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3. Lucas (Barclay), Notas de estudo de Cultura

Evangelho de Lucas

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 09/05/2013

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LUCAS
ÍNDICE
LUKE
WILLIAM BARCLAY
Título original em inglês:
The Gospel of Luke
Tradução: Carlos Biagini
O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay
… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO
TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay
explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo
sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um
instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as
Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida
fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua
incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que
esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.
PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO
O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO
E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO
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Baixe 3. Lucas (Barclay) e outras Notas de estudo em PDF para Cultura, somente na Docsity!

LUCAS

ÍNDICE

LUKE

WILLIAM BARCLAY

Título original em inglês: The Gospel of Luke

Tradução: Carlos Biagini

O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay

… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.

PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO

ÍNDICE

Prefácio Introdução Geral Introdução a Lucas Capítulo 1 Capítulo 7 Capítulo 13 Capítulo 19 Capítulo 2 Capítulo 8 Capítulo 14 Capítulo 20 Capítulo 3 Capítulo 9 Capítulo 15 Capítulo 21 Capítulo 4 Capítulo 10 Capítulo 16 Capítulo 22 Capítulo 5 Capítulo 11 Capítulo 17 Capítulo 23 Capítulo 6 Capítulo 12 Capítulo 18 Capítulo 24

PREFÁCIO

Qualquer pessoa que escrever um livro como este fica em grande dívida com outros. Têm-me acompanhado constantemente os comentários sobre Lucas de Alfred Plummer, no International Critical Commentary , e de J. M. Creed, o de Macmillan. Estes são comentários feitos em cima do texto grego. Tenho usado em todo momento os comentários sobre textos ingleses de H. Balmforth, na Bíblia de Clarendon , e de W. Manson, no Moffatt Commentary. Desejo e oro para que algo do encanto daquele que para muitos é o mais belo de todos os evangelhos resplandeça através deste livro.

William Barclay Trinity College, Glasgow, Novembro, 1955.

INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE LUCAS

Um livro encantador e seu autor

O evangelho de Lucas foi chamado o livro mais encantador do mundo. Uma vez um americano pediu a Denney que lhe recomendasse um bom livro sobre a vida de Cristo, ao que este respondeu: "Você já leu o que escreveu Lucas?" Existe uma lenda segundo a qual Lucas era um hábil pintor; até há um quadro da Maria em uma catedral espanhola que se diz ser dele. Certamente captava muito bem as coisas vivas. Não seria muito desacertado dizer que o terceiro evangelho é a melhor vida de Cristo que se escreveu. A tradição tem sempre crido que Lucas é o autor e não temos nenhum escrúpulo em aceitar a tradição neste caso. No mundo antigo era comum atribuir os livros a nomes famosos; ninguém via mal nisso. Mas Lucas nunca foi uma figura famosa na igreja primitiva. Se não tivesse escrito o evangelho é mais que seguro que ninguém o tivesse atribuído como autor. Lucas era um gentio; e tem a distinção de ser o único autor do Novo Testamento que não é judeu. Era médico de profissão (Colossenses 4:14) e possivelmente esse mesmo feito lhe conferisse a grande simpatia que possuía. Tem-se dito que um pastor vê o melhor dos homens; um advogado vê o pior, e um médico os vê tal como são. Lucas via os homens e os amava. O livro foi escrito para um homem chamado Teófilo. É chamado excelentíssimo Teófilo , tratamento que geralmente se dava aos altos funcionários do governo romano. Sem dúvida Lucas o escreveu para contar mais a respeito de Jesus a uma pessoa muito interessada; e teve êxito em dar a Teófilo um quadro que deve ter aproximado seu coração ainda mais ao Jesus do qual tinha ouvido.

