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"A imagem nua: A desconstrução da nudez pela fotografia naturista."
Tipologia: Teses (TCC)
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Relatório de estágio docente apresentado ao professor: Emanuel Guedes Soares da Costa. Como requisito de conclusão da disciplina Prática de Ensino das Artes Plásticas, do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba.
João Pessoa - PB 2009
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“Não existe indecência no corpo humano. Cobrindo-o com vestes, nós é que o tornamos cobiçado e nos excitamos pelo pensamento desviado”.
Luz Del Fuego
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Atualmente, observa-se o crescimento e a invasão do nosso cotidiano por um grande número de imagens, com destaque para a fotografia que, tem sido largamente utilizada nas mídias de massa, a exemplo da Internet. Os objetivos desse estudo são: pesquisar, refletir, e discutir a imagem naturista na fotografia. Fazendo uma investigação histórica e imagética sobre o tema, abordando questões correlacionadas, tais como: a nudez na história da arte, o naturismo e a fotografia no contexto naturista. Propõem-se assim, questionar o porquê de a nudez ainda, na contemporaneidade, ser um tema que provoca tantas inquietações em nossa sociedade e entender seus conceitos e causas. E como essas visualidades interferem em nosso cotidiano, colaborando para a desconstrução de estereótipos sobre a nudez, arraigados já algum tempo, em nossa cultura.
Palavras-chave : Educação Artística, Arte, Fotografia, Naturismo.
O presente estudo refere-se ao trabalho de conclusão de curso de licenciatura em Educação Artística realizado no Centro Ciências Humanas, Letras e Artes, na Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Cuja prática ocorreu no CCTA, SL 405, no período de 27 a 30 de outubro de 2009 e no dia 31 do mesmo, na praia de Tambaba, cidade de Conde - PB. Destacando a imagem naturista na fotografia como base da pesquisa e práticas propostas no percurso e estudo da imagem no ensino de arte e na perspectiva da cultura visual. Por meio de discussões sobre a nudez, no contexto histórico das artes visuais e na contemporaneidade, anexa ao uso da fotografia de forma não estereotipada - propondo uma análise visualmente instigante, reflexiva e crítica sobre a temática. Objetivando demonstrar como, no cotidiano, a imagem naturista influencia no contexto visual e cultural no dia-a-dia dos discentes e em nossa sociedade. Nesse estudo, propõem-se ainda, questionar o porquê de a nudez, na atualidade, ser uma temática que provoca tantas discussões em nossa sociedade e entender seus conceitos e causas e como a arte lida com o tema. Enfim, seria a arte um dos caminhos para o entendimento e desmistificação da nudez? Qual a colaboração da imagem naturista, pela fotografia, para a desconstrução de estereótipos arraigados em nossa cultura? A Cultura Visual será destacada nesse contexto, por sua importância e marcante presença no ensino de Arte hoje, assim como, sua inter-relação com o mundo onde o discente e a nossa sociedade transitam. Acrescenta-se ainda, a temática desse trabalho, relações com a fotografia, o naturismo, a arte contemporânea, a publicidade, e a nudez na história da arte. Dando sempre espaço, a prática artística e visual para o entendimento, o desenvolvimento do pensamento crítico e criação dos participantes. Em seguida, serão postos os produtos gerados no percurso desse estudo. Finalizando, são apresentados as considerações finais, referências bibliográficas e os anexos dos documentos usados durante o processo de pesquisa, assim como, os cronogramas e roteiros das aulas.
é intensificado pelas influências das empresas de informação e entretenimento, que incentivam um modo de vida consumista. Em contrapartida, temos uma variedade de escolhas que seria inviável a algum tempo atrás. O acesso a diferentes culturas amplia nossas referências de mundo e influencia nossos valores. Nesse contexto, a associação entre imagem e cultura é de importância fundamental na cultura visual e se baseiam na interpretação e percepções políticas, econômicas, artísticas e educacionais as quais o sujeito tem acesso e interpreta. Acerca da importância do saber nas imagens, VALENÇA e MARTINS (2007, p.5) apontam que:
A interpretação de imagens e obras de arte é um processo dialógico que se constrói socialmente, gerando diversidade e possibilitando deslocamentos perceptivos e conceituais. O caráter atual, pós-moderno e predominantemente subjetivo da arte contemporânea aprofunda vínculos e cria cumplicidades conceituais com a cultura visual.
