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Tipologia: Notas de aula
Compartilhado em 04/06/2026
1 / 13
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CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
CURSO DE BACHARELADO EM FÍSICA DA UFPE
Coordenadas Curvilíneas................................. 1
Sistema de Coordenadas Curvilíneas Ortogonal................. 3
Coordenadas Cilíndricas.............................. 4
Coordenadas Esféricas Ortogonais........................ 6
Coordenadas Elípticas Cilíndricas......................... 9
Operadores Diferenciais em Coordenadas Curvilíneas................. 10
O gradiente..................................... 10
O divergente..................................... 10
O rotacional..................................... 12
Bibliografia recomendada
G. B. Arfken e H. J. Weber, Mathematical Methods for Physicists, §2.1-2.6.
S. Hassani, Mathematical Methods for Students of Physics and Related Fields, Springer,
2000, §16.1-16.4, §17.1 a 17.
Exemplo de uma família de
superfícies 3D com 4 folhas.
Considerar o espaço euclideano 3d e uma base or-
tonormal cartesiana {ˆǫ 1 , ˆǫ 2 , ˆǫ 3 }, cujas coordenadas
são {x 1 , x 2 , x 3 }, respectivamente.
Definir três famílias de superfícies dadas pelas fun-
ções:
q 1 (x 1 , x 2 , x 3 ) = q 1
q 2 (x 1 , x 2 , x 3 ) = q 2 (1)
q 3 (x 1 , x 2 , x 3 ) = q 3
onde q 1 , q 2 e q 3 são constantes, ditas novas coordenadas, e qi(x 1 , x 2 , x 3 ) ∀ i = 1, 2 , 3 são
funções contínuas e diferenciáveis nas três coordenadas (x 1 , x 2 , x 3 ).
Cada ponto do espaço euclideano (x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 )^ corresponde à interseção de três superfícies,
sendo uma de cada família, i.e.
q
0 1 =^ q^1 (x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 )
q
0 2 =^ q^2 (x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 )^ (2)
q
0 3 =^ q^3 (x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 )^
Superfície Cilíndrica
Plano
Plano
Ponto de interseção das 3 superfícies
Exemplo da interseção
de três superfícies 3D.
Portanto, existirá uma correspondência biunívoca
(x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 )^ ⇐⇒^ (q
0 1 , q
0 2 , q
0 3 )
Observe que, no sistema de coordenadas cartesi-
ano, cada ponto (x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 )^ é bem definido pela in-
terseção de três planos (ortogonais entre si)
x 1 = x
0 1 ,^ x^2 =^ x
0 2 ,^ x^3 =^ x
0 3
Além disso, os versores {ˆǫ 1 , ˆǫ 2 , ˆǫ 3 }, os quais defi-
nem a base, são normais a cada um dos planos no
ponto (x
0 1 , x
0 2 , x
0 3 ).
Assim, é possível determinar uma nova base
de versores que sejam normais às superfícies
qi(x 1 , x 2 , x 3 ) = qi em cada ponto.
Considerar a distância ds entre dois pontos infinitesimalmente próximos, (x 1 , x 2 , x 3 ) e (x 1 +
dx 1 , x 2 + dx 2 , x 3 + dx 3 ), i.e.
ds
2 = dx
2 1 +^ dx
2 2 +^ dx
2 3 (3)
Para escrever ds
2 em termos das novas coordenadas (q 1 , q 2 , q 3 ) devemos considerar as trans-
formações inversas
x 1 = x 1 (q 1 , q 2 , q 3 )
x 2 = x 2 (q 1 , q 2 , q 3 ) (4)
x 3 = x 3 (q 1 , q 2 , q 3 )
e usar a que
dxi =
j
∂xi
∂qj
dqj (5)
Substituindo na equação (3) resulta
ds
i
j
∂xi
∂qj
dqj
k
∂xi
∂qk
dqk
jk
i
∂xi
∂qj
∂xi
∂qk
dqj dqk → ds
jk
hjk dqj dqk (6)
Observações importantes:
hj dqj é o elemento de arco e tem dimensão de comprimento.
Logo dqj não necessariamente deverá ter dimensão de comprimento.
hj hk dqj dqk.
hi hj hk dqi dqj dqk.
hj pode ser interpretado como um fator de escala da transformação de coordenadas.
