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Economia, Notas de estudo de Engenharia Naval

apostila completa sobre economia

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 02/07/2013

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4.7

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Economia
Irma Filomena Lobosco
Adaptada/Revisada por Alberto dos Santos e Zulmira Silva (setembro/2012)
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Economia

Irma Filomena Lobosco

Adaptada/Revisada por Alberto dos Santos e Zulmira Silva (setembro/2012)

APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Economia, parte in- tegrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apre- sentação do conteúdo básico da disciplina.

A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis- ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.

Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação.

Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple- mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.

A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital

  • INTRODUÇÃO...............................................................................................................................................
  • 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS
    • 1.1 Conceitos de Economia.................................................................................................................................................
    • 1.2 Classificação dos Bens ...................................................................................................................................................
    • 1.3 A Economia como Ciência Social ...........................................................................................................................
    • 1.4 A Economia e suas Relações.....................................................................................................................................
    • 1.5 O Problema Econômico .............................................................................................................................................
    • 1.6 Sistemas Econômicos..................................................................................................................................................
    • 1.7 Recursos ou Fatores (Meios) de Produção ..........................................................................................................
    • 1.8 O Princípio do Custo de Oportunidade ...............................................................................................................
    • 1.9 Riqueza, Utilidade e Valor ..........................................................................................................................................
    • 1.10 Bens e Serviços............................................................................................................................................................
    • 1.11 Setores Econômicos ..................................................................................................................................................
    • 1.12 Divisão da Economia ................................................................................................................................................
    • 1.13 Método...........................................................................................................................................................................
    • 1.14 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................
    • 1.15 Atividades Propostas ................................................................................................................................................
  • 2 EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO
    • 2.1 Antiguidade ....................................................................................................................................................................
    • 2.2 Mercantilismo ................................................................................................................................................................
    • 2.3 Fisiocracia ........................................................................................................................................................................
    • 2.4 Os Clássicos .....................................................................................................................................................................
    • 2.5 Teoria Neoclássica ........................................................................................................................................................
    • 2.6 A Era Keynesiana ...........................................................................................................................................................
    • 2.7 O Período Recente........................................................................................................................................................
    • 2.8 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................
    • 2.9 Atividades Propostas...................................................................................................................................................
  • 3 MICROECONOMIA
    • 3.1 Pressupostos Básicos da Análise Microeconômica..........................................................................................
    • 3.2 As Tarefas do Sistema de Mercado.........................................................................................................................
    • 3.3 Como o Mercado Funciona.......................................................................................................................................
    • 3.4 Produção ..........................................................................................................................................................................
    • 3.5 Os Setores de Produção .............................................................................................................................................
    • 3.6 Possibilidade de Produção ........................................................................................................................................
    • 3.7 Os Fatores de Produção .............................................................................................................................................
    • 3.8 A Produção do Capital ................................................................................................................................................
    • 3.9 Os Dois Mercados .........................................................................................................................................................
    • 3.10 Demanda, Oferta e Equilíbrio ................................................................................................................................
    • 3.11 Oferta ..............................................................................................................................................................................
    • 3.12 Equilíbrio de Mercado ..............................................................................................................................................
    • 3.13 Elasticidades.................................................................................................................................................................
    • 3.14 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................
    • 3.15 Atividades Propostas ................................................................................................................................................
  • 4 TEORIA DA PRODUÇÃO
    • 4.1 O Modelo Básico ...........................................................................................................................................................
    • 4.2 A Lei dos Rendimentos Decrescentes...................................................................................................................
    • 4.3 Os Rendimentos da Firma .........................................................................................................................................
    • 4.4 Produtividade ................................................................................................................................................................
    • 4.5 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................
    • 4.6 Atividades Propostas...................................................................................................................................................
  • 5 MERCADO DE TRABALHO.............................................................................................................
    • 5.1 História do Trabalho ....................................................................................................................................................
    • 5.2 Mercado de Trabalho ..................................................................................................................................................
    • 5.3 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................
    • 5.4 Atividades Propostas...................................................................................................................................................
  • 6 FUNDAMENTOS DA MACROECONOMIA
    • 6.1 Principais Índices que Acompanham os Preços ...............................................................................................
    • 6.2 O Balanço de Pagamentos ........................................................................................................................................
    • 6.3 Políticas Econômicas ...................................................................................................................................................
    • 6.4 A Inserção do Brasil na Economia Mundial.........................................................................................................
    • 6.5 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................
    • 6.6 Atividades Propostas...................................................................................................................................................
  • RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS
  • REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

