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fala sobre tendencias na matematica
Tipologia: Notas de estudo
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Tendências em
Educação Matemática
Disciplina na modalidade a distânica
2ª edição
Diva Marília Flemming
Elisa Flemming Luz
Ana Cláudia Collaço de Mello
Tendências em Educação
Matemática
Palavras dos Professores
Diva Marília Flemming
Elisa Flemming Luz
Ana Cláudia Collaço de Mello
Tendências em Educação Matemática
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Tendências em Educação Matemática
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A partir da década de 1980, a Educação Matemática foi cada vez mais ampliando seu espaço no cenário educacional. Atualmente é uma área de pesquisa filiada a área da Educação. Possui um discurso autônomo, com intersecção na Educação e na Matemática.
No Brasil, há vários centros ou grupos de estudos e pesquisa em Educação Matemática. Em São Paulo temos universidades como a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP). Em Santa Catarina destacam-se a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Regional de Blumenau (FURB) e o Núcleo de Estudos em Educação Matemática (NEEM) da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
É na busca por mudanças no ensino da Matemática que surgem práticas inovadoras e que se destacam como tendências em Educação Matemática. A pesquisa na Educação Matemática ao longo de sua história apontou caminhos que podem ser seguidos quando se pretende alcançar mudanças efetivas no processo ensino-aprendizagem. Estes caminhos passam a se consolidar como uma tendência, a partir do momento em que sua prática produz resultados positivos em sala de aula.
A Educação Matemática pode ser caracterizada como uma área de atuação que busca, a partir de referenciais teóricos consolidados, soluções e alternativas que inovem o ensino de Matemática.
Vários autores definem o que entendem por Educação Matemática. Em 1993 durante o I Seminário de Educação Matemática, definiu-se educação matemática como área autônoma de conhecimento com objeto de estudo e pesquisa interdisciplinar. (SOUZA et al., 1991) 1
De acordo com Carvalho 2 , “A Educação Matemática é uma atividade essencialmente pluri e interdisciplinar. Constitui um grande arco, onde há lugar para pesquisas e trabalhos dos mais diferentes tipos.”
Para Bicudo 3 a Educação Matemática possui um campo de investigação e de ação muito amplo. Os pesquisadores devem sempre analisar criticamente suas ações com o intuito de perceber no que elas contribuem com a Educação Matemática do cidadão.
Portanto, para resumir, podemos dizer que a educação matemática é uma área de estudos e pesquisas que possui sólidas bases na Educação e na Matemática, mas que também está contextualizada em ambientes interdisciplinares. Por este motivo, caracteriza-se como um campo de pesquisa amplo, que busca a melhoria do processo ensino-aprendizagem de Matemática.
Vamos então retomar a discussão inicial sobre as tendências da Educação Matemática, porém com uma visão mais clara sobre o significado de Educação Matemática.
(^1) SOUZA, Antonio Carlos et al. Diretrizes para a Licenciatura em Matemática. Bolema , Rio Claro, n. 7, p. 90-99, 1991. (^2) CARVALHO, João Pitombeira de. Avaliação e perspectiva na área de ensino de matemática no Brasil. Em Aberto , Brasília, n. 62, p. 74-88, abr./jun. 1994. p. 81. (^3) BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. Ensino de matemática e educação matemática: algumas considerações sobre seus significados. Bolema , Rio Claro, n. 13, p. 1-11, 1999.
14 Tendências em Educação Matemática
A área da Educação tem sido alvo de constantes pesquisas que buscam inovar a sala de aula e desenvolver uma prática docente criativa e adequada às necessidades da sociedade do século XXI. A Educação Matemática não ficou de fora deste processo. Ao contrário, também abre espaço para pesquisas e discussões que envolvam o ensino da Matemática.
Neste contexto, surgem tendências tanto na área da Educação como na de Educação Matemática, que envolvem diferentes abordagens consideradas importantes quando aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem. Pesquisadores da educação matemática mostram diferentes abordagens quando tratam das tendências da Educação Matemática. Para entender a evolução histórica, é necessário conhecer o trabalho de Fiorentini 4 , que apresenta uma categorização a partir da análise histórica do ensino da Matemática ao longo dos anos. O autor definiu aspectos para diferenciar cada uma das tendências como, por exemplo, a concepção de ensino, aprendizagem e de Matemática, as finalidades e os valores atribuídos ao ensino de Matemática e a relação professor-aluno.
As tendências apresentadas são: empírico-ativista, formalista-moderna, tecnicista e suas variações, construtivista, histórico-crítica e sócioetnoculturalista.
Vamos conhecer um pouco das concepções gerais destas tendências!
