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3 apost teolog, Notas de estudo de Teologia

3 apost teolog

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 13/03/2015

edson-nobre-6
edson-nobre-6 🇧🇷

4.8

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Apostila 03
Curso Bacharel em Teologia
Teologia sobre a Imagem de Deus.
Vida Nova Comunidade Pentecostal
WWW.vncp.com.br
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Apostila 03

Curso Bacharel em Teologia

Teologia sobre a Imagem de Deus.

Vida Nova Comunidade Pentecostal WWW.vncp.com.br

Bem vindo ao Curso de Bacharel em Teologia da Vida Nova Comunidade Pentecostal.

É com muita alegria que aceitamos dar início a esse novo projeto.

A internet é hoje uma forte ferramenta de comunicação e entretenimento, mas infelizmente ela é utilizada para motivos errados levando muitos usuários a caírem literalmente na "rede" do adversário.

Mas a internet pode ser também um instrumento de bênçãos, uma opção a mais de propagar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, visto que é uma ferramenta que não obedece limites e fronteiras de espaço e distância.

Temos como objetivo principal divulgar o evangelho do Senhor Jesus Cristo, preparar obreiros para a seara do Senhor e também utilizar desse meio para evangelizar os usuários da rede. Esperamos que esse espaço seja uma bênção para a sua vida, sua opinião é muito importante para nos. Desde já agradecemos sua visita e contamos com a sua colaboração para a divulgação deste curso, ajudando a divulgar o Evangelho. Lembramos a todos que os cursos são completamente gratuitos, se puder nos ajudar a manter o site no ar, nos ajude com sua oferta Vida Nova Comunidade Pentecostal Banco – Itaú – Agencia: 3072 / Cc: 21576-

O perigo da falta de treinamento Um policial só pode parar de treinar quando se aposenta, disse um capitão

tentando explicar o desastre da polícia no Rio de Janeiro que matou a tiros uma criança de três anos. O capitão reconhecia que a tragédia aconteceu basicamente pela falta de preparo dos policiais que, em alguns casos, vão para a rua, armados com fuzil, sem ter dado um único tiro de treinamento. Quantas tragédias ministeriais acontecem pelo mesmo motivo, pastores bem intencionados cometendo bobagens ou com dons subutilizados por falta de treinamento? Quando inicia o ministério, o pastor acha que não está preparado para os desafios ministeriais, mas cinco anos depois, o pastor tem certeza de que não estava preparado. Até que a Denominação ofereça oportunidades adequadas de capacitação continuada, cada pastor precisa tomar iniciativas. Separe pelo menos uma semana a cada semestre para treinamento, leia bons livros e participe de pequenos grupos de pastores para mentoria mútua de treinamento especial e o pastor não é exceção.

Apostila nº 03

Veja as razões porque entendemos que estes dois termos querem significar a

mesma coisa:

Em Gen. 1:26, aparecem as duas palavras "imagem e semelhança"; em 1:27 o autor usou apenas o termo "imagem"; em 5:1 ele resolve substituir o termo por outro - "semelhança", e, em 5:3, o autor novamente volta a usar as duas palavras , contudo em ordem diferente daquela usada em 1:26 - "semelhança e imagem" e em 9:6 ele volta a usar apenas um dos termos, optando agora pelo termo "imagem". Isto, deixa suficientemente claro para nós que "imagem e semelhança" são termos sinônimos, e que querem dizer a mesma coisa. Caso não fosse assim, o autor não faria estas mudanças alternando os termos.

O Que Significa ser Criado á Imagem e Semelhança?

Mas o que entendemos por Imagem e Semelhança? Por estes dois termos queremos dizer que o homem foi criado para refletir, espelhar e representar Deus. Nossos primeiros pais foram criados para refletir as qualidades que haviam em Deus, e isto em perfeita obediência, sem pecado. Agostinho diz que o homem foi criado "capaz de não pecar" (2). O homem podia agir perfeitamente e obedientemente na adoração , no serviço a Deus, no domínio e cuidado da criação e no amor e companheirismo uns com os outros.