A Economia cada vez mais vai se firmando como uma ciência imprescindível para o mundo dos ne- gócios, não só internamente em cada país, como externamente, pois os países, com a abertura econômi- ca do mundo em seguida à liberalização do movimento de capitais, ficam expostos a decisões tomadas por agentes econômicos internacionais.

A estrutura da apostila baseia-se no problema da escassez, a fim de estudar a oferta e a procura de produtos e, a partir desse instrumental, abordar a microeconomia ou teoria dos preços/economia da empresa, analisando a demanda, a oferta, as estruturas de mercado, a teoria da produção e fatores de produção.

A teoria macroeconômica, em âmbito nacional, propõe aos governos o estudo das variáveis ma- croeconômicas, e, ainda, fornece ferramentas para a análise do comportamento da Economia como um todo.

O presente material foi desenvolvido para a modalidade do Ensino a Distância (EaD) e seu uso será de grande valia no decorrer das aulas do curso.

Tem como objetivos gerais: propiciar a análise dos conceitos de oferta e demanda, entender a fun- cionalidade da atividade econômica, sua abrangência e limitações, entender a interação das complexas variáveis da atividade econômica, e identificar a economia no que tange ao mercado de trabalho e prin- cipais variáveis macroeconômicas.

Ao final de cada capítulo, leia com atenção os enunciados e responda às questões propostas. Essas questões objetivam auxiliá-lo(a) na aprendizagem. Primeiramente, responda a todas as questões e so- mente ao final verifique as suas respostas, relacionando-as com as respostas e comentários do professor, ao final desta apostila.

Irma Filomena Lobosco

Irma Filomena Lobosco

A esse respeito, Guimarães e Gonçalves (2010, p. 1) argumentam que:

Entendendo o funcionamento da econo- mia, somos capazes de julgar se o gover- no deve intervir ou não nas mais variadas situações, e de compreender os princípios básicos que devem nortear as decisões sobre políticas públicas. Deve o governo interferir nos impactos sobre o preço do ouro de uma charge ofensiva a Maomé feita por um cartunista dinamarquês?

Deve o governo cobrar pedágio a fim de reduzir o congestionamento nas ruas das grandes cidades? Quais são exatamente os custos da intervenção do governo? O entendimento da economia nos auxilia a pensar sobre questões desse tipo.

Podemos, assim, concluir que cada pessoa tende, naturalmente, a julgar um fato econômico pelo seu efeito imediato sobre ela.

1.1 Conceitos de Economia

Podemos explicar o que é Economia anali- sando o significado do verbo ‘economizar’ ou da expressão ‘fazer economia’. Economizar significa evitar gastar inutilmente e guardar para futuras necessidades; sempre procuramos economizar o nosso dinheiro, reservando uma parte para uma situação de emergência. Segundo Vasconcellos e Garcia (2010, p. 2): “A palavra economia deriva do grego oikonomos (de oikos, casa, e nomos, lei), que significa a admi- nistração de uma casa, ou do Estado.” Ainda segundo os autores, pode ser assim definida:

Economia é a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem) empregar recursos produti- vos escassos na produção de bens e ser- viços, de modo a distribuí-los entre as vá- rias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas. (VASCONCELLOS; GARCIA, 2010, p. 2).

