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2. Marcos (Barclay), Notas de estudo de Teologia

Evangelho de Marcos

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 09/05/2013

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tiago-das-neves-rossendy-11 🇧🇷

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MARCOS
ÍNDICE
MARK
WILLIAM BARCLAY
Título original em inglês:
The Gospel of Mark
Tradução: Carlos Biagini
O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay
… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO
TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay
explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo
sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um
instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as
Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida
fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua
incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que
esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.
PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO,
O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO
E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO
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Baixe 2. Marcos (Barclay) e outras Notas de estudo em PDF para Teologia, somente na Docsity!

MARCOS

ÍNDICE

MARK

WILLIAM BARCLAY

Título original em inglês: The Gospel of Mark

Tradução: Carlos Biagini

O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay

… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.

PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO, O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO

ÍNDICE

Prefácio Introdução Geral Introdução a Marcos Capítulo 1 Capítulo 5 Capítulo 9 Capítulo 13 Capítulo 2 Capítulo 6 Capítulo 10 Capítulo 14 Capítulo 3 Capítulo 7 Capítulo 11 Capítulo 15 Capítulo 4 Capítulo 8 Capítulo 12 Capítulo 16

PREFÁCIO

Tenho muitas dívidas que devo reconhecer. É assim que o Evangelho de Marcos foi muito afortunado quanto a seus comentaristas, e o material que nos legaram é realmente inapreciável em seu valor. Por sua vez o International Critical Commentary deixou a desejar, pois o volume sobre Marcos na série por Ezra P. Gould, que fora um trabalho inadequado, acha-se hoje ultrapassado. Dos Comentários que demandam pouco ou nada de grego, o volume a respeito de Marcos na Bíblia de Clarendon é excelente. O escrito por A. E. J. Rawlinson, Westminster Commentary , é um dos melhores em idioma inglês. O Moffatt Commentary por B. Harvie Branscomb não é o útil bastante para o leitor comum, como o são outros volumes nesta incomparável série. Duas das mais recentes obras sobre Marcos, The Gospel According to Saint Mark , por R. H. Lightfoot e A Study in Mark de Austin Farrer, são duas obras mais para o estudioso que para o público em geral. No texto grego há dois dos mais grandiosos Comentários: o escrito pelo H. B. Swete no Macmillan Commentary , que fora publicado em 1898, embora resulte ainda indispensável, e esse monumento de erudição chamado Commentary on Mark , publicado em 1952 pelo Dr. Vincent Taylor, possuidor de uma tal envergadura que pode ser cotejado com os maiores Comentários de todos os tempos.

S.T.M., por seu constante estímulo e sua sempre presente simpatia e ajuda. Quando já se publicaram vários destes volumes, nos ocorreu a idéia de completar a série. O propósito é fazer que os resultados do estudo erudito das Escrituras possam estar ao alcance do leitor não especializado, em uma forma tal que não se requeiram estudos teológicos para compreendê-los; e também se deseja fazer que os ensinos dos livros do Novo Testamento sejam pertinentes à vida e ao trabalho do homem contemporâneo. O propósito de toda esta série poderia resumir-se nas palavras da famosa oração de Richard Chichester: procuram fazer que Jesus Cristo seja conhecido de maneira mais clara por todos os homens e mulheres, que Ele seja amado mais entranhadamente e que seja seguido mais de perto. Minha própria oração é que de alguma maneira meu trabalho possa contribuir para que tudo isto seja possível.