Berkhof diz que na concepção reformada, a Imagem de Deus consiste na integridade original da natureza do homem, integridade esta expressa:

No Conhecimento Verdadeiro - Cl 3:

"E vos revestistes do novo homem, que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou"

Na Justiça - Ef. 4:

"E vos revestais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade"

Na Santidade - Ef 4:

"E vos revestiais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade"(3) Van Groningen assevera que:

Ao criar a humanidade á sua própria imagem, Deus estabeleceu uma relação na qual a humanidade poderia refletir, de modo finito, certos aspectos do infinito Rei- Criador. A humanidade deveria refletir as qualidades éticas de Deus, tais como "retidão e verdadeira santidade"... e seu "conhecimento" (Cl 3:10). A humanidade deveria dar expressão ás funções divinas em ralação ao cosmos e atividades tais como encher a terra, cultivá-la e governar sobre o mundo criado. A humanidade em uma forma física, também refletiria as próprias capacidades do Criador: apreender, conhecer, exercer amor, produzir, controlar e interagir (4)

Percebemos nas palavras do Dr. Van Groningen que ele apresenta a imagem de Deus como tendo uma tríplice relação:

Relação com Deus, Relação com o próximo Relação com a criação. Iremos verificar em nosso estudo que em seu estado glorificado, os santos refletirão esta imagem e semelhança restaurando no estado final, esta tríplice relação em sua perfeição.

Antes do homem cair em pecado, ele refletia perfeitamente a imagem de Deus. Tudo estava em perfeita harmonia. Mas em que consistia este refletir a imagem de Deus?(5)

1 - O homem reflete a imagem de Deus como um ser que é relacional. Ele não é um ser que vive isolado, assim como Deus não vive só. Deus é Tripessoal, e se relaciona entre as pessoas da Trindade (Gn 1:26 - "Façamos o homem ... ")

O homem é uma pessoa, e como tal ele se relaciona. Foi por isto que Deus lhe fez uma companheira.

2 - O homem reflete a imagem de Deus pela sua capacidade de dominar sobre as outras coisas criadas

O homem foi colocado como "senhor" da terra, para governá-la e cuidar dela. (Gn 1:26-28). O domínio do homem sobre as coisas criadas é parte essencial de sua natureza. Nesse sentido, o homem imita o Seu Criador, pois Deus é o Senhor soberano e absoluto exercendo domínio sobre toda a terra.

A Deus pertence o domínio e o poder; ele faz reinar a paz nas alturas celestes. Jó 25:

O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O SENHOR é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras. Sl 145:

Dn. 4:3,25,

Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração. V. 3

Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. v. 25

Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-

Para Calvino, a imagem de Deus não foi totalmente aniquilada com a Queda, mas

foi terrivelmente deformada Ele descreveu esta imagem depois da queda como "uma imagem deformada, doentia e desfigurada" (6).

O homem antes criado para refletir Deus, agora após a queda, precisa ter esta

condição restaurada. Restauração esta que se estenderá por todo o processo da redenção. Esta renovação da imagem original de Deus no homem significa que o homem é capacitado a voltar-se para Deus, a voltar-se para o próximo e também voltar-se para a criação para governá-la.

3 - Cristo e a Imagem Renovada

Num sentido, como já dissemos, o homem ainda é portador da imagem de Deus, mas também num sentido, ele precisa ser renovado nesta imagem.

Esta restauração da imagem só é possível através de Cristo, porque Cristo é a imagem perfeita de Deus, e o pecador precisa agora tornar-se mais semelhante a Cristo. Lemos em Cl. 1:15 "Ele é a imagem do Deus invisível" e em Romanos 8: que Deus nos predestinou para sermos "Conforme a imagem de Seu Filho ..." (I Jo 3:2; II Co 3:18)

4 - A Imagem Aperfeiçoada

A completação da perfeição dos cristãos será a participação da final glorificação de Cristo Jesus. Não somos apenas herdeiros de Deus, mas também co-herdeiros com Cristo, "Se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados" (Rm 8:17). Não podemos pensar em Cristo separado de seu povo, nem de seu povo separado dele. Assim será na vida futura: a glorificação dos cristãos ocorrerá junto com a glorificação do Senhor Jesus. É exatamente isto que Paulo nos ensina em Cl 3:4:

"Quando Cristo que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória"

A glorificação é voltar à perfeição com a qual fomos criados por Deus, é voltar a imagem de Deus. Este é o propósito último de nossa redenção. Esta perfeição da imagem será o auge, a consumação do plano redentivo de Deus para o seu povo. E isto só é possível em Cristo.