Essa definição contém vários conceitos im- portantes, que são a base e o objeto do estudo da ciência econômica, que estuda a produção, a cir- culação, a distribuição e o consumo, quais sejam:

ƒ ƒ Escolha: decisões das pessoas sobre consumir, trabalhar, poupar, estudar; as decisões das empresas sobre produzir,

contratar trabalhadores, investir; e até as decisões dos nossos governantes. Afinal, por trás de tudo o que observa- mos na economia e na sociedade estão os atos e as escolhas individuais (GUI- MARÃES; GONÇALVES, 2010); ƒ ƒ Bem: é tudo aquilo capaz de atender a uma necessidade humana. Pode ser material ou imaterial (PINHO; VASCON- CELLOS, 2011); ƒ ƒ Escassez: produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos dis- poníveis a cada sociedade (PINHO; VAS- CONCELLOS, 2011); ƒ ƒ Necessidade humana: qualquer ma- nifestação de desejo que envolva a es- colha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social do indivíduo (PINHO; VASCONCELLOS, 2011); ƒ ƒ Recursos: são os meios materiais ou imateriais que permitem satisfazer cer- tas necessidades. Mão de obra, recursos naturais/terra, capital, capacidade em- presarial (ECONOMIANET, 2011); ƒ ƒ Produção: criação de um bem ou de um serviço adequado para a satisfação de uma necessidade (ECONOMIANET, 2011);

Economia

ƒ ƒ Distribuição: é a maneira como a pro- dução ou a renda total é distribuída en- tre os indivíduos ou entre os fatores de produção (ECONOMIANET, 2011).

Ainda está para ser elaborada uma defini- ção definitiva sobre Economia. Muitas têm sido propostas e discutidas. De acordo com Mochón (2004, p. 9), “a economia estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o ob- jetivo de produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da socieda- de” ou, então, “economia é a ciência que estuda a produção, a circulação, a distribuição e o con- sumo”.

Economia é o estudo das leis econômicas indicadoras do caminho que devemos seguir a fim de aumentarmos a produtividade, melhoran- do o padrão de vida das populações com o cor- reto emprego dos recursos (SAMUELSON, 1975).

A Economia só surgiu como ciência a partir do século XVIII, quando foram feitas grandes des- cobertas técnicas e científicas que modificaram radicalmente o modo de produzir dos povos (Re- volução Industrial). Desde então, a Economia foi

se tornando cada vez mais importante (GUIMA- RÃES, 1993). Ela trata do bem-estar do homem e os ele- mentos-chave da atividade econômica são: (a) os recursos produtivos ( R ); (b) as técnicas de pro- dução (que transformam os recursos em bens e serviços – BS ); (c) as necessidades humanas ( NH ) (MENDES, 2005). Tem-se:

R → BS → NH

Portanto, podemos afirmar que a função da Economia como um todo é descrever, analisar, ex- plicar e correlacionar o comportamento da pro- dução, do desemprego, dos preços e dos fenôme- nos semelhantes.

Atenção Atenção

A Economia estuda a maneira como os homens e as sociedades decidem, com ou sem utilização do dinheiro, empregar re- cursos produtivos escassos!

1.2 Classificação dos Bens

Tudo que é raro em relação às necessidades individuais ou coletivas deve ser economizado. Assim, tudo aquilo que é raro é um bem econô- mico e tudo aquilo cuja abundância supera nos- sas necessidades não é um bem econômico. O ar que respiramos, a areia do deserto, a água do mar e muitos outros bens não podem ser classificados como bens econômicos. São classificados como bens livres. A principal característica dos bens econômicos é sua carência, isto é, existem em menor quantidade do que as necessidades.