INTRODUÇÃO A MARCOS

Os evangelhos sinóticos

Os primeiros três evangelhos, Mateus, Marcos e Lucas, são conhecidos geralmente como os evangelhos sinóticos. A palavra sinótico provém de duas palavras gregas que significam ver conjuntamente ; e estes três Evangelhos se chamam sinóticos porque se podem colocar em colunas paralelas e ver desse modo "conjuntamente" seus materiais comuns. Poderia afirmar-se que entre os três, Marcos é o mais importante. Poderia continuar a argumentação, e afirmar que o Evangelho de São Marcos é o Livro mais importante do mundo, porque quase todos estão de acordo em que Marcos é o mais antigo dos Evangelhos, e portanto é a primeira vida de Jesus que chega até nós. Marcos pode não ter sido o primeiro homem que escreveu uma vida de Jesus. Sem lugar a dúvida, houve intentos mais singelos de pôr por

escrito a história da vida de Jesus; mas seu Evangelho é certamente a "biografia" de Jesus mais antiga que chegou até nós.

A árvore genealógica dos Evangelhos

Quando pensamos na forma como chegaram a ser escritos os Evangelhos, devemos retornar imaginariamente para uma época em que no mundo não havia livros impressos. Os Evangelhos foram escritos muito tempo antes que se inventasse a imprensa; quando cada livro devia ser escrito à mão cuidadosamente e com grande trabalho. É evidente que nessa época só existiam umas poucas cópias de cada livro. Como sabemos, ou como deduzimos que Marcos foi o primeiro de todos os Evangelhos? Quando lemos os Evangelhos, embora o façamos em uma tradução moderna, damo-nos conta de que há entre eles extraordinárias similitudes. Contêm os mesmos feitos, muito freqüentemente contados com as mesmas palavras; e transmitem os ensinos de Jesus em versões quase idênticas. Se compararmos a história da alimentação dos cinco mil nos três Evangelhos (Marcos 6:30-44; Mateus 14:12-21; Lucas 9:10-17), vemos que é narrada quase exatamente com as mesmas palavras e do mesmo modo. Um exemplo muito claro desta característica é a história do paralítico (Marcos 2:1-12; Mateus 9:1-8; Lucas 5:17-26). Estes claros relatos são tão similares que até um pequeno parêntese – "diz então ao paralítico" – aparece nos três Evangelhos exatamente no mesmo lugar. As correspondências entre os três Evangelhos são tantas e tão próximas que nos vemos obrigados ou informar uma das duas conclusões seguintes. Ou os três extraem seus materiais de uma fonte comum, ou dois dos três se apóiam no terceiro. Quando examinamos o assunto mais de perto, vemos que Marcos pode dividir-se em 105 passagens. Destas 105 passagens, 93 aparecem em Mateus e 81 em Lucas. Somente quatro não estão incluídos em Mateus ou em Lucas. Mais convincente ainda é o seguinte. Marcos tem 661 versículos; Mateus 1.068 versículos; Lucas 1.149 versículos. Dos

Paulo e Barnabé saíram em sua primeira viagem missionária, levaram a Marcos consigo para que lhes servisse de ajudante e secretário (Atos 12:25). Esta viagem foi muito desafortunado para Marcos. Quando chegaram a Perge, Paulo propôs abandonar a costa e dirigir-se para o interior, até chegar à meseta central da Ásia Menor; mas, por alguma razão, Marcos abandonou a expedição neste ponto e voltou para sua casa (Atos 13:13). É possível que tenha retornado porque tinha medo de enfrentar o que todo mundo sabia era um dos caminhos mais perigosos que havia naquela época, um caminho muito difícil e infectado de bandoleiros e assaltantes. Ou possivelmente tenha retornado porque cada vez se fazia mais evidente que o chefe da expedição era Paulo, e Marcos pôde haver- se sentido incômodo ao ver que seu tio passava a segundo plano. Ou talvez, porque não estava de acordo com o tipo de trabalho missionário que Paulo fazia. Crisóstomo – possivelmente em um relâmpago de visão imaginativa – disse que Marcos tinha retornado porque sentia saudades de sua mãe. Paulo e Barnabé concluíram sua primeira viagem missionária e começaram a fazer planos para uma segunda viagem. Barnabé desejava levar a Marcos nesta segunda expedição. Mas Paulo se negou a contar com um homem "que os tinha abandonado na Panfília" (Atos 15:37-40). Tão séria foi a diferença entre eles que Paulo e Barnabé se separaram e, pelo que sabemos, nunca voltaram a trabalhar juntos. Durante alguns anos, Marcos desaparece da história. A tradição nos diz que teria viajado ao Egito fundando ali a Igreja de Alexandria. Não sabemos se esta informação corresponde ou não à realidade, mas sabemos que quando volta a aparecer, o faz da maneira mais surpreendente. Quando Paulo escreveu a Carta aos Colossenses da prisão de Roma, Marcos estava no cárcere com ele (Colossenses 4:10). Em outra nas Cartas da prisão, Filemom, Paulo menciona a Marcos na lista de seus colaboradores (versículo 24). E quando Paulo estava esperando a morte, já muito perto do fim, escreveu a Timóteo, seu homem de maior confiança, dizendo: "Toma ao Marcos e traga-o contigo, porque me é útil

