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Números Complexos: Origem e Conceito - Uma Abordagem Histórica, Resumos de Teoria dos Números Complexos

Resumo histórico dos números complexos

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 14/04/2020

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roseana-mata-monteiro-4 🇧🇷

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Números Complexos: Origem e Conceito
UFPA /ITEC/FEEB Rsana Sares
NÚMEROS COMPLEXOS: ORIGEM E CONCEITO
UM POUCO DA HISTÓRIA
Durante muitos séculos de estudo de equações algébricas, os matemáticos pensavam nelas como
meios de resolver problemas concretos. Um bom exemplo disto pode ser encontrado no livro “Ars
Magna” (A Grande Arte) de Giarolamo Cardano (1501-1576) publicado em 1545. Nessa obra, o autor
discute o problema de encontrar dois números x e y cuja soma seja 10, ou seja, x + y =10 e cujo
produto seja 40 ou xy = 40. Este problema gera uma equação quadrática x2 −10x + 40 = 0, cujas
raízes são e . Desse modo, ele observa que estes números não existem. Em
outro livro, diz que: Raiz quadrada de 9 é 3 ou 3, mas não é nem 3, nem 3 e sim alguma
terceira espécie de coisa misteriosa.”
O maior triunfo de Cardano foi dar uma fórmula para resolver uma equação cúbica, com a forma dada
por x3 + px + q = 0, usada ainda hoje como Fórmula de Cardano. A sua fórmula dava soluções para
muitas equações cúbicas, mas em certos casos havia uma aberração, pois apareciam as raízes
quadradas de números negativos.
O passo que faltava para o entendimento dessas coisas misteriosas foi fornecido por Rafael Bombelli
(1526-1572), discípulo de Cardano. No seu livro “Álgebra”, Bombelli ampliou as ideias de Cardano em
diversas direções. Ele argumentou que era possível operar com essa “nova espécie de radical” apesar
de não pensar neles como números. Simplesmente usava as operações aritméticas com eles. Esse foi
o primeiro sinal de que os números complexos poderiam ser ferramentas úteis.
Mas o preconceito e a resistência entre os ilustres da matemática continuaram. Meio culo mais
tarde, Albert Girard e Renée Descartes afirmaram que uma equação algébrica de grau n terá n raizes,
desde que se permitam raízes “verdadeiras” (reais positivas), raízes “falsas” (reais negativos) e raízes
“imaginárias” (complexas). Isso ajudou a tornar a teoria geral das equações algébricas mais simples e
arrumada.
O próximo passo foi de Abraham De Moivre no início do século XVIII. Está implícito no trabalho de De
Moivre a seguinte fórmula:
(cos(x)+isen(x))n= cos(nx) + isen(nx) , para n inteiro.
Alguns anos mais tarde, Leonhard Euler, usando cálculo descobriu que:
eix =cos(x)+isen(x) , para x medido em radianos.
Para x = π , esta expressão se torna eiπ = −1 , que relaciona alguns dos mais importantes números da
Matemática: os números irracionais e e “π”, o número imaginário i e o número 1 com o sinal
negativo.
Em meados do século XVIII sabia-se que os números complexos tinham uma ligação profunda com as
funções trigonométricas e exponenciais. Mas persistiam alguns problemas. Para Euler, a raiz
quadrada de -2 ainda era um problema.
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Números Complexos: Origem e Conceito

UM POUCO DA HISTÓRIA

Durante muitos séculos de estudo de equações algébricas, os matemáticos pensavam nelas como meios de resolver problemas concretos. Um bom exemplo disto pode ser encontrado no livro “Ars Magna” (A Grande Arte) de Giarolamo Cardano (1501-1576) publicado em 1545. Nessa obra, o autor discute o problema de encontrar dois números x e y cuja soma seja 10, ou seja, x + y =10 e cujo produto seja 40 ou xy = 40. Este problema gera uma equação quadrática x^2 −10x + 40 = 0, cujas

raízes são e. Desse modo, ele observa que estes números não existem. Em

outro livro, diz que: “Raiz quadrada de 9 é 3 ou – 3, mas não é nem 3, nem – 3 e sim alguma terceira espécie de coisa misteriosa.”

O maior triunfo de Cardano foi dar uma fórmula para resolver uma equação cúbica, com a forma dada por x^3 + px + q = 0, usada ainda hoje como Fórmula de Cardano. A sua fórmula dava soluções para muitas equações cúbicas, mas em certos casos havia uma “aberração”, pois apareciam as raízes quadradas de números negativos.