Devido a essa característica, os bens econô- micos devem ser racionados. Isso pode ser feito através de um sistema de repartição autoritária

ou – o que é mais frequente – cobrando-se um preço daqueles que desejam tais bens. Devido à sua carência, os bens econômicos devem, geralmente, ser produzidos, quando en- tão tomam a forma de serviços ou de bens ma- teriais: o vendedor que realiza a venda de um de- terminado produto (mercadoria) na loja participa na produção do bem econômico, assim como o operário que trabalhou na sua produção. Fabricar algo, transpor e vendê-lo, ministrar uma aula, cortar o cabelo, entregar uma carta, tudo isso e mais uma infinidade de outras ativida- des são atos de produção. Quem realiza atos de produção realiza uma atividade econômica.

Economia

De acordo com Vasconcellos (2002, p. 32):

a teoria econômica utiliza-se de argu- mentos positivos (economia positiva) e argumentos normativos (economia nor- mativa). A economia normativa contém um juízo de valor, subjetivo, e a economia positiva é o conjunto de conhecimentos objetivos, que respeita todos os cânones científicos.

Quando se diz que deveria ocorrer uma me- lhoria na distribuição de renda, expressa-se um juízo de valor, pois é uma crença que é uma coi- sa boa ou má. Esse exemplo é um argumento da economia normativa. Já a economia positiva au- xiliará a identificar o instrumento de política eco- nômica adequado à diminuição da concentração de renda, como, por exemplo, política salarial ou política tributária, que avaliará os aspectos positi- vos e negativos.

1.4 A Economia e suas Relações

A Economia faz fronteira com outras impor- tantes disciplinas, tais como: sociologia, psicolo- gia, antropologia, administração, contabilidade, estatística e matemática. Para a interpretação de registros históricos, são necessários os instrumen- tos analíticos, porque os fatos não “contam com sua própria história”, mas possuem grande impor- tância.

Caro(a) aluno(a), Vasconcellos (2002, p. 33) procurou estabelecer os pontos de contato entre a teoria econômica e outras áreas do conheci- mento:

Na chamada pré-economia, antes da Re- volução Industrial do século XVIII, que corresponde ao período da Idade Média, a atividade econômica era vista como parte integrante da Filosofia, Moral e Éti- ca. A Economia era orientada por princí- pios morais e de justiça. O início do es- tudo sistemático da Economia coincidiu com os grandes avanços na área de Física e Biologia nos séculos XVIII e XIX. Com o passar do tempo, predominou uma con- cepção humanística, que coloca em pla- no superior os móveis psicológicos da atividade humana. A Economia é por ex- celência uma ciência social, pois objetiva a satisfação das necessidades humanas. Muitos avanços obtidos na Teoria Eco- nômica advieram da pesquisa histórica, pois a História facilita a compreensão do presente, e ajuda nas previsões para o fu- turo, com bases nos fatos do passado. Há também uma grande conexão entre Eco-

nomia e Geografia, pois esta permite ava- liar também questões como as condições geoeconômicas dos mercados regionais, a concentração espacial dos fatores pro- dutivos, a localização de empresas, a composição setorial da atividade econô- mica, muito úteis à análise econômica. Aponta ainda a relação entre Economia e Política, pois, nesse sentido a atividade econômica subordina-se à estrutura ao regime político do país.

Como você sabe, e vimos na citação ante- rior, a esse respeito Vasconcellos e Garcia (2010, p.

  1. afirmam que,

apesar de ser uma ciência social, a Eco- nomia é limitada pelo meio físico, dado que os recursos são escassos, e se ocu- pa de quantidades físicas e das relações entre essas quantidades. Daí surge a ne- cessidade da utilização da Matemática e da Estatística como ferramentas para estabelecer relações entre variáveis eco- nômicas. Por exemplo, a relação entre o consumo nacional está diretamente re- lacionada com a renda nacional e pode ser representada da seguinte forma: C = ƒ(RN) e ΔC / ΔRN > 0. Diz que o consumo (C) é uma função (ƒ) da renda nacional (RN) e dada uma variação da renda nacio- nal (ΔRN), terá uma variação diretamente proporcional (na mesma direção) do con- sumo agregado (ΔC).