A área de arte também facilita ao educando relacionar-se de forma criativa com outras disciplinas do currículo escolar. De maneira que: “o aluno que conhece arte pode estabelecer relações mais amplas quando estudar um determinado período histórico. Um aluno que exercita continuamente sua imaginação estará mais habilitado a construir um texto, a desenvolver estratégias pessoais para resolver um problema matemático” (Parâmetros Curriculares Nacionais / Arte, 2001). A arte na educação vem recebendo destaque, principalmente, quando se leva em consideração a formação essencial para uma proporcional integração cultural, social e profissional do sujeito na atualidade. Ela coloca em destaque sua eficácia ao proporcionar um individuo criativo, inovador e reflexivo. Num mundo onde se exige do mesmo, várias habilidades para se viver e relacionar-se socialmente. Atualmente, o individuo deve ter uma formação flexível e direcionada para enfrentar as incertezas e resistir às imposições, fragmentações e rapidez que caracterizam o mundo contemporâneo. Nesse sentido, a arte pode ajudar bastante ampliando e conectando cada vez mais as áreas de conhecimentos e o potencial humano de cada pessoa, envolvida nesse processo de aprendizagem.
Nas sociedades atuais, o aumento de imagens tem sido uma constante e invadido o cotidiano das pessoas, criando assim a necessidade de uma reflexão crítica sobre as mesmas em suas diversas possibilidades de comunicação e expressão. É importante perceber e entender as imagens na perspectiva da cultura visual de distintos períodos históricos e, trabalhar no ensino oficial e informal utilizando tais visões. Acerca desta abordagem Nascimento, (2005) 1 coloca que:
A cultura visual, como o termo sugere, entende que as interpretações visuais têm uma cultura, as quais afetam tanto o processo de produção como o de recepção. As imagens são construídas a partir de um repertório cultural, forjado no passado, e que, no presente, fixam e disseminam modos de compreenderem historicamente construídos.
O termo cultura visual foi cunhado, apartir da publicação do livro: “Cultura Visual, mudança educativa e projeto de trabalho”. De Fernando Hernández^2 (2000). Incentivar a pensar as relações com a cultura visual e olhar o mundo com outras perspectivas, sobre nós mesmos e sobre os outros, e de que forma, na visão escolar, esses questionamentos podem ser problematizados e selecionados em projetos de trabalho e de pesquisa. Em relação à contribuição dessa cultura, a jornalista Thais Helena dos Santos, da Agência EDUCABRASIL, analisa:
A cultura visual pode contribuir para a compreensão do ser humano e das transformações do mundo. Pode inclusive emancipar o homem, desde a infância até a vida universitária. Essas são algumas das idéias defendidas pelo professor Fernando Hernández, titular da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona, na Espanha, que mantém uma relação acadêmica com educadores brasileiros desde 1993. 3
A cultura é uma maneira de viver e dá forma e sentido ao nosso mundo, de fato, é a nossa perspectiva de ver e nos relacionarmos socialmente. O trabalho com a cultura visual
(^1) Disponível em: http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=50 Acesso em: 26.10.
(^2) Fernando Hernandez é Doutor em Psicologia e Professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. (^3) Disponível em: (http://www.educabrasil.com.br/eb/exe/texto.asp?id=35) Acesso em 16.12.2009.
