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Materia Teórica de Probabilidade e Estatistica
Tipologia: Notas de estudo
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Lisboa, 11 de Setembro de 2010
9.7 Coeficiente de determina¸c˜ao e an´alise de res´ıduos na avalia¸c˜ao do modelo. 345
Referˆencias e formul´ario 354
i
transcendentes elementares, s´eries num´ericas;
Com efeito estabelece-se como desej´avel que as/os alunas/os tenham obtido aprova¸c˜ao as disciplinas de C´alculo Diferencial e Integral I e II de cujos programas se plasmaram os dois blocos de t´opicos listados acima.^1 Posto isto, o facto de a disciplina poder ser introduzida no primeiro semestre do segundo ano de algumas licenciaturas e de as/os alunas/os poderem ainda n˜ao ter obtido aprova¸c˜aoa disciplina de C´alculo Diferencial e Integral II requer alguns cuidados especiais na lecciona¸c˜ao de alguns t´opicos, nomeadamente pares aleat´orios cont´ınuos.
Importa referir que a disciplina de Probabilidades e Estat´ıstica ´e a primeira e ´ultima disciplina da ´area leccionada pela Sec¸c˜ao de Probabilidades e Estat´ıstica em licenciaturas e mestrados integrados em Engenharia do IST, salvo rar´ıssimas excep¸c˜oes. Realce-se que a disciplina de Probabilidades e Estat´ıstica e os conceitos nela apreendidos abrem, no entanto, as portas a outras disciplinas que surgem posteriormente no plano curricular das licenciaturas e mestrados integrados do IST e que podem ter car´acter complementar na ´area de Probabilidades e Estat´ıstica ou estarem directamente ligadas a aplica¸c˜oes espec´ıficas em Engenharia. A t´ıtulo meramente exemplificativo ocorre nomear
S˜ao elas as disciplinas de:
(^1) Estes t´opicos s˜ao aqui mencionados pela ordem em surgem naqueles programas e n˜ao pela ordem em que s˜ao necess´arios na disciplina de Probabilidades e Estat´ıstica.
A disciplina de Probabilidades e Estat´ıstica tem por objectivo a inicia¸c˜ao ao estudo da teoria das probabilidades e inferˆencia estat´ıstica, tendo em vista a compreens˜ao e aplica¸c˜ao dos seus principais conceitos e m´etodos.^2 Ap´os a aprova¸c˜ao `a disciplina as/os alunas/os devem ser capazes de:
De modo a atingir plenamente estes objectivos operacionais parece-nos essencial que a estrutura de apresenta¸c˜ao dos cap´ıtulos destas notas de apoio respeite a filosofia aprender (^2) Ver, por exemplo, o link da disciplina de Probabilidades e Estat´ıstica no plano curricular do Mestrado integrado em Eng. Electrot´ecnica e de Computadores.
Exemplo 1.2 — Duas vari´aveis aleat´orias discretas Um computador possui um n´umero elevado de componentes de um mesmo tipo que falham de modo independente. O n´umero de componentes desse tipo que falham por mˆes ´e uma vari´avel aleat´oria com distribui¸c˜ao de Poisson com variˆancia igual a um. Admita que o computador s´o falha se pelo menos doze dessas componentes falharem. Calcule a probabilidade de o computador n˜ao ter falhado ao fim de um ano.
λ : V (X) = 1 λ = 1
P (X 12 = x) = e
− 1212 x x! , x^ = 0,^1 ,^2 ,...
P (comp. n˜ao falhar num ano) = P (X 12 ≤ 11) = FP oisson(12)(11) tabela ' 0. 4616.
Exemplo 1.3 — Duas vari´aveis aleat´orias cont´ınuas A resistˆencia el´ectrica^3 (X) de um objecto e a sua condutˆancia el´ectrica^4 (Y ) est˜ao relacionadas do seguinte modo: Y = X−^1. Assuma que
P (X ≤ x) =
0 , x < 900 x− 200900 , 900 ≤ x ≤ 1100 1 , x > 1100
e determine a probabilidade de a condutˆancia el´ectrica exceder 10−^3 mho.
P (Y > 10 −^3 mho) = P
− 3
)
( X < 103
)
Importa fazer um reparo sobre a resolu¸c˜ao dos exemplos/exerc´ıcios das notas de apoio. Ela ´e apresentada em pequenas sec¸c˜oes com cabe¸calho logo tem um car´acter aparentemente repetitivo que se tem revelado, por sinal, ´util para que as/os alunas/os aprendam a estruturar devidamente a resolu¸c˜ao de qualquer exerc´ıcio da disciplina de Probabilidades e Estat´ıstica. (^3) A resistˆencia el´ectrica ´e a capacidade de um corpo qualquer se opor `a passagem de corrente el´etrica pelo mesmo; de acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI), a resistˆencia el´ectrica ´e medida em ohm (http://pt.wikipedia.org/wiki/Resistˆencia el´etrica). (^4) A condutˆancia el´ectrica mede a facilidade com que a corrente el´ectrica flui atrav´es de uma componente el´ectrica, logo trata-se do rec´ıproco da resistˆencia el´ectrica; de acordo com o SI, a condutˆancia el´ectrica ´e medida em siemens ou mho (http://pt.wikipedia.org/wiki/Condutˆancia el´etrica).