Em Cristo, o eleito não apenas volta ao que era Adão antes de pecar, mas vai um pouco mais à frente:

Note as palavras de Anthony Hoekema:

Devemos ver o homem à luz de seu destino final (...) Adão ainda podia perder a impecabilidade e bem aventurança, mas aos santos glorificados isso não poderá mais ocorrer. Adão era "Capaz de não pecar e morrer"(posse non peccare et mori), os santos na glória, porém "não serão capazes de pecar e morrer" (non posse

peccare et mori). Esta perfeição, que não se poderá perder, é aquilo para o qual o

homem foi destinado e nada menos do que isto (7)

Sabemos que os santos glorificados, em seu estado final não vão pecar nem morrer. Várias passagens das Escrituras nos garantem isto. (Is. 25:8 I Cor.

15:42,54; Ef. 5:27; Ap. 21:4)

Paulo em sua carta aos Efésios nos ensina que o propósito de Deus para sua igreja, é apresentá-la "a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito" (cf. Ef. 5:27)

Nesta dispensação, até a Segunda Vinda de Cristo, carregamos conosco, conforme lemos em I Cor. 15:49, a "imagem do que é terreno", mas na glorificação, teremos plena e perfeitamente a "imagem do celestial", ou seja, a imagem de Cristo. No porvir, nossa vida será gloriosa, porque teremos a imagem de Cristo, seremos como Ele é, e Cristo sendo a imagem de Deus, teremos a imagem de Deus de volta em nós de forma completa e perfeita.

Calvino comentando este texto de I Cor. 15:49 diz:

Pois agora começamos a exibir a imagem de Cristo, e somos transformados nela diária e paulatinamente; porém esta imagem depende da regeneração espiritual. Mas depois seremos restaurados à plenitude, que em nosso corpo, quer em nossa alma, o que agora teve início será levado à completação, e alcançaremos, em realidade, o que agora esperamos(8)

Note ainda as palavras de João: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-lo como ele é" I Jo. 3:

O que João nos diz, é que, na ocasião da Segunda Vinda de Cristo, seremos assemelhados a Ele, perfeita e completamente. E como Cristo é a imagem de Deus invisível, os santos glorificados terão a imagem de Cristo. Isto significa dizer que a nossa imagem na glorificação, será restaurada à imagem de Deus. Esta semelhança a Deus e a Cristo é o propósito final da nossa redenção, ou seja, a glorificação.

Por enquanto, a imagem de Cristo em nós está em processo contínuo conforme nos diz Paulo em II Cor. 3:18 que estamos "sendo transformados de glória em glória" , mas após a nossa ressurreição, poderemos refletir a perfeição desta imagem, que Deus começou em nós, e assim, só então, poderemos ser tudo aquilo para o qual fomos destinados pelo Pai.

Neste processo de restauração da imagem de Deus em nós, através de Cristo, chamamos de santificação que é a "conformidade progressiva à imagem de Cristo aqui e agora (...); a glória é a conformidade perfeita a imagem de Cristo lá e então, Santificação é a glória começada; glória é a santificação completada" (9)

NOTAS

(1) Tertuliano (160-225); Orígenes e Clemente de Alexandria (Ver Hoekema: Criados á Imagem de Deus (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1999), 46-

(2) Santo Agostinho, citado por Hoekema, op cit, p. 98 (3) L. Berkhof, Teologia Sistemática (São Paulo: Luz para o Caminho, 1990), 206

(4) Gerard Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho testamento (Luz para o caminho: Campinas) 1995 (5) Extraído adaptado de Apostila do Dr. Héber C. de Campos. (6) As Institutas, I, XV, 3 (7) Anthony Hoekema - Criados Á Imagem de Deus (São Paulo, Ed. Cultura Cristã , 1999), 108 (8) João Calvino, Comentário de I Coríntios , (Edições Paracletos, São Paulo, 1996), 488 (9) F. F. Bruce, citado por Geoffrey B. Wilson, Romanos - Um Resumo de Pensamento Reformado, (SP - PES) 130 (10) G.C.Berkouwer, Man, The image of God, p. 107

EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO DA MATÉRIA

  1. O que significa dizer que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?

  2. "Imagem" e "Semelhança" são termos que querem dizer a mesma coisa ou coisas diferentes?

