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Integral indefinida, cap. 6, Notas de estudo de Informática

Cálculo I estudo completo

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 26/05/2010

fernanda-maria-18
fernanda-maria-18 🇧🇷

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Capítulo 6
INTEGRAÇÃO INDEFINIDA
6.1 Introdução
Na primeira parte do capítulo mostraremos como obter uma função conhecendo apenas a sua
derivada. Este problema é chamado de integração indefinida.
Definição 6.1. Uma função F(x)é chamada uma primitiva da função f(x)no intervalo Ise para todo
xI, tem-se:
F(x) = f(x)
Muitas vezes não faremos menção ao intervalo I, mas a primitiva de uma função sempre será
definida sobre um intervalo.
Exemplo 6.1.
[1] Seja f(x) = x3, então F(x) = x4
4é uma primitiva de fem R, pois F(x) = x3=f(x).
F(x) = x4
4+ 5 é também uma primitiva de fem R, pois F(x) = x3=f(x). Na verdade,
F(x) = x4
4+c, para todo cRé primitiva de fpois F(x) = x3=f(x).
[2] Seja f(x) = cos(x), então F(x) = sen(x) + c, para todo cRé uma primitiva de f. De fato,
F(x) = cos(x) = f(x).
[3] Seja:
f(x) = (1x[a, b]
0x /[a, b].
Não existe função definida em todo Rcuja derivada seja igual a f(x). Por outro lado, considere
a seguinte função:
F(x) =
0x < a
xa x [a, b]
ba x b.
F(x)é uma função contínua em todo ReF(x) = f(x)se x(a, b). Logo, Fé uma primitiva
de fem (a, b).
Em geral, uma função fadmite uma infinidade de primitivas sobre um intervalo. É o que
assegura a seguinte proposição:
231
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e

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Capítulo 6

INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

6.1 Introdução

Na primeira parte do capítulo mostraremos como obter uma função conhecendo apenas a sua

derivada. Este problema é chamado de integração indefinida.

Definição 6.1. Uma função F (x) é chamada uma primitiva da função f (x) no intervalo I se para todo

x ∈ I , tem-se:

F

′ (x) = f (x)

Muitas vezes não faremos menção ao intervalo I, mas a primitiva de uma função sempre será

definida sobre um intervalo.

Exemplo 6.1.

[1] Seja f (x) = x^3 , então F (x) =

x^4

4

é uma primitiva de f em R, pois F ′(x) = x^3 = f (x).

F (x) =

x^4

4

  • 5 é também uma primitiva de f em R, pois F ′(x) = x^3 = f (x). Na verdade,

F (x) =

x^4

4

  • c, para todo c ∈ R é primitiva de f pois F ′(x) = x^3 = f (x).

[2] Seja f (x) = cos(x), então F (x) = sen(x) + c, para todo c ∈ R é uma primitiva de f. De fato,

F ′(x) = cos(x) = f (x).

[3] Seja:

f (x) =

1 x ∈ [a, b]

0 x /∈ [a, b].

Não existe função definida em todo R cuja derivada seja igual a f (x). Por outro lado, considere

a seguinte função:

F (x) =

0 x < a

x − a x ∈ [a, b]

b − a x ≥ b.

F (x) é uma função contínua em todo R e F ′(x) = f (x) se x ∈ (a, b). Logo, F é uma primitiva

de f em (a, b).

Em geral, uma função f admite uma infinidade de primitivas sobre um intervalo. É o que

assegura a seguinte proposição:

232 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

Proposição 6.1. Seja F uma primitiva da função f no intervalo I_. Então,_ G(x) = F (x) + c , c ∈ R , é

também primitiva de f no intervalo I_._

A pergunta natural que surge, a seguir, é: se F e G são primitivas de uma função f sobre um

intervalo, será que F e G estão relacionadas de alguma forma? A resposta a esta questão é dada

pela seguinte proposição:

Proposição 6.2. Se F e G são primitivas de uma função f num intervalo I , então existe c ∈ R tal que

G(x) = F (x) + c , para todo x ∈ I_._

Prova: Seja H(x) = F (x) − G(x); então, para todo x ∈ I, temos que: H′(x) = F ′(x) − G′(x) =

= f (x)−f (x) = 0. Como consequência do Teorema do Valor Médio, para todo x ∈ I, H(x) = c;

então, para todo x ∈ I, F (x) − G(x) = c.

