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Solos Brasil, Notas de estudo de Engenharia Florestal

Continuação da primeira apostila

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 13/07/2010

sharlles-dias-7
sharlles-dias-7 🇧🇷

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Apêndices
1 Critérios para distinção das fases de unidades de
mapeamento
2 Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos (SiBCS)
3 Informações úteis para execução de levantamentos de solos
4 Material cartográfi co utilizado em levantamentos de solos
5 Principais determinações e métodos de análises utilizados
em levantamentos de solos no Brasil
6 Apresentação de resultados analíticos
7 Principais solos do Brasil
8 Dados auxiliares
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Apêndices

1 Critérios para distinção das fases de unidades de mapeamento

2 Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS)

3 Informações úteis para execução de levantamentos de solos

4 Material cartográfico utilizado em levantamentos de solos

5 Principais determinações e métodos de análises utilizados em levantamentos de solos no Brasil

6 Apresentação de resultados analíticos

7 Principais solos do Brasil

8 Dados auxiliares

168 ___________________________________________________________________Manual técnico de pedologia

de Solos - CNPS, contando com à colaboração de pesquisadores de outras Instituições, desenvolveram uma Classificação de Vegetação para as condições brasileiras, visando a atender a crescente demanda dos levantamentos de solos. O sistema elaborado contemplou as grandes formações vegetais reconhecidas no território brasileiro e os grandes domínios climáticos, e vem sendo até hoje adotado nos trabalhos daquela Instituição.

Outros critérios ou sistemas de classificação de vegetação foram também desenvolvidos no País, dentre os quais, merece destaque o contido no Manual técnico da vegetação brasileira (1992), publicado e adotado pelo IBGE. Trata-se de um sistema completo e bastante difundido através de vários trabalhos de mapeamento da cobertura vegetal no Brasil. Foi utilizado no mapeamento da vegetação, elaborado pelo Projeto RADAMBRASIL para o território brasileiro e encontra-se sintetizado no documento Fitogeografia brasileira: classificação fisionômica-ecológica da vegetação neotropical, de Veloso e Góes-Filho (1982).

Ambos têm sido largamente utilizados em trabalhos de levantamentos de solos no Brasil, e em função dos enfoques específicos com que cada um foi estruturado não apresentam correspondência direta entre suas diversas categorias. A seguir é mostrada a equivalência aproximada entre as grandes unidades de cada um dos mesmos.

Manual técnico de pedologia __________________________________________________________________ 169

Quadro 10 - Equivalência aproximada dos sistemas de classificação da vegetação

Floresta Ombrófila Densa Floresta Ombrófila Aberta Submontana Terras Baixas Montana Submontana Alto-Montana Montana

Floresta Ombrófila Densa Campinarana Aluvial Florestada Floresta Ombrófila Aberta Aluvial Floresta Ombrófila Densa Floresta Ombrófila Aberta Aluvial Aluvial Floresta Ombrófila Densa Floresta Ombrófila Aberta Terras baixas Terras baixas Submontana Submontana Montana Montana Alto-Montana

Floresta Ombrófila Densa Floresta Ombrófila Aberta Aluvial Aluvial Floresta Ombrófila Densa Floresta Ombrófila Aberta Terras baixas Terras baixas Submontana Submontana Montana Montana Alto-Montana

Floresta Subtropical

Restinga (Influência

Marinha)

Cerrado Equatorial

Floresta Equatorial

Hidrófila de Várzea

Floresta Tropical

CNPS (1) IBGE (2)

Influência Marinha (Restingas)

Floresta não-hidrófila de Restinga Formações Pioneiras Influência Marinha (Restingas)

Floresta Hidrófila de Restinga

Perúmida

Floresta Ombrófila Densa

Parque Gramíneo-Lenhosa

Savana

Subperenifólio

Campo Cerrado Equatorial

Vereda Equatorial

Savana Arborizada Gramíneo-Lenhosa Parque

Savana Parque Gramíneo-Lenhosa

Formações Pioneiras Influência Marinha (Restingas)

Restinga Arbustiva e Campo de Restinga

Formações Pioneiras

Influência Fluviomarinha (Manguezal e Campo Salino)

Aluvial Montana Terras Baixas Alto-Montana Submontana

Perenifólia e Subperenifólia

Aluvial Submontana

Floresta Estacional Semidecidual Terras Baixas Montana

Hidrófila e Higrófila de Várzea

Higrófila de Várzea

Subcaducifólia

Perúmida e Perenifólia

Subperenifólia e Subcaducifólia

Aluvial Submontana Terras Baixas Montana

Aluvial Hidrófila de Higrófila de Várzea

Aluvial Submontana Terras Baixas Montana

Perúmida e Perenifólia

Perenifólia, Subperenifólia e Subcaducifólia (Arbóreo Arbustiva de caráter subúmido) (^) Montana

Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária) Submontana Alto-Montana

Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária)

Floresta Estacional Decidual

Floresta Estacional Semidecidual

Caducifólia

(continua)

Manual técnico de pedologia __________________________________________________________________ 171

(1) (^) Classifi cação pelo Sistema CNPS (2) (^) Classifi cação pelo Sistema IBGE

Foto 31 - Floresta Equatorial Perenifólia (1)^ /Floresta Om- brófila Densa(2)^. Juruti - PA.

Foto 32 - Floresta Equatorial Hidrófila de Várzea(1)^ /Floresta Ombrófila Aberta Aluvial(2)^. Parintins - AM.

Foto 33 - Campo Equatorial Higrófilo de Várzea(1)^ / Campinarana Gramíneo-Lenhosa(2) 1º Plano */Campinarana Arborizada (2)^2 o^ Plano. Cruzeiro do Sul - AC. *Não há correspondência pelo Sistema CNPS.

Foto 34 - Floresta Tropical Perenifólia (1)^ / Floresta Ombrófila Densa(2)^. Aripuanã - MT. Paulo Klinger Tito Jacomine

Foto 35 - Floresta Tropical Perenifólia (1)^ / Floresta Ombrófila Densa (2)^. Juína - MT.

Foto 36 - Floresta Tropical Caducifólia (1)^ / Flo- resta Estacional Decidual(2)^. São Fidélis - RJ.

172 ___________________________________________________________________Manual técnico de pedologia

(1) (^) Classifi cação pelo Sistema CNPS (2) (^) Classifi cação pelo Sistema IBGE

Foto 39 - Floresta Subtropical Subperenifólia(1) / Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária)(2)^. Lebon Régis - SC. Lúcia Helena Cunha dos Anjos

Foto 42 - Restinga Arbustiva e Campo de Restinga (1)^ / Formações Pioneiras de Influência Marinha(2)^. Região dos Lagos - RJ. José Francisco Lumbreras

Foto 38 - Floresta Subtropical Perenifólia (1) /Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica)(2). Serra de Lages - SC. Lúcia Helena Cunha dos Anjos

Foto 37 - Floresta Tropical Subperenifólia(1)^ / Floresta Ombrófi la Densa (Mata Atlântica)(2)^. Nova Friburgo - RJ.

Foto 41 - Floresta não Hidrófila de Restinga(1)^ / Formações Pioneiras de Influência Marinha(2). Região dos Lagos - RJ. José Francisco Lumbreras

Foto 40 - Floresta Subtropical Subcaducifólia(1)^ / F l o r e s t a O m b r ó f i l a M i s t a ( F l o r e s t a d e Araucária) (2)^. Paulo Klinger Tito Jacomine

174 ___________________________________________________________________Manual técnico de pedologia

(1) (^) Classifi cação pelo Sistema CNPS (2) (^) Classifi cação pelo Sistema IBGE

Foto 48 - Campo Cerrado Tropical (1)^ / Savana Parque(2)^. Parque das Emas - GO. Foto 49 - Vereda Tropical(1)^ / Savana Gramíneo- Lenhosa com Floresta de Galeria(2)^. Jalapão - TO

Foto 50 - Caatinga Hiperxerófila (1)^ / Savana Estépica Parque(2)^. Sertão Nordestino. Glailson Barreto da Silva

Foto 51 - Caatinga Hiperxerófila(1)^ / Savana Estépica Parque(2)^. Petrolina - PE. Paulo Klinger Tito Jacomine

Foto 52 - Caatinga Hipoxerófila (1)^ /Savana Estépica Arborizada(2). Jaíba - MG. Paulo Klinger Tito Jacomine

Foto 53 - Campo Equatorial Hidrófilo de Várzea(1)/ Formações Pioneiras de Influência Fluvial(2). Planície do rio Amazonas. Parintins - AM.

Manual técnico de pedologia __________________________________________________________________ 175

(1) (^) Classifi cação pelo Sistema CNPS (2) (^) Classifi cação pelo Sistema IBGE

Foto 54- CampoTropical(1)^ / Savana Gramíneo- Lenhosa(2). Nova Brasilândia - MT. Foto 55- Campo Subtropical Subúmido^ (1)^ / Estepe Parque (2). Bagé - RS.

