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Documento que apresenta propriedades básicas de um espaço vetorial, incluindo a existência de elementos neutros e inversos, a definição de um produto interno e suas propriedades, e a demonstração de que a transformação de um espaço vetorial é uma isometria se e somente se seu produto interno é preservado.
Tipologia: Notas de estudo
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em todo o decorrer do curso. Por´em, antes de apresentarmos a definic¸ ˜ao de espac¸o vetorial, passemos a analisar em paralelo dois objetos: o conjunto formado pelas func¸ ˜oes f : R → R, denotado por F (R; R) e o conjunto das matrizes quadradas de ordem n com coeficientes reais que denotaremos por Mn(R), ou simplesmente, por Mn. A soma de duas func¸ ˜oes f e g de F (R; R) e definida como sendo a func´ ¸ ˜ao f + g ∈ F (R; R) dada por (f + g)(x) = f (x) + g(x). Note tamb´em que se λ ∈ R podemos multiplicar a func¸ ˜ao f pelo escalar λ, da seguinte forma (λf )(x) = λ(f (x)), resultando num elemento de F (R). Com relac¸ ˜ao a Mn podemos somar duas matrizes quadradas de ordem n, A = (aij )n×n e B = (bij )n×n, colocando A + B = (aij + bij )n×n, que ´e um elemento de Mn. Com a relac¸ ˜ao `a multiplicac¸ ˜ao de A = (aij )n×n por um escalar λ ∈ R, e´ natural definirmos λA = (λaij )n×n, o qual tamb´em pertence a Mn. O que estes dois conjuntos acima, com estas estruturas de adic¸ ˜ao de seus ele- mentos e multiplicac¸ ˜ao de seus elementos por escalares, tˆem comum? Vejamos: Verifica-se facilmente a partir das propriedades dos n´umeros reais que, com
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relac¸ ˜ao a quaisquer func¸ ˜oes f, g e h em F (R; R) e para todo λ, μ ∈ R, s˜ao v´alidos os seguintes resultados:
Agora, com relac¸ ˜ao a quaisquer matrizes A, B e C em Mn e para todo λ, μ ∈ R, tamb´em s˜ao v´alidos os seguintes resultados:
Observac¸ ˜ao 1.3 O elemento 0 na propriedade EV 3 e ´´unico, pois qualquer outro 0 ′^ ∈ V satisfazendo a mesma propriedade EV 3 ent˜ao, pelas propriedades EV 3 e EV 1 ter´ıamos 0 ′^ = 0 + 0′^ = 0′^ + 0 = 0, isto ´e, 0 = 0′.
Observac¸ ˜ao 1.4 Em um espac¸o vetorial, pela propriedade EV 4 , para cada u ∈ V existe v ∈ V tal que u + v = 0. Na verdade, para cada u ∈ V existe somente um elemento v ∈ V com esta propriedade. De fato, dado u ∈ V se v e v′^ em V s˜ao tais que u + v = 0 e u + v′^ = 0 ent˜ao, combinando estas equac¸ ˜oes com as propriedades EV 1 ,EV 2 e EV 3 , obtemos v = v +0 = v +(u+v′) = (v +u)+v′^ = (u + v) + v′^ = 0 + v′^ = v′, isto ´e v = v′. Denotaremos v por −u e u − v por u + (−v).
Observac¸ ˜ao 1.5 As quatro primeiras propriedades referem-se apenas `a opera- c¸ ˜ao de adic¸ ˜ao e s˜ao conhecidas, respectivamente, por propriedade comutativa, propriedade associatividade, existˆencia do elemento neutro e existˆencia do ele- mento inverso. A quinta e a oitava propriedades s˜ao exclusivas da multiplicac¸ ˜ao por es- calar e tamb´em podem ser chamadas de associatividade e elemento neutro da multiplicac¸ ˜ao, respectivamente. A sexta e a s´etima propriedades relacionam as duas operac¸ ˜oes e s˜ao ambas conhecidas por distributividade.
Observac¸ ˜ao 1.6 A rigor, a definic¸ ˜ao de espac¸o vetorial que demos acima se refere a espac¸os vetoriais reais visto que estamos permitindo que os escalares sejam apenas n´umeros reais. A noc¸ ˜ao de espac¸o vetorial complexo pode ser feita naturalmente a partir da definic¸ ˜ao acima com as devidas mudanc¸as. Mais precisamente, pedimos que seja satisfeitas as propriedades EV1 a EV4 e EV 8 enquanto que as propriedades EV5 a EV7 devem valer para todo λ, μ ∈ C. No entanto, embora importante, n˜ao usaremos o conceito de espac¸o vetorial com- plexo.
