Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Números complexos, Notas de estudo de Engenharia Civil

Texto sobre os números complexos

Tipologia: Notas de estudo

2016

Compartilhado em 10/04/2016

allan-kenedy-8
allan-kenedy-8 🇧🇷

4.4

(21)

11 documentos

1 / 34

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
umeros complexos
Sum´ario
1 Introdu¸ao 3
2 Defini¸ao 6
2.1 Opera¸c˜oes............................. 8
2.1.1 Adi¸ao e multiplica¸ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.1.2 Subtra¸ao e divis˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
3 A forma alg´ebrica 11
3.1 Rcomo subconjunto de C.................... 11
3.2 Unidade imagin´aria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
3.3 Conjugado de z.......................... 13
3.4 Divis˜ao............................... 14
3.5 odulo de um umero complexo . . . . . . . . . . . . . . . . 14
4 A forma trigonom´etrica ou polar 17
4.1 Opera¸oes com n´umeros complexos na forma trigonom´etrica . 18
4.1.1 Multiplca¸ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
4.1.2 Divis˜ao........................... 18
4.1.3 Potencia¸c˜ao ........................ 19
4.1.4 Radicia¸c˜ao......................... 20
5 Algumas aplica¸oes 24
5.1 Geometria............................. 24
5.1.1 Rota¸ao em torno de um ponto . . . . . . . . . . . . . 24
5.1.2 Equa¸ao da circunferˆencia . . . . . . . . . . . . . . . . 26
5.1.3 Elipse e hip´erbole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
5.2 Engenharia El´etrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Números complexos e outras Notas de estudo em PDF para Engenharia Civil, somente na Docsity!

N´umeros complexos

  • 1 Introdu¸c˜ao Sum´ario
  • 2 Defini¸c˜ao
    • 2.1 Opera¸c˜oes
      • 2.1.1 Adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao
      • 2.1.2 Subtra¸c˜ao e divis˜ao
  • 3 A forma alg´ebrica
    • 3.1 R como subconjunto de C
    • 3.2 Unidade imagin´aria
    • 3.3 Conjugado de z
    • 3.4 Divis˜ao
    • 3.5 M´odulo de um n´umero complexo
  • 4 A forma trigonom´etrica ou polar
    • 4.1 Opera¸c˜oes com n´umeros complexos na forma trigonom´etrica
      • 4.1.1 Multiplca¸c˜ao
      • 4.1.2 Divis˜ao
      • 4.1.3 Potencia¸c˜ao
      • 4.1.4 Radicia¸c˜ao
  • 5 Algumas aplica¸c˜oes
    • 5.1 Geometria
      • 5.1.1 Rota¸c˜ao em torno de um ponto
      • 5.1.2 Equa¸c˜ao da circunferˆencia
      • 5.1.3 Elipse e hip´erbole
    • 5.2 Engenharia El´etrica
  • 6 Forma matricial
  • 7 Fun¸c˜ao de Euler
    • 7.1 Rela¸c˜ao com a fun¸c˜ao exponencial (rela¸c˜ao de Euler)

Fazendo y = u + v, temos:

(u + v)^3 + p(u + v) + q = 0

u^3 + v^3 + (3uv + p)(u + v) + q = 0 Portanto, se conseguirmos achar n´umeros u e v tais que { u^3 + v^3 = −q uv = −

p 3

, ou seja,

u^3 + v^3 = −q

u^3 v^3 = −

p^3 27

ent˜ao y = u + v ser´a raiz da equa¸c˜ao y^3 + py + q = 0. A ideia ´e encontrar dois n´umeros u^3 e v^3 sendo conhecidas sua soma −q

e seu produto

−p^3 27

. Isto equivale a resolver a equa¸c˜ao

w^2 + qw −

p^3 27

Resolvendo encontramos

u^3 =

−q 2

q 2

(p

3

e

v^3 =

−q 2

q 2

(p

3

Assim:

y = 3

−q 2

q 2

(p

3

3

−q 2

q 2

(p

3

e usando a mudan¸ca de vari´aveis x = y −

b 3 a

obtemos a primeira raiz da

equa¸c˜ao ax^3 + bx^2 + cx + d = 0. A f´ormula obtida anteriormente (chamada de f´ormula de Tartaglia ou f´ormula de Tartaglia-Cardano) possui algumas inconveniˆencias. Destaque- mos duas:

  • As vezes fornece ra´` ızes racionais “escondidas”;

Por exemplo, na equa¸c˜ao x^3 − 6 x − 40 = 0 encontramos

x =

3

3

enquanto que as outras duas ra´ızes correspondem a quantidades “imposs´ıveis”. Mas 4 ´e raiz da equa¸c˜ao acima. Logo

3

3

  • Os casos irredut´ıveis.

