Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


as Terras Ociosas Parte2, Notas de estudo de Geologia

Apostilas de Geografia sobre as terras ociosas: invasão ou ocupação, caso brasileiro, reforma agrária.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 15/10/2013

Wanderlei
Wanderlei 🇧🇷

4.5

(185)

200 documentos

1 / 4

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
No Império, as principais medidas de regulamentação de acesso e posse
legal da terra são tomadas na Lei de Terras, de 18 de Setembro de 1850. Ela
estabelece que as terras devolutas podem ser legalmente adquiridas por
compra em leilões públicos e que as terras ou posseiros somente devem ser
legalizadas na parte efetivamente ocupada e explorada para o sustento da família
proprietária. O objetivo é ordenar a propriedade agrária e criar um mercado de
terras, pois, com o fim do tráfico de escravos, elas se tornariam o capital que iria
substituir o investimento feito em mão-de-obra.
Terras na República Essa lei não impede o crescimento da
concentração agrária. A ocupação de novas terras continua a acontecer de forma
irregular, e, às vezes, violenta pelos grandes proprietários para quem a terra
agora, além de símbolo de prestígio e poder, é uma reserva de valor. os
pequenos proprietários, em geral posseiros, encontram dificuldade para legalizar a
posse e não tem meios de disputar o mercado de terras nas áreas de
expansão agrícola, porque a terra é valorizada, e nas áreas pioneiras, porque a
terra é dominada pelos “coronéis” latifundiários ou seus prepostos.
Com a República, essa situação não muda. Na República Velha, os estados
passam a administrar as terras públicas, facilitando sua apropriação pelas
oligarquias e coronéis. Em 1920, 4,5% dos proprietários possuem a metade das
propriedades rurais do país. Esse processo gera a redução das áreas de produção
de subsistência, fazendo a nação importar alimentos e a expansão descontrolada
das áreas agroesxportadoras, levando às crises de superprodução, como a do
café entre os anos 20 e 30. Após a Revolução de 1930 é criado o Ministérios da
Agricultura, mas durante toda a era Vargas os problemas agrários ficam em
segundo plano, inclusive no Estado Novo, quando é instituída a legislação
trabalhista para os trabalhadores urbanos.
A reforma agrária A partir das décadas de 40 e 50, o tema reforma
agrária ganha destaque, a crescente modernização da agricultura e da
industrialização do país intensificam o êxodo rural, as migrações regionais e a
concentração fundiária. Por outro lado a organização dos trabalhadores rurais em
sindicatos e federações faz crescer os movimentos reivindicatórios no campo,
pf3
pf4

Pré-visualização parcial do texto

Baixe as Terras Ociosas Parte2 e outras Notas de estudo em PDF para Geologia, somente na Docsity!

No Império, as principais medidas de regulamentação de acesso e posse legal da terra são tomadas na Lei de Terras, de 18 de Setembro de 1850. Ela estabelece que as terras devolutas só podem ser legalmente adquiridas por compra em leilões públicos e que as terras ou posseiros somente devem ser legalizadas na parte efetivamente ocupada e explorada para o sustento da família proprietária. O objetivo é ordenar a propriedade agrária e criar um mercado de terras, pois, com o fim do tráfico de escravos, elas se tornariam o capital que iria substituir o investimento feito em mão-de-obra. Terras na República – Essa lei não impede o crescimento da concentração agrária. A ocupação de novas terras continua a acontecer de forma irregular, e, às vezes, violenta pelos grandes proprietários para quem a terra agora, além de símbolo de prestígio e poder, é uma reserva de valor. Já os pequenos proprietários, em geral posseiros, encontram dificuldade para legalizar a posse e não tem meios de disputar o mercado de terras – nas áreas de expansão agrícola, porque a terra é valorizada, e nas áreas pioneiras, porque a terra é dominada pelos “coronéis” latifundiários ou seus prepostos. Com a República, essa situação não muda. Na República Velha, os estados passam a administrar as terras públicas, facilitando sua apropriação pelas oligarquias e coronéis. Em 1920, 4,5% dos proprietários possuem a metade das propriedades rurais do país. Esse processo gera a redução das áreas de produção de subsistência, fazendo a nação importar alimentos e a expansão descontrolada das áreas agroesxportadoras, levando às crises de superprodução, como a do café entre os anos 20 e 30. Após a Revolução de 1930 é criado o Ministérios da Agricultura, mas durante toda a era Vargas os problemas agrários ficam em segundo plano, inclusive no Estado Novo, quando é instituída a legislação trabalhista para os trabalhadores urbanos. A reforma agrária – A partir das décadas de 40 e 50, o tema reforma agrária ganha destaque, a crescente modernização da agricultura e da industrialização do país intensificam o êxodo rural, as migrações regionais e a concentração fundiária. Por outro lado a organização dos trabalhadores rurais em sindicatos e federações faz crescer os movimentos reivindicatórios no campo,

como as Ligas Camponesas. Para o estado, a questão da terra vira um desafio político e para os partidos, uma bandeira ideológica. Nos anos 60, o governo de João Goulart anuncia o lançamento das “reformas de base”, começando pela reforma agrária. Logo após a implantação do Regime Militar de 1964 é criado o Estatuto da Terra (1964) e, em 1970, o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA), para tratar da questão agrária. Os resultados práticos são pequenos. Com a política de incentivos fiscais dos anos 70 para os grandes empreendimentos agropecuários e extrativistas, a concentração aumenta mais, sobretudo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto os projetos do INCRA, como as agrovilas da Amazônia, não se viabilizam. Na década de 80, os problemas da terra se agravam. A concentração fundiária continua grande: enquanto 4,5 milhões de pequenas propriedades de até 100 ha têm apenas 20% de toda a área e empregam 78% da força de trabalho rural, 50 mil grandes propriedades com mais de 1.000 ha ocupam 45% da área e absorvem 4% da mão-de-obra. Com o fim do “milagre econômico” e a recessão há um grande aumento do desemprego e do êxodo rural. Com isso cresce o número de conflitos violentos no campo: são 4,2 mil entre 1987 e 1994, deixando centenas de vítimas. O governo tem usado a política dos assentamentos em terras públicas e áreas consideradas improdutivas e desapropriadas para fins de reforma agrária. Nos últimos 12 anos são assentadas pouco mais de 300 mil famílias, menos de 7% do que seria necessário segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terras (MST), que hoje lidera a mobilização social no campo. Para o MST há 4,5 milhões de famílias no Brasil para assentar. Os proprietários reagem contra as pressões e as invasões de terra do MST, também organizadas em entidades, como a União Democrática Ruralista (UDR). Hoje se discute a eficiência da reforma agrária como solução econômica (aumento da produção) e social (aumento do emprego e maior equilíbrio entre a cidade e o campo). Para uns, a produção nas pequenas propriedades já não é mais competitiva, sobretudo na era da globalização econômica, e por isso não deveria ser estimulada. Para outros, ao contrário, as pequenas propriedades

prática de organização do Movimento dos Sem Terra, como instrumento da reforma agrária feita pelos trabalhadores. Isso reforça e aumenta a luta popular pela terra. Somam-se aos milhares (ou milhão) de posseiros que, em outros momentos e em outras condições, ocuparam terra “livres” e agora travam lutas sangrentas para ver seus direitos reconhecidos. Além disso, a ação do Movimento dos Sem Terra dá outro peso e abre novas perspectivas para a luta organizada dos assalariados do campo.