É importante trazer para discussão e reflexão “a imagem naturista na fotografia”, para uma melhor compreensão, pois, a mesma está presente nas mídias de massas, tais como: TVs abertas e Internet com bastante freqüência. Ler imagens e saber interpretá-las é fundamental no mundo contemporâneo. Uma leitura pede entendimento de signos, letras, sinais convencionados por uma cultura, que nos levam ao universo da linguagem visual. Essa leitura visual do mundo nos é tão familiar, que várias vezes não nos damos conta do quanto ela é presente em nossa vida. Nessa perspectiva, observam-se a reflexão à desconstrução de estereótipos sobre a nudez na fotografia naturista, presente e arraigada na cultura já algum tempo. É preciso ainda lembrar que na história da humanidade que, o preconceito relacionado à nudez é uma idéia relativamente recente. A nudez na Grécia clássica era uma coisa comum entre os gregos; as batalhas e competições esportivas eram praticadas sem roupa; todos os participantes nus e, isso era um hábito comum a todos e ninguém se envergonhava disso; porquanto era uma característica de sociabilidade da sociedade grega e posteriormente romana que adotou em a sua cultura. E o que dizer da nudez no naturismo? O Naturismo é uma forma de vida em harmonia com a natureza, caracterizada pela prática da nudez social, no intuito de fortalecer a auto-estima, o respeito por si mesmo, pelos semelhantes e o eco-sistema. Nesse contexto histórico e de naturalidade sobre a nudez, surgem várias tentativas de gravuras sobre a temática. O ato de retratar a nudez acompanha o homem em varias modalidades artísticas á séculos. Contudo, a descoberta da fotografia, como a conhecemos, ocorre no inicio do século XIX, e proporcionou, aos poucos, a popularização e a aquisição de imagens por parte de diversas classes sociais. Sobre o seu surgimento sabe-se que:
A fotografia nasceu das tentativas de aperfeiçoamento dos métodos de impressão sobre papel, dominados pelos chineses no século VI e difundidos na Europa seiscentos anos depois. Tanto Joseph Nicéphore Nièpce, o inventor da fotografia na França em torno de 1826, quanto nosso precursor brasileiro Hercule Florence trabalhavam no aprimoramento de sistemas de impressão quando tiveram a idéia literalmente luminosa de unir dois fenômenos previamente conhecidos, um de ordem física e outro de ordem química: a "câmera obscura", empregada pelos
artistas desde o século XVI, e a característica fotossensível dos sais de prata, comprovada pelo físico alemão Johann Heinrich desde 1727. 4
O retrato fotográfico provocou uma revolução sobre o olhar do corpo, dos gêneros e seus papéis na sociedade no século XX. E sobre tudo, a questão da nudez que passou a ser mais vista e discutida pela sociedade de um modo em geral. As primeiras experiências, desenvolvidas dentro de estúdios, mostram pessoas em figurinos históricos, em poses inspiradas em temas da antiguidade e da renascença e retratam o masculino e o feminino. Somente no começo do século XX é que a fotografia de nudez ganha vida própria, se transformando em obra de arte, acompanhado, por assim dizer, diversas tendências. Nesse contexto, surge na década de 1960, o registro das primeiras fotografias naturistas no Brasil. O fotógrafo Walter Firmo, prêmio Esso de Jornalismo em 1963, mostra toda a sua sensibilidade revelada nos retratos posados, na cena estudada e direcionada, ou nas fotos instantâneas, mostrando o flagrante da nudez natural do qual Firmo foi um dos pioneiros dessa modalidade de fotografia. O qual revelou : “... me enrolei na cobra de Luz del Fuego sobre uma ilha na baía de Guanabara...”.^5 Recentemente, a fotografia naturista brasileira, tem sido representada pelo fotógrafo Jorge Barreto, que em 2006, realizou uma exposição com o tema: “Arte Nua” e convidou vários artistas a exporem juntos seus trabalhos relacionados à temática. Os ensaios foram realizados na Praia do Abricó, Rio de Janeiro. O ápice da exposição se deu com o passeio dos visitantes pela mesma, os quais conheceram os diversos cômodos do local de forma naturista com os modelos que pousaram para o ensaio e o fotógrafo Jorge Barreto, de forma natural, nus e sem nenhum constrangimento, já que a nudez é um hábito comum entre os naturistas. E em 2007, Jorge voltou a ser destaque na imprensa com o Projeto Cultural: “Arte Nua”, no Teatro da Uni-Rio, universidade federal no Rio de Janeiro. Sobre esse evento a imprensa divulgou:
"É a primeira vez no mundo em que a platéia se despe para visitar uma exposição fotográfica e assistir a uma peça de teatro, fora de um ambiente naturista", afirmou o fotógrafo, entusiasmado com o sucesso do evento. A exposição fotográfica de nu natural de Jorge Barreto foi produzida na Praia do Abricó, no Rio de Janeiro. "O
(^4) Disponível em: (http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-fotografia/historia-da-fotografia-2.php Acesso em 20.12.2009. (^5) Disponível em: http://www.portalliteral.com.br/lancamentos/release/7422_brasil__imagens_da_terra_e_do_povo.rtf Acesso em: 29.11.