Irma Filomena Lobosco

Como as relações econômicas não são exatas, mas probabilísticas, recorre-se à Estatística. Por exemplo: C = 2pr, onde C = comprimento da circunferência, p = le- tra grega PI e r = radianos, é uma relação

matemática exata qualquer que seja o comprimento da circunferência. Em eco- nomia tratamos de leis probabilísticas.

1.5 O Problema Econômico

O problema econômico está centralizado no fato de que os recursos disponíveis ao homem para produzir bens e serviços são limitados, escas- sos, mas a necessidade ou desejo desses bens e serviços varia e é insaciável (MENDES, 2005, p. 3). A ciência econômica procura resolver esse problema, atribuindo um grau de importância a cada necessidade e sugerindo a canalização dos recursos para a satisfação das necessidades mais urgentes. Um indivíduo deve satisfazer suas ne- cessidades, porém o alimento cotidiano e o lazer não têm a mesma importância. De que adianta o indivíduo andar vestido de acordo com a última moda se tem dificuldades em se alimentar? Tam- bém não têm a mesma importância a necessida- de de pagar a educação dos filhos e o desejo de comprar um carro. O dinheiro que um indivíduo dispõe serve para muita coisa quando é abundante. Como, em geral, o dinheiro é escasso, é preciso utilizá-lo muito bem, para que seja suficiente para o mais importante, ao mesmo tempo em que se procura melhorar a situação. Um país também tem muitas necessidades: estradas, represas, hospitais, escolas, fábricas etc. Diante da elevada quantidade de necessidades, o governo, geralmente, sente a falta de recursos. É preciso classificá-las segundo sua importância e, em seguida, canalizar para as prioritárias os recur- sos disponíveis.

AtençãoAtenção

A Economia é a ciência da escassez ou das escolhas.

Por escassez, entende-se a situação em que os recursos são limitados e podem ser utilizados de diferentes maneiras, de tal modo que devemos sacrificar uma coisa por outra. A seguir, apresen- tam-se situações de escassez comuns no dia a dia:

ƒ ƒ uma quantidade limitada de recursos (dinheiro) para consumir alimentos ofertados nos supermercados exige a escolha entre a compra de determina- das mercadorias (comprar unidades a mais de um produto e a menos de ou- tro); ƒ ƒ tempo limitado para ler um livro que exige algumas horas de dedicação im- plica ter menos horas para se dedicar a outras atividades, como, por exemplo, assistir a um filme no cinema; ƒ ƒ na empresa, uma máquina tem capaci- dade para produzir dois diferentes pro- dutos e exige decisão de qual deles irá produzir a mais ou a menos.

Para Vasconcellos (2002, p. 22),

todas as sociedades, qualquer que seja seu tipo de organização econômica ou regime político, são obrigadas a fazer opções, escolhas entre alternativas, uma vez que os recursos não são abundantes. Elas são obrigadas a fazer escolhas sobre O QUE E QUANTO, COMO e PARA QUEM produzir.

O QUE E QUANTO PRODUZIR? A socieda- de é responsável por decidir se produz mais bens de consumo ou bens de capital, como, por exem- plo, se quer produzir mais armas de fogo ou mais

Irma Filomena Lobosco

Mercado de bens e serviços

Mercado de fatores de produção

Demanda

Oferta

Famílias Empresas

Demanda

Oferta

mais existirão consumidores em espera; ƒ ƒ sistema de mercado misto: atuação do governo para eliminar as distorções alocativas e distributivas de recursos e promover a melhoria do padrão de vida de coletividade, das seguintes formas:

  • atuação sobre a formação de preços via impostos, subsídios, tabelamentos, fixação de salá- rio-mínimo, preços mínimos, taxa de câmbio;
  • compra de bens e serviços do setor privado;
  • fornecimento de bens públicos que não são vendidos no mer- cado: educação, justiça, segu- rança. É aquele bem que não apresenta rivalidade em seu consumo;
  • fornecimento de serviços pú- blicos: iluminação, água, sanea- mento básico, transporte etc.;
  • investimento em infraestrutura básica (energia, estradas etc.), o qual a iniciativa privada não tem recursos financeiros de as- sumir.

