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Teatro da História dos Números, Notas de estudo de Matemática

Texto da peça sobre a História dos Números

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 07/02/2010

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danilo-batista-12 🇧🇷

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TEATRO DA HISTÓRIA DOS NÚMEROS
Autor: Danilo Lemos Batista
*Os cenários podem ser projetados numa tela com data-show e alterados á medida que as cenas
acontecem.
CENA 1:
CENÁRIO: Parede de quarto de adolescente, com quadros de personagens de filmes, estante com
livros e revistas, escrivaninha e computador.
Thales chega no quarto ofegante e reclamado do que ocorreu na escola. Enquanto vai tirando a
mochila e mexendo nas coisas do quarto desabafa:
Thales – Ah...números, números, números! Não aguento mais ouvir falar disso. Queria esganar o
desocupado que inventou este cabrunco!
Voz da mãe – Ô menino...pára de reclamar de tudo! Vai tomar banho pra almoçar! Hoje eu fiz o
número 4!
Thales – Ah, mãe, qualé?! Até a senhora com esse tormento? Só falta dizer que com mais R$ 0,50
acompanha um copo de refresco...Já não basta aquele professor de Matemática com toda aquela
história sobre Sistemas de Numeração? Minha cabeça vai explodir...
Voz da mãe – Adianta aí que já, já a comida tá pronta!
Thales E o pior é ouvir o professor sempre me cobrar por eu ter o mesmo nome de um
matemático grego.[Imitando o professor] “Olha lá, hein, Thales...tem que honrar o nome!”
Ah, melhor tirar um cochilo pra ver se esqueço esse monte de besteira...[Enquanto deita continua
murmurando] Que coisa, pra que minha mãe tinha que dar esse nome? Isso deve ser trauma
dela...bem, pelo menos é melhor que Bháskara...
Aos poucos vai pegando no sono até que começa a roncar...
CENA 2:
CENÁRIO: Paisagem natural, com vista das margens do Eufrates com alguma vegetação nativa.
Thales está deitado. Aparece, então, uma pessoa que percebe alguém deitado no chão e se aproxima
para tentar despertá-lo.
Babilônio Ei, rapaz! Acorda...o que você tá fazendo aqui? [Analisando as roupas do estranho,
acrescenta] Que roupas estranhas! Deve ser algum viajante estrangeiro...
Thales aos poucos vai despertando. Ao perceber onde estava leva um susto.
ThalesAi, meu Deus! Que lugar é esse?! Peraí...eu não estava no meu quarto agora mesmo? E
quem é você?
Babilônio – Você está às margens do Eufrates! Por acaso parou aqui para descansar?De onde você
é?
Thales – Aracaju! No Bugio...já ouviu falar?
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TEATRO DA HISTÓRIA DOS NÚMEROS

Autor: Danilo Lemos Batista

*Os cenários podem ser projetados numa tela com data-show e alterados á medida que as cenas acontecem.

CENA 1: CENÁRIO: Parede de quarto de adolescente, com quadros de personagens de filmes, estante com livros e revistas, escrivaninha e computador.

Thales chega no quarto ofegante e reclamado do que ocorreu na escola. Enquanto vai tirando a mochila e mexendo nas coisas do quarto desabafa:

Thales – Ah...números, números, números! Não aguento mais ouvir falar disso. Queria esganar o desocupado que inventou este cabrunco!

Voz da mãe – Ô menino...pára de reclamar de tudo! Vai tomar banho pra almoçar! Hoje eu fiz o número 4!

Thales – Ah, mãe, qualé?! Até a senhora com esse tormento? Só falta dizer que com mais R$ 0, acompanha um copo de refresco...Já não basta aquele professor de Matemática com toda aquela história sobre Sistemas de Numeração? Minha cabeça vai explodir...

Voz da mãe – Adianta aí que já, já a comida tá pronta!

Thales – E o pior é ouvir o professor sempre me cobrar só por eu ter o mesmo nome de um matemático grego.[Imitando o professor] “Olha lá, hein, Thales...tem que honrar o nome!” Ah, melhor tirar um cochilo pra ver se esqueço esse monte de besteira...[Enquanto deita continua murmurando] Que coisa, pra que minha mãe tinha que dar esse nome? Isso deve ser trauma dela...bem, pelo menos é melhor que Bháskara...

Aos poucos vai pegando no sono até que começa a roncar...

CENA 2: CENÁRIO: Paisagem natural, com vista das margens do Eufrates com alguma vegetação nativa.

Thales está deitado. Aparece, então, uma pessoa que percebe alguém deitado no chão e se aproxima para tentar despertá-lo.

Babilônio – Ei, rapaz! Acorda...o que você tá fazendo aqui? [Analisando as roupas do estranho, acrescenta] Que roupas estranhas! Deve ser algum viajante estrangeiro...

Thales aos poucos vai despertando. Ao perceber onde estava leva um susto.

Thales – Ai, meu Deus! Que lugar é esse?! Peraí...eu não estava no meu quarto agora mesmo? E quem é você?