Em outras palavras, duas primitivas de uma função diferem por uma constante. Logo, se co-

nhecemos uma primitiva de uma função, conhecemos todas as primitivas da função. De fato,

basta somar uma constante à primitiva conhecida para obter as outras.

Exemplo 6.2.

[1] Seja f (x) = cos(x). Uma primitiva desta função é F (x) = sen(x); logo, toda primitiva de f

é do tipo G(x) = sen(x) + c, c ∈ R.

-6 -4 -2 2 4 6

1

2

3

Figura 6.1: Gráficos de f e algumas primitivas de cos(x).

[2] Seja f (x) = eax, a 6 = 0. Uma primitiva desta função é F (x) = e

ax a ; logo, toda primitiva de^ f é do tipo G(x) = e

ax a +^ c,^ c^ ∈^ R.

Definição 6.2. Seja F (x) uma primitiva da função f (x) no intervalo I_. A expressão_ F (x) + c, c ∈ R

é chamada a integral indefinida da função f e é denotada por:

f (x) dx = F (x) + c

Note que ∫

f (x) dx = F (x) + c ⇐⇒ F

′ (x) = f (x)

em particular: (^) ∫

f

′ (x) dx = f (x) + c.

234 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

Assim o processo de integrar se reduz a descobrir uma função conhecendo apenas sua deri-

vada; usando a tabela de derivadas do capítulo anterior, obtemos uma lista de integrais cha-

madas imediatas. Esta lista pode ser comprovada derivando cada resultado da integral e con-

sultando a tabela de derivada. Por exemplo, na tabela de derivadas do capítulo anterior temos

que:

(arctg(x))

1 + x^2

; então,

dx

1 + x^2

= arctg(x) + c.

No entanto, não incluimos como imediatas, por exemplo, integrais do tipo

ln(x) dx, pois não

é evidente encontrar uma função que tem como derivada ln(x). Para resolver este impasse,

estudaremos os chamados métodos de integração , que nos permitirão calcular integrais não

imediatas.

6.2 Tabela

Usaremos como variável independente u.

du = u + c

du

u

= ln(|u|) + c

uα^ du =

uα+

α + 1

  • c, α ∈ R − {− 1 }

a

u du =

au

ln(a)

  • c, a > 0 , (a 6 = 1)

e

u du = e

u

  • c

sen(u) du = −cos(u) + c

cos(u) du = sen(u) + c

sec^2 (u) du = tg(u) + c

cosec

2 (u) du = −cotg(u) + c

sec(u)tg(u) du = sec(u) + c

cosec(u)cotg(u) du = −cosec(u) + c

du √ 1 − u^2

= arcsen(u) + c

du

1 + u^2

= arctg(u) + c

du

u

u^2 − 1

= arcsec(u) + c

senh(u) du = cosh(u) + c

cosh(u) du = senh(u) + c

sech

2 (u) du = tgh(u) + c

cosech^2 (u) du = −cotgh(u) + c

sech(u)tgh(u) du = −sech(u) + c

cosech(u) cotgh(u)du = −cosech(u) + c

du √ 1 + u^2

= argsenh(u) + c

du √ u^2 − 1

= argcosh(u) + c

du

u

1 − u^2

= −argsech(|u|) + c

6.3. MÉTODO DE SUBSTITUIÇÃO 235

Métodos de Integração

Nas próximas seções apresentaremos os métodos mais utilizados que nos permitirão determi-

nar uma grande quantidade de integrais não imediatas. O primeiro a ser estudado se baseia na

regra da cadeia.

6.3 Método de Substituição

Sejam F uma primitiva de f num intervalo I e g uma função derivável tal que F ◦ g esteja

definida. Usando a regra da cadeia; temos,

F (g(x))

= F ′(g(x)) · g′^ (x) = f (g(x)) · g′^ (x). Logo,

F (g(x)) é uma primitiva de f (g(x)) · g′(x), então:

f (g(x)) · g

′ (x) dx = F (g(x)) + c;

fazendo u = g(x), tem-se du = g′(x) dx; substituindo na expressão anterior:

f (g(x)) · g

′ (x) dx =

f (u) du = F (u) + c

Exemplo 6.4.

Calcule as seguintes integrais:

[1]

2 x

1 + x^2

dx. Fazendo u = 1 + x^2 , então du = 2x dx. Substituindo na integral:

2 x

1 + x^2

dx =

du

u

= ln(|u|) + c = ln(x

2

      • c.

