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aula 15 eletromagnetismo, Notas de aula de Eletromagnetismo

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Tipologia: Notas de aula

2024

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FI426 Eletromagnetismo 1 - 2018.1 - Notas de Aulas 15 1
CENTRO DE C NC IA S EXATAS E DA NATU RE ZA
DEPARTAMENTO D E FÍS ICA
CURSO DE BACH AR EL AD O E M FÍSICA DA UFPE
Aula 15 23 de abril de 2018
Sumário
DielétricosouIsolantes.................................. 1
(a)DipolosInduzidos ................................ 2
(b) Dipolos Permanentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
PolarizaçãoElétrica.................................... 6
Interpretação física das cargas ligadas ......................... 11
Bibliografia:
David J. Griffiths, Introduction to Electrodynamics,3rd Edition, Prentice Hall, New
Jersey (1999) §4.1 e 4.2
Jonh Reitz, Frederick J. Milford e Robert W. Christy, Foundation of Electromagnetic
Theory,4rd Edition, Addison Wesley (1967) §4.1
Eletrostática em Meios Dielétricos I
Objetivo:
Estudar a Eletrostática em meios dielétricos.
Polarização Elétrica e Vetor Deslocamento Elétrico.
Dielétricos ou Isolantes
Em um meio material (sólido, líquido ou gasoso) isolante ou dielétrico as cargas sejam
elétrons ou ions positivos estão de certa forma associadas ou ligadas aos átomos e/ou
moléculas e não podem transitar livremente pelo material, tendo seu movimento restrito às
vizinhanças dos seus respectivos centros de força. Ao contrário, nos meios materiais di-
tos condutores as cargas (eletrons ou íons) podem se deslocar em distâncias maiores que as
distâncias interatômicas formando correntes de cargas elétricas. A distinção entre os compor-
tamentos dielétrico ou condutor depende, em geral, do valor campo elétrico externo aplicado
ao meio. A maioria dos materiais possuem um campo elétrico limite acima do qual o material
se torna condutor, dito campo de ruptura dielétrica ou rigidez dielétrica. Esse campo é dado
Prof. Sérgio Coutinho Departamento de Física UFPE
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CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA

DEPARTAMENTO DE FÍSICA

CURSO DE BACHARELADO EM FÍSICA DA UFPE

Aula 15 – 23 de abril de 2018

Sumário

Dielétricos ou Isolantes.................................. 1

(a) Dipolos Induzidos................................ 2

(b) Dipolos Permanentes.............................. 6

Polarização Elétrica.................................... 6

Interpretação física das cargas ligadas......................... 11

Bibliografia:

  • David J. Griffiths, Introduction to Electrodynamics, 3

rd

Edition, Prentice Hall, New

Jersey (1999) §4.1 e 4.

  • Jonh Reitz, Frederick J. Milford e Robert W. Christy, Foundation of Electromagnetic

Theory, 4

rd Edition, Addison Wesley (1967) §4.

Eletrostática em Meios Dielétricos I

Objetivo:

  • Estudar a Eletrostática em meios dielétricos.
  • Polarização Elétrica e Vetor Deslocamento Elétrico.

Dielétricos ou Isolantes

Em um meio material (sólido, líquido ou gasoso) isolante ou dielétrico as cargas – sejam

elétrons ou ions positivos – estão de certa forma associadas ou ligadas aos átomos e/ou

moléculas e não podem transitar livremente pelo material, tendo seu movimento restrito às

vizinhanças dos seus respectivos centros de força. Ao contrário, nos meios materiais di-

tos condutores as cargas (eletrons ou íons) podem se deslocar em distâncias maiores que as

distâncias interatômicas formando correntes de cargas elétricas. A distinção entre os compor-

tamentos dielétrico ou condutor depende, em geral, do valor campo elétrico externo aplicado

ao meio. A maioria dos materiais possuem um campo elétrico limite acima do qual o material

se torna condutor, dito campo de ruptura dielétrica ou rigidez dielétrica. Esse campo é dado

em unidades de kV/mm porque é estimado em função da espessura da camada do material

usado no experimento. Na tabela abaixo, mostramos valores da rigidez dielétrica de alguns

materiais em unidades de kV/mm.

