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Probabilidade, Estatísticas e Processos Estocásticos
Tipologia: Notas de estudo
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Probabilida de, Estatíst i a e Pro essos Esto ásti o s
Carlos Alb erto Ynoguti
24 de julho de 2007
Agrade imentos
Ao Prof. Dr. Dayan Adionel Guimarães p ela riteriosa revisão do texto.
Capítulo 1
Probabilidade
1.1 Intro dução.
Em muitos problemas físi os de interesse, existe um elemento de in erteza, ou aleato- riedade. Indep endente de quanto p ossamos onhe er da história passada de um dado fenmeno, somos essen ialmente in apa itado s de predizer seu omp ortame nt o futuro de forma pre isa. Ex. ara ou oroa.
Foi observado que nestes asos ertas médias tendem a um valor onstante à medida em que o número de observaçõ es res e. (No exemplo da ara e oroa, quais seriam estas médias?) Desde que as médias geralmente exib em tal regularidade , e são p ortanto razoavelmente previsíveis, pare e ser desejável desenvolver um estudo sobre o ál ulo destas médias. Este é o domínio da teoria matemáti a da probabilidad e e estatísti a. O prop ósito desta é des rever e predizer tais médias em termos de probabilidad e s de eventos.
Algumas deniçõ es imp ortantes:
Denição 1.1. Experimento aleatório: um experimento é hamado aleatório se seu resultado não pode ser predito pre isamente porque as ondições em que é realizado não podem ser predeterminadas om pre isão su iente. Exemplo: arremesso de dados ou moedas.
Denição 1.2. Resultados: são os resultados parti ulares da exe u ç ã o de um ex- perimento. Exemplo: ara, oroa.
2 Probabilidade
Denição 1.3. Eventos: são onjuntos de resultados que atendem a algumas espe- i ações. Exemplo: no aso de jogar dados, o evento número ímpar em um arremesso pode resultar de qualque r um de 3 resultados 1,3,5. Desta forma este é um evento de 3 resultados. Portanto, eventos são agrupamentos de resultados em lasses.
1.2 Teoria de Conjuntos.
Denição 1.4. Espaço amostral: o espaço amostral S é denido omo uma oleção de todos os resultados possíveis de um experimento aleatório. Cada resultado é um elemento ou amostra deste espaço e pode ser onvenientemente representado por um ponto no espaço amostral.
Exemplo 1.1. No aso do dado, o espaço amostral onsiste de 6 elementos ζ 1 , ζ 2 , ζ 3 , ζ 4 , ζ 5 , ζ 6 , onde os ζi representam o resultado i pontos. O evento, por outro lado, é um sub onjunto de S. O evento número ímpar em um arremesso, denotado por Ao , é um sub onjunto de S (ou um onjunto om os elementos ζ 1 , ζ 3 e ζ 5 ). Similarmente, o evento número par em um arremesso, denotado por Ae é outro sub onjunto de S (ou um onjunto om os elementos ζ 2 , ζ 4 e ζ 6 ). O evento número menor ou igual a 4 em uma jogada, denotado por B é formado pelos elementos ζ 1 , ζ 2 , ζ 3 e ζ 4. Na Figura 1.1 abaixo, tem-se uma representação grá a destes eventos em um dia- grama de Venn.
Ao
Ae
ζ 1 ζ 3 ζ 5
ζ 2 ζ 4 ζ 6
Figura 1.1: Espaço amostral para o arremesso de um dado.
4 Probabilidade PSfrag repla ement s
a) b)^ ) d)
A A A
A B B B
S (^) Ac S S S
Figura 1.2: Representação do a) omplement o , b) união, ) interseção de eventos, e d) eventos disjuntos.
1.2.1 Lei de De Morgan.
Teorema 1.1. Se A e B são eventos em um espaço amostral então:
A + B = A B (1.1) Equivalenteme nte , podemos es reve r :
AB = A + B (1.2)
Demonstração. A lei de De Morgan p o de ser fa ilmente demonstrada p or meio de dia- gramas de Venn:
PSfrag repla ement s A B A B
A + B (^) A B A B
Figura 1.3: Demonstração da lei de De Morgan.
Observação A apli ação rep etida da equação (1.1) leva ao seguinte: se em uma identidade de on- juntos substituimos to dos os onjuntos p elos seus omplement o s, to das as uniõ es p or interse çõ es, e to das as interse çõ es p or uniõ es, a identidade é preservada.
Exemplo 1.2. Seja a identidade
Probabilidade 5
Usando (1.1) segue que
A(B + C) = A + B + C = A + B C
Similarmente
AB + AC = AB AC = (A + B)(A + C)
e desde que os dois lados de (1.3) são iguais, seus omplementos também o são. Portanto
Estas identidades podem ser fa ilmente onferidas por meio de diagramas de Venn.