[2]

sen^2 (x) cos(x) dx. Fazendo u = sen(x), então du = cos(x) dx. Substituindo na integral:

sen

2 (x) cos(x) dx =

u

2 du =

u^3

3

  • c =

sen^3 (x)

3

  • c.

[3]

dx

(3 x + 7)^7

. Fazendo u = 3x + 7, então du = 3 dx ou, equivalentemente,

du

3

= dx. Substi-

tuindo na integral:

∫ dx

(3 x + 7)^7

du

3 u^7

du

u^7

18 u^6

  • c = −

18 (3 x + 7)^6

  • c.

[4]

sec^2 (

x) √ x

dx. Fazendo u =

x, então du =

dx

2

x

. Substituindo na integral:

sec^2 (

x) √ x

dx = 2

sec

2 (u) du = 2 tg(u) + c = 2 tg(

x) + c.

[5]

ln(x)

x

dx. Fazendo u = ln(x), então du =

dx

x

. Substituindo na integral:

ln(x)

x

dx =

u du =

u^2

2

  • c =

ln(x)

  • c.

6.4. INTEGRAIS DE PRODUTOS E POTÊNCIAS DE FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 237

[4]

dy

y

y^3 − 1

. Fazendo u =

y^3 − 1 , u^2 = y^3 − 1 e y^3 = u^2 + 1. Logo, 2 u du = 3 y^2 dy e

y^2 dy = 23 u du.

dy

y

y^3 − 1

y^2

y^3

y^3 − 1

dy =

du

u^2 + 1

arctg(u) + c =

arctg(

y^3 − 1) + c.

6.4 Integrais de Produtos e Potências de Funções Trigonométricas

Exemplo 6.6.

Calcule as seguintes integrais:

[1]

sen(α x) sen(β x) dx. Se α 6 = β, utilizamos :

sen(α x) sen(β x) =

cos

(α − β) x) − cos

(α + β) x)

2

então:

sen(α x) sen(β x) dx =

cos

(α − β) x) − cos

(α + β) x)

dx

( (^) sen

(α − β) x)

α − β

sen

(α + β) x)

α + β

Se α = β, utilizamos sen^2 (α x) =

1 − cos(2 α x)

2

; então:

sen

2 (α x) dx =

1 − cos(2 α x)

dx =

x −

sen(2 α x)

2 a

[2]

sen^2 (x) cos^5 (x) dx. Como sen^2 (x) cos^5 (x) = sen^2 (x)

1 − sen^2 (x)

cos(x), fazendo

u = sen(x), temos du = cos(x) dx e:

sen

2 (x) cos

5 (x) dx =

sen

2 (x) (1 − sen

2 (x))

2 cos(x) dx =

u

2 (1 − u

2 )

2 du

(u

2 − 2 u

4

  • u

6 ) du =

u^3

3

2 u^5

5

u^7

7

  • c

sen^3 (x)

3

2 sen^5 (x)

5

sen^7 (x)

7

  • c.

[3]

tg^3 (x) dx. Fatorando tg^3 (x) = tg(x) tg^2 (x) = tg(x)

sec^2 (x) − 1

tg

3 (x) dx =

tg(x) sec

2 (x) − tg(x)

dx =

tg

2 (x) + 2 ln

∣cos(x)

  • c.

[4]

sec(x) dx.

sec(x) dx =

sec(x)

( (^) tg(x) + sec(x)

tg(x) + sec(x)

dx =

sec(x) tg(x) + sec^2 (x)

tg(x) + sec(x)

dx.

238 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

Fazendo u = sec(x) + tg(x), temos du = (sec(x)tg(x) + sec^2 (x)) dx. Substituindo na integral:

∫ sec(x)tg(x) + sec^2 (x)

tg(x) + sec(x)

dx =

du

u

= ln(|u|) + c = ln(|sec(x) + tg(x)|) + c.

Estes exemplos nos mostram que para determinar a primitiva de uma integral que envolve

produtos ou potências de funções trigonométricas é necessário, em primeiro lugar, transfor-

mar a função a integrar por meio de identidades trigonométricas conhecidas, para depois usar

alguns dos métodos.

