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A cultura do algodão
Tipologia: Trabalhos
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Trabalho acadêmico apresentado ao Curso de Engenharia Agronômica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, Campus Colorado do Oeste, como parte das exigências da disciplina de Ecologia.
- 1 INTRODUÇÃO - 2 FENOLOGIA E ECOFISIOLOGIA O algodão é a matéria fibrosa que envolve as sementes do algodoeiro, planta do gênero Gossypium , família das malváceas. As fibras crescem em quantidade considerável, aderidas às sementes e protegidas por uma cápsula, que se abre ao amadurecer. As espécies cultivadas são G. herbaceum , G. arboreum, G. barbadense, G. hirsutum. Segundo os documentos mais antigos, é originário da Índia, tendo-se expandido, através do Irã e da Ásia ocidental, em direção ao norte e oeste. Sua utilização na confecção de tecidos, na China, data de 2200 a.C. Foi introduzido na Grécia por Alexandre o Grande, chegando até o Egito. Estudiosos afirmam que o algodoeiro já era conhecido séculos antes de Cristo. Segundo algumas fontes o algodoeiro americano tem origens no México e no Peru. No Brasil não se tem notícias de quando exatamente o algodão surgiu. No século XVl os índios convertiam o algodão em fios no qual eram feitos redes e roupas. Segundo alguns historiadores os indígenas faziam mingau com caroço do algodão esmagado e utilizavam o sumo das folhas maceradas para curar feridas. Assim os primeiros colonos chegados ao Brasil passaram a cultivar e utilizar o algodão nativo. As culturas algodoeiras da época não passavam de pequenas roças em volta das moradias. Foi somente após a revolução industrial no século XVIII que o algodão se tornou a principal fibra têxtil do mundo e maior produto das Américas. O Maranhão se destacou com grande produção, alavancando o cultivo da fibra no nordeste, porém com a entrada dos Estados Unidos. no mercado mundial e sua produção cada vez maior a produção brasileira entrou em decadência. A produção brasileira só voltou a crescer por causa da guerra de Secessão dos Estados Unidos em 1860, a qual paralisou as exportações norte americanas. Antes só era cultivado algodão arbóreo, o Brasil passou, então, a cultivar o algodão herbáceo visando expandir rapidamente a produção. São Paulo se destacou na cultura, mas com recuperação dos Estados Unidos voltou a regredir um pouco. A partir dos anos 30 São Paulo despontou como grande
O algodoeiro, por ser uma planta de crescimento indeterminado, possui uma das mais complexas morfologias entre as plantas cultivadas. O desenvolvimento do algodoeiro é influenciado principalmente pela temperatura. A cultura precisa de acompanhamento constante, visando o controle de pragas e doenças. Na fenologia é melhor ler a planta de baixo para cima e do centro para a periferia. No começo só crescem os nós cotiledonares. Depois de apresentar quatro a cinco nós aparece o primeiro ramo reprodutivo. Em cada ramo reprodutivo se indicam as posições frutíferas. Durante o ciclo da planta de algodão há diversos eventos ocorrendo ao mesmo tempo o crescimento vegetativo, aparecimento de gemas reprodutivas, florescimento, crescimento e maturação dos frutos. Cada um destes é importante para a produção final, mas é necessário que venha ocorrer em equilíbrio. Recentemente foi desenvolvida a “Escala do Algodão”, ou seja, um sistema de identificação de estádios de desenvolvimento do algodoeiro, que permite definir exatamente cada passo do desenvolvimento e crescimento da planta (MARUR; RUANO, 2001). Nessa escala o ciclo de vida da planta é dividido em 4 fases: fase vegetativa (V), formação dos botões florais (B), abertura de flores (F) e a abertura de capulhos (C).
V0- vai da emergência da plântula até o quando a primeira folha verdadeira chega a 2,5 cm de comprimento. V1- do final do V0 até a segunda folha verdadeira atinja o mesmo tamanho V2-Vn- segue o mesmo critério da anterior
B1- começa quando o primeiro botão floral se torna visível. B2- primeiro botão floral do segundo ramo frutífero visível. B3-Bn- segue o mesmo critério
F1- primeiro botão floral do primeiro ramo se transforma em flor. F2- primeiro botão floral do segundo ramo se transforma em flor. F3-Fn- segue o mesmo critério.
C1- a primeira maçã do primeiro ramo se abre, transformando em capulho. C2- a primeira maçã do segundo ramo se abre. C3- segue o mesmo critério A temperatura influencia o crescimento da planta sendo determinada a exigência para cada fase. O estudo das fases de crescimento das plantas é a fenologia. As do algodoeiro são analisadas as seguintes fases: semeadura a emergência; Da emergência ao aparecimento do primeiro botão floral; Aparecimento do primeiro botão floral ao aparecimento da primeira flor; Aparecimento da primeira flor ao primeiro capulho e a abertura do primeiro capulho à colheita.