1.2.2 Prin ípio da Dualidade.
Sab emos que S = φ e φ = S. Além disso, se em uma identidade omo (1.3) to das as barras forem removidas, a identidade é preservada. Isto leva à seguinte versão da lei de De Morgan:
Prop osição 1.1. Se em uma identidade de onjuntos substituímos todas as uniões por interse ções, todas as interse ções por uniões, e os onjuntos S e φ pelos onjuntos φ e S respe tivamente , a identidade é preservada.
Apli ando o teorema a ima às identidades
A(B + C) = AB + AC S = A + S
obtemos as identidades
A + BC = (A + B)(A + C) φ = φA
1.3 Deniçõ es de Probabilidade.
1.3.1 Frequên ia Relativa.
Emb ora o resultado de um exp erimento aleatório seja imprevisível, existe uma regula- ridade estatísti a sobre este, e a denição p or freqüên ia relativa baseia-se nesta regu- laridade.
Probabilidade 7
Solução. Neste aso, os resultados p ossíveis são:
1.3.3 Clássi a.
Denição 1.12. A probabilidade P (A) de um evento A é determinada a priori sem experimentação real, e é dada pela expressão
P (A) = nA n
onde: n: número de resultados possíveis, nA: número de resultados favoráveis ao evento A.
Versão melhorada da denição lássi a
Denição 1.13. A probabilidade de um evento é igual à razão entre seus resulta- dos favoráveis e o número total de resultados, desde que todos os resultados sejam equiprováv e is.
Exemplo 1.4. Arremesso de um dado P (ímpar) = 3/6 = 1/ 2.
1.4 Cál ulo de probabilidades usando méto dos de onta-
gem.
Em muitos exp erimentos om espaços amostrais nitos, os resultados p o dem ser assu- midos omo sendo equiprováveis. A probabilidad e de um evento é então a razão entre o número de resultados no evento de interesse e o número total de resultados no espaço amostral. O ál ulo das probabilidad e s se reduz a ontar o número de resultados de um evento.
8 Probabilidade
Sup onha que um teste de múltipla es olha tem k questõ es e para a questão i o estudante pre isa sele ionar uma entre ni resp ostas p ossíveis. Qual é o número total de mo dos de resp onder a to do o teste? A resp osta à questão i p o de ser vista omo a esp e i ação da i-ésima omp onente de uma k-upla, de mo do que a questão a ima é equivalente a: quantas k-uplas ordenadas distintas (x 1 ,... , xk) são p ossíveis se xi é um elemento de um onjunto om ni elementos distintos? O número de k-uplas ordenadas distintas (x 1 ,... , xk) om omp onentes xi, de um onjunto om ni elementos distintos é dado p or
número de k-uplas ordenadas distintas = n 1 n 2... nk (1.12)
Muitos problemas de ontagem p o dem ser olo ados omo problemas de amostra- gem onde sele ionamos b olas em urnas ou ob jetos em p opulaçõ es. Iremos agora usar a Equação 1.12 para desenvolver fórmulas ombinatori a i s para vários tip os de amostra- gem.
1.4.1 Amostragem om rep osição e ordenação.
Sup onha que es olhemos k ob jetos de um onjunto A que tem n ob jetos distintos, om rep osição. Iremos nos referir ao onjunto A omo a população. O exp erimento pro duz uma k-upla ordenada (x 1 ,... , xk), onde xi ∈ A, i = 1, 2 ,... , k. A Equação 1.12, om n 1 = n 2 =... = nk = n impli a que
número de k -uplas ordenadas distintas = nk^ (1.13)
Exemplo 1.5. Uma urna ontém in o bolas numeradas. Suponha que sele ionamos duas bolas da urna om reposição. Quantos pares ordenados distintos são possíveis? Qual é a probabilidade de retirar duas vezes a mesma bola?
Solução. A Equação 1.13 diz que o número de pares ordenados é 52 = 25. Na Tab ela abaixo temos os pares p ossíveis. Cin o dos resultados p ossíveis são de b olas om o mesmo número. Se sup omos que to dos os resultados p ossíveis são equiprováveis, então a probabilidad e de retirar a mesma b ola duas vezes é 5 /25 = 0, 2.
(1,1) (1,2) (1,3) (1,4) (1,5) (2,1) (2,2) (2,3) (2,4) (2,5) (3,1) (3,2) (3,3) (3,4) (3,5) (4,1) (4,2) (4,3) (4,4) (4,5) (5,1) (5,2) (5,3) (5,4) (5,5)
1.4.2 Amostragem sem rep osição e om ordenação.
O problema agora onsiste em es olher k ob jetos em su essão, sem rep osição, de uma p opulação A de n ob jetos distintos. Claramente, k ≤ n. O número de resultados p ossíveis na primeira retirada é n 1 = n, e o número de resultados p ossíveis na segunda