Foto 56 - Manguezal(1)^ / Formações Pioneiras de Influência Fluviomarinha(2)^. Carutapera - MA. Sebastião de Souza Silva

Foto 57 - Formação Rupestre (1)^ / Savana Parque(2)^. Chapada dos Veadeiros - GO. Luís Alberto Dambrós

Manual técnico de pedologia __________________________________________________________________ 177

Forte Ondulado - superfície de topografia movimentada, com desníveis fortes, formadas por conjunto de outeiros ou morros, ou por superfície entrecortada por vales profundos, configurando encostas ou pendentes com declives maiores que 20 até 45%.

Foto 64 - Relevo montanhoso. São Fidélis - RJ.

Montanhoso - superfície de topografia vigorosa, com predomínio de for- mas acidentadas, usualmente cons- tituídas por morros, montanhas, maciços montanhosos e alinhamentos montanhosos, apresentando desni- velamentos relativamente grandes e declives fortes ou muito fortes, predominantemente maiores de 45 até 75%.

Foto 61 - Relevo forte ondulado com topos abau- lados (em “meia laranja”). Ponte Nova - MG

Foto 62 - Relevo forte ondulado com topos aguçados. Santo Antônio do Escalvado - MG

Foto 63 - Relevo montanhoso. Vale do rio Iguaçu - PR.

Foto 65 - Relevo montanhoso. Ponte Nova - MG.

178 ___________________________________________________________________Manual técnico de pedologia

Escarpado - áreas com predomínio de formas abruptas, compreendendo su- perfícies muito íngremes, usualmente ultrapassando 75%, tais como: aparados, itaimbés, frentes de cuestas, falésias e vertentes de declives muito fortes.

Fases de declividade

Em razão dos grandes intervalos de declives estabelecidos para separação das várias classes de relevo, necessariamente levantamentos de solos executados em níveis de detalhe, deverão contemplar fases de declividades, com menores intervalos que os utilizados para as classes de relevo, a serem estabelecidos em função da demanda de cada levantamento.

Feições especiais de relevo

Podem ocorrer em determinadas situações e devem ser registradas junto à caracterização do relevo, em complementação a mesma. Dentre elas:

Gilgai - microrrelevo típico de solos argi- losos, com alto coe- ficiente de expansão associado a aumento da umidade, principal- mente Vertissolos.Tra- tam-se de saliências convexas distribuídas em áreas quase pla- nas, ou, sucessão de micro depressões e micro elevações.

Foto 66 - Relevo escarpado. Nova Friburgo - RJ.

Foto 67 - Relevo escarpado. São Domingos

  • GO.

Foto 68 - Microrrelevo tipo “gilgai”. Eswaran, H. e outros (1999)

180 ___________________________________________________________________Manual técnico de pedologia

“Cordilheiras, vazantes e corixos” - denominações de feições características da região do Pantanal Mato-grossense, que representam pequenos desníveis do terreno, alternando áreas ligeiramente mais elevadas (cordilheiras) e pequenos canais, por onde a água escoa (vazantes e corixos).

Diques aluviais - formações características que ocorrem ao longo de rios e córregos, posicionadas entre o leito e a planície de inundação ou terraços re- centes dos mesmos. São ligeiramente mais elevados que o restante das áreas marginais ribeirinhas. É muito comum a sua exploração com lavouras.

Cordilheira

Corixo/Vazante

Foto 74 - Cordilheiras e vazantes/corixos. Poconé - MT.

Foto 75 - Dique marginal do rio Paraná. Divisa SP/MS.

Foto 76 - Dique marginal do rio Santo Antônio. Gurupi - TO.

Planície de inundação

Dique Aluvial

Leito do rio

Foto 77 - Cultivo de hortaliças sobre dique do rio Cuiabá. Cuiabá - MT.

Dique Aluvial

Manual técnico de pedologia __________________________________________________________________ 181

Cavidades - Ocorrências de origem diversa, muitas vezes associadas a áreas cársticas, que constituem “buracos” ou pequenas crateras na superfície do terreno.

“Folha de zinco” - Ocorrência específica de regiões aluvionares de grandes extensões (Ex. :baixada campista - Campos dos Goytacazes/RJ). Trata-se de sucessão de pequenos diques (elevações), alinhados paralelamente no terreno.

Foto 78 - Cavidade Glailson Barreto da Silva

Foto 79 - Microrrelevo tipo “folha de zinco”. Praia de Grussaí. São João da Barra - RJ.

