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Documento de uma aula de uma materia
Tipologia: Resumos
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O mundo que nos cerca e as pessoas que cruzam o nosso caminho estão em constante transformação. São tais mudanças que estabelecem formas, estruturas que implicam leitura e interpretação dos fenômenos sociais que desaguam no centro da produção científica e, por conseguinte, nas ações acadêmicas. Tendo em vista esta perspectiva, nesta disciplina iremos discutir as especificidades do texto acadêmico, características e tipologias que auxiliam a interpretação da realidade contemporânea, sua leitura e escrita de forma crítica e reflexiva, como a ciência/academia produz. O entendimento dos casos e tipos textuais nos permitirá a compreensão da disposição dos elementos essenciais que compõem a funcionalidade do texto acadêmico, pautado na aquisição de competências de leitura e produção de textos a partir do estudo de aspectos dos principais gêneros textuais. Assim, os conteúdos que estudaremos situam o desenvolvimento da leitura crítica e a percepção de interpretação enquanto gesto de atribuição de sentido a partir do exame dos elementos de coesão e coerência em situações comunicativas e gêneros discursivos diversos, de ideias e padrões de linguagem dos gêneros textuais que circulam no ambiente acadêmico.
Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de:
Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades:
Professora Lorena Bárbara da Rocha Ribeiro Mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia – PPGEduC/UNEB. Especialista em Currículo de Formação Cientifica, Tecnológica e Cultural pela UNEB. Graduada em Pedagogia pela UNEB. Possui experiência em Gestão de Cursos Superiores na modalidade de ensino a distância EaD: coordenação, Design Instrucional em Ambiente Virtuais de Aprendizagem; elaboração de Material Pedagógico e Recursos Educacionais Aberto – REA; formação de tutores, instrutores, monitores e professores na utilização de tecnologias e robótica aplicada à educação. Pesquisadora da área de Educação, Educação Infantil, Educação a Distância, Educação e Novas Tecnologias, Formação de Professores, Produção de material didático, Consultoria Pedagógica, Design Educacional.
Professora Silvana Moreli Vicente Dias Licenciada em Português e Inglês pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp (1999), mestre (2003) e doutora (2008) pela Universidade de São Paulo – USP. Ganhou o prêmio Capes de Tese 2009, na área de Letras/Linguística. Foi pesquisadora bolsista Nível I da Fundação Biblioteca Nacional – FBN (2008). Fez pesquisa de pós-doutorado na Università degli Studi di Roma “La Sapienza”, no Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP, 2010-2012) e na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Linguística Aplicada; Humanidades Digitais, relações entre o Modernismo brasileiro e a literatura anglo-americana, Preparo de Edições, Crítica Genética e Crítica Textual; edições acadêmicas com aparato crítico, manuscritos de escritores, artistas e intelectuais, crônica, memorialismo, ensaio; curadoria de exposições. É autora de Cartas provincianas: correspondência entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira (edição de cartas e estudo crítico, editora Global, 2017). Tem experiência nos ensinos Fundamental, Médio e Superior, sendo atualmente professora na Universidade Veiga de Almeida – UVA.
Fonte: NASCIMENTO, Mauricio. Vaso de Flor / dominiopublico Ao observar esta imagem, o que podemos notar? Percebam as diferentes possibilidades, as etapas e camadas de cada desenho; suas cores, seus tons. Ao olhar para um objeto, percebemos as diversas figuras, personagens, linhas, contornos que são semelhantes ao pensar, interpretar e agir do homem sobre a matéria-prima, na articulação direta entre modelos e conteúdo. O mesmo acontece com a leitura, uma livre associação de ações do pensamento sobre as situações-problema que acabam exigindo de nós maior interpretação e elaboração. Vamos entender suas principais características e estruturas?