6.5 Método de Integração por Partes

Sejam f e g funções deriváveis no intervalo I. Derivando o produto f · g:

( f (x) g(x)

= f

′ (x) g(x) + f (x) g

′ (x),

ou, equivalentemente, f (x) g′(x) = (f (x) g(x))′^ − f ′(x) g(x). Integrando ambos os lados:

f (x) g

′ (x) dx = f (x) g(x) −

f

′ (x) g(x) dx;

fazendo: u = f (x) e dv = g′(x) dx, temos: du = f ′(x) dx e v = g(x). Logo:

f (x) g

′ (x) dx =

u dv = u v −

v du

Este método de integração nos permite transformar a integração de u dv na integração de v du.

É importante saber “escolher” a substituição u e dv na integral de partida. Devemos escolher

v′^ tal que permita determinar v. As expressões de u′^ e v devem ser mais simples que as de u e

v′, respectivamente.

Exemplo 6.7.

Calcule as seguintes integrais:

[1]

ln(x) dx. Façamos u = ln(x) e dv = dx; então, du =

dx

x

e v = x; logo:

ln(x) dx =

u dv = u v −

v du = x ln(x) −

dx = x ln(x) − x + c.

[2]

x e

2 x dx. Façamos u = x e dv = e^2 x^ dx; então, du = dx e v =

e^2 x

2

; logo:

x e

2 x dx =

u dv = u v −

v du =

x e^2 x

2

e

2 x dx =

xe^2 x

2

e^2 x

4

  • c.

[3]

x^2 sen(x) dx. Façamos u = x^2 e dv = sen(x) dx; então, du = 2 x dx e v = −cos(x); logo:

x

2 sen(x) dx =

u dv = u v −

v du = −x

2 cos(x) + 2

x cos(x) dx.

Calculemos agora

x cos(x) dx, novamente por partes. Fazendo u = x e dv = cos(x) dx, temos

du = dx e v = sen(x); logo:

240 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

x

3 e

x^2 dx =

t e

t dt.

Integrando por partes: fazemos u = t e dv = et^ dt; então, du = dt e v = et:

x^3 ex

2 dx =

t etdt =

u dv =

u v −

v du

t et^ −

et^ dt

(t e

t − e

t ) =

ex

2

(x

2 − 1) + c.

[7]

x^3 sen(2x^2 ) dx. Aqui usamos, novamente, os dois métodos:

Substituição: seja t = 2x^2 ; então, dt = 4x dx ou

dt

4

= x dx e x^2 =

t

2

x

3 sen(2x

2 ) dx =

t sen(t)dt.

Integrando por partes: fazemos u = t e dv = sen(t) dt; então, du = dt e v = −cos(t):

x

3 sen(2x

2 ) dx =

t sen(t) dt =

u dv =

u v −

v du

(sen(2 x^2 ) − 2 x^2 cos(2 x^2 )) + c.

6.6 Método de Substituição Trigonométrica

Este método é usado quando a expressão a integrar envolve alguns dos seguintes tipos de

radicais:

a^2 − u^2 ,

a^2 + u^2 ,

u^2 − a^2 ,

onde a > 0.

Caso 1:

a^2 − u^2

Para −

π

2

≤ θ ≤

π

2

, seja u = a sen(θ); então, du = a cos(θ) dθ. Logo

a^2 − u^2 = a cos(θ).

Denotando por c =

a^2 − u^2 :

θ

a u

c

Figura 6.2: Caso 1

6.6. MÉTODO DE SUBSTITUIÇÃO TRIGONOMÉTRICA 241

Caso 2:

a^2 + u^2

Para −

π

2

< θ <

π

2

, seja u = a tg(θ); então, du = a sec^2 (θ) dθ. Logo

a^2 + u^2 = a sec(θ).

Denotando por d =

a^2 + u^2 :

θ a

d u

Figura 6.3: Caso 2

Caso 3:

u^2 − a^2

Para 0 ≤ θ <

π

2

ou π ≤ θ <

3 π

2

, seja u = a sec(θ); então, du = a sec(θ) tg(θ) dθ. Logo √ u^2 − a^2 = a tg(θ). Denotando por e =

u^2 − a^2 :

θ a

u e

Figura 6.4: Caso 3.

Exemplo 6.8.

Calcule as seguintes integrais:

[1]

a^2 − x^2 dx.