Quando a semente é colocada no solo o primeiro evento que acontece é a embebição. A semente precisa de 52% de umidade para iniciar o processo de germinação. Em condições favoráveis a emergência ocorre entre 5 a 10 dias. A velocidade da emergência radícula varia de acordo com a temperatura. Se a temperatura for menor que 20°C e maior que 34°C não haverá emergência.
Nesta fase estão acontecendo vários eventos. A competição entre o crescimento vegetativo e o reprodutivo aumenta, as plantas continuam crescendo e é atingida a altura máxima. A vida média de uma folha é de 65 dias, porém o auge da fotossíntese acontece nos primeiros 20 dias de abertura da folha. A máxima fotossíntese ocorre quando o fruto está no início do desenvolvimento. Por isso os primeiros frutos são mais desenvolvidos que os demais. A exigência de água passa de 4 mm para 8 mm por dia acompanhando o desenvolvimento foliar. Para obter altas produtividades são necessários 700 mm de água durante o ciclo do algodão. O maior problema é que onde se cultiva algodão, quanto mais água disponível haverá maior incidência de nuvens e assim pouca luz disponível. A falta de luminosidade é mais limitante que a disponibilidade de água. A queda dos botões florais e maçãs jovens acontecem nesta época, sendo considerado um fenômeno natural, o qual pode ser acentuado pelas condições adversas. A queda de até 60% das estruturas é considerada normal. Qualquer fator que determine uma queda na fotossíntese ou aumento no gasto metabólico resulta na queda das estruturas reprodutivas. As altas temperaturas tendem a desequilibrar o crescimento reprodutivo e vegetativo da planta. Nesta fase algumas maçãs já estão maduras. Na segunda metade desta, qualquer alteração na fotossíntese resultará em prejuízo em função da maior porcentagem de fibras imaturas.
Começa com a abertura do primeiro capulho e termina com a aplicação dos desfolhantes ou maturadores. Dura de 4 a 6 semanas, dependendo da produtividade, do suprimento de água, nutrientes principalmente da temperatura. A melhor temperatura para as maçãs atingirem a maturidade está entre 21° e 23°C. As temperaturas mais baixas favorecem a formação de maçãs mais pesadas. A carga deve ser suficiente para inibir o crescimento vegetativo. Ocorre porque a grande quantidade de maçãs oferece competição ao crescimento
vegetativo, esperando que o mesmo seja menor. Nesta época o sistema radicular já está em declínio e a fotossíntese diminuída. A ocorrência de estresse nessa fase acarretará prejuízo na qualidade da fibra e as baixas temperaturas resultam em fibras imaturas e má abertura dos capulhos. A qualidade da fibra também das temperaturas noturnas. Esse risco acontece normalmente quando a semeadura é tardia. Neste ponto de desenvolvimento a exigência de água cai rapidamente. Seria bom que não chovesse durante a abertura dos capulhos para as fibras para as fibras continuarem sendo preservadas. Água em excesso favorecerá o apodrecimento dos capulhos e maçãs da parte de baixo da planta.
A rotação de cultura e a manutenção das lavouras no limpo favorecem o manejo com os pulgões. Os inseticidas são as ferramentas mais utilizadas para o controle de pulgões. Há vários inimigos naturais, como predadores, parasitoides e fungos, reduzem as populações dos mesmos. Mas, esses agentes apresentar uma ação reguladora não é suficiente. Os lixeiros, as joaninhas também são inimigos naturais dos pulgões.
Curuquerê – Alabama Argillacea – Lepidóptera: Noctuidae
É uma das pragas frequentes e prejudiciais à lavoura. Atacam os limbos das folhas devorando-o quase todo. O Alabama argillacea é uma espécie exclusiva da fauna americana e sua dispersão abrange todos os países do continente. O inseto adulto é uma mariposa de cor acinzentada clara com manchas circulares no centro das asas anteriores. Ao nascerem as lagartas são incolores com pontos escuros no dorso, localizam-se embaixo das folhas adquirindo ao se alimentarem uma tonalidade esverdeada. As lagartas recém-nascidas raspam o parênquima foliar, aparecendo a seguir manchas nas folhas. As maiores devoram todo tecido foliar deixando apenas as nervuras. Nas grandes infestações podem danificar os brotos, botões florais, flores e maçãs. As condições de umidade e temperatura elevadas favorecem o crescimento populacional da praga. O curuquerê deve ser combatido no início do ciclo evitando a proliferação. Os inimigos naturais predadores, parasitos, fungos, e vírus atuam na eliminação de ovos, lagartas e pupas.
