Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Análise Vectorial: Propriedades do Espaço Vetorial e do Produto Interno, Notas de estudo de Geometria Analítica e Cálculo

Documento que apresenta propriedades básicas de um espaço vetorial, incluindo a existência de elementos neutros e inversos, a definição de um produto interno e suas propriedades, e a demonstração de que a transformação de um espaço vetorial é uma isometria se e somente se seu produto interno é preservado.

Tipologia: Notas de estudo

2021

Compartilhado em 15/12/2021

joao-pedro-n95
joao-pedro-n95 🇧🇷

3 documentos

1 / 189

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
´
Algebra Linear
S´
ergio Lu´
ıs Zani
Departamento de Matem´
atica
ICMC USP
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Análise Vectorial: Propriedades do Espaço Vetorial e do Produto Interno e outras Notas de estudo em PDF para Geometria Analítica e Cálculo, somente na Docsity!

Algebra Linear´

S´ergio Lu´ıs Zani

Departamento de Matem´atica

ICMC – USP

  • 1 Espac¸os Vetoriais
    • 1.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos
    • 1.2 Propriedades
    • 1.3 Exerc´ıcios
  • 2 Subespac¸os Vetoriais
    • 2.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos
    • 2.2 Intersec¸ ˜ao e Soma de Subespac¸os
    • 2.3 Exerc´ıcios
  • 3 Combinac¸ ˜oes Lineares
    • 3.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos
    • 3.2 Geradores
    • 3.3 Exerc´ıcios
  • 4 Dependˆencia Linear
    • 4.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos
    • 4.2 Propriedades
    • 4.3 Exerc´ıcios
  • 5 Base, Dimens˜ao e Coordenadas
    • 5.1 Base
    • 5.2 Dimens˜ao
    • 5.3 Dimens˜ao de Soma de Subespac¸os Vetoriais
    • 5.4 Coordenadas
    • 5.5 Exerc´ıcios 4 SUM ´ARIO
  • 6 Mudanc¸a de Base
    • 6.1 Introduc¸ ˜ao, Exemplos e Propriedades
    • 6.2 Exerc´ıcios
  • 7 Exerc´ıcios Resolvidos – Uma Revis˜ao
  • 8 Transformac¸ ˜oes Lineares
    • 8.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos
    • 8.2 O Espac¸o Vetorial L (U, V )
    • 8.3 Imagem e N´ucleo
    • 8.4 Isomorfismo e Automorfismo
    • 8.5 Matriz de uma Transformac¸ ˜ao Linear
      • 8.5.1 Definic¸ ˜ao e Exemplos
      • 8.5.2 Propriedades
    • 8.6 Exerc´ıcios Resolvidos
    • 8.7 Exerc´ıcios
  • 9 Autovalores e Autovetores
    • 9.1 Definic¸ ˜ao, Exemplos e Propriedades
    • 9.2 Polinˆomio Caracter´ıstico
    • 9.3 Exerc´ıcios
  • 10 Diagonalizac¸ ˜ao
    • 10.1 Definic¸ ˜ao e Caracterizac¸ ˜ao
    • 10.2 Exerc´ıcios
  • 11 Forma Canˆonica de Jordan
    • 11.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos
    • 11.2 Exerc´ıcios
  • 12 Espac¸os Euclidianos
    • 12.1 Produto Interno
    • 12.2 Norma
  • SUM ´ARIO
    • 12.3 Distˆancia
    • 12.4 Anguloˆ
    • 12.5 Ortogonalidade
    • 12.6 Processo de Gram-Schmidt
    • 12.7 Complemento Ortogonal
    • 12.8 Isometria
    • 12.9 Operador Autoadjunto
    • 12.10Exerc´ıcios