  3. Segundo Berkhof, em que consiste a integridade original da natureza do homem?

  4. Como o homem reflete a Imagem de Deus?

  5. Com a queda, o homem perdeu a imagem de Deus? Justifique:

  6. Como a imagem de Deus é renovada no homem?

Parte II A ARCA DA ALIANÇA: HISTÓRIA E SIGNIFICADO I. História:

A arca da aliança (também chamada "arca do Senhor", "arca de Deus", "arca da aliança do Senhor", "arca do testemunho" e "arca sagrada") era uma caixa retangular de madeira de acácia, medindo cerca de 1,20m de comprimento e 0,75m de largura x 0,75m de altura (Ex 25.10). Seu revestimento interno e sua cobertura externa eram de ouro puro batido. Na parte superior, ao redor, havia uma bordadura de ouro (Ex 25.11). Contudo, a tampa que cobria a arca, denominada de propiciatório (em hebraico kappõret, "cobertura"), era de ouro maciço (Ex 25.17). Sobre o propiciatório, também de ouro maciço, haviam dois querubins, um em cada extremidade da arca com as asas estendidas à frente um do outro, cobrindo o propiciatório (Ex 25.18-20). Do meio deles Deus se comunicava com o Seu povo (Ex 25.22). A arca era a única peça de mobília no

Santo dos Santos do tabernáculo (e, posteriormente, do templo) e abrigava cópias

das tábuas da lei (Ex 25.16; 2 Rs 11.12), um vaso com maná (Ex 16.33,34) e a vara de Arão (Nm 17.10). Mas quando, numa época posterior, foi colocada no

lugar santíssimo do templo de Salomão, "Nada havia na arca senão só as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez

aliança com os filhos de Israel, ao saírem da terra do Egito" (I Rs 8.9).

Antes da construção do templo, a arca da aliança era carregada por sacerdotes levitas (cf. 2 Cr 35.3) que usavam duas varas de acácia revestidas de ouro, fixas em argolas que ficavam na parte inferior da arca (Ex 25.12-15). Quem tocasse na arca da aliança era passível de morte (cf. 2 Sm 6.6,7).

Segundo o historiador Josefo, a arca da aliança provavelmente se perdeu durante a destruição de Jerusalém pelos caldeus, em 587 a. C., pois na construção pós- exílica do segundo templo (c. de 537 a. C.) a arca já não fazia parte dos utensílios do santuário, o que deveras surpreendeu Pompeu quando em 63 a. C. insistiu, pela força, entrar no lugar santíssimo. F. F. Bruce lembra: "No lugar santíssimo pós-exílico a posição da arca estava marcada por uma plataforma chamada 'a pedra de fundação' (heb. 'eben shattiyyãh)".

Jeremias profetizou o fim da arca da aliança (como objeto e símbolo) assim: "Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o Senhor, nunca mais se exclamará: A arca da aliança do Senhor! ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra" (Jr 3.16). Comentando esta passagem de Jeremias, R. K. Harrison diz: "A presença de Deus em Sião fará desnecessária a arca e outros objetos de culto com sua majestade, porque estes são somente símbolos da realidade de Deus. Na Jerusalém celestial de Ap 22.5 o sol também estará fora de moda. Até esta

época ainda precisamos de alguns lembretes materiais da atuação de Deus, para auxiliar a fé".

II. Significado:

A arca da aliança possuía dos significados distintos. O primeiro era simbolizar a

presença protetora e orientadora de Deus no meio do Seu povo. No recôndito do santuário o Senhor revelava Sua vontade aos Seus servos (Moisés: Ex 25.22;

30.36; Arão: Lv 16.2; Josué: Js 7.6, etc.). Justamente por ser símbolo de Deus com Seu povo, a arca da aliança desempenhou um papel importantíssimo, como por exemplo, na travessia do rio Jordão (Js 3.4), na queda de Jericó (Js 6) e na cerimônia da memorização do pacto, no monte Ebal (Js 8.30-35).

