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Teste Português 8 ano Livro aberto, 8.º ano – Testes de avaliação sumativa Teste de avaliação sumativa 4Versão A2
Tipologia: Provas
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Teste de avaliação sumativa 2 · Matriz Versão A 1 Escola Matriz do teste de avaliação sumativa 2 (versão A 1 ) Data do teste Disciplina: Português, 8.º ano Duração do teste Domínios Conteúdos N.º de itens Tipologia de questões Cotação Oralidade (Compreensão) Texto jornalístico (notícia): – sentido global do texto. 4 Itens de seleção:
Teste de avaliação sumativa 2 Versão A 1 Lê o Texto B.
Confesso que fico mesmo contente de poder escrever sobre professores que me marcaram. Podia falar daqueles que o fizeram no mau sentido, mas não vale a pena. Sempre que os via pôr em prática uma calamidade pedagógica, e tive essa consciência desde muito cedo, guardava a mensagem: ora aí está uma coisa que nunca vou fazer a 5 aluno meu! Espero ter conseguido manter essa promessa ao longo dos anos. Posso começar pela minha professora das 3.ª e 4.ª classes, a Miss Eugénia Se- queira, no Colégio Princesa Ana. Como era u m colégio com raízes inglesas, todas as professoras eram misses , e nós achávamos isto normalíssimo. Lembro-me de muitas coisas, apesar de já terem passado 42 anos! Quem era então esta mulher? 10 Era uma Educadora, sem dúvida. Foi ela que nos explicou a razão de ser das cópias, por exemplo. Dizia-nos que isso permitia escrever cada vez melhor, memorizando bons exemplos de pontuação e ortografia, de imagens, de cuidado na escrita. Estava cheia de razão, e às vezes penso que esta tarefa faz falta nos dias de hoje. Outro desafio era este: todos os ditados (que fazíamos diariamente e com u m prazer enorme) conti- 15 nh am uma ou duas palavras que não conhecíamos. Isso assustava-nos? Nada! Esta professora genial ensinava-nos a adivinhar a grafia, relacionando com outras palavras conhecidas, ou pensando na origem da palavra, ou até fazendo raciocínios (que ainda hoje faço) do género “tanto o seguido, não deve ser, u m deles é u m u , deve ser este”. E realmente dávamos pouquíssimos erros. 20 Outra faceta deslumbrante e que resultava como mais u m jogo era a sua forma de nos pôr a raciocinar. O cálculo e a resolução de problemas eram sempre uma brincadeira, procurando rasteiras e rindo ao descobri-las, fazendo de cabeça u m cálculo por alto, para depois aferir se o resultado era o pretendido. Uma professora que nos ensinou a ser autónomas no raciocínio e na execução, que nos habituou 25 a ver para lá do óbvio. Aqui relembro igualmente a professora de Matemática do Secundário, Ondina Santos, pois agia do mesmo modo, o que me fez adorar para sempre esta disciplina. Empurrava-nos para a descoberta, como se fôssemos In- diana Jones do raciocínio, o que era fascinante! A parte de que guardo a melhor recordação é, sem dúvida, a forma como estas duas 30 mulheres nos criticavam. […] Comentavam cada tarefa feita na perfeição com tanta alegria como a que nós sentíamos, e cada desaire com uma frase de esperança que nos assegurava: hoje não foi tão bem, mas amanhã será melhor. E resultava, claro. Assim aprendemos a transitoriedade do erro. Não falhávamos como pessoas, apenas falhá- vamos a tarefa, e isso demonstra a enorme sabedoria destas professoras. Motivavam- 35 - nos para a competição intrínseca – a vontade de hoje ser capaz de fazer melhor do que ontem, e a aceitação do erro como forma de aprender sem sermos derrubados. Isto fez-nos crescer como pessoas mais equilibradas e preparadas para a vida. A estas duas mulheres, deixo u m enorme obrigada. Margarida Fonseca Santos, in Jornal de Letras – Suplemento de Educação, 13 - 06 - 2012 (com supressões)
Teste de avaliação sumativa 2 Versão A 1 Lê o Texto C e as notas.