Cap´ıtulo 1

Espac¸os Vetoriais

1.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos

NEste cap´ıtulo introduziremos o conceito de espac¸o vetorial que ser´a usado

em todo o decorrer do curso. Por´em, antes de apresentarmos a definic¸ ˜ao de espac¸o vetorial, passemos a analisar em paralelo dois objetos: o conjunto formado pelas func¸ ˜oes f : R → R, denotado por F (R; R) e o conjunto das matrizes quadradas de ordem n com coeficientes reais que denotaremos por Mn(R), ou simplesmente, por Mn. A soma de duas func¸ ˜oes f e g de F (R; R) e definida como sendo a func´ ¸ ˜ao f + g ∈ F (R; R) dada por (f + g)(x) = f (x) + g(x). Note tamb´em que se λ ∈ R podemos multiplicar a func¸ ˜ao f pelo escalar λ, da seguinte forma (λf )(x) = λ(f (x)), resultando num elemento de F (R). Com relac¸ ˜ao a Mn podemos somar duas matrizes quadradas de ordem n, A = (aij )n×n e B = (bij )n×n, colocando A + B = (aij + bij )n×n, que ´e um elemento de Mn. Com a relac¸ ˜ao `a multiplicac¸ ˜ao de A = (aij )n×n por um escalar λ ∈ R, e´ natural definirmos λA = (λaij )n×n, o qual tamb´em pertence a Mn. O que estes dois conjuntos acima, com estas estruturas de adic¸ ˜ao de seus ele- mentos e multiplicac¸ ˜ao de seus elementos por escalares, tˆem comum? Vejamos: Verifica-se facilmente a partir das propriedades dos n´umeros reais que, com

7

8 CAP´ITULO 1. ESPAC¸ OS VETORIAIS

relac¸ ˜ao a quaisquer func¸ ˜oes f, g e h em F (R; R) e para todo λ, μ ∈ R, s˜ao v´alidos os seguintes resultados:

  1. f + g = g + f ;
  2. f + (g + h) = (f + g) + h;
  3. se O representa a func¸ ˜ao nula, isto ´e, O(x) = 0 para todo x ∈ R ent˜ao O + f = f ;
  4. a func¸ ˜ao −f definida por (−f )(x) = −[f (x)] para todo x ∈ R ´e tal que f + (−f ) = O;
  5. λ(μf ) = (λμ)f ;
  6. (λ + μ)f = λf + μf ;
  7. λ(f + g) = λf + λg;
  8. 1 f = f.

Agora, com relac¸ ˜ao a quaisquer matrizes A, B e C em Mn e para todo λ, μ ∈ R, tamb´em s˜ao v´alidos os seguintes resultados:

  1. A + B = B + A;
  2. A + (B + C) = (A + B) + C;
  3. se O representa a matriz nula, isto ´e, O = (0)n×n ent˜ao O + A = A;
  4. se A = (ai,j )n×n ent˜ao a matriz −A definida por −A = (−ai,j )n×n e tal´ que A + (−A) = O;
  5. λ(μA) = (λμ)A;
  6. (λ + μ)A = λA + μA;
  7. λ(A + B) = λA + λB;
  8. 1 A = A.

10 CAP´ITULO 1. ESPAC¸ OS VETORIAIS

Observac¸ ˜ao 1.3 O elemento 0 na propriedade EV 3 e ´´unico, pois qualquer outro 0 ′^ ∈ V satisfazendo a mesma propriedade EV 3 ent˜ao, pelas propriedades EV 3 e EV 1 ter´ıamos 0 ′^ = 0 + 0′^ = 0′^ + 0 = 0, isto ´e, 0 = 0′.

Observac¸ ˜ao 1.4 Em um espac¸o vetorial, pela propriedade EV 4 , para cada u ∈ V existe v ∈ V tal que u + v = 0. Na verdade, para cada u ∈ V existe somente um elemento v ∈ V com esta propriedade. De fato, dado u ∈ V se v e v′^ em V s˜ao tais que u + v = 0 e u + v′^ = 0 ent˜ao, combinando estas equac¸ ˜oes com as propriedades EV 1 ,EV 2 e EV 3 , obtemos v = v +0 = v +(u+v′) = (v +u)+v′^ = (u + v) + v′^ = 0 + v′^ = v′, isto ´e v = v′. Denotaremos v por −u e u − v por u + (−v).

Observac¸ ˜ao 1.5 As quatro primeiras propriedades referem-se apenas `a opera- c¸ ˜ao de adic¸ ˜ao e s˜ao conhecidas, respectivamente, por propriedade comutativa, propriedade associatividade, existˆencia do elemento neutro e existˆencia do ele- mento inverso. A quinta e a oitava propriedades s˜ao exclusivas da multiplicac¸ ˜ao por es- calar e tamb´em podem ser chamadas de associatividade e elemento neutro da multiplicac¸ ˜ao, respectivamente. A sexta e a s´etima propriedades relacionam as duas operac¸ ˜oes e s˜ao ambas conhecidas por distributividade.

Observac¸ ˜ao 1.6 A rigor, a definic¸ ˜ao de espac¸o vetorial que demos acima se refere a espac¸os vetoriais reais visto que estamos permitindo que os escalares sejam apenas n´umeros reais. A noc¸ ˜ao de espac¸o vetorial complexo pode ser feita naturalmente a partir da definic¸ ˜ao acima com as devidas mudanc¸as. Mais precisamente, pedimos que seja satisfeitas as propriedades EV1 a EV4 e EV 8 enquanto que as propriedades EV5 a EV7 devem valer para todo λ, μ ∈ C. No entanto, embora importante, n˜ao usaremos o conceito de espac¸o vetorial com- plexo.