Bicudo – Anthonomus Grandis – Coleoptera: Curculionidae
O adulto do bicudo é um besouro de coloração marrom avermelhado a cinza escuro variando sua coloração de acordo com a idade do inseto. As larvas são brancas e depois se transformam em pupas, onde pode ser visto os vestígios dos diferentes membros do corpo.
É a praga que causa mais prejuízos na cotonicultura brasileira. Pode reduzir a produção em até 70%. Aparecem após uns 50 dias de plantio e ataca a plantação de algodão até o final do cultivo. As fêmeas colocam, cerca de 150 ovos, em geral um ovo por botão floral. Após a postura ela recobre o orifício com uma cera. Essa cera tem como função, proteger o ovo no interior do botão contra os inimigos naturais. O período de incubação é de três dias. Em torno de 5 a7 dias após o ataque, os botões caem ao solo, contendo as larvas em desenvolvimento elas são brancas, de cabeça marrom clara e sem pernas, as quais se tornam pupas e assim transformam em adultos. A fase de pupa dura em média 5 dias. Sob condições favoráveis a população de bicudos crescem entre 5 a 10 vezes por geração. Os adultos se alimentam de botões, mas na ausência destes as maçãs também serão atacadas. A presença dos botões florais estimula o acasalamento, pois os machos emitem feromônios e assim há uma maior movimentação do inseto na área. Com os componentes dos feromônios foram produzidos armadilhas que atraem e capturam os adultos. As armadilhas são indispensáveis para identificar e quantificar a presença do bicudo nas áreas a serem cultivadas com algodão. A instalação deve ocorrer 50 dias antes da semeadura. Durante a maturação da cultura eles passam a acumular gordura, isso possibilita que sobrevivam por longos períodos. As condições do clima determinam as taxas de mortalidade das pragas. Mas sempre sobreviverá uma quantidade suficiente de besouros que poderá reinfestar as safras posteriores. Quando período de entressafra é longo afeta diretamente na sobrevivência da praga. As populações infestantes dependerão da presença de soqueiras após o período de colheita. O controle cultural da praga é muito importante. A destruição de todos os restos culturais é fundamental para que não haja reinfestações dos bicudos. O solo deve ser preparado antes para que desaloje os adultos que ficaram na área cultivada. A rotação de cultura não seja hospedeira do bicudo do algodoeiro, reduz suas populações pela falta da planta hospedeira, contribuindo para quebra do ciclo da praga.
As lagartas são verdes amareladas e quando estão na fase adulta apresentam a coloração branca, com dois pares de asas membranosas, corpo amarelo e três pares de pernas. Vivem em plantas hospedeiras, cultivadas e silvestres durante todo o ano. O período de invasão da mosca ocorre durante o aparecimento dos primeiros capulhos. Segundo Araújo et al. (2000) a medida cultural para o manejo da mosca branca é a instalação de barreiras vegetais com sorgo ou milho implantadas perpendiculares a direção dos ventos. Além disso, a rotação de cultura, a semeadura na época correta, a destruição das soqueiras e a eliminação de plantas hospedeiras ainda são as melhores formas de manejo da mosca branca.
Percevejos – Percevejos De Raízes - Scaptoris Castanea; Atarsocoris Brachiarae - Hemiptera: Cycanidae
O percevejo castanho suga as raízes da planta de algodão e injetam toxinas, as quais fazem as plantas ficarem amareladas e depois secas. Pode ser encontrado tanto nas raízes de plantas cultivadas quanto em plantas silvestres. Os adultos têm coloração marrom e a sua forma jovem são de cor branca. Durante o preparo do solo, exalam cheiro desagradável que denotam sua presença. O Atarsocoris brachiarae apresenta cor amarelada. Possuem hábitos subterrâneos e passam pelas fases de ovo, ninfas e adultos. Também exalam odor característico. As medidas de controle são preventivas. Preparo eficiente do solo com arações profundas e gradagens posteriores e correção da acidez do solo são de grande eficiência.
As pragas do algodoeiro têm seus inimigos naturais, podendo apresentar maior ou menor importância. A eficiência de cada depende da especificidade, da capacidade de reprodução e do potencial de dispersão na região. Eles são classificados em predadores, parasitos e patógenos.
Os predadores são:
Orius spp. – Hemíptera: Anthocoridae
É um percevejo agressivo, o qual ataca o pulgão, a tripés e vários tipos de lagartas. Tem a coloração preta e branca, sendo o mesmo um dos primeiros predadores da lavoura.
