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Numeros complexos, Notas de estudo de Física

Matemática Superior

Tipologia: Notas de estudo

2012

Compartilhado em 10/05/2012

AlcindoCacela
AlcindoCacela 🇧🇷

4.3

(25)

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bg1
1 umeros Complexos
Um umero complexo z´e uma express˜ao da forma z=a+ib, sendo que aebao umeros
reais e ium umero imagin´ario puro que satisfaz i2=1. Definimos a=Re(z) ( parte real
de z) e b=Im(z) ( parte imagin´aria de z). O conjugado de z´e definido por ¯z=aib e o
valor absoluto ou odulo de zpor |z|=a2+b2.
Dados dois umeros complexos z=x+iy ew=u+iv podemos definir as opera¸oes
soma, subtra¸ao, multiplica¸ao e divis˜ao de umeros complexos da seguinte maneira :
1. z+w= (x+iy)+(u+iv) = (x+u) + i(y+v)
2. zw= (x+iy)(u+iv)=(xu) + i(yv)
3. z.w = (x+iy).(u+iv) = (xu yv) + i(xv +yu)
4. z
w=x+iy
u+iv .uiv
uiv =xu+yv
u2+v2+iyuxv
u2+v2,se w6= 0
O conjunto dos umeros complexos munido com tais opera¸oes ´e denotado por C.A
partir dessas defini¸oes, algumas propriedades podem ser facilmente verificadas :
(a) z±w= ¯z±¯w
(b) zw = ¯z¯w
(c) z¯z=|z|2
(d) Re(z) = zz
2
(e) Im(z) = z¯z
2i.
Em C, definimos a fun¸ao exponencial da seguinte maneira
ez=exp(z) =
X
n=0
zn
n!= 1 + z+z2
2+. . . (1)
Utilizando o crit´erio da raz˜ao verifica-se que o raio de convergˆencia da erie complexa acima
´e , ou seja, a erie converge para todo umero complexo. Em particular, para z=,
θR, devido a convergˆencia absoluta de (1), os obtemos a ormula de Euler :
e =P
n=0
()n
n!
=P
n=0
()2n
(2n)! +P
n=0
()2n+1
(2n+1)!
= 1 θ2
2+θ4
4! +. . . +i(θθ3
3! +θ5
5! +. . .)
e = cos θ+isen θ.
(Observemos que i2n= (i2)n= (1)n.) Al´em disso, e = cos θisen θ=e. Portanto,
devido a (d) e (e) conclu´ımos que :
cos θ=e +e
2,sen θ=e e
2i.
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1 N´umeros Complexos

Um n´umero complexo z ´e uma express˜ao da forma z = a + ib, sendo que a e b s˜ao n´umeros reais e i um n´umero imagin´ario puro que satisfaz i^2 = −1. Definimos a = Re(z) ( parte real de z) e b = Im(z) ( parte imagin´aria de z). O conjugado de z ´e definido por ¯z = a − ib e o valor absoluto ou m´odulo de z por |z| =

a^2 + b^2. Dados dois n´umeros complexos z = x + iy e w = u + iv podemos definir as opera¸c˜oes soma, subtra¸c˜ao, multiplica¸c˜ao e divis˜ao de n´umeros complexos da seguinte maneira :

  1. z + w = (x + iy) + (u + iv) = (x + u) + i(y + v)
  2. z − w = (x + iy) − (u + iv) = (x − u) + i(y − v)
  3. z.w = (x + iy).(u + iv) = (xu − yv) + i(xv + yu)
  4. (^) wz = xu++iyiv .uu−−iviv = xuu 2 ++yvv 2 + iyuu 2 −+xvv 2 , se w 6 = 0

O conjunto dos n´umeros complexos munido com tais opera¸c˜oes ´e denotado por C. A partir dessas defini¸c˜oes, algumas propriedades podem ser facilmente verificadas :

(a) z ± w = ¯z ± w¯

(b) zw = ¯z w¯

(c) z z¯ = |z|^2

(d) Re(z) = z+¯ 2 z

(e) Im(z) = z− 2 i¯z.

Em C, definimos a fun¸c˜ao exponencial da seguinte maneira

ez^ = exp(z) =

∑^ ∞ n=

zn n!

= 1 + z +

z^2 2

Utilizando o crit´erio da raz˜ao verifica-se que o raio de convergˆencia da s´erie complexa acima ´e ∞, ou seja, a s´erie converge para todo n´umero complexo. Em particular, para z = iθ, θ ∈ R, devido a convergˆencia absoluta de (1), n´os obtemos a f´ormula de Euler :

eiθ^ =

∑∞ n=

(iθ)n n! =

∑∞ n=

(iθ)^2 n (2n)! +^

∑∞ n=

(iθ)^2 n+ (2n+1)! = 1 − θ 2 2 +^

θ^4 4! +^...^ +^ i(θ^ −^

θ^3 3! +^

θ^5 5! +^.. .) eiθ^ = cos θ + isen θ.

