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Mapas cognitivos
Tipologia: Notas de estudo
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Sérgio Brião Jardim Doutor em Engenharia dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental Instituto de Pesquisas Hidráulicas, UFRGS – Porto Alegre - RS [email protected] Professor/Pesquisador - PUCRS
Área Temática
Mapas Cognitivos. Estratégia.
Abstract
Drawing on the concepts of cognition theory and cognitive maps this article highlights the role played by subjective assumptions in the formulation and structuration of complex problems and in establishing strategies for action.
A systematic approach is advanced for the construction of individual cognitive maps and group cognitive maps in a case study in the context of an academic decision making process demonstrating the use of this methodology for defining strategic objectives in the presence of many decision makers.
Keywords
Cognitive Maps. Strategy
Resumo
A partir dos conceitos da cognição e dos mapas cognitivos, o artigo destaca a importância da consideração dos aspectos subjetivos na formulação e estruturação de problemas complexos e no estabelecimento de estratégias de ação.
Nesse contexto, é descrita uma sistemática para a construção dos mapas cognitivos individuais e dos mapas cognitivos de grupo.
Uma exemplificação é apresentada através de um estudo de caso, onde são definidos os objetivos estratégicos em um contexto decisório acadêmico, na presença de vários decisores.
Historicamente, as decisões estratégicas em instituições, envolvendo objetivos conflitantes e um grau elevado de incertezas, têm sido entendidas como atribuições exclusivas da alta administração, com as mais variadas justificativas.
No entanto, segundo Kirkwood (1996, p.1), as relações interpessoais e o processo decisório nas referidas instituições podem se tornar complicados e confusos.
Via de regra, os problemas administrativos têm como característica a complexidade, a simultaneidade e o conflito de interesses de vários decisores com diferenças de poder e, para um certo momento, podem ser caracterizados, segundo Eden et al. (1983), como “situações onde se deseja que alguma coisa seja diferente de como ela é, mas não se está muito seguro de como obtê- la.”
Nesse trabalho, mostra-se como a abordagem estratégica pode ser utilizada para a formulação e estruturação de problemas complexos, através do uso dos mapas cognitivos.
Um caso real é utilizado para exemplificação, na forma do estabelecimento de objetivos estratégicos em um ambiente administrativo acadêmico, a partir dos mapas cognitivos individuais de ivários decisores de uma equipe qualificada, tendo o autor atuado como facilitador na negociação.
O trabalho encerra com algumas conclusões que consideram válida a utilização dos mapas cognitivos na área da administração, com a recomendação para aplicações subseqüentes da metodologia apresentada, visando à difusão do uso dessa ferramenta de apoio à decisão.
A cognição é um conceito geral que alcança todas as formas de conhecimento, incluídos a percepção, o raciocínio e o julgamento (Chaplin, 1985). Os mapas cognitivos podem ser entendidos como representações gráficas de conjuntos de representações discursivas feitas por um sujeito (o ator) com vistas a um objeto (o problema), em contextos de interações particular, segundo Cossete e Audet (1992).
Essa representação gráfica é o resultado da interpretação mental que o analista (facilitador) faz a partir da representação discursiva feita pelo sujeito (ator) sobre um problema. Nesse processo discursivo-reflexivo-recursivo, representado pelo mapa cognitivo, preconiza-se a neutralidade por parte do facilitador.
Na realidade, problemas não são entes físicos pré-existentes que possam ser objetivamente considerados, podendo ser entendidos como relacionamentos de desarmonia entre a realidade e as preferências de um ator e definidos como situações onde alguém deseja que alguma coisa seja diferente de como ela é, mas não está muito seguro de como obtê-la, segundo Eden et al. (1983).
Diante de problemas complexos que envolvam diversos decisores, com diferentes relações de poder, cada um deles com diferentes valores, percepções e objetivos, a função do facilitador, na prática do apoio à decisão, é buscar definir a compreensão e interpretação que cada um dos decisores tem do problema (Montibeller Netto, 1996).
Na abordagem de problemas complexos também devem ser consideradas a falta (ou excesso) de informações, a influência do ambiente externo ao contexto decisório e o conflito de interesses.
Nesta seção do artigo, é feita breve referência à classificação e conceituação dos mapas cognitivos, com base na apresentação contida em Fiol e Huff (1992).
Quanto ao tipo , há os mapas de pontos e os mapas de contexto entendidos como esquemas antecipatórios amplos de percepção. Os primeiros são análogos aos mapas cartográficos das cidades, onde cada local desejado é alcançado através de um percurso definido com base na seqüência de pontos bem caracterizados. Não há incertezas sobre a rota e são facilmente memorizados e transferíveis de um indivíduo a outro.