O segundo significado, que na verdade é a expressão maior do primeiro, tem a ver com Jesus Cristo. O Dr. D. D. Turner observa: "A arca tipificava o Senhor Jesus Cristo que intercede por nós detrás do véu". E ainda: "Verifica-se melhor a tipologia da arca em Números 10.33: 'A arca da aliança do Senhor ia adiante deles caminho de três dias, para lhes deparar lugar de descanso'. Jesus Cristo, o antitipo da arca, vai adiante dos Seus remidos explorando o caminho através do deserto deste mundo pecaminoso, e levando o Seu povo até à Canaã celestial". E

2 Co 3.5).

A corrida cristã é a corrida de Deus para nós. Nela não estaremos sós e nunca

seremos deixados à própria sorte, pois , de outro modo, estaríamos todos condenados à destruição. Quem está apto para correr por suas próprias forças a

corrida da fé? Ninguém! A corrida que Deus nos propõe é a corrida da graça que nos capacita para a vitória.

Além disso, estando determinada por Deus, ninguém, sendo cristão autêntico, ficará fora dessa corrida. Deus a determinou para todos nós. Semelhantemente, uma vez que corremos a corrida da graça de Deus, nada é tão forte que possa nos desviar do objetivo de completá-la.

Uma obra clássica que nos ajuda a entender o triunfo de todo aquele que corre a corrida da fé é o Peregrino de João Bunyan (1628-1688). O Cristão, personagem principal da alegoria, alcançou, após lutar muito e passar por obstáculos sofríveis, seu objetivo maior que era chegar na Cidade Eterna. Assim será para todos nós, pois o nosso Deus não nos deixará correr sozinhos, mas nos incentivará sempre e nos capacitará para uma chegada triunfal.

  1. A segunda razão porque devemos correr a corrida cristã, é porque ela é incentivada pelos heróis da fé. O autor aos Hebreus nos relata que "temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas".

Além do próprio Deus como maior interessado em que sejamos vencedores nesta corrida (porque nós seremos salvos e Deus glorificado), temos a rodear-nos "tão grande nuvem de testemunhas". Esta grande nuvem de testemunhas significa aqueles grandes exemplos de fé que o escritor sagrado acabara de citar no capítulo 11. Pensemos, então, num herói como Abel que pela fé "ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela (da fé), também mesmo depois de morto, ainda fala" (Hb 11.4). E por aí segue exemplos como os de Noé, Abraão, Raabe, etc. Entretanto, em que sentido os homens e mulheres de Deus do Antigo Testamento são testemunhas para nós que corremos hoje? F. F. Bruce responde: "Provavelmente não no sentido de espectadores, observando seus sucessores enquanto correm a corrida na qual entraram; mas no sentido que por sua lealdade e perseverança deram testemunho das possibilidades da vida da fé" (Bruce, La epístola a los hebreus, Nueva Creación, Buenos Aires, 1987, p. 349).

Convém ressaltar que o escritor sagrado não está dizendo que os espíritos dos heróis da fé estariam conosco para nos ajudar na corrida cristã. Hebreus 9.27 dá a entender que este não era o ponto. A verdade é que os heróis da fé estão na presença de Deus torcendo, por assim dizer, por todos nós.

  1. O terceiro motivo porque devemos correr a corrida que nos está proposta é porque é ela uma corrida inspirada na vitória de Cristo.

"Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não fatigueis, desmaiando em vossas almas" (Hb 12.3). Pouco antes o autor de Hebreus diz que Cristo "suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia" (Hb 12.2).

Quantas e quantas vezes não somos tentados a desistir dessa corrida? Às vezes parece que a nossa linha de chegada nunca será alcançada. Se olhamos para trás corremos o risco de tropeçar e cair, se corremos de cabeça baixa arriscamos não ver quão perto possa estar a nossa chegada. A corrida cristã é dura, mas a chegada é certa! Portanto, ergamos os nossos olhos para o horizonte e contemplemos Jesus Cristo. Quanta dor, quantas aflições Ele passou , porém, que vitória espetacular! Pois Ele suportou tudo sem nunca deixar de correr. É isso que o autor aos Hebreus pede que façamos: "Não desanimem, olhem para Jesus".