Qual a relação entre Língua, Linguagem e Sociedade? A relação entre língua, linguagem e suas representações na sociedade não estão limitadas apenas a aplicação da norma culta, mas engloba também o que acontece conosco, o que produzimos, ou seja, nossas marcas. Tudo isso acaba aparecendo mais nitidamente nas interações humanas, nos lugares que usam a escrita como narrativas no compartilhamento de conhecimentos. Nesse sentido, a Língua pode ser compreendida como um “[...] produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” ( SAUSSURE, 2012, p. 41 ), ou seja, agrupamento de palavras regido por uma norma e/ou um sistema organizado que proporcione combinações específicas que gerem comunicação. A língua se estabelece nessas práticas em que a disseminação de um pensamento/ideia/ato comunicacional expressa e permite a compreensão de um determinado grupo, estabelecendo o perfil social e cultural, na troca de símbolos característicos de um determinado local, região ou país, pois
[...] não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato fisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. ( BAKHTIN, 2002, p. 123 )
Nesse sentido, a língua como princípio de interação comunicacional se estabelece no diálogo, ou seja, na interação entre os indivíduos, a qual resulta em fragmentos das experiências vividas, (re)elaboradas e interpretadas que fazem parte dos contextos que pertencem as relações sociais pois “[...] a língua vive e evolui historicamente na comunicação verbal concreta, não no sistema abstrato das formas na língua nem no psiquismo individual dos falantes” ( BAKHTIN, 2002, p.124 ).
Tipologia e gêneros textuais Como as tipologias e gêneros textuais auxiliam na elaboração do texto acadêmico? Após a verificação da ligação entre Língua e Linguagem como possibilidade de vínculos de signos sociais, que permite a comunicação verbal e não verbal, perceberemos que domínio de conceitos como texto, seus tipos e gêneros discursivos é crucial para subsidiar a elaboração do texto acadêmico. O texto é o resultado da aplicação da Língua e da Linguagem para a elaboração da comunicação escrita, que possui sua própria dinâmica. No processo de comunicação escrita, as ideias do autor são interpretadas pelo leitor, ou seja, há um movimento de troca entre emissor e receptor, em articulações de palavras que sempre pressupõem um determinado contexto. Saiba Mais Autor - O que produz o texto ou qualquer outra obra. Emissor – Quem expressa uma ideia. Receptor – Quem interpreta uma ideia. Nesse sentido, é importante pontuar que o texto expressa, além do pensamento, a cultura de um período, de uma época, sendo fruto da sobreposição de tempo e espaço, deixando claras as intencionalidades. Ou seja, não há pureza/imparcialidade na escrita do texto, sempre haverá um objetivo a ser alcançado, uma ideia a ser expressa na ambivalência da ética, moral que representa algum grupo social. Nesse contexto, as tipologias textuais são identificadas quando os textos determinam processos comunicativos com determinados objetivos e pressupondo estruturas dos textos. Eles se apresentam como: Narrativo O tipo de texto narrativo tem como princípio narrar uma história localizada no tempo e no espaço com a descrição das ações do personagem. A estrutura da tipologia textual narrativa envolve a introdução/contextualização, desenvolvimento, clímax final. Clímax - Ponto central, decisivo da narrativa, apresenta os desdobramentos e resolução da história.
Dissertativo Podemos afirmar que o texto dissertativo é a tipologia textual com maior predominância no espaço acadêmico. Compreende o fenômeno, estabelece objetivos a serem alcançados com a ideia do autor e dispõe de argumentos frente aos questionamentos de um dado objeto de análise, com embasamento conceitual, auxiliando o fortalecimento científico do texto. Expositivo Já o texto expositivo tem como principal característica difundir mensagens de forma mais objetiva, direta, que permitam a compreensão sem correlações e dubiedade. Assim, as informações expostas são suficientes para rápido entendimento. Descritivo A função de descrever os fatos ou pessoas a partir da observação é o que caracteriza a tipologia descritiva , que ressalta o detalhamento com maior precisão e riqueza de particularidades, características e observações sobre o objeto de análise. Injuntivo Por fim, a tipologia injuntiva caracteriza-se por apresentar, em sua estrutura, as indicações de uso ou realização de alguma atividade a partir de um arcabouço de métodos, técnicas e procedimentos que levam à execução de alguma prática. Para saber mais sobre tipologias textuais, acesse a página inicial da disciplina, no ambiente virtual, e leia as páginas 22 a 25 do e-book Leitura e produção de textos acadêmicos. Os gêneros textuais atuam de forma simultânea com a tipologia textual. Porém, isso não é algo que possa ser facilmente compreendido sem se levarem em consideração a forma e a função, os contextos sociais e a execução, o que acaba fazendo deste um movimento de auxílio e composição do texto acadêmico. Tudo isso, vale destacar, acontece ao mesmo momento em que se registram os fatos ocorridos no cotidiano e, a partir da ideia de autore(s) dentro de normas, aspectos científicos que dialogam com as dimensões sociais, econômicas, culturais e políticas, enquanto