No funcionamento de uma economia cen- tralizada ou planificada, a propriedade dos recur- sos é do Estado. Os meios de produção incluem máquinas, edifícios, residências, terra, matérias- -primas. Os meios de sobrevivência pertencem aos indivíduos (roupas, carros, televisores etc.).

A forma de resolver os problemas econômicos fundamentais é decidida por uma agência ou ór- gão central de planejamento e não pelo mercado (VASCONCELLOS, 2002).

Os Agentes Econômicos

No funcionamento do sistema econômico de uma economia de mercado que não tenha interferência do governo e não tenha transações com o exterior (economia fechada), os agentes econômicos são as famílias (unidades familiares) e as empresas (unidades produtoras).

As famílias são as proprietárias dos fatores de produção e os fornecem às unidades de produ- ção (empresas), por meio do mercado dos fatores de produção. Consequentemente, as empresas, através da combinação dos fatores de produção, produzem bens e serviços e os fornecem às famí- lias por meio do mercado de bens e serviços. Observe caro(a) aluno(a) as figuras a seguir. Esse fluxo é denominado de Fluxo Real da Economia, conforme apresentado na Figura 1.

DicionárioDicionário Agente Econômico: indivíduos, grupos de indiví- duos ou organismos que constituem, do ponto de vista dos movimentos econômicos, os centros de decisão e de ações fundamentais. Fonte: Economianet (2011).

Figura 1 – Fluxo real da economia.

Fonte: Vasconcellos e Garcia (2010).

Economia

No mercado de bens e serviços, as famílias demandam bens e serviços, enquanto as empre- sas os ofertam; no mercado de fatores de produ- ção, as famílias ofertam os serviços dos fatores de produção, que são de sua propriedade, enquanto as empresas os demandam.

Pagamentos dos bens e serviços

Remuneração dos fatores de produção

Famílias Empresas

Famílias Empresas

Mercado de bens e serviços

Mercado de fatores de produção

Cabe ressaltar que o fluxo real da economia só é possível com a moeda, que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o paga- mento dos bens e serviços. Assim, paralelo ao fluxo real, temos um flu- xo monetário da economia (Figura 2).

Figura 2 – Fluxo monetário da economia.

Finalmente, o fluxo circular de renda é a união dos fluxos real e monetário da economia (Figura 3).

Fonte: Vasconcellos e Garcia (2010).

Figura 3 – Fluxo circular de renda.

Fonte: Fontes, Ribeiro e Santos (2010). (^) Fluxo monetário Fluxo real (bens e serviços)

Economia

POSSIBILIDADES PRODUÇÃO DE GUARANÁ (milhões de litros/mês)

PRODUÇÃO DE CDs (milhões de unidades/mês) A B C D E F 30 28 24 18 10 0

0 1 2 3 4 5

toma decisões de negócios, assume os riscos oriundos dessas decisões, compro- mete tempo e dinheiro com um negócio sem nenhuma garantia de lucro.

Curva de Possibilidades de Produção

Você sabia que levando em consideração que, em cada dia útil de trabalho, cerca de 80 mi- lhões de pessoas produzem uma variedade de bens e serviços avaliada em, aproximadamente, R$ 4 bilhões^1?

A quantidade de bens e serviços que pode ser produzida é limitada por nossos recursos dis- poníveis e pela tecnologia que dominamos.

De acordo com Mendes (2005, p. 8),

na escolha dos bens e serviços que de- vem ser produzidos, a primeira provi- dência é determinar quais combinações de bens e serviços são possíveis, levando em consideração duas restrições: (a) que a quantidade de recursos produtivos é determinada (limitada); (b) que o nível de

(^1) Avaliada em aproximadamente 4 bilhões a quantidade de bens e serviços.

tecnologia disponível também é deter- minado, ou seja, naquele momento, não é possível fazer uma mudança tecnoló- gica. Esse limite é descrito pela curva ou fronteira de possibilidade de produção.