Coordenadas Cilíndricas Ortogonais
Considerar a mudança de coordenadas {x, y, z} → {ρ, φ, z} definida pelas equações:
x = x(ρ, φ, z) = ρ cos φ, 0 ≤ ρ < ∞
y = y(ρ, φ, z) = ρ senφ, 0 ≤ φ ≤ 2 π (10)
z = z(ρ, φ, z) = z, −∞ < z < +∞
No sistema de coordenadas cartesianas, a distância ds entre dois pontos infinitesimalmente
próximos é dada por:
ds
2 = dx
2
2
2 (11)
No novo sistema de coordenadas essa mesma distância pode ser calculada através das equa-
ções (10) calculando a diferencial de cada variável, i.e.
dx =
∂x
∂ρ
dρ +
∂x
∂φ
dφ +
∂x
∂z
dz = cos φ dρ − ρ senφ dφ,
dy =
∂y
∂ρ
dρ +
∂y
∂φ
dφ +
∂y
∂z
dz = senφ dρ + ρ cos φ dφ,
dz =
∂z
∂ρ
dρ +
∂z
∂φ
dφ +
∂z
∂z
dz = dz
e substituindo em (11), isto é:
ds
2 = (cos φ dρ − ρsenφ dφ)
2
2
= cos φ
2 dρ
2
2 senφ
2 dφ
2 − 2 ρ cos φ senφ dρ dφ+
+senφ
2 dρ
2
2 cos φ
2 dφ
2
2 = dρ
2
2 dφ
2
2
Observações:
a) Os termos em dρ dφ se cancelaram.
Esta é uma característica das mudanças de variáveis para sistemas de coordenadas
ditos ortogonais.
b) Identificamos, que hρ = 1, hφ = ρ
2 e hz = 1, os quais podem ser também calculados
diretamente da equação (9), fazendo-se as correspondências:
(x, y, z) ←→ (x 1 , x 2 , x 3 ) e (ρ, φ, z) ←→ (q 1 , q 2 , q 3 ),
respectivamente.
b
b
b
b
b
b
b
b
~ǫx
~ǫx
~ǫy
~ǫy
~ǫz
~ǫz
~ǫρ
~ǫρ
~ǫρ
~ǫρ
~ǫφ
~ǫφ
~ǫφ
~ǫφ
x
x
x
y
y
y
z
z
z (^) ρ
φ
φ
Coordenadas Cartesianas (x, y, z)
Coordenadas Cil´ındricas (ρ, φ, z)
As variáveis do novo sistema de coordenadas
{ρ, φ, z} podem ser escritas em termos das
variáveis cartesianas {x, y, z} por:
ρ = ρ(x, y, z) =
x
2
2
φ = φ(x, y, z) = arctan
y
x
(12)
z = z(x, y, z) = z
Essas equações, para valores fixos de ρ 0 , φ 0
e z 0 , definem três superfícies que são mutua-
mente ortogonais em cada ponto:
x^2 + y^2 corresponde a uma su-
perfície cilíndrica circular reta de raio ρ 0
e eixo de simetria coincidindo com ~ǫz.
semi-plano que contém o eixo de sime-
tria zˆ e faz ângulo φ 0 com o plano (x, z).
ralelo ao plano (x, y) contendo o ponto
(0, 0 , z 0 ) (em cor cinza).
como esquematizado na figura, ao lado
O elemento de superfície infinitesimal sobre
a superfície cilíndrica corresponde a desloca-
mentos infinitesimais em φ e z é dado por:
dσφ,z =
hφhz dφ dz → da = ρ dφ dz
Observe que ρ dφ é o elemento infinitesimal de arco correspondente ao deslocamento infini-
tesimal dsφ, ou seja ρ dφ tem dimensão de comprimento, enquanto dφ é adimensional.
e substituindo em (11), isto é:
ds
2 = (senθ cos φ dr − r cos θ cos φ dθ − rsenθ senφ dφ)
2
+(senθ senφ dr + r cos θ senφ dθ + r senθ cos φ dφ)
2
+(cos θ dr − r senθ dθ)
2
e reagrupando para fatorar dr, dθ e dφ resulta:
ds
2 = dr
2
2 dθ
2
2 sen
2 θ dφ
2 (14)
Observações:
a) Os termos cruzados em dρ dθ, dρ dφ e dθ dφ se cancelaram indicando que o novo siste-
mas de coordenadas é ortogonal.