No dia 27/ 10/2009, às 19h, na sala 405, do CCTA foi realizado o primeiro encontro da prática de ensino, o qual foi apresentado o facilitador do projeto de prática de ensino: “A IMAGEM NUA” e do e Curso de Fotografia Naturista. O Curso foi divulgado via cartazes, e-mails, Orkut, e sites diversos. Os principais objetivos foram: investigar a imagem da nudez, pela fotografia naturista, sob a ótica da cultura visual e seu desdobramento na sociedade contemporânea. A procura pelo Curso foi imediata, em uma semana as 20 vagas oferecidas foram ocupadas e, ainda foi possível fazer um cadastro de alunos reserva. Foi feita uma sondagem com os participantes acerca da temática imagem nua e, como cada um lida com o tema no cotidiano. Observou-se que pleno século XXI, existe tanto preconceito e tabus acerca de uma prática (a nudez). Assim, constatou-se certa resistência por parte do grupo, especificamente o feminino, , quando foi lançada a proposta de ao final do Curso, fazer um ensaio fotográfico, em Tambaba, praia de nudismo na cidade de Conde – PB. Entretanto o ensaio só seria realizado, após estudo e o amadurecimento da filosofia naturista, inclusa no programa do curso, para evitar riscos na prática. Nessa sondagem, houve também a socialização do grupo onde foram feitas as apresentações pessoais (nomes, o que faziam e quais as expectativas em relação ao curso) para uma melhor integração dos participantes, a qual ocorreu com sucesso
Fig. 01: Cartaz do Curso Fonte: http://www.abrico.com.br/p_fotos2.html Acesso: 26.10. Arte: Roberto Martins, 2009.
No segundo momento do primeiro encontro, foi discutida e analisada, a trajetória da nudez na História da Arte (Egito, Grécia, Roma e Renascença). Quais as percepções da nudez em cada período histórico (Grécia e Roma e Renascença) nas várias linguagens artísticas. Capturadas, posteriormente, pela fotografia e o cinema – que também é fotografia em série. Assistimos então o documentário: “Grécia sua história e seus mitos”, e percebemos a naturalidade da nudez no cotidiano grego daquele período. E a atitude do império romano ao conquistar a Grécia. A qual foi adotar grande parte da arte e cultura da grega, inclusive a prática coletiva da nudez.
Fig. 02: Discóbolo Fonte:http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_21/nudezimage m/discobolo.jpghttp://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_21/nu dezimagem/discobolo.jpghttp://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/ art_21/nudezimagem/discobolo.jpghttp://www.cdcc.usp.br/cienc ia/artigos/art_21/nudezimagem/discobolo.jpghttp://www.cdcc.us p.br/ciencia/artigos/art_21/nudezimagem/discobolo.jpg Acesso: 26.10.
Fig. 03: Vênus Fonte:http://www.cdcc.usp.br/ciencia/arti gos/art_21/nudezimagem/venus.jpg Acesso: 26.10.