Manual técnico de pedologia __________________________________________________________________ 183

lateral interna ou alguma combinação dessas condições. Podem apresentar algum mosqueado de redução na parte inferior do B, ou no topo do mesmo, associado à diferença textural acentuada entre A e B, a qual se relaciona com condição epiáquica. Exemplo : Alguns Argissolos Vermelho-Amarelos e Argis- solos Amarelos de textura média/argilosa.

Imperfeitamente drenado - a água é removida do solo lentamente, de tal modo que este permanece molhado por período significativo, mas não durante a maior parte do ano. Os solos com esta classe de drenagem comumente apre- sentam uma camada de permeabilidade lenta no solum , lençol freático alto, adição de água através de translocação lateral interna ou alguma combinação destas condições. Normalmente, apresentam algum mosqueado de redução no perfil, notando-se na parte baixa indícios de gleização. Exemplo : Alguns Vertissolos, Planossolos e Plintossolos.

Mal drenado - a água é removida do solo tão lentamente que este permanece molhado por uma grande parte do ano. O lençol freático comumente está à superfície ou próximo a ela durante uma considerável parte do ano. As con- dições de má drenagem são devidas a lençol freático elevado, camada len- tamente permeável no perfil, adição de água através de translocação lateral interna ou alguma combinação destas condições. É freqüente a ocorrência de mosqueado no perfil e características de gleização. Exemplo : Gleissolos, alguns Espodossolos e Planossolos.

Muito mal drenado - a água é removida do solo tão lentamente que o lençol freático permanece à superfície ou próximo dela durante a maior parte do ano. Solos com drenagem desta classe usualmente ocupam áreas planas ou de- pressões, onde há freqüentemente estagnação de água. Geralmente, são solos com gleização e, comumente, horizonte hístico. Exemplo : Organossolos.

Fases de pedregosidade

Qualificam áreas em que a presença superficial ou subsuperficial de quantidades expressivas de calhaus (2 a 20cm) e matacões (20 a 100cm) interfere no uso das terras, sobretudo no referente ao emprego de máquinas e equipamentos agrícolas, ou seja, 3% ou mais de material macroclástico em apreço. Essa qualifi cação abrange as classes de pedregosidade denominadas pedregosa, muito pedregosa e extremamente pedregosa, conforme definições a seguir, extraídas de Carvalho e outros (1988):

Não pedregosa - quando não há ocorrência de calhaus e/ou matacões na superfície e/ou na massa do solo, ou a ocorrência é insignificante e não interfere na aração do solo, ou é significante, sendo, porém, facilmente removível.

Ligeiramente pedregosa - ocorrência de calhaus e/ou matacões esparsamente distribuídos, ocupando 0,01 a 0,1% da massa e/ou da superfície do terreno

184 ___________________________________________________________________Manual técnico de pedologia

(distanciando-se por 10 a 30m), podendo interferir na aração, sendo, entretanto, perfeitamente viável o cultivo entre as pedras.

Moderadamente pedregosa - ocorrência de calhaus e/ou matacões ocupando 0,1 a 3% da massa do solo e/ou da superfície do terreno (distanciando-se por 1, a 10m) tornando impraticável o cultivo entre as pedras, podendo, entretanto, seus solos serem utilizados no cultivo de forrageiras e pastagens naturais melhoradas, se outras características forem favoráveis.

Pedregosa - ocorrência de calhaus e/ou matacões ocupando 3 a 15% da massa do solo e/ou da superfície do terreno (distanciando-se por 0,75 a 1,5m), tornando impraticável o uso de maquinaria, com exceção de máquinas leves e implementos agrícolas manuais. Solos nessa classe de pedregosidade podem ser utilizados como áreas de preservação da flora e da fauna.

Muito pedregosa - ocorrência de calhaus e/ou matacões ocupando de 15 a 50% da massa do solo e/ou da superfície do terreno (distanciando-se por menos de 0,75m), tornando completamente inviável o uso de qualquer tipo de maquinaria ou implemento agrícola manual. Solos nessa classe de pedregosidade são viáveis somente para vegetações nativas.

Extremamente pedregosa - calhaus e matacões ocupam de 50 a 90% da superfície do terreno e/ou massa do solo.

Quando os calhaus e/ou matacões ocupam mais de 90% da superfície do terreno e/ou da massa do solo, estes passam a ser considerados tipo de terreno.

Diferentes fases de pedregosidade são identificadas, em conformidade com a posição de ocorrência de calhaus e matacões, até 150cm de profundidade do solo, ou até contato lítico que ocorra à profundidade menor que 150cm e são as seguintes:

Foto 80 - Classe extremamente pedregosa. Juína - MT.

Foto 81 -Tipo deTerreno. Norte de Boa Vista - RR. Vilmar de Oliveira