Quando fui para a escola do Largo do Leão, a professora da segunda classe, que igno- rava até onde o recém-chegado teria acedido no aproveitamento das matérias dadas e sem qualquer motivo para esperar da minha pessoa quaisquer assinaláveis sabedorias (reconheça-se que não tinha obrigação de pensar outra coisa), mandou-me sentar entre 5 os mais atrasados, os quais, por virtude da disposição da sala, ficavam n u m a espécie de limbo^1 , à direita da professora e de frente para os adiantados que deviam servir-lhes de exemplo. Logo poucos dias depois de as aulas terem começado, a professora, com o fito^2 de averiguar como andávamos nós de familiaridade com as ciências ortográficas, fez-nos u m ditado. Eu tinha então uma caligrafia redonda e escorreita^3 , aprumada, boa para a 10 idade. Ora, aconteceu que o Zezito (não tenho culpa do diminutivo, era assim que a fa- mília me chamava […]) cometeu u m único erro no ditado, e mesmo assim erro não era bem, se considerarmos que as letras da palavra estavam lá todas, embora trocadas duas delas: em vez de “classe” tinha escrito “calsse”. Excesso de concentração, talvez. E foi aqui, agora que o penso, que a história da minha vida começou. (Nas aulas desta escola, 15 e provavelmente em todas as outras do país, as carteiras duplas a que então nos sentáva- mos eram exatamente iguais àquelas que, cinquenta anos depois, em 1980 , fui encontrar na escola da aldeia de Cidadelhe, no concelho de Pinhel, quando andava a conhecer gentes e terras para as meter na Viagem a Portugal^4. Confesso que não pude disfarçar a comoção quando pensei que talvez me tivesse sentado a uma delas na primavera dos 20 tempos. Mais decrépitas, manchadas e riscadas pelo uso e pela falta de cuidados, era como se as tivessem levado do Largo do Leão e de 1929 para ali.) […] O melhor aluno da classe ocupava uma carteira logo à entrada da sala e ali desempenhava a honrosíssima função de porteiro da aula, pois era a ele que competia abrir a porta quando alguém batia de fora. Ora, a professora, surpreendida pelo talento ortográfico de u m garoto que tinha 25 acabado de chegar doutra escola, portanto suspeito de cábula^5 por definição, mandou que eu me fosse sentar no lugar de primeiro da classe, donde, claro está, não teve outro remédio senão levantar-se o monarca destronado que lá se encontrava. Vejo-me, como se agora mesmo estivesse a suceder, arrebanhadas à pressa as minhas coisas, atravessando a aula no sentido longitudinal perante o olhar perplexo dos colegas (admirativo? inve- 30 joso?), e, com o coração em desordem, sentar-me no meu novo lugar. Quando o PEN Clube me atribuiu o seu prémio pelo romance Levantado do chão , contei esta história para assegurar às pessoas presentes que n e n h u m momento de glória presente ou futura poderia, n em por sombras, comparar-se àquele. Hoje, porém, não consigo impedir-me de pensar no pobre rapaz, friamente desalojado por uma professora que devia saber tanto 35 de pedagogia infantil como eu de partículas subatómicas, se já então se falava delas. José Saramago, As pequenas memórias , Porto Editora, 2014 (págs. 89 - 91, com supressões)
Teste de avaliação sumativa 2 Versão A 1 5. Numera os acontecimentos da vida do narrador de 1 a 5 , de acordo com a ordem pela qual ocorreram. O acontecimento mais antigo já se encontra numerado. Atribuição do prémio PEN Clube 1 Entrada na Escola do Largo do Leão Mudança de lugar Realização do ditado Reflexão sobre os acontecimentos passados 6. Assinala com as três opções que se referem ao narrador: a. “o recém-chegado” (linha 2); b. “o Zezito” (linha 10); c. “o melhor aluno da classe” (linhas 21 - 22); d. “um garoto que tinha acabado de chegar doutra escola” (linhas 24 - 25); e. “[n]o pobre rapaz” (linha 34). 7. No início do texto, o narrador refere que a professora o mandou sentar-se “ entre os mais atrasados ” (linhas 4 - 5) e não junto aos “ adiantados ” (linha 6). Por que razão o fez? 8. Assinala com , nos itens 8.1. a 8.4 ., a opção que completa as afirmações, de acordo com o texto. 8.1. Ao longo do texto, recorre-se aos parênteses para apresentar divagações a. que fogem ao tema principal do texto. b. feitas na atualidade, quando o narrador já é adulto. c. feitas no momento em que a situação se passou, quando o narrador ainda era criança. d. rancorosas, porque o narrador não gostou da nova escola. 8.2. Na linha 27, a referência ao melhor aluno da turma é acentuada pelo uso de a. uma personificação. b. uma antítese. c. uma metáfora. d. uma enumeração. 8.3. Na frase iniciada por “ Logo poucos dias depois de as aulas terem começado […] ” (linha 7), aquilo que a professora fez é apresentado com a. uma frase ativa. b. uma frase passiva. c. uma frase exclamativa. d. uma frase imperativa.