para o ministério" (2 Timóteo 4:11). Estas palavras são muito diferentes das que Paulo pronunciou com respeito ao Marcos quando o acusou de tê-los defraudado. Não sabemos o que pode ter acontecido nesse ínterim, mas evidentemente Marcos conseguiu conquistar o título de "o homem que soube redimir-se". O único colaborador que Paulo quis, quando se aproximava o fim de seu ministério, foi Marcos.

As fontes de Informação de Marcos

O valor da história que nos relata um escritor depende de suas fontes de informação. Perguntamo-nos, portanto, de onde tirou Marcos a informação que tinha com respeito à vida e a obra de Jesus? Vimos que a casa de Marcos foi desde o começo um dos centros da comunidade cristã em Jerusalém. Muitas vezes deve ter escutado os irmãos contarem suas lembranças pessoais de Jesus. Mas é muito provável que Marcos tenha tido a melhor fonte de informação possível. Para fins do século II viveu um homem chamado Papias, que se interessou em recolher e transmitir toda a informação que pudesse sobre os primeiros dias da Igreja. Papias nos diz que o Evangelho de Marcos não é outra coisa senão uma recopilação dos materiais biográficos de Jesus que Pedro utilizava em sua pregação. E Pedro foi o maior dos apóstolos. Marcos esteve tão perto de Pedro, e foi tão querido por ele, que Pedro pôde escrever, referindo-se a ele, "Marcos, meu filho..." (l Pedro 5:13). Eis aqui o que lemos em Papias: "Marcos, que era o intérprete de Pedro, pôs por escrito, embora não ordenadamente, tudo o que recordava daquilo que em sua vida Cristo havia dito ou feito. Porque ele mesmo não era um dos que tinham escutado ou seguido ao Senhor. Tinha seguido a Pedro, como eu disse, posteriormente, e Pedro adaptava sua instrução às necessidades práticas, sem procurar de maneira alguma ordenar sistematicamente as palavras do Senhor. De modo que Marcos não se equivocou ao pôr por escrito algumas das coisas que recordava com respeito a Jesus, porque seu próprio objetivo era não omitir nem falsear nada do que tinha ouvido."