Babilônio – Você está às margens do Eufrates! Por acaso parou aqui para descansar?De onde você é?

Thales – Aracaju! No Bugio...já ouviu falar?

Babilônio – Al-ra-jacur? Não, fica subindo ou descendo o rio?

Thales – Esqueçe...não sei o que tá acontecendo, mas não estou no Brasil, com certeza! Mas esse nome, Eufrates, não me é estranho! Não é um dos rios que banhava a região da Mesopotâmia, onde viviam os babilônios?

Babilônio – Isso, então você conhece a minha terra! Não é a primeira vez que vem aqui, então, não é? Por acaso está trabalhando de ajudante de algum comerciante?

Thales – Não, só lembro de ter saído de uma aula de Matemática, e...

Babilônio – Ah...eu venho aqui justamente para estudar os números...a natureza me ajuda a compreender o sentido das coisas.

Thales – Ah, vocês aqui também têm consciência ambiental? Pensam em questões sobre sustentabilidade...

Thales se encosta em um coqueiro apoiado com uma das mãos.

Babilônio – Sustenta...quê? Ei, cuidado que os coqueiros daqui são traiçoeiros...

Thales – Ah...deixa pra lá, pelo jeito vocês ainda não precisam se preocupar com isso! Mas voltando à Matemática, o que você veio estudar?

Babilônio – Estou aprendendo as formas de representar os números...veja! [E saca de uma sacola um tablete de argila]

Thales – Mas o que é isso? Vocês escrevem em pedra?

Babilônio – Isso é um tablete de argila, e nos usamos esse instrumento [Mostra um instrumento utilizado para escrita cuneiforme] para registrar as coisas. Você não conhece, não?

Thales – Ih, cara! Se quiser eu empresto minha “Poly 0.5”? Ou minha “Bic”? Peraí...[E procurando nos bolsos da calça percebe que não há nada neles] Foi mal, não tenho nenhuma delas aqui...

Babilônio – Bem, nós usamos sessenta símbolos para representar todos os números...é meio difícil de lembrar de todos. Por isso vim estudar um pouco mais!

Thales – 60? Cara, por quê isso? Você bateu na sua mãe?! Eu só preciso lembrar de 10! 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, e 9 [Enquanto descreve os números vai fazendo um desenho na areia para mostrar ao novo amigo] Ah...[Com cara de quem acaba de lembrar de algo importante.] é isso o que o professor estava falando...da base sexagesimal...as diferentes bases dos sistemas de numeração das civilizações antigas! Será que eu vim parar num universo paralelo? Ou voltei pro passado?

Babilônio – Mas não é por isso que dividimos o círculo em 360°, cada grau em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos? Essa é uma herança dos sumérios, um povo que viveu nessa região antes de nós, babilônios...

Thales começa a ficar agitado, e rodeia o amigo com a mão no queixo, como se estivesse refletindo sobre o que o outro acabou de relatar.

Thales – Isso mesmo! Isso pode explicar o uso de outras bases, tais como: a base cinco (pelos cinco dedos de cada mão); a base 12 (que o professor falou ser consequência da contagem até doze utilizando as falanges dos dedos polegares; e até a base 10...mas, então qual seria a base de numeração de um sistema criado pelo nosso presidente?[Em tom debochado...] Ah...pode ser 9 ou 19 (bem...a não ser que ele tenha um dedo a mais no pé...quem sabe?)

Ao terminar seu raciocínio, Thales percebe que foi avistado pelo guerreiro. Este parece não gostar da presença daquele estranho, pois começa a dar gritos de guerra acompanhado pelos demais.

Guerreiro – Vamugandaiááááááá!!!!! [Apontando para Thales]

Todos – Vamugandaiáááááá!!!!!!

Thales – Opa...pelo jeito o grito não é de boas vindas, não! Vou vazar!

E começam a perseguir o estrangeiro, que inicia uma corrida desesperada. Ao virar, porém, este bate com a cabeça num galho de uma árvore e desmaia novamente.

CENA4: CENÁRIO: Mercado hindu com comerciantes e pessoas transitando.

Thales começa a despertar sozinho. Vai acordando aos poucos e olha ao seu redor para tentar reconhecer onde se encontra. Olhando aquelas pessoas em volta atenta a um rapaz que lê o seguinte texto:

Hindu – Um colar se rompeu num embate amoroso; Uma fileira de pérolas escapou; A sexta dentre elas caiu ao chão; A quinta ficou no leito; Um terço foi salvo pela jovem; Um décimo foi guardado pelo bem amado; E seis pérolas continuaram presas ao colar; Diga, leitor, quantas pérolas tinha o calor dos bem-aventurados....E agora?

Thales – [Se dirigindo ao rapaz] Ei, ei...não sei se entendi. O que você recitou agora foi uma poesia ou um problema de matemática? Cara, acho que dessa vez a pancada na cabeça foi grave...

Hindu – Ora, é um problema! Por quê? Você já sabe a resposta?

Thales – Não! Desculpe, mas...onde estamos?

Hindu – Você não sabe?

Thales – É uma longa história...mas, não..não sei! Essas roupas não são estranhas pra mim!