Seja x = a sen(θ); então, dx = a cos(θ) dθ;

π

2

≤ θ ≤

π

2

e

a^2 − x^2 = a cos(θ).

a^2 − x^2 dx = a

2

cos

2 (θ) dθ = a

2

cos(2θ)

2

dθ =

a^2

2

θ +

sen(2θ)

2

a^2

2

θ + sen(θ)cos(θ)

x = a sen(θ) e −

π

2

≤ θ ≤

π

2

; então, θ = arcsen(

x

a

); estamos no caso 1:

θ

a x

c ; onde

c =

a^2 − x^2 ; logo, sen(θ) =

x

a

e cos(θ) =

a^2 − x^2

a

. Substituindo no resultado da integral:

∫ (^) √

a^2 − x^2 dx =

a^2

2

arcsen

( (^) x

a

x

a^2

a^2 − x^2

  • c.

[2]

dx √ (x^2 + 3)^3

6.6. MÉTODO DE SUBSTITUIÇÃO TRIGONOMÉTRICA 243

Seja x = 4 sec(θ); então, dx = 4 sec(θ) tg(θ) dθ;

0 < θ <

π

2

ou π < θ <

3 π

2

. Neste caso √ x^2 − 16 = 4 tg(θ) e:

∫ dx

x^3

x^2 − 16

sec^2 (θ)

θ + sen(θ)cos(θ)

  • c.

Estamos no caso 3: θ

x

4

e

; onde e =

x^2 − 16 ; logo, sen(θ)cos(θ) =

x^2 − 16

x^2

. Para

calcular θ, devemos ter cuidado, pois

x^2 − 16 é definida para x > 4 e x < − 4.

Se x > 4 , então sec(θ) =

x

4

> 1 e θ = arcsec

( (^) x

4

, onde 0 < θ <

π

2

Se x < − 4 , então sec(θ) =

x

4

< − 1 e θ = arcsec

( (^) x

4

, onde

π

2

< θ < π.

Mas π < θ <

3 π

2

e sec(2 π − θ) = sec(θ); logo, para x < − 4 , θ = 2 π − arcsec

( (^) x

4

, onde

π < θ <

3 π

2

; substituindo no resultado da integral:

i) x > 4 :

dx

x^3

x^2 − 16

arcsec

( (^) x

4

x^2 − 16

x^2

  • c.

ii) x < − 4 :

dx

x^3

x^2 − 16

− arcsec

( (^) x

4

x^2 − 16

x^2

  • c 1 , onde c 1 =

π

64

  • c.

[6]

dx

(5 − 4 x − x^2 )

3 2

Primeiramente completamos os quadrados: 5 − 4 x − x^2 = 9 − (x + 2)^2 ; fazendo u = x + 2,

temos du = dx. Substituindo na integral:

∫ dx

(5 − 4 x − x^2 )

3 2

du

(9 − u^2 )

3 2

Seja u = 3 sen(θ); então du = 3 cos(θ) dθ;

( (^) −π

2

< θ <

π

2

e (9 − u

2 )

3 (^2) = 27 cos^3 (θ).

∫ dx

(5 − 4 x − x^2 )

3 2

sec

2 (θ) dθ =

tg(θ)

9

  • c.

Estamos no caso 1: tg(θ) =

u √ 9 − u^2

x + 2 √ 5 − 4 x − x^2

. Substituindo no resultado da integral:

∫ dx

(5 − 4 x − x^2 )

3 2

x + 2

9

5 − 4 x − x^2

  • c.

[7]

x √ 4 x^2 + 8 x + 5

dx.

Completando os quadrados: 4 x^2 + 8x + 5 = 4(x + 1)^2 + 1; fazendo u = x + 1, temos du = dx.

Substituindo na integral:

∫ x √ 4 x^2 + 8 x + 5

dx =

(u − 1) √ 4 u^2 + 1

du.

Seja u =

tg(θ)

2

; então du =

sec^2 (θ) dθ e

4 u^2 + 1 = sec(θ):

244 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

(u − 1) √ 4 u^2 + 1

du =

tg(θ) sec(θ) − 2 sec(θ)

dθ =

sec(θ) −

ln

|sec(θ) + tg(θ)|

  • c.

Estamos no caso 2: tg(θ) = 2 u = 2 (x + 1) e sec(θ) =

4 x^2 + 8 x + 5. Substituindo no resultado

da integral:

∫ x √ 4 x^2 + 8 x + 5

dx =

4 x^2 + 8 x + 5 −

ln

4 x^2 + 8 x + 5 + 2 (x + 1)|

  • c.