As características do Evangelho de Marcos

Vejamos agora quais são as características do Evangelho de Marcos, de tal maneira que possamos ir descobrindo à medida que leiamos e estudemos o texto. (1) O Evangelho de Marcos é o mais próximo que jamais conseguiremos chegar de um relato original da vida de Jesus. Seu propósito foi dar uma imagem de Jesus tal qual Ele era. Westcott o qualificou que "uma transcrição tirada da vida real". A. B. Bruce disse que foi escrito "do ponto de vista da lembrança vívida e carinhosa", e que sua grande característica é o "realismo". Se alguma vez chegarmos a algo que se pareça com uma "biografia de Jesus", terá que basear-se em Marcos, pois Marcos sente prazer em contar os acontecimentos da vida de Jesus da maneira mais singela e dramática possível. (2) Marcos nunca esqueceu o aspecto divino de Jesus. Começa seu Evangelho com a declaração de fé: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. Não deixa lugar a dúvidas com respeito ao que acreditava que era Jesus. E em repetidas oportunidades fala do impacto que Jesus produzia nas mentes e os corações de quem o escutava. Marcos tem sempre presente como os homens ficavam atônitos e maravilhados diante do Senhor. “Maravilhavam-se da sua doutrina” (1:22), “Todos se admiraram” (1:27). Frases como estas aparecem uma e outra vez. E este assombro não somente era o das multidões que rodeavam ao Mestre, e sim, também e mais ainda o do círculo íntimo dos discípulos. “E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este...” (4:41), “e, entre si, ficaram muito assombrados e maravilhados” (6:51, RC), "os discípulos se assombraram de suas palavras" (10:24, 26). Para Marcos, Jesus não era simplesmente um homem entre os homens: era Deus entre os homens, atraindo os homens a maravilhar-se e sentir saudades ao ouvir suas palavras e presenciar suas ações.

(3) Ao mesmo tempo, não há Evangelho que nos apresente uma imagem tão humana de Jesus. De fato, a imagem deste em Marcos é tão humana que às vezes os outros evangelistas a modificam como se temessem dizer o que Marcos havia dito. Para Marcos Jesus é simplesmente "o carpinteiro" (6:3). Mateus, posteriormente, dirá "o filho do carpinteiro" (Mateus 13:55), como se a identificação de Jesus com um ofício artesanal fosse um atrevimento. Quando Marcos conta a história das tentações de Jesus, diz que o Espírito “o impeliu” ao deserto (1:12). Mateus e Lucas não gostam de dizer que o Espírito "impulsionou" Jesus, e em seus Evangelhos lemos que Jesus "foi levado" pelo Espírito ao deserto" (Mateus 4:1; Lucas 4:1). Nenhum nos fala tanto sobre as emoções de Jesus como Marcos. Jesus suspirou profundamente em seu espírito (7:34; 8:12), foi comovido pela compaixão (6:34), maravilhou-se da incredulidade (6:6), foi comovido até a cólera justiceira (3:5; 8:33; 10:14). Somente Marcos nos diz que quando Jesus olhou ao jovem rico “o amou” (10:21). Jesus podia sentir fome (11:12). Podia estar cansado e querer repousar (6:31). No Evangelho de Marcos é onde obtemos a imagem de um Jesus que vivia as mesmas paixões humanas que nós vivemos. A humanidade da imagem de Jesus que Marcos nos oferece, aproxima-o muito a nós. (4) Uma das características de Marcos é que em repetidas oportunidades inserida em sua narração pequenos detalhes vívidos que são o sinal da testemunha ocular. Tanto Mateus como Marcos contam como Jesus tomou a um menino e o pôs no meio do círculo dos apóstolos. Mateus (18:2) diz: "E chamando Jesus a um menino, o pôs em meio deles". Marcos adiciona algo que ilumina a imagem (9:36): “Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços , disse-lhes:..." No formoso relato de Jesus e os meninos, quando Jesus repreende a seus discípulos por impedir que os meninos venham a Ele, somente Marcos conclui dizendo: “Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava ” (Marcos 10:13-16; cf. Mateus 19:13-15; Lucas 18:15-17). Toda a ternura de Jesus fica manifesta nestes

perto de Jerusalém... envia a dois dos discípulos e lhes diz..." (11:1-2); "E logo, enquanto Ele ainda estava falando, vem Judas, que era um dos doce..." (14:43).*^ Sabemos que assim é como narram os fatos as pessoas mais singelas. Demonstra-nos até que ponto a história de Jesus era para Marcos uma história viva, que acontecia sob seus olhos enquanto nos ia contando. (d) Marcos mais de uma vez nos dá as palavras aramaicas que Jesus usou ao falar. À filha de Jairo, Jesus lhe diz: "Talita cumi" (5:41). Ao homem surdo-mudo Jesus lhe diz: "Efrata" (7:34). A oferta dedicada é "Corbã" .(7:11). No jardim Jesus diz "Aba, Pai" (14:36). Sobre a cruz grita: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?” (15:34). Às vezes era como se Pedro voltasse a escutar a voz de Jesus que falava, e não podia menos que repetir as mesmas palavras que Ele tinha utilizado, em um idioma estranho para seus ouvintes.