Hindu – Estamos na Índia!

Thales – Hare-baba! Era só o que me faltava...logo agora que deu uma vontade de comer uma picanha!

Hindu – Você é um matemático?

Thales – Não, sou só um estudante ainda. Até achava os números chatos...

Hindu – Não acha mais?

Thales – Digamos que estou começando a enxergar sua importância na minha vida...mas o que você estava fazendo?

Hindu – Tentando resolver esse problema. Nossos tratados matemáticos e astronômicos são escritos em versos. Nossa matemática é poesia.

Thales – Cara, nunca imaginei a matemática como poesia. Se não estou enganado o sistema de numeração de vocês tem base 10 não é? Vocês já usam o zero? Ou ainda estamos no período sem o zero?

Hindu – Não já utilizamos, sim! Essa época já passou...Buda salve o zero! Ele foi concebido para resolver um problema básico no nosso sistema: imagine como diferenciar os numerais 17, 107 e 170 sem o zero...

Thales – É verdade...meu professor falou da importância do zero! Cê sabe que os maias também utilizaram ele, né?

Hindu – Quem? Maia?

Thales – É...a civilização, não a mulher de Raj! Ah...não sei porque eu falo essas coisas...Pois saiba que seu sistema de numeração será adotado por praticamente todo o mundo. Seus matemáticos serão lembrados pela eternidade...Bháskara vai ser tipo celebridade!

Hindu – Que bom...mas e esse problema, que ainda não consigo resolver! Você me ajuda?

Thales – Claro...por onde podemos começar?

Hindu – Vamos utilizar o ábaco para ajudar nos cálculos...

E foi descrevendo, no chão, o ábaco, fazendo sulcos na areia e colocando pedrinhas como se fossem as contas...

De repente Thales sente uma pancada na cabeça repentina, o que faz com que fique um pouco desnorteado. O rapaz hindu some junto com o ruído do mercado onde estava.

CENA5:

CENÁRIO: Mercado árabe com comerciantes e pessoas transitando.

Thales está desnorteado, com as mãos na cabeça, volta a ouvir um barulho de pessoas transitando. Está novamente em um outro mercado movimentado. Ao passar por ele, um senhor o aborda, curioso.

Al-Khowarizmi – Ei, jovem! Você está bem? [Mexendo em Thales]

Thales – O quê...ah, meu Deus! Mas o que é isso? Onde estou? Minha cabeça dói...

Al-Khowarizmi – Como assim, não sabe onde está?

Thales – Não...agora a pouco eu estava num outro mercado e...

Al-Khowarizmi – Ah, sei...comprou alguma erva indevida, não foi?

Al-Khowarizmi serve um pouco de chá ao novo colega.

Thales – É verdade, se levarmos por esse lado...nem imagino como seria!

Al-Khowarizmi – Ah...os nossos métodos agilizam os cálculos! Isso é muito bom para os comerciantes, principalmente...

Thales – Ih...pelo jeito o Capitalismo já tá começando...deixa você conhecer a primeira crise da bolsa...

Al-Khowarizmi – Você é muito estranho, caro Thales! Não fala coisa com coisa...crise da bolsa?!...

Thales – Al, me esclareça algo que começa a me atormentar...

Al-Khowarizmi – Fale!

Thales – Como surgiram os números?

Al-Khowarizmi – Bem...sua origem é incerta! Ela pode estar associada a várias questões...pra você ter uma idéia mais completa, vou te presentear com um livro que gosto muito...ele está ali na estante...pode pegar! Aquele lá no alto, o mais volumoso que você avistar!

Thales – Esse?

Al-Khowarizmi – É!

Thales vai até a estante, se estica, ficando na ponta dos pés, mas ao tentar pegar o livro se desequilibra e este cai na sua cabeça, fazendo com que este caia no chão, levando um grande tombo. Ele novamente desmaia! Antes de apagar totalmente, no entanto, ouve a voz de Al-Khowarizmi lhe chamando;

Al-Khowarizmi – Thales!...

CENA 6:

CENÁRIO: De volta ao quarto.

Enquanto o seu nome ecoa na sua cabeça, a voz que antes era masculina agora vai se tornando feminina. Era a voz da mão já gritando!

Mãe – Thales, menino! Acorda! Já falei que o almoço tá pronto!

Thales desperta assustado. Percebe que está chovendo lá fora e que há uma goteira justamente sobre sua cabeça.

Thales – Caraca! Foi tudo um sonho! E aquelas pancadas na cabeça eram essa maldita goteira...bem na minha cama! Puxa, que viagem! Tudo parecia tão real...

Mãe – Tá na mesa, já, hein! A picanha que você adora! Anda logo, antes que esfrie...

Thales – Picanha! Tava sonhando com ela...deve ter sido esse cheirinho bom![Sentindo o cheiro da

carne no ar] Se contar pra alguém esse sonho vão pensar que fiquei doido! Mas pelo menos aprendi uma coisa: acho que não é mal ser lembrado como o Pai da Matemática...afinal os números não são tão chatos assim!

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