Palavras como
pertencem ao vocabul´ario corrente e s˜ao utilizadas com extrema frequˆencia por todos, em parte por termos a convic¸c˜ao de que a natureza ´e mut´avel e incerta, de que o futuro encerra em si in´umeras possibilidades e de que o acaso governa o mundo. Na formaliza¸c˜ao matem´atica actual, a probabilidade ´e um termo medindo o grau de possibilidade ou de credibilidade de ocorrˆencia de um acontecimento.
A formaliza¸c˜ao moderna de Probabilidade assenta nas noc˜oes de
Defini¸c˜ao 2.1 — Experiˆencia aleat´oria (E.A.) Experiˆencia cujo resultado exacto n˜ao pode ser predito antes da realiza¸c˜ao da mesma devido `a interven¸c˜ao do acaso. •
Nota 2.2 — Experiˆencia aleat´oria No caso de a experiˆencia aleat´oria poder ser repetida um grande n´umero de vezes, em condi¸c˜oes mais ou menos semelhantes, os resultados globais apresentam certa “regularidade estat´ıstica”... •
Exemplo 2.3 — Experiˆencias aleat´orias
Designa¸c˜ao Experiˆencia aleat´oria E 1 Registo do n´umero de viaturas que atingem os 100Km/h em menos de 6 segundos, em 7 viaturas testadas E 2 Contagem do n´umero anual de acidentes de autom´ovel na A E 3 Medi¸c˜ao da resistˆencia de uma mola da suspens˜ao de uma viatura
Defini¸c˜ao 2.4 — Espa¸co de resultados Conjunto de todos os resultados poss´ıveis de uma E.A. E conhecido antes de a E.A. se´ realizar e ´e usualmente representado pela letra grega Ω. •
Nota 2.5 — Espa¸co de resultados Ω diz-se:
Nota 2.10 — Classifica¸c˜ao de eventos O evento A diz-se:
Defini¸c˜ao 2.11 — Eventos disjuntos Os eventos A e B dizem-se disjuntos (ou mutuamente exclusivos, ou incompat´ıveis) sse
A ∩ B = ∅, (2.1)
i.e., se a realiza¸c˜ao simultˆanea de A e B for imposs´ıvel. •
Defini¸c˜ao 2.12 — Inclus˜ao de eventos Quando o evento A est´a contido (incluso) em B — A ⊂ B — verifica-se:
Realiza¸c˜ao de A ⇒ Realiza¸c˜ao de B (2.2) Realiza¸c˜ao de A 6 ⇐ Realiza¸c˜ao de B, (2.3)
i.e., a realiza¸c˜ao de A implica a de B mas a implica¸c˜ao no sentido contr´ario n˜ao ´e necessariamente verdadeira. •
Uma vez que os eventos n˜ao passam de (sub)conjuntos ´e poss´ıvel efectuar opera¸c˜oes sobre eventos j´a nossas conhecidas como s˜ao o caso da intersec¸c˜ao, da reuni˜ao, etc. Descreveremos o seu significado em termos de realiza¸c˜oes de eventos quer verbalmente, quer `a custa de um diagrama de Venn. Sejam
Ent˜ao podemos efectuar as seguintes opera¸c˜oes sobre A e B:
Opera¸c˜ao Nota¸c˜ao Descri¸c˜ao verbal Diagrama de Venn
Intersec¸c˜ao A ∩ B Realiza¸c˜ao simultˆanea de A e de B
Reuni˜ao A ∪ B Realiza¸c˜ao de A ou de B, i.e., de pelo menos um dos dois eventos
Diferen¸ca B\A Realiza¸c˜ao de B sem que se realize A (B excepto A)
A\B Realiza¸c˜ao de A sem que se realize B (A excepto B)
Complementar A N˜ao realiza¸c˜ao de A
A probabilidade ´e um conceito extraordinariamente complexo e, como teremos ocasi˜ao de ver daqui a pouco, somos capazes de adiantar algumas no¸c˜oes de probabilidade que se revelar˜ao insatisfat´orias devido a limita¸c˜oes a elas subjacentes.
Defini¸c˜ao 2.13 — Probabilidade cl´assica de Laplace Considere-se uma E.A. com espa¸co de resultados Ω com as seguintes particularidades: Ω ´e constitu´ıdo por
Considere-se ainda que a realiza¸c˜ao do evento A passa pela ocorrˆencia de m dos n eventos elementares, i.e., #A = m. Ent˜ao a probabilidade de realiza¸c˜ao de A ´e dada por:
P (A) = n´umero de casos favor´n´umero de casos poss´aveis `a ocorrˆıveisencia de A
= # #ΩA
= m n
Nota 2.14 — Limita¸c˜oes da probabilidade cl´assica de Laplace Esta defini¸c˜ao s´o ´e v´alida quando
pressupostos estes frequentemente violados na pr´atica. •
(^1) Nada leva a crer que a ocorrˆencia de algum dos eventos ´e privilegiada em rela¸c˜ao `a dos restantes.
Exemplo 2.15 — Probabilidade cl´assica de Laplace Admita que num stand se encontram 353 viaturas de somente duas marcas (A e B). Destas:
Calcule a probabilidade de uma viatura seleccionada ao acaso ser da marca A.
P (A) = mn =^201353.
Antes de passarmos a uma outra no¸c˜ao de probabilidade ´e conveniente adiantarmos a defini¸c˜ao de frequˆencia relativa de um evento bem como as propriedades alg´ebricas dessa mesma frequˆencia.
Defini¸c˜ao 2.16 — Frequˆencia relativa Sejam:
Ent˜ao a frequˆencia relativa do evento A ´e dada por
fN (A) = nN N^ (A ). (2.5)