O Evangelho essencial

Não seria injusto falar de Marcos como "o Evangelho essencial". Devemos estudar com tenro cuidado o Evangelho mais antigo que possuímos, o Evangelho onde voltamos a ouvir a pregação do próprio apóstolo Pedro em pessoa.

Marcos 1

O começo da história - Mar. 1:1- O arauto do Rei - Mar. 1:5- O dia da decisão - Mar. 1:9- O tempo da prova - Mar. 1:12- A mensagem das boas novas - Mar. 1: 14- Jesus escolhe os seus amigos - Mar. 1:16-

  • (^) N. do T.: Na versão Almeida assim como em outras versões em línguas modernos, estas discrepâncias dos tempos verbais são uniformemente mudadas ao passado, que modifica este detalhe do estilo de Marcos.

Jesus começa sua campanha - Mar. 1:21- A primeIra vitória sobre os poderes do mal - Mar. 1:23- Um milagre em particular - Mar. 1:29- Começam as multidões - Mar. 1:32- A hora de paz e o desafio da ação - Mar. 1:35- O leproso é curado - Mar. 1:40-

O COMEÇO DA HISTÓRIA

Marcos 1:1- Marcos começa a história de Jesus desde muito atrás. A história de Jesus não começa com seu nascimento na Terra; nem sequer começa com a aparição no deserto de João Batista; começou com os sonhos dos profetas, muito, muitíssimo tempo atrás; isto equivale a dizer que começou faz muito, muito tempo, na mente de Deus. Os estóicos acreditavam firmemente no ordenado intuito divino das coisas. "As coisas de Deus", disse Marco Aurélio, "estão cheias de previsão. Todas as coisas fluem do céu". Há muito que podemos aprender aqui. (1) Tem-se dito que "os pensamentos da juventude são pensamentos longos, muito compridos" e que assim também são os pensamentos de Deus. Deus é um Deus que realiza seus propósitos. A história não é um caleidoscópio de acontecimentos desconectados, presididos pelo azar; é um processo dirigido por um Deus capaz de ver o fim no princípio. (2) Nós estamos inundados nesse processo, e por nossa posição podemos colaborar com Ele ou entorpecê-lo. Em um sentido é uma honra tão grande contribuir a um processo de magnitude transcendente como é um privilégio ver a meta final desse processo. A vida séria muito diferente se em lugar de suspirar por uma meta distante e inalcançável pelo. momento fizéssemos tudo o que está a nosso alcance para que essa meta esteja dia a dia um pouquinho mais perto de nós. Nunca se chegará a uma meta se faltar quem trabalhe para torná-lo possível. Como dissesse um poeta, não haveria árvores frondosas que nos cobrissem sob sua