(Observemos que i^2 n^ = (i^2 )n^ = (−1)n.) Al´em disso, e−iθ^ = cos θ − isen θ = eiθ. Portanto, devido a (d) e (e) conclu´ımos que :

cos θ =

eiθ^ + e−iθ 2

, sen θ =

eiθ^ − e−iθ 2 i

A partir da f´ormula de Euler, algumas demonstra¸c˜oes de identidades trigonom´etricas se tornam muito mais simples. Por exemplo, uma vez que

eiθeiφ^ = ei(θ+φ)

n´os temos que

(cos θ + isen θ)(cos φ + isen φ) = cos(θ + φ) + isen (θ + φ),

e se n´os multiplicarmos o lado esquerdo da igualdade acima e igualarmos a parte real e a imagin´aria, obteremos ambas as f´ormulas de seno e cosseno de uma soma. Dado z = x + iy, um n´umero complexo, seja θ o ˆangulo que a reta que passa por (x, y) e a origem (0, 0) faz com o eixo-x no plano cartesiano, desta forma, vemos que :

cos θ =

x √ x^2 + y^2

x |z|

, sen θ =

y √ x^2 + y^2

y |z|

ent˜ao, podemos escrever :

z = x + iy = |z| cos θ + i|z|sen θ = |z|(cos θ + isen θ) = |z|eiθ. E chamamos θ = arctan yx como sendo o argumento de z (n˜ao ´e univocamente de- terminado). Esta representa¸c˜ao de n´umero complexo ´e chamada de forma polar. E se z = r(cos θ + isen θ) = reiθ, vemos ent˜ao que

zn^ = (reiθ)n^ = rneinθ^ = rn(cos nθ + isen nθ).

Exerc´ıcios

  1. Ache a parte real, a parte imagin´aria e o valor absoluto dos n´umeros complexos: (i + 2)/(i − 2); (1 + i

3)^2 ; 1 /(1 − i); (2 − 3 i)/(3 + 2i); (2 − 3 i)^3 ; e2+5i; e^8 i.

  1. Escreva na forma polar os seguintes n´umeros complexos: 3 − 4 i; −

2 i; (1 + i)/(1 − i), −1 + i

  1. Escreva na forma a + ib os seguintes n´umeros complexos: (1/2 + i

3 /2)^63 ; (1 + i)^69.

  1. Mostre usando a f´ormula de Euler que sen 2θ = 2sen θ cos θ e que cos 2θ = cos^2 θ−sen 2 θ.
  2. Obtenha f´ormulas para cos 3θ e sen 3θ.
  3. Mostre que |eiθ| = 1 para todo θ real.

Exemplo 2.1 Obtenha a forma complexa da s´erie de Fourier da fun¸c˜ao

f (x) =

{ 1 , 0 ≤ x ≤ π 0 , −π < x < 0

f (x + 2π) = f (x). Como l = π, obtemos f (x) =

∑^ ∞ n=−∞

cneinx,

em que

cn =

2 π

∫ (^) π

−π

f (x)e−inxdx, ∀n ∈ Z.

Como c 0 = 12 e segue para n 6 = 0 que :

cn = (^21) π

∫ (^0) −π 0 e −inxdx + 1 2 π

∫ (^) π 0 1 e −inxdx

= (^21) π

[ e−inx −in

∣∣ ∣∣

π 0

]

= (^21) π

[ i n (e

−inπ (^) − 1)

]

cn = (^2) nπi [(−1)n^ − 1].

Assim

f (x) =

∑^ ∞

n=−∞,n 6 =

i 2 nπ

[(−1)n^ − 1]einx.

Exerc´ıcios

  1. Mostre que os coeficientes da forma complexa da s´erie de Fourier de uma fun¸c˜ao ´ımpar s˜ao imagin´arios puros (n´umeros complexos com parte real nula) e de uma fun¸c˜ao par s˜ao reais.
  2. Com a defini¸c˜ao dos coeficientes da s´erie de Fourier, mostre que an = a−n e que bn = −b−n.
  3. Obtenha a forma complexa da s´erie de Fourier da fun¸c˜ao f (x) = e−x^ se −π < x ≤ π e f (x + 2π) = f (x).
  4. Da forma complexa obtida no exerc´ıcio anterior, obtenha a s´erie de Fourier da mesma fun¸c˜ao f.
  5. Repita os exerc´ıcios 3 e 4 para a fun¸c˜ao f (x) = x^2 se −π < x ≤ π e f (x + 2π) = f (x).
  6. Escreva a forma complexa da s´erie de Fourier da fun¸c˜ao f (x) = cos x + cos 3x + sen 3x.
  7. Calcule a forma complexa da s´erie de Fourier das fun¸c˜oes f (x) = cos αx e g(x) = sen αx com f (x + 2π) = f (x) e g(x + 2π) = g(x) em que α n˜ao ´e um n´umero inteiro.
  1. Sejam f e g duas fun¸c˜oes cont´ınuas e peri´odicas de per´ıodo 2l. Defina o produto interno entre estas fun¸c˜oes da seguinte maneira:

< f (x), g(x) >=

∫ (^) l

−l

f (x)g(x)dx.