A decisão das empresas a princípio pode não estar relacionada com a maximização do lu- cro: algumas visam à reputação de longo prazo, ao aumento da participação no mercado. Entre- tanto, o meio para alcançar tais objetivos é fazê- -lo vendendo o bem a um preço baixo por certo tempo. Nessa ação a empresa prejudica a lucrati- vidade no momento presente, mas contribui para obter maior lucro no futuro, atraindo um número maior de clientes. Caro(a) aluno(a), a seguir, ilustra-se, na Ta- bela 1, a curva de possibilidade de produção de dois produtos num determinado momento, con- siderando, assim, que a quantidade produzida de todos os demais bens e serviços é mantida cons- tante; admitindo dois produtos que a maioria dos estudantes adquire: guaraná e CDs (MENDES, 2005).

Tabela 1 – Seis pontos hipotéticos sobre a fronteira de possibilidades de produção.

Fonte: Mendes (2005, p. 7).

Irma Filomena Lobosco

Figura 4 – A curva de possibilidades de produção.

U

Carros

Camisas

Produção eficiente

Unindo-se os pontos, obtém-se a chama- da ‘curva das possibilidades de produção’ ou curva de transformação, à medida que se passa do ponto A para B, de B para C e assim por diante, até D, em que se es- tarão transformando carros em camisas. O pleno emprego é definido por uma situação em que os recursos disponíveis estão sendo plenamente utilizados na produção de bens e serviços, garantin- do o equilíbrio econômico das ativida- des produtivas. (PINHO; VASCONCELLOS, 2011, p. 13).

A eficiência de produção é alcançada se não pudermos produzir mais de um produto sem produzir menos de algum outro bem. Uma eco- nomia poderia estar produzindo abaixo da curva de possibilidade de produção por uma das duas seguintes razões:

a) os recursos não estão sendo emprega- dos plenamente; b) os recursos estão sendo utilizados de maneira ineficiente.

Mudança na curva de possibilidade de produção

Considerando a necessidade de crescimen- to econômico de um país como o Brasil em vir- tude do crescimento populacional elevado, con- forme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)^2 , e admitindo-se que a produ- ção já seja eficiente, como seria possível produ- zir mais de ambos os produtos? Como é possível deslocar para a direita a curva de possibilidade de produção? De acordo com a curva de possibilidade de produção, a opção de produção disponível com um dado conjunto de recursos produtivos deve deslocar a curva de possibilidade de produção para a direita (crescimento econômico). Se uma economia utilizar mais recursos naturais, huma- nos, capital e habilidades empreendedoras, ela poderá, como um todo, produzir mais de cada um dos bens e serviços. Esse mesmo resultado pode ser alcançado se novas tecnologias forem desen- volvidas, de tal modo que a produtividade dos fa- tores aumente. O formato de curva é explicado pelo concei- to de custo de oportunidade, que é um dos prin-

(^2) Em comparação com o Censo 2000, ocorreu um aumento de 20.933.524 pessoas. Esse número demonstra que o crescimento da população brasileira no período foi de 12,3%, inferior ao observado na década anterior (15,6% entre 1991 e 2000). O Censo 2010 mostra também que a população é mais urbanizada que há 10 anos: em 2000, 81% dos brasileiros viviam em áreas urbanas, agora são 84% (IBGE, 2012).