Os mapas de contexto possuem, também, informações sobre o ambiente decisório ( contexto ) que envolve os pontos de referência. Diante de incertezas, os mapas de contexto permitem exercer o julgamento para a busca de opções.
Quanto ao uso , os mapas cognitivos podem ser utilizados como produtos (mantendo-se estáveis no tempo) ou como ferramentas , com caráter dinâmico e passível de modificação (ou abandono) por parte dos decisores, no enfrentamento de questões complexas.
Quanto aos componentes , os mapas cognitivos podem ser de (1) identidade , (2) de categorização e (3) causais ou de argumentação. Os mapas de identidade designam as marcas físicas chaves do problema (atores, eventos e processos). Os mapas de categorização desenvolvem escalas e convenções de contorno que oferecem informações sobre o relacionamento entre as entidades do problema.
Os mapas causais ou de argumentação contêm vias alternativas para passar de uma posição a outra no mapa (entendidas como as ligações potenciais entre as entidades de importância para a organização, ao longo de tempo).
Quanto ao tipo de intervenção , os mapas cognitivos podem ser organizacionais ou individuais. No primeiro, o facilitador procura um mapa coletivo que represente um instrumento para a ação da organização, seja como ferramenta de apoio à decisão, seja para uma análise da organização. Os mapas individuais podem ter caracterização isolada, mas, principalmente, podem ser usados para a obtenção dos mapas coletivos (organizacionais).
Quanto ao tipo de análise , os mapas cognitivos podem ter análise hierárquica ou cibernética. A análise hierárquica considera a hierarquia dos componentes (dados, ações, meios, fins), obedecendo a uma racionalidade estratégica, desconsiderados os laços entre os nós (conceitos). Na análise cibernética, são consideradas as características hierárquicas e os laços existentes entre os nós do mapa, que levam às mudanças e ao crescimento estratégico.
No âmbito desse trabalho, serão considerados os mapas cognitivos de contexto , para uso como ferramenta de apoio à decisão, causais , organizacionais (construídos a partir dos mapas individuais) e analisados de forma hierárquica.
O uso de mapas cognitivos para representar e explorar a estrutura cognitiva de membros de uma organização tornou-se popular recentemente (Huff, 1990).
Um enfoque particular dessa ciência, voltado para a gestão estratégica, pode ser encontrado detalhadamente em Eden e Ackermann (1998), de onde foram extraídos os procedimentos básicos, recomendados e algumas constatações características do processo, conforme segue.
A boa construção de um mapa cognitivo depende de dois fatores essenciais: a abordagem empática inicial por parte do facilitador e o estabelecimento de um eficiente e legítimo processo de negociação. O uso de gravador não é recomendado porque inibe a espontaneidade do entrevistado e porque posturas e reações não verbalizadas representam fatores importantes para o facilitador, que acabam não sendo registradas e consideradas.
O facilitador não deve forçar o entrevistado, diante de qualquer hesitação ou dúvida, a expressar julgamento ou preferência, quando não estiver absolutamente seguro. A aparente confusão nos primeiros mapas cognitivos faz parte do processo. A busca da significação e clareza não deve ser forçada. Deve ser alcançada pela prática. Objetivamente, o mapa cognitivo é uma hierarquia de conceitos relacionados por ligações meio e fim , que representa o sistema de valores do(s) decisor(es) na forma de objetivos estratégicos (os conceitos superiores na hierarquia).
O mapa cognitivo também fornece as alternativas, ou ações para atingir os objetivos estratégicos, através dos conceitos subordinados na hierarquia. Por ser um processo que exige muito esforço mental e que pode tornar-se improdutivo devido ao cansaço, cada entrevista deve durar entre 60 e 90 minutos e ser realizada no ambiente do entrevistado, ou em local neutro. O entrevistado deve, sempre que possível, ficar à esquerda do facilitador (quando destro). Dessa forma, o entrevistado sente-se engajado na construção do mapa e o facilitador o terá como aliado no processo.
A seguir, são relacionados e especificados os passos necessários para a construção de um mapa cognitivo, por adaptação de Eden e Ackermann (1998), Ensslin et al. (1998), Montibeller Netto (1996) e Bana e Costa (1992).
O texto de cada conceito deve ter uma perspectiva orientada à ação, na forma imperativa. O sentido de cada conceito está baseado, em parte, na ação que ele sugere. Cada conceito deve ser expresso por um texto abreviado (dez a doze palavras). A descrição de cada conceito inicia pela definição do pólo presente e só terá sentido à luz do seu oposto psicológico ( pólo contraste ).