Na equa¸c˜ao x^3 − 6 x − 4 = 0 encontramos

x = 3

3

por´em −2, 1 +

3 e 1 −

3 s˜ao ra´ızes da equa¸c˜ao dada. Assim esse valor “imposs´ıvel” tem que ser igual a uma das ra´ızes reais da equa¸c˜ao. Para Cardano isso “´e t˜ao sutil quanto in´util”. Pode-se provar que a equa¸c˜ao x^3 + px + q = 0 possui trˆes ra´ızes reais se, e somente se

( (^) q 2

(p 3

Rafael Bombelli estudou profundamente o trabalho de Cardano (a f´ormula de Tartaglia foi publicada por Cardano no livro Ars Magna), principalmente os casos irredut´ıveis das equa¸c˜oes c´ubicas. Foi o primeiro matem´atico a defi-

nir as regras de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao, escrevendo que

−n

= −n. Com suas regras a f´ormula de Tartaglia-Cardano funcionava perfeitamente em qualquer caso. Foi o primeiro a dar alguma importˆancia a essas quantidades. Coube ao matem´atico su´ı¸co Leonhard Euler definir

−1 como sendo i, de forma que i^2 = −1. Essa nota¸c˜ao foi depois usada pelo alem˜ao Gauss, e, dada sua autoridade, essa nota¸c˜ao acabou tornando-se padr˜ao. A grande obra a favor dos “n´umeros complexos” (termo criado por Gauss) apareceu em 1831. Nesse trabalho, Gauss apresentou uma detalhada ex- plica¸c˜ao de como os n´umeros complexos poderiam ser desenvolvidos segundo uma teoria exata, baseada na representa¸c˜ao geom´etrica deles. Finalmente, em 1837, Hamilton galgou o ´ultimo degrau dessas descober- tas reconhecendo os n´umeros complexos como um par de n´umeros reais (a, b) e reescrevendo as defini¸c˜oes geom´etricas de Gauss na forma alg´ebrica.

Figura 2: Plano de Argand-Gauss

O plano cartesiano no qual est˜ao representados os n´umeros complexos ´e denominado plano complexo ou plano de Argand-Gauss. Desse modo podemos associar a cada complexo um vetor. Por exemplo, na adi¸c˜ao podemos usar a regra do paralelogramo ou a regra do pol´ıgono.

Figura 3: Somando n´umeros complexos por meio da regra do paralelogramo

O eixo das abscissas ´e o eixo real (a reta R) e ´e representado por Re(z) ou

por x e o eixo das ordenadas ´e o eixo imagin´ario e ´e representado por Im(z) ou por y. Baseado na representa¸c˜ao geom´etrica dos n´umeros complexos, Hamilton, em 1837, definiu esses n´umeros como sendo um par ordenado de n´umeros reais, isto ´e, C = R^2 , em que est˜ao definidas:

  • Igualdade: (a, b) = (c, d) ⇔ a = c e b = d
  • Adi¸c˜ao: (a, b) + (c, d) = (a + b, c + d)
  • Multiplica¸c˜ao: (a, b) · (c, d) = (ac − bd, ad + bc)

2.1 Opera¸c˜oes

2.1.1 Adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao

As propriedades da adi¸c˜ao e da multiplica¸c˜ao s˜ao apresentadas no teorema seguinte.

Teorema 2 O conjunto C ´e um corpo.

Demonstra¸c˜ao: Propriedades da adi¸c˜ao:

  • Comutativa

(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d) = (c + a, d + b) = (c, d) + (a, b)

  • Associativa

[(a, b) + (c, d)] + (e, f ) = (a + c, b + d) + (e, f ) = ((a + c) + e, (b + d) + f ) = (a + (c + e), b + (d + f )) = (a, b) + (c + e, d + f ) = (a, b) + [(c, d) + (e, f )]

  • Inverso multiplicativo Precisamos achar o par (x, y) tal que (a, b) · (x, y) = (1, 0). Isso nos d´a o sistema (^) { ax − by = 1 bx + ay = 0

que resolvendo encontramos x =

a a^2 + b^2

e y =

−b a^2 + b^2

O inverso do n´umero z = (a, b) ´e z−^1 =

a a^2 + b^2

−b a^2 + b^2

Corol´ario 1 z · 0 = 0 ∀z ∈ C.