Como despertar a produção de sentidos no texto acadêmico? A escrita de um texto acadêmico não nasce a esmo. Ela tem sua origem a partir da curiosidade, do questionamento e da busca por entendimento/resposta para um determinado assunto. Dentro do aspecto científico, a realidade vivenciada é que será o foco para as argumentações que integram a produção do conhecimento científico, uma vez que o texto se estabelece como “[...] uma identidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual” ( MARCUSCHI, 2002, p. 24 ). A escrita não é neutra, tampouco sem direcionamento. Ela tem um objetivo que interage com a visão de mundo do autor. Isso permite um diálogo entre as formas da escrita e a experiência dos sujeitos no mundo, que aparentemente está externa ao texto, mas que são condensados, mobilizados e materializados, o que contribui para “[...] ou determina a construção de sentido" ( KOCH; ELIAS, 2006, p. 59 ). Pensar sobre o conceito de sentidos e/ou produção de sentidos é refletir sobre os aspectos cognitivos (e polissêmicos) de interação/inferência na identificação, representação e/ou reconhecimento da língua como forma social de diálogo e das linguagens (e seus desdobramentos). Esses atos despertam memórias, lembranças, aprendizagem e questões fisiológicas, que correspondem a tato, olfato, visão e paladares de acordo com a perspectiva psíquica dos indivíduos que se relacionam na sociedade. Essas percepções são aplicadas em tipologias e gêneros textuais, pois a produção de sentido é:
[...] um movimento de organização de linguagem nas relações interpessoais que criam contextos para aprendizagem e desenvolvimento [...] entendida como espaço de colaboração e criticidade em que as mediações sociais são pré-requisito e produto, instrumento e resultado de transformação da realidade. ( MAGALHÃES; OLIVEIRA, 2011, p. 107- 108 )
Neste aspecto, a produção de sentido é uma conversação entre os saberes experienciais a partir da palavra, sem imposição de uma dada cultura/perspectiva sobre palavras dos outros, com respeito a pluralidade e diversidade, pois as “[...] palavras dos outros trazem consigo a sua expressão, o seu tom valorativo que assimilamos, reelaboramos e reacentuamos” ( BAKHTIN, 2011, p.295 ). No que corresponde ao texto acadêmico, este perpassa por um movimento de letramento quando existe uma junção natural entre escrever e ler, uma vez que o ato de ler “[...] está geralmente restrito à decifração da escrita, sua aprendizagem, no entanto liga-se, por tradição, ao processo de formação global do indivíduo [...].” ( MARTINS, 1994, p. 23 ). Inclusive, refletir sobre conceito de letramento é importante para que o estudante compreenda que a produção textual escrita, oral ou multissemiótica ocorre em consonância com as práticas sociais de determinadas comunidades. Em outras palavras, o sujeito comunica-se com autonomia e sempre em concordância com as práticas sociais explícitas ou implícitas, e sempre reconhecíveis na vida cotidiana. Ao aplicar o conceito de letramento acadêmico, reforça-se que um sujeito ou os vários sujeitos em interação comunicativa de certa comunidade estão em permanente evolução. Quanto maior a escolarização, até chegar-se à universidade, mais complexas se tornam essas práticas, com a sistematização de gêneros que circulam, em especial, nos âmbitos científicos ou acadêmicos. Dentre os gêneros acadêmicos mais difundidos, estão: fichamentos, resenhas descritivas, resenhas críticas, monografias, projetos de pesquisa, artigos científicos e livros, que seguem padrões de cientificidade e credibilidade no interior da cultura letrada. Para saber mais letramento acadêmico, assista ao vídeo Clube da escrita: “O que são letramentos acadêmicos”. Ou seja, o processo formativo do indivíduo não é isolado do convívio social, mas precisa de uma formação para compreender o modo de produção acadêmico, que envolve os eventos atuais (o texto como filho do seu tempo), a leitura como sinônimo de matriz, compreensão inicial para o entendimento dos fenômenos sociais. Isso resulta em uma produção textual que acaba fazendo sentido para nós, já que mergulhamos em um vasto material teórico/conceitual aplicado a uma realidade específica, que compõe o texto e parte de metodologias (formas de fazer) que ajudam a leitura, escrita e produção de um texto acadêmico desenvolvendo habilidades e “[...] competência sociocomunicativa dos interlocutores permite-lhes discernir o que é adequado ou inadequado no interior das práticas sociais em que se acham engajados” ( KOCH, 2004, p. 160 ).