Então, o sentido dos conceitos é obtido através do contraste entre os dois pólos. É comum o decisor ter dificuldade em fornecer o oposto psicológico de um pólo presente. Nessas situações, o facilitador não deve assumir e registrar os contrastes (pela lógica), porque isso pode levar a conceitos diferentes daqueles que estão sendo pensados pelo(s) decisor(es), que poderá ser induzido a expressar o que gostaria de fazer , com a perda de importantes e diferentes interpretações do decisor sobre o problema. A melhor estratégia é prosseguir na construção do mapa retornando, quando o pólo oposto apareça mais naturalmente ao decisor.
O pólo contraste, o oposto psicológico, também pode ser entendido como a alternativa que o decisor considera aceitável, quando não há a possibilidade de obter de imediato a ação manifestada no primeiro pólo. Não há uma regra fixa para a definição, ou codificação, do primeiro pólo.
Uma sistemática que pode ser recomendada é o facilitador adotar como primeiro pólo a primeira descrição pronunciada pelo decisor, resultante da primeira percepção que lhe vem à mente, seja positiva ou negativa.
A construção do mapa cognitivo, com os pólos presentes obtidos dessa maneira, pode fornecer uma indicação da personalidade, atitudes e posições gerais do decisor, bem como de aspectos culturais da organização à qual o mesmo pertence. (Eden et al., 1983).
Para exemplificar, admita-se que, na avaliação do desempenho de uma instituição, visando ao estabelecimento de estratégias de ação, um dos elementos primários de avaliação adotados tenha sido produção. Se o primeiro pólo expresso pelo decisor fosse aumentar o volume mensal de produção , ter-se-ía o conceito a partir da junção entre esse pólo e seu pólo contraste, ou oposto psicológico:
aumentar o volume mensal de produção
.. .manter o volume mensal atual de produção
Figura 2: Pólo presente e pólo oposto psicológico em um conceito.
Onde os três pontos... significam "ao invés de".
Considerando o oposto lógico, o conceito teria a seguinte forma:
aumentar o volume mensal de produção ... diminuir o volume mensal de produção
Figura 3: Pólo presente e pólo oposto lógico em um conceito.
Na construção dos conceitos, o facilitador pode seguir as seguintes diretrizes, segundo Eden e Ackermann (1998)
a) Cada conceito deve ser claro e conciso, expresso por apenas uma frase e, sempre que possível e quando inequívoco, orientado para apenas uma ação.
b) Não dividir conceitos que tragam, através de uma idéia, a possibilidade de duas ou mais ações decorrentes, desde que as expressões manifestadas pelo decisor sejam indissociáveis. Por exemplo, o pólo presente: aumentar e qualificar a produção cientifica.
c) Utilizar a linguagem do decisor, não parafraseando, aproveitando ao máximo as palavras e expressões usadas, de tal forma que o decisor tenha a sensação de posse sobre os conceitos e os reconheça facilmente no mapa.
d) Na construção dos conceitos, buscar identificar, nas manifestações do decisor, os valores , as opções , os meios e os fins. Aproveitar pausas (insegurança) do decisor para, através da interlocução, melhor esclarecer e confirmar percepções, buscando, principalmente, a identificação dos meios.
e) Quando o facilitador não consegue registrar as percepções, devido à rapidez com que o decisor as expressa, a técnica é a interrupção, mas sem a perda da linha do raciocínio. Uma boa maneira é rever o que está no mapa. Esse procedimento normalmente reforça, esclarece e enriquece os conceitos e suas ligações.
f) Identificar, registrando na parte superior do mapa cognitivo, os conceitos que representam objetivos estratégicos e/ou as metas mais importantes para o decisor, que possam representar ações estratégicas. Em primeiro momento, esses conceitos freqüentemente causam desânimo, porque indicam metas distantes, difíceis de serem alcançadas.
g) Identificar os conceitos carregados, aqueles muito explicados e justificados através das ligações com outros conceitos e aqueles expressados emocionalmente pelos decisores.
h) Evitar palavras como pode, precisa, deve, na construção dos conceitos. Por exemplo, ao invés de “precisamos aumentar a competitividade”, utilizar apenas “aumentar a competitividade”.
i) A validação das informações contidas no mapa cognitivo, bem como seu eventual prosseguimento, devem ser realizados em um curto período de tempo (no máximo 24 horas, quando possível).