Os símbolos dos evangelhos

Cada um dos quatro Evangelhos foi escrito de certo ponto de vista. Muitas vezes os escritores estão representados em vitrais; a cada um deles lhes atribui um símbolo. Estes variam, mas os mais comuns são os seguintes. O emblema de Marcos é um homem. Seu Evangelho é o mais simples e o mais direto. Bem se disse que sua característica é o realismo. É o mais aproximado de um relatório sobre a vida de Jesus. O emblema de Mateus é um leão. Era um judeu que escrevia para judeus e veria em Jesus o Messias, ao Leão da tribo do Judá, o anunciado por todos os profetas. O emblema do João é a águia. Esta pode voar mais alto que qualquer outra ave. Diz-se que de todas as criaturas só a águia pode olhar de frente para o sol. Seu evangelho é teológico; seu pensamento se remonta mais alto que o de qualquer dos outros. É o evangelho no qual o filósofo pode encontrar temas para pensar durante toda sua vida e resolvê-los só na eternidade. Mas o símbolo do Lucas é o bezerro. Este é um animal para o sacrifício; e Lucas viu em Jesus o sacrifício por todo o mundo. Por sobre tudo, rompe todas as barreiras e Jesus é para os judeus e os gentios, santos e pecadores. É o Salvador do mundo. Tendo isto em conta estudemos as características do evangelho de Lucas.

O cuidado de um historiador

Em primeiro lugar, e sobretudo, o evangelho de Lucas é um escrito extremamente cuidadoso. Seu grego é muito bom. Os primeiros quatro versículos se pode dizer que são o melhor escrito em grego do Novo Testamento. Neles proclama que seu trabalho é o produto de uma investigação esmerada. Suas oportunidades foram amplas e suas fontes devem ter sido boas. Como fiel companheiro de Paulo deve ter conhecido a todas as grandes figura da igreja, e podemos estar seguros de que lhes fez contar sua história. Por dois anos foi o companheiro da prisão de Paulo na

razão o Evangelho de Lucas é o mais fácil de ler. Ele escreveu não para os judeus, e sim para gente muito parecida conosco.

O Evangelho da oração

Este Evangelho é em especial o Evangelho da oração. Lucas mostra a Jesus em oração em todos os grandes momentos de sua vida. Jesus orou em seu batismo (3:2); antes de seu primeiro confronto com os fariseus (5:16); antes de escolher os doze (6:12); antes de perguntar a seus discípulos quem criam eles quem era ele e antes de seu primeiro anúncio de sua morte (9:18); na Transfiguração (9:29); e na cruz (23:40). Só Lucas nos diz que Jesus orou pelo Pedro em sua hora de prova (22:32). Só ele nos relata as parábolas do amigo que aparece a meia- noite (11:5:13) e do Juiz injusto (18:1-8). Para Lucas a porta aberta da oração era uma das mais preciosas do mundo.

O Evangelho das mulheres

O lugar das mulheres na Palestina era baixo. Na oração matinal judaica o homem agradece a Deus por não tê-lo feito "gentio, escravo ou mulher". Mas Lucas em seu Evangelho dá um lugar muito especial à mulher. O relato do nascimento é dado do ponto de vista de Maria. Em Lucas nós lemos a respeito de Isabel, de Ana, da viúva do Naim, da mulher que lavou os pés do Jesus na casa do Simão o fariseu. É Lucas o que nos faz vívida a imagem de Marta e Maria e de Maria Madalena. Certamente Lucas era originário da Macedônia. Ali as mulheres tinham uma posição mais emancipada que em qualquer outro lugar, e isto possivelmente tivesse alguma influência em sua atitude.

O evangelho do louvor

Neste evangelho a frase louvando a Deus aparece com mais freqüência que em todo o resto do Novo Testamento. Este louvor alcança seu ponto culminante nos três grandes hinos que a igreja cantou através de todas as gerações O Magnificat (1:46-55), o Benedictus (1:68-79); e o Nunc Dimittis (2:29-32). Há algo no evangelho de Lucas que é muito encantador, como se o brilho do céu tivesse tocado as coisas da Terra.

