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Hanseníase: História, Definição, Epidemiologia e Classificação, Resumos de Medicina

Uma detalhada análise da hanseníase, uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo mycobacterium leprae e mycobacterium lepromatosis. O texto aborda a história da hanseníase, sua definição, epidemiologia, transmissão, genética, classificação, patogênese, resposta imunológica, exame físico, formas clínicas, diagnóstico, tratamento, reações hansênicas, complicações e diagnósticos diferenciais. O documento também fornece informações sobre a notificação obrigatória e a investigação obrigatória da hanseníase.

Tipologia: Resumos

2024

Compartilhado em 10/03/2024

barbara-marcias-de-sousa
barbara-marcias-de-sousa 🇧🇷

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HANSENÍASE
Paula de Souza Bernardes
Residente do Programa de Dermatologia do HU-UFJF
2022
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Baixe Hanseníase: História, Definição, Epidemiologia e Classificação e outras Resumos em PDF para Medicina, somente na Docsity!

HANSENÍASE

Paula de Souza Bernardes Residente do Programa de Dermatologia do HU-UFJF 2022

HISTÓRIA

  • A partir de 600 a.C. já haviam relatos da sua existência.
  • (^) Surgimento no Oriente e levada para o Mediterrâneo

pelos fenícios.

  • Conhecida como Lepra ou Mal de Lázaro, antigamente era associada ao pecado, à impureza, à desonra.
  • (^) Aumento do número de casos com as Cruzadas (século XI)
    • início da perseguição aos “leprosos”.
  • (^) Fogueiras, confinamento obrigatório, luvas e sinos para anunciar a chegada em público.

DEFINIÇÃO

NA PELE:

  • Predileção pelos queratinócitos, macrófagos e histiócitos.
  • (^) Queratinócitos parecem liberar peptídeo antimicrobiano – defensina em resposta ao antígenos do M. leprae.
  • (^) Intracelular: interage com metabolismo lipídico para promover sua sobrevivência.

DEFINIÇÃO

NOS NERVOS PERIFÉRICOS:

  • (^) Liga-se à laminina-2 e adesinas da lâmina basal e aos receptores (distroglicano e ErbB2) da superfície celular das células de Schawnn.
  • (^) Sinalização da via Erk1/2 → tornam-se células imaturas → ambiente adequado para proliferação bacteriana.
  • (^) Diferenciação adicional → “célula-tronco” → capaz de diferenciar em células mesenquimais → espalhar infecções e atrair macrófagos → formar granulomas (cavalo de troia).
  • Disfunção axional e desmielinização → perda sensorial, incapacidade e deformidades.

EPIDEMIOLOGIA

  • (^) Entre os anos de 2016 e 2020, foram diagnosticados no Brasil 155.359 casos novos de hanseníase.
  • (^) Sexo masculino, pardos, com baixo grau de escolaridade.
  • (^) No período de dez anos, o Brasil apresentou uma redução de 30% na taxa de prevalência.
  • (^) Os cinco principais países que relatam novos casos são Índia, Brasil , Indonésia, Nepal e Bangladesh.

Notificação compulsória e investigação obrigatória!

Grau-2 de incapacidade

Transmissão

  • Via respiratória.
  • (^) A secreção nasal de multibaucilar → inúmeros bacilos.
  • (^) Ocasionalmente, os organismos podem entrar através da pele rompida.
  • (^) Cerca de 95% da população mundial não é geneticamente susceptível à doença.
  • Marcadores imunológicos relacionados à capacidade dos macrófagos em destruir o bacilo ou deixá-lo multiplicar.

Genética: PARK2/PACRG, NRAMP1, TNF- alfa, VDR, TAP e TAP2.

Classificação

Classificação de Madrid (1953):

  • (^) Hanseníase indeterminada,
    • (^) Hanseníase tuberculóide,
      • (^) Hanseníase dimorfa e
  • (^) Hanseníase virchowiana.

Classificação

Classificação de Ridley-Jopling:

  • (^) Tuberculoide (TT)
  • (^) Dimorfo-tuberculoide (DT)
  • (^) Dimorfo-dimorfo (DD)
  • Dimorfo-virchowiano (DV)
  • (^) Virchowiano (VV)

RESPOSTA IMUNOLÓGICA MEDIADA POR CÉLULAS

Classificação

OMS:

  • (^) Paucibaucilar: 1 – 5 lesões de pele e ausência de bacilos em esfregaço cutâneo.
  • (^) Multibaucilar: > 5 lesões de pele e bacilos visíveis.

Patogênese

Período de incubação longo: 2-5 anos.

Defesa do hospedeiro: imunidade celular → fagocitar e destruir bacilos – mediada por citocinas e mediadores da oxidação.

Imunidade humoral é ineficaz contra o M. leprae.

ALTA INFECTIVIDADE, PORÉM BAIXA PATOGENICIDADE.

Exame físico

  • Inspeção de olhos, nariz, mãos e pés.
  • Palpação de troncos nervosos periféricos.
  • Avaliação da mobilidade articular.
  • Avaliação da força muscular.
  • Avaliação da sensibilidade nos olhos, membros superiores e inferiores.

Exame físico

  • Lesão de pele + alteração da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil (nessa ordem).
  • Sinais cardinais:
  1. Perda de sensibilidade em uma lesão de pele;
  2. Nervo periférico espessado;
  3. Esfregaços de pele positivos.