6.7 Método para Integração de Funções Racionais

Um polinômio P (x) de coeficientes reais pode ser sempre expresso como um produto de fatores

lineares e/ou quadráticos. Naturalmente esta decomposição depende essencialmente do grau

de P (x).

i) P (x) = (x − a 1 ) (x − a 2 )..........(x − an) ou

ii) P (x) = (x − a)r^ (x − b 1 )........(x − bs) ou

iii) P (x) = (a x^2 + bx + c) (x − d 1 )......(x − dl) ou

iv) P (x) = (a x^2 + bx + c)r^ (x − d 1 )......(x − dl).

Exemplo 6.9.

[1] P (x) = x^2 − 3 x + 2 = (x − 2) (x − 1).

[2] P (x) = x^3 + 4x^2 + 5x + 2 = (x + 1)^2 (x + 2).

[3] P (x) = x^3 − x^2 + x − 1 = (x^2 + 1) (x − 1).

[4] P (x) = x^8 + x^7 − 9 x^6 + 3x^5 − 33 x^4 + 3x^3 − 35 x^2 + x − 12 = (x^2 + 1)^5 (x − 3) (x + 4).

Seja uma função racional

P (x)

Q(x)

. A decomposição de uma função racional em frações mais

simples, depende do modo em que o polinômio Q(x) se decompõe em fatores lineares e/ou

quadráticos. Se numa função racional o grau de P (x) é maior ou igual ao grau de Q(x), então

podemos dividir os polinômios. De fato, se grau(P (x)) ≥ grau(Q(x)) então

P (x) = Q(x) A(x) + R(x),

onde grau(R(x)) < grau(Q(x)); então,

P (x)

Q(x)

= A(x) +

R(x)

Q(x)

. Logo, basta estudar o caso em

que:

grau(P (x)) < grau(Q(x)),

pois, caso contrário efetuamos a divisão dos polinômios.

Caso 1: Q(x) se decompõe em fatores lineares distintos.

Então:

Q(x) = (x − a 1 )(x − a 2 )......(x − an)

onde ai ∈ R são distintos dois a dois; então

f (x) =

P (x)

Q(x)

A 1

(x − a 1 )

A 2

(x − a 2 )

An

(x − an)

246 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

Então:

5 x^3 − 6 x^2 − 68 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

4 x^2 − 28 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

I =

5 dx +

4 x^2 − 28 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

dx = 5 x +

4 x^2 − 28 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

dx.

Aplicando o método à última parcela da direita, calculemos II =

4 x^2 − 28 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

dx.

Primeiro observemos que x^3 − 2 x^2 − 8 x = x (x − 4) (x + 2):

4 x^2 − 28 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

A 1

x

A 2

x − 4

A 3

x + 2

A 1 (x − 4) (x + 2) + A 2 x (x + 2) + A 3 x (x − 4)

x^3 − 2 x^2 − 8 x

Comparando os numeradores:

4 x^2 − 28 x − 16 = A 1 (x + 2) (x − 4) + A 2 x (x + 2) + A 3 x (x − 4);

as raízes do polinômio Q(x) são x = 0, x = 4 e x = − 2 ; agora substituimos cada raiz na última

expressão.

Se x = 0, então, A 1 = 2; se x = 4 então, A 2 = −

e se x = − 2 , então, A 3 =

. A fração inicial

pode ser decomposta em:

4 x^2 − 28 x − 16

x^3 − 2 x^2 − 8 x

x

3 (x − 4)

3 (x + 2)

Pelo Caso 1, temos: II = 2 ln(|x|) − 83 ln(|x − 4 |) + 143 ln(|x + 2|) + c. A integral procurada é:

I = 5 x + 2 ln(|x|) −

ln(|x − 4 |) +

ln(|x + 2|) + c.

Nos exemplos anteriores a forma de determinar os coeficientes é equivalente a resolver um

sistema de equações. Consideremos o exemplo [2]:

4 x

2 − 28 x − 16 = A 1 (x + 2) (x − 4) + A 2 x (x + 2) + A 3 x (x − 4).

Ordenando o segundo membro em potências de x, temos:

4 x^2 − 28 x − 16 = (A 1 + A 2 + A 3 ) x^2 + + (− 2 A 1 + 2 A 2 − 4 A 3 ) x − 8 A 1.