O evangelho universal

Mas a característica mais proeminente de Lucas é que seu evangelho é universal. Caem todas as barreiras; Jesus é para todos os homens sem distinção. (a) O reino dos céus está aberto para os samaritanos (9:51-56). Só Lucas nos relata a parábola do Bom Samaritano (10:30-37); o único leproso agradecido era samaritano (17:11-19). João transcreve um dito que diz que os judeus e os samaritanos não se tratam entre si (João 4:9). Mas Lucas se nega a fechar a porta a ninguém. (b) Lucas mostra Jesus falando com aprovação de gentios a quem os judeus ortodoxos consideravam impuros. Mostra Jesus citando à viúva da Sarepta e ao Naamã o sírio como exemplos brilhantes (4:25- 27). Elogia-se o centurião romano pela grandeza de sua fé (7:9). Lucas transcreve as belas palavras de Jesus: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus” (13:29). (c) Lucas está especialmente interessado nos pobres. Quando Maria trouxe sua oferta para sua purificação era a oferta de um pobre (2:24). Quando Jesus, por assim dizer, mostra seus créditos aos mensageiros do João, o ponto culminante é: “e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho” (7:22). Só ele nos relata a parábola do rico e o pobre (16:19-31). No relato de Lucas das Bem-aventuranças, Jesus diz, não como em Mateus:

que a dimensão da mente do homem; e o coração do Eterno é maravilhosamente bondoso. E o Evangelho do Lucas nos demonstra que isto é certo.

Lucas 1

A introdução de um historiador - Luc. 1:1- A promessa de um filho - Luc. 1:5- A mensagem de Deus a Maria - Luc. 1:26- O paradoxo da bênção - Luc. 1:39- Um hino maravilhoso - Luc. 1:46- Seu nome é João - Luc. 1:57- A alegria de um pai - Luc. 1:67-

A INTRODUÇÃO DE UM HISTORIADOR

Lucas 1:1- A introdução de Lucas é única nos três primeiros Evangelhos porque nela aparece o autor em cena e é utilizado o pronome "eu". Há três coisas que devemos notar nesta passagem. (1) É o melhor que foi escrito em grego no Novo Testamento. Lucas utiliza aqui o mesmo tipo de introdução que usam os grandes historiadores gregos. Heródoto, o famoso historiador grego começa: "Estes são os estudos de Heródoto de Halicarnaso." Um historiador muito posterior, Dionísio de Halicarnaso, diz-nos ao começo de sua história: "Antes de começar a escrever reuni informação, em parte dos lábios dos homens mais estudiosos com quem estive em contato, e em parte das histórias escritas por romanos, que eles elogiavam." De maneira que Lucas, ao começar seu Evangelho, seguiu no melhor grego os modelos de mais qualidade que encontrou. É como se Lucas se houvesse dito a si mesmo: "Estou escrevendo a maior história do mundo, e devo usar o melhor para fazê-lo." Alguns dos manuscritos antigos são reproduções muito belas, escritas em tinta prateada sobre pergaminho

púrpura e muitas vezes o escriba escrevia o nome de Deus e de Jesus em cor dourada. O Dr. Boreham nos conta de um operário ancião que todas as sextas-feiras de noite, separava as moedas mais novas e brilhantes de seu salário para a oferta dominical. O historiador, o escriba e o operário tinham a mesma idéia, só o melhor é suficientemente bom para Jesus. Sempre dariam o mais possível a seu Senhor. (2) É muito significativo que Lucas não se conformasse com as outras histórias de Cristo. Teve que escrever a própria. A verdadeira religião não é nunca uma coisa de segunda mão, uma história repetida. É um descobrimento pessoal. O Dr. Gossip estava acostumado a dizer que os quatro evangelhos eram importantes, mas além de todos eles está o evangelho da experiência pessoal. Lucas havia redescoberto a Jesus por si mesmo. (3) Nenhuma outra passagem da Bíblia lança tanta luz sobre a doutrina da inspiração das Escrituras. Ninguém pode negar que o evangelho de Lucas é um documento inspirado; e entretanto, Lucas começa afirmando que é o produto da mais cuidadosa investigação histórica. A inspiração de Deus não chega ao homem que espera sentado, de braços cruzados, com a mente ociosa, e sim à mente que pensa, busca e investiga. A verdadeira inspiração chega quando a mente que busca se encontra com o Espírito revelador de Deus. A palavra de Deus é dada, mas ao homem que a busca. "Procurem e acharão."

