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Função linear, Notas de estudo de Cálculo

Retas e Funções Lineares

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 28/02/2011

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edson-freitas-barros-7 🇧🇷

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Capítulo 1
Retas e Funções Lineares
1.1 A equação de uma reta
Intuitivamente é fácil perceber que dois pontos distintos denem uma única reta. Na geometria analítica podemos
determinar a equação de uma reta que passa por dois pontos distintos do plano cartesiano. Para tal, consideremos a
reta denida pelos pontos
A= (x0, y0)
e
B= (x1, y1)
da Figura 1.1(a); um ponto qualquer
P= (x, y)
também estará
sobre esta reta desde que
A
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B
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sejam colineares (estejam alinhados) - Figura 1.1(b).
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(b)
Reta pelos pontos
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B
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Figura 1.1:
Denindo a equação de uma reta
Tal condição de alinhamento é satisfeita se os triângulos
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forem semelhantes (neste caso uma semel-
hança do tipo ângulo-ângulo-ângulo); assim podemos escrever
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Simplicamos a equação (1.1) notando que a razão
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. Tal constante é chamada de
coeciente angular
da reta e doravante vamos denotá-la pela letra
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. É
útil observar que o coeciente angular de uma reta pode ser prontamente encontrado dividindo-se a variação
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Observe que
(x0, y0)
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(x1, y1)
são as cordenadas de dois pontos conhecidos da reta, assim
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,
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são números conhecidos.
Por outro lado a razão
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não é constante, uma vez que
x
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y
são as coordenadas de um ponto qualquer do plano cartesiano, logo
x
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y
são valores incógnitos.
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Capítulo 1

Retas e Funções Lineares

1.1 A equação de uma reta

Intuitivamente é fácil perceber que dois pontos distintos denem uma única reta. Na geometria analítica podemos determinar a equação de uma reta que passa por dois pontos distintos do plano cartesiano. Para tal, consideremos a reta denida pelos pontos A = (x 0 , y 0 ) e B = (x 1 , y 1 ) da Figura 1.1(a); um ponto qualquer P = (x, y) também estará sobre esta reta desde que A, B e P sejam colineares (estejam alinhados) - Figura 1.1(b).

x 0

y 0

x 1

y 1

A q

B q

(a) Reta pelos pontos A e B

x 0

y 0

x 1

y 1

x

y

A q

B q

P q

.......... qM (^) qN

............................ (^) θ

(b) Reta pelos pontos A, B e P

Figura 1.1: Denindo a equação de uma reta

Tal condição de alinhamento é satisfeita se os triângulos ABM e AP N forem semelhantes (neste caso uma semel- hança do tipo ângulo-ângulo-ângulo); assim podemos escrever

y − y 0 x − x 0

y 1 − y 0 x 1 − x 0

Simplicamos a equação (1.1) notando que a razão

y 1 − y 0 x 1 − x 0

é constante^1. Tal constante é chamada de coeciente angular da reta e doravante vamos denotá-la pela letra a. É útil observar que o coeciente angular de uma reta pode ser prontamente encontrado dividindo-se a variação ∆y das

(^1) Observe que (x 0 , y 0 ) e (x 1 , y 1 ) são as cordenadas de dois pontos conhecidos da reta, assim x 0 , y 0 , x 1 e y 1 são números conhecidos. Por outro lado a razão y x−−xy^00 não é constante, uma vez que x e y são as coordenadas de um ponto qualquer do plano cartesiano, logo x e y são valores incógnitos.

ordenadas dos pontos pela variação ∆x de suas as abcissas; assim

a =

∆y ∆x

y 1 − y 0 x 1 − x 0

ou a =

∆y ∆x

y 0 − y 1 x 0 − x 1

Substituindo o valor do coeciente angular dado em (1.2) na equação da reta (1.1) obtemos

y − y 0 x − x 0

= a, (1.3)

ou, mais apropriadamente,

y − y 0 = a(x − x 0 ) , (1.4)

chamada equação da reta na forma ponto-coeciente angular. Isolando y nesta equação obtemos

y = ax − ax 0 + y 0 ,

onde notamos que −ax 0 + y 0 é uma constante, denominada coeciente linear da reta e a qual denotaremos pela letra b. Podemos então reescrever a equação (1.4) como

y = ax + b , (1.5)

chamada equação da reta na forma reduzida.

