textos incentiva a leitura ao A. refletir sobre a atemporalidade das obras literárias. B. realizar adequação textual a gêneros do cotidiano. C. facilitar o conteúdo narrativo ao público infantil. D. requisitar a participação ativa da comunidade. E. valorizar as produções do ambiente escolar.
QUESTÃO 08 A eletricidade é o que dá choque. No fio lá de casa é só o susto. Agora nos da rua muita gente morre a não ser os passarinhos que nem ligam. A eletricidade é também o que dá a luz elétrica que papai sempre diz que se esqueceu de pagar ela quando o homem vem cortar. A luz elétrica não é como a luz do Sol pois precisa de lâmpada pra acender e pra queimar. Fora isso eu não sei mais nada de eletricidade a não ser a televisão mas essa até mesmo o papai diz que ninguém entende. FERNANDES, M. Disponível em: . Acesso em: 19 abr. 2017. A coesão é o processo que estabelece, linguisticamente, a ligação entre palavras, orações, períodos e parágrafos em um texto. Considerando os recursos empregados por Millôr Fernandes, contribui para a coesão do texto A. a elipse em “No fio lá de casa é só o susto”, que dá progressão textual ao trecho por meio da retomada do sujeito da oração anterior. B. a hiponímia em “muita gente”, que ocorre como forma de fazer referência à população em geral sem que haja repetição de termos. C. a locução concessiva em “Fora isso eu não sei mais nada de eletricidade a não ser a televisão”, que estabelece contradição. D. o advérbio “agora”, na terceira frase, que é responsável por estabelecer a relação de sequenciamento temporal entre as ações. E. o pronome demonstrativo “essa”, na última frase, que mantém a temática sobre a qual se discorre, retomando o termo “eletricidade”.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. 1 – 2024 LCTJC – PROVA I – PÁGINA 7
Thauane, Em 4 de fevereiro, você postou o seguinte texto em sua página no Facebook: “Vou contar o que houve ontem, pra entenderem o porquê de eu estar brava com esse lance de apropriação cultural: eu estava na estação com o turbante toda linda, me sentindo diva. E eu comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que tavam me olhando torto, tipo ‘olha lá a branquinha se apropriando da nossa cultura’, enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante porque eu era branca. Tirei o turbante e falei ‘tá vendo essa careca, isso se chama câncer, então eu uso o que eu quero! Adeus’. Peguei e saí e ela ficou com cara de tacho. E, sinceramente, não vejo qual o PROBLEMA dessa nossa sociedade, meu Deus”. Ao final, você fez a hashtag: #VaiTerTodosDeTurbanteSim. Se esse episódio acontecesse alguns anos atrás, Thauane, eu talvez aderisse à sua hashtag #VaiTerTodosDeTurbanteSim. Porque acharia uma convocação mais igualitária. Até alguns anos atrás eu acreditava que era suficiente não ser racista. Eu me achava bacana por defender os direitos humanos e denunciar a violência contra as minorias. Eu me achava legal por não distinguir raça, mas enxergar pessoas. Eu teria convicção de que, ao usar um turbante, estaria fazendo um reconhecimento e uma homenagem à outra cultura. Até alguns anos atrás eu acreditava que era isso o que eu poderia fazer de melhor como branca num país racista. BRUM, E. Disponível em: . Acesso em: 04 abr. 2017. [Fragmento]
A articulista aborda o uso de turbantes por mulheres brancas direcionando seu texto a Thauane, jovem que alegou ter sofrido preconceito por usar o acessório. Para expor o que pensa, a autora utiliza
A. nomes históricos, referindo-se a fatos relevantes na história do país.
B. ideias hipotéticas, elencando possíveis reações pessoais ao ocorrido.
C. verbos no pretérito, indicando atitudes tomadas em situação semelhante.
D. circunstâncias de tempo, destacando a luta antirracismo dos brancos.
E. trechos de outros autores, refletindo sobre possíveis reações à polêmica.
QUESTÃO 10
A leitura, enquanto construção de sentido, apresenta-se como um fenômeno muito singular por ser um acontecimento somente concretizado quando há a reconstrução significativa de um dizer, situado em uma interação social.