Teste de avaliação sumativa 2 Versão A 1 13. Coloca-te na pele de Saramago, no seu primeiro dia na escola do Largo do Leão. Escreve uma página do teu diário , bem estruturada, recordando os principais acontecimentos desse dia. A tua página de diário deve:
Teste de avaliação sumativa 2 · Soluções Transcrição do texto gravado A UNESCO alerta para a necessidade de progresso na escolaridade, dizendo que “ se não forem adotadas medidas urgentes, 12 milhões de crianças nunca irão ver o interior de uma sala de aula ”. Cerca de 258 milhões de crianças e adolescentes de todo mundo, entre os seis e os dezassete anos, u m sexto do total, não frequentam a escola, segundo dados de 2018 publicados esta sexta-feira pela ONU. Durante mais de uma década, o progresso na escolaridade foi “ mínimo ou zero ”, afirma a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em comunicado, alertando que “ se não forem adotadas medidas urgentes, 12 milhões de crianças nunca irão ver o interior de uma sala de aula ”. Com esses dados, diz a UNESCO, será muito difícil alcançar uma educação inclusiva e de qualidade disponível para todos, u m dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que a comunidade internacional acordou concretizar até 2030. […] A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, sublinhou que as raparigas “ continuam a ser vítimas dos maiores obstáculos ”, e estima-se que sejam 9 milhões que nem sequer vão para o ensino primário, face a 3 milhões de rapazes. Desses 9 milhões de raparigas não escolarizadas, 4 milhões vivem na África subsariana, onde a situação é “ ainda mais preocupante ”, assinalou Azoulay, que considerou que é necessário fazer da educação das mulheres “ maior prioridade ”. Estas estatísticas foram divulgadas uma semana antes da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que deve analisar os progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e abordar o financiamento necessário para os pôr em prática. Lusa, in Público , 13 - 09 - 2019 (consult. em 20 - 10 - 2021 , com supressões) Teste de avaliação 2 Texto A 1 .1. b.; 1 .2. b.; 1 .3. a.; 1. 4. c. Texto B
2. 1. b.; 2. d.; 3. a., c., e. 3 .1. a.; 3 .2. c.; 3 .3. d.; 3. 4. b. 4.^3 Versão A1 11.^ O^ colega^ por^ quem^ o^ narrador^ mostra^ empatia^ era o (^) melhor aluno da turma que, depois do ditado, por ordem da professora, teve de trocar de lugar. O narrador tenta colocar-se no lugar dele, ao imaginar a humilhação e a dor que ele terá sentido ao ser obrigado a ceder o prestigiado lugar de melhor aluno. 12. Por exemplo: Em ambos os textos, os narradores recordam acontecimentos ocorridos na escola, durante a sua infância. Ambos focam, por exemplo, os ditados feitos (Texto B , linhas 13 - 19 ; Texto C , linhas 7 - 13 ) e a falta de pedagogia de algumas atitudes dos professores (Texto B , linhas 2 - 5 ; Texto C , linhas 33 - 3 5). Texto C Cotações Versão A GRUPO Item Cotação (em pontos) Texto A 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 12 3 3 3 3 **Texto B
Data 8.º Texto A Subtotal Texto B Subtotal Texto C 1.1. a 1.4. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. (^) Subtotal13.^ TOTAL 12 12 3 12 3 18 3 3 5 12 4 3 5 5 40 30 100 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30