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Apostilas de Geografia sobre a Rússia, três vastas regiões, território e recursos, precipitações, população e governo, economia, história.
Tipologia: Notas de estudo
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O noroeste da Rússia foi ameaçado por invasores procedentes do oeste; os suecos se apossaram dos territórios de Novgorod; o príncipe Aleksandr Iaroslavevitch derrotou os suecos e a partir de então ficou conhecido como Alexandre Nevski. Dois anos mais tarde a Ordem Teutônica avançou novamente a partir do oeste, mas Alexandre derrotou-os. Ameaçado por contínuo perigo no oeste, adotou uma política de submissão à Horda de Ouro. Em 1263, Alexandre Nevski entregou Moscou a seu filho Daniel, com o qual se inicia uma linhagem de duques moscovitas que pouco a pouco foram estendendo suas terras, anexando os territórios vizinhos. Tão logo contaram com o apoio da Igreja, começaram a organizar um novo estado russo. Em meados do século XIV, o grão-duque Dimitri Donskoi liderou com êxito a primeira revolta contra o poder dos mongóis. O grão-duque Ivan III, o Grande, começou a considerar-se czar de um regime autocrático. Incorporou à Moscóvia os estados de Novgorod, em 1478, e Tver, em
Ao governo autoritário de Pedro I seguiu-se um período de debilidade. O trono, após conjurações e conspirações, passou por vários sucessores e distintos governadores. Em 1741, Elizabeta Petrovna chegou ao trono e sob seu governo produziu-se uma recuperação nacional; em guerra contra a Suécia (1741-1743), a Rússia conseguiu parte da Finlândia. Posteriormente, aliou-se à Áustria e à França na guerra dos Sete Anos (1756-1763), contra a Prússia. Seu sobrinho e sucessor Pedro III foi sucedido no trono por sua esposa Catarina II, a Grande. O êxito de seu governo permitiu a expansão da Rússia, baseado na adesão aos princípios do Iluminismo. Mas a eclosão de um levante cossaco e de camponeses fez com que Catarina endurecesse ainda mais as opressivas leis sobre servidão e abandonasse progressivamente seus pontos de vista liberais. Seu neto, Alexandre I Pavlovitch, começou seu reinado garantindo anistia aos presos políticos, projetando uma constituição para o Império e rechaçando muitas das medidas restritivas de seu pai. Em 1805, Rússia, Grã-Bretanha, Áustria e Suécia criaram a Terceira Coalizão contra Napoleão Bonaparte. Posteriormente, aliou-se à França mediante o tratado de Tilsit (1807). A Rússia ocupou a Bessarábia, adquiriu as ilhas Aaland e toda a Finlândia e ampliou suas fronteiras na Ásia. Mas como não aceitou o rigoroso plano de bloqueio continental contra a Inglaterra, em 1812 Napoleão invadiu a Rússia. Após a derrota francesa, Alexandre tornou-se a figura central da aliança, que terminou com a expulsão de Napoleão. Como resultado do Congresso de Viena (1815), a maior parte do ducado de Varsóvia passou a ser propriedade russa. O trono passou a seu irmão mais jovem, Nicolau I, oportunidade em que um grupo de oficiais organizou a revolta decembrista. O imperador sufocou a revolta, mas aumentou o descontentamento popular com as medidas reacionárias que adotou. Após as revoluções de 1848, que sacudiram toda a Europa, Nicolau iniciou uma campanha contra a difusão das idéias liberais na educação e nos círculos intelectuais. Nicolau I expandiu o Império em direção ao Mediterrâneo. Após a guerra russo-turca obteve, mediante o Tratado de Adrianópolis (1829), soberania sobre os povos do Cáucaso e estabeleceu um protetorado sobre os novos principados da Moldávia e da Valáquia, assim como a liberdade de comércio no império Otomano. Mas as potências européias temeram um excessivo poderio russo sobre o decadente estado turco, o que levou à guerra da Criméia (1853-1856), em que a Rússia enfrentou a uma coalizão formada por Turquia, Grã-Bretanha, Piamonte e França, e foi duramente humilhada. A posição de seu sucessor Alexandre II no mar Negro foi neutralizada após a assinatura da Paz de Paris (1856), além de ter sido abolido o protetorado russo sobre os principados do Danúbio. Na política interior, cresceram os movimentos revolucionários. Os polacos se sublevaram pela segunda vez e a Polônia foi colocada sob o controle absoluto da Rússia. Esta, por sua vez, retomou sua atitude agressiva contra a Turquia depois de 1871. O destronamento de Napoleão III permitiu à Rússia ampliar ali sua esfera de influência. Quando Sérvia e Montenegro se levantaram contra a Turquia em 1876, a Rússia interveio para ajudá-las; após a guerra russo-turca de 1877 e 1878, Alexandre II conseguiu maiores concessões da Turquia, ainda que tivessem sido moderadas por parte das potências européias, temerosas de que a Rússia ampliasse seu domínio.