Bakhtin, teórico russo, defende que a construção de significados depende da inserção da palavra em uma situação enunciativa, na qual um indivíduo assume a posição de enunciador. Isso significa que os signos que compõem um dado enunciado não significam por si só e nem a língua pode ser concebida apenas como um sistema de signos, mas como o lugar de constituição da subjetividade, lugar da interação. SANTOS, V.; CAMPELO, S. Leitura e construção de sentido: uma experiência com o gênero frase. In: Anais do IV COGITE : Colóquio sobre gêneros e textos. 2014. Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2023. [Fragmento adaptado] A partir das ideias de Bakhtin, entende-se que o processamento de sentido da leitura é A. baseado nas relações linguísticas e sociais. B. revelado através das seleções vocabulares. C. inferido a partir das construções sintáticas. D. apoiado em uma situação enunciativa prévia. E. estruturado na construção objetiva do receptor.
QUESTÃO 11 TEXTO I A alfabetização é um pilar fundamental, ao longo da vida, para o desenvolvimento pleno das crianças. A alfabetização com qualidade é um direito de todas elas. Pessoas que têm um nível insuficiente de alfabetização ficam à margem da sociedade, possuem menos oportunidades profissionais ou pessoais e não têm acesso aos seus direitos. O analfabetismo exclui uma parcela da população do acesso às informações mais básicas. FUTURA. Disponível em: . Acesso em: 19 out. 2023. [Fragmento] TEXTO II A alfabetização de crianças e adultos pode mudar de maneira significativa os rumos de um país, uma vez que, quanto maior o acesso do indivíduo a tudo o que a leitura oferece, seja por via cultural, lazer ou até mesmo pela própria educação, maiores são as chances de conquistar melhores oportunidades no mercado de trabalho e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida e acesso a novos caminhos. FUNDAÇÃO Abrinq. Disponível em: . Acesso em: 19 out. 2023. [Fragmento] O texto I compartilha da mesma ideia do texto II ao argumentar que a alfabetização A. possibilita a ampliação de contextos transformadores. B. aumenta o distanciamento entre as camadas sociais. C. permite a participação popular nas decisões do país. D. coopera com a criação de uma sociedade justa. E. precisa ser inserida nos anos escolares iniciais.
LCTJC – PROVA I – PÁGINA 8 ENEM – VOL. 1 – 2024 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Ando tão à flor da pele, Que qualquer beijo de novela me faz chorar, Ando tão à flor da pele, Que teu olhar flor na janela me faz morrer, Ando tão à flor da pele, Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser, Ando tão à flor da pele, Que a minha pele tem o fogo do juízo final. BALEIRO, Z. Flor da pele. In: ______. Por onde andará Stephen Fry.
Para construir a mensagem comunicativa da voz poética, na canção, foi utilizada uma expressão popular cujo sentido remete ao(à)
A. anseio pelo encontro do ser amado.
B. sofrimento pela perda de um amor.
C. modo de viver sem apegos materiais.
D. luta por uma paixão não correspondida.
E. emoção incontrolável que afeta o sujeito.
QUESTÃO 16
A dança e a alma A dança? Não é movimento súbito gesto musical É concentração, num momento, da humana graça natural
No solo não, no éter pairamos, nele amaríamos ficar. A dança – não vento nos ramos: seiva, força, perene estar
Um estar entre céu e chão, novo domínio conquistado, onde busque nossa paixão libertar-se por todo lado...
Onde a alma possa descrever suas mais divinas parábolas sem fugir a forma do ser por sobre o mistério das fábulas. ANDRADE, C. D. Obra completa. Rio de Janeiro: Editora Aguilar, 1964.
No poema de Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico dedica sua reflexão para a A. imaginação de um movimento de formas ideais. B. desconstrução do aspecto metódico da dança. C. definição do dançar a partir de uma parábola. D. observação do bailar por imagens oníricas. E. descrição da intimidade entre dançarinos.