Exemplo 1.1 (Reta por dois pontos dados) Determine a equação da reta pelos pontos (1, 3) e (2, 5), mostrada na Figura 1.2.

x

y 6

1

3 q

2

5 q

3

7 q

3

9 q

Figura 1.2: Reta pelos pontos (1, 3) e (2, 5).

  • Inicialmente calculamos seu coeciente angular

a = ∆y ∆x

  • A seguir, usando o ponto (1, 3), obtemos a equação da reta na forma ponto-coeciente

y − 3 = 2(x − 1).

  • Finalmente isolamos a variável y para obter sua forma reduzida

y = 2x + 1.

Então, esta reta tem coeciente angular a = 2 e coeciente linear b = 1.

x

y 6

(0, k)q y = k

(a) Reta horizontal a = 0

x

y (^6) x = k

q (k, 0) (b) Reta vertical a @

Figura 1.4: Reta horizontal e reta vertical

1.1.4 Equação geral da reta

Toda equação da forma Ax + By + C = 0 , (1.6)

onde A, B e C são constantes reais e A e B não são simultaneamente nulas, representa um reta. Para vericar esta armação consideramos as seguintes possibilidades:

  • se B 6 = 0, então podemos isolar y na equação (1.6), obtendo

y = −

A

B

x −

C

B

que é uma equação da forma (1.5); logo a equação de uma reta. Neste caso, se A = 0, a equação anterior se reduz a y = −

C

B

que é a equação de uma reta horizontal.

  • se B = 0, então podemos isolar x na equação (1.6), obtendo

x = −

C

A

que é a equação de uma reta vertical.

1.1.5 Retas paralelas e retas perpendiculares

A condição de paralelismo entre duas retas é facilmente estabelecida: duas retas paralelas formam o mesmo ângulo com o eixo das abscissas, logo seus coecientes angulares são iguais - Figura 1.5(a). A condição de perpendicularismo é um pouco mais sutil. Para estabelecê-la vamos recorrer à Figura 1.5(b), que nos mostra as retas perpendiculares

r 1 : y = a 1 x + b 1 e r 2 : y = a 2 x + b 2

concorrentes no ponto P = (x 0 , y 0 ). Como P pertence a ambas as retas, suas coordenadas satisfazem tanto a equação de r 1 como a de r 2 , isto é y 0 = a 1 x 0 + b 1 e y 0 = a 2 x 0 + b 2.

Na reta r 1 , um incremento de uma unidade na abscissa resulta

a 1 (x 0 + 1) + b 1 = a 1 x 0 + a 1 + b 1 = a 1 x 0 + b 1 + a 1 = y 0 + a 1 ;

isto é, a ordenada é incrementada de a 1 unidades. Logo o segmento RQ da Figura 1.5(b) mede a 1 unidades. De modo análogo, na reta r 2 , um incremento de uma unidade na abscissa resulta

a 2 (x 0 + 1) + b 2 = a 2 x 0 + a 2 + b 2 = a 2 x 0 + b 2 + a 2 = y 0 + a 2 ;

y = a 1 x + b 1

y = a 2 x + b 2

............. ......

................................... θ ...................