É difícil viver nesse mundo de pecado, sendo constantemente cirandado pelo diabo, pelo mundo e pela nossa própria carne. Contudo, Cristo venceu para nos ajudar a vencer. Ele é nosso maior exemplo e incentivador. Então, minha amiga e meu amigo, levante a cabeça porque você é de Deus e vai vencer, por maiores que sejam os obstáculos desta sua corrida. Não desanime, o Senhor está com você e o (a) sustentará.

II. Como devemos correr a corrida cristã?

Esta pergunta pode ser respondida de duas maneiras, a saber, negativa e positivamente falando.

  1. Negativamente falando:

a. Desembaraçando-nos de todo peso É importante não perdermos de vista a figura dos atletas dos jogos olímpicos. Para nosso objetivo, trata-se daqueles atletas que praticam uma das modalidades mais antigas das olimpíadas, a prova de velocidade. Portanto, são velocistas correndo a prova dos 100 ou 200 metros, com barreira.

Segundo os estudiosos dos tempos bíblicos, quando os atletas estavam treinando para as olimpíadas, eles costumavam vestir roupas pesadas e amarrar pequenos pesos nos tornozelos. Porém, no dia da corrida propriamente dita, as roupas pesadas e as tornozeleiras eram tiradas. Isto dava a sensação de leveza que, dentre outras coisas, garantia a vitória.

O autor aos Hebreus também fala de peso. "Desembaraçando-nos de todo peso", diz ele. Que peso é esse que o escritor nos pede para desembaraçar? Quais as implicações do mesmo para a corrida cristã? Antes de tudo, notemos que peso aqui não é o pecado, pois sobre ele (o pecado) o escritor sagrado fala depois. Portanto, peso significa aqui tudo aquilo que na vida cristã impede o nosso bom relacionamento com Deus e, conseqüentemente, com o próximo. Não é o pecado propriamente dito, mas pode facilmente levar a ele se não vigiarmos e orarmos.

vencedor e maior incentivador da corrida cristã. Jesus é, por assim dizer, o

torcedor principal no estádio, pois somente Ele é o nosso Autor e Consumador da nossa fé. E o que isso quer dizer? Quer dizer que como Autor Jesus "preparou o

caminho da fé com triunfo diante de nós, abrindo assim um caminho para os que O seguem". Como Consumador da fé Ele é "o completador e aperfeiçoador; no

sentido de levar uma obra até o fim, não por decurso de prazo".

Enquanto estivermos correndo olhando para Jesus estaremos garantindo nossa vitória nas olimpíadas da fé.

Que Deus faça de você um grande campeão e vencedor em Cristo Jesus. Amém!

Parte IV ABRAÃO & A ALIANÇA A tradição bíblica apresenta os pais da humanidade e os patriarcas como monoteístas. Adão, Sete, Noé, Abraão e seus descendentes conheciam o Deus Eterno e guardavam seus preceitos. O politeísmo surge como degeneração e distanciamento desse Deus criador do universo.

Qualquer análise do surgimento da religião de Israel deve partir do homem Abraão e de seu contexto histórico e social. Podemos localizar as origens do surgimento de Israel na primeira metade do segundo milênio a.C. (2.000-1550). Foi nesse período que Abraão migrou de Ur com destino à Palestina. O mundo de Abraão é um mundo objetivo, não mitológico, e a aliança com o Deus Eterno, conforme se encontra em Gênesis 15, é a chave para entendermos todo o Pentateuco, os cinco livros da Lei.

A consolidação dessa aliança acontecerá com Moisés, descrita em Êxodo 24 e

reiterada em Deuteronômio 5, numa das montanhas do deserto do istmo, entre o Egito e Madiã-Seir. Essa é a idéia-força de toda a religião de Israel: um acordo que

implica em salvação.