QUESTÃO 17 O Rodrigo não entendia por que precisava aprender Matemática, já que a sua minicalculadora faria todas as contas por ele, pelo resto da vida, e então a professora resolveu contar uma história. Um dia, disse a professora, todos os computadores do mundo serão unificados num único sistema. Todas as casas do mundo, todos os lugares do mundo terão terminais do Supercomputador. As pessoas usarão o Supercomputador para compras, para recados, para reservas de avião, para consultas sentimentais. Para tudo. Um dia, um garoto perguntará ao pai:
LCTJC – PROVA I – PÁGINA 10 ENEM – VOL. 1 – 2024 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
Então, adeus! Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:
Solícito e trêmulo, foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos… Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.
Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?… “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. TELLES, L. F. Então, adeus! Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2021. [Fragmento]
No fragmento da crônica, a narradora expressa seu olhar subjetivo sobre a experiência, o qual é demarcado pelos(as)
A. comparações para a construção da descrição.
B. diálogos, com a valorização do discurso direto.
C. termos de exagero para apresentar a narrativa.
D. menções religiosas sobre os detalhes percebidos.
E. interrogações que ilustram as dúvidas levantadas.
QUESTÃO 19
ATO PRIMEIRO Sala ricamente adornada: mesa, consolos, mangas de vidro, jarras com flores, cortinas, etc., etc. No fundo, porta de saída, uma janela, etc., etc.
AMBRÓSIO, só de calça preta e chambre – No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega... Que simplicidade! Cego é aquele que não tem inteligência para vê-la e a alcançar. Todo homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna. Vontade forte, perseverança e pertinácia são poderosos auxiliares. Qual o homem que, resolvido a empregar todos os meios, não consegue enriquecer-se? Em mim se vê o exemplo. Há oito anos, eu era pobre e miserável, e hoje sou rico, e mais ainda serei. O como não importa; no bom resultado está o mérito... Mas um dia pode tudo mudar. Oh, que temo eu? Se em algum tempo tiver que responder pelos meus atos, o ouro justificar-me-á e serei limpo de culpa. PENA, M. O noviço. Porto Alegre: L&PM, 1999.
No excerto da peça de Martins Pena, a cobiça do personagem Ambrósio é reforçada, em seu discurso, pelo(a) A. tratamento do ouro como libertador de condutas repreensíveis dos homens. B. concepção da fortuna como representação metonímica da alma humana. C. jogo entre ideias antagônicas, polarizadas entre ganância e perseverança. D. tom irônico que visa descredibilizar o pensamento materialista. E. comparação da usura com uma espécie de pecado.
QUESTÃO 20
Pintura Eu sei que se tocasse com as mãos aquele canto do quadro onde um amarelo arde me queimaria nele ou teria manchado para sempre de delírio a ponta dos meus dedos GULLAR, F. Pintura. In: Toda Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
No poema de Ferreira Gullar, há uma dualidade apresentada pelo eu lírico, de forma que materializar o desejo do toque na pintura significaria, para ele, A. entender as ilusões que norteiam seu cotidiano. B. definir a matéria-prima da composição da obra. C. reconhecer as dimensões de sua percepção. D. delimitar a legítima significação do quadro. E. realizar a intenção inconsciente de pintar.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. 1 – 2024 LCTJC – PROVA I – PÁGINA 11
Popular no Rio Grande do Sul, a chula é uma dança típica de Portugal. Desde sua origem, movimenta milhares de apaixonados que buscam acompanhar, nos festivais, passos aparentemente difíceis.
Recorrendo ao Manual de Danças Gaúchas, de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa, a chula foi introduzida pelos tropeiros, é dançada em desafios e praticada, preferencialmente, por homens. Ela tem bastante semelhança com o lundu sapateado, encontrada em outros estados brasileiros, pois é caracterizada pelas batidas dos pés. Durante a dança, um peão desafia o outro a realizar uma sequência de movimentos como floreios de taco, bico, joelho e pulos ao redor de uma lança no chão, com acompanhamento musical.