O passo que faltava para o entendimento dessas coisas misteriosas foi fornecido por Rafael Bombelli (1526-1572), discípulo de Cardano. No seu livro “Álgebra”, Bombelli ampliou as ideias de Cardano em diversas direções. Ele argumentou que era possível operar com essa “nova espécie de radical” apesar de não pensar neles como números. Simplesmente usava as operações aritméticas com eles. Esse foi o primeiro sinal de que os números complexos poderiam ser ferramentas úteis.

Mas o preconceito e a resistência entre os ilustres da matemática continuaram. Meio século mais tarde, Albert Girard e Renée Descartes afirmaram que uma equação algébrica de grau n terá n raizes, desde que se permitam raízes “verdadeiras” (reais positivas), raízes “falsas” (reais negativos) e raízes “imaginárias” (complexas). Isso ajudou a tornar a teoria geral das equações algébricas mais simples e arrumada.

O próximo passo foi de Abraham De Moivre no início do século XVIII. Está implícito no trabalho de De Moivre a seguinte fórmula:

(cos(x)+isen(x))n= cos( nx) + isen(nx) , para n inteiro.

Alguns anos mais tarde, Leonhard Euler, usando cálculo descobriu que:

eix^ =cos(x)+isen(x) , para x medido em radianos.

Para x = π , esta expressão se torna eiπ^ = −1 , que relaciona alguns dos mais importantes números da

Matemática: os números irracionais “e” e “π”, o número imaginário i e o número 1 com o sinal negativo.

Em meados do século XVIII sabia-se que os números complexos tinham uma ligação profunda com as funções trigonométricas e exponenciais. Mas persistiam alguns problemas. Para Euler, a raiz quadrada de -2 ainda era um problema.

Carl F. Gauss (1787-1855) foi um dos mais impressionantes homens nos séculos XVIII e XIX. Em sua tese de doutorado, na Universidade de Helmstadt, escrita aos vinte anos de idade, deu a primeira demonstração do Teorema Fundamental da Álgebra, o qual afirma que uma equação polinomial, com coeficientes complexos, e de grau n>0, tem pelo menos uma raiz complexa. Euler, D’Alembert e Lagrange haviam feitos tentativas frustradas desta prova. A ideia por trás da demonstração de Gauss é a substituição de z por x + iy, na equação polinomial geral f (z) = 0. Foi Gauss quem propôs o termo “números complexos”.

No século XIX, as coisas começaram a ser colocadas em ordem. O matemático francês J. R. Argand foi o primeiro a sugerir em 1806 que seria possível representar geometricamente os complexos em um plano.

Gauss propôs a mesma idéia em 1831 de modo que o plano no qual os complexos são representados é chamado de plano de Argand-Gauss.

“Texto extraído do Guia do Professor da Série Matemática na Escola – Um Sonho Complexo - Autor Otília W. Paques - Universidade Estadual de Campinas e Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica”

TABELA TARTAGLIA (CERCA DE 1500 - 1557)

CARDANO (1501-1576)

BOMBELLI (CERCA DE 1526 - 1573)

EULER (1707-1783)

GAUSS (1777-1855) DESCOBRIU UMA FÓRMULA GERAL PARA RESOLVER EQUAÇÕES DO TIPO X³ + P X = Q , COM P , Q SENDO NÚMEROS REAIS. MAS, ACABOU NÃO PUBLICANDO SUA OBRA

QUEBROU UM JURAMENTO FEITO A TARTAGLIA, APRESENTANDO A FÓRMULA DE TARTAGLIA NA SUA OBRA ARS MAGNA. SURGE O IMPASSE DA RAIZ QUADRADA DE UM NÚMERO NEGATIVO.

PROSSEGUIU COM A SOLUÇÃO ENCONTRADA POR CARDANO, CONSIDEROU A RAIZ QUADRADA DE - 1 COMO UM NÚMERO "IMAGINÁRIO" E DESENVOLVEU REGRAS PARA TRABALHAR COM ESSE TIPO DE NÚMERO.

USOU PELA PRIMEIRA VEZ O SÍMBOLO i PARA REPRESENTAR A RAIZ QUADRADA DE

  • 1

FEZ UM ESTUDO DA REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DOS NÚMEROS COMPLEXOS. EM 1832 , GAUSS INTRODUZ A EXPRESSÃO NÚMERO COMPLEXO.