De fato

z · 0 = (a, b)(0, 0) = (a · 0 − b · 0 , a · 0 + b · 0) = (0, 0) = 0

Corol´ario 2 N˜ao existem divisores de zero.

De fato, sejam z = (a, b) e w = (c, d), com z 6 = 0. Se z · w = 0, ent˜ao

z · w = (a, b) · (c, d) = (ac − bd, ad + bc) = (0, 0) ⇒

ac − bd = 0 e ad + bc = 0 Suponhamos que b 6 = 0 e que d 6 = 0 (os outros casos s˜ao tratados de forma

an´aloga). Ent˜ao ac = bd ⇒

a b

c d

. Como ad = −bc ⇒

a b

d c

, ent˜ao

c d

d c

⇒ c^2 = −d^2 ⇒ c = d = 0

Portanto w = 0.

2.1.2 Subtra¸c˜ao e divis˜ao

Defini¸c˜ao 1 (Subtra¸c˜ao) Dados dois n´umeros complexos z = (a, b) e w = (c, d), a diferen¸ca entre z e w ´e definida por

z − w = z + (−w) = (a − c, b − d)

Defini¸c˜ao 2 (Divis˜ao) A raz˜ao entre w = (c, d) e z = (a, b) 6 = 0 ´e definida por

w z

= w · z−^1 = (c, d)

a a^2 + b^2

−b a^2 + b^2

ac + bd a^2 + b^2

ad − bc a^2 + b^2

Como C ´e um corpo (teorema 2), estas opera¸c˜oes est˜ao bem definidas.

3 A forma alg´ebrica

3.1 R como subconjunto de C

Consideremos o conjunto R ⊂ C formado pelos pares ordenados cujo segundo termo ´e zero: R = {(a, b) ∈ C|b = 0} Consideremos agora a fun¸c˜ao f : R → R que leva cada x ∈ R ao par (x, 0) ∈ R. Primeiramente notemos que f ´e bijetora, pois:

  1. Todo par (x, 0) ∈ R ´e o correspondente, segundo f , de x em R (isto quer dizer que f ´e sobrejetora);
  2. Dados x ∈ R e x′^ ∈ R, com x 6 = x′, os seus correspondentes (x, 0) ∈ R e (x′, 0) ∈ R s˜ao distintos (isto quer dizer que f ´e injetora).

Em segundo lugar, notemos que f conserva as opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao e elemento neutro da multiplica¸c˜ao, pois:

f (a + b) = (a + b, 0) = (a, 0) + (b, 0) = f (a) + f (b)

f (ab) = (ab, 0) = (a, 0)(b, 0) = f (a)f (b) f (1) = (1, 0) = 1 Devido ao fato de existir uma fun¸c˜ao bijetora f : R → R que conserva as opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao, dizemos que R e R s˜ao isomorfos, isto ´e, possuem estruturas alg´ebricas iguais e escrevemos R ' R. Devido ao isomorfismo, operar com (x, 0) leva a resultados an´alogos aos obtidos operando com x; temos assim a identidade

x ≡ (x, 0) ∀x ∈ R

  • Adi¸c˜ao: (a + bi) + (c + di) = (a + c) + (b + d)i
  • Multiplica¸c˜ao:

(a + bi)(c + di) = ac + adi + bci + bdi^2 = (ac − bd) + (ad + bc)i

3.3 Conjugado de z

Defini¸c˜ao 4 Chama-se conjugado do complexo z = a + bi ao complexo z¯ = a − bi.

E imediato notar que o conjugado de ¯^ ´ z ´e z, isto ´e, ¯z¯ = z.

Teorema 3 ∀z ∈ C, temos:

  1. z + ¯z = 2Re(z)
  2. z − ¯z = 2Im(z)
  3. z = ¯z ⇔ z ∈ R
  4. z z¯ = [Re(z)]^2 + [Im(z)]^2

Demonstra¸c˜ao:

  1. z + ¯z = (a + bi) + (a − bi) = 2a = 2Re(z)
  2. z − ¯z = (a + bi) − (a − bi) = 2bi = 2Im(z)
  3. z = ¯z ⇔ a + bi = a − bi ⇔ b = −b ⇔ b = 0 ⇔ z ∈ R
  4. z z¯ = (a + bi)(a − bi) = a^2 + b^2 = [Re(z)]^2 + [Im(z)]^2

Teorema 4 Para z 1 , z 2 ∈ C, temos:

  1. z 1 + z 2 = z 1 + z 2
  2. z 1 z 2 = z 1 z 2

Demonstra¸c˜ao:

z 1 + z 2 = (a 1 + b 1 i) + (a 2 + b 2 i) = (a 1 + a 2 ) + (b 1 + b 2 )i = (a 1 + a 2 ) − (b 1 + b 2 )i = (a 1 − b 1 i) + (a 2 − b 2 i) = z 1 + z 2

z 1 z 2 = (a 1 + b 1 i)(a 2 + b 2 i) = (a 1 a 2 − b 1 b 2 ) + (a 1 b 2 + a 2 b 1 )i = (a 1 a 2 − b 1 b 2 ) − (a 1 b 2 + a 2 b 1 )i = a 1 a 2 − a 1 b 2 i − a 2 b 1 i + b 1 b 2 i^2 = a 1 (a 2 − b 2 i) − b 1 i(a 2 − b 2 i) = (a 1 − b 1 i)(a 2 − b 2 i) = z 1 z 2

3.4 Divis˜ao

Dados os n´umeros complexos z = (a, b) e w = (c, d), temos: w z

ac + bd a^2 + b^2

ad − bc a^2 + b^2

ac + bd a^2 + b^2

ad − bc a^2 + b^2

i =

ac + bd + adi − bci a^2 + b^2

ac + adi − bci − bdi^2 (a + bi)(a − bi)

a(c + di) − bi(c + di) (a + bi)(a − bi)

(c + di)(a − bi) (a + bi)(a − bi)

w · ¯z z · z¯

w z

w · z¯ z · ¯z Assim para fazer a divis˜ao entre w e z multiplicamos o numerador e o denominador pelo conjugado do denominador. Desse modo obtemos um n´umero complexo na forma alg´ebrica.

3.5 M´odulo de um n´umero complexo

Geometricamente, o m´odulo de um n´umero complexo ´e definido como a distˆancia do afixo de z (afixo ´e o ponto do plano complexo associado ao n´umero z) `a origem do sistema de coordenadas.

a ≥ 0 ⇒ a = |a| a < 0 ⇒ a < |a|

⇒ a ≤ |a| (1)

a^2 ≤ a^2 + b^2 ⇒

a^2 ≤

a^2 + b^2 ⇒ |a| ≤ |z| (2) Comparando (1) e (2), vem:

a ≤ |a| ≤ |z| ⇒ Re(z) ≤ |Re(z)| ≤ |z|

  1. An´alogo ao item 4.

Teorema 6 ∀z 1 , z 2 ∈ C:

  1. |z 1 z 2 | = |z 1 ||z 2 |

z 1 z 2

∣ =^

|z 1 | |z 2 |

  1. |z 1 + z 2 | ≤ |z 1 | + |z 2 | (desigualdade triangular)

Demonstra¸c˜ao:

  1. |z 1 z 2 |^2 = (z 1 z 2 )(z 1 z 2 ) = (z 1 z 1 )(z 2 z 2 ) = |z 1 |^2 |z 2 |^2 = (|z 1 ||z 2 |)^2 ⇒ |z 1 z 2 | = |z 1 ||z 2 |
  2. Notemos inicialmente que ∣ ∣ ∣ ∣

z

a + bi

a − bi (a + bi)(a − bi)

a − bi a^2 + b^2

a^2 + b^2 (a^2 + b^2 )^2

a^2 + b^2

|z|

Temos ent˜ao: ∣ ∣ ∣ ∣

z 1 z 2

∣z^1 ·^

z 2

∣ =^ |z^1 |

z 2

∣ =^ |z^1 |^

|z 2 |

|z 1 |z 2 |

|z 1 +z 2 |^2 = (z 1 +z 2 )(z 1 + z 2 ) = (z 1 +z 2 )(z 1 +z 2 ) = z 1 z 1 +z 2 z 2 +z 1 z 2 +z 2 z 1 =

|z 1 |^2 +|z 2 |^2 +z 1 z 2 +z 1 z 2 = |z 1 |^2 +|z 2 |^2 +2Re(z 1 z 2 ) ≤ |z 1 |^2 +|z 2 |^2 +2|z 1 z 2 | = |z 1 |^2 + |z 2 |^2 + 2|z 1 ||z 2 | = (|z 1 | + |z 2 |)^2 ⇒ |z 1 + z 2 | ≤ |z 1 | + |z 2 |

4 A forma trigonom´etrica ou polar

Sabemos que um n´umero complexo z = a + bi ´e representado por um ponto do plano, de coordenadas (a, b). Essas s˜ao as coordenadas cartesianas do ponto z. Veremos agora esse mesmo ponto em coordenadas polares.