Comparando os polinômios e sabendo que dois polinômios são iguais se e somente se os coe-

ficientes dos termos do mesmo grau são iguais, temos que resolver o seguinte sistema:

 

A 1 + A 2 + A 3 = 4

2 A 1 − 2 A 2 + 4 A 3 = 28

8 A 1 = 16,

que tem como solução: A 1 = 2, A 2 = −

e A 3 =

[3]

du

u^2 − a^2

, a 6 = 0.

grau(P (u)) < grau(Q(u)); e u^2 − a^2 = (u − a) (u + a); aplicando o método:

u^2 − a^2

A 1

u − a

A 2

u + a

A 1 (u + a) + A 2 (u − a)

u^2 − a^2

6.7. MÉTODO PARA INTEGRAÇÃO DE FUNÇÕES RACIONAIS 247

Comparando os numeradores: 1 = A 1 (u + a) + A 2 (u − a); as raízes do polinômio Q(u) são

u = a e u = −a; agora substituimos cada raiz na última expressão. Se u = a, então, A 1 =

2 a

e

se u = −a, então, A 2 = −

2 a

. A fração inicial pode ser decomposta em:

u^2 − a^2

2 a (u − a)

2 a (u + a)

Pelo Caso 1, temos:

∫ du

u^2 − a^2

2 a

ln(|u − a|) − ln(|u + a|)

  • c =

2 a

ln

∣ u^ −^ a u + a

  • c

Aplicamos esta última fórmula para completamento de quadrados.

Exemplo 6.11.

Calcule as seguintes integrais:

[1]

dx

x^2 − 4 x

Como x^2 − 4 x = (x − 2)^2 − 4 :

dx

x^2 − 4 x

dx

(x − 2)^2 − 4

Fazendo u = x − 2 , temos du = dx. Substituindo:

∫ dx

x^2 − 4 x

du

u^2 − 4

ln

u − 2

u + 2

  • c =

ln

x − 4

x

  • c,

onde as últimas igualdades são obtidas pela fórmula anterior.

[2]

dx

5 − x^2 − 4 x

Completando os quadrados 5 − x^2 − 4 x = 9 − (x + 2)^2 e fazendo u = x + 2, temos du = dx.

Substituindo:

∫ dx

5 − x^2 − 4 x

du

u^2 − 9

ln

∣ u^ −^3 u + 3

  • c = −

ln

∣ x^ −^1 x + 5

  • c,

onde as últimas igualdades são obtidas pela fórmula anterior.

Caso 2: Q(x) se decompõe em fatores lineares, alguns deles repetidos.

Seja x − ai o fator linear de Q(x) de multiplicidade r e r a maior potência da fatoração. Então,

a cada fator linear repetido associamos uma expressão do tipo:

B 1

(x − ai)

B 2

(x − ai)^2

Br

(x − ai)r

onde B 1 , B 2 , .......Br são constantes a determinar. Em tal caso, integrando esta expressão obte-

mos:

B 1 ln(|x − ai|) −

B 2

x − ai

Br

(1 − r)(x − ai)r−^1

Os fatores lineares não repetidos são tratados como no caso 1.

6.7. MÉTODO PARA INTEGRAÇÃO DE FUNÇÕES RACIONAIS 249

logo: ∫ x^3 + 3 x − 1

x^4 − 4 x^2

dx =

ln

∣x − 2

ln

∣x + 2

ln

∣x

4 x

  • c.

Caso 3: Q(x) se decompõe em fatores lineares e fatores quadráticos irredutíveis,

sendo que os fatores quadráticos não se repetem

A cada fator quadrático ax^2 + bx + c de Q(x) associamos uma expressão do tipo:

Cx + D

a x^2 + b x + c

onde C, D são constantes a determinar. Os fatores lineares são tratados como no caso 1 e 2.

Exemplo 6.13.

Calcule as seguintes integrais:

[1] Calcule I =

8 x^2 + 3 x + 20

x^3 + x^2 + 4 x + 4

dx.

Primeiramente observamos que grau(P (x)) < grau(Q(x)). Fatorando x^3 + x^2 + 4 x + 4 =

= (x + 1) (x^2 + 4). O único fator quadrático irredutível é x^2 + 4; o fator x + 1 é como no caso 1.