................................... θ

a 1 = a 2 = tg(θ)

(a) Retas paralelas

A r 1 : y = a 1 x + b 1 A A A A A A A A A A

A r^2 :^ y^ =^ a^2 x^ +^ b^2

qP

Q q

q (^) S

q (^) R

x 0 x 0 + 1

y 0

y 0 + a 1

y 0 + a 2

RQ = a 1

SR = −a 2

(b) Retas perpendiculares

Figura 1.5: Paralelismo e perpendicularismo de retas

isto é, a ordenada é decrementada de a 2 unidades^2. Logo o segmento SR da Figura 1.5(b) mede −a 2 unidades. Finalmente, observando que os triângulos P RQ e P RS são semelhantes (ângulo-ângulo-ângulo), podemos escrever

RQ RP

RP

SR

a 1 1

−a 2

∴ a 1 a 2 = − 1 ,

que é a condição de perpedicularismo entre duas retas. Assim, duas retas são perpendiculares quando o produto de seus coecientes angulares vale − 1.

1.2 Funções lineares

Funções lineares (ou funções polinomiais do 1 o^ grau) são funções^3 f : R → R da forma

y = f (x) = ax + b; (1.7)

onde a e b são constantes reais. Comparando as equações (1.5) e (1.7) concluímos imediatamente que o gráco de uma função linear é uma reta no plano cartesiano. A raiz^4 é dada por x = −b/a.

1.2.1 Modelos lineares

A despeito de sua simplicidade, várias situações importantes são modeladas por funções lineares. Por modelo linear queremos dizer que existem duas quantidades que se relacionam algebricamente através de uma equação (ou função) linear. Os próximos exemplos ilustram alguns modelos lineares.

Exemplo 1.3 (A pressão em um ponto submerso) Determine a relação entre a pressão p (medida em atm) e a profundidade h (medida em m) em um ponto submerso na água do mar, considerando que a pressão aumenta linearmente com a profundidade e que este aumento é de 1 atm a cada 10 m de descida.

  • Inicialmente observamos que quando h = 0 m (na superfície) a pressão é p = 1 atm; assim nossa reta passa pelo ponto (h, p) = (0, 1). Quando h = 10 m de profundidade a pressão aumenta para p = 2 atm; assim nossa reta também passa pelo ponto (h, p) = (10, 2).
  • De posse de dois pontos da reta determinamos seu coeciente angular

a =

∆p ∆h

(^2) Decrementada por que o valor numérico de a 2 é negativo. (^3) Lembre-se que o símbolo R denota o conjunto de todos números reais. Assim f : R → R indica que a função f tem como domínio (o R antes da echa) e contra-domínio (o R depois da echa) todos os números reais. (^4) As raízes, ou zeros, de uma função são todos os valores do domínio que anulam sua imagem, ou seja, são todos os elementos do domínio que possuem imagem zero. Determinamos as raízes de uma função f resolvendo a equação f (x) = 0.

(f ) perpendicular à reta y = 3x − 4 e passa pelo ponto P = (1, 2);

Problema 1.3 Determine se os três pontos dados são colineares (resolva este problema de dois modos: usando o coeciente angular e a fórmula da distância).

(a) (1, −4); (− 2 , −13) e (5, 8);

(b) (1, −7); (4, 2) e (2, 1);

(c) ( 12 , − 32 ); ( 14 , − 138 ) e (− 12 , −2);

Problema 1.4 Determine se os três pontos dados formam um triângulo retângulo (resolva este problema de dois modos: usando o coeciente angular e o Teorema de Pitágoras).

(a) (1, −3); (2, 7) e (− 2 , 5);

(b) (1, 2); (0, 1) e (− 1 , 2);

(c) (0, 0); (3, 6) e (− 4 , 2);

Problema 1.5 Esboce cada par de retas no plano cartesiano e determine o ponto de interseção.

(a) y = x − 2 e y = − 2 x + 4;

(b) y = 2x − 7 e y = − 2 x + 1;

(c) y = 3x − 1 e y = − 5 x + 2;

Problema 1.6 Determine o(s) valor(es) da constante k para que a reta

(k + 4)x + (9 − k^2 )y + (k − 6)^2 = 0

(a) seja paralela ao eixo-x;

(b) seja paralela ao eixo-y;

(c) passe pela origem.