Um outro exemplo de espac¸o vetorial, al´em dos dois apresentados no in´ıcio do texto, ´e o conjunto dos vetores como apresentados em Geometria Anal´ıtica munido da adic¸ ˜ao e da multiplicac¸ ˜ao por escalar. Dessa forma, o adjetivo vetorial

1.1. INTRODUC¸ ˜AO E EXEMPLOS 11

utilizado na definic¸ ˜ao acima deve ser entendido de uma forma mais ampla, sendo uma referˆencia aos elementos de V independentemente de serem ou n˜ao vetores. Talvez o exemplo mais simples de espac¸o vetorial seja o conjunto dos n´ume- ros reais com a adic¸ ˜ao e multiplicac¸ ˜ao usuais. Mais geralmente, para cada n ∈ N, podemos transformar o conjunto das n-uplas ordenadas de n´umeros reais, Rn, em um espac¸o vetorial definindo a adic¸ ˜ao de duas n-uplas ordenadas, x = (x 1 ,... , xn) e y = (y 1 ,... , yn), adicionando-se coordenada a coordenada, isto ´e, x + y = (x 1 + y 1 ,... , xn + yn)

e o produto de uma n-upla x = (x 1 ,... , xn) por um escalar λ ∈ R por

λx = (λx 1 ,... , λxn).

E uma rotina bem simples verificar que desse modo^ ´ Rn^ ´e um espac¸o vetorial. Deixamos como exerc´ıcio esta tarefa. Verifique tamb´em que os seguintes exemplos s˜ao espac¸os vetoriais.

  1. Sejam n ∈ N e V = Pn(R) o conjunto formado pelo polinˆomio nulo e por todos os polinˆomios de grau menor ou igual a n com coeficientes reais. Definimos a adic¸ ˜ao e a multiplicac¸ ˜ao por escalar da seguinte maneira: - Se p(x) = a 0 + a 1 x + · · · + anxn^ e q(x) = b 0 + b 1 x + · · · + bnxn^ s˜ao elementos de Pn(R) ent˜ao

p(x) + q(x) = (a 0 + b 0 ) + (a 1 + b 1 )x + · · · + (an + bn)xn.

  • Se p(x) = a 0 + a 1 x + · · · + anxn^ e um elemento de´ Pn(R) e λ ∈ R ent˜ao λp(x) = (λa 0 ) + (λa 1 )x + · · · + (λan)xn.
  1. Sejam A ⊂ R e F (A; R) o conjunto de todas as func¸ ˜oes f : A → R. Se f, g ∈ F (A; R) e λ ∈ R defina f + g : A → R por (f + g)(x) = f (x) + g(x) e (λf )(x) = λf (x), x ∈ A. Ent˜ao, F (A; R) com esta adic¸ ˜ao e produto por escalar ´e um espac¸o vetorial.

1.2. PROPRIEDADES 13

  1. (λ + μ) x = xλ+μ^ = xλxμ^ = xλ^  xμ^ = (λ x)  (μ x) para quaisquer x ∈ V e λ, μ ∈ R;
  2. λ (x  y) = λ (xy) = (xy)λ^ = xλyλ^ = (λ x)  (λ y) para quaisquer x, y ∈ V e λ ∈ R;
  3. 1 x = x^1 = x para qualquer x ∈ V.

Ex. 1.7 Considere V = (0, ∞) com a adic¸ ˜ao usual + de n´umeros reais (faz sentido pois a soma de dois n´umeros reais positivos resulta em um n´umero posi- tivo) e o produto por escalar como acima. Mostre que isto n˜ao ´e um espac¸o vetorial.

1.2 Propriedades

Das oito propriedades que definem um espac¸o vetorial podemos concluir v´arias outras. Listaremos algumas destas propriedades na seguinte

Proposic¸ ˜ao 1.8 Seja V um espac¸o vetorial. Temos

  1. Se u + w = v + w ent˜ao u = v.
  2. Para qualquer λ ∈ R, λ0 = 0.
  3. Para qualquer u ∈ V, 0 u = 0.
  4. Se λu = 0 ent˜ao λ = 0 ou u = 0.
  5. Para quaisquer λ ∈ R e u ∈ V, (−λ)u = λ(−u) = −(λu).
  6. Para qualquer u ∈ V, −(−u) = u.
  7. Se u, v ∈ V ent˜ao existe um ´unico w ∈ V tal que u + w = v.