(a) Seja γn(x) = ei^

nπxl com n ∈ Z. Mostre que

< γn(x), γm(x) >=

{ 0 , se n 6 = m 2 l , se n = m

(b) Seja f como anteriormente e admita que

f (x) =

n∑=∞

n=−∞

cnei^

nπxl ,

mostre formalmente que < f (x), γn(x) >= 2lcn. Conclua da´ı que cn =

2 l

∫ (^) l

−l

f (x)e−i^

nπxl dx.

3 A motiva¸c˜ao da transformada de Fourier

O m´etodo separa¸c˜ao de vari´aveis ´e eficaz na obten¸c˜ao da solu¸c˜ao do problema de condu¸c˜ao de calor em uma barra finita e na solu¸c˜ao do problema de uma corda vibrante. Tais solu¸c˜oes s˜ao dadas por somas de senos e cossenos cujos os coeficientes dependem do parˆametro t. A id´eia ´e estendermos estes resultados para uma barra infinita e uma corda infinita para as equa¸c˜oes de calor e onda respectivamente. Uma id´eia consiste em se resolver a equa¸c˜ao de calor para uma barra de comprimento l e fazermos l → ∞. Condi¸c˜oes ser˜ao devidamente impostas para garantir a convergˆencia da solu¸c˜ao. J´a a motiva¸c˜ao que daremos, consiste em obtermos uma s´erie de Fourier de uma fun¸c˜ao peri´odica de per´ıodo 2l e tamb´em fazermos l → ∞. Procedemos ent˜ao, a uma motiva¸c˜ao tradicional e formal da defini¸c˜ao da Transfor- mada de Fourier, dada como o “limite”de uma s´erie de Fourier. Antes de realizarmos este procedimento necessitamos da seguinte defini¸c˜ao

Defini¸c˜ao 3.1 Uma fun¸c˜ao f : R −→ R seccionalmente cont´ınua ´e dita absolutamente integr´avel se

lim a→∞,b→∞

∫ (^) b

−a

|f (x)|dx =

∫ (^) ∞

−∞

|f (x)|dx < ∞.

e se apenas

lim a→∞,b→∞

∫ (^) b

−a

f (x)dx =

∫ (^) ∞

−∞

f (x)dx

convergir, dizemos que f ´e condicionalmente integr´avel.

logo, temos que

fl(x) =

∑^ ∞ n=−∞

∆ω √ 2 π

f^ ˆl(ωn)eiωnx. (7)

A s´erie dada em (7) se assemelha a uma soma de Riemann na vari´avel ω, e se fizermos l tender para ∞ teremos que ∆ω tender´a para 0. (Lembremo-nos que se h : [a, b] → R for uma fun¸c˜ao integr´avel ent˜ao :

∫ (^) b

a

h(x)dx = lim k→∞

∑^ k

n=

h(xn)∆x (8)

em que ∆x = (b − a)/k, x 0 = a e xn = x 0 + n∆x, para j = 1, 2 , ..., k.) A partir de (6), definimos

fˆ (ω) = lim l→∞ f^ ˆl(ω) = √^1 2 π

∫ (^) ∞

−∞

f (x)e−iωxdx.

Considerando em (8) xn = ωn, h(x) = f (x)e−iωx^ e ∆x = ∆ω, da igualdade (7), obtemos formalmente que

liml→∞ fl(x) = liml→∞ √^12 π

∑n=∞ n=−∞ ∆ω^ fˆl(ωn)e iωnx

= √^12 π

∫ (^) ∞ −∞ fˆ^ (ω)e

iωxdω liml→∞ fl(x) = f (x)

A f´ormula (6) motiva a defini¸c˜ao da transformada de Fourier da fun¸c˜ao f como sendo

fˆ (ω) = √^1 2 π

∫ (^) ∞

−∞

f (x)e−iωxdx, (9)

caso a integral impr´opria esteja bem definida. J´a a igualdade liml→∞ fl(x) = f (x) nos diz que

f (x) =

2 π

∫ (^) ∞

−∞

f^ ˆ (ω)eiωxdω. (10)

que ´e a transformada inversa de Fourier de fˆ (ω). Afirmar que (9) est´a bem definida significa que para cada ω a integral converge para um n´umero, e, portanto, temos uma fun¸c˜ao fˆ (ω) definida em R. A condi¸c˜ao f ∈ L^1 (R) ´e suficiente para que a transformada de Fourier exista. De fato, como |eiθ| = 1, para todo θ real, temos que :

| √^12 π

∫ (^) ∞ −∞ f^ (x)e −iωxdx| ≤ √^1 2 π

∫ (^) ∞ −∞ |f^ (x)e −iωx|dx = = √^12 π

∫ (^) ∞ −∞ |f^ (x)|dx <^ ∞.