10 Probabilidade
1.4.4 Amostragem sem rep osição e sem ordenação.
Sup onha que p egamos k ob jetos de um onjunto de n ob jetos distintos sem rep osição e armazenamo s o resultado sem nos imp ortarmos om a ordem. Chamamos o sub onjunto resultante de k ob jetos sele ionados de uma ombinação de tamanho k". Da Equação 1.15, existem k! sequên ias nas quais os ob jetos sele ionados p o dem ter sido sele ionados. Então se Ckn denota o número de ombinaçõ es de tamanho k de um onjunto de tamanho n, então Ckn k! é o número total de amostras ordenadas distintas de k ob jetos, a qual é dada p ela Equação 1.14. Então
Ckn k! = n(n − 1)... (n − k + 1) (1.17)
e o número de ombinaçõ es diferentes de tamanho k de um onjunto de tamanho n, k ≤ n, é
Ckn = n(n − 1)... (n − k + 1) k! = n! k!(n − k)! ≡
( n k
) (1.18)
A expressão
(n k
) é hamada de oe iente binomial. Note que es olher k ob jetos de um onjunto de n é equivalente a es olher os (n − k) ob jetos que não foram sele ionados. Segue então que ( n k
( n n − k
) (1.19)
Exemplo 1.8. En ontre o número de modos de sele ionar dois objetos de A = { 1 , 2 , 3 , 4 , 5 } sem se importar om a ordem.
Solução. A Equação 1.18 forne e ( 5 2
5! 2!3!
Abaixo temos a listagem destes 10 pares.
(1,2) (1,3) (1,4) (1,5) (2,3) (2,4) (2,5) (3,4) (3,5) (4,5)
Exemplo 1.9. En ontre o número de permutações distintas de k bolas bran as e (n−k) bolas pretas.
Solução. Este problema é equivalente ao seguinte problema de amostragem: olo que n etiquetas numeradas de 1 a n em uma urna, onde ada etiqueta representa uma p osição no arranjo das b olas; p egue uma ombinação de k etiquetas e olo que as k b olas bran as nas p osiçõ es orresp ondente s. Cada ombinação de tamanho k leva a um arranjo diferente (p ermutação ) de k b olas bran as e (n − k) b olas pretas. Então o número de p ermutaçõ es distintas de k b olas bran as e (n − k) b olas pretas é Cnk.
Probabilidade 11
Este exemplo mostra que a amostragem sem rep osição e sem ordenação é equivalente a parti ionar o onjunto de n ob jetos distintos em dois onjuntos: B, ontendo os k itens que foram retirados da urna, e Bc, ontendo os (n − k) deixados na urna. Sup onha que parti ionemo s um onjunto de n ob jetos distintos em F sub onjuntos B 1 , B 2 ,... , BF , onde ao sub onjunto Bj são asso iados kj elementos e k 1 +k 2 +.. .+kF = n. Neste aso, o número de ombinaçõ es distintas é dado p or
n! k 1 !k 2!... kF!
A Equação 1.21 é hamada de o e iente multinomial. O o e iente binomial é o aso F = 2 dos o e ientes multinomiai s.
1.4.5 Amostragem om rep osição e sem ordenação.
Sup onha que tomemos k ob jetos de um onjunto de n ob jetos distintos om rep osição e armazenamo s os resultados sem nos imp ortarmos om a ordem. Isto p o de ser feito preen hendo - se um formulário om n olunas, uma para ada ob jeto distinto. Cada vez que um ob jeto é sele ionado, um x é olo ado na oluna orresp ondente. Por exemplo, se sele ionamos 5 ob jetos de 4 ob jetos distintos, um formulário destes p o deria ter a seguinte forma:
Ob jeto 1 Ob jeto 2 Ob jeto 3 Ob jeto 4 xx x xx
Note que este formulário p o de ser resumido p ela sequên ia xx / / x / xx, onde o símb olo / é usado para separar as entradas para as diferentes olunas. Desta forma os (n -1) /'s indi am as linhas entre as olunas, e onde nada apare e entre /'s onse utivos se o ob jeto orresp ondente não foi sele ionado. Cada arranjo diferente de 5 x's e 3 /'s leva a um formulário distinto. Se identi arm o s os x's om b olas bran as e os /'s om b olas pretas, então este problema( foi onsiderado no Exemplo 1.9, e o número de arranjos diferentes é dado p or 8 3
) . No aso geral o formulário irá envolver k x's e (n − 1) /'s. Então o número de mo dos diferentes de es olher k ob jetos de um onjunto de n ob jetos distintos om rep osição e sem ordenação é dado p or
( n − 1 + k k
( n − 1 + k n − 1
) (1.22)
1.5 Probabilidade Conjunta.
Ao invés de lidar om um exp erimento, onsideremos agora dois exp erimentos e seus resp e tivos resultados. Por exemplo, os dois exp erimentos p o dem ser dois arremessos onse utivos de um úni o dado ou um úni o arremesso de dois dados. Em amb os os asos, o espaço amostral onsiste de 36 duplas (i, j), onde i, j = 1, 2 , 3 , 4 , 5 , 6. Se os dados são ideais, a ada p onto do espaço amostral é asso iada uma probabilidad e 1/36. Po demos agora onsiderar eventos onjuntos tais omo {i é par, j = 3}, e determinar