Um outro exemplo de espac¸o vetorial, al´em dos dois apresentados no in´ıcio do texto, ´e o conjunto dos vetores como apresentados em Geometria Anal´ıtica munido da adic¸ ˜ao e da multiplicac¸ ˜ao por escalar. Dessa forma, o adjetivo vetorial
utilizado na definic¸ ˜ao acima deve ser entendido de uma forma mais ampla, sendo uma referˆencia aos elementos de V independentemente de serem ou n˜ao vetores. Talvez o exemplo mais simples de espac¸o vetorial seja o conjunto dos n´ume- ros reais com a adic¸ ˜ao e multiplicac¸ ˜ao usuais. Mais geralmente, para cada n ∈ N, podemos transformar o conjunto das n-uplas ordenadas de n´umeros reais, Rn, em um espac¸o vetorial definindo a adic¸ ˜ao de duas n-uplas ordenadas, x = (x 1 ,... , xn) e y = (y 1 ,... , yn), adicionando-se coordenada a coordenada, isto ´e, x + y = (x 1 + y 1 ,... , xn + yn)
e o produto de uma n-upla x = (x 1 ,... , xn) por um escalar λ ∈ R por
λx = (λx 1 ,... , λxn).
E uma rotina bem simples verificar que desse modo^ ´ Rn^ ´e um espac¸o vetorial. Deixamos como exerc´ıcio esta tarefa. Verifique tamb´em que os seguintes exemplos s˜ao espac¸os vetoriais.
p(x) + q(x) = (a 0 + b 0 ) + (a 1 + b 1 )x + · · · + (an + bn)xn.
Ex. 1.7 Considere V = (0, ∞) com a adic¸ ˜ao usual + de n´umeros reais (faz sentido pois a soma de dois n´umeros reais positivos resulta em um n´umero posi- tivo) e o produto por escalar como acima. Mostre que isto n˜ao ´e um espac¸o vetorial.
1.2 Propriedades
Das oito propriedades que definem um espac¸o vetorial podemos concluir v´arias outras. Listaremos algumas destas propriedades na seguinte
Proposic¸ ˜ao 1.8 Seja V um espac¸o vetorial. Temos
Prova:
u = u + 0 = u + (w + (−w)) = (u + w) + (−w)
= (v + w) + (−w) = v + (w + (−w)) = v + 0 = v.
A prova dos outros resultados ´e deixada como exerc´ıcio.
Ex. Resolvido 1.9 Seja V um espac¸o vetorial. Mostre que se V 6 = { 0 } ent˜ao V tem infinitos elementos.
Resoluc¸ ˜ao: Note que se encontrarmos uma func¸ ˜ao f : R → V que seja inje- tora ent˜ao V ter´a infinitos elementos, pois para cada λ ∈ R corresponder´a um elemento distinto f (λ) de V. Tome v ∈ V, v 6 = 0. Defina f : R → V por f (λ) = λv. Para mostrar que f ´e injetora, tomemos λ, μ ∈ R tais que f (λ) = f (μ). Devemos mostrar que λ = μ. Como λv = f (λ) = f (μ) = μv, obtemos λv − (μv) = 0. Pelo item 4 da proposic¸ ˜ao 1.8 temos 0 = λv − (μv) = λv + (−μ)v = (λ − μ)v. Como v 6 = 0, pelo item 3 da mesma proposic¸ ˜ao, segue que λ − μ = 0, isto ´e, λ = μ.
rial que possuem a propriedade de que a soma de dois de seus elementos ´e um elemento do pr´oprio subconjunto bem como quando multiplicamos um elemento do subconjunto por um escalar, o resultado continua pertencendo ao subconjunto.
Definic¸ ˜ao 2.1 Seja V um espac¸o vetorial. Dizemos que W ⊂ V e um subespac´ ¸o vetorial de V se forem satisfeitas as seguintes condic¸ ˜oes:
(SV1) 0 ∈ W ;
(SV2) Se u, v ∈ W ent˜ao u + v ∈ W ;
(SV3) Se u ∈ W ent˜ao λu ∈ W para todo λ ∈ R.
Observac¸ ˜ao 2.2 Note que todo subespac¸o vetorial W de um espac¸o vetorial V ´e ele pr´oprio um espac¸o vetorial. As propriedades comutativa, associativa, distributivas e EV 8 s˜ao herdadas do pr´oprio espac¸o vetorial V. O elemento neu- tro da adic¸ ˜ao ´e um elemento de W por SV 1. Finalmente, se u ∈ W ent˜ao −u = (−1)u ∈ W pelo item 5 da proposic¸ ˜ao 1.8 e por SV 3.