Figura 5: Coordenadas polares de z

  1. O m´odulo do vetor

Oz, indicado por |z| ou por ρ, representando a distˆancia do ponto z `a origem do plano;

  1. O ˆangulo θ, em que 0 ≤ θ ≤ 2 π, que o vetor

Oz forma com o eixo Re(z). Esse ˆangulo θ ´e chamado de argumento de z e indicado por arg(z). Observando a figura anterior vemos que

cos θ =

a |z|

e sen θ =

b |z| Essas igualdades levam a a = |z| cos θ b = |z|sen θ

Substituindo esses valores em z = a + bi temos:

z = a + bi = |z| cos θ + i|z|sen θ = |z|(cos θ + isen θ) ∴ z = |z|(cos θ + isen θ)

que ´e a chamada forma trigonom´etrica ou forma polar.

e (cos θ 2 + isen θ 2 )(cos θ 2 − isen θ 2 ) = cos^2 θ 2 + sen 2 θ 2 = 1

temos portanto

z 1 z 2

|z 1 | |z 2 |

[cos(θ 1 − θ 2 ) + isen (θ 1 − θ 2 )]

4.1.3 Potencia¸c˜ao

Defini¸c˜ao 5 Dados z ∈ C e n ∈ Z, a potˆencia de base z e expoente n ´e o n´umero zn^ tal que

zn^ =

1 se n = 0 e z 6 = 0 zn−^1 z se n > 0 1 z−n^

se n < 0 e z 6 = 0

Teorema 7 (1a^ f´ormula de De Moivre) zn^ = |z|n[cos(nθ) + isen (nθ)] ∀n ∈ Z.

Demonstra¸c˜ao: Provemos que a propriedade ´e v´alida para n ∈ N, usando o princ´ıpio da indu¸c˜ao finita.

  • Se n = 0, ent˜ao

z^0 = 1 = |z|^0 [cos(0 · θ) + isen (0 · θ)]

  • Admitamos a validade da f´ormula para n − 1 e provemos para n:

zn^ = zn−^1 z = |z|n−^1 [cos((n − 1)θ) + isen ((n − 1)θ)]|z|(cos θ + isen θ) = (|z|n−^1 |z|)[cos((n − 1)θ + θ) + isen ((n − 1)θ + θ)] = |z|n[cos(nθ) + isen (nθ)]

Provemos agora a propriedade para n < 0.

zn^ =

z−n^

cos 0 + isen 0 |z|−n[cos(−nθ) + isen (−nθ)]

|z|−n^

[cos(0−(−nθ))+isen(0−(−nθ))] =

|z|n[cos(nθ) + isen (nθ)]

4.1.4 Radicia¸c˜ao

Defini¸c˜ao 6 A raiz n-´esima de z ∈ C e indicado por n

z ´e o n´umero com- plexo w tal que wn^ = z.

Para demonstrar o teorema seguinte precisamos do seguinte resultado da teoria dos n´umeros.

Teorema 8 (Divis˜ao eucidiana) Dados a, b ∈ Z, b 6 = 0, existem inteiros q e r tais que a = bq + r, com 0 ≤ r < |b|. Al´em disso, q e r s˜ao ´unicos.

Demonstra¸c˜ao: Veja (4).

Teorema 9 (2a^ f´ormula de De Moivre) Dados o n´umero complexo z = |z|(cos θ + isen θ) e o n´umero inteiro n > 0 , existem n ra´ızes n-´esimas dis- tintas de z da forma

zk = n

z = n

|z|

cos

θ + 2kπ n

  • isen

θ + 2kπ n

com k = 0, 1 , 2 ,... , n − 1.

Demonstra¸c˜ao: Determinemos os complexos zk tais que zkn = z. Se zk = r(cosφ + isen φ), ent˜ao:

rn(cos(nφ) + isen (nφ)) = |z|(cos θ + isen θ)

Portanto ´e necess´ario:

rn^ = |z| ⇒ r = n

|z| ∈ R

e cos(nφ) = cos θ sen (nφ) = sen θ

⇒ nφ = θ + 2kπ ⇒ φ =

θ + 2kπ n

, k ∈ Z

Dois ˆangulos s˜ao ditos congruentes se a diferen¸ca entre eles ´e um m´ultiplo de 2π. Dada uma raiz zk, se zk = zk′ , ent˜ao

φ ≡ φ′^ ⇔

θ + 2kπ n

θ + 2k′π n

= 2Kπ ⇔ k − k′^ = Kn ⇔ k = k′^ + Kn