Material (kV/mm) Material (kV/mm)

Ar 30 Baquelite 240

Neopreno 120 Nylon 140

Papel 160 Polistireno 240

Vidro Pyrex 140 Quartzo 80

Óleo de Silicone 150 Titanato de Estrôncio 80

Teflon 600

Tabela 1:

O efeito coletivo desse movimento local gera campos elétricos internos que tendem a diminuir

a ação dos campos externos minimizando a energia potencial eletrostática global.

A ação de um campo elétrico externo

E sobre um material dielétrico pode modificar a distri-

buição espacial de cargas em cada átomo ou molécula basicamente de duas maneiras:

(a) deformando espacialmente a distribuição de cargas de maneira que as cargas negativas

se deslocam em relação às cargas positivas induzindo a formação de momentos de

dipolo.

(b) rotacionando a orientação dos dipolos elétricos existentes nas ditas moléculas polares.

i.e. que possuem momentos de dipolo elétrico permanentes.

(a) Dipolos Induzidos

A ação de um campo elétrico externo sobre um átomo ou molécula neutra (carga total nula),

produz uma deformação na sua distribuição espacial das cargas. Em primeira ordem, essa

deformação corresponde à indução de um momento de dipolo elétrico. Os elétrons são atraí-

dos pelo campo e tendem a se deslocalizar em relação aos núcleos ou íons, que são repeli-

dos, formando o dipolo induzido, como ilustra a figura abaixo.

1

1 O valor do campo externo não pode ser excessivamente alto para não ionizar o átomo ou molécula.

  • Para qualquer direção o campo decai com a distância com 1 /r

3 .

  • A distância d entre os centros de carga positiva e negativa dependerá do valor do mó-

dulo do campo elétrico externo

E

  • O dipolo induzido estará sempre orientado paralelamente ao campo externo

Regime Linear

Para valores baixos do campo externo (campos fracos ou regime linear) o momento de dipolo

induzido é verificado experimentalmente ser proporcional ao campo externo, isto é,

~p = α

E

onde α é chamada de polarizabilidade atômica ou molecular.

O valor da polarizabilidade depende da estrutura do átomo ou molécula em questão.

Polarizabilidade: é a tendência relativa que uma distribuição de cargas – uma

nuvem de elétrons, átomo ou molécula – tem para se deformar em presença de

um campo elétrico externo formando dipolos elétricos induzidos.

No sistema S.I. as unidades de α são C m

2

V

− 1

= A

2

s

4

kg

− 1

, enquanto no c.g.s é dada por α

em unidades de cm

3 , com α = 4πǫ 0

α

′ .

Na tabela 2

3 , mostramos alguns valores da polarizabilidade de alguns átomos:

H He Li Be C Ne Na Ar K Cs

0,667 0,205 24,3 5,60 1,76 0,396 24,1 1,64 43,4 59,

Tabela 2: Polarizabilidade [α/ 4 πǫ 0

] em unidades de 10

− 30 m

3 .

b b c b

d

a

~ E

~ E = 0

+q +q

−q −q

Exemplo 1:

Para verificar a sua dependência com a estrutura consi-

derar um modelo bem simples e primitivo.

Supor uma distribuição uniforme e esférica de cargas ne-

gativas de raio a com uma carga positiva q igual em seu

centro.

Sob ação de um campo externo a distribuição esférica de

cargas negativas permanece inalterada enquanto a carga

positiva se desloca de uma distância d, como ilustra a figura ao lado.