UM ACORDO SOLENE

Berit, aliança, tem o sentido de obrigação, mas também de segurança. É um

acordo entre duas pessoas, celebrado solenemente, com o derramamento de sangue. A parte mais forte fornece a segurança, ou a salvação, e a mais fraca se obrigava a determinados compromissos. Dessa maneira, a aliança impôs um relacionamento especial entre o Deus Eterno e o povo. E os mandamentos e leis, dados mais tarde, no deserto a Moisés, transportam de uma conotação legal e externa para uma perspectiva de acordo maior, de adoração e obediência. O centro da aliança está no primeiro mandamento do decálogo (as dez palavras, em hebraico) que proíbe a adoração de outros deuses, da milícia do céu e dos ídolos.

UMA ALIANÇA ÉTICA

Mas a aliança é também um pacto moral. Só que o fundamental desse pacto, que perpassa toda a Torah ou Pentateuco não é sua mera formalização, já que outros povos também possuíam noções desenvolvidas de lei e moralidade. O assassinato, o roubo, o adultério e o falso testemunho eram condenados não

apenas pela lei moral universal, mas também duramente punidos pelos códigos de

Ur-Nammu, de Lipit-Ishtar e de Hamurabi [León Epsztein, A Justiça Social no Antigo Oriente Médio e o Povo da Bíblia, SP, Paulinas, 1990, "As Leis

Mesopotâmicas", pp. 11 a 26], para citar os mais representativos.

Agora, no entanto, pela primeira vez a moralidade é apresentada pelo próprio Deus Eterno como fruto de um relacionamento entre Ele e o povo, com normas para o estabelecimento de um reino de novo tipo. É uma aliança com toda a nação. A consolidação que acontece centenas de anos mais tarde, no monte Sinai é fruto da aliança abraâmica e vai além das sabedorias babilônica e egípcia.

A moralidade apresentada no Gênesis, por exemplo, que é individual, ganha aqui uma roupagem nova, passa a ser coletiva e nacional. "Yahweh não elegeu Israel para fundar um novo culto mágico em benefício dele; elegeu-o para ser seu povo, para realizar nele o seu arbítrio. Portanto, por sua natureza, também a aliança religiosa foi uma aliança moral/legal, envolvendo não apenas o culto, mas também a estrutura e os regulamentos da sociedade. Assim, colocou-se o alicerce da religião da tora, incluindo tanto o culto como a moralidade e concebendo a ambos como expressões da vontade divina". [Yehezkel Kaufmann, A Religião de Israel, SP, Perspectiva, 1989, p.232]. Na verdade, a aliança que o Deus Eterno faz com Abraão em Gênesis 15, historicamente, tem seu cumprimento em outras condições e em outra época, no Sinai.

Dessa maneira, a aliança feita com Abraão não somente prepara o roteiro do Pentateuco, mas faz parte intrínseca dele. É bereshit, não somente como saga da origem, mas como alicerce de todos os cinco livros da Lei. Bereshit é uma expressão hebraica que normalmente traduzimos por "no princípio". É formada pela preposição B mais var, que significa cabeça, início, principal, o mais elevado. Na Bíblia hebraica o nome do livro de Gênesis é Bereshit, porque o primeiro versículo das Escrituras começa assim: "No princípio ..."

UM CONCEITO UNIFICADOR

A teologia de Gênesis tem por base o conceito da aliança, como descrição de um processo vivo, que tem origem em determinado momento histórico, numa relação entre o Deus Eterno e um homem historicamente definido. "A centralidade da aliança para a religião do AT já possuía defensores muito antes de Eichrodt [August Kayser, Die Theologie des AT in ihrer Geschichtlichen Entwicklung Dargestellt (Strassburg, 1886), p. 74]: "a concepção dominante dos profetas, a âncora e o alicerce da religião do AT em geral, é a noção de teocracia ou, utilizando a expressão do próprio AT, a noção de aliança" [G. F. Oehler, Theologie des AT (Tubingen, 1873), i, p. 69]: "O fundamento da religião do AT é a aliança por meio da qual Deus recebeu a tribo escolhida, a fim de realizar seu plano de salvação" [Gerhard Hasel, op. cit., p. 57].

Ao entendermos o conceito de aliança como centro unificador do livro de Gênesis e, por extensão, do Pentateuco, a leitura do texto bíblico passa a ter uma dinâmica real, que cresce conforme a aliança se transforma em osso e carne, primeiramente na vida dos patriarcas e, posteriormente, na formação da própria nação de Israel.

divindades que o pai de Abraão cultuava.