Nabis spp. – Hemíptera: Nabidae
Aparece no segundo mês da cultura. Possui a cor marrom clara, com a cabeça estreita dotada de um bico. Alimentam se de vários insetos, dentre eles os pulgões, as cigarrinhas, os percevejos, os ácaros e lagartas de mariposas. Podem ser encontrados em todas as partes da planta.
Aparecem logo após a emergência das plantas. Alimentam-se dos ovos e larvas da lagarta mede palmo, da lagarta das maçãs, pulgões e ácaros.
Podisus spp. – Hemíptera: Pentatomídae
É uma espécie de percevejos grandes. Eles alimentam-se das larvas de Triclopusia, Alabama e Heliothis. Atacam os percevejos do algodoeiro.
Zellus spp. – Hemíptera: Reduviidaera
Tem a semelhança do barbeiro, sendo menor. É um percevejo que ataca as lagartas como o curuquerê. Pode inclusive predar outros inimigos naturais.
Lixeiro – Neuroptera: Chrysopidae
É um dos principais predadores do algodoeiro. Alimenta-se dos ovos e larvas da lagarta da maçã, Alabama, pulgão e os ácaros. Aparecem logo após
Causada por vírus. Depois de afetada a lagarta não se alimenta, e assim doente e em seguida morre. Também há a mumificação, mas dessa vez fica enegrecida. Para controlar o bicudo do algodoeiro, tripes, mosca branca e pulgões, temos que utilizar inseticidas tradicionais.
Doenças de ocorrência geral
As doenças do algodão podem ser causadas por fungos, bactérias ou vírus. O cultivo do algodoeiro por vários anos com pouca variação genética proporciona o aumento de diversos patógenos.
Mancha- de- Ramulária
Ocupa a posição de maior importância entre as doenças do algodoeiro. È causada por fungo, os sintomas iniciais da doença são, desfolha precoce, redução de a área folhear fotossintetizante. Os danos causados vão até o final do ciclo da cultura, sendo mais expressivo no inicio do florescimento e na abertura dos primeiros capulhos. Ocasionam perda de até 35% do rendimento. O patógeno é disseminado pelo vento na própria semente e no maquinário agrícola. É difícil identificar as primeiras lesões antes de ocorrer à esporulação. Ela sobrevive aos restos culturais, à temperatura ótima para reprodução do fungo varia entre 25 e 30ºC. As medidas de controle da doença baseiam- se na rotação de cultura, destruição dos restos culturais e rebrotas, respeitar a época ideal da semeadura.
Ramulose
Doença causada por fungo. Ela ataca a planta m todas as partes a partir dos 40 dias até 100 a 120 dias do plantio. Os primeiros sintomas ocorrem nas folhas mais novas, na forma de manchas. Atinge também os ponteiros impedindo o crescimento normal da planta.
O fungo é transmitido por sementes infectadas e de restos culturais, principalmente onde o algodão é implantado ano após ano. As medidas de controle da doença é o mesmo citado anteriormente.
Mancha Angular
É causada por uma bactéria, que se da bem nos ambientes úmidos e de baixa temperatura. Ela afeta o algodoeiro em todas as fases de seu desenvolvimento. Os sintomas são lesões angulares, com aspecto encharcado ficando pardas depois. Rasgaduras no limbo foliar que pode estender até o tecido vascular, afetando o pecíolo e o caule, e em caso mais severos pode infectar as maçãs. O importante meio de transmissão da bactéria é a semente. Essa doença é difícil de ser controlada. O manejo da doença deve ser implementado com o uso de cultivares resistentes a bacteriose e sementes sadias. Os dias de muita luminosidade são ideais para o combate da doença. A prática mais recomendada consiste no arrancamento e queima das soqueiras, evitando assim o risco de novas contaminações.
Mosaico das Nervuras
É conhecida também por doença azul ou mosaico azul, devido aos sintomas acentuados nas folhas mais novas de cor verde escuro a azulado. Quando ocorre em plantas novas elas ficam estéreis e as perdas podem chegar 100%. È característica da enfermidade a redução do porte das plantas afetadas, causando encurtamento dos entrenós. Os sintomas são encurtamento nas folhas mais novas, rugosidade no limbo foliar, em casos mais severos a coloração fica arroxeada ou azulada ao longo do pecíolo, nervuras e limbo foliar. O vírus é transmitido pelo pulgão e desenvolve os sintomas cerca de 18 dias após a contaminação. Ele permanece em plantas nativas ou cultivadas de um ano para o outro. As medidas de controle recaem no arrancamento e