Para a realização da chula, os homens vestem a pilcha, tradicional vestimenta gaúcha. A indumentária completa inclui botas de cano mole e grandes esporas, bombacha, guaiaca, camisa de cor única, lenço de seda no pescoço e chapéu, além de acessórios que podem variar, como colete e faixa na cintura. As cores escolhidas para os lenços representam os ideais políticos e sociais do gaúcho na época da Revolução Farroupilha. A cor preta, por exemplo, significa, tradicionalmente, o sentimento de luto por algo que o peão está enfrentando. Recentemente, Izidoro perdeu seu pai por conta da covid-19 e, em sua homenagem, mudou o lenço.
Disponível em: . Acesso em: 1 nov. 2023. [Fragmento adaptado]
O texto sobre a chula traz informações com a função de
A. precisar as regras que devem ser seguidas pelos dançarinos.
B. educar os dançarinos que precisam ajustar suas indumentárias.
C. apresentar as origens e os fundamentos norteadores dessa prática.
D. contrastar as danças de outras regiões do Brasil com essa coreografia.
E. caracterizar as adaptações da tradição em relação à dança portuguesa.
QUESTÃO 25
Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2023.
Essa campanha de conscientização busca apontar para o público leitor que o(a)
A. criança está protegida de doenças pela vacina.
B. imunização protege o indivíduo da ação viral.
C. barreira vacinal garante uma vida saudável.
D. imunizante impede o ataque bacteriano.
E. organismo infantil é resistente à doença.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. 1 – 2024 LCTJC – PROVA I – PÁGINA 13
Era uma vez dois pobres lenhadores, que voltavam para casa através de um grande pinheiral. Era inverno, e a noite estava extremamente fria. A neve jazia espessa no solo e sobre os galhos das árvores: a geada fazia estalar os tenros ramos por onde eles passavam; e quando chegaram à Cachoeira da Montanha, viram-na suspensa, imóvel no ar, pois o Rei Gelo a beijara.
O frio era tamanho que nem mesmo os animais e os pássaros sabiam como se arranjar.
A expressão que abre o conto marca, na cultura eurocêntrica, o modo de construção temporal de muitos gêneros narrativos. No fragmento do autor irlandês Oscar Wilde, o tempo é apresentado como momento impreciso, vinculando-se a uma representação
A. fantástica e transgressora dos contos populares.
B. mágica e longínqua da paisagem e dos animais.
C. objetiva e moralizante das relações pessoais.
D. inverossímil e infantilizada da natureza.
E. bem-humorada e irônica da vida rural.
QUESTÃO 27
Após o percurso teórico construído pela Linguística Textual nas décadas de 1980 e 1990, ela foi definida, de acordo com Luiz Antônio Marcuschi, como “o estudo das operações linguísticas, discursivas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção e processamento de textos escritos ou orais em contextos naturais de uso.” Ou seja, a língua começou a ser analisada em unidades de sentido chamadas texto e não mais em frases soltas, observando, assim, aspectos mais internos e construtivos.
Dessa maneira, nota-se que o texto é um sistema de combinação e ligação entre enunciados, palavras, contextos com o intuito de construir sentido. Por isso, afirma-se que o texto é um evento que envolve diversos elementos que, unidos, pretendem construir relações de sentido de modo a formar a tessitura textual.
O fator da textualidade corresponde a um conjunto de características que nos possibilita conhecer um texto e distingui-lo de um amontoado de frases. Dito de outro modo, a textualidade faz de um texto, um texto. PIOVESAN, V.; TOLDO, C. Os fatores de textualidade e a construção de sentidos no texto. Entretextos , Londrina, v. 23, n. 2, p. 83-103, 2023. [Fragmento adaptado] Ao definir o que são as unidades linguísticas denominadas “texto”, o fragmento ressalta que os fatores de textualidade A. apresentam um sistema para regulação de ideias. B. garantem a construção e a transmissão de sentido. C. adequam contextos orais às características escritas. D. descrevem a elaboração de construções linguísticas. E. dependem da capacidade de comunicação individual.