leva a mesma soma em um dia, e não deixa nada. Sunday deixou uma atmosfera moral diferente." A denúncia que Barton se propôs escrever se converteu assim em um tributo ao poder transformador do evangelho. Quando Billy Graham pregou em Shreveport, Louisiana, as vendas de álcool diminuíram em quarenta por cento, e as vendas de Bíblias aumentaram em trezentos por cento. Durante uma missão em Seattle, entre os resultados imediatos que se obtiveram, diz-se de uma maneira muito singela: "Vários julgamentos de divórcio que estavam pendentes foram cancelados." Em Greensboro, Carolina do Norte, o relatório afirma: "Toda a estrutura social da cidade foi afetada." Uma das maiores histórias sobre o que pode fazer o cristianismo a encontramos no fato real do motim da tripulação do Bounty. Os amotinados foram desembarcados na ilha Pitcairn. Havia nove amotinados, seis nativos, dez mulheres nativas e uma moça de quinze anos de idade. Um dos homens conseguiu fabricar uma espécie muito primitiva de álcool. A situação que resultou deste fato foi terrível. Morreram todos, exceto Alexander Smith. Smith encontrou uma Bíblia. Leu-a e se propôs fundar um Estado, com os nativos da ilha, apoiado exclusivamente nos ensinos da Bíblia; todos fariam o que a Bíblia dizia que devia fazer-se. Passaram vinte anos antes que um navio americano infiltrasse na ilha. Encontraram uma comunidade completamente cristã. Não havia cárcere, porque não se cometiam crimes. Não havia hospital, porque ninguém adoecia. Não havia manicômio, porque ninguém ficava louco. Não havia analfabetos; em nenhum lugar do mundo a vida humana e a propriedade privada eram tão invioláveis e seguras como ali. O cristianismo tinha limpado aquela sociedade. Ao vir Cristo, o antídoto da fé cristã limpa o veneno moral que infecta a sociedade e a deixa pura e sã. João veio anunciando o batismo de arrependimento. O judeu conhecia muito bem os lavamentos rituais. Levítico 11-15 os descreve em detalhe. "O judeu", diz Tertuliano, "lava-se todos os dias, porque

todos os dias contrai impureza." As bacias de bronze e a purificação simbólicas estavam entretecidas na trama mais íntima do ritual judeu. Um gentil era necessariamente impuro, porque nunca tinha obedecido as leis judias. portanto, quando um gentio se convertia em partidário, quer dizer, quando se convertia ao judaísmo, devia cumprir com três coisas. Em primeiro lugar, devia circuncidar-se , porque esse era o sinal do povo da aliança; em segundo lugar devia oferecer um sacrifício por ele , porque, como pagão, necessitava expiação, e somente o sangue derramado podia expiar o pecado; em terceiro lugar, devia batizar-se , ação que simbolizava a purificação de toda a impureza de sua vida anterior. Era natural, portanto, que o batismo não fosse uma simples aspersão com água, e sim ser um verdadeiro banho, no que se lavava todo o corpo. O judeu conhecia o batismo; mas o mais surpreendente do batismo de João era que ele, um judeu, pedia aos judeus que se submetessem a esse ritual que somente era obrigatório para os gentios. João fazia a tremendo descoberta de que ser judeu no sentido racial não significava necessariamente pertencer ao povo escolhido de Deus; o judeu podia estar exatamente na mesma posição que o gentio; não era a vida judia, a não ser a vida purificada a que pertencia a Deus. O batismo ia acompanhado pela confissão. Em todo ato de volta a Deus devia haver confissão ante três pessoas diferentes. (1) Alguém deve confessar-se a si mesmo. Forma parte da natureza humana que fechemos os olhos ao que não queremos ver, e sobretudo, por essa mesma razão, fechamos os olhos a nossos pecados. Alguém conta o primeiro passo de um homem para a graça. Uma manhã, ao barbear-se, olhando-se ao espelho, repentinamente exclamou: "Rato imundo!" E desde esse dia começou a ser um homem diferente. Sem dúvida quando o filho pródigo abandonou seu lar se imaginou que era um personagem aventureiro e ousado. antes de dar o primeiro passo de volta ao lar, teve que olhar-se a si mesmo atentamente e dizer-se: “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti” (Lucas 15:17-18). Não há ninguém no mundo que