Problema 1.7 O conjunto de todos os pontos eqüidistantes de dois pontos A e B dados é chamado reta mediatriz do segmento AB. Esboce e determine a equação da reta mediatriz do segmento AB, onde A = (− 1 , −3) e B = (5, −1), de dois modos:

(a) igualando a distância do ponto P = (x, y) a A e B e simplicando a equação obtida;

(b) usando o ponto médio do segmento AB e um coeciente angular adequado.

Problema 1.8 Dada a função f : R → R, tal que y = f (x) = 2x − 10 ,

(a) determine as coordenadas do ponto onde seu gráco corta o eixo-x;

(b) determine as coordenadas do ponto onde seu gráco corta o eixo-y;

(c) utilize as informações obtidas para esboçar seu gráco.

Problema 1.9 Voltando ao Exemplo 1.

(a) qual a unidade do coeciente angular da reta obtida? qual é o seu signicado?

(b) qual a unidade do coeciente linear da reta obtida? qual é o seu signicado?

Problema 1.10 Voltando ao Exemplo 1.

(a) qual o signicado do coeciente angular da reta obtida?

(b) qual o signicado do coeciente linear da reta obtida?

Problema 1.11 Dada a função f : R → R, tal que f (x) = 3x − 4 , determine as constantes a e b sabendo-se que f (a) = 2b e f (b) = 9a − 28.

Problema 1.12 Uma função linear é tal que f (3) = 2 e f (4) = 2f (2). Determine f.

Problema 1.13 Uma função linear é tal que f (0) = 1 + f (1) e f (−1) = 2 − f (0). Determine f (3).

Problema 1.14 Um avião parte de um ponto P no instante t = 0 e viaja para o oeste a uma velocidade constante de 450 Km/h.

(a) Escreva uma expressão para a distância d (em Km) percorrida pelo avião em função do tempo t (em horas).

(b) Trace o gráco d × t.

(c) qual o signicado do coeciente angular da reta obtida?

Problema 1.15 A equação da reta na forma (1.3) tem a vantagem da conexão direta com o raciocínio geométrico utilizado para obtê-la, ilustrado na Figura 1.1(b). Porém, rigorosamente falando, a equação de uma reta não pode ser deixada nesta forma. Por quê?

1.4 Respostas dos Problemas Propostos - Capítulo 1

  • 1.1 (página 6) (a) y = −x + 5 (b) y = x + 3 (c) y = 2x + 7 (d) y = 2x + 3 (e) y = 5x + 6 (f) y = − 3 x + 2 (g) y = − 3 x − 2 (h) y = 9x − 14 (i) y = − 9 x − 14 (j) y = −x − 6 (k) y = 3 (l) y = 1 (m) x = 1 (n) x = 3 Se a > 0 , reta ascendente Se a < 0 , reta descendente Se a = 0, reta horizontal Se a @, reta vertical
  • 1.2 (página 6) (a) y = x + 2; (b) y =

√ 3 x − 2

√ 3 + 4; (c) y − x + 8; (d) y = x − 5 ; (e) y = 3x − 1 ; (f) y = − 13 x + 73 ;

  • 1.3 (página 7)

(a) sim (b) não (c) sim

  • 1.4 (página 7)

(a) não (b) sim (c) sim

  • 1.5 (página 7)

(a) (2, 0) (b) (2, −3) (c) ( 38 , 18 )

  • 1.6 (página 7)

(a) k = − 4 (b) k = ± 3 (c) k = 6

  • 1.7 (página 7) y = − 3 x + 4
  • 1.8 (página 7)

(a) (5, 0) (b) (0, −10)

  • 1.9 (página 7)

(a) Omitida! (b) Omitida!

  • 1.10 (página 7)

(a) Omitida! (b) Omitida!

  • 1.11 (página 8) a = b = 4
  • 1.12 (página 8) f (x) = 23 x
  • 1.13 (página 8) f (3) = − (^52)
  • 1.14 (página 8) (a) d = 450t. (b) Omitida! (c) o coeciente angular é a velocidade do avião.
  • 1.15 (página 8) Omitida! Pense um pouco mais!