QUESTÃO 28 Quem quer fazer boa música Sabe a importância da pausa Traído ou bem-amado Tem que forjar ferro-gusa
Quem quer fazer boa música Tem que entender quando cruza Tem que ter muito cuidado Tentar cigarra e saúva
Quem quer fazer boa música Tem que pisar ovos e uvas Tem que obrigar o diabo Sair debaixo da chuva
Quem quer fazer boa música Dispensa coisa confusa Além de tocar dobrado Tem que ter uma ou mais musas ASSUMPÇÃO, I. Variações. Petrobrás III - Devia ser Proibido. SESC-SP, 2010. CD. [Fragmento adaptado] A canção de Itamar Assumpção sugere ideias para a elaboração de uma boa música. Para isso, mescla elementos do gênero canção a características textuais advindas de um gênero A. épico, enfatizando o heroísmo do compositor. B. noticioso, destacando o tempo para divulgá-la. C. cordelístico, pautando a sonoridade como fundamento. D. instrutivo, indicando a justa medida entre método e dom. E. documental, demonstrando apreço pela objetividade dos fatos.
LCTJC – PROVA I – PÁGINA 14 ENEM – VOL. 1 – 2024 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
No desfecho do romance Quincas Borba , o narrador machadiano revela seu conhecido pessimismo quanto à interpretação da realidade. Na concepção do narrador, os dramas humanos A. são suavizados e camuflados pela possibilidade do riso. B. precisam ser compreendidos em uma perspectiva sinestésica. C. devem, ironicamente, ser percebidos como armadilhas do destino. D. são consolidados e reforçados pela imensidão cósmica que cerca o planeta Terra. E. trazem uma dimensão reflexiva, marcada pela dualidade de emoções a respeito da existência.
QUESTÃO 33 Eu estava estonteada, e assim recebi o livro [ Reinações de Narizinho ] na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. LISPECTOR, C. Felicidade clandestina. Disponível em: . Acesso em: 23 out. 2023. [Fragmento adaptado] Entre os recursos estilísticos utilizados no texto, destaca-se a presença do paradoxo de A. evitar a leitura como meio de aproveitar o mundo a sua volta. B. retardar a alegria como estratégia de aumentar sua durabilidade. C. fugir da euforia como método de punir-se pela culpa que ela traz. D. criar obstáculos para a leitura como forma de torná-la mais lúdica. E. impedir o prazer que sente com a obra como forma de preservá-la.
A amargura do povo é difusa e mal orientada, quase cômica na sua desinformação? Cabe a nós colocá-la nos trilhos, é da nossa responsabilidade. Eles pensam que a causa da desgraça geral somos nós? Temos que contradizê-los com coragem e lhes explicar que a verdade pela televisão, na hora da janta, quando as famílias estão reunidas e são mais receptivas. Contratar locutores bem- -apessoados, de voz grave, do tipo que inspira confiança, para que expliquem aos idiotas que a vítima da exploração na Brazulândia são os empresários, e não os trabalhadores, que aliás têm pouco a perder (quase nada, uma miséria). Como salta aos olhos das pessoas de boa-fé, o grosso do prejuízo quem sofre somos nós, as classes proprietárias, de cujo capital a roubalheira de Sua Majestade arranca o filé-mignon, derrubando nosso ânimo de criar emprego. É por isso que pobres e proprietários devemos marchar juntos, fazer causa comum contra a rainha ladra. Enfim, tudo isso não passa de um esboço improvisado, mas acho que no geral tem que ser por aí. SCHWARZ, R. Rainha Lira. São Paulo: Editora 34, 2022.
A peça teatral Rainha Lira , de Roberto Schwarz, transforma o cenário político brasileiro em uma grande alegoria, construindo-a a partir do reino da Brazulândia e seus personagens. O caráter alegórico do trecho é observado a partir da
A. concepção da ideia de “roubalheira” como metáfora para a corrupção.
B. responsabilização do desemprego das massas aos empresários do reino.
C. utilização de adjetivos pejorativos para caracterizar a classe trabalhadora.
D. união das classes proprietárias e trabalhadoras em prol do bem-estar social.
E. representação simbólica de um jogo de poder reconhecível na realidade nacional.
QUESTÃO 32
Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá o título ao livro, e por que antes um que outro, – questão prenhe de questões, que nos levariam longe... Eia! chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens. ASSIS, M. Quincas Borba. Belo Horizonte: Itatiaia, 2023.