(1) João era um homem que vivia sua mensagem. Não somente suas palavras, e sim ser toda sua vida era um protesto. Três coisas nele marcavam a realidade de seu protesto contra o mundo de sua época. (a) O lugar onde vivia. Vivia no deserto. Entre o centro da Judéia e o Mar Morto se estende um dos desertos mais terríveis do mundo. É um deserto de pedra calcária; ali parece que a casca terrestre tivesse sido retorcida e deformada. A reverberação do calor o envolve como em uma névoa luminosa; a pedra calcária se esquenta e ao pisá-la ressona como se fora oca e por debaixo de nossos pés se estendesse um imenso forno. Chega até muito perto do Mar Morto, onde começa a descender até seu nível em uma sucessão de pavorosos e inescapáveis precipícios. No Antigo Testamento várias vezes é chamado Jesimom , que significa a devastação. João não vivia na cidade. Era um homem do deserto, de suas solidões e desolações. Evidentemente era um homem que se deu uma oportunidade para escutar a voz de Deus. (b) Os roupas que levava. Vestia uma túnica tecida com cabelo de camelo e um cinturão de couro lhe rodeava a cintura. Elias tinha usado a mesma roupa (2 Reis 1:8). Olhá-lo era recordar, não aos oradores de moda da época, a não ser aos antigos profetas que viviam na maior simplicidade e evitavam os luxos efeminados e brandos que matam a alma. (c) A comida com que se alimentava. Sua dieta consistia em lagostas e mel silvestre. Ambas as palavras se emprestam a duas interpretações diversas. As lagostas podem ser os insetos deste -nome, porque a Lei permitia que os comesse (Levítico 11:22-23); mas também podem ser um tipo de feijão ou grão-de-bico ou noz, o carob , que era o alimento dos mais pobres entre os pobres. O mel pode ser um mel silvestre que as abelhas selvagens faziam no interior de árvores cavadas; ou pode ser uma seiva doce que emanava da casca de certas árvores. Não importa muito qual seja o significado exato dessas palavras. Significam, de todos os modos, que a dieta do João era uma das mais simples. Este era João. Assim se mostrava às pessoas. A gente tinha que escutar a um

homem assim. Diz-se de Carlyle que "pregava o evangelho do silêncio em vinte volumes". Há muitos que pregam uma mensagem que eles mesmos negam. mais de um dono de uma avultada conta bancária, pregou contra a acumulação de tesouros na Terra; e mais de um elogiou as bênçãos da pobreza vivendo em uma casa cheia de comodidades. Mas no caso de João, o homem mesmo era a mensagem, e por isso a multidão o escutava. (2) Sua mensagem era efetivo porque lhe dizia às pessoas o que eles, no íntimo do coração, já sabiam; trazia-lhes algo que eles, no mais profundo de suas almas, estavam esperando. (a) Os judeus tinham um dito segundo o qual "se todos os judeus observassem perfeitamente a Lei durante um só dia, viria o Reino de Deus". Quando João chamava os homens ao arrependimento, estava confrontando-os com uma escolha e uma decisão que no intimo de seus corações sabiam que deviam fazer. Muito tempo antes, Platão havia dito que a educação não consistia em dizer às pessoas coisas novas, e sim em extrair de suas memórias as coisas que já sabiam. Nenhuma mensagem é tão efetiva como a que consegue falar diretamente com a consciência do ouvinte, e esta mensagem se volta irresistível quando provém de um homem que a olhos vista tem todo o direito de falar. (b) O povo de Israel sábia que durante trezentos anos a voz da profecia tinha estado calada. Estavam esperando uma palavra autêntica que viesse de Deus. E em João a escutaram. Em todas as esferas da vida é fácil reconhecer o perito. Um famoso violinista nos contou que quando Toscanini subia ao pódio de onde se dirige a orquestra, todos sentiam imediatamente que os envolvia a autoridade desse homem. Imediatamente reconhecemos ao médico que sabe curar. Percebemos quando um orador conhece seu tema. João tinha vindo de Deus, e escutá- lo falar era dar-se conta disso. (3) Sua mensagem era efetiva porque João era totalmente humilde. Seu próprio veredicto sobre sua pessoa era que nem sequer era digno de cumprir o dever de um escravo. As sandálias daquela época eram