Nesse caso, no equilíbrio, a força externa sobre a carga positiva q dada por

F

ext

= q

E

ext

deve

3 Fonte: Handbook of Chemistry and Physics, 78

th edition, Boca Raton: CRC Press, Inc, (1997)

ser igual de sentido oposto à força exercida pelo campo gerado pela distribuição uniforme e

esférica de cargas negativas, ou seja

q

E

ext

= −q

E

elétrons

E

ext

E

elétrons

E

ext

E

elétrons

O campo gerado por uma distribuição esférica e uniforme de cargas, na distância r

′ do centro,

é radial e tem módulo dado pela Lei de Gauss por

1

4 πǫ 0

q

/r

′ 2

, onde q

é a carga total no interior

da esfera de raio r

. Neste caso, sobre a carga q distante d será

E

elétrons

4 πǫ 0

q

d

2

4 πǫ 0

d

2

ρ

πd

3

q

4 πǫ 0

d

2

q

4

3

πa

3

ρ

πd

3

4 πǫ 0

q d

a

3

Comparando com Eext resulta

p = q d = 4πǫ 0 a

3

Eext =⇒ α = 4πǫ 0 a

3

= 3ǫ 0 v, v =

4 πa

3

ou seja α depende de ǫ 0

e de propriedades geométricas do átomo

4 .

Observação:

  • No sistema S.I. as unidades da polarizabilidade são C m

2

V

− 1

= A

2

s

4

kg− 1. Mas, como

pode ser visto no exemplo simples acima, essas unidades correspondem a [ǫ 0

][L

3

].

Comumente usa-se expressar e polarizabilidade em unidades de [ǫ 0

] e cm

3

, ou seja

α(cm

3

)

valor usual

6

4 πǫ 0

α(C · m

2

· V

− 1

)

valor no S.I.

  • No caso de moléculas, a polarizabilidade pode depender da direção do campo aplicado

em relação à estrutura da molécula ou a um certo eixo de simetria, podendo ter um

valor ao longo da direção do eixo e outro perpendicular a esta direção, de modo que o

momento dipolo resultante poderia ser decomposto como

~p = α ⊥

E

  • α ‖

E

  • Para moléculas ainda mais complexas a componente do momento dipolo em certa di-

reção pode depender da componente do campo nas outras direções, gerando um com-

portamento assimétrico relacionando ~p e

E na forma geral:

p x

= α xx

E

x

  • α xy

E

y

  • α xz

E

z

py = αyx Ex + αyy Ey + αyz Ez

p z

= α zx

E

x

  • α zy

E

y

  • α zz

E

z

Neste caso os nove números {α ij

} se constituem no tensor polarizabilidade cujas com-

ponentes, obviamente, dependem da escolha dos eixos cartesianos em relação à es-

trutura da molécula.

4 v = volume do átomo do modelo primitivo.

Polarização Elétrica ≡ momento dipolo elétrico por unidade de volume,

P =

V

i

~p i

≃ N ~p¯

onde

  • N é o número médio de átomos e/ou moléculas por unidade de volume
  • ~p¯ é o momento dipolo médio em um elemento de volume finito – com número macros-

cópico de dipolos – em um ponto ~r, onde as flutuações são desprezadas.

Considerar um objeto macroscópico com polarização

P e vamos calcular o campo elétrico

gerado pela polarização em um ponto P(~r) fora da distribuição de dipolos, como ilustrado na

figura abaixo:

O potencial no ponto P(~r) longe da origem, causado por um dipolo isolado ~p localizado na

origem é dado por

6

:

Φ(~r) =

4 πǫ 0

~p · ~r

r

3

4 πǫ 0

~p · rˆ

r

2

Considerar um elemento de volume dv

′ no interior do corpo e escrever o potencial elementar

dΦ(~r) causado pelo momento dipolo elétrico P (

r

′ ), desse elemento de volume, em um ponto

exterior ~r ao corpo:

dΦ(~r) =

4 πǫ 0

P (~r

′ ) · (~r − ~r

′ )

|~r − ~r

′ |

3

dv

4 πǫ 0

P (~r

) ·

|~r − ~r

′ |

dv

6 ver Aula 06, Exemplo 2.

onde usamos a identidade

′ (1/|r − r

′ |) = (~r − ~r

′ )/|r − r

′ |

3 , sendo o gradiente é realizado

sobre as variáveis ~r

′ .