Num bairro residencial de Ur foram descobertas casas, lojas, escolas e capelas,

com milhares de placas, documentos de negócios, contratos, recibos, hinos, liturgias, etc. As casas eram de alvenaria, com dois pavimentos, no alinhamento

das ruas, e com pátio interno.

UMA ÉPOCA CONTURBADA Depois de sair de Ur, Abraão viveu com sua família em Harã, uma cidade também muito desenvolvida. Seus parentes, Terá, Naor, Pelegue e Serugue, tiveram seus nomes registrados nos documentos diplomáticos de Mari, na região e também em documentação dos assírios, como nomes de cidades naquelas regiões [Samuel Schultz, A História de Israel no Antigo Testamento, SP, EVN, 1992, p. 31].

QUADRO CRONOLÓGICO (2050-1500 a.C.)

EGITO PALESTINA MESOPOTÂMIA

2050 Império médio Época do bronze (M) Renascimento sumério, dinastia de Ur. Amorreus 2000 Egito reunificado Amorreus 1950 XII dinastia Egito controla a costa 1900 Sírio-palestina Assíria Mari Isin Larsa 1850 Abraão 1800 Babilônia 1750 Invasão dos hicsos Hamurabi 1700 Hebreus Hititas 1650 XV dinastia 1600

1550 Novo Império 1500 XVIII dinastia e Época do bronze (R)

Expulsão dos hicsos

PEQUENA CRONOLOGIA DE ABRAÃO(Gn 11:26-32; 12:4; At 7:2-4)

Nascimento Quando seu pai tinha 130 anos. Canaã Entrou na Palestina aos 75 anos.

Ló Libertou seu sobrinho quando tinha 80 anos. Ismael Tinha 86 anos quando seu primeiro filho nasceu. Sodoma e Gomorra As cidades foram destruídas quando tinha 99 anos. Isaque Nasceu quando tinha 100 anos. Sara Tinha 137 anos quando sua mulher morreu. Esaú e Jacó Quando seus netos nasceram tinha 160 anos. Morte Aos 175 anos de idade.

ROTEIRO DE ESTUDO

VISÃO PANORÂMICA

1o bloco

  1. Introdução Geral: a herança de Abraão para os cristãos de hoje.
  2. Chamado: Gn 12.1-9; At 7.2-4; Hb 11.8. No Egito: Gn 12.10-20; Rt 1.1; Mt 12.14,15.
  3. A separação de Ló: Gn 13.1-18; Ef 3.18 e 4:1.

2o bloco

  1. A derrota de Sodoma e a captura de Ló: Gn 14.1-12.
  2. Abraão resgata Ló: Gn 14.13-16.
  3. Abraão, Melquisedeque e o rei de Sodoma: Gn 14.17-24; Hb 7.2; Sl 110.4.

3o bloco

  1. Fé e aliança: Gn15.1-21; Rm 4; Gl 3. a. A fé que movia Abraão. b. A promessa vira aliança.

4o bloco

  1. Hagar e Ismael: Gn 16.1-16; Gl 4.22 e 29; Pv 24.3; Ex 3.2, 4; Jz 6.12-14.
  2. Sara, um novo nome: Gn 17.15-22; Rm 9.24.
  3. Abraão intercede por Sodoma: Gn 18.16-33; Is 41.8; 1Tm 3.4-5; Ex 32.32; Is

53.12. Conclusão: A herança de Abraão para os cristãos de hoje.

Parte IV AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO A Queda dos nossos primeiros pais Introdução:

A queda de nossos primeiros pais, trouxe conseqüências desastrosas não apenas para eles, mas também para toda a humanidade. Entender o que aconteceu com Adão e Eva após o primeiro pecado é chave para compreendermos a situação em que o homem se encontra hoje. Isto porque, Adão não agiu como uma pessoa particular, mas como representante de toda a humanidade.

I - CONSEQÜÊNCIAS PARA ADÃO E EVA:

Veja o que nos diz a Confissão de Fé de Westminster :

"Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma" Capítulo VI, seção 2

"Por este pecado", diz a Confissão de Fé de Westminster:

  1. Decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus (imagem