4º Passo: Hierarquização dos conceitos
A estrutura dos mapas cognitivos é formada por conceitos- meio e conceitos- fim , relacionados por ligações de influência. As ligações entre os conceitos, que possibilitam a definição da hierarquia, são feitas através de relações de causalidade, par-a-par , simbolizadas por setas.
Essa sistemática indica as possíveis alternativas, ou ações, no processo decisório e segue até que o decisor não consiga encontrar a justificativa do conceito questionado. A Figura 5 esclarece o processo:
Figura 5: Construção dos conceitos- meio
Um determinado conceito pode gerar dois, ou mais conceitos fim conflitantes ou ser explicado por dois, ou mais conceitos meio, também conflitantes. Nos dois casos, o primeiro pólo do conceito está ligado aos pólos contraste dos conceitos fim, ou meio.
Essas situações ocorrem freqüentemente nos contextos decisórios complexos. Nesses casos, a solução do problema pode ser alcançada através da Análise Multicritério. (Ensslin et al., 1998 e Jardim, 1999).
A Figura 6 exemplifica essas situações:
Figura 6: conceitos fim conflitantes
aumentar a competitividade
... manter como está
investir nos recursos humanos
... manter a política de RH atual
Conceito fim
Facilitador (pergunta): como se pode aumentar a competitividade?
Decisor (resposta): Investir nos recursos humanos.
aumentar a competitividade... manter como está
implementar plano de contenção de despesas ... manter como está
investir nos recursos humanos... manter a política de RH atual
Conceito meio
O uso do mapa cognitivo como instrumento de apoio à decisão ganha valor quando o contexto decisório envolve problemas complexos e vários decisores. Nessas situações, o facilitador deve conduzir o processo de negociação de uma forma mais cautelosa e atenta, para evitar que se perca o rumo, fornecendo ações e recomendações sobre um problema que não pertence aos decisores.
Os decisores compartilham o poder na organização, mas têm interesses e valores conflitantes, por representarem diversos grupos de interesse. A construção do mapa cognitivo do grupo de decisores é muito mais complexa do que a de um mapa cognitivo individual.
No grupo há diferença de personalidades, estilos de interação, poder, valores e de preocupações sobre a política interna da organização (Ensslin et al., 1998). Na construção do mapa cognitivo de um grupo existe uma grande quantidade de conceitos conflitantes, mas também uma grande quantidade de conceitos similares, que podem ser agregados. Apesar de os decisores perceberem e interpretarem o mesmo contexto decisional de forma diferente, para realizar alguma coisa têm de levar em conta como os outros decisores percebem e interpretam tal contexto. Há, na realidade, uma interdependência entre os decisores no que concerne às ações.
O resultado da forma como um grupo de decisores entende um problema é representado pelo mapa cognitivo congregado. Nessa fase, o papel do facilitador é estimular os decisores a pensar em pontos que, de outra forma, não seriam pensados, facilitar o pensamento lateral (de Bono, 1995) e a criatividade, fazer com que os decisores ouçam pontos que não são usualmente ouvidos (e levados a sério), conduzi-los à percepção de tais pontos e permitir aos decisores dizerem coisas que, de outra forma, eles teriam pensado mas não diriam (Montibeller Netto, 1996).
Há duas formas de construção de um mapa cognitivo congregado:
a) Iniciar diretamente com o grupo;
b) Iniciar com os mapas cognitivos individuais.
A primeira forma toma menos tempo, com menor custo e é mais empolgante.
Na presença de um facilitador experiente e habilidoso, é mais rápido o processo de captar os conceitos mais representativos sobre cada percepção, obter a reflexividade na construção dos conceitos, a recursividade no entendimento do mapa e na aprendizagem, além de confirmar os conceitos.
Por outro lado, há um risco maior de ocorrência do pensamento de grupo. (Ensslin et al.,
Devido à diferença de poder dos decisores, alguns, por constrangimento, deixarão de expressar ou defender algumas percepções (que manifestariam anonimamente).
1º passo: Agregação dos mapas cognitivos individuais
É função exclusiva do facilitador obter, por meio da comparação dos mapas cognitivos individuais:
O processo está exemplificado, a seguir, através das Figuras 7a e 7b (mapas cognitivos individuais) e Figura 8 (mapa cognitivo agregado).
Considerando os decisores A e B, admita-se que os pares de conceitos A6 e B7 e B3 e A sejam similares, sendo mais amplos, respectivamente, os conceitos A6 e B3. (Os sinais + e - foram omitidos para maior clareza).
decisor A decisor B
(a) (b)
Figura 7: Mapas cognitivos individuais dos decisores A e B.
Figura 8: Mapa cognitivo agregado dos decisores A e B.