LCTJC – PROVA I – PÁGINA 16 ENEM – VOL. 1 – 2024 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O
ITO, P. Painel na região do bairro Pompeia , em São Paulo. 2014. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2023.
O grafite de Paulo Ito foi realizado no contexto da Copa do Mundo de 2014, que foi sediada no Brasil. Os elementos inseridos pelo artista em sua obra compõem uma mensagem que busca demonstrar que a
A. sociedade exige sacrifício dos jovens atletas.
B. inclusão desportiva é essencial para o país.
C. necessidade real da população é ignorada.
D. prática esportiva nutre a formação infantil.
E. ascensão social pelo esporte é uma ilusão.
QUESTÃO 35
Montenegro e Veloso formaram-se no mesmo dia, na Faculdade de Direito de São Paulo. Depois da cerimônia da colação do grau, foram ambos enterrar a vida acadêmica num restaurante, em companhia de outros colegas, e era noite fechada quando se recolheram ao quarto que, havia dois anos, ocupavam juntos em casa de umas velhotas na Rua de São José. Aí se entregaram à recordação da sua vida escolástica, e se enterneceram defronte um do outro, vendo aproximar-se a hora em que deviam separar-se, talvez para sempre. Montenegro era de Santa Catarina e Veloso do Rio de Janeiro; no dia seguinte aquele partiria para Santos e este para a capital do Império. As malas estavam feitas. AZEVEDO, A. A dívida. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2023.
Para entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída, entre outros recursos, pelo uso da elipse, que, no fragmento, é observada no trecho:
A. “talvez para sempre”.
B. “e este para a capital do Império”.
C. “Montenegro era de Santa Catarina”.
D. “na Faculdade de Direito de São Paulo”.
E. “no dia seguinte aquele partiria para Santos”.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. 1 – 2024 LCTJC – PROVA I – PÁGINA 17
Disponível em: . Acesso em: 31 out. 2023.
A coesão é um mecanismo de textualidade decisivo para a construção do texto. Nesse sentido, o questionamento do estudante mostra-se
A. adequado, tendo em vista o duplo sentido do verbo “derrubou”.
B. genérico, tendo em vista a falta de clareza da pergunta realizada.
C. equivocado, tendo em vista que a chuva forte derrubou a dona aranha.
D. pertinente, tendo em vista a imprecisão do termo “a” em “e a derrubou...”.
E. apropriado, tendo em vista que a dúvida dele é comum aos demais colegas.
QUESTÃO 40
Certa ocasião andava pelas ruas, era o início da noite, quando viu um homem deitado no chão, sob a marquise de uma agência bancária. Os desabrigados pareciam preferir como refúgio noturno as marquises das agências bancárias, talvez porque, por algum motivo, os gerentes dos bancos não se sentissem à vontade para expulsá-los. Os transeuntes normalmente fingiam não tomar conhecimento de um adulto ou uma criança naquela situação, mas nessa noite duas pessoas, um homem e uma mulher, estavam diligentemente curvadas sobre o corpo abandonado, como se tentassem reanimá-lo. FONSECA, R. Anjos das marquises. In: A confraria das espadas. São Paulo: Cia das Letras, 1998.
As ideias veiculadas no texto dependem, para a efetiva construção de sentido, de estratégias coesivas voltadas à retomada de certos elementos. Com esse objetivo, resgata-se a referência aos desabrigados, feita no começo da narrativa, por meio do(a)
A. omissão do sujeito do verbo “fingiam”.
B. pronome agregado ao verbo “expulsar”.
C. uso intencional de recursos de redundância.
D. alusão a pessoas apresentadas posteriormente.
E. menção do termo “transeuntes”, de igual valor semântico.
QUESTÃO 41
Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo de saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é bicho esquisito, difícil de governar.