A condi¸c˜ao de f estar em L^1 (R) ´e apenas suficiente, pois existem fun¸c˜oes que n˜ao s˜ao absolutamente integr´aveis embora a express˜ao (9) convirja, mas n˜ao absolutamente. Indicaremos a transformada de Fourier de uma fun¸c˜ao f por fˆ (ω) ou F(f ) e a trans- formada inversa de f por fˇ ou por F−^1 (f ). Fa¸camos um exemplo dessas transforma¸c˜oes:

Exemplo 3.1 Seja f : R → R definida por f (x) = 1 se − 1 ≤ x ≤ 1 e f (x) = 0 se x > 1 ou x < − 1. Aplicando (9), temos que

f^ ˆ (ω) = F(f (x)) = √^1 2 π

∫ (^) ∞ −∞ f^ (x)e −iωxdx = √^12 π

∫ (^1) − 1 e

−iωxdx

= √^12 π [e −iωx −iω ]

x= x=− 1 = √^22 πe iω (^) −e−iω 2 iω f^ ˆ (ω) =

√ 2 π

sen ω ω.

Veremos agora se podemos recuperar a fun¸c˜ao f por meio de (10). Usando a teoria dos res´ıduos das fun¸c˜oes complexas ou mesmo transformda de Laplace( veja o exerc´ıcio (4)) podemos mostrar que ∫ (^) ∞

−∞

sen ω ω

dω = π. (11)

Decorre de (11), atrav´es de uma mudan¸ca de vari´avel que

∫ (^) ∞

−∞

sen (λω) ω

dω = sign(λ)π

em que sign(λ) = 1 se λ > 0 , sign(λ) = 0 se λ = 0 e finalmente sign(λ) = − 1 , se λ < 0. Ent˜ao, aplicando (10), temos que

g(x) = F−^1 ( fˆ (ω) = √^12 π

∫ (^) ∞ −∞ fˆ (ω)eiωxdω = √^12 π

∫ (^) ∞ −∞

√ 2 π

sen ω ω e

iωxdω = (^) π^1

∫ (^) ∞ −∞

sen ω ω (cos^ ωx^ −^ isen^ ωx)dω = (^21) π

∫ (^) ∞ −∞

sen ω ω cos^ ωxdω = (^21) π

∫ (^) ∞ −∞

sen [(1+x)ω]+sen [(1−x)ω] ω dω g(x) = 12 [sign(1 + x) + sign(1 − x)].

Observemos que no c´alculo acima, utilizamos que

∫ (^) ∞ −∞ sen (ω)sen (ωx)/(ω)dω^ = 0.Temos alguns casos a considerar: Se x > 1 ent˜ao sign(1 + x) = 1 e sign(1 − x) = − 1 , logo, g(x) = 0 se x > 1. Analogamente, g(x) = 0 se x < − 1. Se − 1 < x < 1 , temos que sign(1−x) = sign(1+x) = 1 e conseq¨uentemente, g(x) = 1 e finalmente g(1) = g(−1) = 1/ 2. Chegamos ao resultado F−^1 ( fˆ (ω)) = g(x) em que g(x) = 1 se − 1 < x < 1 , g(x) = 0 se x > 1 ou x < − 1 e g(1) = g(−1) = 1/ 2. Vemos ent˜ao que g coincide com f para x 6 = 1 e x 6 = − 1 , ou seja, g coincide com f nos pontos de continuidade de f e g(1) e g(−1) ´e a m´edia dos limites laterais de f nos pontos de descontinuidade. Fato este que era de se esperar, pois a transformada de Fourier foi obtida atrav´es de um ”limite”de uma s´erie de Fourier.

Exerc´ıcios

7 ∗. Usando teoria dos res´ıduos de fun¸c˜oes complexas calcule a transformada de Fourier da fun¸c˜ao f (x) = 1/(1 + x^2 ). Sugest˜ao: Use como caminho de integra¸c˜ao C = L ∪ CR em que L ´e o intervalo fechado [−R, R] no eixo-x e CR ´e o semi-c´ırculo superior de raio R centrado na origem se ω < 0 e o semi-circulo inferior se ω > 0.

4 Transformada de Fourier

Nesta se¸c˜ao, inicialmente, daremos algumas propriedades da Transformada de Fourier v´alidas para fun¸c˜oes absolutamente integr´aveis. Posteriormente, introduziremos o conceito de Espa¸co de Schwartz que nos permite trabalhar sob hip´oteses mais fortes que garantem as principais propriedades da transformada de Fourier.

Proposi¸c˜ao 4.1 Sejam f, g ∈ L^1 (R) ent˜ao :

(a) F(af (x) + bg(x)) = aF(f (x)) + bF(g(x)), para a, b ∈ R

(b) F(f (x − c)) = e−iωcF(f (x)).

Demonstra¸c˜ao A demonstra¸c˜ao de (a) segue da linearidade da integral. Para demonstrar- mos a segunda afirmativa, temos, por defini¸c˜ao que:

F(f (x − c)) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

f (x − c)e−iωxdx,

fazendo y = x − c, temos que dy = dx e x = y + c. Portanto, podemos escrever:

F(f (x − c)) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

f (y)e−iωce−iωydy = e−iωcF(f )

Para a pr´oxima propriedade precisaremos do lema de Riemann-Lebesgue que afirma entre

outras coisas que os coeficientes an e bn de uma s´erie de Fourier de uma fun¸c˜ao seccionalmente cont´ınua tendem a zero quando n tende para o infinito.