A8^ A
A6 A
A
A
A
A
B8^ B
B
B
B
B3 B
B
B8 B
B
B
B
B
B
A A
A A
A A
A
As ligações tracejadas entre os conceitos B2 e A6 e entre os conceitos A3 e B3 representam relações conotativas que o facilitador identificou entre os referidos pares. A agregação dos mapas cognitivos individuais reforça e seleciona os conceitos mais amplos, os dominantes e enriquece a ferramenta de negociação, representada pelo mapa cognitivo congregado, descrito a seguir.
2º Passo: Construção do mapa cognitivo congregado****.
Essa representação, que é o mapa cognitivo do grupo é obtida através da negociação entre o facilitador e os decisores. Inicialmente, o mapa cognitivo agregado , construído a partir dos mapas cognitivos individuais, considerados todos os decisores, é apresentado ao grupo, tendo o facilitador o cuidado de identificar a contribuição de cada participante. Esse procedimento fornece a sensação de posse do modelo a cada um dos decisores. (Eden, 1989). A negociação incluirá novos conceitos, os enxertos (Bougon, 1992) e ligações de influência entre esses e os existentes e entre os conceitos enxertados. Nesses termos, a negociação também reduz o tolhimento à criatividade encontrado no “brainstorming” realizado em grupo (Camacho e Paulus, 1995). Em uma série de encontros, os decisores negociarão sobre o mapa agregado, processo que resultará no mapa cognitivo agregado que conterá, essencialmente os valores do grupo. A figura 9 apresenta, esquematicamente, a relação dos sistemas de valores dos decisores com a construção do mapa. Os valores comuns que aparecem inicialmente no mapa agregado servem de base para que o facilitador realize as uniões de conceitos e indique as ligações de influência entre os mesmos. A cada encontro sucessivo, os valores comuns são melhor desenvolvidos através do processo de negociação, argumentação e de interação entre os membros do grupo, considerada a influência dos eventos externos. A dinâmica descrita conduz, ao final, a um sistema de valores enriquecido, que representa a estrutura cognitiva do grupo, na forma do mapa cognitivo congregado.
Três mapas cognitivos congregados (Anexo B) foram construídos como ferramentas básicas de estruturação e negociação, para fins do estabelecimento de estratégias na área acadêmica. O contexto decisório é o ambiente de atuação e autonomia da equipe diretiva da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
As influências externas são representadas pelas instâncias administrativas superiores da instituição, pelo mercado profissional e concorrência com outras instituições de ensino superior e pela internacionalização da economia e a celeridade da informação nos dias atuais.
O grupo de decisores é qualificado, com um mínimo de três anos de vivência comum na atividade de gerência acadêmica, todos docentes e engenheiros pós-graduados no país e no exterior. A equipe também tem, como característica, uma acentuada heterogeneidade em termos de visão, métodos de atuação e valores.
6.1 O método utilizado
Foi utilizada a abordagem individual, com a construção do mapa cognitivo através de entrevista com cada membro da equipe. As entrevistas foram realizadas em ambiente neutro, tanto aos decisores, como ao facilitador, com duração entre uma e duas horas. Não foi estabelecido nenhum rótulo para o problema, tendo havido para os decisores total liberdade de expressão, com a garantia de sigilo e identificação codificada para os mapas cognitivos individuais.
Durante as entrevistas foram observados, como fatos mais relevantes:
⋅ a espontaneidade e espírito de colaboração de todos os decisores;
⋅ a evidente confiança de todos os decisores no mapa cognitivo como ferramenta de negociação, bem como a aprovação do método usado;
⋅ o entendimento, por todos, da sistemática de construção do mapa;
⋅ a variável eficiência do processo.
A não definição de um rótulo para o problema, visando à total liberdade de expressão do grupo decisor, levou às seguintes conclusões, consideradas as características e o ambiente em que o processo cognitivo ocorreu:
A eficiência variável na captação das percepções deveu-se, pelo que foi possível observar, à :
6.2 Os resultados
O conteúdo do presente artigo, materializado na forma de oito mapas cognitivos individuais (Anexo A) e três mapas cognitivos congregados (Anexo B) , é parte de um documento intitulado Pensamento da Equipe – FENG, desenvolvido no ano 2000, para a Faculdade de Engenharia da PUCRS. Na época, várias reuniões foram mantidas com o grupo diretivo da referida Faculdade, no escapo de uma atividade que ficou conhecida como Construindo Estratégias na FENG. Ao longo dessa interessante atividade e através das estratégias competitividade, valorização e organização, foram consensualmente definidos, hierarquicamente, três objetivos estratégicos :
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