Integrando em todo o volume onde

P (~r

′ ) 6 = 0 resulta:

Φ(~r) =

4 πǫ 0

V

P (~r

) ·

|~r − ~r

′ |

dv

Usando a identidade vetorial

∇ · f

A = f

A +

A ·

∇f

e escolhendo f = 1/|~r − ~r

′ | e

A =

P resulta:

Φ(~r) =

4 πǫ 0

V

·

P (~r

′ )

|~r − ~r

′ |

dv

4 πǫ 0

V

′ ·

P (~r

′ )

|~r − ~r

′ |

dv

Aplicando o teorema divergente na primeira integral do lado direito resulta:

Φ(~r) =

4 πǫ 0

S

P (~r

′ ) · ˆn

|~r − ~r

′ |

ds

4 πǫ 0

V

′ ·

P (~r

′ )

|~r − ~r

′ |

dv

Definir:

σ b

P · ˆn

densidade superficial de cargas ligadas

ρ b

P densidade volumétrica de cargas ligadas

Conclusões:

  1. O potencial Φ, produzido por um objeto polarizado, pode ser visto como sendo equiva-

lente àquele produzido por uma distribuição de cargas superficiais σ b

, na superfície S,

e por uma distribuição volumétrica de cargas ρ b

contida no volume V , i.e.

Φ(~r) =

4 πǫ 0

S

σ b

(~r

)

|~r − ~r

′ |

ds

4 πǫ 0

V

ρ b

(~r

)

|~r − ~r

′ |

dv

  1. Para calcular o potencial de um objeto polarizado não é necessário somar as contri-

buições microscópicas de cada dipolo, mas obter as densidades de cargas ligadas,

superficial σb e volumétrica ρb, e usá-las como fonte do potencial

7

.

7 O subíndice b vem do inglês bond que significa ligado.

Como r cos θ = z o campo dentro da esfera será

E = −

P

3 ǫ 0

ˆǫ z

E = −

3 ǫ 0

P , r ≤ a

que é constante e proporcional à polarização.

Observações:

Esse resultado foi obtido no problema 2 da Lista 2

8 .

!

d

a

E

−q +q

Nesse problema o campo elétrico é calculado na região de su-

perposição de duas esferas uniformemente carregadas com

cargas ±q (raio a), cujos centros estão distantes d < 2 a. O

resultado é um campo

E constante e igual a

E = −

4 πǫ 0

q

a

3

d

onde

d é o vetor do centro da esfera de carga negativa para

o centro da esfera de carga positiva, como mostra a figura ao

lado.

Logo, o produto q

d representa o dipolo do conjunto de esferas deslocadas.

Se o deslocamento for muito pequeno, o volume da região de superposição se aproxima do

volume da esfera, ou seja

P ≃

~p

4

3

πa

3

, → (polarização)

e o campo pode ser escrito como

E = −

3 ǫ 0

P

Para pontos fora da esfera, o potencial será

4 πǫ 0

~p · ˆǫ r

r

2

, r ≥ a, com ~p =

πa

3 ~ P

que é o potencial de um dipolo ~p igual ao dipolo total da esfera polarizada.

O campo, então, será o campo de um dipolo (em pontos distantes).

As linhas de força do campo produzido pela esfera com polarização uniforme estão mostradas

na figura abaixo:

8 Problema 2.18 do livro de David J. Griffiths, Introduction to Electrodynamics, 3

rd Edition, Prentice Hall, New

Jersey (1999) )

Interpretação física das cargas ligadas

As densidades de cargas ligadas σ b

e ρ b

aparecem com analogia matemática para se obter o

potencial de um objeto polarizado.

Mas, podem ser vistas como sendo de fato a carga residual física que se acumula nas super-

fícies e no interior dos objetos devido à polarização induzida ou permanente.

Considere uma linha de dipolos de cargas ±q com um número finito de dipolos, como mostra

a figura abaixo.

+q + − + − + − + − + − + − + − + − + − + − + − + − −q

Linha de dipolos

Em cada extremidade ("superfície") da linha resta uma carga q ou −q enquanto no miolo (in-

terior) a carga total é nula.

Considerando agora um feixe de linhas de dipolo

formando um tubo de seção reta A.

Formaremos um tubo de material polarizado na di-

reção longitudinal, como mostra a figura ao lado.

O momento dipolo de uma fatia fina de espessura d

será portanto p = P (A d).