Prova:

14 CAP´ITULO 1. ESPAC¸ OS VETORIAIS

  1. Pelas propriedades EV3, EV4 e EV2 temos que

u = u + 0 = u + (w + (−w)) = (u + w) + (−w)

= (v + w) + (−w) = v + (w + (−w)) = v + 0 = v.

  1. Pelas propriedades EV3 e EV7 temos 0 + λ0 = λ0 = λ(0 + 0) = λ0 + λ 0. Pelo item anterior, λ0 = 0.
  2. Pelas propriedades EV3 e EV6 temos 0 + 0u = 0u = (0 + 0)u = 0u + 0u. O resultado segue do item 1.
  3. Se λ 6 = 0 ent˜ao pelas propriedades EV8 e EV5 e pelo item 2 desta proposi- c¸ ˜ao, u = 1u = (λ−^1 λ)u = λ−^1 (λu) = λ−^1 0 = 0.
  4. Utilizando a propriedade EV6 e o item 3 desta proposic¸ ˜ao, obtemos λu + (−λ)u = (λ + (−λ))u = 0u = 0. Pela observac¸ ˜ao 1.4, −(λu) = (−λ)u. Analogamente, utilizando-se a propriedade EV7, mostra-se que −(λu) = λ(−u).

A prova dos outros resultados ´e deixada como exerc´ıcio.

Ex. Resolvido 1.9 Seja V um espac¸o vetorial. Mostre que se V 6 = { 0 } ent˜ao V tem infinitos elementos.

Resoluc¸ ˜ao: Note que se encontrarmos uma func¸ ˜ao f : R → V que seja inje- tora ent˜ao V ter´a infinitos elementos, pois para cada λ ∈ R corresponder´a um elemento distinto f (λ) de V. Tome v ∈ V, v 6 = 0. Defina f : R → V por f (λ) = λv. Para mostrar que f ´e injetora, tomemos λ, μ ∈ R tais que f (λ) = f (μ). Devemos mostrar que λ = μ. Como λv = f (λ) = f (μ) = μv, obtemos λv − (μv) = 0. Pelo item 4 da proposic¸ ˜ao 1.8 temos 0 = λv − (μv) = λv + (−μ)v = (λ − μ)v. Como v 6 = 0, pelo item 3 da mesma proposic¸ ˜ao, segue que λ − μ = 0, isto ´e, λ = μ. 

16 CAP´ITULO 1. ESPAC¸ OS VETORIAIS

Cap´ıtulo 2

Subespac¸os Vetoriais

2.1 Introduc¸ ˜ao e Exemplos

MUitas vezes nos depararemos com certos subconjuntos de um espac¸o veto-

rial que possuem a propriedade de que a soma de dois de seus elementos ´e um elemento do pr´oprio subconjunto bem como quando multiplicamos um elemento do subconjunto por um escalar, o resultado continua pertencendo ao subconjunto.

Definic¸ ˜ao 2.1 Seja V um espac¸o vetorial. Dizemos que W ⊂ V e um subespac´ ¸o vetorial de V se forem satisfeitas as seguintes condic¸ ˜oes:

(SV1) 0 ∈ W ;

(SV2) Se u, v ∈ W ent˜ao u + v ∈ W ;

(SV3) Se u ∈ W ent˜ao λu ∈ W para todo λ ∈ R.

Observac¸ ˜ao 2.2 Note que todo subespac¸o vetorial W de um espac¸o vetorial V ´e ele pr´oprio um espac¸o vetorial. As propriedades comutativa, associativa, distributivas e EV 8 s˜ao herdadas do pr´oprio espac¸o vetorial V. O elemento neu- tro da adic¸ ˜ao ´e um elemento de W por SV 1. Finalmente, se u ∈ W ent˜ao −u = (−1)u ∈ W pelo item 5 da proposic¸ ˜ao 1.8 e por SV 3.

17

2.2. INTERSEC¸ ˜AO E SOMA DE SUBESPAC¸ OS 19

  1. Se y 1 , y 2 ∈ S ent˜ao (y 1 + y 2 )′′^ − (y 1 + y 2 ) = (y 1 ′′ − y 1 ) + (y 2 ′′ − y 2 ) = 0. Logo, y 1 + y 2 ∈ S.
  2. Se y ∈ S e λ ∈ R ent˜ao (λy)′′^ − λy = λ(y′′^ − y) = 0. Portanto, λy ∈ S.

Deixamos como exerc´ıcio a verificac¸ ˜ao de que os seguintes exemplos s˜ao subespac¸os vetoriais dos respectivos espac¸os vetoriais.