A PROMESSA DE UM FILHO

Lucas 1:5- Zacarias, o personagem principal desta cena, era um sacerdote. Pertencia à seção do Abias. Todo descendente direto do Arão era automaticamente sacerdote. Isto significava que para os propósitos correntes, havia muitos sacerdotes. Portanto estavam divididos em vinte e quatro seções. Só na Páscoa, no Pentecostes, e na Festa dos Tabernáculos serviam todos. Durante o resto do ano cada grupo servia

tanto. Quando saiu não pôde falar e o povo soube que tinha tido uma visão. De maneira que em uma alegria sem palavras, terminou sua tarefa semanal e voltou para casa; logo a mensagem de Deus se fez realidade e Isabel soube que ia ter um filho. Há um detalhe que ressalta aqui. Foi na casa de Deus onde a mensagem divina chegou a Zacarias. Muitas vezes desejamos que a mensagem de Deus chegue a nós. Na obra do Shaw, Santa Joana , esta ouve as palavras de Deus. O Golfinho está zangado. "Ó, tuas vozes, tuas vozes, por que não vêm a mim? Eu sou o rei e não tu." Juana lhe responde: "Vêm, mas tu não as escutas. Não te sentaste nos campos ao entardecer para ouvi-las. Quando soa o Ângelus , fazes o sinal da cruz e pronto, mas se orasses em teu coração e ouvisses o som dos sinos no ar após deixarem de tanger, escutaria as vozes tal como eu." Joana deu-se a si mesma a oportunidade de escutar a Deus. Zacarias estava no templo esperando a Deus. A voz de Deus chega àqueles que, como Zacarias, escutam-na em Sua casa.

A MENSAGEM DE DEUS A MARIA

Lucas 1:26- Maria se tinha comprometido com o José. O compromisso durava um ano, e era tão sério como o matrimônio. Só podia ser dissolvido pelo divórcio. Se o homem que estava comprometido com uma mulher morria, perante a lei ela era viúva. Utilizava-se a estranha frase: "uma virgem viúva". O compromisso criava um vínculo que só a morte podia romper. Nesta passagem nos encontramos diante de uma das doutrinas mais polêmicas da fé cristã: o nascimento virginal. A Igreja não insiste em que creiamos nesta doutrina. Consideremos as razões a favor e contra sua aceitação, e tomemos nossa própria decisão. Existem dois grandes razões para aceitá-lo literalmente. (1) Se lermos esta passagem, e mais ainda, se lermos Mateus 1:18- 25, o significado literal é que Jesus nasceria da Maria sem pai humano.

(2) É muito natural sustentar que se Jesus era, tal como acreditam, uma pessoa muito especial, entraria no mundo de uma maneira também muito especial.

Agora consideremos algumas das coisas que podem nos fazer duvidar de que o nascimento virginal deva ser tomado tão literalmente. (1) As genealogias de Jesus que aparecem tanto em Lucas ( 3:23-38 ), como no Mateus (1:1-17), traçam sua ascendência desde José, o que é estranho se ele não era seu pai verdadeiro. (2) Quando Maria encontrou a Jesus depois de que este se atrasou no templo, diz: “Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura” (2:48). Aqui Maria chama pai a José, sem dúvida alguma. (3) Repetidamente, o povo se refere a Jesus como o filho de José (Mateus 13:35; João 6:42). (4) No resto do Novo Testamento ninguém se refere ao nascimento virginal. Certamente, em Gálatas 4:4 Paulo fala de Jesus como "nascido de mulher". Mas isto é algo que se pode dizer de qualquer mortal (comp. Jó 14:1; 15:14; 25:4).