A que eu conhecia era a Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas eu julgava todas. Não me sentia, pois, inclinado para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de São Bernardo. RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2020.
No excerto do livro São Bernardo , de Graciliano Ramos, observa-se um narrador que, ao mesmo tempo que degrada as mulheres, revela seu desejo de casar-se. Assim, entende-se que esse desejo está vinculado à
A. formalidade necessária para manter o regime de propriedade privada.
B. idealização de uma mulher submissa para ocupar a posição de esposa.
C. noção de que o pleno pertencimento social depende da união conjugal.
D. ideia calculista de percepção da mulher apenas como agente reprodutor.
E. apuração econômica e política das vantagens de se estar em um casamento.
B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O ENEM – VOL. 1 – 2024 LCTJC – PROVA I – PÁGINA 19
CIÊNCIA, P. Disponível em: . Acesso em: 23 out. 2023.
A charge adota elementos do gênero cartaz de lançamento para criar uma reflexão sobre o(a)
A. abundância de publicações sobre temas irrelevantes.
B. incoerência entre o título e o volume da suposta obra.
C. deboche do espaço dedicado às lamentações públicas.
D. comparação entre o cartaz e a postagem dos “textões”.
E. desatualização do livro físico como fonte de informação.
QUESTÃO 43
Lançado em 1901, o livro de Júlia Lopes de Almeida foi muito importante para transpor a voz feminina num meio majoritariamente masculino. No trecho, isso se dá em forma de
A. crítica aos leitores de romancistas consagrados e excludentes.
B. denúncia da misoginia intrínseca à literatura publicada na época.
C. protesto da normalização da violência de gênero entre escritores.
D. queixa do propósito pedagógico da prosa contemporânea a seu tempo.
E. censura do meio editorial que não analisa criticamente suas publicações.
A vida é esta, descer Bahia e subir Floresta. Quem não morou em Belo Horizonte, ao ouvir o mineiro suspirar num momento de cansaço e bobice – a vida é esta, descer Bahia e subir Floresta – não há de entender, perdendo-se em noções de selva e estado. Nada disso. A vida é descer a Rua da Bahia, que tinha dois ou três quarteirões de cidade grande, de prazer; depois que se atravessava o estirão da Avenida Afonso Pena, a Rua da Bahia caía em um declive desagradável para o vale das estações de estrada de ferro, ficava desolada, cumprida, estéril, acabando por subir sem fôlego e sem esperança o bairro da Floresta. Era a vida. CAMPOS, P. M. Rua da Bahia. In: Cisne de feltro – crônicas autobiográficas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. A narrativa concentra sua força expressiva no desenvolvimento da afirmação contida na primeira frase do fragmento. Essa estratégia acaba por revelar o(a) A. caráter coloquial do cotidiano nos centros urbanos. B. traço subjetivo da identidade cultural dos brasileiros. C. tom crítico ao descaso público com as regiões centrais. D. atmosfera reflexiva a partir do cotidiano belo-horizontino. E. aspecto detalhado dos itinerários mais famosos da capital. QUESTÃO 45 para o Carlinhos vou moer teu cérebro. vou retalhar tuas coxas imberbes & brancas. vou dilapidar a riqueza de tua adolescência. vou queimar teus olhos com ferro em brasa. vou incinerar teu coração de carne & de tuas cinzas vou fabricar a substância enlouquecida das cartas de amor. (música de Bach ao fundo) PIVA, R. XIV. In: Morda meu coração na esquina : Poesia reunida. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. No poema de Roberto Piva, o eu lírico apresenta sua visão do amor de forma A. hiperbólica, pautando a violência ensandecida do sentimento. B. metafórica, abordando o absurdo através de imagens de rancor. C. anafórica, reforçando a brutalidade da expressão do ato de amar. D. alegórica, desenvolvendo uma representação grotesca da paixão. E. paradoxal, construindo a poesia por meio de ideias contraditórias.
LCTJC – PROVA I – PÁGINA 20 ENEM – VOL. 1 – 2024 B E R N O U L L I S I S T E M A D E E N S I N O