Irma Filomena Lobosco

A palavra ‘riqueza’ lembra uma grande quantidade de bens econômicos ou dinheiro. Em Economia, qualquer bem útil, acessível e limita- do recebe o nome de riqueza. Utilidade é a qualidade que possuem os bens econômicos de satisfazer as necessidades humanas. O bem, porém, só é útil quando de- sejado pelo homem. Utilidade, portanto, é um conceito mais subjetivo que objetivo. O grau de utilidade de um bem depende da necessidade de cada indivíduo. Um bem pode ser útil para al- guém e não o ser para outra pessoa. Pinho e Vasconcellos (2011, p. 11) definem utilidade como “a capacidade que tem um bem de satisfazer uma necessidade humana.” Valor é a medida da utilidade econômica. Existem dois tipos:

1.9 Riqueza, Utilidade e Valor

ƒ ƒ valor de uso: é a utilidade que um bem tem para nós pessoalmente. É conheci- do também como valor de estima; ƒ ƒ valor de troca: é o valor que um bem tem no sentido de poder ser trocado por outro. É o valor de mercado do bem.

Desse modo, um bem pode ser de grande valor de uso e de nenhum valor de troca, como um álbum de fotos de família, por exemplo. O valor das coisas é determinado por um conjunto de fatores; o trabalho e a utilidade são apenas dois dos fatores constitutivos desse valor. Além desses, existem outros elementos sociais, políticos, psicológicos, estéticos etc.

1.10 Bens e Serviços

1.11 Setores Econômicos

Os produtos devem ser classificados segun- do sua natureza e seu destino. Segundo a nature- za, os produtos gerados no processo produtivo se classificam em bens (B) e serviços (S). Os bens são produtos tangíveis oriundos das atividades dos setores primário, secundário e terciário de produção. Já os serviços são os pro- dutos intangíveis, resultantes das atividades ter- ciárias de produção.

Segundo o destino, os produtos podem ser classificados em: bens e serviços de consumo du- ráveis ou de uso imediato; bens e serviços inter- mediários (matérias-primas ou insumos para se- rem transformados em bens de consumo); bens e serviços de produção (bens de capital).

Mendes (2005, p. 11) afirma que “de acordo com a intensidade de uso dos recursos, são classi- ficadas as atividades de produção”, os chamados setores da Economia, a seguir:

a) setor primário: agricultura, pecuária, extração vegetal; b) setor secundário: indústria extrativa mineral, indústria de transformação, in- dústria da construção;

Economia

c) setor terciário: comércio, comunica- ções, intermediação financeira, imo- biliárias, hospedagem e alimentação, reparação e manutenção, serviços pes- soais, outros serviços, como assistência à saúde, educação, cultura, lazer, culto religioso e governos federal, estaduais e municipais.

Mendes (2005) esclarece que, de modo ge- ral, o setor primário utiliza mais intensivamente o fator terra; o setor secundário ou setor industrial utiliza o fator capital; e o setor terciário, o fator tra- balho.

Atenção Atenção

O problema fundamental de qualquer economia reside na seguinte questão: diante das necessi- dades humanas, que são variadas e insaciáveis, e os recursos, que são limitados e versáteis, como combiná-los para satisfazer ao máximo as neces- sidades da sociedade?

1.12 Divisão da Economia

1.13 Método

A bifurcação da ciência econômica nesses dois grandes ramos, isto é, a macroeconomia e a microeconomia , data dos primórdios da década de 1930. Ambas giram em torno do problema da limitação e do caráter finito dos recursos produti- vos em face das necessidades vitais e da civiliza- ção, infinitas e ilimitadas, subjacentes ao ser hu- mano, problemática essa que embasa e justifica a razão da existência da Economia como ciência.

a) Microeconomia ou teoria de forma- ção de preços: estuda os problemas econômicos do indivíduo, da família e da empresa; b) Macroeconomia: se envolve com os grandes problemas, em seus setores, no aspecto global ou seus agregados.

a) Indutivo: partimos da análise, observa- ção e pesquisa de fatos individuais para obtermos uma conclusão, um ensina- mento, uma lei ou verdade universal. b) Dedutivo: obtemos de leis e verdades universais experiências, ensinamentos, verdades ou leis de caráter particular, contidas naqueles princípios.

c) Psicológico: buscamos, na psicologia, a explicação sobre determinadas for- mas de comportamento da população. Exemplo: boatos (força dos comentá- rios).