Exemplo 2.8 Sejam a 1 ,... , an ∈ R e S = {(x 1 ,... , xn) ∈ Rn; a 1 x 1 + · · · + anxn = 0}. Mostre que S e um subespac´ ¸o vetorial de Rn.

Exemplo 2.9 O conjunto das func¸ ˜oes cont´ınuas da reta na reta, denotado por C(R; R), ´e um subespac¸o vetorial de F (R; R).

Exemplo 2.10 O conjunto das func¸ ˜oes f ∈ C([a, b]; R) tais que

∫ (^) b

a

f (x)dx = 0

´e um subespac¸o vetorial de C([a, b]; R).

Exemplo 2.11 O conjunto das matrizes sim´etricas quadradas de ordem n com coeficientes reais ´e um subespac¸o vetorial de Mn(R).

Exemplo 2.12 Sejam m, n ∈ N com m ≤ n. Ent˜ao Pm e um subespac´ ¸o de Pn.

2.2 Intersec¸ ˜ao e Soma de Subespac¸os

Proposic¸ ˜ao 2.13 (Intersec¸ ˜ao de subespac¸os) Sejam U e W subespac¸os vetori- ais de V. Ent˜ao U ∩ W e subespac´ ¸o vetorial de V.

Prova:

  1. Como 0 ∈ U e 0 ∈ W ent˜ao 0 ∈ U ∩ W ;
  2. Se x, y ∈ U ∩ W e λ ∈ R ent˜ao x + λy ∈ U e x + λy ∈ W. Portanto, x + λy ∈ U ∩ W.

20 CAP´ITULO 2. SUBESPAC¸ OS VETORIAIS

Quest˜ao: Com a notac¸ ˜ao da proposic¸ ˜ao acima, podemos afirmar que U ∪ W e´ subespac¸o vetorial de V? Resposta : N˜ao. Basta considerar V = R^2 , U = {(x, y) ∈ R^2 ; x + y = 0} e W = {(x, y) ∈ R^2 ; x − y = 0}. Note que (1, −1) ∈ U ⊂ U ∪ W e (1, 1) ∈ W ⊂ U ∪ W mas (1, −1) + (1, 1) = (2, 0) 6 ∈ U ∪ W.

Proposic¸ ˜ao 2.14 Sejam U e W subespac¸os vetoriais de V. Ent˜ao U ∪ W e´ subespac¸o vetorial de V se e somente se U ⊂ W ou W ⊂ U.

Prova: Se U ⊂ W ent˜ao U ∪ W = W , que ´e um subespac¸o vetorial de V. Se W ⊂ U ent˜ao U ∪ W = U , que tamb´em ´e um subespac¸o vetorial de V Reciprocamente, suponha que U 6 ⊂ W e W 6 ⊂ U. Queremos mostrar que U ∪ W n˜ao ´e subespac¸o vetorial de V. Como U 6 ⊂ W existe u ∈ U tal que u 6 ∈ W. Da mesma forma, como W 6 ⊂ U existe w ∈ W tal que w 6 ∈ U. Assim, u, w ∈ U ∪ W. Seja v = u + w. Se U ∪ W fosse subespac¸o vetorial de V ent˜ao v ∈ U ∪ W , isto ´e, v ∈ U ou v ∈ W. No primeiro caso, ter´ıamos w = v − u ∈ U , pois U e um subespac´ ¸o vetorial, mas w 6 ∈ U. No segundo caso, ter´ıamos u = v − w ∈ W , pois W ´e um subespac¸o vetorial, mas u 6 ∈ W. Ou seja, U ∪ W n˜ao ´e subespac¸o vetorial de V.

Se U e W s˜ao subespac¸os vetoriais de um espac¸o vetorial V e V ′^ ´e um subespac¸o de V que contenha U e W, isto ´e, U ∪ W ⊂ V ′^ ent˜ao V ′^ ter´a que conter todos os vetores da forma u + w, u ∈ U e w ∈ W. Isto motiva a seguinte

Definic¸ ˜ao 2.15 Sejam U e W subespac¸os vetoriais de um espac¸o vetorial V. Definimos a soma de U e W como U + W = {u + w; u ∈ U, w ∈ W }.

Proposic¸ ˜ao 2.16 (Soma de subespac¸os) Sejam U, W e V como na definic¸ ˜ao acima. Ent˜ao U + W ´e um subespac¸o vetorial de V. Al´em do mais, U ∪ W ⊂ U + W.

Prova: Verifiquemos que U + W e subespac´ ¸o vetorial de V.

  1. Como 0 ∈ U e 0 ∈ W ent˜ao 0 = 0 + 0 ∈ U + W ;