b) Identificamos, que hr = 1, hθ = r
2 e hφ = r
2 sen
2 θ, os quais podem ser também
calculados diretamente da equação (9), fazendo-se as correspondências:
(x, y, z) ←→ (x 1 , x 2 , x 3 ) e (r, θ, φ) ←→ (q 1 , q 2 , q 3 ),
respectivamente.
b
b
b
z
y
x
~ǫz
~ǫx ~ǫy
(r, θ, φ)
r
θ
φ
b
z
y
x
~ǫr
~ǫθ
~ǫφ
Coordenadas Esf´ericas
As variáveis do novo sistema de coordenadas
{r, θ, φ} podem ser escritas em termos das
variáveis cartesianas {x, y, z} por:
r = r(x, y, z) =
x^2 + y^2 + z^2
θ = θ(x, y, z) = arccos
z √ x^2 + y^2 + z^2
φ = φ(x, y, z) = arctan
y
x
(15)
Essas equações, para valores fixos de
{r, θ, φ}, definem três superfícies em coorde-
nadas cartesianas que são mutuamente orto-
gonais em cada ponto:
x
2
2
2 corresponde a uma
superfície esférica de raio r centrada na
origem.
2
2
2 )
1 / 2 ] descreve
um cone de ângulo de abertura 2 θ e eixo
de simetria coincidindo com o eixo zˆ.
semi-plano que contém o eixo de sime-
tria z.
como esquematizado na figura ao lado.
O elemento de superfície infinitesimal sobre a superfície esférica corresponde a deslocamen-
tos infinitesimais em θ e φ é dado por:
dσθ,φ =
hθ hφ dθ dφ, → d a = r
2 senθ dθ dφ
Observe que r dφ e r senθ dφ são os elementos infinitesimais de arco correspondentes respec-
tivamente aos deslocamento infinitesimal em dθ e dφ. Ambos têm dimensão de comprimento,
embora dφ e dθ sejam adimensionais.
O elemento de volume é:
dσr,θ,φ =
hr hθ hφ dθ dφ, → d v = r
2 senθ dφ dθ dr
Para o deslocamento diferencial d~r = dx~ǫx + dy ~ǫy + dz ~ǫz , podemos obter, substituindo
{dx, dy, dz} em termos de {dr, dθ, dφ}:
d~r = (senθ cos φ ~ǫx + senθ senφ ~ǫy + cos θ ~ǫz ) dr +
+(r cos θ cos φ ~ǫx + r cos θ senφ ~ǫy − r senθ ~ǫz ) dθ +
+(−r senθ senφ ~ǫx + r senθ cos φ ~ǫy) dφ =
= dr ~ǫr + r dθ ~ǫθ + r senθ dφ ~ǫφ
onde identificamos os vetores {~ǫr,~ǫθ,~ǫφ} por:
~ǫr = senθ cos φ ~ǫx + senθ senφ ~ǫy + cos θ ~ǫz
~ǫθ = cos θ cos φ ~ǫx + cos θ senφ ~ǫy − senθ ~ǫz
~ǫφ = −senφ ~ǫx + cos φ ~ǫy
ou
~ǫr
~ǫθ
~ǫφ
senθ cos φ senθ senφ cos θ
cos θ cos φ cos θ senφ −senθ
−senφ cos φ 0
~ǫx
~ǫy
~ǫz
Observe que a nova base {~ǫr,~ǫθ,~ǫφ} é ortonormalizada
2 e seus versores são ortogonais à
sua respectiva família de superfícies (definidas em (15)) ponto-a-ponto, como mostrado na
figura.
(^2) Verifique como exercício.
O gradiente
O gradiente é um vetor cujo módulo é a máxima derivada direcional de um campo escalar e
sua direção é aquela que maximiza a derivada direcional.
Em um sistema de coordenadas curvilíneas (q 1 , q 2 , q 3 ) cuja base ortonormal é (ˆǫ 1 , ˆǫ 2 , ˆǫ 3 ), o
gradiente será dado formalmente por
∇^ ~Φ(q 1 , q 2 , q 3 ) = ˆǫ 1
∂s 1
∂s 2
∂s 3
j=
ˆǫj
∂sj
A componente do gradiente ∇~Φ na direção ˆǫj mede a taxa de variação do campo escalar
Φ(q 1 , q 2 , q 3 ) ao longo de um deslocamento infinitesimal dsj sobre a superfície qj (x 1 , x 2 , x 3 ),
na direção considerada, i.e.
(∇~Φ)j = ˆǫj · ∇~Φ =
∂sj
→ (∇~Φ)j =
∂qj
∂qj
∂sj
hj
∂qj
onde usamos que dsj =
hj dqj.