Encerramento Qual a relação entre Língua, Linguagem e Sociedade? A reflexão sobre a relação entre Língua, Linguagem e Sociedade está pautada na mistura como uma estrutura conectada, em que a língua é um fragmento que compõe o todo da linguagem (visuais, sonoras, gestuais, imagéticas) e permite a compreensão dos acontecimentos que materializam o pensamento, enquanto produto do cotidiano social. Como as tipologias e gêneros textuais auxiliam na elaboração do texto acadêmico? Os gêneros textuais atuam de forma simultânea com a tipologia textual. No entanto, isso não é algo que pode ser compreendido facilmente sem se levarem em consideração forma e função, os contextos sociais e a execução, o que acaba fazendo deste um movimento de auxílio e composição do texto acadêmico. Tudo isso, vale destacar, acontece ao mesmo tempo em que se registram os fatos ocorridos no cotidiano e, a partir da ideia de autor(es) dentro de normas, aspectos científicos que dialogam com as dimensões sociais, econômicas, culturais e políticas. Como despertar a produção de sentidos no texto acadêmico? O processo formativo do indivíduo não é isolado do convívio social, mas precisa de uma formação para compreender o modo de produção acadêmico, que envolve os eventos atuais (o texto como filho de seu tempo), a leitura como sinônimo de matriz, compreensão inicial para o entendimento dos fenômenos sociais. Isso resulta em uma produção textual que acaba fazendo sentido para nós, já que mergulhamos em um vasto material teórico/conceitual aplicado a uma realidade específica, que compõe o texto e que parte de metodologias (formas de fazer) que ajudam a leitura, escrita e produção de um texto acadêmico desenvolvendo habilidades e competência.
Nesta primeira unidade, vimos a relação entre língua, linguagem e sociedade, em que a língua é uma pequena parte que compõe o todo dos diferentes tipos de linguagem (visuais, sonoras, gestuais, imagéticas), permitindo compreender o pensamento enquanto produto do cotidiano social. Além disso, estudamos a diferença entre tipologias e gêneros textuais, entendendo que esses não podem ser compreendidos sem que se considerem suas formas, funções, contextos e aplicação, o que faz do entendimento dessas ações um movimento que ajuda no momento de escrita do texto acadêmico.
Logo, compreendemos que, para ter sentido, o texto acadêmico exige um processo formativo do indivíduo não isolado de seu contexto social, mas que seja capaz de compreender que a produção acadêmica também tem a leitura como ponto central.
BAKHTIN, M. M. Estética da Criação Verbal. Tradução do russo: Paulo Bezerra.
KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. são Paulo: Contexto, 2006. MAGALHÃES, M. C. C.; OLIVEIRA, W. Vygotsky e Bakhtin/Volochinov: dialogia e alteridade. Bakhtiniana , São Paulo, v. 1, n.5, p.103-115, 2011. MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A.P.; MACHADO, A.B.; BEZERRA, M.A. Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. MARTINS, M. H. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. MEDVIÉDEV, P. N. O método formal nos estudos literários: introdução crítica a uma poética sociológica. Tradução: Sheila Camargo Grillo e Ekaterina Vólkova Américo. São Paulo: Contexto, 2012. MENDES, A. et. al. Linguí stica textual e ensino. Grupo A, 2020. ISBN:
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. 3. ed. Tradução: Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. São Paulo: Cultrix, 2012. SITYA, Celestina Vitória Moraes. A linguística textual e a análise do discurso: uma abordagem interdisciplinar. Rio Grande do Sul: Ed. da URI, 1995.