Mas nos perguntemos, se não crermos na história do nascimento virginal literalmente, de onde surgiu? Os judeus diziam que no nascimento de todo menino tomavam parte três pessoas: o pai, a mãe e o Espírito de Deus. Acreditavam que ninguém podia nascer sem a intervenção do Espírito. E bem pode ser que as histórias do Novo Testamento sobre o nascimento de Jesus sejam formas encantadoras e poéticas de dizer que, embora tivesse um pai humano, o Espírito Santo de Deus atuou em seu nascimento de uma maneira única e especial. Sobre este assunto devemos, tomar nossa própria decisão. Pode ser que desejemos nos aferrar à doutrina literal do nascimento virginal, pode ser que prefiramos pensar nele como uma bela forma de dar ênfase à presença do Espírito de Deus na vida da família. A submissão de Maria é algo muito formoso. "Aceitarei algo que Deus me mande." Maria tinha

disse: "Jesus Cristo não veio para tornar a vida mais fácil, e sim para tornar os homens maiores." É a paradoxo da bênção que confere a uma pessoa em um mesmo momento a alegria maior e a maior tarefa do mundo.

UM HINO MARAVILHOSO

Lucas 1:46- Aqui nos encontramos com uma passagem que se converteu em um dos grandes hinos da Igreja – o Magnificat. É uma passagem saturada do Antigo Testamento. É muito semelhante ao canto da Ana em 1 Samuel 2:1-10. Tem-se dito que a religião é uma droga, o ópio dos povos; mas, como disse Stanley Jones, "O Magnificat é o documento mais revolucionário do mundo." Fala-nos de três revoluções de Deus. (1) Dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos. Esta é uma revolução moral. O cristianismo é a morte do orgulho. Por que? Porque se as pessoas puserem sua vida a serviço de Cristo se despoja dos últimos vestígios de orgulho que há nele. Algumas vezes algo acontece ao homem que o deixa envergonhado diante de uma luz vívida, ofuscante e reveladora. O. Henry nos relata uma pequena história a respeito disto: Havia um jovem que foi criado em uma vila. Na escola costumava sentar-se ao lado de uma menina e eram muito amigos. Foi à cidade e tomou maus caminhos. Converteu-se em um batedor de carteira, em um ladrão desprezível. Um dia acabava de roubar o moedeiro a uma anciã. Foi um bom trabalho, e se sentia satisfeito. Nesse momento viu a menina que conhecia caminhando pela rua, ainda tão doce e irradiando inocência. E de repente se viu si mesmo tão vil como era. Ardendo de vergonha, apoiou a cabeça contra o ferro frio de um poste de luz. "Deus – disse –, queria morrer". Viu-se si mesmo. Cristo capacita o homem para ver-se a si mesmo. É o golpe de morte para o orgulho. A revolução moral começou.

(2) Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Esta é uma revolução social. O cristianismo dá por finalizados os títulos e prestígios mundanos. Mureto foi um estudioso da Idade Média. Era pobre. Em uma cidade italiana adoeceu e foi levado a um hospital para carentes vagabundos. Os médicos estavam discutindo seu caso em latim, sem imaginar que pudesse entender, e sugeriram que já que se tratava de um vagabundo sem valor algum poderiam usá-lo para seus experimentos médicos. Ele os olhou e lhes respondeu em sua mesma linguagem educada: "Não digam que não vale nada nenhum homem pelo qual Cristo morreu." Quando tomamos consciência do que Cristo fez por todos os homens, não podemos falar mais do homem comum. As escalas e filas sociais desaparecem. (3) Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos. Esta é uma revolução econômica, Uma sociedade não cristã é uma sociedade que busca adquirir, na qual cada um luta por obter tudo o que possa. Uma sociedade cristã é aquela na qual ninguém se anima a ter muito enquanto outros têm muito pouco, na qual todo homem obtém para dar. Há encanto no Magnificat , mas esse encanto é dinamite. O cristianismo gera uma revolução em cada homem, e uma revolução no mundo.