Desta maneira, em termos das coordenadas (q 1 , q 2 , q 3 ) o gradiente será escrito por
∇^ ~Φ(q 1 , q 2 , q 3 ) =
j=
ˆǫj √ hj
∂qj
j=
ˆǫj √ hj
∂qj
Observação importante: tanto o versor ˆǫj como o fator 1 /
hj estão posicionados antes da
derivada ∂/∂qj , para que não sofram a ação (indevida) desta operação diferencial.
O divergente
Por definição, a divergência de um campo vetorial V~ (q 1 , q 2 , q 3 ) mede o fluxo deste campo
sobre um elemento de volume infinitesimal dv em torno do ponto (q 1 , q 2 , q 3 ), i.e.
∇ ·^ ~ V~ (q 1 , q 2 , q 3 ) =^ lim ∆v→ 0
∆v
S
V^ ~ · n dσˆ = lim ∆v→ 0
∆v
onde S é a superfície que limita o volume elementar ∆v e dσ o elemento de área infinitesimal.
O cálculo do fluxo ∆F sobre um elemento de volume ∆v = ∆s 1 ∆s 2 ∆s 3 em torno do ponto
(q 1 , q 2 , q 3 ), mostrado na figura ao lado, é dado por:
∆s 2 ∆s 3
∣ ∣ ∣ q 1 +dq 1 ,q 2 ,q 3
∆s 2 ∆s 3
∣ ∣ ∣ q 1 ,q 2 ,q 3
(q 1 + dq 1 , q 2 , q 3 )
(q 1 , q 2 , q 3 )
ǫ ~ 3
ǫ ~ 1
ǫ ~ 2
Elemento de volume
∆v = ∆s 1 ∆s 2 ∆s 3.
V 1 ∆s 2 ∆s 3
q 1 +∆q 1
− V 1 ∆s 2 ∆s 3
q 1
V 2 ∆s 1 ∆s 3
q 2 +∆q 2
− V 2 ∆s 1 ∆s 3
q 2
V 3 ∆s 1 ∆s 2
q 3 +∆q 3
− V 3 ∆s 1 ∆s 2
q 3
ou
h 2
h 3
q 1 +∆q 1
h 2
h 3
q 1
∆q 2 ∆q 3 +
h 1
h 3
q 2 +∆q 2
h 1
h 3
q 2
∆q 1 ∆q 3 + (19)
h 1
h 2
q 3 +∆q 3
h 1
h 2
q 3
∆q 1 ∆q 2
No limite ∆qi → 0 podemos considerar que
(Vi
hj hk)|qi+∆qi ≃
∂(Vi
hj hk)
∂qi
∆qi + (Vi
hj hk)|qi
Substituindo em (20) teremos
h 2 h 3 )
∂q 1
∆q 1 ∆q 2 ∆q 3 +
h 1 h 3 )
∂q 2
∆q 2 ∆q 1 ∆q 3 +
h 1 h 2 )
∂q 3
∆q 3 ∆q 1 ∆q 2 ∴
dividindo por ∆v e tomando o limite ∆v → 0 resulta
lim ∆v→ 0
∆v
= lim ∆v→ 0
∆q 1 ∆q 2 ∆q 3
∆s 1 ∆s 2 ∆s 3
h 2 h 3 )
∂q 1
h 1 h 3 )
∂q 2
h 1 h 2 )
∂q 3
ou seja
∇ ·^ ~ V~ (q 1 , q 2 , q 3 ) =^
h 1 h 2 h 3
h 2 h 3 )
∂q 1
h 1 h 3 )
∂q 2
h 1 h 2 )
∂q 3
(20)
Finalmente, tomando o limite quando
∆σij = ∆si∆sj → 0 resulta
[∇ ×~ V~ ]k = lim ∆si,∆sj → 0
∆si∆sj
(∂Vj
hj )
∂qi
∂(Vi
hi)
∂qj
∆qi ∆qj ∴
[∇ ×~ V~ ]k =
hihj
(∂Vj
hj )
∂qi
∂(Vi
hi)
∂qj
Combinando todas as componentes o rotacional poderá ser escrito como
h 1 h 2 h 3
Det
h 1 ˆǫ 1
h 2 ˆǫ 2
h 3 ˆǫ 3
∂q 1
∂q 2
∂q 3
√ h 1 V 1
h 2 V 2
h 3 V 3
(22)