No final de 1914, o Exército russo já havia sofrido duras derrotas diante dos alemães, especialmente no leste da Prússia. Essas derrotas aumentaram em 1915 e, com as deserções que começaram a acontecer, a guerra adquiriu caráter impopular em toda a Rússia, enquanto aumentava a repressão e se mantinha a corrupção por parte do governo. O czar, dominado por sua esposa Alexandra, alemã de nascimento, perdeu a confiança do povo e passou a ser influenciado por Rasputin, que praticamente controlava as decisões governamentais, até as de caráter militar. Em dezembro de 1916, um grupo de aristocratas organizou seu assassinato. No entanto, a agitação revolucionária continuou em ascensão e em fevereiro de 1917 começaram os distúrbios em Moscou; as tropas, em lugar de voltar-se contra os revolucionários, uniram-se a eles. Finalmente, em 15 de março, aconteceram as abdicações do czar Nicolau II e de seu filho, deixando a administração em mãos de um governo provisório organizado pela quarta Duma. Assim findou o império russ o (Revolução Russa; União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Pouco depois da dissolução da URSS, em 1991, surgiu a luta pelo poder entre as forças conservadoras e reformistas. O presidente Boris Yeltsin, eleito em junho de 1991 por sufrágio popular, recebeu poderes absolutos outorgados pelo Congresso de Deputados, um dos corpos legislativos estabelecidos pela Constituição Soviética de 1978. Yeltsin usou seus poderes para iniciar um programa de reformas econômicas e fazer uma série de nomeações regionais, para dominar as assembléias legislativas locais controladas pelos neocomunistas. Os conservadores, liderados pelo presidente do Soviet Supremo Ruslan Jasbulatov, tentaram reduzir os poderes de Yeltsin após uma campanha de reforma econômica radical no começo de 1992. Em dezembro do mesmo ano, numa reunião do Congresso de Deputados, o primeiro ministro em exercício Iegor Gaidar (1992), artífice do plano governamental de reformas econômicas, foi substituído por Viktor Stepanovitch Tchernomirdin, antigo membro do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). O Congresso de Deputados também rescindiu alguns dos poderes outorgados ao presidente e o Tribunal Constitucional desautorizou a proibição do PCUS, uma iniciativa do próprio Yeltsin. Chegou-se a um acordo com o Congresso de Deputados no final de 1992, para realizar eleições que permitissem elaborar uma nova constituição. Os conservadores se opuseram a esse acordo e Yeltsin formou um novo governo de emergência. Pouco depois, alguns grupos modificaram suas posições: o presidente anulou o regime de emergência e os conservadores permitiram que fossem realizadas as votações em 25 de abril de 1993. Yeltsin obteve esmagadora vitória nas urnas, mas as eleições não conseguiram resolver o problema da luta pelo poder. Em setembro de 1993, expulsou Rutskoi da vice-presidência por escândalos de corrupção, apesar dos protestos do Parlamento. Nesse mesmo mês, o presidente decretou a dissolução do Parlamento, devido à resistência dos deputados conservadores para a formação de uma Assembléia Constituinte. O Parlamento denunciou as ações de Yeltsin como inconstitucionais e declarou Rutskoi presidente. Cerca de cem deputados e outros tantos seguidores armados, dirigidos por Jasbulatov e Rutskoi, ocuparam o edifício do Parlamento e provocaram outras revoltas. O governo respondeu então com o bombardeio do edifício do Parlamento, prendendo seus ocupantes, e em
outubro de 1993 Rutskoi e Jasbulatov foram acusados de incitar a desordem pública. No entanto, a vitória de Yeltsin sobre os conservadores durou pouco. As eleições de dezembro de 1993 permitiram um inesperado êxito dos partidos nacionalistas e comunistas, em especial do Partido Liberal Democrático, encabeçado por Vladimir Jirinovsky. Em fevereiro de 1994, a nova Duma anulou as acusações que ainda pesavam sobre Rutskoi e Jasbulatov pelas ações de outubro de 1993, além de garantir a anistia aos organizadores do golpe de estado de agosto de 1991 contra o dirigente soviético Mikhail Gorbatchov. Yeltsin enfrentou os ultraconservadores convocando novas eleições, com o objetivo de manter a presidência independente dos reacionários. Nas eleições legislativas celebradas em dezembro de 1995 os comunistas, encabeçados por Guennadi Ziuganov, consolidaram-se como a primeira força da Duma, o que significou um novo revés para Yeltsin e pôs à mostra a resistência popular a sua política. Por outro lado, a decomposição da sociedade russa permitiu o aumento de organizações mafiosas que têm presença cada vez maior na economia russa. Mas os principais problemas surgiram no terreno étnico. Aproveitando os enfrentamentos de diferentes tendências na autoproclamada república da Tchetchênia (que estava fora do controle de Moscou desde 1991), Yeltsin decidiu intervir militarmente em dezembro de 1994, desencadeando cruenta guerra, na qual a população civil foi bombardeada; a resistência dos rebeldes tchetchenos pôs em evidência a ineficácia do aparato militar russo. Em meados de 1996, após o assassinato do antigo presidente tchetcheno Dzhokhar Dudaiev, iniciaram-se conversações de paz que permitiram aliviar a situação. No âmbito internacional, apesar de sua adesão ao projeto da Aliança para a Paz, recusou abertamente a incorporação de seus antigos aliados da Europa do Leste à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ameaçando com o não cumprimento dos acordos que visam à redução de armamentos.
Fonte: Enciclopédia Encarta