Lema 4.1 ( Riemann-Lebesgue ) Seja f : [a, b] → R uma fun¸c˜ao seccionalmente cont´ınua ent˜ao temos que

n^ lim→∞

∫ (^) b

a

f (x) cos(nx)dx = limn→∞

∫ (^) b

a

f (x)sen (nx)dx = 0

Demonstra¸c˜ao Provaremos que limn→∞

∫ (^) b a f^ (x) cos(nx)dx^ = 0. Como ∫ (^) b

a

f (x) cos(nx)dx =

∫ (^) t 1

t 0

f (x) cos(nx)dx +... +

∫ (^) tn

tn− 1

f (x) cos(nx)dx

em que a = t 0 < t 1 <... < tn− 1 < tn = b e f ´e cont´ınua em (tj , tj+1) e possui limites laterais limitados neste intervalo, basta mostrar o lema para uma fun¸c˜ao cont´ınua em [a, b]. Sendo assim, temos que ∫ (^) b

a

f (x) cos(nx)dx =

∫ (^) a+h

a

f (x) cos(nx)dx +

∫ (^) b

a+h

f (x) cos(nx)dx

para todo h que fa¸ca sentido as integrais acima. Em particular, para h = π/n, com n suficientemente grande. Na segunda integral do lado direito da igualdade acima, fa¸camos uma mudan¸ca de vari´avel y = x − h. Ent˜ao, temos que: ∫ (^) b a+h f^ (x) cos(nx)dx^ =^

∫ (^) b−h a f^ (y^ +^ h) cos(ny^ +^ π)dy^ =^ −^

∫ (^) b−h a f^ (y^ +^ h) cos(ny)dy = −

∫ (^) b−h a f^ (x^ +^ h) cos(nx)dx

Portanto, temos a seguinte rela¸c˜ao: ∫ (^) b

a

f (x) cos(nx)dx =

∫ (^) a+h

a

f (x) cos(nx)dx −

∫ (^) b−h

a

f (x + h) cos(nx)dx. (12)

Da mesma forma, temos que:

∫ (^) b

a

f (x) cos(nx)dx =

∫ (^) b−h

a

f (x) cos(nx)dx +

∫ (^) b

b−h

f (x) cos(nx)dx (13)

Somando (12) e (13), temos que :

2

∫ (^) b a f^ (x) cos(nx)dx^ =^

∫ (^) a+h a f^ (x) cos(nx)dx^ +^

∫ (^) b b−h f^ (x) cos(nx)dx+

∫ (^) b−h a (f^ (x)^ −^ f^ (x^ +^ h)) cos(nx)dx. Como f ´e cont´ınua em [a, b], temos que limh→ 0 f (x+h) = f (x), e al´em disso, sabemos que |

∫ (^) b a g(x)dx| ≤^ max{|g(x)|, a^ ≤^ x^ ≤^ b}|b^ −^ a|^ com^ g^ cont´ınua em [a, b]. Ent˜ao, fazendo h → 0, obtemos o resultado desejado. Analogamente, demonstra-se a segunda afirma¸c˜ao do lema.

Utilizando a f´ormula de Euler obtemos a seguinte consequˆencia do lema de Riemann- Lebesgue:

Corol´ario 4.1 Seja f : [a, b] → R uma fun¸c˜ao seccionalmente cont´ınua ent˜ao

lim |ω|→∞

∫ (^) b

a

f (x)eiωxdx = 0

Teorema 4.2 Seja f : R → R uma fun¸c˜ao secionalmente cont´ınua e absolutamente in- tegr´avel ent˜ao lim |ω|→∞

f^ ˆ (ω) = 0.

Demonstra¸c˜ao Dado  > 0, de (5), existe M > 0 tal que

|x|>M

|f (x)|dx <

2 π 2

Pelo lema de Riemann-Lebesgue, sabemos que:

lim |ω|→∞

|x|≤M

f (x)e−iωxdx = 0.

Exemplo 4.2 Vejamos que f (x) = e−x 2 pertence ao espa¸co de Schwartz. Derivando f m vezes verificamos que f (m)(x) = p(x)e−x 2 para um certo polinˆomio p(x). Portanto, dado um n´umero n inteiro n˜ao-negativo, temos que xnf (m)(x) = q(x)e−x 2 em que q(x) = xnp(x). Logo, por L’Hˆopital, xnf (m)(x) → 0 quando |x| → ∞ e portanto xnf (m)(x) ´e uma fun¸c˜ao limitada em R, isto ´e, f ∈ S(R).

Teorema 4.3 Se f ∈ S(R) ent˜ao fˆ ∈ S(R) e F−^1 ( fˆ ) = f.

Prova Consulte [2]. A pr´oxima propriedade relaciona a transformada de uma fun¸c˜ao como a transformada

de sua derivada.

Teorema 4.4 Seja f : R → R uma fun¸c˜ao diferenci´avel e f (x) → 0 quando |x| → ∞. Al´em disso, consideremos que f e f ′^ sejam absolutamente integr´aveis, ent˜ao

F(f ′(x)) = iωF(f (x)).