8 x^2 + 3x + 20

x^3 + x^2 + 4x + 4

A 1

x + 1

Cx + D

x^2 + 4

Comparando os numeradores:

8 x^2 + 3 x + 20 = A 1 (x^2 + 4) + (Cx + D) (x + 1) = (A 1 + C) x^2 + (C + D) x + 4 A 1 + D. A raiz

real do polinômio Q(x) é x = − 1 ; agora substituimos esta raiz na última expressão. Se x = − 1 ,

então A 1 = 5. Formamos o sistema de equações, obtido da comparação dos coeficientes dos

polinômios: A 1 + C = 8, logo C = 3 e C + D = 3 implica em D = 0.

8 x^2 + 3 x + 20

x^3 + x^2 + 4 x + 4

x + 1

3 x

x^2 + 4

Portanto:

I = 5 ln(|x + 1|) + 3

x

x^2 + 4

dx = ln(|(x + 1)

5

(x^2 + 4)^3 |) + c,

onde a última integral é resolvida usando substituição simples.

[2] Calcule I =

2 x^2 + 5 x + 4

x^3 + x^2 + x − 3

dx.

Primeiramente observamos que grau(P (x)) < grau(Q(x)). Fatorando x^3 + x^2 + x − 3 =

= (x − 1) (x^2 + 2 x + 3). O único fator quadrático irredutível é x^2 + 2 x + 3. O fator x − 1 é como

no caso 1.

2 x^2 + 5 x + 4

x^3 + x^2 + x − 3

A 1

x − 1

Cx + D

x^2 + 2 x + 3

Comparando os numeradores:

2 x^2 + 5 x + 4 = A 1 (x^2 + 2 x + 3) + (Cx + D) (x − 1) = (A 1 + C) x^2 + (2 A 1 − C + D) x + 3 A 1 − D;

a raiz real do polinômio Q(x) é x = 1; substituindo esta raiz na última expressão: Se x = 1,

250 CAPÍTULO 6. INTEGRAÇÃO INDEFINIDA

então A 1 =

. Formamos o sistema de equações, obtido da comparação dos coeficientes dos

polinômios: A 1 + C = 2; logo C =

e 3 A 1 − D = 4; logo D =

. Então:

2 x^2 + 5 x + 4

x^3 + x^2 + x − 3

6 (x − 1)

( (^) x + 9

x^2 + 2 x + 3

logo:

I =

ln

∣x − 1

x + 9

x^2 + 2 x + 3

dx,

onde a última integral é resolvida usando substituições; de fato: x^2 + 2 x + 3 = (x + 1)^2 + 2.

Então, considere u = x + 1; logo du = dx e:

∫ x + 9

x^2 + 2 x + 3

dx =

u + 8

u^2 + 2

du =

u

u^2 + 2

du +

u^2 + 2

du.

A segunda integral é imediata, pois:

∫ 8

u^2 + 2

du =

arctg

( (^) u √ 2

  • c 1 =

arctg

( (^) x + 1 √ 2

  • c 1.

Na primeira integral fazemos t = u^2 + 2; logo

dt

2

= u du:

∫ u

u^2 + 2

du =

dt

t

ln(|t|) + c 2 =

ln(|x^2 + 2 x + 3|) + c 2

e:

I =

ln

∣x − 1

ln

∣x^2 + 2x + 3

arctg

( (^) x + 1 √ 2

  • c.

[3] Calcule I =

3 x^3 + 11 x − 16

(x^2 + 1)(x^2 + 4 x + 13)

dx.

Observemos que grau(P (x)) < grau(Q(x)); x^2 + 1 e x^2 + 4 x + 13 são fatores quadráticos

irredutíveis. Temos:

3 x^3 + 11 x − 16

(x^2 + 1) (x^2 + 4x + 13)

C 1 x + D 1

x^2 + 1

C 2 x + D 2

x^2 + 4 x + 13

Comparando os numeradores:

3 x^3 + 11 x − 16 = (C 1 + C 2 ) x^3 + (4 C 1 + D 1 + D 2 ) x^2 + (13 C 1 + 4 D 1 + C 2 ) x + (13 D 1 + D 2 ).

Formando o sistema de equações, obtido da comparação dos coeficientes dos polinômios:

   

C 1 + C 2 = 3

4 C 1 + D 1 + D 2 = 0

13 C 1 + 4 D 1 + C 2 = 11

13 D 1 + D 2 = − 16

Resolvendo o sistema: C 1 = 1, D 1 = − 1 , C 2 = 2 e D 2 = − 3 ; logo:

3 x^3 + 11 x − 16

(x^2 + 1) (x^2 + 4 x + 13)

x − 1

x^2 + 1

2 x − 3

x^2 + 4 x + 13