SEU NOMBRE É JOÃO

Lucas 1:57- Na Palestina o nascimento de um menino era uma ocasião de muita alegria, em especial se se tratasse de um varão. Quando o momento do nascimento estava perto, os amigos e os músicos do lugar se reuniam ao redor da casa. Quando se anunciava o nascimento, se fosse o caso de um varão, os músicos tocavam e cantavam, e havia saudações e felicitações. Se se tratasse de uma menina, os músicos se retiravam silenciosos e cabisbaixos. Havia um dito: "O nascimento de um varão causa alegria universal, o nascimento de uma menina causa tristeza universal." Assim

A ALEGRIA DE UM PAI

Lucas 1:67- Zacarias teve uma grande visão a respeito de seu filho. Viu-o como o profeta e o precursor que prepararia o caminho do Senhor. Todos os judeus devotos esperavam e desejavam o dia em que chegaria o Messias, o Rei Ungido de. Deus. A maioria acreditava que antes que ele viria um precursor que anunciaria sua vinda e lhe prepará- la o caminho. A crença comum era que para fazê-lo retornaria Elias (Malaquias 4:5). Zacarias viu em seu filho aquele que prepararia o caminho do Rei divino. Os versículos 75-77 nos dão um excelente quadro dos degraus do caminho cristão. (1) Deve haver uma preparação. Toda a vida é uma preparação para nos levar a Cristo. Quando Sir Walter Scott era jovem seu desejo era chegar a ser soldado. Um acidente o deixou um pouco coxo e teve que abandonar seu sonho. Começou a ler as antigas histórias e romances escoceses e se converteu em um grande novelista. Um ancião disse dele: "Todo o tempo se fazia a si mesmo, mas não compreendeu o que era o que lhe acontecia até ter passado muitos anos." Na vida Deus faz que tudo contribua para nos levar a Cristo. (2) Deve haver conhecimento. A simples realidade é que os homens não conheciam a Deus até quando Jesus chegou. Os gregos pensavam em um Deus insensível, além da alegria e a tristeza, que contemplava impertérrito aos homens desde seu soberbo isolamento o qual não era de ajuda para ninguém. Os judeus pensavam em um Deus exigente, cujo nome era "Lei" e cuja função era a de juiz – no qual não havia outra coisa que terror. Jesus vinha para falar de um Deus que era amor, e em sua surpresa os homens só podiam dizer: "Nunca soubemos que Deus era assim." Uma das grandes funções da encarnação é a de levar o conhecimento de Deus aos homens.

(3) Há perdão. Devemos ser claros a respeito de algo que tem que ver com o perdão. O perdão não é tanto o remissão de uma pena como a restauração de uma relação. Nada nos pode salvar de certas conseqüências de nosso pecado; o relógio não pode ser atrasado; mas a alienação de Deus se converte em amizade. O Deus distante se aproxima e o Deus que temíamos se converte no que ama as almas dos homens. (4) Há um novo andar pela vida no atalho da paz. Paz em hebreu não significa simplesmente estar livres de perigos; significa tudo aquilo que dá bem-estar ao homem; e através de Cristo o homem pode caminhar nos atalhos que levam a tudo o que significa vida, e já não ao que significa morte.

Lucas 2

A viagem a Belém - Luc. 2:1- Os pastores e os anjos - Luc. 2:8- Observância das antigas cerimônias - Luc. 2:21- Um sonho realizado - Luc. 2:25- Uma encantadora velhice - Luc. 2:36- Descoberta cedo na vida - Luc. 2:41-

A VIAGEM A BELÉM

Lucas 2:1- No Império Romano se realizavam censos periódicos com duplo objetivo: para impor as contribuições e para descobrir aqueles que podiam cumprir o serviço militar obrigatório. Os judeus estavam isentos do serviço militar, e, portanto, o censo na Palestina tinha um propósito predominantemente impositivo. Com respeito a estes censos, temos informação bem definida do que acontecia no Egito; e é quase seguro que o que passava ali, também acontecia em Síria, e Judéia era parte desta província.