Demonstra¸c˜ao Integrando por partes e usando que f (x) → 0 quando |x| → ∞, n´os obtemos que: F(f ′(x)) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞ −∞ f^

′(x)e−iωxdx = (2π)−^1 /^2 [f (x)e−iωx|∞−∞ − (−iω)

∫ (^) ∞ −∞ f^ (x)e −iωxdx] = iωF(f (x)).

Corol´ario 4.5 Se f ∈ S(R) ent˜ao para todo n ≥ 0 inteiro F(f (n)(x)) = (iω)nF(f (x)).

Exemplo 4.3 Seja f (x) = e−|x|. Para x 6 = 0, vemos que

f ′(x) =

{ ex, x < 0 − e−x, x > 0 e f ′′(x) =

{ ex^ , x < 0 e−x^ , x > 0.

Podemos verificar que F(f ′(x)) = iωF(f (x)) e F(f ′′(x)) = F(f (x)) 6 = (iω)^2 F(f (x)). Ob- servemos ainda que para todo n, m ≥ 0 temos que lim|x|→∞ xnf (m)(x) = 0 e no entanto f /∈ S(R). Por quˆe?

Um importante problema em matem´atica ´e de determinar se uma fun¸c˜ao Ψ(x), defi- nida por por meio de integral impr´opria

Ψ(x) =

∫ (^) ∞

−∞

f (x, y)dy,

em que f : I x R → R, sendo I um intervalo limitado ou n˜ao em R, ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua, diferenci´avel, etc. Al´em disso, se Ψ for diferenci´avel, sob quais hip´oteses temos que

Ψ′(x) =

∫ (^) ∞

−∞

∂f ∂x

(x, y)dy?

Uma condi¸c˜ao necess´aria imediata ´e que para x ∈ I fixado, a fun¸c˜ao y 7 → f (x, y) seja uma fun¸c˜ao integr´avel. No caso em quest˜ao, queremos saber se

d dω ( fˆ (ω)) = fˆ ′(ω) = (2π)−^1 /^2 ∫^ −∞∞ ∂ ∂ω (f^ (x)e

−iωx)dx = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞ −∞ f^ (x)(−ix)e

−iωxdx?

Teorema 4.6 Se f ∈ S(R) ent˜ao para todo n ≥ 0 temos que fˆ (n)(ω) = F((−ix)nf (x)).

Demonstra¸c˜ao Consulte [1].

Exemplo 4.4 Sejam f (x) = e−ax 2 , com a > 0 e fˆ (ω) sua transformada de Fourier. Pelo teorema anterior, temos que :

f^ ˆ ′(ω) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

−ixe−ax

2 e−iωxdx,

chamando u = −ie−iωx^ e dv = xe−ax 2 dx e integrando por partes, n´os obtemos que

f^ ˆ ′(ω) = (2π)−^1 /^2

[ ie−iωx^

e−ax 2

2 a

∣∣ ∣∣

∞ −∞

ω 2 a

∫ (^) ∞

−∞

e−ax

2 e−iωxdx

] = −

ω 2 a

fˆ (ω).

Como se trata de equa¸c˜ao diferencial ordin´aria de primeira ordem, ent˜ao fˆ (ω) = Ie

ω^2 4 a (^). Resta-nos calcular fˆ (0) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞ −∞ e −ax^2 dx = I. Esta integral aparece em v´arias

aplica¸c˜oes, em particular na distribui¸c˜ao normal e seu valor ´e I = 1/

2 a, veja o exerc´ıcio

  1. Portanto

f^ ˆ (ω) = F(e−ax^2 ) = √^1 2 a

e−^

ω^2 4 a (^).

Observemos ainda que se a = 1/ 2 temos F(e−x (^2) / 2 ) = e−ω (^2) / 2 , ou seja, F(f ) = f. A fun¸c˜ao f ´e chamada de auto-fun¸c˜ao de F com autovalor igual a 1.

Dadas duas fun¸c˜oes f e g absolutamente integr´aveis em R, sejam fˆ (ω) e ˆg(ω) como anteriormente. Ser´a que F−^1 ( fˆ gˆ) = f (x)g(x)? Para respondermos esta quest˜ao, introduzi- remos o conceito de convolu¸c˜ao entre duas fun¸c˜oes.

Defini¸c˜ao 4.2 Sejam f, g : R → C duas fun¸c˜oes seccionalmente cont´ınuas, absolutamente integr´aveis e limitadas, a convolu¸c˜ao de f e g ´e definida por

(f ∗ g)(x) =

∫ (^) ∞

−∞

f (y)g(x − y)dy.

A partir da defini¸c˜ao da convolu¸c˜ao de duas fun¸c˜oes pode-se mostar que (f ∗ g)(x) = (g ∗ f )(x). Como na transformada de Laplace, temos um resultado semelhante com a con- volu¸c˜ao em transformada de Fourier.

Corol´ario 4.8 Sejam fˆ = F(f ) e gˆ = F(g) ent˜ao F−^1 ( fˆ ˆg) = (2π)−^1 /^2 (f ∗ g).