Na década de 1930, com o nascimento da Escola Nova, a Matemática é ensinada pelos seus valores utilitários, suas relações com as outras ciências e suas aplicações para resolver problemas do dia-a-dia. Utilizam-se atividades experimentais, a resolução de problemas e o método científico acreditando- se que o aluno aprende fazendo. Esta forma de trabalho é chamada de tendência empírico-ativista. Nas décadas de 1960 e 1970 o ensino de Matemática foi influenciado por um movimento de renovação conhecido como Matemática Moderna. Neste período, caracteriza-se a tendência formalista-moderna, com ênfase no uso da linguagem, no rigor e nas justificativas. O ensino era centrado no professor e distanciava-se das aplicações práticas. Nos anos setenta, surge a tendência tecnicista , na qual os conteúdos são apresentados como uma instrução programada. Os recursos e as técnicas de ensino passam a ser o centro do processo ensino-aprendizagem. Os alunos e o professor passam a meros executores de um processo desenvolvido por especialistas. O construtivismo é a base da tendência construtivista , que considera o conhecimento matemático resultante da ação interativa-reflexiva do indivíduo com o meio ambiente. Destaca-se o aprender a aprender e o desenvolvimento do pensamento lógico-formal.
(^4) FIORENTINI, Dario. Alguns modos de ver e conceber o ensino da matemática no Brasil. Zetetiké , Campinas, n. 4, p. 1-37, nov. 1995.
16 Tendências em Educação Matemática
Nesta seção vamos apresentar aspectos gerais que identificam o que consideramos como atuais tendências da Educação Matemática. Porém, é importante deixar claro que, em sala de aula, o professor pode utilizar várias tendências em uma mesma atividade. Ao optarmos pela caracterização, não estamos considerando uma classificação fechada. Podemos pensar em diversos conjuntos que possuem intersecções. Assim, em sala de aula, o professor pode usar o seu potencial criativo para definir atividades que caracterizem o uso de várias tendências. Vamos então conhecer um pouco mais sobre as atuais tendências da educação matemática!
A educação matemática crítica surge na década de 1980 como um movimento que promove debates acerca do tema poder. Ao levar em consideração os aspectos políticos da educação matemática praticada, busca respostas para perguntas tais como:
Para quem a Educação Matemática deve estar voltada? A quem interessa? Quando se tenta responder perguntas deste tipo, levantam-se debates sobre questões de preconceito, democracia, interesses políticos etc. Ao trabalhar com a matemática crítica é possível mostrar ao aluno uma outra faceta do papel da Matemática na sociedade, tornando-a uma ferramenta importante na busca de uma sociedade mais justa.
O termo etnomatemática foi criado com o objetivo de descrever as práticas matemáticas de grupos culturais, a partir da análise das relações entre conhecimento matemático e contexto cultural. A etnomatemática leva em consideração que cada grupo cultural possui identidade própria ao pensar e agir e, portanto, possui um modo próprio de desenvolver o conhecimento matemático. Exemplos de grupos culturais: MST (Movimento Sem-Terra), artesãos, índios, classes profissionais etc. Esta tendência será detalhada na Unidade 3.
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Vários aspectos desta tendência já foram discutidos na disciplina Informática e Ensino de Matemática. Considera-se que o uso de computadores e calculadoras pode levar às escolas os anseios de uma nova geração, já acostumada com estas tecnologias. Com a presença do computador, a aula ganha um novo cenário que reflete diretamente na relação professor- aluno. O computador pode funcionar como uma ponte de ligação entre o que acontece na sala de aula e o que está fora da escola.
Escrever sobre Matemática pode parecer estranho, principalmente para alunos e professores acostumados com o paradigma: quem gosta de Matemática não precisa saber escrever. Em uma sociedade dita do conhecimento, paradigmas como este já não deveriam mais existir, tendo em vista que se busca a formação de um indivíduo integral e mais generalista. Assim, trabalhar com a tendência escrita sobre Matemática gera um processo de reflexão a respeito da compreensão individual sobre o conteúdo abordado.
A modelagem é a arte de expressar, por intermédio da linguagem matemática, situações-problema reais. É uma nova forma de encarar a Matemática e consiste na arte de transformar problemas da realidade em problemas matemáticos e resolvê-los interpretando suas soluções na linguagem do mundo real.
Esta tendência será detalhada na Unidade 2.
A integração entre a Matemática e a Literatura vem sendo discutida no meio educacional e fundamenta-se no interesse em desenvolver práticas pedagógicas interdisciplinares. Acreditamos que a união de áreas do saber pode tornar mais atrativo e interessante o estudo, bem como mais eficiente o processo de ensino-aprendizagem.
Surge como uma tendência e um repensar da Educação Matemática e vem sendo praticada principalmente na educação infantil e no ensino fundamental. Esta tendência será detalhada na Unidade 4.
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Não são usuais, no contexto das aulas de Matemática, a discussão e a reflexão sobre a compreensão de textos. Em regra, os professores observam que seus alunos têm dificuldades para compreender um texto com conteúdos de Matemática ou textos de problemas, entretanto, nada fazem para superá-las, pois desconhecem as estratégias adequadas.
Na Unidade 5, vamos fazer reflexões e considerações para auxiliar o professor neste contexto.
Na disciplina Criatividade e Jogos Didáticos discutiu-se que atualmente os jogos e recreações são apresentados como estratégias para o desenvolvimento de ambientes de aprendizagem que propiciem a criatividade, não só para crianças, mas também para adolescentes e adultos. O uso de jogos e recreações em classe pode ser discutido a partir de vários referenciais teóricos e as evidências parecem justificar a importância e a validade nas propostas de ensino da Matemática.
20 Tendências em Educação Matemática