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Deixamos como exerc´ıcio a verificac¸ ˜ao de que os seguintes exemplos s˜ao subespac¸os vetoriais dos respectivos espac¸os vetoriais.
Exemplo 2.8 Sejam a 1 ,... , an ∈ R e S = {(x 1 ,... , xn) ∈ Rn; a 1 x 1 + · · · + anxn = 0}. Mostre que S e um subespac´ ¸o vetorial de Rn.
Exemplo 2.9 O conjunto das func¸ ˜oes cont´ınuas da reta na reta, denotado por C(R; R), ´e um subespac¸o vetorial de F (R; R).
Exemplo 2.10 O conjunto das func¸ ˜oes f ∈ C([a, b]; R) tais que
∫ (^) b
a
f (x)dx = 0
´e um subespac¸o vetorial de C([a, b]; R).
Exemplo 2.11 O conjunto das matrizes sim´etricas quadradas de ordem n com coeficientes reais ´e um subespac¸o vetorial de Mn(R).
Exemplo 2.12 Sejam m, n ∈ N com m ≤ n. Ent˜ao Pm e um subespac´ ¸o de Pn.
2.2 Intersec¸ ˜ao e Soma de Subespac¸os
Proposic¸ ˜ao 2.13 (Intersec¸ ˜ao de subespac¸os) Sejam U e W subespac¸os vetori- ais de V. Ent˜ao U ∩ W e subespac´ ¸o vetorial de V.
Prova:
Quest˜ao: Com a notac¸ ˜ao da proposic¸ ˜ao acima, podemos afirmar que U ∪ W e´ subespac¸o vetorial de V? Resposta : N˜ao. Basta considerar V = R^2 , U = {(x, y) ∈ R^2 ; x + y = 0} e W = {(x, y) ∈ R^2 ; x − y = 0}. Note que (1, −1) ∈ U ⊂ U ∪ W e (1, 1) ∈ W ⊂ U ∪ W mas (1, −1) + (1, 1) = (2, 0) 6 ∈ U ∪ W.
Proposic¸ ˜ao 2.14 Sejam U e W subespac¸os vetoriais de V. Ent˜ao U ∪ W e´ subespac¸o vetorial de V se e somente se U ⊂ W ou W ⊂ U.
Prova: Se U ⊂ W ent˜ao U ∪ W = W , que ´e um subespac¸o vetorial de V. Se W ⊂ U ent˜ao U ∪ W = U , que tamb´em ´e um subespac¸o vetorial de V Reciprocamente, suponha que U 6 ⊂ W e W 6 ⊂ U. Queremos mostrar que U ∪ W n˜ao ´e subespac¸o vetorial de V. Como U 6 ⊂ W existe u ∈ U tal que u 6 ∈ W. Da mesma forma, como W 6 ⊂ U existe w ∈ W tal que w 6 ∈ U. Assim, u, w ∈ U ∪ W. Seja v = u + w. Se U ∪ W fosse subespac¸o vetorial de V ent˜ao v ∈ U ∪ W , isto ´e, v ∈ U ou v ∈ W. No primeiro caso, ter´ıamos w = v − u ∈ U , pois U e um subespac´ ¸o vetorial, mas w 6 ∈ U. No segundo caso, ter´ıamos u = v − w ∈ W , pois W ´e um subespac¸o vetorial, mas u 6 ∈ W. Ou seja, U ∪ W n˜ao ´e subespac¸o vetorial de V.
Se U e W s˜ao subespac¸os vetoriais de um espac¸o vetorial V e V ′^ ´e um subespac¸o de V que contenha U e W, isto ´e, U ∪ W ⊂ V ′^ ent˜ao V ′^ ter´a que conter todos os vetores da forma u + w, u ∈ U e w ∈ W. Isto motiva a seguinte
Definic¸ ˜ao 2.15 Sejam U e W subespac¸os vetoriais de um espac¸o vetorial V. Definimos a soma de U e W como U + W = {u + w; u ∈ U, w ∈ W }.
Proposic¸ ˜ao 2.16 (Soma de subespac¸os) Sejam U, W e V como na definic¸ ˜ao acima. Ent˜ao U + W ´e um subespac¸o vetorial de V. Al´em do mais, U ∪ W ⊂ U + W.
Prova: Verifiquemos que U + W e subespac´ ¸o vetorial de V.