Exemplo 4.6 Seja hˆ(ω) = senω^ ω1+^1 iω. Queremos determinar a fun¸c˜ao ˇh(ω) = F−^1 (h(x)).

Sendo assim, fa¸camos fˆ (ω) = senω^ ω e gˆ(ω) = (^) 1+^1 iω. Utilizando uma tabela de transformada de Fourier ou mesmo resultados de exerc´ıcios propostos, n´os obtemos que:

f (x) =

{ √ π/ 2 , |x| ≤ 1 0 , |x| > 1

e g(x) =

2 πe−x, x ≥ 0 0 , x > 0

Ent˜ao, pelo corol´ario (4.8) n´os obtemos que

h(x) =

2 π

(f ∗ g)(x) =

2 π

∫ (^) ∞

−∞

f (y)g(x − y)dy.

Deixamos como exerc´ıcio para o leitor a determina¸c˜ao da fun¸c˜ao h.

Exerc´ıcios

  1. Calcule a transformada de Fourier das seguintes fun¸c˜oes:

(a) f (x) =

{ 1 − |x|/a, se |x| ≤ a 0 , se |x| > a (a > 0);

(b) f (x) = e−a|x|^ com x ∈ R com a > 0; (c) f (x) = xe−x 2 com x ∈ R; (d) f (x) = 2(1 + 2x^2 )e−x (^2) / 2 com x ∈ R;

(e) f (x) =

{ 1 , se |x| ≤ a 0 , se |x| > a; (a > 0).

  1. Seja fˆ (ω) a transformada de Fourier da fun¸c˜ao f (x). Mostre que

(a) F(f (−x)) = fˆ (−ω); (b) F(f (ax)) = (^) |^1 a| fˆ (ωa );

(c) F(f (x)e−icx) = fˆ (ω + c); (d) F(f (x) cos(cx)) = [ fˆ (ω + c) + fˆ (ω − c)]/2; (e) F(f (x)sen (cx)) = [ fˆ (ω + c) − fˆ (ω − c)]/(2i);

  1. Mostre que a transformada de Fourier, fˆ (ω), ´e uma fun¸c˜ao real se, e somente se f (x) for uma fun¸c˜ao par. Sugest˜ao: um n´umero complexo ´e real se,e somente se z = ¯z.
  1. Seja f fun¸c˜ao real e absolutamente integr´avel em R. Mostre que

fˆ (−ω) = fˆ (ω).

Lembremos que a barra significa conjugado complexo, ou seja, se z = x + iy, x, y ∈ R, ent˜ao z = x − iy.

  1. Seja g(x) =

∫ (^) x −∞ f^ (t)dt. Al´em disso, suponhamos que^ g(x)^ →^ 0 quando^ x^ → ∞.^ Mostre que F(g(x))(ω) =

F(f (x))(ω).

  1. Mostre que se f : R → C for uma fun¸c˜ao cont´ınua e absolutamente integr´avel ent˜ao

F( fˆ (ω)) = F(F(f (x))) = F^2 (f (x)) = f (−x),

e conclua que F^4 (f (x)) = f (x).

  1. Mostre que se f for uma auto-fun¸c˜ao de F, ou seja, F(f ) = λf para algum λ ∈ C, ent˜ao λ^4 = 1.
  2. Calcule a transformada de Fourier das seguintes fun¸c˜oes

(a) f (x) = sen (ax)/x; (b) f (x) = (1 − cos(ax))/x^2 ; (c) f (x) = 1/(a^2 + x^2 );

Sugest˜ao: Use os exerc´ıcios (1) e (6).

  1. Sejam f (x) =

{ e−^2 x, se x ≥ 0 0 , se x < 0

e g(x) =

{ e−x, se x ≥ 0 0 , se x < 0

Calcule a convolu¸c˜ao (f ∗ g)(x).

  1. Sejam f (x) =

{ 1 , se |x| ≤ 1 0 , se |x| > 1 e g(x) =

{ e−x, se x ≥ 0 0 , se x < 0

Calcule a convolu¸c˜ao (f ∗ g)(x).

  1. Uma forma alternativa do teorema da convolu¸c˜ao:

Mostre que F−^1 [f g] =

2 π

f^ ˇ ∗ ˇg.

Sugest˜ao : Use que F[φ ∗ ψ] =

2 π φˆ ψˆ.

  1. Calcule as fun¸c˜oes cujas as transformadas de Fourier s˜ao dadas abaixo:

(a) senω^ ωe−^2 ω 2 ;

(b) e

−|ω− 1 | 1+ω^2 ;

5 Aplica¸c˜oes da Transformada de Fourier

Nesta se¸c˜ao daremos algumas aplica¸c˜oes da transformada de Fourier. Resolveremos os pro- blemas de condu¸c˜ao de calor em uma barra infinita e semi-infinita e o da vibra¸c˜ao em cordas infinitas.

Exemplo 5.1 Consideremos o problema de condu¸c˜ao de calor em uma barra infinita sujeita `a condi¸c˜ao inicial f (x).

{ (^) ∂u ∂t (x, t) =^ α

2 ∂^2 u ∂x^2 (x, t),^ x^ ∈^ R,^ t >^0 u(x, 0) = f (x), x ∈ R.

Conhecendo-se a fun¸c˜ao f e a constante de difusibilidade t´ermica α, o problema con- siste em determinarmos uma fun¸c˜ao u(x, t) que satisfa¸ca as duas condi¸c˜oes do problema (15). Fa¸camos uma tentativa para obtermos a solu¸c˜ao do problema acima. Seja

u ˆ(ω, t) = F(u(x, t)) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

e−iωxu(x, t)dx

a transformada de Fourier da fun¸c˜ao u(x, t) em rela¸c˜ao a vari´avel x. E supondo que podemos devirar sob o sinal de integra¸c˜ao:

∂ uˆ ∂t

(ω, t) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

e−iωx^

∂u ∂t

(x, t)dx.

Pela equa¸c˜ao diferencial parcial acima, podemos escrever que

∂ uˆ ∂t

(ω, t) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

e−iωxα^2

∂^2 u ∂x^2

(x, t)dx.

Uma hip´otese dever´a ser imposta neste instante: lim|x|→∞ u(x, t) = lim|x|→∞ ux(x, t) = 0, pois assim teremos que

∂ ˆu ∂t

(ω, t) = α^2 F(uxx(x, t)) = α^2 (iω)^2 F(u(x, t)) = −α^2 ω^2 ˆu(ω, t).

Ent˜ao, obtemos uma equa¸c˜ao diferencial parcial que pode ser reduzida uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria, cuja solu¸c˜ao ´e

ˆu(ω, t) = C(ω)e−α

(^2) ω (^2) t .

Para determinarmos C(ω), constante em rela¸c˜ao a vari´avel t, devemos utilizar a condi¸c˜ao de inicial ˆu(ω, 0) = F(u(x, 0)) = F(f (x)) = fˆ (ω),

logo, temos que u ˆ(ω, t) = fˆ (ω)e−α

(^2) ω (^2) t . Uma nova hip´otese deve ser acrescentada, ´e que a fun¸c˜ao f deve ser absolutamente integr´avel para que exista fˆ.

Caso saibamos a express˜ao de f , podemos usar a transformada inversa de Fourier ou mesmo utilizando uma tabela de transformada e obtermos a express˜ao da fun¸c˜ao u(x, t). Utilizaremos o teorema da convolu¸c˜ao, para obtermos a fun¸c˜ao cuja transformada ´e dada acima. Seja ˆk(ω, t) = e−α (^2) ω (^2) t

. Como F−^1 (e−ω (^2) /(4a) ) =

2 ae−ax 2 com a > 0 , temos que

k(x, t) =

2 α^2 t

e−^

x^2 4 α^2 t (^) ,

e f (x) = F−^1 ( fˆ (ω)), vemos ent˜ao pelo teorema da convolu¸c˜ao que

u(x, t) = (2π)−^1 /^2 (k ∗ f )(x, t) =

4 πα^2 t

∫ (^) ∞

−∞

f (y)e−^

(x−y)^2 4 α^2 t (^) dy (16)

Uma indaga¸c˜ao natural ´e se a express˜ao (16) ´e a solu¸c˜ao do problema (15)?

Teorema 5.1 Seja f : R → R uma fun¸c˜ao seccionalmente cont´ınua, limitada e absolu- tamente integr´avel. Ent˜ao a express˜ao (16) define uma fun¸c˜ao u(x, t) infinitamente dife- renci´avel no semiplano t > 0 , que satisfaz a equa¸c˜ao diferencial parcial do problema (15). Al´em disso, a condi¸c˜ao inicial ´e satisfeita no seguinte sentido:

lim t→ 0 +^

u(x, t) =

[f (x + 0) + f (x − 0)].

Em particular, se f for cont´ınua,

lim t→ 0 +^

u(x, t) = f (x).

Prova Consulte [1]. Resolveremos agora o problema de vibra¸c˜ao de cordas infinitas.

Exemplo 5.2 Consideremos o seguinte problema:

  

∂^2 u ∂t^2 (x, t) =^ a

2 ∂^2 u ∂x^2 (x, t).^ x^ ∈^ R,^ t >^ 0; u(x, 0) = f (x), x ∈ R; ∂u ∂t (x,^ 0) =^ g(x),^ x^ ∈^ R.

Fisicamente, a fun¸c˜ao f ´e a condi¸c˜ao inicial e a fun¸c˜ao g ´e velocidade inicial da corda. Resolveremos este problema para um caso especial em que g(x) = 0 para todo x ∈ R. Como o mesmo esp´ırito do exemplo anterior, fa¸camos a transformada de Fourier da fun¸c˜ao u(x, t) em rela¸c˜ao a vari´avel x. Desta forma, temos que

u ˆ(ω, t) = F(u(x, t)) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

e−iωxu(x, t)dx,

e admitindo que possamos derivar sob sinal de integra¸c˜ao, n´os obtemos que

∂^2 uˆ ∂t^2

(ω, t) = (2π)−^1 /^2

∫ (^) ∞

−∞

e−iωx^

∂^2 u ∂t^2

(x, t)dx.